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Atrofia cultural

O cartunista  Miguel Paiva  afirma que a cultura brasileira segue ameaçada. Ele diz: “um país como o Brasil não pode ser entregue a ini...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cenas explícitas de luta de classes


Quando o Muro de Berlim caiu em 1989, uma das falas mais marcantes e que demonstravam bem o interesse do Império foi a do filósofo nipo-americano Francis Fukuyama, que, a partir daquele momento decretava o "fim da história".

Obviamente, ao decretar o fim da história, Fukuyama estava, ao lado dos vencedores, declarando a vitória e supremacia do Império perante os povos explorados e os trabalhadores de todo o mundo. Batia de frente com as concepções marxistas que apontavam a luta de classes como motor da história.

Além dele e da direita neoliberal de todo o mundo, partidos de esquerda também passaram a desacreditar num futuro justo para a humanidade e, a partir daí, concepções niilistas, individualistas, pós-modernas e multiculturalistas foram tomadas - mas todas partindo de um princípio: fomos derrotados no que de mais profundo poderia existir, que era uma transformação do modelo econômico-social de desenvolvimento do mundo.

Essas concepções nos tornaram cada vez mais reféns de disputas no seio da sociedade de cunho liberal - direitos às individualidades, aos costumes e ao consumo - em detrimento da luta de classes, que nunca foi praticada de maneira escamoteada, pelo contrário, sempre precisou derrubar símbolos (como o Muro de Berlim), derramar sangue e castigar os derrotados.

Quando Zumbi dos Palmares foi assassinado, em 20 de novembro de 1695, como exemplo para os outros escravos, exibiram sua cabeça em plena praça pública, para que ninguém mais ousasse levantar-se contra os desmandos da Coroa. Assim também aconteceu quando a burguesia ascendeu ao poder na França, decapitando do imperador Luís XVI.

Esses exemplos servem apenas para ilustrar que luta de classes, embora também atue no seu modo soft através dos aparelhos ideológicos não é feita com subterfúgios; quando se tem força para executar os seus objetivos, a classe hegemônica não titubeia.

Aqui no Brasil, portanto, a luta de classes nos últimos tempos tem se dado da maneira mais explícita possível. Quem achava que o impeachment fraudulento da presidenta Dilma representava uma troca de governantes apenas, ou que era um golpe contra o PT, ou até mesmo para acabar com a corrupção, deve(ria) passar a perceber os verdadeiros objetivos do golpe.

Em um ano de governo ilegítimo - patrocinado pela mídia golpista e setores de corporações do estado - várias já foram as ações que desnudam o caráter de classe impresso nesse processo de ruptura democrática pelo que o Brasil passa. De um ano pra cá, uma quadrilha apeou o poder da República para tentar executar o que o "mercado" lhe delegou: entregar o Brasil de bandeja e novamente inseri-lo na cadeia capitalista de maneira subalterna, umbilicalmente ligado aos interesses do decadente império estadunidense. As medidas que acabam com direitos do trabalhador tais como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e Terceirização são medidas de tamanha violência - real e simbólica - que nem a Ditadura Militar foi capaz de fazer e, obviamente, para dar durabilidade a essas medidas é preciso acabar, tal qual as estátuas de Lênin ou de Stálin, com os nossos símbolos e com a esperança do povo brasileiro de retomar o crescimento soberano e justo.

As mais recentes investidas contra Lula são provas de que na luta de classes não se brinca. E é preciso dizer: não se combate a luta de classes no nível de radicalização em que ela se encontra com cirandas e dinâmicas de grupo; se combate com politica, política como arte, política como guerra, como guerra de trincheiras, buscando espaço, tentando dividir o inimigo e sobretudo acumulando forças para o ataque que por mais que queiramos não tem nenhuma condição de ser dado agora.

O golpe, por mais que atrapalhe essas políticas, não é homofóbico ou racista por si só. O golpe é classista e nos passa uma mensagem: nunca mais ousem governar esse país. Por isso, é preciso acabar com qualquer chance de a esquerda voltar. Daí ser tão explícitas as medidas que fazem contra Lula e a venda do nosso patrimônio, marcas profundas de gado no lombo do nosso país, com o selo bem grande dos EUA.

