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Atrofia cultural

O cartunista  Miguel Paiva  afirma que a cultura brasileira segue ameaçada. Ele diz: “um país como o Brasil não pode ser entregue a ini...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Ricardo Boechat morre em queda de helicóptero


Reprodução
Jornal GGN – O jornalista Ricardo Boechat foi um dos que perderam a vida em queda de aeronave, hoje, em São Paulo. Piloto e copiloto também morreram carbonizados após a queda da aeronave em rodovia Anhanguera, zona oeste de São Paulo.
O Corpo de Bombeiros, logo após o acidente, informou que duas pessoas tinham morrido com a queda do helicóptero sobre um caminhão no Rodoanel, na altura do quilômetro 7, que dá acesso à rodovia Anhanguera. No caso, as vítimas seriam o piloto e copiloto da aeronave. Somente mais tarde veio a confirmação de que o jornalista era um dos ocupantes do helicóptero.
Boechat trabalhava no Grupo Bandeirantes, apresentando dois programas: A Notícia com Ricardo Boechat, na Rádio, e o Jornal da Band, à noite na TV. Além disso, ele tinha uma coluna na revista IstoÉ. O jornalista ganhou três prêmios Esso e é também o maior ganhador do Prêmio Comunique-se.

JÁ VAI FAZER 10 ANOS QUE O SHOPPING ORLA SUL FECHOU E VOCÊ NEM LEMBRAVA MAIS DELE


Shopping Orla Sul na avenida engenheiro Roberto Freire
foto de Fábio Cortez-04/12/07

Obter fotos do Shopping Orla Sul é coisa rara da internet, talvez porque ele teve uma vida breve na capital potiguar.
Ele ficava na Av. Roberto Freire, onde hoje é a UNP, lembra? Pois é, em Outubro de 2009, depois de míseros 4 anos de funcionamento, ele fechava as portas encerrando suas 45 lojas, com exceção de sua âncora, as Lojas Americanas, que se encerraria só em Janeiro do ano seguinte.
O Orla tinha a pretensão de abrigar 85 lojasquatro âncoras e três salas de cinema, mas, segundo seus fundadores, ele foi engolido pela expansão do comércio varejista local.
O administrador do Shopping, Eduardo Patriota, atribuiu a não “decolagem” do empreendimento ao surgimento do Shopping Midway Mall, que sofreu uma grande expansão em Abril de 2009 inaugurando 80 lojas, e de hipermercados como Extra, e revelou que haviam negociações desde janeiro de 2008 para a venda das instalações à Universidade Potiguar, que já operava ali antes do nascimento do shopping.

Foto: http://natal-rncidadedosol.blogspot.com

“A presença da Laureate Education Inc dentro da UNP apenas reforçou a necessidade da transferência das instalações para a Universidade”, afirmou Patriota à Tribuna do Norte na época. Era o início das atividades com pós-graduação da faculdade.
“Chegou o momento que sentimos que era mais vantajoso negociar com uma multinacional do que investir em mais 85 lojas para o shopping”, acrescentou Patriota. O valor do negócio não foi revelado: “Digamos que foi uma transação razoável para as duas partes”, finalizou.

Foto: Tribuna do Norte

As lojas começaram a fechar as portas em maior número em Janeiro, quando já parecia claro que o Orla não se manteria funcionando. Um lojista contou ao repórter Marcelo Hollanda, da Tribuna do Norte, que havia inquilinos de lojas que não pagavam aluguel há mais de dois anos, o que só piora o problema. Patriota argumentava que o valor dos aluguéis era bem baixo para o mercado, e alguns lojistas diziam o contrário.
O Orla Sul foi resultado de muita expectativa do grupo fundador, já que foram investidos R$ 35 milhões no empreendimento, e a previsão deles depois de inaugurado era de que cerca de 350 mil pessoas transitassem por seus corredores mensalmente.
Você chegou a passear por lá?
Com informações de Marcelo Hollanda (Tribuna do Norte) e o Curiozzzo.

DITADURA - Abin espiona bispos e cardeais. Heleno anuncia combate à igreja católica

heleno bolsonaro abin
Heleno Nunes, chefe da Abin, revela que governo Bolsonaro espiona padres e bispos que se preparam para participar de encontro no Vaticano que vai debater situação da Amazônia
Abin relata articulação de cardeais com o papa Francisco, considerado "comunista" por Bolsonaro, para o Sínodo sobre Amazônia, reunião no Vaticano que governo trata como "agenda da esquerda".
São Paulo – Reportagem do O Estado de S. Paulo, divulgada neste domingo (10), mostra que o governo Bolsonaro enxerga como "ameaça comunista" a atuação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de órgãos católicos associados, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e as pastorais Carcerária e da Terra.  O alerta ao governo veio de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares. 
O jornal aponta que a equipe do presidente considera a Igreja "uma tradicional aliada do PT" e que pretende liderar debates em conjunto com a esquerda. Os informes relatam recentes encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre Amazônia, que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todos os continentes. Francisco é visto como "comunista" pelo governo Bolsonaro, eleito com grande votação de evangélicos.
O encontro do clero irá debater a realidade de índios, ribeirinhos e povos amazônicos, além de políticas de desenvolvimento da região, mudanças climáticas e conflitos agrários. A existência dessa conferência motivou preocupação do governo, que vê as pautas como "agenda da esquerda".
A reportagem traz declarações do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmando que o governo "está preocupado" com a os preparativos para aquele encontro da igreja católica mundial. "Queremos neutralizar isso aí", declarou o responsável pela contraofensiva.
Um militar da equipe de Bolsonaro afirmou à reportagem do Estado, em condição de anonimato, que o Sínodo vai contra toda a política de Bolsonaro para a região e deverá "recrudescer o discurso ideológico da esquerda".
O Sínodo, batizado de  "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral", terá como diretrizes: "Ver" o clamor dos povos amazônicos; "Discernir" o Evangelho na floresta. O grito dos índios é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito; e "Agir" para a defesa de uma Igreja com "rosto amazônico", e deverá ser atendido por 250 bispos.
"Se os bispos fazem crítica é querendo ajudar, não derrubar. Eles sabem onde o sapato aperta. Vão falar da situação dos povos e do bioma ameaçado. Mas não para atacar frontalmente o governo", rebateu D. Erwin Kräutler, Bispo Emérito do Xingu (PA).
"O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia. A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso", declarou Heleno.
Para tentar conter as possíveis denúncias da Igreja, escritórios da Abin em Manaus (AM), Belém e Marabá (PA), além de Boa Vista (RR), responsável pelo monitoramento de estrangeiros em Raposa Terra do Sol e terras ianomâmi, serão direcionados para monitorar, em paróquias e dioceses, as reuniões preparatórias para o Sínodo. 
O governo solicitou também participar do Sínodo, mas lideranças católicas dizem que governos não costumam participar dessas conferências, que terão a participação do Papa Francisco.

NOVOS VALORES - Bienal da UNE: Bolsonaro acabou com o ministério, mas não com a cultura

Juventude na Bienal da UNE
Vindos dos quatro cantos do Brasil para o primeiro grande evento dos movimentos sociais do país sob a presidência de Jair Bolsonaro, estudantes se dizem motivados para atuar dentro do campo progressista
Chegados a Salvador de todos os cantos do país, estudantes relatam motivações para a luta pelo restabelecimento da democracia, com o devido reconhecimento do direito de todos à plena cidadania.
Salvador – Todas as manhãs, desde a quinta-feira (7) dezenas de ônibus chegam ao campus Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), trazendo centenas de estudantes que, carregados de esperança, trazem em comum o objetivo de construir a unidade contra os avanços reacionários. Na 11ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), a juventude abastece sonhos e desejos de um futuro promissor e constroi uma nova aurora para os atuais tempos de escuridão.
Vindos dos quatro cantos do Brasil, os estudantes se dizem motivados para enfrentar o que for preciso para participar ativamente do primeiro grande encontro organizado por um dos principais movimentos sociais do país, desde a posse de Jair Bolsonaro (PSL) como Presidente da República – e sua agenda de retirada de direitos.
Ralf Amaral passou quase três dias no ônibus que saiu do campus de Passo Fundo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), onde estuda. Apesar de não fazer parte de nenhum movimento organizado, ele fala de sua vontade de fazer parte da construção de um espaço democrático.
"Vivenciar esse momento de fortalecimento do movimento estudantil é extremamente essencial", contou ele, que teme o fim das universidades federais. "Nós, como estudantes, devemos defender o direito ao acesso à educação. O medo prevalece, mas no entanto é o momento para partir à luta. O Brasil estava parado e desmobilizado, mas devemos permanecer juntos."
O evento organizado pela UNE, em parceria com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), tem como objetivo colocar – mais uma vez – o movimento estudantil na linha de frente da luta contra os retrocessos patrocinados pelo governo Bolsonaro.
Para essa moçada, é preciso não dar aos adversários o que eles querem: a desmobilização, os desmontes dos avanços na democratização da educação, sobretudo a pública e a desesperança da juventude.
A estudante Rebeca Calgaro também passou mais de dia na estrada rumo à Salvador. Aluna de psicologia na Universidade Federal de Goiás (UFGO), diz que buscou motivação para a viagem pensando em carregar suas próprias energias e levar aos colegas. "Esse evento é importante para discutir quais as saídas progressistas dos jovens para defender o país e a educação pública. Eu venho para cá pegar forças do Brasil inteiro e ver que não estou sozinha", afirmou à RBA.
Já Ian Ribeiro da Silva, aluno de Ciências Sociais na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), veio à capital baiana pensando no futuro e com fé na unidade da galera. "Se nós não nos organizarmos, a universidade não existirá para nossos filhos estudarem. Essa unidade é importante. Se os estudantes se digladiarem por causas menores, a derrota principal será para a futura geração e todos os ganhos que tivemos nos últimos anos serão em vão", afirmou, lembrando os avanços das políticas educacionais dos governos Lula e Dilma, entre 2003 e 2016.
Outros também enxergam a bienal como uma oportunidade de adquirir conhecimento e ganhar voz. A estudante secundarista Leila Braga da Costa conta que saiu de Manaus, capital do Amazonas, no último domingo (3) para colher informações, formar posições e levar o debate para sua escola. "A gente busca algum ponto para se articular. É uma oportunidade de aprender a ampliar nossa voz e reverberar na região que eu moro. Isso vai ser importante para a mobilização nacional", contou, sem esconder a empolgação.
Pedro Gorki, presidente da Ubes, espera que a juventude não perca "a capacidade de sonhar de olhos abertos". Ele cita o poeta baiano Castro Alves (1847-1871) como inspiração para continuar na luta. "Ele sempre falou que "todas as noites tem auroras". A gente sabe que hoje pode ser uma grande tempestade, que tudo está escuro. Porém, depois da chuva, vem o arco-íris e depois da noite, o amanhecer."
MATHEUS ALVES/CUCA DA UNE

Pedro Gorki

União acima de tudo

Colocar em prática a frase "ninguém solta a mão de ninguém" é o principal mote nesta Bienal da Une, fortalecido sobretudo pela derrota dos setores progressistas experimentada nas eleições presidenciais do ano passado e a chegada ao poder de um governo autoritário, fundamentalista e privatista.
A construção de uma resistência fortalecida pelo unidade e pelo apoio mútuo é prioridade e forma a linha-mestra do encontro. O espírito de união pode ser uma maneira de trazer novos estudantes para o movimento, acreditam eles. "Não nos iludimos com o Bolsonaro, somos a vanguarda da luta", diz Manoel Ferreira Filho, estudante de Pedagogia da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.
A presença de quase dez mil estudantes em Salvador aponta também para o fortalecimento das entidades representativas dos movimentos estudantis durante os próximos anos. Renata Campos, presidenta da União da Juventude Socialista (UJS), afirma porém que manter a unidade será fundamental para o enfrentamento dos retrocessos esperados sob a gestão Bolsonaro e pede que os setores progressistas da sociedade deixem as divergências de lado. "Temos uma questão maior: a defesa do nosso país e da democracia."
"A UNE pede uma unidade entre todos os movimentos. É preciso o maior número de estudantes para enfrentar o Bolsonaro. A gente sabe que a pauta é de retrocesso, então é importante que todos os movimentos sociais estejam unidos", convoca Leonardo Lima, secretário da União Nacional LGBT.

As diversas faces da Bienal

Apesar das críticas e apontamentos para os erros do campo progressista, uma afirmação é unanimidade entre todos os estudantes: os avanços proporcionados durante 13 anos na inclusão de jovens nas universidades. Se anteriormente havia uma total dominação de brancos e ricos nas salas de aula, a Bienal mostra que o espaço estudantil, agora, é ocupado por mulheres, negros, indígenas e LGBTs.
Filhos do Prouni, Reune, Fies e Enem – programas federais dos governos Lula e Dilma –, como alguns denominam, os jovens comemoram a oportunidade que tiveram de ingressar no ensino superior.
Mel Gomes, ex-diretora de Cultura da UNE, e participou da organização da 10ª Bienal, em 2016, diz que a universida, agora, passou a refletir com mais fidelidade a formação da sociedade brasileira. Mulher, negra e lésbica, ela se vê representada e com voz ativa junto aos colegas. "A gente consegue ver que, pessoas como eu, tiveram mais condições de estar na universidade e conseguindo se expressar. A partir disso, a Bienal consegue captar essa energia e refletir no público. Isso é o mais mágico", disse, sorrindo.
Para o presidente da Ubes, Pedro Gorki, a maior diversidade e pluralidade dentro do universo acadêmico, também faz o movimento estudantil mais democrático. "Por exemplo, pela primeira vez na história da Ubes, a mesa diretora da presidência é totalmente negra. Isso é uma mudança, poucos negros tinham oportunidade de debater o movimento secundarista", relatou. O público que vem para a Bienal é a cara da juventude que vai mudar esse país e colocá-lo 'de cabeça para baixo'. Se a ordem for matar as minorias, nós queremos mudar essa ordem. Para ter um país igual, nada melhor do que colocar toda a composição social do Brasil dentro da nossa bienal, que reflete o que é o ensino público. Fico muito orgulhoso de ver que tantos jovens negros, nordestinos e mulheres estão tendo voz, no momento que o governo federal trabalha pelo oposto", finalizou.

Bienal da UNE]

Futuro: medo ou Bienal da UNE mostra que a juventude universitária começa o ano de 2019 fortalecida e unida em torno da defesa da democraciaesperança?

Para os próximos quatro anos que virão com Bolsonaro na Presidência, os jovens se dividem entre o medo da retirada de direitos e retrocessos educacionais, com a esperança de que tudo será uma maré passageira.
O medo é baseado na incerteza sobre as oportunidades que os esperam no mercado de trabalho e na possibilidade de não se aposentarem. Eles temem ainda o fim das universidades públicas e pensam em como as gerações futuras podem ser afetadas, com a desconstrução das políticas de inclusão educacionais.
Fabiola Pavani Loguercio, saiu de Porto Alegre-RS e também ficou três dias viajando até chegar a Salvador. Pré-vestibulanda, sonha em cursar Direito, mas não conseguiu a vaga pelo exame do Enem. Dizendo-se motivada pela vontade de cumprir seu papel no desenvolvimento social, a jovem gaúcha tem um pé atrás com seu futuro, pois teme que o Enem deste ano pode ser o último.
"Agora, tenho medo de não entrar na universidade, por conta dos riscos que as universidades públicas correm de serem privatizadas, sem falar do risco do fim das cotas", lamentou. "É um medo que os brasileiros vão ter: de não entrar na universidade. Há um tempo atrás, antes da minha geração, esse sonho era muito difícil também", acrescentou ela.
Gabriel Augusto Alves cursa Serviço Social na Universidade Federal Fluminense (UFF) e associa a dificuldade que sente em planejar o próprio futuro ao fato de ser negro, numa sociedade que ameaça reeditar os tempos da escravidão. "Perguntar para um jovem negro sobre seu futuro é algo incerto, principalmente quando temos um presidente que não legitima nossa luta."
O sentimento de incertezas, porém, é acompanhado da inspiração para resistir e lutar. "A esperança é revolucionária", lembra Ian Ribeiro, futuro professor. "Minhas perspectivas não são positivas, por conta dos projetos (como o Escola Sem Partido) que visam acabar com o ensino crítico. Mas, se a gente deixa de ter esperança, o corpo se quebra. Nós precisamos ter esperança e ser sempre mais fortes."
A cearense Adila Carvalho, declara que, quase obrigatoriamente, nasceu resistindo. "A vitória do Bolsonaro foi uma derrota, mas não estou sem esperança, eu sei a força que temos. Eu tenho força, como mulher, preta e lésbica, sou o que a população abomina, então sou a luta por si só", concluiu.
Leonardo, da União Nacional LGBT, também vê dois caminhos que se apresentam como opção para a juventude: o medo, que fortalece o governo Bolsonaro e seus retrocessos e, por outro lado, a unidade em torno das muitas bandeiras que simbolizam a esperança. "O que me motiva é a luta LGBT, a vida das minhas irmãs e dos meus irmãos que estão sendo ceifadas com aval do governo federal."
A Bienal da UNE se encerra neste domingo (10), com uma plenária final e um ato celebrando os 40 anos de reconstrução do movimento estudantil e os claros sinais de que a juventude universitária brasileira começa o ano de 2019 fortalecida e disposta a ser uma das frentes da construção da resistência, em defesa da democracia e do reconhecimentos dos direitos de todos os cidadãos, sem exceção de espécie alguma.

NOVOS VALORES - Bienal da UNE: Bolsonaro acabou com o ministério, mas não com a cultura

Ivana Bentes na Bienal da UNE
Ivana Bentes: ministério 'paralelo' para difundir diversidade cultural como forma de luta contra retrocessos das pautas conservadoras
fOTO - KARLA BOUGHOFF/CUCA DA UNE
por Felipe Mascari
Salvador – Após a extinção do Ministério da Cultura e o consequente retrocesso das políticas públicas conquistadas nos últimos anos, ativistas do setor defendem a cultura como fio condutor da resistência contra os ataques a direitos da população pelo governo de Jair Bolsonaro. O tema foi debatido neste sábado (8), em mais um dos paineis da programação da 11ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Salvador, capital da Bahia.
Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), ressaltou que o debate sobre as culturas LBGT, feministas e identitárias devem ser consideradas importantes para a esquerda renovar o discurso político. Na sua avaliação, não se deve tratar a ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, como um mero personagem, cujo papel seria o de polemizar a sociedade acerca de temas comportamentais – como educação sexual nas escolas, descriminalização do aborto e outras – enquanto as pautas ultraliberais do governo Bolsonaro avançam no Congresso. "Fala-se que (o discurso conservador de Damares) é uma 'cortina de fumaça', mas a direita ganhou a eleição no campo comportamental, discutindo valores. A gente está perdendo o round da guerrilha no campo cultural", critica ela.
Ivana, que fez parte da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura no governo Dilma, afirmou que a meta dos setores fundamentalistas é criar uma monocultura fomentada pelo discurso de ódio e conservador. Ela sugeriu ainda a criação de um "ministério da cultura paralelo ao oficial". "A gente precisa pensar nas políticas culturais que pararam no golpe de Temer e agora, com a eleição de Bolsonaro. Nós não comandamos mais a máquina do Estado, então vamos articular um ministério paralelo. Eles extinguiram o ministério, mas não extinguiram a cultura", declarou.
KARLA BOUGHOFF/CUCA DA UNE
Manoel Rangel na Bienal da UNE
O trabalho de Gil, no ministério da Cultura, foi elogiada por Manoel Ranger, ex-presidente da Ancine

Futuro

Juan Leal, produtor cultural e diretor da Escola de Teatro Popular (ETP) afirmou que a cultura precisa fazer frente ao governo federal. Para isso, deve romper com a "lógica da indústria cultural" e conversar direto com a classe de baixa renda.
"É fundamental romper a lógica da indústria cultural, que separa a arte da política. Tudo que é político é feio para essa indústria e o capitalismo se apropria dos nossos debates. Não dá para a produção usar a arte como mercadoria. A mercantilização das artes é a separação dos nossos valores. Compreender o processo como alvo central para contrapor ao sistema dado. Ela precisa ser anticapitalista, coletiva e inteiramente livre", protestou.
Participante da mesa, a deputada federal reeleita Jandira Feghali (PCdoB-RJ) celebrou a presença dos dez mil estudantes na bienal e disse estar revitalizada para combater no Congresso Nacional os retrocessos propostos pelo atual governo e avaliou o impacto do avanço neoliberal sobre os movimentos e governos progressistas. "A nossa derrota é política, ideológica e cultural. Nesse aspecto, não é só da arte, mas do comportamento. No neoliberalismo, o centro é o indivíduo consumidor e competidor. Essa competição é levada ao extremo e mercantiliza a vida. Ou seja, o indivíduo vive numa disputa permanente em qualquer ambiente. Isso é uma cultura e valores que se estabelece na vida cotidiana."

Do céu ao inferno

O ex-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) Manoel Rangel lembrou que, durante os mais de 500 anos de Brasil, o país viveu poucos momentos em que as políticas culturais estiveram sob comando de uma gestão democrática. De acordo com ele, o principal período foi durante as gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira, quando comandaram a pasta da Cultura nos governo Lula e Dilma. "Eles pensaram no crescimento do Brasil, com um viés democrático, em conjunto com o povo, abrindo espaço para todas as manifestações. Saíram da lógica da cultura de mercado e recolheram tudo que havia de criativo no país", lembrou Manoel.
O trabalho de Gil, um dos homenageados da Bienal da UNE, foi celebrado pelo ex-presidente da Ancine. "Foram diretrizes que orientaram uma ação criadora, ousada e inovadora, que mostrou uma população plural e diversa. Houve uma política nacional para o cinema e audiovisual, até museus. Houve uma visão transformadora sobre patrimônio brasileiro, como (foi o caso da) capoeira", disse ele, ao citar o registro, em 2008, da arte marcial afrobrasileira como patrimônio imaterial brasileiro.
O especialista lamentou os retrocessos na liberdade de expressão e criação dos artistas. "Algo que parecia ter acabado quando derrotamos a ditadura civil-militar", lamentou, ao lembrar da censura da exposição Queermuseu.
"O financiamento à cultura desapareceu. Agora está a a cargo do marketing e dos incentivo fiscal de empresas privadas. Abandonou-se o projeto de um Brasil produtor de cultura no mercado interno e internacional. Os gestores públicos renunciaram à política cultural e deixaram de valorizar nossas criações", completou.

Cláudio Ribeiro estreia programa na Rádio Cidade 670

Rádio Cidade de Curitiba AM 670, anuncia a estreia do programa “Almoço à Brasileira”, que contará com apresentação do jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do rádio paranaense. A atração, que começará no próximo sábado (16), terá sua edição, das 13hrs às 14hrs, com transmissão simultânea pela web Rádio Brasil Cultura www.brasilcultura.com.br
O programa, com duração de 60 minutos, “Almoço à Brasileira”, será transmitido direto do litoral paranaense, no Bistro Café com Flores – Rodovia Engenheiro Darci Gomes de Morais, 7054 – Balneário Grajaú, Pontal do Paraná – PR, 83255-000

CLÁUDIO RIBEIRO

Jornalista. Radialista. Escritor e Compositor.
Com formação em Direito.
Arte, política e vida se entrelaçam quando o comunicador faz de sua história um caminho empenhado na escritura e no fazimento da cultura de seu lugar. Com certeza é o caso deste múltiplo Cláudio Ribeiro, principal letrista paranaense em oficio, e que além de esbanjar sua criatividade em letras e canções de própria autoria e importantes parcerias, ainda se desdobra no exímio oficio de pesquisar, escrever, poetar e comunicar. Como “agitador” político e cultural e, de uma forma precisa e profundamente poética vem traçando rumos, participando ativamente das mudanças políticas e sociais brasileiras. Parceiro de grandes nomes da MPB, como Cartola, Claudionor Cruz, Gerson Bientinez, Homero Réboli, Lydio Roberto, Beto Capoleto, Tony do Bandolim e outros, Cláudio é também co-autor do Hino Oficial do Coritiba F.C.

ALMOÇO À BRASILEIRA

Almoço à Brasileira é um programa de muita alegria, música, esporte, entrevistas, documentários e entretenimento para seus ouvintes. Com alguns anos percorridos Cláudio já trabalhou e dirigiu diversas rádios no Brasil, sempre com o mesmo entusiasmo, inteligência e alegria de comunicar a seus ouvintes.
Nós redesenhamos a identidade da Rádio Cidade, deixando-a mais brasileira, divertida e ele (Cláudio) apresentará músicas de sua preferência, interpretadas por artistas de todo o Brasil e, em especial por convidados ao vivo no programa, também vamos trazer essa audiência para a plataforma da “Rádio Cidade de Curitiba AM 670” na internet, afirma João Arruda, diretor da emissora, . O “Almoço à Brasileira” terá reprises no Portal Sonoro da Cultura Brasileira – Brasil Cultura e possivelmente na própria emissora em horário alternativo.

Festival de Berlim aplaude filme sobre as ocupações estudantis em SP

A estreia mundial do documentário “Espero tua (re)volta” aconteceu sob aplausos, no sábado (9), na mostra Geração, da 69ª Berlinale – o tradicional Festival de Filmes de Berlim. A seção é dedicada a filmes sobre adolescentes, e voltados ao público infanto-juvenil.
Nayara Souza, filiada à UJS e ao PCdoB, é uma das três protagonistas do documentário “Espero tua (re)volta” Nayara Souza, filiada à UJS e ao PCdoB, é uma das três protagonistas do documentário “Espero tua (re)volta”
A documentarista Eliza Capai assina a direção do filme, que acompanha a ocupação de escolas em São Paulo, em 2015, por estudantes secundaristas contrários às medidas anunciadas pelo então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
A gestão tucana previa o fechamento de quase cem escolas e o remanejamento de 311 mil alunos e 74 mil professores. Foram quase 60 dias de ocupação de quase 200 escolas. O governo paulista recuou e cancelou a medida. No ano seguinte, em 2016, um novo escândalo – o das merendas – agita novamente os estudantes, que ocupam a Assembleia Legislativa.
Eliza Capai diz foi cativada pela “potência” e a “esperança” desses estudantes, que conseguiram reverter a decisão do governo. Além disso, o movimento também se espalhou pelo Brasil.
Com imagens de arquivo, três protagonistas – Lucas “Koka” Penteado, Nayara Souza e Marcela Jesus – recontam o que viveram, com a linguagem e a paixão dessa idade. “Entrevistei estudantes do Brasil todo, de correntes políticas diferentes, tentando entender quais eram as questões centrais. De alguma forma, cada um deles representa partes muitas grandes desse movimento”, relata a diretora.
O documentário também recua alguns anos para chegar a 2013, quando São Paulo parou por causa do Movimento do Passe Livre, contra o aumento da tarifa de transportes. A intenção da diretora é explorar os protestos não como pretextos por si só – mas como preâmbulos das lutas estudantis que tomariam várias capitais brasileiras nos anos seguintes. Daí o avanço para o golpe contra Dilma Rousseff e a eleição de Jair Bolsonaro.
Tendo como público alvo os jovens, Eliza brinca que fez um videoclipe de 93 minutos. “O ritmo é acelerado. Fizemos grupos de estudo para saber quanto tempo eles conseguiam ficar olhando para a tela”, uma vez que é uma geração acostumada a ver séries.
Eliza Capai conta que foi um longo processo de confecção do roteiro, cada um dos três estudantes contando suas impressões e vivências pessoais. De opiniões às vezes divergentes, à margem das ações foram surgindo vertentes importantes, como a questão racial, a causa LGBT e posições políticas. “Foi uma parceria muito legal, refletimos sobre o que contar e como”, explica.
A cineasta constatou que “a dificuldade do movimento secundarista é da continuidade, pois eles ficam só três anos na escola”. Ela acrescenta que o filme vem com o desejo de virar um documento para os mais novos, “no sentido de mostrar o que fez essa geração, desde as estratégias de luta até as consequências emocionais”.
“Estou muito feliz de estar na Mostra Geração 14+ em Berlim, que dialoga justamente com os secundaristas alemães”, afirma Eliza. “Berlim é uma cidade com uma história imensa, é um local que dividiu o mundo em dois há pouco tempo. Não sei se a juventude de lá possui os mesmos questionamentos da nossa.”
Os protagonistas do filme também nutrem expectativas. “Olho muito para trás e penso que tudo o que sou hoje foi graças ao movimento de ocupação”, diz Marcela Jesus, hoje com 19 anos, que está em Berlim para a apresentação do filme no festival.
Atriz, ela participa de um grupo chamado Coletivo Ocupação, formado por ex-secundaristas das ocupações de 2015. “Assumi minha ancestralidade, meu cabelo, minha negritude. A ocupação me ensinou a não ter medo, a me impor”, conta Marcela.
A outra estudante retratada no documentário, Nayara Souza, é filiada à UJS (União da Juventude Socialista) e ao PCdoB. “A Nayara era a personagem que eu conhecia há mais tempo, porque ela estava dentro da ocupação da Alesp, onde começou o filme. Na última gravação oficial da ocupação da câmera, eu presenciei a forma de liderança da Nayara”, afirma Eliza.
Segundo a diretora, Nayara se revelou uma líder nata. “A forma como ela sobe na mesa, conversa com os estudantes, enfrenta policiais e discute com vereadores deixava claro que se tratava de uma novíssima liderança. Ela se impôs ao filme.”