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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

URGENTE: Quilombolas de Rio dos Macacos (BA) gritam por socorro

Por Tatiana Scalco/Ciranda em parceria com os Jornalistas Livres 
Cercada pela Marinha, a comunidade está sob ameaça de morte.

Na madrugada de (10/12), estranhos cercaram o quilombo Rio dos Macacos em Simões Filho/BA, região metropolitana de Salvador, mais uma vez. Circulando em volta das casas, tentaram forçar portas e janelas. A comunidade ficou em pânico, apavorada.
Os níveis de tensão no quilombo Rio dos Macacos se elevaram após o assassinato do Sr. Vermelho (José Esidio dos Santos, 80 anos, liderança local), em 25 de novembro último.  Hoje, a Polícia Civil informou que as investigações em relação ao assassinato do Sr. Vermelho estão em curso e há “indicativo de motivação e autoria”, contudo “mais detalhes não podem ser divulgados para não interferir na apuração do caso”. A 22ª Delegacia Territorial de Simões Filho é a responsável pelas investigações.  Sobre outras ameaças à comunidade quilombola de Rio dos Macacos, a Polícia Civil informou que “não há registro na unidade policial”.
A deputada estadual Neusa Cadore, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa da Bahia, informou que está monitorando a situação e conversando com as autoridades do governo.
A comunidade espera a ação das autoridades. E que as ameaças sejam levadas a sério.
A Associação Quilombola Rio dos Macacos divulgará hoje a tarde nota sobre a situação.
Entenda o caso
Foto: reprodução Facebook
O quilombo de Rio dos Macacos está localizado em Simões Filho/BA – região metropolitana de Salvador.
Desde os anos 1950, a União tenta espoliar esse território quilombola. Nos anos 1960, a Marinha recebeu como doação do poder público parte do território tradicional da comunidade e construiu a Barragem do Rio dos Macacos. Nos anos 1970, instalou a Vila Naval de Aratu e impôs uma dinâmica social marcada pelo racismo, práticas abusivas e violações de direitos humanos. Desde então, há inúmeros casos registrados de violência física e sexual e de exploração do trabalho. Em 2009, a União ingressou com ações judiciais buscando expulsar a comunidade de seu território tradicional. A partir de então, as ameaças e violência cotidiana aumentaram. 
Foto: Conac
Nos últimos 10 anos a luta em defesa do território e pela vida negra quilombola ganhou outros contornos. A articulação política avançou. Os movimentos se articularam. Entre outros, foi apresentada denúncia de Violação de Direitos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2017, que destacou o sofrimento da comunidade “com espancamentos, tortura e ameaças cotidianas dos militares contra seus/as integrantes”.
Até hoje a Marinha utiliza múltiplas estratégias de guerra contra a Comunidade. Sendo que muitas delas ultrapassam os processos judiciais e outras estão sendo legitimadas oficialmente pelo estado brasileiro. Até hoje moradores/as são impedidos de construírem ou reformarem suas casas, têm suas lavouras de subsistência saqueados. Além disso, não gozam de pleno acesso à água, saneamento básico e energia elétrica. As manifestações culturais e religiosas no quilombo Rio dos Macacos foram proibidas. Terreiros de candomblé foram fechados e destruídos, afetando diretamente seu patrimônio simbólico. 

Samba-enredo da Mangueira critica Bolsonaro

“Favela, pega a visão, não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão”, diz parte da letra do samba da Mangueira.
Em 2019 a Mangueira falou sobre a luta das mulheres l Carla de Souza/AFP
Pelo menos dez escolas de samba do Rio de Janeiro levarão para a Sapucaí um enredo crítico ao contexto político brasileiro. Uma delas é a Estação Primeira de Mangueira, que venceu o carnaval de 2019 com o refrão “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”.
Em 2020, a verde e rosa se apresenta como a “Estação Primeira de Nazaré”, no “A Verdade Vos Fará Livre”. O nome da música faz uma referência explícita ao jargão utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua campanha nas eleições de 2018: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, João 8:32, da Bíblia Sagrada.
A versão da Mangueira, no entanto, música traz um “Jesus da gente”, de “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, filho de pai carpinteiro desempregado e de mãe Maria das Dores Brasil. O samba-enredo foi assinado por Manuela Oiticica, a Manu da Cuíca – que emplacou a canção do carnaval deste ano – ao lado de Luiz Carlos Máximo.
“Será que todo povo entendeu o meu recado? Porque de novo cravejaram o meu corpo, os profetas da intolerância (…) Favela, pega a visão, não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão”, conforme trecho da letra.
“Com certeza, ele [Jesus Cristo] aprovaria uma escola espetacular que trata a favela como um ato de sobrevivência, especialmente com esse governo que mais mata favelados. Mas o samba mostra que estamos vivos”, disse Manu da Cuíca, em entrevista ao site “Carnavalesco”.
Leia a letra do samba-enredo na íntegra:
A Verdade Vos Fará Livre
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra do buraco quente
Meu nome é Jesus da gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais que a escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Fonte: Portal BRASIL CULTURA