Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
O incêndio do Museu Nacional é uma tragédia cultural, de enormes proporções, para o Brasil e para a humanidade. Comparável ao incêndio da Biblioteca de Alexandria, à destruição da cidade de Pompéia, à explosão dos Budas de Mianmar pelos Talibãs no Afeganistão.
Por Jandira Feghali e Alexandre Santini*
Tania Rego / Agência Brasil “O Brasil, como uma fênix, precisará renascer das cinzas” “O Brasil, como uma fênix, precisará renascer das cinzas”
Mais que um Museu, é parte da história brasileira, do império à república, que se esvai ardendo em chamas. Além da história do Brasil, foram destruídos patrimônios que remontam à história do mundo, antes mesmo da própria existência do ser humano. A coleção de paleontologia, com os Dinossauros que permearam a imaginação de gerações de crianças. As múmias egípcias, o acervo de arte africana doado pelo Rei do Daomé, todo o acervo de arte indígena, o fóssil de Luzia, nossa ancestral de 12 mil anos, são apenas alguns exemplos desta perda irreparável, desta ferida profunda que se abre em nossa história e em nossa memória com este trágico acontecimento de proporções irreparáveis.
Devemos lembrar que no Museu Nacional funcionava parte importante do trabalho de ensino e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ali até ontem eram formados e trabalhavam antropólogos, museólogos, restauradores, arquivistas, pesquisadores. Não é só o passado, portanto, que se perde. O futuro também fica seriamente comprometido, em um momento que o país atravessa uma profunda crise, com o sucateamento do Estado, e dos serviços públicos essenciais. Não há como não associar esta tragédia ao golpe em curso contra o povo brasileiro. Trata-se de um incêndio criminoso, e como tal cabe apurar responsabilidades, apontando seus mandantes, co-autores e cúmplices.
Em todo o mundo, instituições como o Museu Nacional não só são sustentáveis, como também lucrativos. O Museu de História Natural de Nova York, os Museus do Ouro da Colômbia e do Peru, o Louvre, o Hermitage, o complexo museológico do Vaticano, são parte do “soft power” e das estratégias de desenvolvimento de seus países, fomentam a economia, o turismo, formam profissionais, empregam mão de obra especializada, geram trabalho e renda, são parte do orgulho nacional. É vergonhoso constatar que, até abril deste ano, um Museu dessa importância tenha recebido irrisórios 54 mil reais para o desenvolvimento de suas atividades, e que seus funcionários tinham que fazer vaquinha para comprar café e produtos de limpeza.
Assistimos, estarrecidos, à entrevista do Ministro da Cultura do governo golpista de Michel Temer, que ao vivo em rede nacional, diante da imagem do museu em chamas, tentou politizar a tragédia, e ainda se eximir de responsabilidade, declarando que o Museu Nacional era gerido pela UFRJ, e não pelo MinC. Ora, a quem cabe a gestão da política nacional de patrimônio artístico e histórico do Brasil, se não ao Ministério da Cultura?
Sabemos que o problema da falta de investimentos em nossa cultura e patrimônio não é de hoje. Há tempos temos chamado atenção para a necessidade de colocar as políticas culturais na centralidade de um projeto de desenvolvimento para o país. Mas é necessário reconhecer que, no governo Lula, junto a toda uma nova concepção de política cultural construída a partir da gestão de Gilberto Gil, a política de patrimônio museal ganhou novo impulso com a criação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), da Política Nacional de Museus, do Estatuto dos Museus e de 14 novos cursos de Museologia nas universidades públicas.
Trata-se de tragédia anunciada, em um governo que aprova a PEC do teto de gastos, que cortou mais de 60% do orçamento de manutenção nas universidades públicas, que eliminou qualquer investimento em educação, ciência e cultura. O Museu Nacional em chamas é o símbolo da dilapidação do país, de seu patrimônio, memória, e inteligência. Não é fato isolado. A destruição do Museu Nacional é expressão de um projeto orientado para a destruição do Brasil, que se reflete na precarização dos serviços públicos, da explosão do desemprego e da fome, da volta de doenças já erradicadas, da explosão do desemprego e da violência. As chamas são uma trágica evocação das consequências sombrias do golpe para o futuro do Brasil.
