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Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN - 2009/2019 " "Dandara", simbolo de luta em favor da LIBERTAÇÃO da população NEGRA!&...

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Documentário contra o Golpe ganha prêmio em Berlim

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(Reprodução)

Golpe dos canalhas é desmoralizado no mundo inteiro!
De Bruno Ghetti, no UOL:
O filme "O Processo", documentário de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff, foi premiado no início da tarde deste sábado (24) no Festival de Berlim. O longa ganhou o prêmio de melhor documentário escolhido pelo público na mostra Panorama, a segunda mais importante do evento.
"Quando a gente escolhe um tema pra investigar e fazer um filme, existe um desejo de dividir esse mergulho com o público. E depois, quando o filme fica pronto e recebe um prêmio do júri popular, eu arrisco dizer que talvez seja uma das maiores realizações como diretora. E é muito relevante também pelo filme ser sobre um episódio histórico do Brasil e estar sendo compreendido por audiências de outras latitudes", disse a diretora ao UOL.
O filme se dedica a esmiuçar o processo político e jurídico que culminou com o afastamento de Dilma do poder, em agosto de 2016. Com imagens de bastidores e trechos de discursos da acusação e da defesa, "O Processo" defende que o impeachment teve motivação sobretudo política, e não apenas jurídica.
"O Processo", que estreou em Berlim na última quarta-feira sob muitos aplausos ao final e gritos de "Fora, Temer!", deve estrear no Brasil em junho. A cerimônia de entrega dos prêmios será no domingo à tarde e Maria Augusta estará presente.
(...)
Fonte: Conversa Afiada

Não somos escravos de nenhum senhor

Foto: Reprodução web
Como parte da geração que foi criada pela TV em uma cidade distante do eixo, vejo no desfile das escolas de samba uma tradição e uma paixão, o meu futebol, a apuração o meu Super Bowl. Por isso, peço licença a minha Imperatriz de Ramos para falar de outra escola hoje.
Paraíso do Tuiuti acaba de ser consagrada vice-campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. Altamente celebrada desde seu desfile no último domingo, o recado mais retumbante da maior festa popular do mundo desse ano veio da Sapucaí e não dos blocos de rua.
E fica o paralelo entre os domingos: em 2016, após apresentar Formation na final do NFL, os Estados Unidos descobriram que a Beyoncé era negra. Em 2018, após atravessar a avenida, parte do Brasil pareceu descobrir que o Carnaval é um ato político.
E é preciso que não fique dúvida – foi um desfile sobre a escravidão, sobre o preconceito racial. Foram 400 anos de trabalho escravo no Brasil e 130 anos da Lei Áurea. Temas que, claro, tem tudo a ver com as reformas criticadas na avenida, com a ironia dos manifestantes fantoches e com o Temer Vampirão. Se a CLT é um problema de todos hoje, os negros dos nosso país nunca nem viram o que é um trabalho regularizado.
Como editora da Mídia NINJA, não sei colocar em palavras a dor que sentia a cada vez que entrava na página e via o post fixado com a foto de um rapaz negro com a Máscara de Flandres, uma cena tão antiquada quando torturosamente atual. Esse post chegou a mais de 130 mil compartilhamentos, mais de 15 milhões de pessoas alcançadas – o alcance de quem fura a bolha ao focar sua linguagem para mais de 50% dos brasileiros, a população negra.
Alegorias, fantasias, décimos e quesitos à parte, a agremiação de São Cristóvão, o quilombo da favela, termina aclamada como Campeã do Povo.
Estamos encerrando esse ciclo carnavalesco com a alma lavada nessa quarta-feira de cinzas, comemorando esta noite para acordar amanhã e seguir lutando contra o trabalho precário, o genocídio, a falta de acesso a saúde e educação, a solidão e tantos outros resquícios escravocratas no Brasil.
É um alento para aqueles que sabem que nenhuma revolução será feita se não partir de uma ótica antirracista, levando em consideração principalmente as mulheres negras. E, se não bastasse, conseguimos que o discurso chegasse a milhões de lares pelo veículo mais inusitado/golpista – a Globo.
Não somos escravos de senhor nenhum e nos vemos no sábado, Campeã.

Fonte: Mídia Ninja

SEARA regularizará e titulará áreas quilombolas do Estado

COEPPIR/RN
O Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Estado de Assuntos Fundiários e Apoio à Reforma Agrária (SEARA), irá regularizar e titular as três primeiras áreas quilombolas no RN, através da Lei Estadual de Terras. A titularidade irá beneficiar exclusivamente membros destas comunidades, já que nestas áreas só vivem quilombolas, e irá se restringir, a princípio, a estes três territórios.

As três áreas estão encravadas em terras públicas estaduais nos munícipios de Ielmo Marinho (comunidade Nova Descoberta, com 22 hectares), Pedro Avelino (Comunidade Aroeira, 224 hectares) e Bom Jesus (Pavilhão, 21 hectares). O titular da Seara, Raimundo Costa, destaca a importância desta ação. “Trata-se de uma ação pioneira no Estado, ação esta que reconhece o direito à terra aos quilombos, e o Governo, consequentemente, vai fazer a titulação. Este trabalho de regularização está sendo feito em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA)”, destacou o secretário.

Na última semana, os dois órgãos se reuniram para tratar sobre a temática em questão. Agora, o próximo passo da Seara e do Incra será visitar as comunidades nos três munícipios para orientar os quilombolas da importância de se emitir os títulos coletivamente. Essa visita deverá acontecer em alguns dias. 

Fonte: coeppir.rn.gov.br

PARA NÃO DEIXAR IMPUNE! Criança indígena de 8 anos é queimada viva por madeireiros

Criança awá-guajá (Foto: Fiona Watson/Survival)
por: Rogério Tomaz Jr. Acontecido em 05 de maio de 2012
[Acesse a página especial com várias matérias sobre esse assunto – clique aqui]
Leia o relatório da Funai sobre o caso – 09/01/2012 (clique aqui)
Quando a bestialidade emerge, fica difícil encontrar palavras para descrever qualquer pensamento ou sentimento que tenta compreender um acontecimento como esse.
Na última segunda-feira (3) semana*. uma criança de oito anos foi queimada viva por madeireiros em Arame, cidade da região central do Maranhão.
Enquanto a criança – da etnia awa-guajá – agonizava, os carrascos se divertiam com a cena.
O caso não vai ganhar capa da Veja ou da Folha de São Paulo. Não vai aparecer no Jornal Nacional e não vai merecer um “isso é uma vergonha” do Boris Casoy.
Também não vai virar TT no Twitter ou viral no Facebook.
Não vai ser um tema de rodas de boteco, como o cãozinho que foi morto por uma enfermeira.
E, obviamente, não vai gerar qualquer passeata da turma do Cansei ou do Cansei 2 (a turma criada no suco de caranguejo que diz combater a corrupção usando máscara do Guy Fawkes** e fazendo carinha de indignada na Avenida Paulista ou na Esplanada dos Ministérios).
Entretanto, se amanhã ou depois um índio der um tapa na cara de um fazendeiro ou madeireiro, em Arame ou em qualquer lugar do Brasil, não faltarão editoriais – em jornais, revistas, rádios, TVs e portais – para falar da “selvageria” e das tribos “não civilizadas” e da ameaça que elas representam para as pessoas de bem e para a democracia.
Mas isso não vai ocorrer.
E as “pessoas de bem” e bem informadas vão continuar achando que existe “muita terra para pouco índio” e, principalmente, que o progresso no campo é o agronegócio. Que modernos são a CNA e a Kátia Abreu.
A área dos awa-guajá em Arame já está demarcada, mas os latifundiários da região não se importam com a lei. A lei, aliás, são eles que fazem. E ai de quem achar ruim.
Os ruralistas brasileiros – aqueles que dizem que o atual Código Florestal representa uma ameaça à “classe produtora” brasileira – matam dois (sem terra ou quilombola ou sindicalista ou indígena ou pequeno pescador) por semana. E o MST (ou os índios ou os quilombolas) é violento. Ou os sindicatos são radicais.
Os madeireiros que cobiçam o território dos awa-guajá em Arame não cessam um dia de ameaçar, intimidar e agredir os índios.
E a situação é a mesma em todos os rincões do Brasil onde há um povo indígena lutando pela demarcação da sua área. Ou onde existe uma comunidade quilombola reivindicando a posse do seu território ou mesmo resistindo ao assédio de latifundiários que não aceitam as decisões do poder público. E o cenário se repete em acampamentos e assentamentos de trabalhadores rurais.
Até quando?
Atualização – 0h16 (06/01)
As informações sobre o episódio foram divulgadas pelo jornal Vias de Fato (www.viasdefato.jor.br), que faz um trabalho muito sério em São Luís, especialmente dedicado à cobertura da atuação dos movimentos sociais. No seu perfil no Facebook, uma das coordenadoras do Vias de Fato publicou a foto e a informação de que se tratava de uma criança queimada. Estamos apurando e reunindo mais informações para publicar assim que possível.
*O crime não ocorreu segunda (3) como informei. No sábado (31) o jornal Vias de Fato foi informado do episódio, mas não diz em que dia ocorreu. O Vias está fora do ar (algum problema técnico, creio), mas o cache do Google ainda permite a visualização da nota publicada na noite do sábado. Clique aqui.
**Não tenho nada contra o movimento Anonymous, que se identifica através da máscara de Guy Fawkes. Ao contrário, até simpatizo com o grupo, porque seus integrantes agem com estratégia e planejamento. Tenho restrições contra pessoas que dizem combater a corrupção participando de marchas enquanto pagam um salário de fome à empregada doméstica ou sonega imposto de renda.
Novo post com informações atualizadas:

Mais informações sobre criança indígena queimada no Maranhão

Olívia Santana: "Volte pra favela"

 
Foto: Ascom/Setre-BA


O destempero, extravasado como um impulso incontido, revelava o sentimento profundo daquela senhora, acompanhada e apoiada por sua amiga, irritada por estar dividindo com uma negra assumida e resolvida com a sua autoestima, o amplo espaço de um hotel de “elite”, como ela disse. 