Quisera eu que também pudéssemos ter impresso a nossa marca com maior profundidade. Infelizmente, o caminho de distribuição de renda apenas, ou da "questão social" sem tocar na estrutura do estado e no caminho da soberania nacional tendo e vistas o socialismo possibilitou que nossas mudanças fossem leves como o vento. Aos poucos, iremos nos desfazendo de todas elas. O Brasil já voltou ao mapa da fome e é cada vez mais crescente o número de trabalhadores informais e moradores de rua nas cidades de nosso país.

Por isso, em tempos difíceis como este em que vivemos - tempos de cenas explícitas de luta classes, que é vivida em tabuleiro internacional - é preciso atuar explicitamente também. Fazer luta de classes no parlamento, nas ruas e onde mais puder ser. Sem essa perspectiva bradaremos incansavelmente nossas consciências e nosso radicalismo sem adentrar no cerne da questão: como transpor o regime golpista?

Pra mim, só ultrapassaremos esse estágio da luta de classes com muita amplitude, trazendo para o lado de cá quem puder trazer. Ao longo desse caminho, ficaremos alguns, eliminaremos outros, mas só uma grande frente nacionalista, desenvolvimentista e consciente da árdua missão que nos cabe poderá superar a ignomínia a que submetem o nosso país dia a dia.

Vamos à luta!

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Precisamos falar sobre o racismo virtual

Monalysa Alcântara venceu recentemente o Miss Brasil 2017. Com a vitória, vieram os seguintes comentários nas redes sociais:
no Grabriela Garrido no JusBrasil
Em um dos posts, uma moça disse que Monalysa tem “Cara de empregadinha”, outros dizem que houve “cota no Miss Brasil”, ou que “achava que o critério era beleza e não ser negra”. Em outro, há a seguinte postagem: “não trouxe nem um cabelo arrumado decentemente (cachos definidos) pro desfile do Miss Brasil e esperam que ela traga a coroa do Miss Universo”[1].
Figuras públicas como Taís Araújo, Preta Gil e Ludmilla também foram alvo de comentários similares no ambiente virtual, e essa conduta não se restringe às estrelas da mídia, já que há diversas ocorrências diárias em todo o país. A ONG Safernet, por exemplo, estima que a Polícia Federal recebeu e processou, em onze anos, 561.605 denúncias anônimas de racismo no Brasil [2].
Diante de tamanha repercussão e notoriedade do fato delituoso, a ONG Criola desenvolveu a campanha “Espelhos do Racismo”, através da qual divulgou fortes depoimentos de vítimas do racismo (crime hediondo previsto na Lei nº 7.716/1989, no qual considera-se como vítima um grupo ou coletividade) e da injúria racial (previsto no art. 140, parágrafo 3º, do Código Penal, em que se direciona a uma pessoa determinada – e não a um grupo – expressões ofensivas ligadas a sua raça, cor, etnia, religião etc.):
“No primeiro momento eu senti raiva. Depois eu senti muita dor. Eu senti meu coração ficando muito pequenininho”.
“Ele veio no meu ouvido e começou a me xingar: “Sua negra, suja, safada, não sei o quê… Sai daqui senão te dou uma porrada”.
O vídeo da campanha (que você pode assistir abaixo), mostra diversos comentários racistas feitos nas redes sociais, espalhados em incontáveis outdoors. 83% dos agressores expostos apagaram suas contas, e um deles (o que estampa a capa desse artigo), decidiu falar sobre o erro cometido.
Diante disso, é necessário destacar que, tanto o crime de racismo como o crime de injúria racial, podem ser praticados online e são passíveis de punição e reparação por meio de processos criminal e cível.
É crucial que a vítima salve e imprima todas as páginas com conteúdo ofensivo, atentando-se de guardar os cabeçalhos das mensagens, e denuncie em uma das delegacias especializadas em crimes cibernéticos. Para ingressar no judiciário, será necessário fazer uma declaração de fé pública ou lavrar uma ata notarial do conteúdo ofensivo, contando com a ajuda de um advogado especializado em direito digital para instruí-lo sobre como melhor proceder.
De todo modo, o importante é jamais se calar.
Texto de Direito e Internet.
[1] ARAUJO, Gilcilene. “’Sempre combateu o racismo e não vai se calar agora’, diz mãe de Miss Brasil sobre comentários racistas”. G1, 08/2017. Disponível em <http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/sempre-combateuoracismoenao-vai-se-calar-agora-diz-mae-de-miss-brasil-sobre-comentarios-racistas.ghtml>;. Acesso em 31 ago 2017.
[2] INDICADORES DA CENTRAL NACIONAL DE DENÚNCIAS DE CRIMES CIBERNÉTICOS. Disponível em < http://indicadores.safernet.org.br/>. Acesso em 31 ago 2017.

