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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A potencialidade de Mário de Andrade: o modernista contemporâneo

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Por Norma Odara
“Abançado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu.”
É este Mário de Andrade, potente, vivo, inquieto que o ator Pascoal da Conceição interpreta com o poema do autor paulistano chamado o “Descobrimento”.
Pascoal deu vida a Mário na minissérie para televisão “Um só Coração”, em 2002, em homenagem aos 450 anos da cidade de São Paulo. Além da semelhança física com o do Mário Pascoal da Conceição foi conterrâneo do escritor, nasceu no mesmo dia e mês: 9 de outubro.
Ele diz que um dos aspectos em Mário que chamam a atenção é que ele tinha uma maneira ímpar de retratar a vida.
“O Mário de Andrade é um tipo de pensamento, é um jeito de pensar a vida. Toda a obra dele é um pouco isso. Tem maneiras de pensar o que é viver, comer, namorar, o que é andar, tem gente que pensa com as coisas todas afinadas, tudo de acordo, porque tem gente que acha que a vida é uma rendição o tempo todo, era uma aceitação complacente de tudo que nos acontece, como uma fatalidade, tem gente que não acha isso. “, conta.
Escritor paulistano, crítico literário, músico e ativista cultural, Mário de Andrade, lançou uma de suas mais célebres obras “Paulicéia Desvairada”, na mesma semana do movimento modernista brasileiro, que no ano de 1922 buscou rumos para a identidade e produção nacional brasileira.
Um dos seus livros mais representativos para literatura brasileira foi Macunaíma, que traz a história de um heroí às avessas, resultado de inúmeras pesquisas do autor sobre a cultura popular brasileira.
O ator Pascoal da Conceição comenta que a musa inspiradora de Mário, era a cidade de São Paulo, que pela primeira vez foi abordada como metrópole no livro Paulicéia Desvairada.
“É a cidade de São Paulo que é o guia do pensamento dele do que é o Brasil, do que é o mundo, do que é a vida. E o Mário de Andrade em 1930 é um cara que anda muito pela cidade, um cara que gosta de andar, jovem”, diz.
Sempre com o olhar atento Mário percorria o Cambuci, Brás e Barra Funda, nesse último foi o bairro em que morou. Pascoal considera Mário um autor contemporâneo, por não abandonar as lutas de sua época e ser crítico ao autoritarismo do Estado Novo.
“Toda geração tem uma luta, ou ela luta sua luta ou ela trai a sua luta. O Mário não traiu a sua luta. Outro dia eu estava numa manifestação, na paulista, com os índios Guaranis e alguém da manifestação lembrou que o Mário de Andrade disse que ele queria que os olhos dele ficassem lá no Jaraguá, para saber o que a nossa geração ia fazer. Pra saber o que há de vir.”, afirma.
A preocupação de Mário de Andrade com os rumos da população, dos movimentos populares que fervilhavam, contra as mazelas sociais e injustiças estão em contos sobre comícios e greves gerais.
Este lado engajado do poeta chamou atenção de quatro pesquisadores e estudiosos de literatura, Cláudia de Arruda Campos, Enid Yatsuda Frederico, Walnice Nogueira Galvão e Zenir Campos Reis, que organizaram um livro de contos e poemas do autor, cujo tema é a vida e a classe trabalhadora brasileira.
Enid Yatsuda Frederico, uma das organizadoras do livro e professora aposentada do Departamento de Teoria Literária da Unicamp, fala sobre a curadoria do livro, que levou mais de sete meses.
“Procuramos contos que ele lidasse com o popular e foi assim que a gente acabou selecionando. 4 contos e algumas poesias, todas elas visando esse lado social, mostrando um Mário explicitamente preocupado com as questões sociais. “, diz Enid.
Os textos foram selecionados dos livros: Os contos de Belazarte, Contos novos e Poesias completas.
O livro “Contos e poemas” será lançado oficialmente em fevereiro de 2018 pela editora Expressão Popular, mas já está disponível para compra pelo site expressaopopular.com.br.

Fonte: Brasil de Fato

Carnaval de 2018

carnaval
Carnaval 2018 é comemorado em 13 de fevereiro. Esta é uma celebração de data móvel, mas que é obrigatoriamente comemorada numa terça-feira.
Apesar de tradicionalmente esse ser um dia de folga, o Carnaval não é um feriado nacional. No Rio de Janeiro, sim, é feriado estadual, conforme Lei nº 5246, de 14 de maio de 2008.
A festa de Carnaval dura três dias, e sua data varia a cada ano, uma vez que ocorre sempre 47 dias antes da Páscoa.
No Carnaval, as pessoas se vestem de maneira diferente da habitual, com trajes mais divertidos e inusitados, e comemoram a data indo aos bailes e desfiles específicos da época.
O Brasil é mundialmente conhecido por essa comemoração, que é festejada em todo país, em especial nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e São Paulo, que fazem grandes desfiles de fantasias com temas variados.
A cidade de Recife, nordeste do Brasil, também se destaca por ter o maior bloco de Carnaval do mundo, chamado “Galo da Madrugada”.

História do Carnaval

Originalmente, o termo “carnaval” significa “adeus à carne” (carnis levale, em latim), pois representava, na Idade Média, uma época de festas populares que antecediam um período de grande jejum.
O Carnaval passou a ser adotado pela Igreja Católica como o marco inicial da Quaresma a partir de 590 d.C.
No Brasil, esta festa popular começou a ser comemorada em meados do século XVII, por influência dos europeus, que já festejavam muito antes, principalmente na França e na Itália.
Foi apenas no século XX que o Carnaval no Brasil se consolidou com o formato conhecido contemporaneamente. O samba e as marchinhas carnavalescas foram grandes impulsionadores desta festa popular entre os brasileiros.

Quando será o Carnaval nos próximos anos?

Como dito, o Carnaval é uma festa móvel e, por este motivo, todos os anos é comemorado numa data diferente. Para já ir se programando, saiba quais são as datas do Carnaval para os próximos 5 anos!
  • Carnaval 2019 – 5 de março de 2019
  • Carnaval 2020 – 25 de fevereiro de 2020
  • Carnaval 2021 – 16 de fevereiro de 2021
  • Carnaval 2022 – 1 de março de 2022
  • Carnaval 2023 – 21 de fevereiro
  • Fonte: BRASIL CULTURA

O Jovem Karl Marx manda um recado à nova geração: a luta é de classes

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Por Mariana Serafini
Do mesmo diretor de “Eu não sou negro”, o haitiano Raoul Peck, o filme é uma superprodução que não deve nada aos estúdios de Hollywood. Justamente isso tem sido alvo de críticas entre especialistas mundo a fora, e também no Brasil. O diretor escolheu o formato clichê do cinema norte-americano para falar sobre a obra do pai do comunismo.
Aclamado pelo público e pela crítica em diversos festivais europeus, certamente a escolha não foi um descuido. Raoul Peck leva à telona, com ares despretensiosos, toda a potência da obra de Marx. A sensação que se tem, ao sair do cinema, é de que devemos imediatamente rever – ou descobrir – todo o legado marxista porque a luta de classes pulsa em 2017 (quase 18) tanto quanto em 1848, quando o Manifesto Comunista foi lançado.
O filme foca nos primeiros anos da vida adulta de Marx e a amizade dele com Friedrich Engels. Apesar do abismo social que os separavam, o desejo por um mundo mais justo e um porre homérico uniu os dois intelectuais que se admiravam antes de se conhecer pessoalmente.
Marx era jornalista e – como nos dias de hoje – raramente recebia seus freelas em dia, justamente por isso vivia com a corda sempre no pescoço ao lado de sua esposa Jenny von Westphalen, uma aristocrata alemã que abandonou o berço de ouro.
Já Engels é retratado no filme como um playboy que sabe pouco, quase nada, sobre os problemas do mundo fora do conforto de seu círculo social, mas questiona o tratamento dado por seu pai aos funcionários das fábricas de tecido que a família possui. Em um destes episódios, se encanta pela firmeza de Mary, uma funcionária que encara o patrão em defesa de mínimos direitos trabalhistas. É ao entrar de cabeça no submundo dos empregados que absorve subsídios para iniciar seus ensaios sociais, a contragosto do pai, obviamente.
Raoul Peck parece fazer questão de destacar a importância destas duas mulheres para obra que nasceria da união de Marx e Engels. Tanto Jenny como Mary Burns são figuras que participam ativamente da vida política de seus maridos. Elas não só frequentam reuniões como opinam e até ajudam a transcrever os textos dos dois. Ambas tiveram papel fundamental no processo de produção do Manifesto Comunista, por exemplo.
Crise na Inglaterra, disputas de poder entre a esquerda, as diversas correntes de pensamento da época, os intelectuais de destaque, bares, cafés, a boemia londrina, tudo isso está muito bem retratado na obra de Peck. O diretor mostra a efervescência política de onde surgiu o maior pensador comunista dos séculos 19 e 20. E mais que isso, deixa claro porque foi esta corrente ideológica que “venceu” diante das demais e como o movimento comunista se consolidou.
O retrato de época dialoga perfeitamente com os dias de hoje. Nos mostra que a obra de Marx está viva, atualíssima e pode dar respostas à crise política e humanitária do século 21. Hoje outro espectro ronda a Europa, não o do comunismo, infelizmente. Cabe à nossa geração mergulhar no legado marxista e só voltar à superfície com novos caminhos traçados para as batalhas atuais.
A luta de classes pulsa diante de nossos olhos num mundo que permite a livre circulação de dinheiro, de produtos, mas não de pessoas. Neste contexto onde a desvalorização do trabalho e o ataque aos direitos conquistados assola diversos países, o grito “trabalhadores, uni-vos” faz mais sentido que nunca.
Assista ao trailer: