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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Artesanato Passo-a-Passo. Como Pintar e Restaurar Banquinhos de Madeira

artesanado madeira banco
Banquinhos de madeira com pintura fácil e que ficam lindos. Que tal você renovar um banquinho de madeira e fazer um artesanato muito bacana? Confira o passo a passo.

Materiais Necessários

FOTO 1
  • 2 bacos/banquetas de madeira
  • lixa para madeira
  • tinta branca para a base
  • tinta spray

Passo a Passo

Lixar os banquinhos com a lixa para madeira
1) Primeiríssimo de tudo: lixar! Para recuperar qualquer peça esse é o primeiro passo.
Dica: Elimine os relevos e o verniz, mas não precisa deixar a cor natural da peça, apenas deixe-a fosca e lisa.
passe o primer nos banquinhos
2) Passe a base branca, ela age como primer. Assim, na hora de pintar com a cor que você escolheu, a tinta irá aderir melhor.
use tinta spray para pintar as banquetas
3) Depois, chega a hora tão esperada: Cor cor cor cor! Nestes bancos eu usei tinta em spray, é mais prático e não precisa de verniz.
pinte o banquinho com tinta spray
Dica: Deixe a lata do spray na vertical e com mais ou menos 15 cm de distância do objeto. A tinta seca totalmente depois de 24 h.
Depois de seguir esses passos você consegue um par de bancos novinhos para a sua casa, e claro, longe do lixo.