Realmente nasci na favela, como a maioria das negras e negros do nosso país. Sou filha de uma doméstica que me criou com amor e admirável esforço, dando-me o pouco, que também era o melhor que ela tinha. 

Senti, cedo, o injusto e desproporcional peso de ser mulher, negra e pobre. Percebi que o estudo e a luta me seriam indispensáveis na peleja da vida. Depois vi que a minha luta era a de outras e outros, semelhantes, negras e negros com histórias que se cruzam, que têm sonhos, apesar de toda a opressão e teimam em buscar um futuro.

É espantoso como o racismo espreita a população negra, interpondo barreiras, a qualquer pretexto e a toda hora, para restringir nossos passos. Age de forma grosseira, como fez a pessoa que me agrediu, no Catussaba. O Racismo forja valores, amalgama a cultura, a estética, se traduz nos critérios estabelecidos, no idioma, nas letras de músicas, nas gracinhas “inocentes”. É absorvido e naturalizado no imaginário coletivo, que legitima lugares hierarquizados, baseados na cor da pele e modulados pelo grau de mestiçagem.

Naquele dia fatídico, em Catussaba, tudo começou quando duas senhoras se dirigiram a mim e uma delas me estendeu a mão, não para cumprimentar, mas para atacar: "saia daqui! Seu lugar é na favela! ", disse e repetiu raivosa. 

Não eram proprietárias do estabelecimento onde estávamos, nem brancas, nem ricas. Porém, agiam na lógica das mentes colonizadas, cultuando valores de uma classe e de um grupo étnico aos quais não pertencem. 

Com sarcasmo e talvez surpresa, uma delas indagou se eu não iria chorar. Um mórbido desejo de conferir se tinha ferido a minha humanidade. 

Naquele momento lembrei-me de Hitler. Ele era o oposto do que idealizava seu trágico delírio de pureza racial. Assemelhava-se mais com os judeus do que com os arianos, e nem alemão era. Distanciava-se dos seres que julgava superiores. A esquizofrenia de seu raciocínio levou ao extermínio de judeus, africanos, homossexuais, comunistas e democratas em geral. 

Mentes deformadas pelo preconceito fixam-se na ideia de que o lugar original dos negros, a favela – antes era a senzala – é o seu lugar de destino, cabendo aos que daí saírem serem lembrados que estão "fora do lugar". 

Estava eu ali na condição de secretária de Estado, a convite da entidade patrocinadora do evento. Mas a lógica discriminatória resiste a aceitar que posições dessa natureza sejam ocupadas por não-brancos ou não-ricos. A pele negra me reservaria, por essa lógica, um lugar de menor valor agregado. E, contudo, ninguém é favelado por obra e graça da natureza. Viver na miséria ou na pobreza é resultado de uma ordem econômica e social injusta, contra a qual deveríamos nos insurgir, em vez de legitimar. 

Há em nosso país uma extrema concentração de riqueza, mais do que há em nações da Europa ou do Norte da América. Seis famílias brasileiras detêm a riqueza de 100 milhões de brasileiros.

Portanto, a maioria dos brasileiros é enxotada para a periferia e uma parte dela cai nas favelas, de onde são recrutadas as trabalhadoras domésticas, os operários da construção civil, os garis da limpeza pública, que tanto contribuem para o bem-estar de todos e das elites. "Favela ê, favela, respeite o povo que vem dela", diz um pagode baiano. Favela não pode ser um xingamento, pois já é um espaço de resistência e reinvenção de humanidades.

Lamentavelmente, um dia depois deste episódio deprimente, morreu no Rio de Janeiro, o jornalista, advogado e ex-deputado constituinte Carlos Alberto de Oliveira. Betinho ou Caó, como era conhecido, foi um baiano que batalhou pela causa antirracista. Foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, a UNE, em 1963, e era presidente da União dos Estudantes da Bahia, a UEB, quando houve o golpe de 1964. Foi autor da emenda à Constituição que tornou o racismo crime inafiançável e da Lei 7.716/89, que regulamentou a prisão para o crime de preconceito e discriminação de raça ou cor, etnia, religião ou procedência nacional. Caó era negro, e fez história porque conquistou espaços muito além dos que lhe queriam reservar. 

