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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Senzala Brasil: Uma releitura de Gilberto Freyre

Para compreendermos a formação histórica e o caráter predatório da elite brasileira, um livro é fundamental: Casa-Grande & Senzala, do grande sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.
por Claudio Daniel
Casa-Grande & Senzala, livro clássico de Gilberto Freyre publicado pela primeira vez em 1933, é obra essencial para entendermos a construção da sociedade brasileira, que desde as capitanias hereditárias até os dias de hoje mantém preconceitos arcaicos contra mulheres, índios, negros e pobres e não é capaz de avançar para um estágio civilizacional mais avançado, pelo compromisso da burguesia nacional com a preservação do latifúndio e pela sua submissão ao grande capital internacional.
A sociedade brasileira sempre esteve dividida entre a Casa-Grande e a Senzala. Vivemos em um país que impôs a exclusão social, os preconceitos racial, religioso, de classe, de orientação sexual e de gênero desde o início da colonização portuguesa, no século 16, até os dias atuais. Para compreendermos a tragédia brasileira, portanto, é necessário estudarmos as nossas raízes coloniais, e em particular a formação da elite brasileira, que nasceu com as capitanias hereditárias, os engenhos de cana-de-açúcar, a imposição do cristianismo, o trabalho escravo, a submissão da mulher e a dependência política, econômica e cultural em relação à metrópole.
Nunca nos emancipamos do colonialismo e do imperialismo – primeiro o português, depois o inglês e o norte-americano; sempre fomos uma imensa feitoria, fornecedora de matérias-primas e mão-de-obra barata para as potências capitalistas hegemônicas, além de oferecermos um mercado de dimensões continentais para as mercadorias e capitais excedentes das nações ricas, sem desenvolvermos um projeto autônomo de civilização.
A burguesia brasileira renunciou ao seu papel histórico de promover uma revolução democrática que criasse um estado laico com verdadeiras instituições republicanas, promovesse os direitos básicos de cidadania, eliminasse a fome, a miséria, o analfabetismo, o atraso cultural e permitisse o desenvolvimento em larga escala das forças produtivas. A elite industrial da Terra de Santa Cruz abdicou de qualquer vocação democrática ou progressista e preferiu manter a sua aliança com o latifúndio – rebatizado de “agronegócio” –, o capital financeiro internacional e a dominação imperialista para a exploração brutal da classe trabalhadora, em vez de investir na construção de um país moderno, democrático e soberano.
Podemos comprovar essa afirmação com facilidade, pelo simples exame dos fatos recentes da política brasileira após o golpe de estado de 2016, como o apoio do empresariado urbano, e em particular da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), à flexibilização do conceito de trabalho escravo no campo, implementada pelo governo ilegítimo de Michel Temer (MDB), e o posterior apoio dessas entidades patronais à eleição do neofascista Jair Bolsonaro, em 2018.
Outros exemplos poderiam ser apresentados em defesa de nossa tese, como o apoio empresarial à liquidação dos direitos trabalhistas e previdenciários, ao congelamento dos investimentos públicos em saúde e educação por 20 anos, aprovado no Congresso Nacional, à privatização de usinas hidroelétricas, serviços públicos e empresas estatais rentáveis, em benefício de investidores internacionais, sem falarmos dos leilões dos campos de pré-sal a preço vil e da venda de ações dos bancos públicos a grupos privados, numa operação de completa destruição do país, que supera as desgraças anteriores de nossa história recente, e em particular a ditadura militar implantada em 1964, que perdurou até 1985, e o período neoliberal seguinte, que atingiu o seu apogeu nos governos de Fernando I (Collor de Mello) a Fernando II (Henrique Cardoso).
A ausência de um projeto civilizacional autônomo, soberano e de longo prazo por parte da elite brasileira, que se contenta com o papel de capitão-do-mato do grande capital internacional, é a raiz de todo o nosso infortúnio. Para compreendermos a formação histórica e o caráter predatório dessa elite, um livro é fundamental: Casa-Grande & Senzala, do grande sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, que comentaremos a seguir neste artigo.
Publicado pela primeira vez em 1933, Casa-Grande & Senzala apresenta um retrato da sociedade aristocrática, patriarcal, branca, cristã e escravocrata do período colonial brasileiro, entre os séculos 16 e 19. Neste livro notável, Gilberto Freyre faz uma descrição minuciosa da alimentação, vestuário, higiene, saúde, arquitetura, mobiliário, vida cotidiana, sexualidade, religiosidade, meio ambiente, comércio e outros aspectos da vida colonial brasileira, e em especial da miscigenação entre europeus, negros e índios, um dos temas centrais da obra, em um estilo de grande beleza literária; o que nos interessa no presente artigo, no entanto, é o estudo realizado pelo autor sobre a economia colonial e os hábitos e práticas da elite dirigente.
