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FINAL DO I CURSO DE CAPACITAÇÃO DOS AGENTES DE CULTURA DO RN ATINGIU SEUS OBJETIVOS  Abertura com CHAVE DE OURO  Fotos: Momento...

domingo, 6 de janeiro de 2019

“Medidas sobre demarcações indígenas são racistas”, diz relatora da ONU



Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Victoria Tauli-Corpuz, relatora especial das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, criticou a decisão de Bolsonaro de transferir atribuições à pasta da Agricultura

Uma das primeiras medidas de Jair Bolsonaro no governo foi retirar da Funai a responsabilidade pela identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas e quilombolas no Brasil e transferir para o Ministério da Agricultura, da líder ruralista Teresa Cristina. De acordo com a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, a iniciativa é um “enorme retrocesso”.

Em entrevista à DW Brasil, Victoria afirma que as declarações de Bolsonaro são racistas e discriminatórias. Ela diz que “entrar em territórios onde indígenas vivem em isolamento voluntário pode levar ao desaparecimento ou ao genocídio desses povos”.

A relatora da ONU explica, ainda, que isso pode afetar a Floresta Amazônica. “Como a Amazônia está entre as áreas com potencial para a expansão agrícola, essa medida significará um aumento não só do desmatamento, mas também do deslocamento dos povos indígenas da Amazônia e das violações dos seus direitos. Isso também vai significar uma redução da capacidade de mitigação da Amazônia contra as mudanças climáticas”, destaca.
“Os povos indígenas não têm direitos especiais. São direitos garantidos, precisamente, devido à história de marginalização, discriminação e colonização que eles sofreram. Não é nada especial. Estamos apenas fazendo o que é socialmente justo. Eu não compro o argumento de que os indígenas têm direitos especiais, afinal eles são os que sempre estiveram no território brasileiro. Portanto, eles devem ter a possibilidade de continuar a viver nas terras demarcadas e praticar suas culturas”, finaliza Victoria.
Com informações da Agência PT de Notícias
Fonte: Revista Fórum

DESMATAMENTO Por que Ricardo Salles, novo ministro do Meio Ambiente, agrada tanto aos ruralistas?


Sua malsucedida campanha para deputado foi marcada por ódio ao MST. O número de candidato, 3006, era mesmo do calibre de fuzil. - Créditos: Evaristo Sá / AFP

O discurso do advogado está em sintonia com os interesses do agronegócio


O presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL), sustentou o nome do advogado Ricardo Salles como o novo ministro do Meio Ambiente mesmo com pendência com a Justiça.
A nomeação de Salles é alvo de ações judiciais porque o novo ministro teve seus direitos políticos suspensos por três anos após ser condenado na Justiça de São Paulo por improbidade administrativa em dezembro pelo juiz Fausto José Martins Seabra, da 3ª Vara da Fazenda Pública do TJ-SP.
O artigo 87 da Constituição Federal determina que os “Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos”. Ainda assim, o presidente decidiu indicar o advogado ao cargo e deixou claro quem queria agradar com a indicação: o agronegócio.
Ricardo Salles é acusado de descumprir leis ambientais e manipular mapas de manejo ambiental do rio Tietê, em São Paulo, "com a clara intenção de beneficiar setores econômicos". Na época, ele era secretário do Meio Ambiente na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). O advogado agrada aos ruralistas porque seus discursos estão em sintonia com os interesses do agronegócio.
Em vídeo gravado durante um almoço com ruralistas e cantores sertanejos em dezembro, logo após anunciar Salles na equipe do governo, Bolsonaro, descontraído, afirmou: “Vocês gostaram do ministro do Meio Ambiente agora, né? Com toda certeza". “Gostamos de tudo”, respondeu prontamente, “representando o agronegócio”, o locutor do rodeio de Barretos, Cuiabano Lima.



 

É mais difícil escrever contos ou romance?