O cenário da manhã desta segunda-feira de cinzas, em frente ao Museu Nacional, era a visão de um velório. O choro, a tristeza e a revolta dos servidores públicos, estudantes, técnico-administrativos, funcionários terceirizados da segurança e da limpeza, pessoas que dedicaram anos de sua vida àquele lugar. O Museu Nacional é aquele que boa parte toda a população fluminense visitou em sua infância, ou levou seus filhos para visitar, pela facilidade do acesso, pela localização privilegiada em um dos nossos maiores e melhores parques públicos, pela proximidade com o Jardim Zoológico. Aos trabalhadores e trabalhadoras do Museu Nacional e da UFRJ, todo o nosso apoio e solidariedade.
O Brasil, como uma fênix, precisará renascer das cinzas. Essa é a batalha diária que precisaremos enfrentar, a partir de agora, todas as horas do dia, para interromper a destruição de nosso país. O Brasil, que na última década se afirmava como uma esperança para o mundo, hoje emite sinais diários de degradação política e institucional. “Nem os mortos estarão em segurança se o inimigo vencer” dizia o filósofo alemão Walter Benjamin, em seu célebre ensaio “Sobre o conceito de história”. O Museu Nacional em chamas é o alerta máximo de que é preciso salvar o Brasil, devolvendo ao povo nosso passado e nosso futuro, hoje sequestrados por um consórcio de oportunistas, bandoleiros e saqueadores do patrimônio público.
*Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB-RJ e Alexandre Santini é diretor do Teatro Popular de Niterói Oscar Niemeyer
O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã.
Então descobri que não tinha mais passado.
Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.
Por Eliane Brum*
Francisco Proner O incêndio destruiu todo o acervo do Museu Nacional, mais antiga casa de pesquisa do Brasil O incêndio destruiu todo o acervo do Museu Nacional, mais antiga casa de pesquisa do Brasil
O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.
Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam.
O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo.
O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões-pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas.
Brasil, é você. Não posso ser aquele que não é.
O Museu Nacional queimando.
O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou além da interpretação?
Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita.
Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam.
As costas de Pedro ferviam.
Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.”
Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum.
A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.
“O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”
A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso ser eu?
O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. O Brasil está em chamas.
O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio.
Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”.
Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando! O Museu Nacional está queimando!”.
O Brasil está queimando.
E o meteorito estava dentro do museu.
*Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas.
Lançados oficialmente pelo Inep ontem, segunda-feira 3, os resultados podem ser conferidos em detalhes na maior plataforma de dados educacionais do Brasil. No Portal QEdu, é possível acessar os dados detalhados de Aprendizado e Fluxo, como a média em Português e Matemática; o indicador de rendimento de cada ano em cada etapa escolar (anos iniciais, anos finais e ensino médio); a evolução histórica do Fluxo, para cada ano de cada etapa escolar; e a evolução histórica do Aprendizado em Português e Matemática.
Os números apontam uma ligeira melhora na qualidade da educação nos anos iniciais do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano), atingindo a meta do governo. Já no que se refere aos últimos anos do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano), apesar da melhora no indicador, os dados revelam que vários estados e municípios não conseguiram atingir as notas estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC). No Ensino Médio, o resultado geral das escolas públicas se manteve o mesmo que 2015, não atingindo a meta.
Criado em 2007, o índice é usado como parâmetro para medir a qualidade da educação no Brasil e estabelecer políticas públicas na área. O cálculo leva em consideração o Fluxo (que representa a taxa de aprovação dos alunos) e o Aprendizado (a média padronizada na Prova Brasil, que avalia o aprendizado em Português e Matemática). Para a educação básica pública, a análise é feita por escola, município, estado e país. Na Academia QEdu, você pode conferir mais informações sobre o índice: academia.qedu.org.br.
De acordo com vice-diretora, 'era um custo a mais' para a instituição
Por RAFAEL NASCIMENTO
Rio - O prédio do Museu Nacional não possui seguro, de acordo com a vice-diretora, Cristiana Serejo. O incêndio destruiu 90% do acervo do local, entre as obras perdidas está a coleção egípcia. "Não existia aqui no museu e acredito que em nenhum outro museu exista uma brigada de incêndio. Este é um 'custo a mais'. Nenhuma peça era assegurada que eu saiba", afirma.
De acordo com a vice-diretora, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo museu, gasta R$ 8 milhões só com terceirizados no local. "Infelizmente, a gente sabe a importância de uma brigada de incêndio, mas é muito caro manter lá", comenta.
Cristina Serejo diz que o Museu Nacional está recebendo várias ofertas de doações, inclusive de instituições estrangeiras. "Vamos começar a fazer uma campanha para receber e reerguer o Museu com as coleções. Temos muitos contatos internacionais e a ideia é receber esse material. Este é o momento de clamor público e estamos nos organizando internamente", afirma.
"Foram ofertados acervos de insetos. Recebi hoje o contato de um fóssil de baleia que será doado, que inclusive era material do Museu. Estamos em contato com várias áreas, como de etimologia", declara. "Muitas coisas que estão em outros países são materiais do século XIX como: material de invertebrados, peixes — que foram emprestados aos pesquisadores do século 19 que vieram aqui, coletaram o material e levaram naquela época", completa.
Acervo recuperado
Segundo a vice-diretora, os materiais, que estão sendo encontrados, são recebidos e catalogados. "Estamos recebendo parceria para saber como vai ser esse tipo de acondicionamento dos materiais encontrados. Não é algo que pode ser de uma hora para outra ou de qualquer jeito", conta a vice-diretora. Uma empresa especializada será contratada para fazer a retirada dos escombros.
Segundo Serejo, a coleção egípcia foi totalmente perdida, mas foram salvos vertebrados, invertebrados, herbários (exsicatas, mas de 500 mil plantas), o acervo de 500 mil livros da biblioteca central — que fica no prédio anexo, alguns meteoritos, além de itens do Departamento de Paleontologia e Antropologia ainda não contabilizados. Entretanto, a Biblioteca Francisca Keller, de Antropologia Social, que ficava no prédio incendiado foi totalmente destruída, salvando somente o que estava emprestado. Ela não soube dizer quantos exemplares tinham neste espaço.
"Ainda é muito cedo pra dizer qual é a porcentagem do que sobrou, mas pode ser de 10 a 15%. Tivemos uma perda muito grande e agora nós vamos avaliar o que restou. Está sendo feito um levantamento com os especialistas nos escombros para salvar o maior número de coisas", disse a vice-diretora.
A população que encontrar objeto ou fragmento do Museu Nacional deve levar até a biblioteca, que fica em um prédio anexo na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.
Tomamos conhecimento de alguns estudantes, que resistem e luta pela CERN (Casa do Estudante do Estado do Rio Grande do Norte), que tem alguns órgãos do estado que vai "avaliar um modelo de uso e gestão da "CASA" para que ela possa ser preservada - na sua beleza arquitetônica, na sua história e na sua importância social e educacional" - Vagner Araújo (SETHAS/RN) - Fonte: (Atual presidente da CERN, TALES).
Nossa opinião: Desde já, somos totalmente contra o fechamento da CASA DO ESTUDANTE DO RN! O que o governo tem que fazer é apoiar e defender a instituição CERN, que pertence legitimamente aos ESTUDANTES POTIGUARES, já basta as décadas de sofrimentos e humilhações que centenas estudantes passaram por causa de políticas de governantes que nunca os olharam com bons olhos, esquecendo-os de que muitos que ali passaram se destacaram nas lutas sociais, chegando muitos deste a cargos importantes e que souberem respeitar e preservar suas raízes, ajudando a instituição, CERN! Sem falar de Emanuel Bezerra!
Queremos que o MP/RN assuma o papel de defesa dos interesses de quem realmente tem direito e precisa, OS ESTUDANTES! Sabemos da importância do MP neste papel! Não podemos deixar que isso ocorro, como tenta fazer com o Teatro Sandoval Wanderley - Alecrim - Natal, que está sendo "ameaçado" de demolição para construir um SHOPP!
A Casa do Estudante do RN, precisa sim! Da união da classe política e dos órgãos como: SETHAS, SEC/RN, entre outros para que possam fazer da CERN um ambiente saudável, com bibliotecas, quartos dignos, banheiros dignos, entre outras coisas mais. E abrindo as portas para alojar os nossos jovens estudantes que sonham em estudar e se formarem em Natal. E não fazer o mesmo que outros governos fizeram com a casa, literalmente abandonando-a!
Precisamos (CERN, CPC/RN, UEE/RN. DCEs entre outras marcarmos uma audiência com o MP/RN para buscarmos uma solução mais democrática, procurando preservar a história da casa e é só assim que o sonho se tornará realidade, ou seja: nossos jovens terem uma oportunidade de ter um lugar história, de luta e hospitaleiro para alojar nossos estudantes, que sua maioria são carente e não tem condições de alugar um local na capital para poderem estudarem.
Vamos a luta! O governo faça a sua parte, que os estudantes farão a sua! Nem um direito a menos!
Uma das estátuas de deusas que ficam no topo do Museu Nacional caiu nesta madrugada (imagem em destaque) - Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO
Mais de 20 estátuas de deusas que ficam no topo do
palácio do Museu Nacional correm o risco de cair e uma delas desabou durante a
madrugada. Bombeiros interromperam o trabalho de rescaldo por conta do risco
desabamento também na parte interna
Rio - As 22 estátuas de deusas que estão no topo do Museu Nacional, destruído por um incêndio, correm o risco de cair a qualquer momento. Uma delas, que representam o espaço das musas, já caiu durante a madrugada e, com isso, os trabalhos de rescaldo feito pelo Corpo de Bombeiros, seguido da busca de funcionários do museu para achar itens que não foram perdidos, foi interrompido, já que estruturas da parte interna também podem ruir. Às 9h35, uma laje da parte interna do prédio desabou. A Polícia Federal (PF) isolou todo o perímetro e ninguém mais passa para a área do palácio.
"Ninguém mais pode entrar, há também um risco de desabamento interno, das lajes e divisórias, pessoas podem ser atingidas por essas estruturas. Bombeiros deixaram o local. Temos que analisar e, depois de um pós-risco, os funcionários do museu poderão entrar para fazer a retirada dos escombros. Não existe previsão para que funcionários possam entrar para fazer esse recolhimento, pois precisamos fazer o isolamento", disse Luis Andre Moreira, coordenador técnico da Defesa Civil do município do Rio.
Além das estátuas, gradis, sancas e ferros — que estão do lado de fora — podem desabafar, por isso o motivo da interdição. Para os funcionários do museu entrar também será necessária a contratação de uma empresa credenciada pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) retirar os escombros.
Os focos de fogo ainda resistem em meio aos escombros e os bombeiros, que também estão impedidos de acessar ao local, apagam de longe os pequenos incêndios.
Exército reforça segurança
Militares das Forças Armadas reforçam a segurança no entorno do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na manhã desta terça-feira. O objetivo é evitar saques de peças preciosas que possam ainda estar perdidas nos escombros da instituição. A decisão é do Comando Militar do Leste, por solicitação da Secretaria de Segurança.
O número do efetivo não foi divulgado, mas são equipes de cinco a nove homens que, além dos armamentos convencionais, usam armas não letais e dispositivos para efetuar imobilizações e prisões. O Exército se junta a agentes da Guarda Municipal e à Polícia Militar, que estão no local desde ontem.
Reportagem de Amanda Pupo no Estado de S.Paulo informa que a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, resumiu em uma frase o incêndio que consumiu o Museu Nacional: “Uma morte anunciada”. E sem conseguir esconder a tristeza, sentenciou: “Patrimônio não tem como reconstruir. Acabou, acabou”. Chefe do instituto responsável pela fiscalização e proteção dos bens culturais do País, ela afirmou ao Estado que providências anteriores à tragédia estavam sendo tomadas, como o projeto financiado pelo BNDES, no valor de R$21,7 milhões, contrato assinado em junho deste ano, para restauração e requalificação do Museu.
“Não tem investimento nessa áreas”, disse, referindo-se à preservação de acervos e da própria infraestrutura dos museus. “É o acervo de memória do País inteiro, mas não tem recursos. Os candidatos a presidente da República, nos programas, quase nunca falam de patrimônio e cultura. É preciso acontecer uma tragédia dessas para o Brasil ficar exposto a toda a comunidade internacional”, disse, revoltada, Kátia Bogéa, de acordo com a publicação.
“A gente perdeu nossa memória, nossa história”, continuou a presidente.
“A gente não vai ter mais Luzia. Luzia morreu no incêndio”, afirmou, assustada,
referindo-se ao esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas, com cerca de
12 mil anos de idade. “Vai ver como está a situação dos nossos museus, de
acervos, qual é a importância que o Brasil está dando para isso. É uma questão
que terá de entrar num debate sério”, refletiu, completa o Estadão.
Um filme lançado recentemente que aborda o romance entre duas mulheres dentro de uma comunidade judaíca ortodoxa; mais um para uma lista de filmes
Por Alessandra Monterastelli*
A fotógrafa Ronit (Rachel Weisz) retorna para a cidade natal pela primeira vez em muitos anos em virtude da morte do pai, um respeitado rabino. Isso porque ela nasceu e viveu sua juventude em uma comunidade judia ortodoxa na Inglaterra. Seu afastamento foi abrupto (mais tarde descobrimos que foi por ela se negar a seguir o que era planejado) e seu reaparecimento (para o funeral do pai) é visto com desconfiança na comunidade. Ronit acaba acolhida por um amigo de infância (Alessandro Nivola), casado, para a sua surpresa, com sua paixão de juventude, Esti (Rachel McAdams).
Esti e Ronit viveram um romance quando jovens, que foi descoberto pelo pai de Ronit. Agora, quando ela retorna à cidade, precisa lidar novamente com o modo de vida imposto pela sua comunidade, com o confronto entre suas vontades e suas raízes e, especialmente, com sua paixão por Esti, que logo é correspondida.
Apesar do tema- que por envolver religião e a não-aceitação da homossexualidade pode parecer tenso- o flme contém uma boa dosagem de humor, estabelecido especialmente em piadas ironicas feitas pela personagem principal ou por cenas constrangedoras diante do confronto de ideias com outros membros da família ortodoxa. O diretor, o chileno Sebastián Lelio, é o mesmo que dirigiu o aclamado “Uma Mulher Fantástica”, que conta a história de Marina, uma garçonete transexual.
“Desobediência” parece bem equilibrado: a paleta de cores do longa não sai muito do branco, marrom, cinza e preto, e o romance de Ronit e Esti (uma paixão subita mesmo depois de tantos anos) tem como fundo musical a deliciosa e melancólica “Love Song”, do The Cure, banda gótica dos anos oitenta. A cena de sexo é intensa, o final não é de todo triste, mas também não é feliz, e Ronit parece achar uma maneira de ficar em paz com sua origem.
O filme não teve tanto rebuliço como o famigerado “Azul é a Cor Mais Quente”, mas é bonito, realista, crítico e necessário. Assim como muitos outros longas que abordam romances entre mulheres, entre eles “Um Belo Verão”, de Catherine Corsini e “Carol”, de Todd Haynes e com a incrível Cate Blanchett. Entre este ano e o próximo, está também previsto o lançamento de “The Miseducation of Cameron Post” no Brasil, vencedor do prêmio principal do júri do Festival norte-americano de Sundance. O longa de Desiree Akhavan trata do caso real de uma garota que em 1993 foi enviada para um centro de “cura gay” após ser flagrada beijando a rainha da festa de formatura da sua escola.
Mudança do nome da estação de metrô para 'Japão-Liberdade' e situação da Capela dos Aflitos renovam a luta contra o apagamento da história do bairro.
Liberdade, no centro de São Paulo, tem o status de maior reduto nipônico fora do Japão, o que recheia o imaginário em torno do bairro. Mas por trás da fama, está a sua origem negra. Suas ruas, onde hoje o turismo e o comércio crescem ano após ano, foram cenários da escravidão e de tortura de negros durante o período.
