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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Ednardo se manifesta contra nome de sua canção “Pavão Mysteriozo” em grupo bolsonarista

Foto: Reprodução
A hashtag @pavãomisterioso caiu nas redes com memes que se referem a Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro e responsável pelas redes sociais do pai durante a campanha.

O cantor e compositor cearense Ednardo Sousa se manifestou, nesta segunda-feira (18), através de sua conta do Facebook, contra o uso do nome de sua canção “Pavão Mysteriozo”, em um grupo de extrema direita no Twitter com o objetivo, segundo ele, de “descredibilizar o jornalista profissional Glenn Greenwald e fazer campanha difamatória visando sua expulsão do Brasil”.

O TÍTULO DE UMA DE MINHAS MÚSICAS – PAVÃO MISTERIOSO.

Existem indícios que a iniciativa parte de grupo de extrema direita plantado no atual governo 2019, que visa descredibilizar o jornalista profissional Glenn Greenwald e fazer campanha difamatória visando sua expulsão do Brasil.

Caso este grupo do twitter (do qual se sabe sua origem) não retire este título, vamos procurar todas forma possíveis de processá-los.”


Coincidência ou não, pouco tempo depois da postagem de Ednardo, o grupo sumiu da rede social. O cantor comemorou: “Os caras se mancaram por si próprios, nem vou precisar dizer os nomes dos mentecaptos. Mas penso que eles viram a força de vocês todos, e com isto não se brinca. Se voltarem, voltaremos à carga da indignação”, 
Fonte: Revista Fórum

INTOLERÂNCIA - Rede Nossa São Paulo identifica omissão da prefeitura no combate à LGBTfobia

Seis em cada dez paulistanos consideram importante a elaboração de políticas públicas municipais que promovam a igualdade de direitos para a comunidade LGBTQI+

 

Pesquisa constata percepção negativa de paulistanos em relação às políticas públicas voltadas à comunidade LGBTQI+ na cidade de São Paulo

São Paulo – A percepção de paulistanos em relação às políticas públicas voltadas à comunidade LGBTQI+, na cidade de São Paulo é negativa. De acordo com a pesquisa Viver em São Paulo: Direitos LGBTQI+, da Rede Nossa São Paulo, 25% da população acredita que a administração municipal não faz “nada” no combate à LGBTfobia e 43% consideram que “faz pouco”. O levantamento mostra ainda que os paulistanos enxergam a cidade como mais intolerante.  Em 2018, o índice de pessoas que classificava a cidade como tolerante era de 50%, enquanto neste ano esse número baixou para 40%. Para Vítor DiCastro, ator e integrante da página Quebrando o Tabu, as pessoas tomaram um pouco mais de consciência após o resultados das últimas eleições.

“Diversos políticos conservadores e violentos, como Jair Bolsonaro, ganharam espaço e as pessoas que não sofriam essa intolerância acordam. Não foi a cidade que ficou mais intolerante, mas as pessoas que acordaram”, afirmou, durante a apresentação da pesquisa. Ele ainda conta que foi na capital paulista que foi vítima de homofobia pela primeira vez, após sair de Caçapava, sua cidade natal, no interior paulista. “No interior a visão das pessoas é muito limitada. Eu vim para São Paulo acreditando que era a Nova York brasileira, sendo tolerante e diversa. Assim que eu mudei para cá sofri o primeiro ataque homofóbico físico e direto.”
Rede Nossa São Paulo identifica omissão da prefeitura no combate à LGBTfobia
Políticas públicas

Os dados da Rede Nossa São Paulo revelam que três em cada cinco paulistanos consideram importante a elaboração e implementação de políticas públicas municipais que promovam a igualdade de direitos para a comunidade LGBTQI+. Para 29% é “muito importante” e para 31%, “importante”. Apenas 11% consideram “nada importante”.

Na avaliação do coordenador geral da entidade, Jorge Abrahão, apesar do contexto nacional pouco favorável, com o governo Bolsonaro, as gestões municipais não podem se omitir. “O governo federal tem agido com retrocesso. Então, as cidades precisam ter um protagonismo. Não é porque a esfera federal trabalha de forma retrógrada que as cidades não podem criar políticas públicas”, afirmou Abrahão.

Mais da metade da população paulistana também apoia a criação de uma lei que criminalize a LGBTfobia: 55% das pessoas. No último dia 14, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou crime a prática de homofobia. Entre as pessoas favoráveis, a maioria é de mulheres e jovens. Já o maior público contrário à criminalização está entre os homens e pessoas com idade entre 35 e 44 anos.

Apesar de a população manifestar apoio ao combate da LGBTfobia, Vitor lembra que ainda há muita resistência para que outras medidas sejam reconhecidas pela sociedade. “A gente precisa buscar políticas públicas para que as pessoas entendam o que é empatia e solidariedade. A sociedade é preconceituosa, onde muitos são a favor da criminalização da homofobia, mas ao mesmo tempo é contra casais gays adotarem crianças. É um limite que eles colocam e falam: vocês podem chegar até aqui, mas só”, critica.

Preconceito

A pesquisa também mostra que 40% dos entrevistados sofreram ou presenciaram alguma situação de preconceito por causa da orientação sexual ou identidade de gênero. Segundo os dados, espaços públicos e transporte público são os mais citados (37%), seguidos de instituições de ensino (32%) e bares ou restaurantes (31%).

A assistente social Fernanda Gomes de Almeida, integrante da Coletiva Luana Barbosa, diz que sente esse preconceito no bairro em que reside, onde não consegue andar de mão dada com a companheira, muito menos se sentir segura. E lamenta que o preconceito não afeta apenas o casal. “Eu tenho um filho de 9 anos. Recentemente, levei ele a uma festa junina e não consegui ficar perto da minha esposa, porque tinha medo do que poderia acontecer com ele. Meu filho é uma vítima indireta da lesbofobia. Por isso, mesmo com a decisão do STF, não acho que ficarei mais segura andando na rua com minha esposa”, disse.

Entre as pessoas que sofreram ou presenciaram situações de preconceito por conta de orientação sexual ou identidade de gênero destacam-se mulheres pretas ou pardas, que têm entre 16 e 24 anos, com escolaridade média e renda familiar mensal de até dois salários mínimos.

A pesquisa revela que 26% da população paulistana não se informa sobre os direitos LGBTQI+. Para VitorDiCastro, do Quebrando o Tabu, as pessoas ainda ignoram a importância de políticas para a comunidade. “Elas não buscam informação, mesmo ela sendo entregue e mastigada. Isso é falta de empatia, e medo de perder privilégios. Quando vejo essa quantidade de pessoas, é difícil saber como sensibilizá-las”, lamentou.

Celso Marconi: Elisa y Marcela, um caso homossexual no cinema

A homossexualidade é um tema em plena atualidade – e certamente um filme que o tenha em primeiro plano atrairá muito público. É o que acontece com a obra Elisa y Marcela, uma produção da Netflix com direção da cineasta espanhola Isabel Coixet, de Barcelona. Sem dúvida, é uma tática da empresa, que escolhe bem o que vai produzir, como foi o caso de Roma, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón.
Por Celso Marconi*
  • Cena do filme <i>Elisa y Marcela</i>, dirigido pela cineasta Isabela Coixet e lançado pela Netflix
  • Eles estão jogando tudo no processo streaming para exibição de filmes, pois sabem que esse é o sistema que vencerá. É muito importante notar: as salas de cinema em todos os padrões já são objeto do passado. Nem mesmo o DVD, que poderia ser utilizado pelos espectadores em casa, não está mais sobrevivendo.
Elisa y Marcela não é uma produção vazia e sem drama. O filme não cansa o espectador e nem o constrange, pois toda estória é desenvolvida com um clima gentil de se ver, até mesmo nas cenas de sexo que acontecem entre as duas personagens jovens.
O filme, mesmo sendo feito para o streaming, foi exibido este ano na Berlinalle em Berlim. Coixet é uma diretora de 60 anos de idade, que nasceu em Sant Adrià de Besos, Barcelona, e tem uma larga produção cinematográfica, com bastante repercussão nos principais mercados exibidores, inclusive no Brasil.
Temos que destacar o trabalho cenográfico, tanto na parte espanhola quanto em Portugal. Não se pode deixar de perceber como o alto funcionário de Portugal e inclusive o governador da província se esmeram em tomar decisões que pudessem contrariar os funcionários espanhóis.
As jovens atrizes que vivem as duas personagens se mostram em perfeito clima de naturalidade, como se realmente fossem as duas jovens Elisa Sánchez Loriga e Marcela Gracia Ibeas. Como jornalista e especialista em História Contemporânea, a cineasta Isabela Coixet consegue realmente transformar essa estória em algo muito palatável, sem perder a dinâmica histórica.
* Celso Marconi, 89 anos, é crítico de cinema, referência para os estudantes do Recife na ditadura e para o cinema Super-8