Aquarela do Brasil chega aos 80 como um Hino Nacional

Dois leitores me perguntaram se considero Aquarela do Brasil a melhor composição de Ary Barroso. Escrevi sobre ela, no Aliás de domingo passado, sem atirar-lhe confetes e muito menos hierarquizá-la na extensa obra do autor. Não é, dos sambas do Ary, o meu preferido, longe disso; mas me curvo à sua incomparável e universal popularidade, e à sua originalidade, pois daquela paleta de hipérboles coloridas nasceu um novo subgênero musical, o samba-exaltação.
Por Sérgio Augusto
Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, é, consensualmente, um marco, um monumento musical. Por sua causa, a palavra aquarela ganhou no Aurélio uma nova acepção
Outro leitor quis saber, justamente, por que e quando o samba-exaltação morreu. Suspeito que tenha sumido por falta de oxigenação e esgotamento de seus chavões. Mas assim como a chanchada trocou o cinema pela televisão, o samba-exaltação sobreviveu nos enredos das escolas de samba, que se ufanam desde que a primeira delas, Deixa Falar, celebrou nos mesmos versos a primavera brasileira e a recém-triunfante Revolução de 1930.
Ainda que eu prefira Morena Boca de Ouro, Pra Machucar Meu Coração, É Luxo Só, entre outras, Aquarela do Brasil é, consensualmente, um marco, um monumento musical. Não me oporia a oficializá-lo como Hino Nacional Brasileiro, pois oficiosamente já o é faz tempo. Por sua causa, a palavra aquarela ganhou no Aurélio uma nova acepção: “Visão alegre ou otimista de uma época, uma situação, um lugar etc.”. No Houaiss ainda não.
Foi composto numa noite chuvosa do verão de 1939. Em sua casa no bairro carioca do Leme, Ary saiu, sorrateiro, de uma conversa fiada com a mulher, Ivone, e o cunhado, sentou-se ao piano e começou a dedilhar alguns acordes, até que encontrou o samba que havia meses buscava, na contramão dos sucessos da moda: sem tristeza nem dor de corno, um samba esfuziante, “um clangor de emoções positivas” sobre esta “terra boa e gostosa”.
Vivíamos, desde o final de 1937, sob o tacão do Estado Novo, eram cada vez mais intensos os rumores de guerra na Europa, mas ainda assim ou talvez por isso Ary insistiu em levantar o nosso moral, enaltecendo riquezas que este país “lindo e trigueiro” tinha ou acreditava ter. Uma delas era ser “a terra de Nosso Senhor”, meu primeiro contato com a crença de que Deus é brasileiro.
O cunhado de Ary foi o primeiro a invocar com o pleonástico “esse coqueiro que dá coco”, a meu ver, mais enfático do que redundante. De todo modo, a audição doméstica foi exitosa e celebrada com uma garrafa de vinho. E no embalo da euforia, Ary voltou ao piano e compôs a canção As Três Lágrimas, inteirinha. Noitada memorável.
“Este samba tem futuro”, empolgou-se o maestro Radamés Gnatalli, sem dar pelota para as pelancas poéticas da letra: “inzoneiro”, “merencória”, as mais salientes. Objetou a tímida abertura prevista pelo autor, com aquele pom-pom-poróm, pom-pom-pom dedilhado num contrabaixo, que trocou por um imponente quinteto de saxofones.
Escolhida para abrir a cortina do passado e tirar a Mãe Preta do serrado, Aracy de Almeida acabou substituída pelo “Rei da Voz” Francisco Alves, que se consagraria como o mais cobiçado intérprete de sambas-exaltação. Quem, porém, cantou a Aquarela pela primeira vez em público foi o barítono e socialite Cândido Botelho, no espetáculo beneficente Joujoux e Balangandãs, no Teatro Municipal do Rio, em junho e julho daquele ano. Como não há, creio, registro gravado daquela performance, a de Chico Alves, em disco, saiu na frente.
A histórica gravação, realizada nos estúdios da Odeon em 18 de agosto, foi um arraso. Ambicioso e arrojado, para os padrões da época, o arranjo de Gnatalli previa o dobro do tempo normal de duração de um 78 rotações, o que exigiu a utilização dos dois lados do disco. Conforme a agulha da vitrola se aproximava dos últimos sulcos da face A, a orquestra solava, caindo em BG, para retomar o mesmo solo no início do lado B, com Chico Alves nos arrastando até o apoteótico finale: “Brasil! Brasil! Pra mim… pra mim…”.
Apesar da implicância da Censura estado-novista com a imagem do Brasil como “terra do samba e do pandeiro”, para ela despicienda, a metonímia ficou.
Na versão americana, assinada por S.K. “Bob” Russell e intitulada Brazil, a terra do mulato inzoneiro virou mero pano de fundo de uma reminiscência romântica, embocadura parcialmente adotada pelo letrista francês Jacques Leruej, que só na segunda parte alude a riachos, gaúchos, tardes quentes e límpidas – e até ao Cruzeiro do Sul. Adotada em Hollywood, onde Ary tentou carreira, Aquarela aninhou-se no repertório de uma legião de cantores e orquestras. Bing Crosby a gravou duas vezes; mas a melhor gravação ainda é a de Frank Sinatra.
Aloisio de Oliveira, líder do Bando da Lua e parceiro de Carmen Miranda, foi o primeiro a cantá-la na tela em português, no desenho de Walt Disney Alô, Amigos, em 1943. Sua estreia cinematográfica, três anos antes, no filmusical carioca Laranja da China, dirigido por Ruy Costa, tivera um intérprete improvável, o mexicano Pedro Vargas, o que pode ter determinado a identificação de Brazil, no Hit Parade americano, como um tema “originalmente composto em espanhol”.
Estimulado por seu prestígio internacional, Ary planejou adaptá-la a uma ópera rural, uma versão Jeca Tatu de Porgy e Bess movida a congadas, maracatus e capoeira, com assessoria técnica do folclorista Câmara Cascudo, uma pincelada erudita do maestro Guerra Peixe e libreto de Millôr Fernandes e Antonio Callado. Que seria imperdível se não tivesse sido apenas um sonho do Ary.
O Estado de S. Paulo