Vale a pena discutir se é mais difícil escrever um romance ou um conto? Segundo Octavio Paz, sem épica não há sociedade possível, pois não existe sociedade sem heróis em que se reconhecer. Jacob Burckhardt foi um dos primeiros a advertir que a épica da sociedade moderna é o romance. Mas como chamar de épico um gênero ambíguo, que mal se define entre a crônica, o ensaio filosófico, a confissão autobiográfica, em que tudo cabe e é possível?
O romance e o conto teriam sua origem nos mesmos relatos míticos. Mas a modernidade mudou a feição do herói, introduziu a consciência, o homem virou o senhor de seus atos e vontades, não é mais o joguete do destino, sua posição diante do cosmo e diante de si mesmo tornou-se radicalmente distinta da que assumiu no passado. Os antigos conferiam realidade aos seus heróis. O mito explicava a ordem do mundo.
A Odisséia de Homero guardaria os prenúncios do romance moderno, uma forma narrativa que busca fugir ao ritmo imposto pela poesia e ao herói modelo, que acabamos de referir. O conto se origina nos relatos da tradição oral, nas histórias de deuses, heróis civilizadores, animais totêmicos. Guardados na memória e repetidos ao longo dos anos, esses relatos tinham a função de registrar os feitos das tribos, de educar através de exemplos, ou simplesmente divertir. As narrativas orais ganharam registros escritos, mas os compiladores, na maioria das vezes, permaneceram no anonimato. Nesse primórdio, o tecido que separava a narrativa de tradição oral, da escrita, era bem tênue. Permaneceu assim, até que a modernidade cobrou a assinatura de um autor.
No Decamerão de Boccaccio as múltiplas vozes dos narradores fazem pensar em vários autores. Porém, as cem narrativas estão assinadas. Não se trata de uma criação coletiva como os relatos colhidos e recontados pelos Irmãos Grimm, ou por Ítalo Calvino, ou por Jean Claude Carrière. Boccaccio imagina um grupo de sete moças que, tentando afastar-se dos perigos da peste que grassava em Florença, se encontram com três rapazes, “não por prévia combinação, mas por acaso, em uma das dependências da Igreja de Santa Maria Novella.” Ali, decidem seguir em busca de ar livre, para uma propriedade agrícola perto de Florença. E durante dez dias contam histórias de amor. É o mesmo modelo adotado em “As mil e uma noites”, sendo que nestas, além de um número mais infinito de noites, existe uma narradora única, Sherazade, que no transcorrer das histórias transfere a voz narrativa para outros. Sherazade seria um Boccaccio que ao invés de escrever, narra.
O conto se manteve próximo da tradição oral, e a substituiu nas sociedades em que a figura do narrador deixou de existir. Não há personagem, dentro das sociedades, a que possa ser comparado o romancista. Porque embora tenha existido o hábito da leitura de romances em voz alta, o romance nunca buscou forma correspondente na oralidade.
Mesmo considerando que a separação entre conto e romance é arbitrária, Ernesto Sabato insiste em diferenças arquetípicas, mas não diz quais são elas. Refere que “Guerra e Paz” é um romance e “Bartleby” um conto, sem estender-se nos motivos dessa classificação. A diferença estaria apenas no número de páginas? Sabato reconhece que “o romance é tão extenso comparado com o conto que, o que deve haver entre o começo e o fim dessa ilha difusa que se entrevê no início é difícil de prognosticar.” Borges, ao referir sua experiência, diz que vislumbra o princípio e o fim da história em cada conto que escreve, mas que não sabe a que país ou época pertencem, o que revela-se apenas quando pensa no tema, ou quando vai escrevendo.
No conto, trabalhando com um tempo narrativo mais limitado, segundo Ricardo Piglia “há um jogo entre a vacilação do começo e a certeza do fim”, sem sobras para digressões extensas como no romance. Segundo Kafka, “No primeiro momento, o começo de todo conto é ridículo. Parece impossível que esse novo corpo, inutilmente sensível, como que mutilado e sem forma, possa manter-se vivo. Cada vez que se começa, esquece-se de que o conto, se sua existência é justificada, já traz em si a forma perfeita, e que só cabe esperar vislumbrar nesse começo indeciso o seu visível, mas, talvez, inevitável final.”
Millôr Fernandes resumiria a questão numa tirada de humor: o conto é um romance sem o miolo. O conto é um relato que encerra um relato secreto, afirma Piglia. É este o seu miolo. Nele, precisamos contar uma história, contando outra. Não como fez Sherazade, que interrompe um fio narrativo para introduzir outro. É necessário que as duas histórias caminhem em paralelo, contem-se ao mesmo tempo. Ler um conto é investigar essa história secreta, que foge à aparência.
Piglia escreve que os contistas mais modernos abandonaram a estrutura fechada da narrativa e o final surpreendente; trabalham a tensão entre as duas histórias sem nunca resolvê-la. E que o conto clássico à Poe contava uma história anunciando que havia outra; e o conto moderno conta duas histórias como se fossem uma só. Os experimentos com o conto deixaram de lado a intenção de contar uma história, ou duas histórias, uma visível e outra secreta. Não existe a vontade de que o conto escrito retorne à forma oral, podendo ser lido em voz alta. Os novos narradores talvez não se interessem em contar histórias. Ou talvez se interessem em narrar uma história tão secreta, que muitas vezes nos perdemos nos seus sinais, sem nunca decifrá-la.
 *Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor.