Gabriela Garrido
Advogada formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso sobre a aplicabilidade do Marco Civil da Internet na Deep Web, o qual foi aprovado pela banca com o conceito “excelente”. Possui 05 anos de atuação em processos contenciosos e em consultivo. Está cursando “Direito Digital Aplicado”, pela Escola Superior de Advocacia da OAB/SP. Atualmente, com o intuito de simplificar o acesso dos usuários da internet a suas peculiaridades jurídicas, mantém o blog Direito e Internet (https://direitoeinternet.wordpress.com/).
Fonte: https://www.geledes.org.br/

Metade das mulheres perde emprego após licença-maternidade

Por Gilmara Santos Do Folha De São Paulo
Metade das mulheres que tiram licença-maternidade não está mais no emprego um ano após o início do benefício. É o que mostra estudo da FGV EPGE (Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas).
“Fizemos uma trajetória do emprego entre as mulheres de 25 a 35 anos que tiraram licença-maternidade entre 2009 e 2012 e constatamos que, um ano após o início da licença, 48% delas estavam fora do mercado de trabalho”, diz a professora da FGV EPGE Cecilia Machado, autora de estudo sobre o tema com Valdemar Neto, aluno de doutorado da instituição.
No total 247,5 mil mulheres tiraram licença-maternidade no período. Desse grupo, 5% tiveram o desligamento do emprego no quinto mês após a licença, e 15%, no sexto.
Após quatro meses de licença, as mães têm direito a um mês de estabilidade no emprego, o que pode explicar o baixo percentual de desligamento no quinto.
Segundo a professora, até o quinto mês a iniciativa para a saída do emprego é da trabalhadora. A partir do sexto mês, o principal motivo é a dispensa sem justa causa por iniciativa do empregador.
“Não significa que todas essas mulheres estão sendo demitidas devido à licença-maternidade. Pode ter também um percentual de trabalhadoras que fizeram acordo para terem acesso à seguridade social, como o FGTS”.
Ela lembra que em muitos casos as mulheres não retornam às suas atividades porque não têm com quem deixar os filhos pequenos.
O percentual próximo a 50% de mulheres que ficam sem emprego após a licença-maternidade se mantém estável quando se olha para dois e três anos do início do benefício.
A pesquisa mostra ainda que a queda no emprego é menor para quem tem mais escolaridade. A taxa de desligamento após a licença para mulheres com mais que o ensino médio é de 35%.
“Duas forças podem explicar isso. A primeira é que o investimento que a firma faz em trabalhadoras mais qualificadas é maior e a empresa não quer perder isso”, diz Machado. Consequentemente, a mãe, com salário mais alto, consegue delegar os cuidados com a criança.
Fonte: https://www.geledes.org.br

Manicure diz ter sido demitida de salão por intolerância religiosa

Por Raiane Wentz Do Metrópoles
Daniela Nayara, 22 anos, afirma que sofreu preconceito por ser do candomblé. Empresa nega discriminação
Uma jovem, de 22 anos, afirma que foi demitida da Esmalteria Bellas Unhas, no Gama, por intolerância religiosa. De acordo com a manicure Daniela Nayara de Brito, funcionários do estabelecimento a constrangiam por ela praticar o candomblé e a perseguição custou o emprego dela na quarta-feira passada (30/8).
Daniela conta que trabalhou no salão durante sete meses, mas os problemas começaram quando pediu férias, pois queria fazer uma iniciação na religião de matriz africana.
“No primeiro momento, a gerente disse que estava tudo bem, pois era o meu caráter que importava. Mas, depois disso, vieram ofensas por parte de colegas”, disse. A moça relatou que passou a ouvir, frequentemente, comentários dizendo que os objetos e os símbolos da religião não seriam “coisas de Deus”.
A empresa nega que Daniela tenha sido alvo de preconceito. Segundo Areno Pires Filho, marido da proprietária da esmalteria, a moça foi despedida por atrasos e faltas constantes. Além disso, afirmou que clientes fizeram reclamações dos serviços prestados pela manicure. “A questão religiosa não é motivo para a demissão de ninguém. Acontece que a qualidade do serviço dela caiu”, afirmou Areno.

Dia da Independência

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História da Independência do Brasil, Dom Pedro I, Grito do Ipiranga, 7 de setembro, História do Brasil Império, Dia da Independência, transformações políticas, econômicas e sociais, dependência da Inglaterra no Brasil
Introdução
A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.
Dia do Fico
Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico.”
O processo de independência
Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o “cumpra-se”, ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.
O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembleia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.
Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte !”. Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.
Bandeira do Brasil Império. Primeira bandeira brasileira após a Independência

Pós Independência
Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.
Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.
Fonte: Brasil Cultura

Polícia Federal: A lei é para todos, a ficção que cimenta a realidade

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Por Eliane Pereira
Os produtores do longa metragem classificam o filme como thriller político. A produção segue quase toda a receita do gênero: cenas eletrizantes de perseguição de carros, pessoas encrencadas com a justiça fugindo da polícia, muita inteligência e dedução lógica nos bastidores da investigação que ficou conhecida como a maior operação de combate à corrupção do Brasil. Mas deixa de cumprir um dos pré-requisitos do gênero: falta suspense.
O filme conta a história da operação Lava Jato pelo ponto de vista da Polícia Federal. O ângulo ajuda a aproximar o público dos protagonistas, os delegados interpretados pelos globais Antonio Calloni, Flávia Alessandra e Bruce Gomlevsky. Mas ao escolher o olhar da polícia, o filme repete versões e fatos pisados e repisados pela imprensa e acaba se tornando previsível. Pontos controversos da operação que revelam mais abuso que inteligência foram esquecidos pela narrativa, como o grampo clandestino instalado na cela do doleiro Alberto Youssef ou os vazamentos que ajudaram a criar o clima propício para o impeachment de Dilma Roussef.
Outra ausência do filme são os meios de comunicação, em especial, a dobradinha Globo & Polícia Federal. Qualquer jornalista que tenha acompanhado uma única operação da PF já sabe como funciona o esquema: a TV Globo recebe as informações a tempo de preparar equipes, recuperar imagens, fazer entrevistas e levar ao ar cenas quentes e espetaculares das investigações policiais. Os outros jornalistas, salvo raras exceções, são avisados na hora em que os mandados já estão sendo executados pelos policiais. Esse trabalho afinado não aparece no filme.
A imprensa, que teve papel determinante na Lava Jato, aparece como simples figurante no thriller. É representada por uma coleção de atores desconhecidos que tentam imitar os trejeitos dos jornalistas escalados para cobrir anos de operação. Uma única personagem ganha destaque em meio à massa amorfa: uma repórter estridente e raivosa, que parece representar uma caricatura dos blogueiros de esquerda.
“O interessante do filme é mostrar também o contraponto. Se eu pegar a imprensa e colocar ela como sendo pró o pensamento deles [delegados da Operação Lava Jato], eu não estou trazendo nada de novo”, explica o diretor Marcelo Antunez. Ele categorizou os jornalistas do filme em dois grupos: “quando a imprensa aparece, ela aparece de duas maneiras. Ela aparece de uma maneira completamente imparcial (…) e tem uma pergunta no momento em que começa a esbarrar na política [referindo-se à pergunta da repórter raivosa se a Lava Jato quer prejudicar o PT]. A gente queria mostrar muito esse contraponto que estava de questionamento que eu acho que é saudável”. Chama atenção o cuidado de Antunez em não usar o antônimo de “imparcial” para se referir aos jornalistas que dão o tom desse contraponto fazendo críticas à Lava Jato. Antunez também não discute porque o tal contraponto se aproximou tanto do estereótipo do “petralha”.
Parcialidade