Monteiro Lobato – Jeca Tatuzinho

Lançado em 1924, Jeca Tatuzinho veio ensinar noções de higiene e saneamento às crianças, por meio do personagem-símbolo criado por Monteiro Lobato. Adaptado no ano seguinte e, ao que consta, oferecido a seu amigo Cândido Fontoura para promoção dos produtos do laboratório Fontoura Serpe & Cia, em especial do Biotônico, chegaria a 100 milhões de exemplares no centenário do escritor.
Considerada a peça publicitária de maior sucesso na história da propaganda brasileira, inspiraria, naquele ano de 1982, a criação do Prêmio Jeca Tatu. Instituído pela agência CBBA – Castelo Branco e Associados, representou uma homenagem “à obra-prima da comunicação persuasiva de caráter educativo, plenamente enquadrada na missão social agregada ao marketing e à propaganda”.
O folheto do Biotônico Fontoura, cujo texto aqui reproduzimos, foi ilustrado em suas primeiras edições por Belmonte e, em seguida, por J. U. Campos.
I Jeca Tatu era um pobre caboclo que morava no mato, numa casinha de sapé. Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia, e de vários filhinhos pálidos e tristes.
Jeca Tatu passava os dias de cócoras, pitando enormes cigarrões de palha, sem ânimo de fazer coisa nenhuma. Ia ao mato caçar, tirar palmitos, cortar cachos de brejaúva, mas não tinha idéia de plantar um pé de couve atrás da casa. Perto corria um ribeirão, onde ele pescava de vez em quando uns lambaris e um ou outro bagre. E assim ia vivendo.
Dava pena ver a miséria do casebre. Nem móveis, nem roupas, nem nada que significasse comodidade. Um banquinho de três pernas, umas peneiras furadas, a espingardinha de carregar pela boca, muito ordinária, e só.
Todos que passavam por ali, murmuravam:
– Que grandessíssimo preguiçoso!

II
JecaTatuzinho2
Jeca Tatu era tão fraco que, quando ia lenhar, vinha com um feixinho que parecia brincadeira. E vinha arcado, como se estivesse carregando um enorme peso.
– Por que não traz de uma vez um feixe grande? perguntaram-lhe um dia.
Jeca Tatu cortou a barbicha rala e respondeu:
– Não paga a pena.
Tudo para ele não pagava a pena. Não pagava a pena consertar a casa, nem fazer uma horta, nem plantar árvores de fruta, nem remendar a roupa.
Só pagava a pena beber pinga.
– Por que você bebe, Jeca? diziam-lhe.
– Bebo para esquecer.
– Esquecer do quê?
– Esquecer as desgraças da vida.
E os passantes murmuravam:
– Além de vadio, bêbado …

III
Jeca possuía muitos alqueires de terra, mas não sabia aproveitá-la. Plantava todos os anos uma rocinha de milho, outra de feijão, uns pés de abóbora e mais nada. Criava em redor da casa um ou outro porquinho e meia dúzia de galinhas. Mas o porco e as aves que cavassem a vida, porque Jeca não lhes dava o que comer. Por esse motivo o porquinho nunca engordava, e as galinhas punham poucos ovos.

Jeca possuía ainda um cachorro, o Brinquinho, magro e sarnento, mas bom companheiro e leal amigo.

Brinquinho vivia cheio de bernes no lombo e muito sofria com isso. Pois apesar dos ganidos do cachorro, Jeca não se lembrava de lhe tirar os bernes. Por que? Desânimo, preguiça…

As pessoas que viam aquilo, franziam o nariz.
– Que criatura imprestável! Não serve nem para tirar berne de cachorro…

IV
Jeca só queria beber pinga e espichar-se ao sol, no terreiro. Ali ficava horas, com o cachorrinho rente, cochilando. A vida que rodasse, o mato que crescesse na roça, a casa que caísse. Jeca não queria saber de nada. Trabalhar não era com ele.
Perto morava um italiano já bastante arranjado, mas que ainda assim trabalhava o dia inteiro. Por que Jeca não fazia o mesmo?

Quando lhe perguntavam isso, ele dizia:

– Não paga a pena plantar. A formiga come tudo.
– Mas como é que seu vizinho italiano não tem formiga no sítio?
– É que ele mata.
E por que você não faz o mesmo?
Jeca coçava a cabeça, cuspia por entre os dentes e vinha sempre com a mesma história:
– Quá! Não paga a pena …
– Além de preguiçoso, bêbado; e além de bêbado, idiota, era o que todos diziam.

V
Um dia um doutor portou lá por causa da chuva e espantou-se de tanta miséria. Vendo o caboclo tão amarelo e magro, resolveu examiná-lo.
– Amigo Jeca, o que você tem é doença.
– Pode ser. Sinto uma canseira sem fim, e dor de cabeça, e uma pontada aqui no peito, que responde na cacunda.
– Isso mesmo. Você sofre de ancilostomíase.
– Anci… o que?
– Sofre de amarelão, entende? Uma doença que muitos confundem com a maleita.
– Essa tal maleita não é sezão?

– Isso mesmo. Maleita, sezão, febre palustre ou febre intermitente: tudo a mesma coisa.

A sezão também produz anemia, moleza e esse desânimo do amarelão; mas é diferente. Conhece-se a maleita pelo arrepio ou calafrio que dá, pois é uma febre que vem sempre em horas certas e com muito suor. Quem sofre de sezão sara com o MALEITOSAN FONTOURA. Quem sofre de amarelão sara com a ANKILOSTOMINA FONTOURA. Eu vou curar você.

VI
O doutor receitou um vidro de ANKILOSTOMINA FONTOURA, para tomar assim: seis comprimidos hoje pela manhã e outros seis amanhã de manhã.

– Faça isto duas vezes, com o espaço de uma semana. E de cada vez tome também um purgante de sal amargo, se duas horas depois de ter ingerido a ANKILOSTOMINA não tiver evacuado. E trate de comprar um par de botinas e alguns vidros de BIOTÔNICO e nunca mais me ande descalço e nem beba pinga, ouviu?

-Ouvi, sim, senhor!

– Pois é isso, rematou o doutor, tomando o chapéu. A chuva já passou e vou-me embora. Faça o que mandei, que ficará forte, rijo e rico como o italiano. Na semana que vem estarei aqui de volta.

– Até por lá, sêo doutor!

Jeca ficou cismando. Não acreditava muito nas palavras da Ciência, mas por fim resolveu comprar os remédios, e também um par de botinas ringideiras.

Nos primeiros dias foi um horror. Ele andava pisando em ovos. Mas acostumou-se, afinal…

VII
 Quando o doutor voltou, Jeca estava bem melhor, graças à ANKILOSTOMINA e ao BIOTÔNICO. O doutor mostrou-lhe com uma lente o que tinha saído das suas tripas:
– Veja, sêo Jeca, que bicharia tremenda estava você a criar na barriga! São os tais ancilóstomos, uns bichinhos dos lugares úmidos, que entram pelos pés, vão varando pela carne adentro até alcançarem os intestinos. Chegando lá, grudam-se nas tripas e escangalham com o freguês.

Tomando a ANKILOSTOMINA, você bota fora todos os ancilóstomos que tem no corpo. E andando sempre calçado, não deixa que entrem os que estão na terra. Fazendo isso e fortalecendo-se com alguns vidros de BIOTÔNICO, ovos e leite, você fica livre da doença para sempre.

Jeca abriu a boca, maravilhado.

– Os anjos digam amém, sêo doutor!

VIII
Mas Jeca não podia acreditar numa coisa: que os bichinhos entrassem pelo pé. Ele era “positivo” e dos tais que “só vendo”. O doutor resolveu abrir-lhe os olhos: Levou-o a um lugar úmido, atrás de casa, e disse:

– Tire a botina e ande um pouco por aí.

Jeca obedeceu.

– Agora venha cá. Sente-se. Bote o pé em cima do joelho. Assim. Agora examine a pele com essa lente.
Jeca tomou a lente, olhou e percebeu vários vermes pequeninos que já estavam penetrando na sua pele, através dos poros. O pobre homem arregalou os olhos, assombrado.
– E não é que é mesmo? Quem “haverá” de dizer!…
– Pois é isso, sêo Jeca, e daqui por diante não duvide mais do que disser a Ciência.
– Nunca mais! Daqui por diante dona Ciência está dizendo, Jeca está jurando em cima! T’esconjuro! E pinga, então, nem para remédio…

IX
Tudo o que o doutor disse aconteceu direitinho! Três meses depois ninguém mais conhecia o Jeca. A ANKILOSTOMINA curou-o do Amarelão. O BIOTÔNICO deixou-o bonito, corado, forte como um touro.

A preguiça desapareceu. Quando ele agarrava no machado, as árvores tremiam de pavor.
Era pã, pã, pã… horas seguidas, e os maiores paus não tinham remédio senão cair.

E Jeca, cheio de coragem, botou abaixo o capoeirão, para fazer uma roça de três alqueires. E plantou eucaliptos nas terras que não se prestavam para cultura. E consertou todos os buracos da casa. E fez um chiqueiro para os porcos. E um galinheiro para as aves. O homem não parava, vivia a trabalhar com fúria que espantou até o seu vizinho italiano.

– Descanse um pouco, homem! Assim você arrebenta… diziam os passantes.
– Quero ganhar o tempo perdido, respondia ele, sem largar do machado. Quero tirar a prosa do “italiano”.

X
Jeca, que era um medroso, virou valente. Não tinha mais medo de nada, nem de onça! Uma vez, ao entrar no mato, ouviu um miado estranho.

– Onça! Exclamou ele. É onça e eu aqui sem uma faca!…

Mas não perdeu a coragem. Esperou a onça, de pé firme. Quando a fera o atacou, ele ferrou-lhe tamanho murro na cara que a bicha rolou no chão, tonta. Jeca avançou de novo, agarrou-a pelo pescoço e estrangulou-a.

– Conheceu, papuda? Você pensa que está lidando com algum pinguço opilado? Fique sabendo que tomei ANKILOSTOMINA e BIOTÔNICO e uso botina ringideira!…

A companheira da onça, ao ouvir essas palavras, não quis saber de histórias – azulou! Dizem que até hoje está correndo…

XI
Ele, que antigamente, quando lenhava, só trazia três pausinhos, carregava agora cada feixe que metia medo. E carregava-os sorrindo, como se o enorme peso não passasse de brincadeira.

– Amigo Jeca, você arrebenta! diziam-lhe. Onde se viu carregar tanto pau de uma vez?
– Já não sou aquele de dantes! Isto para mim agora é canja… respondia o caboclo, sorrindo.

Quando teve de aumentar a casa, foi a mesma coisa. Derrubou no mato grossas perobas, atorou-as, lavrou-as e trouxe no muque para o terreiro as toras todas. Sozinho!

– Quero mostrar a essa paulama quanto vale um homem que tomou ANKILOSTOMINA e BIOTÔNICO, que usa botina cantadeira e que não bebe nem um só martelinho de cachaça!
O italiano via aquilo e coçava a cabeça.

– Se eu não tropicar direito, este diabo me passa na frente. Per Bacco!

XII
Dava gosto ver suas roças. Comprou arados e bois, e não plantava nada sem primeiro afofar a terra. O resultado foi que os milhos vinham lindos e o feijão era uma beleza.