Já no prefácio de sua obra, o autor caracteriza a atividade econômica desenvolvida no Brasil na época das capitanias hereditárias de “monocultura latifundiária” que “exigia uma enorme massa de escravos” e que teve como consequências a concentração da terra “numa grande extensão em volta aos engenhos de cana”, onde não se praticava a policultura, nem a pecuária. “Na zona agrária desenvolveu-se, com a monocultura absorvente, uma sociedade semifeudal – uma minoria de brancos e brancarões dominando patriarcais, polígamos, do alto das casas grandes de pedra e cal, não só os escravos criados aos magotes nas senzalas como os lavradores de partido, os agregados, moradores de casas de taipa e de palha, vassalos das casas-grandes em todo o rigor da expressão”.
Freyre critica a monocultura latifundiária, concentrada nos engenhos de cana-de-açúcar, apontando os seus “males profundos, que têm comprometido, através de gerações, a robustez e a eficiência da população brasileira”, comprometendo a sua saúde, além de prejudicarem o solo. “Entre outros males, o mau suprimento de víveres frescos, obrigando grande parte da população ao regime de deficiência alimentar caracterizado pelo abuso do peixe seco e de farinha de mandioca (a que depois se juntou a carne de charque); ou então ao incompleto perigoso, de gêneros importados em condições péssimas de transporte, tais como as que precederam a navegação a vapor e o uso, recentíssimo, de câmaras frigoríficas nos vapores”.
Compreenda-se: na economia de monocultura açucareira voltada para a exportação à metrópole, não havia espaço para o cultivo de verduras, legumes, árvores frutíferas, nem a criação de gado doméstico para a alimentação de casa. Frutas e carnes eram importadas da Europa, em caravelas, e pela ausência de recursos de conservação artificial e tempo da viagem, os alimentos chegavam aqui muitas vezes estragados. Do mesmo modo, importava-se quase tudo da metrópole, desde vestuário, joias, peças de decoração e armas até ferramentas de trabalho.
Toda a atenção de nossos incipientes capitalistas estava concentrada no cultivo e exportação do açúcar e no lucro imediato oferecido por esse negócio, sem nenhuma preocupação com a criação de outras atividades econômicas, mesmo para a sobrevivência imediata. A alimentação inadequada, tanto dos senhores quanto dos escravos, resultava na “diminuição da estatura, do peso e do perímetro torácico; deformações esqueléticas; descalcificação dos dentes; insuficiências tiróidea, hipofisária e gonodial provocadoras de velhice prematura, fertilidade em geral pobre, apatia, não raro infecundidade”.
As empresas coloniais não estavam preocupadas com a construção de uma nação próspera, de economia diversificada, mas simplesmente com a exploração intensiva da terra, com o uso do trabalho escravo, para a obtenção de lucros rápidos nas exportações para a metrópole – lucros que seriam usados, posteriormente, para a importação de manufaturas dessa mesma metrópole, num círculo vicioso de dependência.
No centro desse sistema perverso estava a casa-grande, “completada pela senzala”, que representava “todo um sistema econômico, social, político: de produção (a monocultura latifundiária); de trabalho (a escravidão); de transporte (o carro de boi, o banguê, a rede, o cavalo); de religião (o catolicismo de família, com capelão subordinado ao pater famílias, culto dos mortos etc.); de vida sexual e de família (o patriarcalismo polígamo); de higiene do corpo e da casa”, escreve Freyre.
Senhores absolutos nesse sistema, os grandes proprietários rurais dispunham a seu bel-prazer da vida e integridade moral e física dos africanos e índios escravizados, de suas mulheres e filhos, todos tratados como se fossem animais ou coisas, destinados ao prazer e ao lucro de seus senhores. Dispunham até mesmo dos corpos de escravos ou familiares mortos, enterrados dentro da casa grande, numa suposta continuidade das relações de controle e posse, mesmo após a morte física.
Conforme escreve o autor pernambucano: “Conta-se que o Visconde de Suaçuna, na sua casa grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho”.
Freyre descreve ainda, em detalhes, as sevícias sofridas pelos meninos negros, tratados como animais de estimação, objetos sexuais ou alvos de humilhação e de tortura por parte das crianças brancas; o estupro das escravas pelos senhores de engenho, e posterior castigo das negras pelas esposas brancas, que as mandavam torturar das mais sádicas maneiras, desde a extração de todos os dentes das pobres diabas pelo capataz até a morte no tronco, sob a tortura ininterrupta do açoite.
O espaço deste artigo, com certeza, é insuficiente para analisarmos em profundidade todos os temas desenvolvidos por Freyre em sua obra-prima, mas o que expusemos até aqui acreditamos ser suficiente para despertamos o interesse do leitor disponível para a leitura integral desse grande livro. Claro: o autor pernambucano possui limitações: Casa Grande & Senzala peca pela ausência de informação sobre o trabalho escravo na lavoura (o autor concentra a sua atenção nos escravos domésticos que trabalhavam na Casa Grande), a miscigenação é apresentada de uma forma idealizada, a luta de classes nunca aparece (a resistência dos quilombos, por exemplo), como se não existisse, e os conceitos de raça utilizados por Freyre, comuns nas primeiras décadas do século 20, estão hoje completamente ultrapassados.
Apesar de todas as críticas que podem ser feitas ao livro – que data de 1933 –, é impossível resistirmos à sua prosa elegante e saborosa. Casa-Grande & Senzala é um dos livros basilares para compreendermos a nossa formação nacional, ao lado de outras obras clássicas, como O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., e Os Sertões, de Euclides da Cunha, que nos ajudam a compreender porque até hoje fomos incapazes de criarmos uma civilização.
Portal BRASIL CULTURA

Teto da Lei de Incentivo para teatro musical vai subir de R$ 1 milhão para R$ 10 milhões

Projetos de teatro musical poderão captar até R$ 10 milhões por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O aumento do teto para o setor, atualmente em R$ 1 milhão, foi anunciado  pelo secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, durante almoço com representantes do setor cultural, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
“Como diretor teatral, eu sei que não é possível fazer teatro musical com R$ 1 milhão. Estamos aqui para consertar esse equívoco, que pode comprometer uma área importante, responsável por gerar inúmeros empregos e por dinamizar a economia”, destacou Alvim.
Durante a reunião na Fiesp, Alvim também se comprometeu a avaliar as possibilidades de atualizar o valor do Vale-Cultura, atualmente em R$ 50, e de rever restrições relativas ao preço dos ingressos de projetos de teatro musical apoiados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, assim como as regras de distribuição de ingressos gratuitos.
O secretário também afirmou que irá nomear, em breve, os novos diretores da Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pela execução do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal ferramenta de fomento federal ao setor audiovisual no país. Além disso, ressaltou que irá dialogar com representantes de todos os setores da Cultura.
“O Paulo Skaf (presidente da Fiesp) organizou este encontro entre mim e a classe do teatro musical e do audiovisual. É uma alegria porque foi o ponto de mudança. O Paulo percebeu a necessidade de nós nos encontrarmos, afinarmos os nossos pontos de vista e trabalharmos juntos para a construção de políticas públicas estruturantes para esses dois setores”, destacou Alvim.
Segundo Skaf, o diálogo é essencial para o setor cultural. “Estamos aqui para celebrar o teatro musical, o audiovisual, as artes e a união, por que sem união não se constrói um País. O teatro musical dialogou com o secretário, o audiovisual também e tiveram suas respostas”, afirmou.