Escolher a voz da imprensa para marcar o contraponto de opiniões sobre a Lava Jato afasta a ficção da realidade. Para o cientista político da UERJ, João Feres, um dos coordenadores do site de monitoramento da grande mídia Manchetometro, a maior carência da cobertura da Lava Jato foi justamente a imparcialidade. “A cobertura da Lava Jato, a partir da eleição da Dilma em 2014, ganha um impacto muito grande na cobertura da política em geral. E o que você vê é a Lava Jato sendo associada à Dilma, à Lula e ao PT. A cobertura da política foi escandalizada e ela foi usada para atingir particularmente esses atores políticos”.

Para Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, que defende a democratização da mídia, a parcialidade da cobertura jornalística da Lava Jato não está restrita a tendências partidárias. Ela lembra que os próprios métodos controversos da operação não ganham visibilidade. “Existe um debate acontecendo no Brasil sobre os limites da operação Lava Jato, a ponto de você ter especialistas do campo jurídico falando que a operação está sendo conduzida completamente à margem da lei. Mas a mídia não dá voz a esse debate”.
A professora Vera Karan, diretora da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, escola onde Sérgio Moro também dá aulas, está entre os especialistas que fazem crítica à Lava Jato. A princípio, ela torcia para que o filme ajudasse a registrar as controvérsias da operação. “Eu gostaria que esse filme problematizasse e colocasse as contradições que estão tanto no sistema de segurança pública, quanto no sistema de justiça, para que aquele que assistisse formasse seu juízo”. Para ela, as pessoas não tiveram a chance de fazer isso, justamente porque a mídia não tem pautado essas questões ao assumir apenas “uma versão da história”. Depois da entrevista, a professora assistiu ao trailer do filme. Numa segunda conversa, disse que enterrou as esperanças de ver uma narrativa mais sofisticada da Lava Jato.
Cimentando a versão

Além dos jornalistas interpretados por atores, o filme também lança mão de uma matéria da repórter veterana da TV Globo, Delis Ortiz, que foi ao ar no turbulento 16 de março de 2016. Delis fechou a matéria do Jornal Nacional sobre a nomeação do ex-presidente Lula como ministro chefe da Casa Civil, medida que foi interpretada como subterfúgio para garantir foro privilegiado ao ex-presidente. “Argumentos à parte, fato é que Lula no Ministério implica o direito ao foro privilegiado, ou seja, ele escapa das mãos do juiz Sérgio Moro em Curitiba”, sintetiza Ortiz.

Perguntado por que usar a jornalista global para ajudar a contar a história na ficção, Marcelo Antunez é categórico. “Acho que dá uma credibilidade. Eu, particularmente, quando vejo filmes baseados em fatos reais e vejo assim (…) cara isso é legal! Eu gosto. Acho que dá uma… sabe, dá uma credibilidade para o que está sendo dito. Sei lá, eu acho interessante, foi uma decisão que eu achei bacana. Eu podia mesmo ter colocado uma atriz lá, sei lá… Eu curti assim”.
No filme, assim como no Jornal Nacional, a versão que predomina é de que o ex-presidente tentou fugir das mãos da Justiça.
Bia Barbosa vê com desconfiança essa sintonia entre a narrativa ficcional e o discurso global. “Quando você completa essa narrativa jornalística e, portanto supostamente verdadeira, com um filme que vai ser lançado e que vai alcançar um público que muitas vezes não acompanha a operação do ponto de vista jornalístico, você aciona o imaginário de uma parte da população com outra linguagem audiovisual que, diferente do telejornal, tem todas as suas prerrogativas de maior liberdade de criação. Você cria um componente bastante perigoso de como a população vai consolidar sua visão sobre essa operação”.
Porém, a equipe de “Polícia Federal: a Lei é para Todos” nega qualquer tentativa de cimentar uma visão sobre a Lava Jato e adotou como uma espécie de mantra a ideia de que o único objetivo do filme é fomentar um debate saudável na sociedade. Durante a coletiva de imprensa realizada em São Paulo, em uma das pré-estreias do filme, a palavra debate e suas variações foram usadas 17 vezes por diferentes integrantes da equipe. A entrevista durou 64 minutos.
Mas apesar do discurso bem amarrado, a atriz Flávia Alessandra, que interpreta a delegada Érica, deixa escapar desejos de influência mais explícitos. Faz isso ao falar sobre o que espera dos jovens em relação ao filme. “Eu acho que para os jovens, a melhor forma de aprender, de se inteirar é via arte. Pode ser um caminho pros jovens que já votam, que talvez ainda estejam meio perdidos, que não tenham ainda entendido, conhecer a história de quando eles tinham 12, 13 anos, de quando tudo começou, e pra eles serem mais conscientes. Porque, não é piegas o que a gente vai falar, mas eles são responsáveis, sim, pelo nosso futuro. Eles são maioria, eles vão votar”.
Se depender do cronograma de distribuição e exibição do filme, os desejos de influência tem tudo para se concretizar. Depois da estreia nos cinemas, “A Lei é Para Todos” vai ser exibido na Rede Telecine, rede de canais por assinatura da Globosat, que pertence ao Grupo Globo. A data ainda não foi definida, mas o contrato de parceria foi firmado desde o início, segundo o produtor do filme Tomislav Blazic. Blazic também garante que o filme vai para a TV aberta. Claro, a Globo. Se as contas de especialistas do mercado cinematográfico estiverem certas, o tempo médio para um filme sair dos cinemas e alcançar a TV aberta varia entre 4 a 5 meses. Vai dá para começar o ano eleitoral de 2018 vendo a história da Lava Jato na Tela Quente.
Os globais e a lei