Nestes tempos sombrios, de avanço da intolerância, temos e devemos usar o instrumento legal que Caó nos deixou, para exigir que justiça seja feita e para que a Bahia e o Brasil avancem no sentido civilizatório. 


*Olívia Santana é Secretária Estadual de Trabalho Emprego Renda e Esporte da Bahia.

RAFAELA SILVA: PRETO NÃO PODE ANDAR DE TÁXI QUE DEVE ESTAR ROUBANDO

170 anos do Manifesto, uma obra atual

Divulgação
Cena do filme O Jovem Karl Marx
Cena do filme O Jovem Karl Marx


Após 170 anos, a obra dos comunistas que objetivava expor "abertamente, ao mundo inteiro, seu modo de ver, seus objetivos e suas tendências" continua sendo referência da luta dos trabalhadores por uma nova sociedade, sem servidão e opressão, e referência de objetivo a ser combatido pelas classes dominantes que vivem da exploração dos trabalhadores. Como considerou o primeiro biógrafo de Marx, Franz Mehring, em 1917, "uma obra durável e não um panfleto para ser esquecido tão rapidamente quanto lido".

A busca de unidade dos proletários já era ansiada desde o início dos anos 1840 e estava vinculada, também, à educação dos trabalhadores e seus filhos. Em 1843, Flora Tristan, uma ativista francesa, propôs "a união geral dos operários e operárias, de todo o reino, sem distinção de ofícios. Esta união teria por objetivo construir a classe operária e construir estabelecimentos distribuídos por toda a França. Seriam aí educadas crianças dos dois sexos, dos 6 aos 18 anos, e seriam também recebidos os operários doentes, os feridos e os velhos".

No Manifesto estão muitas formulações e definições que foram posteriormente incorporadas às análises econômicas e sociológicas – socialistas ou não. Nele foram divulgadas pela primeira vez, ou passaram a ser mais conhecidas, proposições como a de que, em cada época histórica, a produção econômica e a estrutura social que dela necessariamente decorre constituem a base da história política e intelectual dessa época; de que a luta de classes é o motor da história, desde a dissolução do regime primitivo da propriedade comum da terra; de que a ideologia de uma época é a ideologia da classe dominante; de que a luta de classes é uma luta política; de que o executivo no Estado moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa, de que, na sociedade, tudo que é solido se desmancha no ar etc.

Numa nota à edição de 1888, Engels dá uma sucinta definição das classes fundamentais que se digladiam no capitalismo: "Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social que empregam o trabalho assalariado. Por proletariado, a classe dos assalariados modernos que, não tendo meios próprios de produção, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver".

No primeiro prefácio que juntos escreveram após a primeira edição, em 1872, os autores consideram que os princípios gerais expressados no documento conservavam, "em seu conjunto, toda a sua exatidão". Mas que não se deveria "atribuir importância demasiada às medidas revolucionárias propostas no final da seção II". São dez medidas. A décima não era consenso no movimento trabalhista, à época. Inclusive sequer chegou a constar das reivindicações da Associação Internacional dos Trabalhadores (Iª Internacional, fundada em 1864): a responsabilidade do Estado pela educação, proposta pelos belgas, mas rejeitada pelos proletários franceses – que não queriam injunções estatais na formação de seus filhos.

Hoje, ela é pautada em muitas lutas populares: "10. Educação pública e gratuita a todas as crianças; abolição do trabalho das crianças nas fábricas, tal como é praticado hoje. Associação da educação com a produção material etc". 

Desde a publicação do Manifesto, suas críticas ao capitalismo continuam mais atuais que nunca, em tempos de crise climática, subemprego crônico e desigualdade global. A luta pelo socialismo teve e tem muitos avanços e recuos: a Comuna de Paris, as revoluções soviética, chinesa, vietnamita, cubana etc; a ascensão nazi-fascista, a Queda do Muro de Berlim, o avanço neoliberal... 

Ao lado da inevitável luta proletária, ficou comprovada também a inflexibilidade do capitalismo, o aprofundamento da polarização e da desigualdade. Segundo o World Wealth and Income Database (WID, banco de dados coordenado, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty), os afortunados que integram o grupo do 1% mais rico da população mundial têm, juntos, 20% da renda mundial; enquanto os 50% mais pobres ficam com cerca de 9% dos rendimentos do planeta. A parcela abocanhada pelos mais pobres está estagnada neste patamar desde 1980.

Entre os mais ricos, o rendimento aumentou de 16% do total em 1980 para 20% do total. A concentração de renda dentro dos principais países do mundo aumentou. O Brasil é mencionado como um dos locais mais desiguais do mundo — ao lado da Índia, Oriente Médio e África Subsaariana. De acordo com o relatório, essas regiões são “a fronteira da desigualdade” do mundo atual, ou seja, as áreas do planeta onde a concentração de renda é mais extrema.
O Manifesto e obras posteriores de Marx, Engels e dos que adotaram sua metodologia apontam que as amarras às quais estamos submetidos são feitas, e podem ser mudadas, pela humanidade. À época em que seus autores eram vivos, escreveram vários prefácios para novas edições ou traduções do Manifesto do Partido Comunista que surgiam, ampliando em dezenas de milhares de exemplares as possibilidades de acesso dos proletários ao seu conteúdo. Hoje, ele está gratuitamente ao alcance de um clique na internet em praticamente, se não todas, as línguas do mundo.

Proletários de todo o mundo, leiam-no!



*Carlos Pompe é jornalista.

“Uma mulher ao meu lado repetia ‘unglaublich’ (inacreditável)”: como foi a exibição do filme sobre o golpe em Berlim


Antonio Salvador, brasileiro residente em Berlim, narrou em sua página no Facebook como foi a exibição do documentário “O Processo” na capital da Alemanha. 
O filme “O Processo” de Maria Augusta Ramos, sobre o impeachment da Presidenta Dilma, foi ovacionado ontem no Festival de Berlim. Sala lotada. Nem sombra de ingressos, desde segunda-feira.
Percorrendo os corredores sombrios do Congresso Nacional, o filme consegue a proeza de penetrar as dramáticas personagens da História brasileira recente e exibí-las para além de suas personas.
As lentes e, mais propriamente, o olho da diretora souberam captar a fragilidade, o terror, os pensamentos hediondos, o humano, enfim. O resultado é, estética e dramaturgicamente, perfeito.
Em termos históricos, a diretora produziu o documento cinematográfico mais relevante do nosso tempo.
A reação do público foi uma narrativa à parte. Apenas para se ter uma ideia, o alemão não costuma aplaudir. Quando o faz, é discreto e não se demora. Gritos, nem pensar. Ao final das sessões da Berlinale, há em geral um bate-papo rápido com os diretores.
Pois bem. Eu nunca havia presenciado tamanha explosão no Festival. E não apenas ao final do filme, mas também durante. Houve de tudo: gritos, palmas, gargalhadas. Na fileira em que eu estava, só havia alemães.
Eles tem a mania de dar um tapa no ar, quando consideram algo absurdo ou ridículo. Era essa a reação frequente tão logo assomasse na tela a cara de Janaína Paschoal, Aécio, Cunha, Aloysio.
Uma mulher ao meu lado repetia incessantemente “unglaublich…” (inacreditável). Fiquei cismado sobre se as pessoas compreendiam o enredo kafkiano do processo. Ao final, perguntei à mulher e ela evocou os olhos dos julgadores! “Schau mal die Augen!” Só compreendi depois. Com efeito, assim é o cinema… Amplia-se um olho e ele logo contradiz a boca. Assim é a vida.
O estertor de aplausos foi demorado. Os gritos de “bravo!”, idem. Muitos críticos, jornalistas de todo o mundo, gente de cinema.
Salvo engano, foi em 2012 que conheci Maria Augusta. Aqui e acolá nos encontramos. Em comum, o fato de pertencermos à diáspora de artistas brasileiros.
Quando tudo acabou, ela me disse: “Parece que eles entenderam, não?”.
Visivelmente.

Cachaça, a musa maldita

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Por Maurício Ayer*
A cachaça está na história do Brasil há pelo menos quatro séculos e, no entanto, ainda há muito o que aprender sobre ela. Pode-se inverter essa proposição e entender que, se a cachaça participa da vida do povo brasileiro há tanto tempo, é bem possível que ela possa nos ensinar muita coisa sobre nossa cultura, nossa história, nossas subjetividades. Pensando nisso, resolvi me dedicar a pesquisar como a cachaça aparece na literatura brasileira e refletir sobre o que ela revela. Ao mesmo tempo, degustar algumas das melhores cachaças produzidas hoje em dia, com a convicção de que o paladar ensina muito e em um nível que outros sentidos não alcançam.
Certamente, pagamos um preço por não conhecer bem a história da cachaça. Por exemplo, há quem afirme que o Brasil viveu um ciclo econômico da bebida, entre a crise do açúcar após 1654 – quando os holandeses, expulsos de Pernambuco, vão se instalar e produzir açúcar no Caribe – e o início da exploração do ouro em Minas Gerais, já no alvorecer do século 18. Nesse período, a cachaça ajudou muito a segurar economicamente os engenhos, por ser produto muito valorizado nessa era de grandes navegações. Mas quem aprendeu isso na escola? Será que o problema é falar de uma bebida alcoólica para crianças? Mas será que, ao falar de sua cultura e história para as crianças, os italianos e franceses omitem o vinho; os japoneses, o saquê; os escoceses, o whisky?
Será que ainda é um tabu falar seriamente de cachaça? Lembrando que seriedade não é tristeza; falar sério é falar com consistência, procurando fundamentos, dados, análise. E para isso não é preciso deixar de lado a alegria, o afeto, o humor que, fatalmente, participam do universo da cachaça.
Enquanto isso, muitas são as lendas – quando não mentiras deslavadas – a respeito da cachaça. Ao circular, distorcem e falseiam a compreensão sobre nossa cultura. Quem nunca recebeu pelo whatsapp ou Facebook a história de que a cachaça seria uma invenção acidental de escravos, que teriam deixado azedar o melaço da cana e, para fugir do castigo do feitor, tentaram fazer açúcar no tachão assim mesmo? O resultado teria sido produzirem cachaça, que evaporou, condensou nas telhas e pingou lá de cima – por isso, a “pinga” – nas costas desses trabalhadores compulsórios, fazendo arder as feridas abertas em castigos físicos prévios – por isso “aguardente”. Essa bobagem não tem pé nem cabeça, não tem qualquer fundamento histórico nem técnico, restando tão somente um certo substrato ideológico.
Que substrato? O de que cachaça, por ter sido durante um período associada às pessoas miseráveis, seria coisa de escravos, como uma maneira de depreciá-la; também que os escravos criam coisas por acidente – ainda assim geniais, veja só. É certo que os negros escravizados e, depois, trabalhadores livres participaram da evolução da cachaça, mas não é essa a questão: a lenda reafirma a ideia de que as nossas melhores coisas fossem fruto do puro acaso, nós brasileiros seríamos algo assim como geniais incompetentes. Ressoa a velha anedota de que o Brasil surgiu de um erro – suas boas coisas não podem ser fruto de um projeto deliberado, inteligente, criativo, empreendedor, em função de forças históricas que as tornaram possíveis e, até, necessárias.
Rever ponto a ponto essa lenda urbana nos devolve um pouco à lucidez (às vezes é bom, mesmo quando o assunto é giribita). A primeira questão, claro, é que não se cria um destilado assim por acidente, ainda mais quando a tecnologia da destilação era uma coisa dominada pelos europeus e árabes muitos séculos antes de os portugueses toparem com as Américas. Eles mesmos já produziam seus destilados. Tinham a bagaceira, feita a partir da fermentação do bagaço da uva usada para produzir vinho (processo semelhante ao da grappa italiana), e a chamada aguardente vínica, a partir da fermentação de um vinho doce (processo parecido com o do cognac francês).
Um fermentado pode ser descoberto por acaso e depois aprimorado, mas um destilado não. A produção deste requer equipamento especializado: um destilador – um deles é o alambique, por exemplo –, cuja origem remonta à Grécia antiga, mas que permaneceu conhecido entre árabes e alquimistas ao longo da Idade Média. Várias bebidas destiladas foram criadas antes do século 16, como o whisky e a vodca, e são portanto mais antigas que o próprio Brasil. Então, dentre todas as incertezas que temos a respeito da origem da cachaça, podemos excluir uma: a cachaça não foi produzida por acaso, mas sim fruto de um ato intencional e deliberado pelos portugueses, usando alambiques – de barro? de metal? – trazidos em navios da Europa. Sem alambique, o álcool evapora e dispersa no ar. É evidente, não? Mas muita gente propaga a historinha pelas redes sociais.
Aí vêm as lendas sobre as palavras que nomeiam essa bebida. O próprio nome cachaça é de origem controversa. Não se sabe ao certo em que momento surgiu e passou a ser usado para denominar o destilado brasileiro. Há registros, ainda no século 18, de que nomeava a espuma do caldo de cana fermentado, nada muito elogioso… Segundo o antropólogo e folclorista Luiz da Câmara Cascudo, no seu Prelúdio da Cachaça e na História da Alimentação no Brasil, a palavra designava o vinho de borras já no século 16, mas, embora usada em Portugal, tinha origem espanhola e por isso havia alguma resistência a ela, pois soava estrangeirismo.
Vamos ao que diz a historinha mequetrefe, pois ela vai nos levar a um ponto interessante nessa convergência de conhecimento entre literatura brasileira e cachaça. A começar, aguardente: é uma palavra antiquíssima! De origem latina: acqua ardens, a água que queima, a água que contém o fogo – numa mágica fusão de elementos alquímicos opostos. Trago aqui um trecho citado por Câmara Cascudo:
O erudito A. da Silva Mello, [no livro] Alimentação, Instinto, Cultura […] ensina: ‘Os próprios vinhos concentrados, citados por velhos autores gregos, não deviam ser mais ricos em álcool, porque sua maior concentração era obtida à custa de aquecimento, de calor, que fazia evaporar boa parte do álcool, substância muito volátil. Foi somente no século VIII que Marco Graeco conseguiu obter uma bebida concentrada, por ele denominada acqua-ardens, e que provinha da destilação do vinho. Mas tal descoberta deve ter tido pouca repercussão, pois não foi senão pelo século 13 que começou seu uso a se generalizar, então sob o nome de acqua-vitae e espírito de vinho’.
Vitae, “da vida”, substituiu ardens, ou o ardor, o fogo. A “água da vida” seria então a água que traz a chama acesa, capaz de intensificar a vida, animar – dar alma, espírito. Sabe-se que a palavra “whisky” tem esse mesmo significado na origem: água da vida. Então a primeira denominação da cachaça é aguardente, porque já havia a aguardente em Portugal, a bagaceira; cachaça passou a ser a “aguardente da terra”, por oposição à “aguardente do reino” (ou “de fora”).
Pinga é uma palavra muito posterior, também de origem não totalmente identificada como sinônimo de cachaça. Fala-se que deve-se ao fato de, no alambique, o líquido destilado “pinga”. Poderia ser, mas a imagem tampouco é muito precisa, pois no alambique o destilado escorre, não pinga. E não é raro alguém, em conversa de bar, fazer uma distinção de qualidade da seguinte ordem: “Isso é cachaça de verdade, não aquelas coisas que vendem em bar, aquilo lá é pinga”. Nessa oposição, a palavra pinga serve para designar bebidas de produção industrial, que não usam alambique mas sim os chamados destiladores de coluna – ou colunas de destilação. E aí, como é que fica a história de que pinga tem esse nome porque o alambique pinga, se agora a gente chama de pinga justamente aquilo que não é feito em alambique? Tem alguma coisa que não fecha.
Para chegar logo ao ponto, gostaria de trazer um caso literário. Num romance intitulado Maurício ou Os paulistas em São João del Rei, de 1877, do final romantismo brasileiro, o escritor mineiro Bernardo Soares descreve uma cena em que as pessoas entram em uma casa para tomar “uma pinga”:
“– Brucho!?? esta bem?… entrem que está fazendo frio… tomemos uma pinga e conversemos de portas a dentro… hoje em dia os negocios não estão de se facilitar…” (p.180)
A seguir, percebe-se que, ao contrário do que hoje poderíamos supor, a partir de nosso vocabulário de hoje, não é cachaça o que estão tomando, mas sim um “vinho zurrapa”.
“Entrárão os emboabas, que erão quatro, e mar cotando broa fria com vinho zurrapa, conversavão sobre o caso.” (p.181)
“Vinho zurrapa” não seria mais uma denominação de cachaça? Não, é um vinho vagabundo mesmo. Isso se confirma mais adiante no mesmo livro, pois numa expedição na mata um português leva um cantil com “agoardente”.
“– Se ainda temos caminhada como esta, que até aqui temos aguentado, ah! meu bugre velho, furo-te esses olhinhos de vibora! – rosnou outro arrojando aos olhos do bugre um resto de agoardente, que acabava de beber.” (p.267)
Então o que se percebe é que a “pinga” neste livro designa “um copo”, um gole – ou seja, uma quantidade, sem especificar a bebida. Pode-se então supor, como hipótese, que em um período da história se entrava em uma venda para pedir “uma pinga” e que, como a aguardente era o padrão, essa pinga era de cachaça. A “pinga de cachaça” teria evoluído para pinga apenas, querendo dizer cachaça. Como quem diz “vou tomar dois dedinhos”. Pode-se afirmar isso com certeza? Ainda não, mas temos uma boa hipótese. Cabe pesquisar e confirmar.
A citação de Bernardo Guimarães é um exemplo que mostra como a literatura pode ensinar sobre cachaça. Por certo que há muito mais sentidos implicados nos trechos citados. De fato, cada livro propõe muitas descobertas nesse cruzamento entre literatura e cachaça.
Guimarães Rosa, por exemplo. Ao longo de toda a sua obra, a cachaça aparece, por ser “personagem” de uma sociedade, de uma paisagem, seja como parte da hospitalidade do sertanejo, seja como produto que circula entre vaqueiros e tropeiros. Mas aí nos deparamos com uma história como “Meu tio, o Iauaretê”, em que a cachaça tem um papel central. Serve, aliás, para nos fazer repensar simbolicamente o encontro fundador de brancos e índios, que se repete tragicamente no decorrer da história do Brasil – cite-se o episódio emblemático do Anhanguera, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, que teria queimado aguardente diante dos índios para mostrar-se como um poderoso mago capaz de pôr fogo em água. Mas Guimarães Rosa vai muito além, e cose referências da tradição cultural europeia ao mesmo tempo em que cria uma panela de fermentação e destilação de uma nova língua; ao ponto de ser considerado este texto, segundo Haroldo de Campos, aquele em que o autor mineiro levou mais longe sua experimentação com a linguagem.
Ou se falarmos de Jorge Amado – não falta cachaça no cais do porto da Bahia, ou em Ilhéus ou por toda parte onde ele situou suas histórias, e isso obviamente aparece nos textos. Mas em um livro como A morte e a morte de Quincas Berro D’água, a cachaça assume um papel simbólico totalmente distinto. Ali a aguardente renasce como água da vida, elemento que participa da abertura dos portais entre a vida e a morte, evidentemente não sem evocar a tradição das religiões afrobrasileiras, em que a cachaça é ofertada a Exu, que abre aos homens os caminhos para o plano dos orixás.
É assim que esta pesquisa dos cruzamentos entre Literatura Brasileira e Cachaça está acontecendo há alguns anos – e sem hora para acabar, pois há um universo imenso a ser percorrido. Foram selecionados 11 autores, de maneira até um tanto arbitrária, pois há dezenas de outros e de obras que poderiam ser abordados e que deverão sê-lo no futuro. Esta é, digamos, a primeira temporada de uma longa viagem lítero-cachacística.
Cada região do Brasil produziu grandes autores, o que faz de nossa literatura uma das mais ricas e diversas do mundo. Nesse aspecto, o paralelo com a própria cachaça é evidente. Nenhum destilado do planeta é tão diversificado como a nossa aguardente, fruto dos distintos processos históricos de ocupação do território e de uma relação profícua com a natureza local. Assim, a aguardente que surge nos engenhos de Pernambuco e Bahia no século 17 não é a mesma que se formou pelos caminhos do ouro no século 18, ou mesmo aquela que os tropeiros levaram ao sul do país e que depois adquire novas peculiaridades com a influência de imigrantes italianos e alemães.
Ao longo da história, a cachaça desdobrou-se em uma multiplicidade de estilos, com o uso de dezenas de madeiras de envelhecimento na confecção de seus tonéis, de modo que sua diversidade só tem paralelo no mundo dos fermentados, como o vinho e a cerveja. Ao abordar a literatura de autores tão diferentes quanto José Lins do Rego e Mário de Andrade, Cecília Meireles e Antonio Callado, temos um bom pretexto para conhecer cachaças que possam ser evocadas por essas leituras, e apreciadas em sua especificidade.
É bom lembrar que, nos últimos 30 anos, e com muita intensidade nos anos recentes, a cachaça vem passando por uma verdadeira revolução. Muitas marcas e rótulos novos surgem, aprimorando sua qualidade e inovando na produção, na apresentação e no serviço. Pode-se dizer que hoje a cachaça é muito diferente do que era pouco tempo atrás – está melhor, ainda mais diversa, mais altiva, mais consciente de seus processos.
Aliás, há toda uma cena da coquetelaria brasileira em ebulição, na qual a cachaça vem sendo francamente revalorizada. Além, claro, de sommeliers e sommelières, pesquisadores e pesquisadoras, especialistas de diversas áreas, que têm dado uma contribuição enorme em várias frentes. Então, uma das ideias desses encontros é também que se possa conhecer uma amostra da produção contemporânea de cachaça, entendendo o “contemporâneo” como a convivência entre tradição e inovação, entre produtores consagrados, antigos, e os novos que chegam injetando oxigênio e inventividade nesse universo.
Como serão os encontros? Acho que o trecho a seguir de José Lins do Rego, o primeiro dos autores da série, dá uma ideia do que vamos ter:
Na destilação, como nas farmácias do interior, os moradores se encontravam em conversa. O estribeiro, alguém que viesse em visita ou a negócio, o destilador João Miguel, e a palestra pegava, devagar, no manso, sem uma palavra mais alta, mas com gargalhadas de estrondo. João Miguel era branco, sabia ler e tinha com ele sempre as histórias de Antônio Silvino, lendo para os outros. – José Lins do Rego, Banguê.
Gostaria que os nossos encontros acontecessem como essa reunião informal ao lado do alambique que o escritor paraibano descreveu. Pessoas que se encontram pelo prazer de conversar, compartilhar leituras e histórias, e rir juntas, tudo em torno da cachaça.
Não será preciso ler os romances antes de cada encontro, embora, claro, quem tiver feito essas leituras poderá aproveitar mais. Vamos ler trechos das obras, com destaque para aquelas em que aparece a cachaça, e conversar a respeito para entender esses trechos em perspectiva, saboreando a poética de cada autor, mas também os possíveis desdobramentos simbólicos de cada obra. Para quem ainda não leu, o encontro funciona como uma introdução; para quem já leu, é uma apreciação especial a partir de certa perspectiva.
E vamos degustar cachaças, pelo menos duas que possam evocar conexões com o autor ou a obra em questão, e às vezes mais uma “infiltrada”, trazendo um tempero de outra região, com outras características.
*Este é o primeiro artigo de uma série publicada pelo portal Outras Palavras