Dia de Reis – 6 de Janeiro.

dia-de-reis
dia de Reis foi criado para lembrar a data em que os três Reis Magos entregaram presentes ao Menino Jesus. É uma festa da Igreja Católica Apostólica Romana, realizada entre os dias vinte e quatro de dezembro e 06 de janeiro, o dia da comemoração.
Trazida pelos portugueses na época da colonização do Brasil, a folia de reis é um movimento cultural onde os grupos saem caminhando a pé pelas ruas das cidades, para levar às pessoas as bênçãos do menino Jesus.
Os participantes saem a caráter, cada personagem possui roupas próprias, deixando a folia com um ar mais animado.
Dentre os personagens que aparecem na festa temos: mestre, contramestre, músicos, tocadores, reis magos, palhaço e outras pessoas, donas de conhecimentos da data.
Na história do natal os reis magos foram guiados por uma estrela até chegarem ao local onde Maria estava com seu filho, na presença de José. O caminho percorrido foi longo, pois cada um estava em uma localidade, por isso demoraram cerca de doze dias para chegar a Belém.
Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Sua utilidade é espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar, fazendo também do objeto uma reprodução da fé e da espiritualidade.
Da Europa, o enviado foi Belchior ou Melchior. Seu presente, o ouro, era oferecido apenas para os deuses, motivo pelo qual o ofertou para Jesus, simbolizando a riqueza, a realeza.
A mirra não foi esquecida. Baltazar levou-a da África, como a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta, utilizado para o preparo de medicamentos.
Em agradecimento ao cortejo e às bênçãos recebidas, as donas das casas deixam vários tipos de alimentos prontos, para oferecer aos personagens do cortejo. Como estes saem pelas ruas das cidades, desde bem cedo, vão recebendo desde lanches, café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.
Com a folia, encerram-se as comemorações natalinas em todo o mundo, podendo desmanchar as árvores de natal e retirar todos os enfeites que representam a festa. O importante é abençoar a todos com a festa!

Sinpro-DF inicia diálogo junto ao governo Ibanei


A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas sentadas, mesa e área interna
Dando continuidade à luta em defesa dos direitos do magistério, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) iniciou o diálogo junto à nova gestão que comandará o GDF pelo próximo quadriênio. Após reunião entre a Comissão de Negociação do Sindicato e o Secretário de Educação Rafael Parente, ficou estabelecido um cronograma de reuniões semanais para discutir a pauta de reivindicações da categoria, que contém mais de 100 itens importantes e urgentes para todos(as) educadores(as) do ensino público do DF.

Durante a conversa, realizada na manhã dessa quinta-feira (3), o secretário deu posicionamento em relação alguns pontos do pleito. Sobre o pagamento das pecúnias, Parente informou que o GDF reconhece a dívida, porém, maiores detalhes de como ou quando serão feitos os pagamentos deverão tratados diretamente com o governador Ibaneis Rocha (MDB), tendo em vista que a discussão das pecúnias envolve diversas categorias do funcionalismo.

A Comissão reforçou que é preciso estabelecer um debate permanente sobre as pecúnias, pois os valores destinados aos pagamentos são insuficientes diante do montante acumulado da dívida, além de cobrar a elaboração de medidas que garantam o gozo da Licença-Prêmio por Assiduidade para categoria em atividade, a fim de evitar o acúmulo de novas pecúnias.

Sobre a verba do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), o Sindicato alertou para a quitação das pendências de 2018 que ainda não foram pagas e cobrou que seja estabelecido, com antecedência, a periodicidade e os valores destinados para que as escolas se organizem. Sobre os recursos de 2019, o secretário informou que estão sendo tomadas medidas para pagar a primeira parcela também no mês de janeiro.

Acerca das nomeações, as convocações de professores(as) orientadores(as), bem como de cargos administrativos, incluindo os(as) monitores(as), deverão acontecer este mês. A expectativa é de que sejam convocados(as) 310 monitores(as), 468 orientadores(as), 429 apoio administrativo, 70 secretários(as) e 54 professores(as) das áreas de biomedicina (5), eletrônica (2), eletrotécnica (4), enfermagem (12), informática (1), língua estrangeira moderna/japonês (1), matemática (27) e odontologia (2) .

Parente disse ainda que providências estão sendo tomadas para que as contratações temporárias aconteçam de forma a garantir a participação desses(as) professores(as) já no início da semana pedagógica. Além disso, Rafael Parente explica que na noite desta sexta-feira (4), está previsto um crédito referente aos salários de dezembro, as rescisões de contratos temporários e um terço de férias do efetivo.

O Sinpro solicitou uma reunião com o governador Ibaneis Rocha para a próxima semana e a Comissão reafirma que neste momento se inicia uma nova etapa de discussão junto ao GDF para manter e conquistar avanços para toda a base, porém, o que garantirá o êxito será a continuidade da luta e da unidade histórica da categoria nesse novo embate.

Fonte: Facebook - SINPRO-DF

QUANDO AUTORIDADES USAM O NOME DE DEUS, É PARA EVITAR QUE SUAS POLÍTICAS SEJAM SUBMETIDAS AO CRIVO DA RAZÃO


demétrio magnoli

O DEUS DELES E O DE TODOS
"Não usarás o nome de Deus em vão" (Êxodo 20:7). 

Bolsonaro mencionou Deus abundantemente nos seus dois discursos de posse —e sempre em vão.

O Deus que autoriza ou sacraliza escolhas políticas nasce quando o poder se apropria da fé, para separar os filhos de Deus segundo a fidelidade a uma autoridade terrena.

Na Roma imperial, a fé exprimiu a aspiração ancestral de igualdade política. O cristianismo difundiu-se entre o povo pois a proclamação de que "somos todos filhos de Deus" erguia uma muralha lógica contra a discriminação.

Constantino curvou-se a ela e, para conservar o Império, instituiu a tolerância religiosa (313). 
 

Daí, seguiu-se o Concílio de Nicea (325), a conversão do imperador em seu leito de morte (337) e o Edito de Tessalônica (380), de Teodósio, que elevou o cristianismo à condição de religião de Estado. 

No fim do percurso, completou-se a inversão: o poder terreno adquiria o direito de discriminar invocando o nome de Deus.

A ideia original dos filhos de Deus é inclusiva. São filhos de Deus todos os seres humanos, mesmo os infiéis ou pecadores. O rebanho abrange os que cultuam deuses pagãos e os que clamam contra a autoridade.

Nesse sentido, a fé cristã mantém coerência com o princípio iluminista da igualdade política. “Nós não tratamos de Deus” —a advertência de Alastair Campbell, assessor de Tony Blair, evitou que o primeiro-ministro britânico concluísse seu discurso à nação, no início das hostilidades no Iraque (2003), com a frase “Deus nos abençoe”. 

O veredicto sobre a principal decisão de Blair, de seguir George W. Bush na campanha militar, não caberia a Deus, mas exclusivamente aos cidadãos.

“Agora, nós tratamos de Deus”, escreveu o ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, num artigo para a revista The New Criterion, referindo-se ao Brasil do governo Bolsonaro. 

 
A frase quase protocolar ensaiada por Blair seria uma súplica e a desejada bênção divina, uma mera hipótese. O Deus de Blair não dirige os eventos humanos, ainda que possa eventualmente aprovar, a posteriori, certas escolhas políticas.

Já o Deus de Trump invocado por Araújo move meticulosamente os pauzinhos da política. 

No caso brasileiro, segundo o artigo, Deus concatenou as ações de Bolsonaro, Olavo de Carvalho e da Lava-Jato com a finalidade de restaurar uma pátria que se tinha perdido. Esse Deus pervertido, um despachante de interesses terrenos, é o que o governo de turno quer que seja.

No discurso político, há um Deus para cada gosto. O Deus da Igreja Católica medieval mandava queimar bruxas e dirigia exércitos de cruzados.

O dos partidos religiosos israelenses exige a continuidade da ocupação de territórios conquistados. O das teocracias islâmicas impõe códigos restritivos de costumes que rebaixam as mulheres a uma cidadania de segunda classe. Aí, em todos esses casos, a palavra divina emana das autoridades políticas e o nome de Deus serve para matar, conquistar, oprimir.
 

Araújo fala sem parar na tradição judaico-cristã que seria a nossa, sem se dar conta de que essa é uma tradição diversa, heterogênea e, sobretudo, aberta à mudança. Dela, faz parte a laicidade estatal —isto é, o não tratamos de Deus de Campbell. 

No seu pronunciamento de posse no Itamaraty, perante diplomatas frios de vergonha (e também de um cordão de puxa-sacos, como foi Araújo até ontem), ele denunciou um 
ódio contra Deus que estaria inscrito na agenda global e alinhou o Brasil aos governos populistas dos EUA, da Itália, da Hungria e da Polônia.

O Deus dele é um ídolo: Steve Bannon, o arauto da alt-right americana que tenta construir uma Internacional dos nacionalistas.

Campbell tinha razão. Nenhuma autoridade menciona Deus em vão. O nome é usado para iludir, enganar, trapacear. Para evitar que suas políticas sejam submetidas ao escrutínio da razão. (por Demétrio Magnoli).

Postado por  - Fonte: naufrago-da-utopia.blogspot.com

"MP mira ONGs que atuam em defesa de direitos humanos”, diz diretor da Abong

Brasil de Fato 

Mauri Cruz lembra que a constituição garantir a autonomia de associações e movimentos da sociedade civil.

Uma das novidades trazidas pela Medida Provisória (MP) 870 de 2019, que regulamenta a reforma administrativa do governo Bolsonaro, está sendo contestada por organizações não governamentais brasileiras.
A MP elenca entre as competências da Secretaria de Governo, ministério ligado à Presidência, a de “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades e as ações dos organismos internacionais e das organizações não governamentais (ONG) no território nacional”.
A redação é inédita em relação ao órgão, tradicionalmente visto como espaço de articulação e diálogo entre Executivo e sociedade civil. Atualmente, a pasta é ocupada pelo general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz.
Mauri Cruz, integrante da diretoria executiva da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), destaca que o termo “ONG” não é juridicamente preciso, já que a legislação prévia fala em organizações da sociedade civil. De qualquer forma, entende que a MP mira organizações específicas: as que atuam em defesa de direitos humanos, de indígenas, mulheres e outros grupos alvos do discurso de Bolsonaro.
Cruz entende que a redação é ilegal, e afirma que a Abong busca medidas para reverter o disposto na MP. “O artigo 5º [da Constituição] garante a autonomia da sociedade civil e das associações, fundações, movimentos. O texto constitucional veda a intervenção estatal. Primeiro, interpelar administrativamente o governo para que corrija e, depois, em relação ao Congresso, e, se necessário, até o Supremo”, diz.
Os incisos 12 e 13 do referido artigo dizem que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar” e que “a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”, respectivamente.
Um dos pontos que o governo Bolsonaro, e sua candidatura, pautou foi a de que diversas ONGs recebem recursos públicos e, portanto, deveriam ser fiscalizadas. Dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) apontam, no entanto, que 70% das organizações da sociedade civil atuam sem qualquer financiamento do Estado brasileiro.
Nilo D’Ávila, diretor de campanhas do Greenpeace, explica que já há uma série de regras que regulam a prestação de contas de ONGs que atuam em parcerias e convênios com entidades públicas, e, que neste sentido, a MP é despropositada,  concordando que o dispositivo fere a Constituição Federal.
“Não faz o menor sentido. Foi aprovado o marco regulatório da sociedade civil. Há diretrizes, auditorias necessárias, está tudo escrito. A função da MP é ameaçar”, critica.
Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) existe desde 2014, tendo sido parcialmente alterado em 2015, passou a ser aplicado em todas as esferas administrativas desde 2017.