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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Blackfishing: mulheres brancas querendo ser negras só no verão

imagem: Reprodução Instagram

Apropriação cultural entre mulheres é um exemplo de falta de sororidade.

Por Ana Carolina Pinheiro no Capricho
No verão, sempre surge uma tendência, seja um esporte, um sorvete diferentão ou até mesmo uma música chiclete. Mas, neste ano, uma ‘moda’ que já vinha acontecendo há um tempo ganhou força e movimentou as redes sociais: celebridades brancas se apropriando de características e elementos que fazem parte da etnia e cultura negra.
/Pele bem bronzeada, lábio mais carnudo e cabelo ou penteado afro. Essas foram algumas das apostas que modelos e influenciadoras usaram para deixar o feed com cara de verão. E olha que essa tendência tem até nome, viu? É o blackfishing, que acontece quando pessoas não-negras se apropriam de itens da cultura afro, utilizando as redes sociais para se auto beneficiarem e até fingirem que são miscigenadas.
A ex-BBB Munik Nunes postou uma selfie do seu rosto com uma pintura étnica e escreveu: “bem africaninha”. Já a atriz Gabi Lopes e a blogueira Bianca Andrade resolveram fazer tranças no estilo braid box e, coincidências à parte, deram um upna saturação das fotos com o novo visual, deixando suas peles alguns tons mais escuros. Tanto a Gabi como a Boca Rosa já tinham usado penteados afros anteriormente e vários internautas, principalmente negros, avisaram em seus perfis que aquilo era apropriação cultural, que acontece quando um grupo dominante utiliza elementos de uma cultura diferente da sua e normalmente oprimida pela sociedade. Parece que não entenderam ou não fizeram questão de entender.
(Reprodução:Instagram)
Bianca Andrade ainda postou uma foto do cabelo volumoso depois de retirar as tranças, com a legenda: “a liberdade de ser mil Biancas numa só”. A discussão nos comentários da publicação foi inevitável, já que várias pessoas, na maioria mulheres, se sentiram incomodadas com a nova tentativa da apropriação da blogueira. Por outro lado, alguns seguidores também saíram em defesa de Bianca e ainda questionaram o fato de algumas mulheres estarem atacando outra mulher. Mas vamos lá: o feminismo nos ensina sobre ter empatia e criar relações não violentas ou competitivas, porém, neste caso, não podemos esquecer que quem não se colocou no lugar das mulheres com vivências raciais diferentes foi a própria YouTuber, que ainda escreveu em um comentário: “o que eu sei é que nunca xinguei uma dessas pessoas na minha vida! O povo se irrita sozinho” – como se a única forma de ofender uma pessoa fosse por xingamento e não tomando uma atitude, por exemplo.
Reproduçao: Instagram
Agora, você pode estar se perguntando: “mas a Gabi e a Bianca não devem ter feito isso para se passarem como negras, né? Elas só podem achar bonito….” Realmente, não acredito que a ideia delas era a de se tornarem negras, até porque abrir mão da facilidade de ser uma pessoa branca e ser aceita com o cabelo que bem entender, ninguém quer. Então, vejo como uma apropriação conveniente. Ou seja, elas escolhem alguns itens da nossa etnia e cultura, como as tranças e o tom de pele mais bronzeado, que é mais desejado no verão, só que os esvaziam de significado e usam sem sofrer com a parte negativa, que é o preconceito. Afinal, elas estão protegidas pelos privilégios, diferentemente dos negros.
A trança, por exemplo, era usada pelas mulheres negras de diversos países da África para representar estado civil e até região de origem. Atualmente, esses penteados afros continuam servindo como fonte de identificação, resistência e conexão entre as pessoas negras e suas raízes. Só que, ao contrário dos brancos, mulheres e homens afrodescendentes ainda são discriminados por usarem algo que faz parte da sua história.
Por isso, a questão vai além de um não-negro usar trança, mas sim de ele entender a importância do elemento que está usando, além do simples fato de achar bonito. Vale lembrar que, quando estamos falando de uma figura pública, que influencia muita gente, a “cobrança” por atitudes de bom senso que não ofendam ninguém é muito maior e necessária. Afinal, eles precisam ter responsabilidade em relação ao impacto de suas publicações. Quantas meninas podem ter ficado com a autoestima abalada e se perguntando: “por que ela pode fazer trança e receber tanto elogios, enquanto outras mulheres negras são ofendidas usando o mesmo penteado?”. Ou será que o importante é só elas se sentirem bonitas, independente do que isso pode gerar em outras pessoas?
Se podemos tirar uma lição dessa história é que, quando alguém diz que se sentiu ofendido com algo que você fez, pare e pense o que precisa ser feito para não aumentar o desconforto do outro. Achar que o problema está em quem “reclama” e colocar seus interesses e desejos pessoais acima dos desdobramentos do racismo estrutural ou de outro problema social não é o melhor caminho.
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Raquel Andrade Mendes
Erradas nao sao as brancas usando tranças ou as negras com cabelo loiro, erradas são as pessoas que discriminam outras,independente do motivo,seja ele deficiência,vestimenta ou caracteristica do cabelo. Não tem nada de errado alguém gostar de tranças e querer usar, errado é essa pessoa ser julgada por erros dos outros. Não e justo algumas serem elogiadas e outra nao conseguir emprego pela mesma tranca no cabelo,? Não, nao é. Mas a reclamacao deve ser em cima do fdp que não contratou ou em quem fala que quilombolas são todos preguiçosos por exemplo
LikeReply1222h
Concordo em vários aspectos com o dito acima, mas pergunto: como fica uma Camila Pitanga???? Ela é mestiça como eu, precisa de aval para entender-se e assumir-se como negra????
LikeReply21d
Vdd.
LikeReply120h
Entendo assim: eu sou mestiça, assim como vc e a Camila Pitanga. Minha pele é mais clara e meu cabelo é aceitável e estou, aos poucos, me reconhecendo como negra. Sou NEGRA. Mas eu entendo que minha pele e meu cabelo faz de mim uma privilegiada diante dxs retintos de cabelos crespos. O que eu devo fazer? Devo reconhecer esse meu privilégio e dar voz às manas e aos manos pretxs retintos. Isso não significa me calar. Jamais calarei.
LikeReply519h
ThaLu Oliveira eu tmb sou mestiça meu cabelo é bem afro eu alisei por muito tempo, pq me “sugeriam” pois era mais elegante, como trabalhava em salão de beleza passei acreditar nisso. Um dia me deparei com o colorismo e percebi que o fato de alisar o cabelo me distanciava do que sou. Tenho a pele clara, mas uso o meu cabelo ntural e acho que vc não deve se calar. A luta é de todas,
LikeReply416h
Cada um é livre para usar o que quiser, sem.julgamento ou preconceito de ambas as partes.
LikeReply41d
Se a mulher branca quiser usar um penteado afro, ou se a mulher negra quiser usar o cabelo liso, loiro ou blackpower, por exemplo. Elas têm mais que usar. Já temos um louco no poder tocando o terror e coisas mais sérias pra debater.
LikeReply81d
Fonte: https://www.geledes.org.br/blackfishing-mulheres-brancas-querendo-ser-negras-so-no-verao/

Hoje não se negocia em Wall Street: é dia de Martin Luther King Jr.

MONTGOMERY, AL – MARCH 25: Dr. Martin Luther King, Jr. speaking before crowd of 25,000 Selma To Montgomery, Alabama civil rights marchers, in front of Montgomery, Alabama state capital building. On March 25, 1965 in Montgomery, Alabama. (Photo by Stephen F. Somerstein/Getty Images)
Desde 1986 que se realiza, nos Estados Unidos, na terceira segunda-feira de janeiro, o dia de Martin Luther King Jr., um feriado federal. A bolsa de Nova Iorque estará encerrada, assim como a maior parte das escolas, grandes empresas e departamentos considerados como não essenciais.
por António Vasconcelos Moreira no Jornal Economico
Por se tratar de um feriado relativamente recente, ainda não existe uma tradição festiva para assinalar o dia que presta homenagem à vida e aos feitos do mais famoso proponente do fim da segregação racial em sólo norte-americano. Mas a história deste feriado tem quase tantos anos quantos aqueles que passaram desde o assassinato de Martin Luther King Jr., em 1968, no Lorraine Motel, em Memphis, no estado do Tennessee.
Pouco depois de morrer, às 19h05 do dia 4 de abril, foi lançada uma campanha para tornar o seu dia de aniversário, 15 de janeiro, num dia feriado. As uniões sindicais lideram o processo. O Congresso norte-americano, que tem competências para estabelecer feriados federais nos EUA, só o aprovou em 1986, depois de uma petição que reuniu cerca de seis milhões de assinaturas e o patrocínio do músico Stevie Wonder, com a música “Happy Birthday“.
Eternizado pelo discurso “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”, em portugês), Martin Luther King Jr. marcou gerações pelo movimento que defendia a igualdade racial. Foi assassinado em Memphis depois de uma ação de apoio à comunidade afro-americana, funcionários dos serviços sanitários desta cidade do Tennessee. Reclamavam igualdade nas condições de trabalho e nos salários. Na altura, o mayor(cargo equivalente ao de presidente da Camâra em Portugal) Henry Loeb pagava salários mais baixos aos trabalhadores negros em comparação com os funcionários caucasianos. Não existiam uniformes, casas de banho, sindicatos reconhecidos nem contratos coletivos de trabalho para estes trabalhadores, sendo assim vítimas de discriminação.
Martin Luther King Jr. deixou um legado importante e inter-geracional num país que sofre com problemas sociais, como o racismo. Em 2004, a política norte-americana deu um passo decisivo na igualdade racial ao eleger o primeiro presidente negro da história dos EUA, Barack Obama.
A bolsa de Nova Iorque estará fechada esta segunda-feira, não havendo transações numa das maiores praças bolsistas do mundo. Até ao final do ano, Wall Street estará encerrada mais sete vezes.
Fonte: geledes.org.br

Padre Roberto Landell de Moura Inventor do Transmissor de Ondas e Telefone sem Fio

É considerado um dos vários “pais” do rádio, no caso o pai brasileiro do Rádio. Foi pioneiro na transmissão da voz humana sem fio (radioemissão e telefonia por radio) antes mesmo que outros inventores, como o canadense Reginald Fessenden (dezembro de 1900). Marconi se notabilizou por transmitir sinais de telegrafia por rádio; e só transmitiu a voz humana em 1914. Pelo seu pioneirismo, o Padre Landell é o patrono dos radioamadores do Brasil.
Fundação Educacional Padre Landell de Moura foi assim batizada em sua homenagem, assim como o CPqD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento) instalado em Campinas-SP pela Telebrás em 1976 denomina-se Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Pe. Roberto Landell de Moura. O Exército Brasileiro em homenagem ao insigne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de “Centro de Telemática Landell de Moura” ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre.
O Padre Landell
Roberto Landell de Moura, nascido aos 21 de janeiro de 1861, em Porto Alegre-RS, estudou com os Jesuítas de São Leopoldo-RS a partir de 1879 antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Em companhia do irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana, estudou Teologia, Física e Química e se tornou sacerdote católico em 1886. Em Roma, iniciou os estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, e realizou as suas primeiras experiências públicas na cidade de São Paulo, no final do século XIX.
Quando voltou ao Brasil, substituiu algumas vezes o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II. Depois disso, serviu em uma série de cidades dos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo: Porto Alegre, Uruguaiana, Santos, Campinas, São Paulo.
De volta ao Brasil, exerceu o ministério sacerdotal em Porto Alegre-RS (1887), Uruguaiana-RS (1891), São Paulo-SP (1892), Campinas-SP (1893); em Campinas, ele teve o equipamento destruído, acusado de bruxo. Em todas essas localidades ele fazia demonstrações de transmissões da palavra à distância; na capital paulista, transmitiu sinais sonoros da hoje Avenida Paulista até Santana, numa distância de 8 quilômetros. No ano de 1900, registrou a patente n.º 3.279 sobre seu aparelho apropriado à transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água.
Em 1904, o padre Landell registrou nos Estados Unidos o transmissor de ondas, o telefone sem fio e o telégrafo sem fio. Além disso, inventou a válvula de três eletrodos, uma peça fundamental para o desenvolvimento da radiodifusão. De volta ao Brasil no ano seguinte, no Rio de Janeiro, o inventor solicitou ao Presidente Rodrigues Alves dois barcos para poder demonstrar o seu invento; ocasião em que foi tachado de “maluco e espírita” e teve seu equipamento destruído outra vez. O humilde clérigo foi então exercer o seu ofício religioso em Botucatu-SP e Mogi das Cruzes-SP. Depois, em Porto Alegre-RS, nas paróquias do Menino Deus e do Rosário.
Padre Landell morreu em Porto Alegre aos 30 de julho de 1928. Nos escritos teóricos e nas experiências concretas do padre Landell há descobertas científicas que eram bem mais avançadas do que as de Marconi. Por falta de compreensão e recursos financeiros, até as patentes sobre seus inventos ficaram no esquecimento. Em 1967, foi criada em Porto Alegre a Fundação Padre Landell de Moura, que tem o objetivo de promover a educação por meio do som e da imagem.
Réplica funcional do Transmissor de Ondas, construída por Marco Aurélio Cardoso Moura em Maio de 2004.
Transmissão da voz
Foi pioneiro na transmissão da voz, utilizando equipamentos de rádio de sua construção patenteados no Brasil em 1901, e, posteriormente, nos Estados Unidos em 1904. Landell transmitiu a voz humana por meio de dois veículos; o primeiro, um transmissor de ondas que utilizava um microfone eletromecânico de sua invenção que recolhia as ondas sonoras através de uma câmara de ressonância onde um diafragma metálico abria e fechava o circuito do primário de uma bobina de Ruhmkorff, e induzia no secundário dessa bobina uma alta tensão que era irradiada ou através de uma antena ou de duas esferas centelhadoras. A detecção era feita por dispositivos que foram sendo melhorados ao longo do tempo.
Patente do Telefone Sem Fio emitido pelos Estados Unidos ao Padre Landell
O segundo meio utilizado pelo cientista era através do aparelho de telefone sem fio, que utilizava a luz como uma onda portadora da informação de áudio. Neste aparelho, as variações das pressões acústicas da voz do locutor eram transformadas em variações de intensidade de luz, de acordo com a onda de voz, que eram captadas em seu destino por uma superfície parabólica espelhada em cujo foco havia um dispositivo cuja resistência ohmica variava segundo as variações da intensidade de luz. No circuito de detecção havia apenas o dispositivo fotossensível, uma chave, um par de fones de ouvido e uma bateria. Por utilizar a luz como meio de transporte de informação, Landell é considerado um dos precursores das fibras ópticas.
O Padre Landell realizou experiências a partir de 1892 e 1893, em Campinas e em São Paulo. O jornal O Estado de S.Paulo noticiou que, em 1899, ele transmitiu a voz humana a partir do Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no alto do bairro de Santana, zona norte da capital paulista. Também efetuou demonstrações públicas de seu invento no dia 3 de junho de 1900 sendo noticiada pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900:
“No domingo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família”.
Em 1903, Arthur Dias, em seu livro “Brasil Actual”, faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte:
“logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento de transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 km, sem necessidade de fios metálicos.
Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos. O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, e as diversas experiências por ele realizadas na presença do vice-cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr. Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas”.
Incompreensão e descaso do Brasil
O êxito das experiências do Padre Landell não tiverem a devida acolhida das autoridades brasileiras da época, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal La Voz de España, (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900, que diz:
“quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fez pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos.”
Estava em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita a um doente, encontrou a porta da casa paroquial arrebentada e seu laboratório e instrumentos completamente destruídos.
Visto por uma população ignorante como “herege”, “impostor”, “feiticeiro perigoso”, “louco”, “bruxo” e “padre renegado” por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio dois dias antes em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico.
Em junho de 1900, por carta, Landell de Moura pretendeu doar seus inventos ao governo britânico, como registrou em pesquisa para doutorado na USP, em 1999, o historiador da ciência Francisco Assis de Queiroz.
Em 1905, ao retornar ao Brasil após uma estada de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar os seus inventos que revolucionariam a comunicação (chegou a dizer que, no futuro, haveria comunicação interplanetária). O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um “maluco” e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.
Landell não conseguiu conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar as suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial.
Monografia de CLAUDIA JOSIANI DOS SANTOS ZALTRÃO
RESGATE DA MEMÓRIA CIENTÍFICA NACIONAL: A OBRA DO PADRE ROBERTO LANDELL DE MOURA
Monografia apresentada à disciplina de Projeto de Pesquisa em Informação II como requisito parcial à conclusão do curso de Gestão da Informação, Setor de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Paraná.
Claudia presta uma grande contribuição a história através desta pesquisa que resgata a obra deste cientista brasileiro que é um ilustre desconhecido aqui mesmo no Brasil.
“Estudo histórico sobre o Padre Roberto Landell de Moura, parte de um levantamento da literatura, buscando descrever a vida do referido padre, as dificuldades que enfrentadas na época como pesquisador, e seus inventos. A escolha do tema originou-se pela instigante história de Landell de Moura e no interesse de divulgar sua obra, visto que grande parte da população brasileira desconhece sua biografia. Objetiva fazer resgate da memória científica nacional, a partir da trajetória de Landell de Moura, a fim de destacar a falta de incentivo à área de Ciência e Tecnologia e à área de Pesquisa e Desenvolvimento. Aborda, sucintamente, a questão de patentes, descrevendo seus aspectos principais. Identifica os inventos patenteados por Landell de Moura, apontando suas principais características. Tece comparativo sobre as realizações de Landell de Moura e as do italiano Guglielmo Marconi, principal “concorrente” do pesquisador brasileiro, e considerado o precursor do rádio. Estabelece análise crítica sobre o não reconhecimento nacional de Landell de Moura e constitui comparativo com a atual situação da Ciência e Tecnologia no país.”