O italiano abria a boca, admirado, e confessava nunca ter visto roças assim.
E Jeca já não plantava rocinhas, como antigamente. Só queria saber de roças grandes, cada vez maiores, que fizessem inveja no bairro.
E se alguém lhe perguntava:
– Mas para que tanta roça, homem? ele respondia:
– É que agora quero ficar rico. Não me contento com trabalhar para viver. Quero cultivar todas as minhas terras, e depois formar aqui duas enormes fazendas – a Fazenda Ankilostomina e Fazenda Biotônico. E hei de ser até coronel…
E ninguém duvidava mais. O italiano dizia:
– E forma mesmo! E vira mesmo coronel! Per la Madonna!

XIII
Por esse tempo, o doutor passou por lá e ficou admiradíssimo com a transformação de seu doente.
Esperara que ele sarasse, mas não contara com tal mudança.
Jeca o recebeu de braços abertos e apresentou-o à mulher e aos filhos.
Os meninos cresciam viçosos, e viviam brincando, contentes como os passarinhos.
E toda gente ali andava calçada. O caboclo ficara com tanta fé no calçado, que metera botinas até nos animais caseiros!

Galinhas, patos, porcos, tudo de sapatinho nos pés! O galo, esse andava de bota e espora!
– Isso também é demais, sêo Jeca, disse o doutor. Isso é contra a natureza!
– Bem sei. Mas quero dar um exemplo a esta caipirada bronca. Eles vêm aqui, vêem isso e não se esquecem mais da história.

XIV
Em pouco tempo os resultados foram maravilhosos. A porcada aumentou de tal modo, que vinha gente de longe admirar aquilo. Jeca adquiriu um caminhão, e em vez de conduzir os porcos ao mercado pelo sistema antigo, levava-os de auto, num instantinho, buzinando pela estrada afora, fon-fon! Fon-fon! …

As estradas eram péssimas; mas ele consertou-as à sua custa. Jeca parecia um doido. Só pensava em melhoramentos, progressos, coisas americanas. Aprendeu logo a ler, encheu a casa de livros e por fim tomou um professor de inglês.

– Quero falar a língua dos bifes para ir aos Estados Unidos ver como é lá a coisa.
O seu professor dizia:

– O Jeca só fala inglês agora. Não diz porco; é pig. Não diz galinha; é hen… Mas de álcool, nada. Antes quer ver o demônio, que um copinho da “branca”…

XV
Jeca só fumava charutos fabricados especialmente para ele, e só corria as roças montado em cavalos árabes de puro sangue.

– Quem o viu e quem o vê! Nem parece o mesmo. Está um “estranja” legítimo, até na fala.
Na “Fazenda Biotônico” havia de tudo. Campos de alfafa. Pomares belíssimos com quanta fruta há no mundo. Até criação do bicho-da-seda; Jeca formou um amoreiral que não tinha fim.
– Quero que tudo aqui ande na seda, mas seda fabricada em casa. Até os sacos aqui da fazenda tem que ser de seda, para moer os invejosos…
E ninguém duvidava de nada.
– O homem é mágico, diziam os vizinhos. Quando assenta de fazer uma coisa, faz mesmo, nem que seja um despropósito…

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XVI

A “Fazenda Biotônico” tornou-se famosa no país inteiro. Tudo ali era por meio do rádio e da eletricidade. Jeca, de dentro do seu escritório, tocava num botão e o cocho do chiqueiro se enchia automaticamente de rações muito bem dosadas. Tocava outro botão e um repuxo de milho atraía todo o galinhame!…

Suas roças eram ligadas por telefones. Da cadeira de balanço na varanda, ele dava ordens aos feitores, lá longe.

Chegou a mandar buscar nos Estados Unidos um aparelho de televisão.
– Quero aqui desta varanda ver tudo o que se passa em minha fazenda.
E tanto fez, que viu. Jeca instalou os aparelhos, e assim pôde, da sua varanda, com o charutão na boca, não só falar por meio do rádio para qualquer ponto da fazenda, como ainda ver, por meio da televisão, o que os camaradas estavam fazendo.

XVII
Ficou rico e estimado, como era natural; mas não parou aí. Resolveu ensinar o caminho da saúde aos caipiras das redondezas. Para isso montou na fazenda e vilas próximas vários POSTOS DE MALEITOSAN, onde tratava os enfermos de sezões; e também POSTOS DE ANKILOSTOMINA, onde curava os doentes de amarelão e outras verminoses.

E quando algum empregado sentia alguma dor de cabeça, se estava resfriado, Jeca arrumava-lhe uns dois ou três comprimidos de Fontol, e imediatamente o homem estava bom, e pronto para o serviço.

O seu entusiasmo era enorme. “Hei de empregar tôda minha fortuna nesta obra de saúde geral, dizia. Meu patriotismo é este. Minha divisa: Curar gente. Abaixo a bicharia! Viva o Biotônico! Viva ANKILOSTOMINA! Viva o Maleitosan! Viva o Fontol!”

A estes vivas o coronel Jeca aumentou mais um. Foi quando apareceu o grande “liquida-insetos” chamado DETEFON e ele o experimentou na miuçalha da fazenda: pulgas, percevejos, piolhos, baratas, pernilongos e moscas. Deixou aquilo lá sem um só bichinho para remédio.

Não contente com isso, Jeca tomou o hábito de nunca sair a cavalo ou de automóvel sem levar a tiracolo a bomba de pulverizar o DETEFON. Entrava nos casebres de beira de caminho e antes do “Bom dia!” punha-se fon, fon, fon, detefon, a pulverizar tudo, coisas e gentes. Quando acaba, dizia:

– Ninguém faz a conta dos males que estes bichinhos causam à humanidade, como transmissores de moléstias… e dava mais umas bombadas de lambuja.
E a curar gente da roça passou Jeca toda a sua vida. Quando morreu, aos 89 anos, não teve estátua ou grandes elogios nos jornais. Mas ninguém ainda morreu de consciência mais tranqüila. Havia cumprido o seu dever até o fim.

XVIII
Meninos: nunca se esqueçam desta história; e, quando crescerem, tratem de imitar o Jeca. Se forem fazendeiros, procurem curar os camaradas. Além de ser para eles um grande benefício, é para você um alto negócio. Você verá o trabalho dessa gente produzir três vezes mais.

Uma país não vale pelo tamanho, nem pela quantidade de habitantes. Vale pelo trabalho que realiza e pela qualidade da sua gente.

Ora, ter mais saúde é a grande qualidade de um povo. Tudo mais vem daí. E o grande remédio que combate o amarelão, esse mal terrível que tantos braços preciosos rouba ao trabalho, é a ANKILOSTOMINA. Assim como o grande conservador da saúde, que produz energia, força e vigor, chama-se BIOTÔNICO FONTOURA.

Fonte: Brasil Cultura

NOVA CRUZ/RN: DIA 06 DE OUTUBRO - ELEIÇÃO PARA CONSELHEIRO TUTELAR - VOTE BEM - VOTE CERTO! AS CRIANÇAS AGRADECEM!

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FIQUEM POR DENTRO PRA NÃO FICAR DE FORA!
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Um órgão fundamental na luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes. Essa é uma definição precisa para a atuação do Conselho Tutelar. O papel dos profissionais que fazem parte desta rede é de extrema importância para o desenvolvimento pleno da nossa sociedade: são eles que trabalham como intermediários entre os meninos e meninas em situações de vulnerabilidade e os órgãos do Sistema de Garantia dos Direitos que vão realizar o devido atendimento, requisitando serviços e aplicando medidas protetivas.

Criado em 1990 pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Conselho recebe pessoas de até 17 anos que tiveram algum direito violado ou que tenham sofrido alguma ameaça. Atualmente, existem mais de 5 mil instalados pelo país, muitos deles com uma série de deficiências para a devida atuação.

Dia 06 de outubro acontecerá as eleições para conselheiros tutelares! Faça a sua parte! Analise os 17 candidatos e vote! Você pode VOTAR até em 05 (candidatos)! Eduardo Vasconcelos.