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Eduardo Vasconcelos - centro, entre os/as cantores/as, Juliana Gomes e Diego Ramos Hoje (17) a tarde no alpendre da Casa de Cultura &...

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira (1886-1968) foi um poeta brasileiro. “Vou-me Embora pra Pasárgada” é um dos seus mais famosos poemas. Foi também professor de literatura, crítico literário e crítico de arte. Os temas mais comuns de sua obra são: a paixão pela vida, a morte, o amor, o erotismo, a solidão, o cotidiano e a infância. Foi um dos maiores representantes da primeira fase do Modernismo.
Infância e Juventude
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, conhecido como Manuel Bandeira, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 19 de abril de 1886. Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Souza Bandeira e de Francelina Ribeiro, abastada família de proprietários rurais, advogados e políticos. Seu avô materno Antônio José da Costa Ribeiro, foi citado no poema “Evocação do Recife”. A casa onde morava, localizada na Rua da União, no centro do Recife é citada como “a casa do meu avô”.
Manuel Bandeira iniciou seus estudos no Recife. Com 16 anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, concluindo o curso secundário no Colégio Pedro II. Em 1903 ingressou no curso de Arquitetura da Escola Politécnica de São Paulo, mas interrompeu os estudos para tratar de uma tuberculose.  Dez anos depois, ainda doente, foi para a Suíça em busca da cura, onde permaneceu durante um ano, de 1913 a 1914. Nesse período, conviveu com o poeta francês, internado na mesma clínica, Paul Éluard, sem a menor esperança de sobreviver, conforme confessou posteriormente no poema Pneumotórax, do livro Libertinagem.

Primeiros Poemas Publicados

Em 1917, Manuel Bandeira publicou seu primeiro livro, “A Cinza das Horas”, de nítida influência Parnasiana e Simbolista, onde os poemas são contaminados pela melancolia e pelo sofrimento, como no poema “Desencanto”. Dois anos depois, publicou “Carnaval” (1919), cujos poemas prenunciavam os valores de uma nova tendência estética.

Primeira Fase Modernista

Em 1921, Manuel Bandeira conheceu Mário de Andrade e através deste, colabora com a revista modernista Klaxon, com o poema “Bonheur Lyrique”. Morando no Rio de Janeiro, sua participação no Movimento Modernista foi sempre a distancia. Para a Semana de Arte Moderna de 1922, enviou o poema “Os Sapos”, que lido por Ronald de Carvalho, tumultuou o Teatro Municipal, com vaias e gritos. O poema satiriza os princípios do parnasianismo, com um deboche agressivo dirigido à métrica e à rima desses poemas:
Os Sapos (trecho do poema)
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– “Meu pai foi à guerra!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
Manuel Bandeira vai cada vez mais se engajando no ideário modernista. Em 1924, publica “Ritmo Dissoluto”. A partir de 1925, escreve crônicas para jornais onde faz críticas de cinema e música. Em 1930, publica “Libertinagem”, obra de plena maturidade modernista, onde se destacam os poemas: “O Cacto”, “Pneumotórax”, “Evocação ao Recife”, onde tematiza a infância fazendo uma descrição da cidade do Recife no fim do século XIX, e “Vou-me Embora pra Pasárgada”, uma espécie de autobiografia lírica:

Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Academia Brasileira de Letras

Foi como poeta que Manuel Bandeira conquistou sua posição de relevo na literatura brasileira, mas se dedicou também à prosa, crônicas e memórias. Em 1938, Manuel Bandeira foi nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II. Em 1940 foi eleito para Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº. 24. Em 1943 foi nomeado professor de Literatura Hispano-Americana da Faculdade Nacional de Filosofia.
Manuel Bandeira faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro de 1968.