No dia 24 de julho, a Praça da Liberdade e a estação Liberdade do metrô receberam em seus nomes o acréscimo “Japão”, segundo decisão publicada no Diário Oficial de São Paulo após um decreto do governador Márcio França (PSB). No ano passado, um projeto de lei dos vereadores Ota (PSB) e Milton Leite (DEM) defendeu a alteração do nome. No dia 25, a estação amanheceu rebatizada de “Japão-Liberdade”.
“Quando a gente recebeu a notícia, foi um baque gigantesco”, conta Tiago Braziel, membro da ONG Educafro, localizada a poucos quilômetros do bairro. “Me entristece muito que a administração pública ainda reproduza os mesmos hábitos de cem anos atrás. Ao trocar o nome, se faz duas coisas: primeiro, mata-se uma parte da história, depois gera-se um conflito e um desconforto desnecessário entre dois povos que ajudaram tanto para o crescimento do Brasil”, desabafa.
A situação relatada só chegou ao conhecimento de um grande número de pessoas por conta de uma publicação no Facebook, de autoria do advogado Renato Igarashi, um dia depois da mudança: “(...) Lá não vivem apenas nipo-brasileiros, havendo também um sem-número de chineses e coreanos, e seus descendentes. Mas o negócio vai mais além.”
“A memória do povo negro da Liberdade foi apagada. Praticamente hoje não há referências ao período de horrores. (...) É bem lamentável usar uma (desnecessária) homenagem a nikkeis para reforçar uma política histórica de anti negritude”, relata Igarashi.
A Praça da Liberdade mudou de nome para Praça da Liberdade-Japão. O Metrô resolveu acompanhar e a Estação Liberdade passou a se chamar Estação Liberdade-Japão. A classe política quis homenagear a comunidade japonesa, como se na cabeça das pessoas o bairro da Liberdade não remetesse automaticamente ao Japão e à cultura japonesa. É um completo absurdo. Além de ser uma perda de tempo aprovar projetos de lei como esses, alterar denominação de um lugar implica despesas com alteraç...
"A história negra se faz presente em toda a cidade de São Paulo, mas é invisibilizada. Na Liberdade não é diferente", afirma o historiador Abílio Ferreira. Para ele, o apagamento da memória negra vem de uma tentativa ainda mais antiga, de apagar a herança da escravidão. O processo foi sendo reproduzido de maneiras diferentes nos séculos seguintes e desemboca na mudança do nome.
“Essa formação da cidade tem a ver com o conflito entre quem tinha mais poder político e econômico e quem não tinha nada, os destituídos. Ainda hoje, é isso que a Liberdade representa”, afirma. “A memória é um espaço de disputa: a memória daqueles povos que têm mais influência política e econômica é sempre mais valorizada”.
Confira a reportagem em vídeo:
A Liberdade negra
Os imigrantes japoneses só chegaram ao bairro a partir de 1908, 20 anos depois do fim da escravidão dos negros no Brasil, que durou três séculos. A região tinha terras e aluguéis muito baratos e já era local de moradia de portugueses e italianos.
Assim como acontece na Liberdade, pouco se sabe que bairros paulistanos foram erguidos com a luta, o sangue e o suor do povo negro. Tiago cita como exemplos o Bixiga, onde essa memória ainda é relativamente conservada e divulgada, e até mesmo o nobre Higienópolis.
“Entendo a importância de cada povo que passou por esse País e vive nele. Mas, infelizmente, o povo negro foi excluído como parte de uma política de estado. Demos nossa vida para que fossem construídas riquezas das quais nós não tínhamos nenhum tipo de participação”, afirma o estudante.
Até a origem do nome do bairro remete ao povo negro. “Liberdade" surge por conta do enforcamento de Chaguinhas, ou Francisco José das Chagas, um militar negro que liderou uma revolta em Santos e foi punido com a pena de morte, em 20 de setembro de 1821, quase um século antes da chegada dos japoneses.
"No dia do seu enforcamento a corda arrebentou três vezes e isso gerou no imaginário popular toda uma simbologia de que a dificuldade de enforcar o Chaguinhas tinha a ver com algum poder sobrenatural que ele porventura tivesse. Como o povo gritou e clamou por Liberdade, um clamor que não foi atendido pelo Estado, o bairro ganhou esse nome.”
O enforcamento de Chaguinhas aconteceu onde hoje é a Praça da Liberdade, outrora chamada Praça da Forca. Esse era o destino final de um roteiro trágico: o cortejo começava na região onde hoje é o Parque Dom Pedro e abrigava, no século XVIII, uma prisão de escravos condenados à forca.
“O cortejo de policiais trazendo os negros seguia a ladeira, em direção à Liberdade. Os negros condenados eram levados para a forca. Antes disso, havia um momento de súplica intensa para que ele fosse perdoado. Para contemplar essa dor, chamada aflição, criaram a Capela dos Aflitos”, conta o Frei David, da ONG Educafro. Ali, na mesma época, também surgiu o primeiro cemitério público da cidade, o Cemitério dos Enforcados, que funcionou até 1858.
O Frei também conta que outras Igrejas, que hoje são parte da rota turística do Centro, também foram construídas na mesma época, pelos negros em condição de escravos. “Eles cercavam o cortejo e conseguiam convencer os soldados para que fizessem uma oração para que o condenado tivesse uma boa morte. Esse ritual foi tão forte que os negros livres construíram na Rua Tabatinguera a Igreja da Boa Morte”, conta.
“Já na praça, onde eram enforcados os negros, só restava ao povo participar com muita energia, cantando a seus orixás, para que o espírito subisse à eternidade. Ali construíram a Capela das Almas”, acrescenta Abílio.
Segundo Tiago, na Liberdade morreram mais de cinco mil negros. "Para cada dez anos de Brasil, sete foram sob escravidão. Foram 370 anos. E quando houve abolição, foi uma abolição mal resolvida”, comenta Thiago.
O comércio chega ao Beco dos Aflitos
Não só a mudança nos nomes do metrô e da praça incomodam a comunidade negra da Liberdade. Com o passar dos anos, o comércio e o turismo em constante expansão também têm feito seu trabalho na dispersão da história negra do local.
Parte importantíssima dessa história, a Capela dos Aflitos, é exemplo disso. Escondida em um beco, na travessa com a turística Rua dos Estudantes, encontra-se uma igrejinha que, à princípio, mal parece um patrimônio tombado pelo município. “Ela representa um contraponto nesse processo da mudança do nome porque é nela onde havia o cemitério dos escravos e dos pobres que eram enforcados, os criminosos que eram considerados fora da lei naquele momento”, explica Abílio.
O turista aficionado pela cultura japonesa mal percebe esse pedaço de história que remonta à escravidão e aquele que procura pela Capela tem dificuldades de encontrá-la. O Beco dos Aflitos hoje foi tomado pelos estacionamentos e galpões de lojas. Na rua, os postes cheios de fios dividem espaço com a decoração típica japonesa.
“Mesmo para a gente poder falar desse assunto aqui nós temos a interferência do tráfego de caminhões, que simboliza o mercado em funcionamento, a economia em funcionamento atropelando toda essa coisa do patrimônio material e imaterial ligado a essa questão”, afirma Abílio.
Entre um cântico cristão e outro, escuta-se também os barulhos das rés dos caminhões trazendo estoques e mais estoques de mercadorias a serem vendidas. O barulho dos motores abafam a reza do terço e uma obra aos fundos prejudica - já há alguns anos - a estrutura humilde da Capela.
“Ela é um patrimônio histórico que mesmo nos tempos atuais não recebeu a devida atenção. É tombada pelo Condephaat desde 1976. Hoje,há um orçamento para fazer o restauro dela, mas isso acabou não acontecendo. O que para nós representa a falta de ação e inércia do Estado”, explica Abílio.
Uma demolição irregular em uma construção vizinha fez crescer novas rachaduras nas paredes da igreja. Frente a isso, os fiéis fundaram a Unamca, uma associação que pretende pressionar a prefeitura e os departamentos de patrimônio histórico da cidade a restaurar a construção. Um projeto foi aprovado em 2011, mas desde então os fiéis não viram nada ser feito.
“O que estamos vendo, é um processo de desenvolvimento atropelando o patrimônio histórico. Como se autoriza, hoje, a construção de uma obra desse porte ao lado de uma igreja que sequer foi restaurada?”, afirma, com indignação.
Segundo o grupo Devotos da Capela, que luta pela preservação e restauração do prédio, a Subprefeitura Regional da Sé, responsável pelo bairro da Liberdade, paralisou a obra de um conjunto comercial que estava sendo construído atrás da Capela e que estava abalando a sua estrutura, datada de 1775. “Existe um diálogo com a empresa que está construindo esse prédio para estudar a continuidade da obra desde que se restaure a Capela dos Aflitos. Mas a negociação ainda está em andamento”, afirma o historiador.
A construção a qual Abílio se refere está registrada em um documento do Condephaat, emitido pelo governo do Estado em que um terceiro solicita a aprovação do imóvel na Avenida Liberdade, 332 a 368. Segundo o pedido, “os imóveis estão situados na envoltória de 300 metros da Capela”. O destino da construção é comercial, “hotel, centro de convenções e lojas”, afirma, “em cinco lotes adjacentes que totalizam 2.707,19m²”.
Capela
dos Aflitos está escondida em um beco, espremida entre os prédios comerciais
“A nova edificação terá área construída total de 40.514,20m² e terá 36 pavimentos acima do nível da Avenida Liberdade, além de 6 pavimentos enterrados para estacionamento”, continua o documento. “Os lotes estão inseridos no perímetro da Operação Urbana Centro, a qual permite, em sua área de abrangência, a utilização de potenciais construtivos muito superiores àqueles estabelecidos para o restante da cidade”.
O documento permite a construção, afirmando que “embora a edificação proposta apresente um gabarito elevado, acreditamos que sua construção não implicará em prejuízos às visuais da Capela dos Aflitos”.
“Essas são igrejas que seguraram a história do negro e não deixam que a prefeitura apague de vez a história do povo negro. Nós queremos exigir que haja a revisão dessa atitude injusta de alguns que querem usar comercialmente a região para os seus interesses particulares e capitalistas, passando por cima do povo negro”, afirma o Frei David, reforçando que a atitude é só de uma pequena parcela dos imigrantes e que a maioria está apenas tentando construir uma vida no bairro, multifacetado como tantos outros na capital.
Outro lado
Em nota divulgada pela prefeitura de São Paulo, a Prefeitura Regional Sé e a Associação Cultural Assistencial da Liberdade (ACAL) firmaram um termo de cooperação para conservação, manutenção dos canteiros e novo paisagismo da Praça Liberdade.
“Os cooperantes se comprometeram a atuar no local por três anos e já realizaram o jateamento do piso e a recomposição dos pisos quebrados. Como se trata de área envoltória de bem tombado, a intervenção na praça foi analisada pelo DPH. Além disso, o Largo da Pólvora também possui um termo de cooperação, firmado entre a Regional Sé, Fecap, JCI e Greenline”.
Sobre a Capela dos Aflitos, a secretaria de comunicação da cidade afirmou que “o Departamento do Patrimônio Histórico esclarece que as avarias na Capela dos Aflitos ocorreram por causa de um acidente em uma obra irregular em terreno vizinho. A obra já foi embargada pela Prefeitura Regional Sé. Os responsáveis pelo serviço também receberam uma multa no valor de 1,461 mil reais após demolição sem alvará emitido pela Prefeitura de São Paulo, conforme determina o Código de Obras do Município (Lei nº 16.642/17). A manutenção do imóvel, que é particular, é de responsabilidade do proprietário, porém por se tratar de um patrimônio tombado, a Secretaria Municipal de Cultura supervisionará o reparo”.
De acordo com o Frei David, preocupa que, nas intervenções feitas na Praça, a população negra organizada no Centro não tenha sido consultada. “É possível recuperar a história do povo negro, deixá-la registrada, e ao mesmo tempo fazer um ligação harmoniosa com a história dos japoneses. Assim como os japoneses investiram para poder colocar ali o nome Japão, queremos que façam investimento para recuperar ali a história do povo negro”, afirma. “Queremos que a prefeitura volte atrás e busque uma alternativa reconciliadora”.