Secretário do Audiovisual

Também no almoço, Alvim convidou o cineasta André Sturm para ser o novo secretário do Audiovisual da Secretaria Especial da Cultura. O convite foi imediatamente aceito. Surpreso, o cineasta se disse lisonjeado e que espera trabalhar para a construção de uma política forte para o setor.
“Eu fui pego totalmente de surpresa. É claro que eu fico muito honrado com o convite, que vem em função da minha trajetória profissional. É um desafio. Hoje, o setor audiovisual tem uma distensão, um clima de muita disputa. E eu vou buscar pacificar o setor, buscar o diálogo. Sendo uma pessoa do audiovisual, minha indicação sinaliza a vontade do diálogo e de entendimento da Secretaria da Cultura e do governo com o setor”, destacou Sturm.
Segundo Alvim, Sturm é uma escolha técnica, que irá harmonizar o setor. “André Sturm tem experiência comprovada por mais de 30 anos de carreira no audiovisual e conta com amplo apoio do setor. É um nome de conciliação, que marca o início de um novo momento de construção conjunta entre a Secretaria Especial da Cultura e o mercado audiovisual brasileiro”, apontou.

Deliberações

Após a reunião, o secretário Roberto Alvim se reuniu com André Sturm e representantes do audiovisual para debater ações e políticas para o setor.
Fonte Portal BRASIL CULTURA

Tragédia do Gran Circus Norte-Americano – 17 de dezembro de 1961

Fogo!”, gritou a trapezista Nena. Antonietta Stevanovich (seu verdadeiro nome) foi a primeira a dar o alerta dentro do circo. Junto com os colegas Vicente Sanches e Santiago Grotto, ela apresentava o quadro final de acrobacia, clímax do espetáculo da tarde quente de domingo em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Foi quando um clarão pode ser notado na parte inferior da lona, à esquerda da entrada. O fogo se alastrou rapidamente e, nos 10 minutos seguintes, as 3 mil pessoas que lotavam o Gran Circo Norte-Americano viveram um inferno. Foi o maior incêndio da História do Brasil.
Montado num grande terreno na avenida Feliciano Sodré, no centro da cidade, o circo, de propriedade do empresário Danilo Stevanovich (irmão da trapezista Nena), era um dos maiores da América Latina. Contava com 60 artistas, das mais diversas nacionalidades, e 150 animais, que morreriam, quase todos, carbonizados ou sufocados pela fumaça. Foi o primeiro circo de picadeiro a fazer turnê pelo país. Era uma atração obrigatória para qualquer família. A lona verde e laranja, que pesava 6 toneladas, chamava a atenção de qualquer criança.
Mas, em 17 de dezembro de 1961, às 15h45, o teto virou uma abóboda flamejante. O mastro principal vergou e caiu, fazendo desabar a lona em chamas sobre a multidão. O pânico se instalou. A elefante Sema saiu em disparada e atropelou crianças (em compensação, quando conseguiu arrebentar uma parte da lona na fuga, salvou dezenas de vidas). “Foi o maior incêndio de circo de todos os tempos”, diz o historiador Paulo Knauss, autor de A Cidade como Sentimento: o Incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói, 1961.
Os cadáveres, carbonizados, foram levados ao estádio de futebol Caio Martins. Enfileirados no gramado, cobertos com lençois brancos doados pelo povo, esperavam reconhecimento de amigos e familiares. O governador do Rio, Celso Peçanha, convocou todos os marceneiros e carpinteiros da cidade para ajudar na fabricação de caixões. Na segunda-feira, o presidente João Goulart e o primeiro-ministro Tancredo Neves visitaram os queimados no hospital da cidade. Diante de uma menina envolta em gaze, Jango se virou para a parede e levou as mãos aos olhos, repetindo: “Não é possível, meu Deus”.
A tragédia causou comoção internacional. O papa João 23 mandou rezar uma missa em homenagem às vítimas. Doações chegaram do Chile, da Argentina e do Uruguai e médicos de outros países apareceram para ajudar. O hospital Bathesta, em Washington, enviou 33 mil cm cúbicos de pele seca, para que os médicos pudessem fazer enxertos. Com o material recebido e o contato com cirurgiões plásticos estrangeiros, foi possível salvar o garoto Pablo, de 11 anos. Retirado das lonas com 80% do corpo queimado, ele se desvencilhou das enfermeiras e voltou para o meio do fogo. Minutos depois, reapareceu com um amigo no colo. O caso de heroísmo impressionou o jovem médico Ivo Pitanguy, que participou do resgate e viu o trabalho com os feridos estimular o desenvolvimento da cirurgia plástica no Brasil. Professor da PUC-RJ, Pitanguy ia para um plantão na Santa Casa da Misericórdia quando ouviu, pelo rádio, o anúncio do incêndio. Desviou o carro e seguiu para o Iate Clube do Rio. A bordo de sua lancha particular, atravessou a baía de Guanabara (não existia ainda a Ponte Rio-Niterói).
A notícia também impactou um empresário de cargas de São Paulo. José Datrino acordou 6 dias depois do incidente, ouvindo “vozes astrais”, e foi morar no terreno onde o circo pegou fogo. Deixou a barba e o cabelo crescer e, de bata branca, virou o Profeta Gentileza, figura carismática da capital carioca até morrer, em 1996.
Condenados
“Só mesmo um crime pode justificar o incêndio”, repetia Danilo Stevanovich. Gaúcho de Cacequi, membro de uma família de 7 irmãos, ele já tinha tido 2 circos destruídos pelo fogo, o Búfalo-Bill e o Shangri-lá, em 1951 e 52. Mas continuou no ramo até a morte, em 2001.
As suspeitas da polícia recaíram sobre Adilson Marcelino Alves, 21 anos, vulgo Dequinha. Descrito como “epiléptico com baixo nível mental”, vivia de biscates. Trabalhou na construção do Gran Circo, mas brigou com o capataz e foi demitido. O rapaz foi detido no morro da Boa Vista, em Niterói, onde morava com a mãe, enquanto comprava sabão para lavar roupa na bica comunitária. Dequinha confessou o crime. Teria recebido a ajuda de dois amigos, Walter Rosa dos Santos, o Bigode, e José dos Santos, conhecido como Pardal. A condenação ficou cercada por suspeitas. Doracy Campos, o palhaço Treme-Treme, passou anos sustentando que tinha havido desleixo na fiação elétrica.
Niterói ficou traumatizada. Apenas em 1975 um circo voltaria à cidade, o Hagenback. Este tinha lona importada, à prova de fogo.
Cercados pelo fogo
Outros incêndios que chocaram a América Latina
Edifício Joelma

Dos 25 andares do prédio, localizado no centro de São Paulo, 18 deles foram destruídos pelo fogo no dia 1º de fevereiro de 1974, após um curto-circuito em um ar-condicionado no Banco Crefisul. Das pessoas encurraladas pelo incêndio, 188 morreram ao longo de mais de 3 horas de agonia. O desespero das vítimas foi transmitido ao vivo, por rádio e televisão – que registrou o momento em que algumas delas se jogaram pelas janelas.
Igreja da Companhia de Jesus
O incêndio mais mortífero da História aconteceu em 8 de dezembro de 1863, em Santiago do Chile. A igreja da Companhia de Jesus estava lotada quando uma lamparina a gás do altar principal pegou fogo. Entre 2 mil e 3 mil pessoas morreram queimadas e soterradas.
Portal BRASIL CULTURA