Obras de Manuel Bandeira

  • A Cinza das Horas, poesia, 1917
  • Carnaval, poesia, 1919
  • O Ritmo Dissoluto, poesia, 1924
  • Libertinagem, poesias reunidas, 1930
  • Estrela da Manhã, poesia, 1936
  • Crônicas da Província do Brasil, prosa, 1937
  • Guia de Ouro Preto, prosa, 1938
  • Noções de História das Literaturas, prosa, 1940
  • Lira dos Cinquent’ Anos, poesia, 1940
  • Belo, Belo, poesia, 1948
  • Mafuá do Malungo, poesia, 1948
  • Literatura Hispano-Americana, prosa, 1949
  • Gonçalves Dias, prosa, 1952
  • Opus 10, poesia, 1952
  • Intinerário de Pasárgada, prosa,1954
  • De Poetas e de Poesias, prosa, 1954
  • Flauta de Papel, prosa, 1957
  • Estrela da Tarde, poesia, 1963
  • Andorinha, Andorinha, prosa, 1966 (textos reunidos por Drummond)
  • Estrela da Vida Inteira, poesias reunidas, 1966
  • Colóquio Unilateralmente Sentimental, prosa, 1968
 Fonte BRASIL CULTURA


CURITIBA – Uma das primeiras casas italianas de Santa Felicidade está em exposição

Fotos e pinturas de uma das primeiras casas italianas construídas no bairro de Santa Felicidade são tema da mostra Casa Culpi. A exposição será aberta nesta quarta-feira (7/11), na sala da Fundação Cultural na Rua da Cidadania de Santa Felicidade, e fica em cartaz até 3 de dezembro, com entrada gratuita.
A exposição reúne fotografias antigas e pinturas em tela da Casa Culpi. O imóvel, construído em 1897, é uma das primeiras edificações da região e pertenceu à família Culpi, uma das pioneiras entre os imigrantes italianos que colonizaram o bairro de Santa Felicidade. A mostra também traz dois trabalhos do artista Sérgio Serena que retratam o imóvel: um desenho em bico de pena sobre papel e uma maquete feita em madeira.
Moradia e armazém, a casa também foi ponto de encontro de motoristas, pois integrava a rota que levava ao Norte do Paraná. Comprada e restaurada pelo Município, em 1990 a edificação passou a funcionar como um memorial da imigração italiana, administrado em parceria com a comunidade organizada. Atualmente o imóvel, localizado na Avenida Manoel Ribas, 8450, é sede do CRAS Butiatuvinha, equipamento gerenciado pela Fundação de Ação Social de Curitiba.
Serviço:
Exposição de imagens da Casa Culpi
Local: Sala de exposições da FCC na Rua da Cidadania de Santa Felicidade – Rua Santa Bertila Boscardin, 213 – Santa Felicidade
Data: 07/11 a 03/12/2018
Horário: das 9h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta e das 8h às 13h, aos sábados
Classificação livre
Entrada franca
Maiores informações: arteeculturasantafelicidade@fcc.curitiba.pr.gov.br ou 3374-5019

Conselho de Comunicação Social rejeita projetos sobre rádios comunitárias

O Conselho de Comunicação Social, que atua como órgão consultivo do Senado, rejeitou por 7 a 4 votos três projetos que atuavam na área da radiodifusão comunitária. O PLS 55/2016, do senador Donizeti Nogueira (PT-TO), autorizaria as rádios a captar publicidade comercial; o PLS 513/2017, do senador Hélio José (PROS-DF), permitiria ampliar a potência das rádios comunitárias; e o PLS 410/2017, também de Hélio José, isentaria essas rádios da cobrança de direitos autorais realizada pelo ECAD.
A decisão do Conselho de Comunicação não interrompe o trâmite dos projetos, mas serve de parâmetro técnico sobre eles. O conselheiro Davi Emerich fez um voto em separado, em que defendia a isenção da cobrança do ECAD (PLS 410/2017) mas rejeitava os outros dois projetos (PLS 55/2016 e PLS 513/2017). O parecer contrário aos três projetos foi apresentado pela conselheira Tereza Mondino.
O parecer do Conselho é remetido ao presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira, que o remete para as comissões que estão analisando os três projetos, no Senado e na Câmara dos Deputados.

Agressões a Jornalistas

A Conselheira Maria José Braga relatou diversos casos de violências contra jornalistas ao longo da campanha presidencial e após. Segundo ela, diversos repórteres foram ameaçados ou agredidos e disse estar preocupada com essa tendência crescente:
— Durante a campanha eram militantes e agora temos relatos de seguranças do novo presidente ameaçando jornalistas que estão exercendo seu trabalho de informar.

Como “Cem Anos de Solidão” redefiniu a América Latina

Antes de Cem Anos de Solidão, a América Latina já apresentava algumas semelhanças com o lugar imaginário que seria descrito no primeiro parágrafo do romance: “o mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo”.
Por Felipe Restrepo Pombo
O continente, obviamente, não era um lugar novo quando Gabriel García Márquez escreveu sua obra-prima: os escritores conhecidos como “cronistas das Índias” tinham como missão descrever a terra durante os séculos 15 e 16 e nomeavam coisas desconhecidas a eles conforme as viam.
Muitas décadas depois, García Márquez embarcou em uma segunda Descoberta da América. A partir de seu pequeno estúdio na Cidade do México, escrevendo pacientemente em sua máquina de escrever, ele reimaginou a gênesis do continente e, ao fazer isso, mudou seu futuro.
Durante a segunda metade do século 20, a América Latina passou por um período conturbado. Alguns países – como Chile, Colômbia e México – estavam lidando com instabilidades, ditaduras e violência política. Isso levou a mudanças abruptas e confusas em sua maioria, incluindo a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara.
Quando García Márquez estava nos primeiros estágios de sua imensa saga, ele ficou fascinado com a mudança que ocorreu em Cuba. O que mais o impressionou foi a verdadeira possibilidade de uma nova ordem para países nesse hemisfério, longe da pressão e das imposições dos Estados Unidos. Muitos intelectuais – Mario Vargas Llosa, Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Simone de Beauvoir, entre outros – compartilhavam o entusiasmo de García Márquez.
Nos anos seguintes, alguns deles ficaram desapontados e se distanciaram do modelo cubano. Mas é inegável que a revolução teve um grande impacto no tom de Cem Anos de Solidão: ela deu a García Márquez esperança no destino da América Latina.
Criando uma lenda
Escrever sua obra-prima, porém, não foi fácil. Na época, ele morava com Mercedes, sua esposa, e seus dois filhos, Rodrigo e Gonzalo, na Cidade do México. Eles haviam deixado a Colômbia porque García Márquez não se sentia à vontade com o governo de direita em seu país. Ele estava vivendo no exterior – antes de se fixar na Cidade do México, passou um tempo em Caracas, Paris e Barcelona – tudo enquanto aspirava ser um romancista mundialmente famoso.

Mas a família passava dificuldades para se manter com seu salário baixo como correspondente internacional de uma série de revistas e jornais de língua espanhola. Seus livros anteriores, apesar de muito elogiados, foram um fracasso comercial. García Márquez sabia que tinha uma história ótima, mas não conseguia achar o caminho certo para o romance épico que tinha em mente.
Há muitas lendas – o que, ao longo de sua vida, ele nunca se importou em confirmar ou desmentir – sobre como ele encontrou inspiração e superou o bloqueio de escrita que o acometeu. Eu prefiro acreditar na versão que li na incrível biografia feita por Gerald Martin: “Ele planejou férias na praia com sua família em Acapulco, um dia de distância ao sul [de onde morava]. No meio do caminho, ele parou o carro – um Opel branco de 1962 com um interior vermelho – e voltou. Sua próxima ficção havia o acometido de uma vez só. Agora ele podia vislumbrar com a clareza de um homem que, diante de um grupo de atiradores, vê sua vida inteira em um único momento”.
Segundo Martin, Mercedes cancelou as férias imediatamente. Eles voltaram para casa e ela disse a ele para começar a escrever. Mercedes arcaria com as contas da casa contanto que ele se mantivesse focado no novo romance. E foi o que fez: ignorou a realidade e escreveu – possuído pelos personagens que haviam sussurrado suas histórias em seus ouvidos desde que era criança – por oito meses direto.
O que aconteceu depois foi repetido inúmeras vezes. A saga do Macondo e da família Buendía imediatamente se tornou um clássico moderno, frequentemente comparado aos trabalhos de Cervantes e Shakespeare. “É o livro que redefiniu não apenas a literatura latinoamericana, mas também a literatura, ponto”, disse Ilan Stavans, um eminente estudioso de cultura latina nos Estados Unidos que diz ter lido o livro 30 vezes.
García Márquez não era nem um historiador nem um sociólogo. Ele era um contador de histórias nato. Eu o via como um prisma. Era capaz de pegar uma quantidade tremenda de informação e transformá-la em uma nova mitologia. Essa é a especialidade de Cem Anos de Solidão: ele reúne diferentes fontes para chegar a um nascimento alternativo e hiperbólico da cultura latinoamericana. E, ao fazer isso, ele reinterpretou sua natureza.
Verdade e ficção
Seria impossível listar todas as fontes que configuram esse novo universo. Boa parte veio das lendas que ele ouvia em sua infância em Aracataca, a pequena cidade colombiana onde nasceu. Elas são a base das tradições orais caribenhas que estão por baixo da superfície do romance. Então, ele leu William Faulkner, assim como mitologia grega e pré-hispânica. E, por último, inspirou-se na violenta história da Colômbia entre os séculos 18 e 20. Todas essas histórias foram reunidas e amadurecidas em sua mente extraordinária para emergir em um corpo diferente, mas com um simbolismo próprio.

Gabo – como família e amigos o chamavam – também tinha a habilidade de contar essas histórias como nenhum outro antes dele. Ele pegou emprestado o ritmo da Vallenato, a música folclórica da cidade de Valledupar, e o combinou com as ferramentas do jornalismo narrativo. García Márquez também era um repórter fantástico e essas habilidades são mostradas em sua prosa. Eu tive a oportunidade de vê-lo trabalhar quando comecei minha carreira na revista Cambioin no final dos anos 1990. Como um jovem jornalista na Colômbia, testemunhei sua habilidade sobrenatural de transformar as trivialidades da vida diária em contos mágicos.
Cem Anos de Solidão é uma alegoria poderosa à identidade da América Latina. A história, que transcorre no período de um século, explora muitos dos assuntos predominantes da história perturbadora da região: caudilhismo (fenômeno político que ocorreu na América Latina após o processo de independência caracterizado pelo agrupamento de uma comunidade em torno do caudilho), machismo, rebeliões, pragas e violência política.
Mas, apesar desse tecido social denso, García Márquez o desvela com humor e uma linguagem poética refinada. E, por trás dessa espécie de afresco social de conflitos, ele foi capaz de ver a beleza que há em tudo isso. Como ele disse em seu discurso ao receber o Prêmio Nobel de Literatura: “Apesar disso, da opressão, do saque e abandono, respondemos com vida. Nem enchentes nem pragas, nem fome nem cataclismos, nem mesmo as eternas guerras, séculos após séculos, foram capazes de subjugar a persistente vantagem que a vida tem sobre a morte.”
Esse retrato pode parecer uma caricatura, mas o realismo mágico é construído sobre o exagero. O mundo que García Márquez criou é um espelho de aumento no qual a América Latina pode ver suas falhas e suas virtudes. Como ele disse em uma entrevista ao jornal The New York Times em 1988: “Eu acho que meus livros têm impacto político na América Latina porque eles ajudam a criar uma identidade latinoamericana, eles ajudam os latinoamericanos a terem uma consciência maior de sua cultura”. E é nessa consciência em que está seu poder.
Fonte: BBC