O elenco de “Polícia Federal: A Lei é Para Todos” é formado por atores que ganharam fama pelas novelas da Rede Globo. No mercado cinematográfico, contar com estrelas globais é meio passo para boa bilheteria.

Antonio Calloni, Flávia Alessandra e Bruce Gomlevsky são os protagonistas. Ary Fontoura, Marcelo Serrano e Roberto Birindelli, coadjuvantes. Eles interpretam personagens de destaque na história recente do país. Longe dos roteiros de ficção, também assumiram posições políticas em relação à Lava Jato. Veja quem é quem na ficção e na vida real:
Antonio Calloni / Ivan Romano

Antônio Calloni dá vida a Ivan Romano. O delegado que coordena as investigações na ficção foi inspirado em Igor Romário de Paula, coordenador da Lava Jato na Polícia Federal de Curitiba. Em outubro de 2014, Igor deixou transparecer que compartilhou uma foto em que o então candidato à presidência, Aécio Neves, aparecia cercado de mulheres e escreveu: “esse é o cara”.

No dia seguinte, compartilhou o editorial da revista The Economist, que defendia o voto em Aécio Neves para o bem do mercado. Já o global Antônio Calloni pediu “Fora Dilma”, mas acha que depois do afastamento da presidenta não adianta ficar pedindo “Fora Temer”. Defende a reforma política e se joga de cabeça no discurso de combate à corrupção. Calloni não esconde a estima que guarda pela turma da República de Curitiba.
Ary Fontoura / Lula
Ary Fontoura interpreta Lula, que no filme continua sendo Lula. A participação só acontece no final, na cena da polêmica condução coercitiva do ex-presidente. Ary Fontoura é veterano na Globo e comemorou 60 anos de carreira no Domingão do Faustão a uma semana da aprovação do impeachment de Dilma Roussef.
Nesse dia, defendeu a saída da presidenta e refutou o uso da palavra golpe para se referir ao impeachment. O ator também faz duras críticas a Lula e não quis se encontrar com o ex-presidente para ajudar a compor o personagem.
Bruce Gomlevsky / Márcio Anselmo

Bruce Gomlevsky vive o delegado Júlio Cesar, inspirado em Márcio Anselmo. Na vida real, Márcio foi o primeiro coordenador da Lava Jato.

