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GRUPO DE CAPOEIRA CORDÃO DE OURO-NOVA CRUZ/RN REALIZOU O BATIZADO E TROCA DE CORDA FECHANDO COM CHAVE DE OURO! CONFIRAM!!!

FINAL - FOTO HISTÓRICA  - GRUPO DE CAPOEIRA CORDÃO DE OURO MOMENTO DO "ESQUENTE"  MOMENTOS DECISIVOS - MUITA CONCENTRAÇ...

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A EDUCAÇÃO EM DEBATE - #NaPraçaNaRuaNaLuta! - COM A DEPUTADA FEDERAL, NATÁLIA BONAVIDES

EM NOVA CRUZ-RN SINTE RN ÁS 19 HORAS
EM LAGOA DANTA ÁS 15 HORAS NA PRAÇA!
Debate Com a Companheira Natália Bonavides, Deputada Federal, e o Povo de Lagoa D'anta/RN.
Vamos debater a atual conjuntura da educação e a importância de instituirmos o FUNDEB PERMANENTE.
Vamos Chamar Gente e seguir fazendo a luta em defesa da educação pública.

E a noite na sede Regional do SINTE - Nova Cruz/RN! Participe e fique bem informado para a LUTA!
"Presença do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN" - Eduardo Vasconcelos, presidente

Esta é a família mais antiga do Rio Grande do Norte - Por Henrique Araújo

Família Albuquerque Maranhão. Foto: arquivo pessoal da família (via site Potiguarte).

Uma vez o filho de um nobre português e uma princesa índia pernambucana se conheceram, se casaram e tiveram um filho que criou um Estado brasileiro. Bonito, né? Pois foi assim que começou a história da família mais antiga do Rio Grande do Norte, e uma das primeiras do Brasil.

Mas o que esse casal tem a ver com o RN, se nem do estado eram?

Bom, vou explicar…

A história [e olha só que história!] dos “Albuquerques” no Brasil começa com Jerônimo de Albuquerque, filho do primeiro membro da linhagem a pisar em terras brasileiras.

Jerônimo, o pai, veio para o Brasil na condição de ser administrador colonial acompanhando seu cunhado Duarte Coelho, 1º donatário da capitania de Pernambuco, que era casado com sua irmã Brites de Albuquerque.

Em terras brasileiras Jerônimo foi o inicializador da atividade de moagem de cana-de-açúcar no Nordeste, montando vários engenhos nos arredores de Recife. Diz a lenda que ele teve mais de 100 filhos, mas cronistas da época falavam em “apenas” 24. Àquela altura ainda não existia de fato os “Albuquerque Maranhão”
Moagem de cana brasileira nos primórdios. Foto: jm1.com.br
Certo dia, Jerônimo, que era um exímio guerreiro, levou uma flechada próximo a cidade de Olinda (PE), em uma de suas lutas ao longo do litoral nordestino contra os índios da tribo Tabajara, e perdeu um dos olhos. Por causa disso ele ganhou o apelido de “O Torto”, foi feito prisioneiro pelos índios e condenado à morte.

Mas agora é que a história fica romântica. As jovens virgens da tribo Tabajara “recolheram e guardaram” Jerônimo enquanto ele esperava o momento do sacrifício junto com os companheiros. Foi assim que ele despertou a paixão de Muyrã Ubi, justamente filha do cacique Arco Verde, líder da tribo Tabira [que depois disso fez aliança com a tribo Tabajara].

O amor foi tão grande que Muyrã intercedeu por ele e conseguiu sua a liberdade e a dos demais prisioneiros. Jerônimo de Albuquerque se casou com a jovem índia, e ela foi batizada com o nome de Maria do Espírito Santo Arco Verde.

Esse capítulo da história é até idêntico ao acontecido na América do Norte com o inglês John Smith e a índia Pacahontas, fato que é lembrado por lá com o monumento do colonizador britânico no Capitólio:
Pocahontas é retratado salvando o capitão John Smith, um dos fundadores de Jamestown, na Virgínia, de ser espancado até a morte. Artista: Constantino Brumidi.
Romantismo demais? Concordo, mas toda essa história amorosa entre Jerônimo e a jovem Muyrã Ubi é citada por vários historiadores que trataram da divisão da colônia em Capitanias, tais como: Frei Vicente do Salvador, Porto Seguro, Capistrano, Câmara Cascudo e etc.

Bom, mas, continuando, aí o casamento, ao invés de causar mais confusão, por sorte selou a paz entre os tabajaras e os colonizadores. “A união de Jerônimo com a filha do cacique tabajara, gente da melhor estirpe da gente do Brasil com um importante Albuquerque de Portugal, fundou uma família genuinamente brasileira pela primeira vez”, afirmou Augusto Maranhão, empresário e aficionado por história.
A casa de Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti (o Capitão Budá), na Fazenda Fundão, hoje no município de Arcoverde onde nasceram D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti e todos os seus irmãos. Fotografia do ano de 1935, onde se vê, entre outros, D. Adalberto Sobral (Bispo de Pesqueira), o Cel. Manuel Mulatinho, “seu” Ernesto Lima e Antônio Napoleão Arcoverde. (Foto à esquerda e legenda do livro “Roteiro de velhos e grandes sertanejos” – vol. 8 – pág.899. Luís Wilson, Recife, 1978).
E o interessante é que, segundo historiadores, esse acontecimento resultou em grandes vantagens para os Portugueses na época, sobretudo porque aumentou consideravelmente a possibilidade de expansão de seus domínios para todo o território que Cabral descobrira.

Da união com a princesinha tabajara, segundo menciona Gilberto Freire, vieram 8 filhos, todos devidamente perfilhados a requerimento do pai, por Carta Régia da rainha D. Catarina de Aragão, e entre eles:
Jerônimo de Albuquerque Maranhão, o fundador de Natal
Desenho de Jerônimo de Albuquerque Maranhão

Jerônimo (o filho) nasceu em Olinda (PE) em 1548. O primeiro “Albuquerque Maranhão” era um mameluco ilustre, viveu cheio de aventuras e êxitos extraordinários, reveladores de seus raros dotes pessoais. Criado com o avô Arco Verde, foi educado pelos jesuítas e dominava, de forma igual, o português e a língua dos nativos.

Quando o assunto era as armas ele sempre foi um vitorioso nas lutas se destacando no Rio Grande do Norte por conseguir apoio dos índios potiguaras já influenciados pelos franceses, segundo Câmara Cascudo em “História da Cidade de Natal”.

Inclusive, a criação do sobrenome “Maranhão”, e a formação do nome completo da família, teria surgido quando Jerônimo participou da expulsão dos franceses que estavam instalados há duas décadas na capitania do Maranhão, com uma expedição saída da capitania do Rio Grande em 1615. Por conta do feito o rei Felipe III autorizou a incorporação do nome “Maranhão” para eternizar a conquista militar.

A experiência de lidar com invasores franceses datava de 17 anos antes da expedição ao Maranhão, quando Jerônimo já tinha expulsado os franceses junto com Dom Manuel Mascarenhas Homem da região no entorno daquele que seria batizado de Rio Potengi, feito pelo qual ganharia o título de fidalgo.
Engenho Cunhaú, que pertenceu a Jerônimo Albuquerque Maranhão.
Começaria ali, na foz do rio Potengi, a construção da Fortaleza dos Reis Magos, nos idos de 1588 e toda a saga dos “Albuquerque Maranhão” em terras do futuro RN.

Em 9 de janeiro de 1603, Jerônimo de Albuquerque foi nomeado Capitão-mor do Rio Grande. No ano seguinte, concedeu “5000 braças de terra” aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque. Nascia assim o engenho de cana de Cunhaú, que por centenas de anos teria uma forte importância econômica e histórica tanto para a família como para o Estado.

A partir daí só veio gente de grande importância histórica na família: chefes de governo, médicos, jornalistas, empresários, advogados.

E as homenagens a essa família estão por toda parte na cidade de Natal hoje em dia: na Praça Pedro Velho, no teatro Alberto Maranhão, na Praça André de Albuquerque, na Rua e no aeroporto Augusto Severo e etc. Até mesmo nos nomes de cidades como Pedro Velho e a antiga Augusto Severo, hoje Campo Grande.

Jerônimo faleceu em São Luís como Capitão-Mór do Maranhão em 1618 aos 70 anos.

As histórias da família são bem mais extensas, por isso fica o convite para que você procure, leia e se informe mais sobre a importante e curiosa história desta que foi a família que iniciou o RN!
Fonte: Curiozzzo

111 assassinatos em 25 minutos: ato marca os 27 anos do Massacre do Carandiru

“O Massacre do Carandiru está longe de ser um caso isolado e a história das barbáries passadas e recentes..." diz ex-preso do Carandiru.


No aniversário de 27 anos de um dos maiores massacres do país, a Frente Estadual pelo Desencarceramento de São Paulo (FEDSP) junto com as redes Amparar e De Proteção E Resistência Contra o Genocídio também compuseram o ato. realizou um ato em memória das vítimas do Carandiru. Passadas quase três décadas do caso, um dos mais notórios em violações de direitos humanos. O julgamento corre há anos na justiça paulista e é recheado de revezes e apenas responsabiliza policiais.
O ato começou por volta das 17:30h na praça da Sé, região central da capital, e contou com movimentos sociais e de Direitos Humanos. Mais cedo na mesma praça ocorreu uma violenta ação de PMs e GCMs contra pessoas em situação de rua, que habitualmente se abrigam no entorno da catedral.
O massacre do Carandiru teve como saldo 111 presos mortos pela polícia, de acordo com relatos oficiais, mas ex-detentos estimam que o número pode ser ainda maior. A operação, que contou com mais de 300 policiais militares de diversos destacamentos da corporação, durou apenas de 25 minutos. Esse foi o tempo necessário para entrarem em todo o pavilhão e saírem, após a chacina, com 22 policiais feridos por armas brancas. Entre os 111 mortos vinte sete anos atrás, 84 deles eram presos provisórios, ou seja, não tinham sido condenados.
O ato seguiu pelas ruas do centro, passando pela faculdade de Direito da USP E pela Secretária Estadual de Segurança Pública. Ao longo do caminho as palavras de ordem lembravam as diversas vítimas de violência policial e os problemas enfrentados por familiares de presos.
Claudenir José dos Santos, 62, o Claudinho da Cidade, passou mais dias presos do que em liberdade na vida e estava no Carandiru durante o massacre “tomaram a minha vida nas mãos deles e eu queria ter uma oportunidade de vida um recomeço. Eu sou escritor… sou escritor e sou poeta, mas não tive como oportunidade. Estava mo massacre, vi tudo acontecer. Foi premeditado, foi uma covardia pela polida militar”, contou.
Durante o ato diversas pessoas em situação de rua também falaram das situações que enfrentam na região central, como violência policial e descasos do poder público. As falas e movimentos que compuseram o ato não se restringiram ao caso específico do Carandiru. A todo momento se voltava a atenção para o genocídio da população negra e pobre.
A FEDSP chamou o ato pelo Facebook na convocatória aponta os principais motivos para sua realização “O Massacre do Carandiru está longe de ser um caso isolado e a história das barbáries passadas e recentes… entre maio e julho de 2019, mais de 110 pessoas foram mortas em presídios de Manaus e Altamira, mas a dor, o sofrimento e a indignação com a violência e a tortura estruturando políticas estatais não chocam a sociedade, pois quem está sendo morto são pessoas excluídas” diz o início do manifesto que finaliza com “É um dia para celebrarmos a resistência daqueles que sobrevivem aos massacres cotidianos e ainda encontram forças para lutar em memória aos que o Estado atuou para tirar a vida”.
Crick Cruz, 62, também ficou preso no Carandiru e contou o motivo de estar no ato “o brasileiro tem memória curta. A gente esquece o nosso passado, como a escravidão. Todos os anos estamos lembrando esses mortos. Mas não só do Carandiru e em presídios, mas tem ocorrido mortes nas quebradas também. esse ato é pra mostrar que tem pessoas que lembram” sobre o tempo no famoso presídio ele conta “passei vinte oito anos presos, vinte no Carandiru. Era um país. Cada pavilhao era um estado e cada galeria era uma cidade”.
O ato terminou em frente ao Tribunal de Justiça, ao lado da Sé, onde o caso ainda segue. Algumas falas foram feitas e os nomes dos mortos relembrados.
Relembre o episódio
No dia dois de outubro de 1992, pela manhã uma rebelião se inicia no pavilhão 9. Ao longo da manhã a rebelião tentou ser controlada por agente penitenciários, mas por volta das 15h a PM chega ao presidio, que ficava na zona norte da cidade e onde hoje é o parque da juventude. A PM assumiu a operação, com o Cel. Ubiratan Guimarães no comando. Por volta das 15:20 o diretor do presidio, José Ismael Pedrosa, faz uma última interlocução com os detentos. O governador Luiz Antonio Fleury autoriza o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, a dar seguimento a entrada da Policia Militar.
Entre as 15:20h e 15:30 a PM entra no pavilhão 9. Durante cerca de vinte minutos se dá o ataque policial, ao todo 102 presos foram baleados, sendo boa parte desses tiros no tórax ou na cabeça, de acordo com o laudo pericial. O laudo também indicou que a maior parte dos ataques se deu no 1° e 2° andares, mas ainda sim com mortes no 3° e 4° andares. As 17h termina a ação e os presos sobreviventes, obedecendo ordens da polícia, ficam nus e saem para o pátio. Por volta das 19h a PM manda que eles agrupem os cadáveres dentro do pavilhão. Na noite do dia dois Luiz Antonio Fleury anuncia oito mortos e a PM deixa o presido durante a madrugada. No dia seguinte, o saldo oficial de mortos é anunciado: 111 detentos.
O presídio do Carandiru, teve sua construção iniciada na década de 20 do século passado, mas foi crescendo ao longo do século e chegou a ser considerado o maior presidio da América Latina, sendo que passou a maior parte de sua existência com superlotação e condições precárias. Após o massacre o presidio continuou a ser utilizado até que foi desativado nos anos 2000.
Até hoje apenas uma pessoa foi condenada, o Cel. Ubiratan Guimarães que comandou a operação de dentro do presídio, a mais de 600 anos de prisão, em 2001. Ubiratan nunca cumpriu um dia de pena, por ter respondido em liberdade até se eleger deputado estadual em 2002. Em 2006 teve sua pena anulada, meses antes de morrer em circunstâncias suspeitas.
Em 2013, o julgamento de 74 policiais envolvidos teve início e seguiu para júri popular. Foram condenados, por pelo menos quatro júris, entre o início do julgamento e 2014. Mesmo assim nenhum chegou a ser preso, uma vez que em 2016 a justiça paulista anulou, pela primeira vez, todos os julgamentos realizados até então e determinou um novo júri. Já em 2017 e 2018 o Tribunal de Justiça de são Paulo seguiu mantendo a anulação dos julgamentos. Hoje o caso espera o novo julgamento, sem data definida.
Fonte: Jornalistas Livres

Artistas e ativistas lançam carta contra censura em Sinop – MT

Painéis grafitados com as imagens do cacique Raoni e da jovem Greta Thunberg em viaduto na periferia da cidade matogrossense foram vandalizados e podem ser apagados pela prefeitura por pressão de militantes da extrema-direita.


A cidade de Sinop, em Mato Grosso, está no centro de uma nova polêmica envolvendo censura artística e ideológica. A prefeitura do município tem um projeto para revitalizar e embelezar os pilares de sustentação dos viadutos com grafites que tenham como tema a flora e a fauna. Em tempos de queimadas recordes no estado e de manifestações pelo meio ambiente na Organização das Nações Unidas, os artistas Rai Campos e Matias Souza incluíram em seus grafites, pintados semana passada, as figuras do conhecido líder indígena Kayapó, Cacique Raoni, e da jovem ativista sueca Greta Thunberg, que fez um dos mais duros discursos em defesa da vida no planeta na abertura da Cúpula do Clima, na ONU. Apesar de estarem na periferia da cidade, os desenhos atraíram a fúria de adeptos da extrema direita, que têm tentado deslegitimar quem luta pela vida na Terra.
Segundo reportagem do portal Olhar Direto, o diretor de cultura do município de Sinop, Daniel Coutinho, defende que o rosto da ativista sueca não condiz com as regras do evento (1º Encontro Internacional de Graffiti – Matograff), que tem como tema principal a fauna e a flora. “Não será apagado devido à censura. Esse é um projeto de incentivo à cultura que foi feito pelos grafiteiros do município. E o tema é a fauna e a flora. Eles iam trabalhar elementos voltados à natureza, à floresta Amazônia, insetos, animais, enfim”, teria dito Coutinho. “Agora, o lance da imagem da polêmica é a Greta mesmo, por ela estar em evidência, ter toda essa situação política… então eu penso que se tivesse sido uma menina qualquer desenhada lá, estaria fora do contexto também, mas talvez não teria causado toda essa polêmica”.
O painel completo pintado por Matias Souza antes do vandalismo
Na manhã de ontem, o painel com o rosto da ativista sueca foi pichado citando de forma pejorativa a prisão ilegal do ex-presidente Lula. Até o momento, ainda não há uma decisão sobre o apagamento ou não do grafite com Raoni, que ontem também foi novamente alvo de ofensas pelo presidente Jair Bolsonaro em evento para mineradores.
Hoje, artistas e ativistas de Mato Grosso publicaram uma carta com dezenas de assinaturas contra a censura e em apoio aos grafiteiros. Veja abaixo na íntegra:
O artista Rai Campos publicou em suas redes sociais protestos contra o possível apagamento de sua obra
Carta em Apoio às Artes e Contra a Censura
Nós, artistas de Mato Grosso e sociedade civil, abaixo-assinados, vimos a público expressar nossa solidariedade aos artistas visuais, Rai Campos e Matias Souza que pintaram as imagens do Cacique Kayapó Raoni e da ativista sueca Greta Thunberg no contexto do 1º Encontro Internacional de Graffiti – Matograff, que reuniu artistas de toda a América Latina na cidade de Sinop-MT, entre 24 e 26 de setembro de 2019. Ao mesmo tempo, repudiamos a atitude vergonhosa de parlamentares da Câmara de Vereadores de Sinop e demais envolvidos que, de forma arbitrária e antidemocrática, censuram a expressão artística. Em diversas mídias foi divulgado que as obras serão apagadas e serão pintadas outras imagens no local com justificativas infundadas que se caracterizam como intolerantes e sem o mínimo de compreensão do papel da arte para a sociedade.
Gostaríamos de relembrar a Constituição da República de 1988 – artigo 5º, inciso IX – a qual garante a liberdade de pensamento e expressão artística como um direito fundamental do cidadão ao prescrever ser “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.
Os artistas censurados fazem parte de uma geração de artistas que democratizam a arte por meio do grafite, linguagem contemporânea que sai dos espaços institucionalizados (como museus e galerias) e inserem as obras nos mais diversos suportes dos espaços públicos e particulares, tornando-as acessíveis à todos.
Queremos, portanto, reiterar o nosso posicionamento e ressaltar a importância da liberdade de expressão e respeito às manifestações culturais que fortalecem a democracia.

Mato Grosso 02/10/2019
Assinam:
Adnilson Silva Lara (Dj Taba) – Músico
Adir Sodré – Artista visual
Gervane de Paula – Artista visual
Ruth Albernaz – Artista visual / bióloga
Vitoria Basaia – Artista visual
Eduardo Mahon – Advogado / escritor
Ivens Scaff – Escritor
Willian Gama – Curador de Arte
Vinicius Souza – Jornalistas Livres / UFMT
Jean Siquera (Siq) – Grafiteiro / tatuador
Adriano Figueiredo – Artista Visual
Marília Beatriz de Figueiredo leite – Escritora
Luiz Marchetti – CALM Centro Visual Luiz Marchetti
Vera Capilé – Cantora / compositora / psicóloga
Maria Teresa Carrión Carracedo – Editora
Naine Terena – Artista / Jornalista
Ludmila Brandão – Professora UFMT
Rosylene Pinto – Artista Visual
Amanda Gama – Advogada / galerista
Adriano Souza – Secretário Adjunto de Cultura de Juína – MT
Rosemar Coenga – Escritor
Livia Bertges – Escritora
Imara Quadros – Arte educadora
Ivan Belém – Artista / arte educador
Lúcia Palma – Atriz
Roberto Ferreira – Ator / arte-educador
Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa – Antropóloga
Silvia Turina – Artista Visual
Zuleica Arruda – Arte educadora/ artista visual
Vera Baggetti – Arquiteta/ artista visual
Luciene Carvalho – Poeta
Flávio Ferreira – Diretor do teatro Cena Onze
Gloria Albues – Cineasta / jornalista
Otília Teófilo – Artista livre
Reinaldo Mota – Médico / professor
Amarildo Ferreira – Psicanalista
Santiago do Pântano – Tatuador / Músico
Jean Carlos Bass – Músico
Hector Flores – Músico
Roger Perisson – Publicitário / músico
Odilio Marcelo da Costa (Xito CondUta do Gueto) – Músico
Paulo Cesar – Rondonópolis MT
Jeff Keese – Arquiteto / curador / expógrafo
Claudete Rachid Jaudy – Atriz / professora
Carlina Rabello Leite – Produtora cultural
Volney Albano – Jornalista/Presidente Municipal do PT Cuiabá
Ricardo Correia – Diretor Artístico / Publicitário
Zilda Barradas – Conselheira Estadual de Cultura / Artes Visuais
Amandla Silva Sousa – Artista Livre
João Luiz do Couto – escritor / ator / contador de histórias
Caio Augusto Ribeiro – Coletivo Coma A Fronteira
Pedro Duarte – Coletivo Coma A Fronteira
Ligia da Silva Viana – Favelativa
Thaylayne Vanessa Cansi – Movimento Ocupa
Justina Fiori – Jornalista
Valdiná da Silva Ferreira/ Kaco do CPA – Coletivo Avante CPA
Hend – Músico
Ronaldo Adriano – Ator membro do Teatro Experimental de Alta Floresta
Carlos Augusto Abicalil – Professor / mestre em educação / ex-deputado federal
Instituto Superior de Cultura Gervásio Leite – Cuiabá/MT
CCF – Coletivo Correria Forte
Coletivo Não Reclame do Calor Plante uma Flor – Cuiabá/MT
Maloca do Quati Espaço D’Arte – Cuiabá/MT
Nelson Borges de Barros – Eng. Agrônomo/Assessor Parlamentar
Jefferson Jarcem – Diretor geral do Grupo Tibanaré
Elaine da Silva Santos – Produtora
Fonte: Jornalistas Livres

O significado antissectário da Comuna de Paris

Em 18 de março de 1871, artesãos e comunistas, trabalhadores e anarquistas, tomaram a cidade de Paris e estabeleceram a Comuna. Esse experimento radical de autogoverno socialista durou 72 dias, antes de ser esmagado num massacre brutal que estabeleceu a 3ª República francesa. Mas socialistas, anarquistas e marxistas nunca deixaram de discutir o significado daquela ação.
Por Manu Goswami
Em 6 de abril de 1871, durante a Comuna, os revolucionários de Paris queimam a guilhotina, aos pés da estátua de Voltaire  Em 6 de abril de 1871, durante a Comuna, os revolucionários de Paris queimam a guilhotina, aos pés da estátua de Voltaire
Kristin Ross, em seu novo livro, o poderoso Communal Luxury – The Political Imaginary of the Paris Commune (O Luxo da Comuna – Imaginário Político da Comuna de Paris), expõe com máxima clareza os debates acumulados sobre a Comuna, os quais, como ela diz, calcificaram falsas polêmicas: anarquismo versus marxismo, camponês versus operário, terrorismo jacobino revolucionário versus anarcossindicalismo e assim por diante.
Agora que a Guerra Fria acabou e o Republicanismo francês está exaurido, argumenta Ross, podemos, afinal, livrar a Comuna dessa esclerose. Essa emancipação pode, por sua vez, revitalizar a esquerda contemporânea para agir e pensar sobre os desafios de hoje. Nenhum trabalho especifica mais o que disse Marx, para quem a maior conquista da Comuna de Paris foi sua “existência real em operação”. A seguir, sua entrevista.
Jacobin: Seu livro reencena a Comuna de Paris para nossos tempos. Por que o movimento é um recurso para pensar as demandas do presente?
Kristin Ross: Fico contente que você tenha escolhido “recurso”, em vez de “lição”. Em geral, as pessoas insistem em que o passado nos daria lições, ou ensinaria que erros evitar. A literatura em torno da Comuna é cheia de palpites, de engenheiros de obra feita, de gente que goza ante a lista de erros: ah, se os Communards tivessem feito isso ou aquilo, saqueado dinheiro do banco, marchado sobre Versailles, feito a paz com Versailles, se se organizassem melhor, aí, sim, teriam sido bem-sucedidos!
Para mim, esse tipo de superioridade teórica pós-fato é, ao mesmo tempo, estúpida e profundamente a-histórica. Nosso mundo não é o mundo dos Communards. Quanto mais cedo compreendermos essa diferença, tanto mais fácil será perceber os pontos nos quais o mundo deles é, de fato, muito próximo do nosso – mais próximo de nós, talvez, que o mundo da geração dos nossos pais.
O modo como vivem hoje as pessoas, particularmente os mais jovens, assemelha-se muito à instabilidade econômica enfrentada pelos operários e artesãos do século 19, que fizeram a Comuna. Muitos deles passavam mais tempo em busca de trabalho do que propriamente trabalhando.
Depois de 2011, com a volta virtualmente em todos os lugares de uma estratégia política baseada em tomar espaços, ocupar locais e territórios, converter cidades inteiras – de Istanbul a Madrid, de Montreal a Oakland – em teatros para operações estratégicas –, a Comuna de Paris voltou a ser visível, como se recebesse nova iluminação, entrou novamente na figurabilidade do presente.
Suas formas de invenção política tornaram-se novamente viáveis para nós — não como lições, mas como recursos, ou como o que Andrew Ross, ao comentar meu livro, chamou de “um arquivo usável”. A Comuna tornou-se imagem para uma história, e talvez para um futuro — diferente dos rumos que a modernização capitalista tomou; e, por outro, dos caminhos que o Estado socialista utilitário seguiu.
É um projeto que, creio, muita gente partilha hoje, e o imaginário da Comuna é central para aquele projeto. Por essa razão, tentei, no livro, pensar sobre a Comuna ao mesmo tempo como pertencente a nosso passado e como uma espécie de abertura do campo dos futuros possíveis, em meio a nossas atuais lutas.
Jacobin: O luxo comum (fr. le luxe communal) foi slogan da seção dos artistas da Comuna e dá título ao seu livro. Você pode nos falar sobre a gênese dessa expressão?
KR: Diferentemente de “a república universal”, “o luxo comum” não foi um dos slogans retumbantes da Comuna. Encontrei a expressão metida na última frase do manifesto que artistas e artesãos produziram sob a Comuna, quando se auto-organizavam numa federação. Para mim, tornou-se uma espécie de prisma pelo qual refratar várias invenções e ideias chaves da Comuna de Paris.
O autor da expressão, o artesão de artes decorativas Eugène Pottier, é mais conhecido até hoje como autor de A Internacional, composto ao final da Semana Sangrenta, antes de o sangue dos massacres ter secado nas calçadas. O que ele e outros artistas queriam dizer com “luxo comum” era alguma coisa como um programa de ação para “beleza pública”: melhoria de vilas e cidades, o direito de todas as pessoas viverem e trabalharem em ambiente agradável.
Pode-se ver aí uma demanda pequena, talvez mesmo só “decorativa”. Mas de fato implica não só completa reconfiguração da nossa relação com a arte – mas também com o trabalho, as relações sociais, a natureza e o ambiente vivido. Significa mobilização total na direção das duas palavras de ordem da Comuna: descentralização e participação. Implica arte e beleza desprivatizadas, plenamente integradas na vida diária, não escondidas em salões privados ou centralizadas numa monumentalidade nacionalista obscena.
Os recursos e realizações estéticas de uma sociedade não mais tomariam, como os Communards mostraram em atos, a forma do que William Morris chamou de “aquela peça básica da estofaria napoleônica”, a Coluna Vendôme. Na pós-vida da Comuna, no trabalho de Elisée Reclus, Morris e outros, mostro como a demanda de que a arte e a beleza florescessem na vida cotidiana continha as ideias-chave do que hoje chamaríamos de desejo “ecológico”, e que pode ser percebido na “noção crítica de beleza” de Morris, por exemplo; ou na insistência de Kropotkin sobre a importância da autossuficiência regional.
Em suas fronteiras de alcance mais especulativo, “o luxo comum” implica um conjunto de critérios, sistemas de valorização diferentes do que o mercado fornece, para decidir o que uma sociedade valoriza, o que considera precioso. A natureza é valorizada não como um estoque de recursos, mas como fim em si mesma.
Jacobin: Seu livro estende a vida da Comuna aos trabalhos de Kropotkin e do socialista britânico William Morris, dentre outros.
KR: É muito fácil deixar-se tomar, num transe de horror, pelo que Flaubert chamou de a “goticidade” da Comuna, expressão pela qual espero que ele tenha querido referir-se aos horrores da Semana Sangrenta, ao massacre de milhares que levou ao fim da Comuna. De modo algum minimizo o significado do massacre. De fato, vejo aquela espantosa tentativa, pelo Estado, de exterminar um a um e em massa seus inimigos de classe como o ato de fundação da 3ª República.
Mas me ocupei mais em documentar o que, para mim, seria o prolongamento da Comuna – o modo como o pensamento communard continuou a ser elaborado depois do fim da Semana Sangrenta, com sobreviventes da Comuna exilados reunindo-se e trabalhando juntos com os apoiadores que você mencionou – camaradas de uma mesma viagem, para quem os eventos da Comuna haviam alterado profundamente o que Jacques Rancière chamaria de “a distribuição do sensível”.
Descrevo como a onda de choque produzida pela Comuna e as discussões e a sociabilidade que se seguiram, com os que sobreviveram à Comuna, mudaram os métodos desses pensadores, as questões sobre as quais se debruçavam, os materiais que selecionavam, a paisagem intelectual e política que mapearam para si mesmos – em resumo, o caminho deles. Essas ondas imediatas de pós-choque são a continuação da luta, por outros meios. São parte do excesso do evento, e são tão absolutamente vitais, para a lógica de qualquer evento, como as ações iniciais pelas ruas.
Talvez a maior modificação possa ser detectada na trajetória de Marx depois da Comuna – uma mudança que assume a forma paradoxal tanto de um fortalecimento de sua teoria como de uma ruptura com o próprio conceito de teoria. A Comuna mostrou muito claramente, aos olhos de Marx, que as massas não só modelam a história como também, ao modelá-la, transformam o presente e também transformam a própria teoria.
Isso, de fato, é o que Henri Lefebvre tinha em mente, quando falou da “dialética do vivido e do concebido”. O pensamento e a teoria de um movimento só são desencadeados com o movimento e depois do movimento. São as ações que criam os sonhos, não o contrário.
Jacobin: Piotr Kropotkin, Elisée Reclus e William Morris estavam, como você argumenta em seu livro, preocupados em mobilizar as “energias do antigo”, associadas a formas pré-capitalistas e não capitalistas, com o potencial radical de práticas emergentes
KR: Não só esses, mas também Marx era preocupado com a existência, “anacrônica” em seu próprio tempo, de formas e modos de vida pré-capitalistas. O destino das obshchina, aquelas formações agrárias comunitárias russas, que perduraram por séculos, foi importante foco das preocupações dos socialistas ocidentais. O desafio teórico que tomou forma depois da Comuna girava em torno da questão de uma forma-comuna revitalizada: como pensar juntas (a) a espantosa insurreição que aconteceu numa grande capital da Europa e (b) a persistência daquelas antigas formas comunistas no campo.
Esses pensadores eram todos extremamente atentos ao que se pode chamar “fissuras no tempo” – momentos nos quais a ininterrupta continuidade da modernidade capitalista parece rachar-se e abrir-se como um ovo. Historiadores em geral temem o anacronismo como o maior erro possível. Tendem, por exemplo, a desconsiderar o interesse de Morris pela Islândia de seu tempo, e pelo passado medieval da Islândia, como se fosse nostalgia obcecada.
Morris foi, realmente, capaz de ver formações pré-capitalistas e modos de vida como os que haviam florescido na Islândia medieval como passados, parte da história, e, ao mesmo tempo, como figuração de um futuro possível. Isso é sinal, na minha opinião, não de nostalgia, mas de um modo de pensar profundamente historicizado. Sem isso, não temos como pensar a possibilidade de mudança, nem de viver o presente como algo contingente e sem desfecho conhecido.
Jacobin