Bruce Gomlevsky tem carreira fértil no teatro e vive de papéis secundários na TV Globo. O que chama atenção é o alinhamento político do personagem interpretado por Bruce em “A Lei é Para Todos”. Enquanto Júlio, o delegado inventado, declara no meio do filme que fez campanha para o PT, Márcio Anselmo fazia campanha para Aécio em 2014. Em fevereiro, Márcio Anselmo foi transferido para a corregedoria da PF no Espírito Santo.
Flávia Alessandra / Érika Mialik Marena

Flávia Alessandra encarna Beatriz, personagem que tem como referência a delegada Érika Mialik Marena, que batizou a Lava Jato. Em novembro do ano passado deixou de integrar a equipe da Lava Jato e assumiu a superintendência da PF em Santa Catarina.

Já a atriz Flávia Alessandra é ativa nas redes sociais, mas passa longe do debate político. A atriz, que também é advogada, defende as 10 medidas contra a Corrupção e ajudou a convocar as pessoas para a manifestação no dia 4 de dezembro contra as alterações propostas pelo Congresso no projeto do Ministério Público.
Marcelo Serrado / Sérgio Moro
Marcelo Serrado encarna o juiz Sérgio Moro. A participação do personagem Moro no filme é contínua, mas pontual, quase um pano de fundo. O juiz ganha mais destaque quando é preciso decidir pela condução coercitiva do ex-presidente Lula.
Já o global Marcelo Serrano foi ativo nas passeatas contra corrupção e encabeçou o grupo de estrelas que pediu o impeachment. Trocou as camisas da CBF pelo amarelo do #MoroBloco, grupo de seguidores do Moro e que compartilha carros de som com grupos de extrema-direita como o MBL e o Vem Pra Rua.
Serrado está no time dos artistas que fez campanha para Aécio Neves, com direito a depoimento em horário eleitoral. Sérgio Moro, o juiz, também mostra certa proximidade com os tucanos. A foto mais emblemática é a da conversa ao pé da orelha com Aécio Neves.
Roberto Birindelli / Alberto Youssef

O ator uruguaio Roberto Birindelli é outro global de papéis secundários. No filme também não é protagonista, mas interpreta um personagem chave: o doleiro Alberto Youssef. Birindelli recusou o papel várias vezes.

Em entrevista ao site AdoroCinema, explicou o receio: “fazer um filme da Lava Jato é uma insensatez (…) Não há o distanciamento histórico e nem a compreensão necessária”. Mas disse que acabou aceitando o convite pela complexidade do personagem.
Youssef está amarrado ao juiz Sérgio Moro desde o caso Banestado, quando o doleiro foi beneficiado por uma delação premiada numa época em que ainda não havia nem lei sobre isso.
Foi preso em 2014, pela Lava Jato, e condenado a quase 122 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas foi beneficiado mais uma vez pela delação premiada e conseguiu uma redução da pena para três anos em regime fechado. Já cumpriu a pena e agora Youssef planeja recomeçar sua vida empresarial.
Fonte: Brasil de Fato

Ministério da Cultura divulga os filmes que vão disputar indicação ao Oscar 2018

filmes que vão disputar

O Ministério da Cultura divulgou os 23 filmes brasileiros que irão disputar uma vaga entre os indicados ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira na 90ª edição do Oscar, em março de 2018. As inscrições, abertas no dia 9 de agosto, encerraram-se na última quinta-feira (31). O número de inscritos deste ano foi maior do que no ano passado, quando 16 longas foram habilitados.
Pela primeira vez, as inscrições dos filmes foram feitas on-line em um servidor do MinC, tornando o processo seletivo mais sustentável, ágil e econômico. Até mesmo a análise por parte da comissão de jurados será feita on-line.
O anúncio do indicado será no dia 15 de setembro na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Uma comissão, indicada pela Academia Brasileira de Cinema (ABC), escolherá o filme que irá concorrer a uma vaga no Oscar.
A lista de inscritos inclui títulos já premiados em outros festivais, como Gabriel e a Montanha, dirigido por Felipe Barbosa, que ganhou o prêmio Revelação na Semana da Crítica em Cannes e o prêmio da Fundação Gan. Também se inscreveram Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, que venceu o prêmio do público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris e mais seis Kikitos, inclusive o de Melhor Filme, no Festival de Gramado; e Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, vencedor do prêmio do público de Melhor Filme no Festival de San Sebastián (Espanha), 40ª Mostra Internacional de Cinema e no Festival do Rio.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura