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MUSEUS DO RIO GRANDE DO NORTE - FIQUEM POR DENTRO!

Centro de Documentação Cultural Eloy de Souza - Cedoc O  Centro de Documentação Cultural Eloy de Souza (Cedoc) está sediado no Solar Joã...

terça-feira, 31 de julho de 2018

A LEI ÁUREA TEM 130 ANOS. BOLSONARO AINDA IGNORA SUA EXISTÊNCIA

"Acho que no campo a CLT tinha que ser diferente. 
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O homem do campo não pode parar no Carnaval, sábado, domingo e feriado. A planta vai estragar, ele tem que colher.
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E fica oneroso demais o homem do campo observar essas folgas nessas datas, como existe na área urbana" 
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(Jair Bolsonaro no programa Roda Viva, pregando a desigualdade de direitos entre trabalhadores da cidade e do campo)


"Nego tá moiado de suor/ As mãos do nego/ Tá que é calo só/ Ai, meu senhor/
Nego tá véio/ Não aguenta/ Esta terra tão dura/ Tão seca, poeirenta/
(Trabalha, trabalha, nego/ Trabalha, trabalha, nego)"

Fonte: naufrago-da-utopia.blogspot.com

Educação na ditadura, página infeliz da nossa história


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, nº 4.024, de 1961), a primeira lei geral sobre o tema, permitiu a descentralização da educação da esfera federal para a estadual, com a institucionalização dos sistemas de educação e recriação dos Conselhos de Educação com funções normativas. Instituiu o salário-educação e a pós-graduação.
Por Carlos Pompe*, na Contee
Elevou de 10% para 12% a obrigação mínima dos recursos federais para o ensino, mantendo em 20% a obrigação dos governos estaduais. Anísio Teixeira cuidou da elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE), responsabilizando a União pela assistência aos Estado e municípios.
Os debates de políticos e educadores na elaboração da LDB, segundo Demerval Saviani (História das ideias pedagógicas no Brasil), uniram três grupos distintos em defesa da educação pública: os “liberais-idealistas”, capitaneados pelo jornal O Estado de S. Paulo; os “liberais-pragmatistas”, da Escola Nova; e a “tendência socialista”, liderada por Florestan Fernandes.
Assaltando o poder, em 1964, os golpistas civis e militares interromperam o processo democrático em desenvolvimento. Perseguiram os educadores e os estudantes que consideravam subversivos e contrários ao seu reacionarismo. Darcy Ribeiro, ministro da Educação e Cultura (1962 e 1963, Governo João Goulart) e chefe da Casa Civil (de 1963 até o golpe), teve seus direitos políticos cassados logo no primeiro Ato Institucional (AI-1) da ditadura. Exilou-se no Uruguai. Em 1968, retornou ao Rio de Janeiro e foi preso por “infringir a Lei de Segurança Nacional”, passando nove meses no cárcere. Solto em 1969, exilou-se na Venezuela e no Chile, onde assessorou o governo do socialista Salvador Allende.
Anísio Teixeira, que participou da criação e era reitor da Universidade de Brasília (UnB), em 1965 foi destituído do cargo e a UnB sofreu intervenção. Também cassado pelo AI-1, em março de 1971 foi encontrado morto no fosso de um elevador, em circunstâncias nunca esclarecidas.
A ditadura interrompeu também o Programa Nacional de Alfabetização (1964), coordenado por Paulo Freire, que adotava um trabalho pedagógico com “palavras geradoras”, extraídas da linguagem cotidiana dos grupos locais. Freire ficou encarcerado por 70 dias e depois se exilou na Bolívia, Chile, Estados Unidos e Suíça, retornando ao Brasil somente em 1979.
As entidades de representação dos alunos, inclusive União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), foram forçadas à clandestinidade ou extintas; vários de seus dirigentes foram perseguidos, presos, torturados e mortos, assim como muitos professores que defendiam a volta da democracia. Em 1º de abril de 1964, no próprio dia do golpe, a sede da UNE, na Praia do Flamengo, foi incendiada por grupos de extrema direita. Todas as entidades de representação estudantil ficaram submetidas ao regulamento do Ministério da Educação e Cultura (MEC).
A Constituição outorgada em 1967 desobrigou a União e os estados de investir um mínimo na educação. A partir da lei 5.540/68, o MEC realizou acordos públicos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, sigla em inglês) para a reforma do ensino. Antes dessa lei, os Acordos MEC-USAID foram negociados e assinados secretamente, em 23 de junho de 1965. As primeiras informações oficiais sobre o seu teor só foram reveladas em novembro de 1966, e de forma fragmentária e imprecisa. Os oposicionistas os chamavam de “Acordos Usaide e Abusaide”, devido ao seu conteúdo autoritário, submisso à geopolítica estadunidense e distante das discussões travadas por educadores e estudantes no país.
O ensino privado foi contemplado pelos golpistas: “Sempre que possível, o Poder Público substituirá o regime de gratuidade pelo de concessão de bolsas de estudo, exigido o posterior reembolso no caso de ensino de grau superior”, previa o artigo 168. Em 1969, a Emenda Constitucional nº 1 dispôs em seu artigo 176: “Respeitadas as disposições legais, o ensino é livre à iniciativa particular, a qual merecerá o amparo técnico e financeiro dos Poderes Públicos, inclusive mediante bolsas de estudos”.
A ditadura mudou o modelo que dividia o ensino em pré-primário (maternal e jardim de infância), primário (quatro anos, com opção de mais dois nos de artes aplicadas), e médio (ginasial, de quatro anos; e colegial, com mínimo de 3 anos).
Os militares no poder e os empresários que os apoiavam também decretaram uma Reforma Universitária (Lei 5.440/68) e impuseram o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). A Reforma Universitária extinguiu a cátedra, introduziu o regime de tempo integral e dedicação exclusiva aos professores, consolidou a estrutura departamental, dividiu o curso de graduação em duas partes, ciclo básico e ciclo profissional, criou o sistema de créditos por disciplinas, instituiu a periodicidade semestral. As entidades privadas foram reconhecidas como entidades assistidas pelo poder público e foram suprimidas definitivamente as verbas orçamentárias vinculadas.
O decreto-lei n.º 1.124, de 1970, criou o Mobral, permitindo “deduções no imposto de renda de pessoas jurídicas para fins de alfabetização”. O Brasil tinha mais de 18 milhões de adultos analfabetos (33,6% da população com mais de 15 anos). Em seu primeiro ano de funcionamento teve 7 milhões de alunos matriculados, ou 38% dos analfabetos do País na época. Durou 15 anos. Diplomou 15 milhões dos 40 milhões de estudantes que o cursaram, diminuindo em apenas 2,7% o índice de analfabetismo no país.
O Decreto Lei 477, de 26 de fevereiro de 1969, determinou, em seu artigo 1º: “Comete infração disciplinar o professor, aluno, funcionário ou empregado de estabelecimento de ensino público ou particular que alicie ou incite a deflagração de movimento que tenha por finalidade a paralisação de atividade escolar ou participe nesse movimento”. Valendo-se desse decreto, foram retirados mais de mil estudantes das universidades e demitidos cerca de 200 professores das instituições de ensino, de acordo com levantamento feito pela UNE.
A vinculação de recursos, retirada das Constituições de 1967 e de 1969, retornou com a Emenda Constitucional nº 24, de dezembro de 1983. A legislação ditatorial direcionou para os Estados a educação de grau médio, pública e particular, chamada de segundo grau. O sistema federal manteve o controle de uma parcela da educação superior, mantida pela União ou fiscalizada pelo MEC (instituições de ensino superior particulares) e das instituições de educação superior estaduais que não obtiveram autonomia.
Sindicatos sob intervenção, movimento estudantil na clandestinidade, partidos políticos e organizações populares e democráticas proibidos, meios de comunicação e editoras de livros censurados, Congresso sob tutela e com alguns senadores nomeados, oposicionistas perseguidos, presos, torturados mortos… Assim o poder ditatorial se manteve de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985. A resistência do movimento popular, com expressiva participação de sindicalistas e estudantes, reconquistou a democracia. Foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte, democraticamente eleita, em 1º de fevereiro de 1987. Nela, além dos constituintes, as organizações da sociedade foram ouvidas a respeito de vários temas, inclusive educação.
*Carlos Pompe é jornalista da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee)

Amanhã começa o mês do Folclore. Salve Câmara Cascudo!

Agosto é o mês do folclore, ciência das coisas do povo e de Luís da Câmara Cascudo que foi um importante historiador, jornalista, etnógrafo, professor universitário, advogado antropólogo e, principalmente, folclorista brasileiro.
É considerado um dos mais importantes escritores e estudiosos da cultura popular brasileira, com destaque para o nosso folclore. Era apaixonado pelas tradições populares, superstições, literatura oral e história do Brasil.
Biografia resumida:
– Nasceu em Natal (RN) em 30 de dezembro de 1898.
– Lecionou na Faculdade de Direito de Natal.
– Trabalhou como jornalista em vários órgãos da imprensa de Natal.
– Recebeu, em 1956, o Prêmio Machado de Assis, o principal prêmio literário brasileiro.
– Faleceu, aos 87 anos, em sua cidade natal em 30 de julho de 1986.
Principais obras de Câmara Cascudo:
– Alma Patrícia (1921)
– Histórias que o tempo leva (1924)
– Viajando o sertão (1934)
– Vaqueiros e cantadores (1939)
– Antologia do Folclore Brasileiro (1944)
– Os melhores contos populares de Portugal (1944)
– Dicionário do Folclore Brasileiro (1952)
– Literatura oral no Brasil (1952)
– Cinco livros do povo (1953)
– Antologia de Pedro Velho (1954)
– Trinta “estórias” brasileiras (1955)
– Geografia do Brasil holandês (1956)
– Jangada (1957)
– Superstições e costumes (1958)
– Folclore no Brasil (1967)
– Tradição, ciência do povo (1971)
– Civilização e cultura (1973)
– Religião no povo (1974)
BRASIL CULTURA

Mostra de Arte e Cultura é destaque na programação de agosto do Sesc

Teatro, música, literatura e artes visuais compõem a programação da Mostra Sesc de Arte e Cultura 2018 – uma iniciativa do Sistema Fecomércio, realizada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) -, que acontece de 1º de agosto a 02 de setembro, em Natal, Macaíba, Mossoró, Caicó, São Paulo do Potengi e Nova Cruz.
O mês cultural inicia com atividades no Sesc Cidade Alta, com as exposições “Engenhocas da arte popular em movimento” (Zé de China), e a “A estrada é longa” (Lucas MDS). Também teremos os lançamentos dos editais de grafitagem do muro do Sesc Cidade Alta e a seleção dos trabalhos que serão expostos na Galeria Sesc 2019. O primeiro dia finaliza com o show “Eu e a Máquina” de Yrahn Barreto.
A 7ª arte será outro destaque do evento através do CineSesc, com sessões nas unidades Sesc Cidade Alta, Zona Norte, Macaíba, Mossoró, Caicó, São Paulo do Potengi e Nova Cruz. Na literatura teremos contação de histórias e um bate-papo sobre o livro de Câmara Cascudo “A história da alimentação no Brasil”. Na dança e música teremos Encontro de Hip Hop, Concha das Artes em Caicó, Encontro de Boi de Reis no Sesc Zona Norte e oficina de percussão musical com Jorge Negão.
Mostra Sesc de Arte e Cultura
A Mostra Sesc de Arte e Cultura é mais uma iniciativa de promoção e resgate à cultura, ao acesso à informação, conhecimento, e ao mesmo tempo, de proporcionar oportunidades para que a comunidade desenvolva o gosto pela arte.
O evento chega a sua 11ª edição na Zona Norte, e na 5ª edição concomitantemente em várias cidades potiguares.
Serviço:
O quê? Mostra Sesc de Arte e Cultura 2018.
Quando? 1º de agosto a 02 de setembro.
Programação completa aqui
Fonte: FECOMÉRCIO - RN

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Tráfico Negreiro - "Vale a pena Lê!" - EDUARDO VASCONCELOS


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Fotos:Google
O Brasil carrega uma triste marca: a de ter sido a última nação do mundo a abolir a escravidão. 

Presente já na Antiguidade, o cativeiro humano é recriado, junto com o capitalismo comercial e o movimento de expansão colonial, e tem em nosso país um local de preferência. Entre a segunda metade do século XVI e o ano de 1850, data da abolição definitiva do tráfico negreiro, o número de cativos africanos importados é avaliado em 3,6 milhões de homens. Nosso país transforma-se em um território negro e mestiço. 

Entendido como peça, como coisa, o escravo perde sua origem e sua personalidade para se transformar em um servus non habent personam: um sujeito sem corpo, antepassados, nome ou bens próprios. Esta exposição conta a história desses homens que não só lutaram por sua sobrevivência, como reinventaram sua própria existência. Dar voz a essa fala silenciada é um mistério, nem sempre fácil de ser desvendado. De toda forma, boa viagem! 

ÁFRICA: TÃO LONGE E TÃO PERTO 

Aprendemos a conhecer a África por meio dos marcos da história européia. Na pré-história este continente aparece como o local onde viveram nossos primeiros antepassados; na Idade Antiga, surge como o berço da civilização egípcia. Por fim, só reaparece a partir do século XV, como um apêndice do mundo moderno europeu. 

A África, porém, tem uma história para contar. É por meio da tradição oral que os historiadores tentam hoje reconstruir os fragmentos da memória desse continente tão dilacerado pelo intenso tráfico de escravos e pela partilha colonial. Nunca saberemos ao certo quantos africanos foram arrancados de sua terra natal.

Para o Brasil vieram negros de dois grandes grupos étnicos: os bantos, predominantemente originários do Sudoeste e Sudeste africanos, e também os sudaneses, procedentes do Noroeste do continente. 

Da Costa da Mina partiram sobretudo os sudaneses, dentre os quais destacam-se os iorubas ou nagôs, os jejes e os fanti-achantis. Por sua vez, de São Paulo de Luanda vieram os bantos, sendo as maiores levas compostas pelos angolas, caçanjes e bengalas. Com o acelerado despovoamento, desorganizaram-se a política e a economia das sociedades africanas. Antes da chegada dos portugueses, escravos eram prisioneiros de guerra que se incorporavam ao grupo que os capturava. Bem diversa foi a escravidão imposta pelos europeus, orientada pelo lucro. Abre-se assim um importante setor do tráfico mercantil: o comércio de seres humanos. 

As proas dos navios negreiros voltam-se com toda força para o novo continente. Mal alimentados e vitimados pelas epidemias que grassavam a bordo dos navios, os negros morriam com facilidade. Nos porões, aglomeravam-se de trezentas a quinhentas pessoas para uma viagem que leva de trinta a cinqüenta dias. Com freqüência, 10% a 20% das peças não chegavam a seu destino. O tráfico negreiro para o Brasil foi intenso até 1850, quando acabou sendo suspenso após uma longa polêmica com a Inglaterra. 

EIS UMA BOA MERCADORIA 

É fácil imaginar o estado de exaustão dos cativos após uma viagem tão longa e degradante. Estava na hora de tratar do aspecto físico dos sobreviventes que seriam colocados à venda em leilão público. São então postos à engorda, tratados e bem cuidados: aplica-se óleo de palma para esconder as doenças e dar brilho à pele; lustram-se os dentes; impõe-se exercícios para aumentar a flexibilidade. O preço dos escravos era definido pelo sexo, idade, e especialização, mas dependia sobretudo da condição física. O destino dessas peças estava nas mãos de seus senhores, que podiam alugar, vender, hipotecar, segurar ou penhorar suas novas propriedades. No Brasil, a larga utilização de mão-de-obra escrava levou a uma inversão de valores: o trabalho passou a ser considerado, pelas pessoas livres, como desonroso. 

ESCRAVOS URBANOS 

O universo do trabalho resumia-se ao mundo dos escravos. Vendedores ambulantes, negras quituteiras, negros de ganho oferecendo-se como pedreiros, barbeiros, alfaiates, funileiros ou carpinteiros eram figuras obrigatórias nas ruas das cidades. 

ESCRAVOS RURAIS 

Os escravos rurais correspondiam à imensa maioria dos cativos. Suas condições de trabalho e a possibilidade de conseguir alforria eram inferiores às de seus parceiros da cidade. No campo, o poder e a autoridade do senhor não possuíam limites. Na zona rural, a jornada de trabalho era extensa: as atividades começavam antes do nascer do sol e, na época de colheita, estendiam-se até as onze horas da noite. Existiam ainda os escravos pastoris, numerosos nos campos do Sul do país, que, em virtude da sua ocupação, ficavam menos sujeitos à vigilância senhoral. 

ESCRAVOS DOMÉSTICOS 

Diferente era a condição dos escravos domésticos. Escolhidos segundo sua aparência, eram sempre os mais bem vestidos e bem tratados. Esse é o universo das mucamas, pajens, amas-de-leite, amas-secas, cozinheiras, cocheiros, lavadeiras, copeiros e garotos de recado. No entanto, esses cativos representavam uma minoria e não raro distanciavam-se dos demais. Uma velha ladainha dizia: “Negro no eito vira copeiro, não óia mais para o seu parceiro.” 

ESCRAVOS MINERADORES 

No século XVIII, com a decadência da cana, muitos cativos do Nordeste foram enviados para as zonas de mineração. O trabalho do escravo minerador era menos vigiado e por vezes a sorte de seu senhor podia lhe valer uma carta de alforria. Este documento, embora raro e com freqüência anulável, representou um sonho de liberdade para esses cativos. 

ALIMENTAÇÃO É sabido que no Brasil colonial todos passavam fome: no caso dos cativos a situação era ainda pior. Comentam os viajantes que boa parte dos escravos recebiam unicamente feijão cozido, servido em cuias, uma vez ao dia. É provável que a origem da feijoada esteja ligada à triste sina desses homens que, a fim de engrossar o caldo ralo, buscavam no lixo de seus senhores as partes desprezadas do porco: língua, rabo, pés e orelhas. Verdade ou não, até hoje a feijoada é considerada um prato típico brasileiro. Estranho caminho esse que faz de hábitos étnicos símbolos nacionais. 

CASAMENTO A desproporção entre os sexos contribuía para dificultar os casamentos entre escravos. Além disso, essas uniões eram mal toleradas pelos senhores, que preferiam ignorá-las. Só tardiamente a legislação preocupou-se em garantir a família escrava: em 1869 proibiu-se que o marido fosse separado da mulher, bem como dos filhos menores de quinze anos. No entanto, ligações extraconjugais, filhos naturais e cenas de ciúmes fizeram parte do cenário local e criaram situações ambíguas e revoltantes. A escravização de filhos pelos pais ou das próprias mães pelos filhos não eram cenas estranhas a esse contexto. 

MORADIA A casa-grande e a senzala representavam pólos opostos desta sociedade. A resistência do senhor era o centro de irradiação de toda atividade econômica e social. Vasta mansão térrea, distinguia-se pelo estilo sóbrio e imponente. As senzalas eram construções de pau a pique, cobertas de sapé, sem janelas e com uma única porta. Ficavam próximas da casa-grande para que as fugas, bastante freqüentes, pudessem ser controladas. 

ROUPAS O escravo que labutava no campo recebia dois conjuntos de roupas por ano. As baetas vinham do Rio de Janeiro, enquanto os panos grossos e as chitas chegavam de Londres. Os trajes eram trocados aos domingos e lavados uma vez por semana. Expostos ao sol e às chuvas, convertiam-se em andrajos, razão pela qual os relatos de época descrevem com freqüência negros esfarrapados e seminus. 

OS LIBERTOS Não era fácil ser liberto em um mundo onde as distâncias sociais não eram sequer discutidas. Os libertos não podiam votar nem ter cargos públicos; eram também facilmente reconduzidos à sua antiga condição, por infidelidade aos seus senhores ou por suspeita de escravo. 

VIDA E MORTE A duração média da mão-de-obra era quinze anos e nas fazendas havia sempre de 10% a 25% dos escravos momentaneamente incapacitados. Os índices de mortalidade dos cativos eram altos devido às péssimas condições higiênicas, às inúmeras epidemias, às picadas de animais venenosos, à má qualidade da alimentação e ao intenso regime de trabalho. A mortalidade infantil atingia cerca de 90%. 

UM MUSEU DE HORRORES A violência era parte constitutiva desse tipo de organização que supunha a propriedade de um homem por outro. A escravidão só pôde existir em virtude da disseminação do medo. É por isso que no Brasil criou-se um verdadeiro museu de horrores, com castigos dos mais rotineiros aos mais especializados. No entanto, o essencial era a regra de marcar, torturar e humilhar, mas sem matar. 

MARCAS Os instrumentos de ferro eram variados. Enquanto correntes e libambos impediam a movimentação do escravo, gargalheiras, golilhas e golinhas, colares colocados no pescoço, evitavam fugas e expunham o cativo à humilhação. As calcetas eram argolas de ferro que se prendiam ao tornozelo dificultando o passo, e o vira-mundo cumpria função semelhante à do tronco. Outra prática comum era marcar os negros com ferro em brasa nas coxas, nos braços, no ventre, no peito ou até na face. Esses sinais serviam como marca de propriedade ou traço de identificação no caso de fuga. 

CASTIGOS O tronco é talvez o mais antigo dos instrumentos de punição. Formado por duas peças de madeira ou de ferro, o condenado era preso ao aparelhos pelos pulsos, tornozelos e às vezes pelo pescoço. Além de ficar em uma posição incômoda, o suplicado permanecia à mercê do ataque de insetos e das intempéries. 

SÍMBOLOS DA VIOLÊNCIA Um dos castigos domésticos mais vulgares foi a palmatoada, ou bolo. Consistia em aplicar a palmatória nas mãos dos cativo, calculando-se o número de execuções por dúzias. O açoite ou bacalhau era um instrumento corriqueiro de suplício. Utilizado para reprimir desde o furto de uma rapadura até o assassinato de um feitor, o açoite simbolizou a violência, assim como o pelourinho, presença fundamental nas cidades e local da aplicação deste castigo. 

A REINVENÇÃO DA IDENTIDADE Sentimos a força da presença africana nos quatro cantos do brasil. O samba, a capoeira e o candomblé são atualmente admitidos como registradas do país. A existência até hoje desta manifestações é o fruto de uma longa batalha por autonomia e reconhecimento cultural travada pelos escravos. A mesma estratégia de dissimulação foi utilizada na adoração dos deuses africanos em “terra de branco”. Nos calundus e nas casas de candomblé os negros, para poder cultuar seus orixás em paz, os relacionavam aos santos cristãos. Existiam ainda os batuques. Nas festas religiosas das irmandades católicas negras, como as de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário, os atabaques batiam para os homens e para os deuses. A 

CONQUISTA DA LIBERDADE: A REBELIÃO DE CADA UM

Durante muito tempo acreditou-se no caráter pacífico e cordial da escravidão brasileira. No entanto, não só os castigos fizeram parte desse sistema, como também as fugas, os abortos e os suicídios. O banzo é um dos mais conhecidos de atos de suicídio: escravos, com saudades da África, ingeriam terra diariamente, o que lhes causava uma morte lenta. Contra essa prática adotavam-se as terríveis máscaras de Flandres, que impediam ainda o vício da bebida. A escrava Anastácia permanece na memória popular como uma mulher que, ao reagir ao cativeiro, foi obrigada a usar permanentemente uma dessas máscaras. 

QUILOMBOS E INSURREIÇÕES 

O temor de que os escravos pudessem se revoltar coletivamente sempre perturbou o sono dos senhores e das autoridades que, por isso, redobravam a vigilância. A partir de 1740, toda habitação com mais de cinco negros passou a ser considerada um quilombo. Apesar disso, não deixaram de existir agrupamentos desse tipo durante todo o período da escravidão. Os quilombolas agiam de forma ambígua em relação à sociedade circundante: às vezes estabeleciam alianças com ela, s vezes se negavam a qualquer tipo de acordo. 

A REVOLTA DOS MALÊS 

O controle rígido não impediu, também, que os escravos organizassem grandes insurreições, a despeito de suas diferenças étnicas, religiosas e jurídicas. Em 1835, por exemplo, explodiu em Salvador a revolta dos malês, liderada por libertos e cativos muçulmanos, muitos deles mais instruídos do que seus proprietários. Embora tenham sido derrotados, os malês mostraram-se hábeis estrategistas. 

FATOS NOTÁVEIS 

Nem sempre foram pacíficas as reações. São muitos os casos de assassinato e de envenenamento, sendo senhores e feitores as vítimas prediletas. Era reconhecida a perícia escrava na fabricação de venenos de origem vegetal, mineral e animal, como o pó preparado com cabeça de cascavel, torrada e moída. O famoso quebranto, descrito nos romances da época como uma grande lassidão e desânimo que se apoderava dos senhores de escravos, e os amansava, era resultado da administração gradual de potentes venenos. Existiam outras modalidades de assassinato, como colocar escorpiões nas botinas da vítima e cobras venenosas sob os travesseiros ou próximo dos pés da pessoa que se queria eliminar. 

PALMARES: O COMEÇO
 
Corria o ano de 1630. A capitania de Pernambuco estava tomada pelos holandeses, que vieram no encalço do açúcar brasileiro e impuseram seu domínio por cerca de trinta anos. Neste contexto, foi fundado um dos maiores Estados negros jamais visto nas Américas: o quilombo de Palmares. 

NEGÓCIOS DO SERTÃO 

Situado no alto da Serra da Barriga, Palmares possuía um solo fértil. As plantações de milho, mandioca, feijão e batata-doce serviam tanto para a subsistência como para o comércio com regiões vizinhas. Além de dedicar-se à agricultura, os quilombolas exerciam várias atividades artesanais, inclusive a fundição de metais. 

O ACORDO DE GANGA ZUMBA 

Esse projeto negro de liberdade subvertia a ordem colonial. Por isso, inúmeras expedições contra Palmares foram enviadas ao longo dos 65 anos de sua história. Em 1678, o rei Ganga Zumba, após a primeira grande investida realizada sobre os palmarinos, assinou uma trégua com o governador de Pernambuco para evitar mais perdas e ganhar tempo. Entretanto, esse ato dividiu o quilombo e resultou no envenenamento de seu rei. 

A BATALHA FINAL 

Zumbi assumiu o poder e sua atuação foi marcada pelo confronto com os brancos, devido a incursões em áreas vizinhas para libertar escravos. Em 1694, um exército composto por 3 mil homens e comandado pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, um antigo caçador de índios, aniquilou o quilombo. Centenas de quilombolas foram assassinados. 

ZUMBI: SÍMBOLO DE LIBERDADE 

Zumbi conseguiu fugir e passou a realizar operações de guerrilha até ser traído e morto, em 20 de novembro de 1695. Sua cabeça foi exposta publicamente num poste de cidade de Recife. Zumbi é hoje lembrado como o grande símbolo da resistência negra no Brasil.

FIM DA VIAGEM? 

No Brasil convivem duas imagens opostas: de um lado o mito da democracia racial; de outro a representação de um país com larga experiência escravocrata. O resultado é uma forma específica de convivência racial: “um preconceito de ter preconceito”, como dizia Florestan Fernandes. Em nosso país, apesar de todos se dizerem avessos ao racismo, não há quem não conheça cenas de discriminação ou não saiba uma boa piada sobre o tema. Ainda hoje o trabalho manual é considerado aviltante e a hierarquia social reproduz uma divisão que data da época do cativeiro. Com naturalidade absorvemos a idéia de um elevador de serviço ou de lugares que se transformam em verdadeiros guetos raciais. É por isso que não basta condenar a história, ou encontrar heróis delimitados. Zumbi existe em cada um de nós. É passado e é presente. 

Fonte: www.eciencia.usp.br 

Tráfico Negreiro A historia do trafico é por demais complexa e remota, cabendo às mais antigas sociedades das nações e a todos os povos da alta antigüidade, portanto não cabendo aos portugueses a sua primazia, que por sua vez são descendentes de povos que também foram escravizados e dominados por outros mais poderosos. Em toda a África, desde épocas imemorais, a escravidão militar ou escravidão histórica a que é própria de todas as sociedades humanas numa fase de sua evolução política e que dessa escravidão nasceu a escravidão mercantil, não só as guerras criaram a escravidão, mas também as religiões pois as vitorias do islamismo deram como resultado o estabelecimento do trafico pelo extremo nordeste do continente africano e como o religioso muçulmanos penetrou até o coração da África, as legiões do profeta conseguiram manter o monopólio do comercio do interior e o trafico de escravos destinados a suprir o sul da Ásia e grande parte do Mediterrâneo Oriental, e esse trafico ampliou-se para todo o norte da África, e pelo fato este tráfico teve então dois vastos emontórios que foram o leste pelo Mar Vermelho e do norte do deserto até o Maghreb e no principio do século XV e que se puseram os primeiros navegantes cristãos em relação com os escravos da costa africana do oeste. 

E no ano de 1432 o navegador português Gil Eanes introduziu em Portugal a primeira leva de negros escravos e a partir desta época os portugueses passaram a traficar os escravos com as Ilhas das Madeiras e em Porto-Santo, em seguida levaram os negros para os Açores logo depois para Cabo-Verde e finalmente para o Brasil, Em meados do século XVI devido ao estabelecimento do Governo Geral, o que pesa para Portugal a respeito ao trafico negro, pesa também sobre a França, Espanha, Holanda e especialmente sobre a Inglaterra, pois lhe cabe a primazia como vanguardeira do tráfico e do comércio de escravos autorizado desde o reinado de Eduardo VI e começando no reinado da Rainha Elizabeth no século XVI, e John Hawkins foi o primeiro inglês a empreender o comércio de negros escravos por este motivo recebeu o titulo de Baronnet, e a historia dos navios negreiros e a mais comovente epopéia de dor e de desespero da raça negra; homens, mulheres e crianças eram amontoados nos cubículos monstruosamente escuros das galeras e dos navios negreiros onde iam se misturando com o bater das vagas e o ranger dos mastros na vastidão dos mares. A fome e a sede, de mãos dadas com as doenças que se propagavam nos ambientes estreitos passavam pelos maribundos e não lhes ceifavam a vida, concedendo-lhes perdão e misericórdia que não encontravam aconchego nos corações dos homens, daqueles homens severos e maus de todas as embarcações e que só se preocupavam com o negócio rendoso que a escravaria oferecia. 

Os negros fortes, retintos e amontoados também se tornavam feras acuadas onde o dia se confundia com a noite pois as levas de negros que embarcavam na costa da África provinham de diferentes pontos e de diferentes raças e eram misturadas como carga comum nos bojos dos navios negreiros Os gemidos dos moribundos vinham juntar a algaravia das diferentes línguas dos Mandingas, Felupos, Cabindas, Gêjes, Fulas, Congos, Bundas, Bantos, Libolos, Caçanjes e tantas outras tribos, desconhecidas umas das outras, rosnavam como feras furibundas e dilaceravam-se mutuamente nas mínimas disputas; quando o navio negreiro sofria qualquer acedio de naus piratas, os tripulantes que se preparavam para a defesa do navio negreiro, normalmente recebiam ordens do comandante que era sempre um bárbaro que sumariamente mandava atirar ao mar os negros agonizantes, para aliviar a carga para tornar o barco mais maleável, erra quando os marinheiros desciam aos porões imundos e os moribundos eram atirados ao mar, e quando isto não acontecia as epidemias lavravam os porões e só havia um remédio: o mar! 

A organização da Companhia de Lagos tinha o objetivo de incentivar e desenvolver o comércio africano e dar expansão ao trafico negreiro. Logo após o navegador Antão Gonçalves ter dado entrada em Portugal de uma leva de escravos negros capturados na Ilha de Arguim, e a viagem inicial da Companhia de Lagos que foi empreendida por uma expedição composta de seis caravelas ao comando do escudeiro Lançorote que transportou 235 cativos, e pelas lutas travadas entre varias feitorias da África que se entrechocavam no fornecimento de escravos e as incursões devastadoras dos corsários e piratas e a instituição da Companhia de Lagos, motivaram a formação de varias companhias negreiras, que entre elas podemos citar a Companhia de Cacheu em 1675, Companhia de Cabo Verde e Cacheu de Negócios de Pretos em 1690, Companhia Real de Guiné e das Índias em 1693, Companhia das Índias Ocidentais em 1636 E devido ao êxito desta para o Brasil e o tino político do padre jesuíta Antônio Vieira se deu a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil em 1649. A Companhia do Estado do Maranhão em 1679, Companhia da Costa da África em 1723,Companhia do Grão 

Pará e Maranhão, Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba que foram criadas pelo Marquês de Pombal, desta maneira podemos atestar que o transporte de negros da África era o melhor e mais rendoso negocio da época. E as raças transportadas durante o longo período negreiro e que se distribuíam por toda a África pode ser assim enumeradas: do grupo de Guiné e Nigricia foram exportadas os Jalofos (aptos a ida do mar), Mandingas (convertidos ao Maometismo eram inteligentes e empreendedores), Yorubas ou Minas (fortes, robustos e hábeis), Felupos (os mais selvagens), Fulas que se dividiam em pretos, vermelhos e forros (eram descendentes dos chamita), Sectários de Maomet (eram os mais valentes e organizados), Balantos ( gentios democratas), Biafadas ( eram robustos, atléticos, esforçados, bons marinheiros), Papéis, Manjacos, Nalus, Bahuns. E do Congo e Angola tiveram do grupo Banto foram os Ba-Congos (mais adiantados da África), Djaggas ( convertidos ao cristianismo), Cabindas (excelentes trabalhadores), Mussurongos, Eschicongos, Jagas e seus afins Ban-Galas e do grupo Fiote tivemos os Bamba e os Hollos, Ambaquistas, e do sertão tivemos os Ma-Quiocos (hábeis caçadores), Guissamas (valentes e hábeis), Libollos (pacíficos e agricultores), todos do grupo Bunda, e o do grupo N`bundo vieram os Ba-Nanos, Ba-Buenos, Bailundos (todos eram altos, fortes e aguerridos), Bihenos (artistas), Mondombes, e do grupo Janguellas ou Baagangellas tiveram os Ambuellas (mineradores de ferro), Guimbandes (pacíficos e artistas) Banhanecas e Ba-Ncumbis (pastores e agricultores) e dos grupos Bantos Orientais foram os Macuás (inteligentes e faladores), Manimdis e Manguanguaras (selvagens) Nyanjas ou Manganjas (inteligentes e pacíficos), Mavias (pescadores) e do Senegal tivemos os Muzinhos, Moraves e Ajaus (mercadores de marfim) e do ramos de Bochimanos e Hotentotes tiveram os Ba-Cancalas, Bacubaes, Ba-Corócas, Ba-Cuandos, Ba-Cassequeres, Basutos e Bechuanas, Nubios. A obra do negreiro na África foi verdadeiramente vandálica, destruidora, sanguinária! 

A eloquência do número de raças exportadas de todos os recantos africanos é frisantes atestado da gula dos comerciantes negreiros pelo rendoso negocio do trafico. Todas as nações civilizadas tinham ali na costa da África a sua feitoria e nos mares em cruzeiros simultâneos, navios de todos os efeitos empregados no trafego imoral, aberrante, desumano e sanguinário, que despovoou pouco a pouco o continente negro e seu modo cobriu-se de sangue durante asa preias desordenadas, preias levadas a efeitos a ferro e a fogo, a laço e a tiro. Fonte: www.segal1945.hpg.ig.com.br Tráfico Negreiro Após a meritória campanha de Wilberforce, na segunda metade do século XVIII, vencidos os opositores internos da abolição do tráfico e da escravidão, a Grã-Bretanha, desde o início do século XIX, tornara-se a campeã da liberdade dos escravos negros, se bem que somente em 1838 tenha proclamado a abolição total da escravidão em suas colônias. Seria interessante recordar, como um flash, em um esforço de situar o assunto em um contexto mais amplo, que em 1787 o tráfico deslocava anualmente 100.000 escravos negros, transportados pela Inglaterra (38.000), França (31.000), Portugal (25.000), Holanda (4.000) e Dinamarca (2.000). Os negreiros haviam também mudado sua direção. Durante o século XVIII, a metade deles se dirigia s Antilhas inglesas, holandesas e francesas. 

No século XIX não tiveram senão dois destinos: o Brasil e Cuba. Depois que a França perdeu São Domingos, a ilha espanhola tornou-se o primeiro produtor mundial de açúcar; reclamava incessantemente mais escravos, uma parte dos quais revendia aos fazendeiros do sul dos Estados Unidos. Negros no porão do navio Quanto ao Brasil, atingia ele um formidável desenvolvimento agrícola. Assim, os portugueses, espanhóis e brasileiros, em número muito maior do que os franceses, se dedicaram ao tráfico de escravos. Este não fora nunca tão remunerador como quando se tornou clandestino: fala-se de lucros de 200% a 400% (Liliane Crété, “La traite de Nègres sous l’Ancien Regime”, Paris 1989, págs. 278). 

Quanto s colônias francesas por exemplo, a Assembléia votara a abolição da escravidão em 1794; Napoleão, Primeiro Cônsul, a restabeleceu em 1802, tendo sido finalmente extinta em 1848, indenizando-se os proprietários atingidos pela medida. Valendo-se da situação privilegiada de que gozava após o apoio dado à transmigração da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, conseguiu o Governo inglês que, no Artigo X do Tratado de Aliança e Amizade celebrado com Portugal em 1810, o Príncipe Regente “… convencido da má política do comércio de escravos” resolvesse cooperar com o Rei da Grã-Bretanha, “adotando em seus domínios uma gradual abolição do comércio de escravos”. 

Ficava também proibido aos portugueses continuar o tráfico na África, fora dos domínios de Portugal. Questões do Pirara No Congresso de Viena, não obtivera a Inglaterra a inclusão, na Ata Final, de uma cláusula que equiparasse o tráfico à pirataria. Conseguira, entretanto, em relação àquele, que no anexo XV à referida Ata, constasse sua condenação em princípio. Bilateralmente, entretanto, assinou com Portugal, também em 1815, um Tratado “para a abolição do tráfico de escravos em todos os lugares da Costa da África ao norte do Equador”. 

Além dessa medida, o texto bilateral assinala que D. João resolvera adotar ” em seus domínios, uma gradual abolição do comércio de escravos”. O Governo inglês não esmorecia em seu afã e, em 1817, não lhe sendo ainda possível atingir seu maior objetivo, alcançara pela Convenção que tem por fim “impedir qualquer comércio ilícito de escravatura”, fosse adotado e reconhecido o famoso “direito de visita e busca” nas embarcações suspeitas e a criação de “comissões mistas” para julgarem os navios apresados, que passaram a funcionar em Serra Leoa e no Rio de Janeiro. 

Proclamada a Independência do Brasil, passou a Grã-Bretanha a pressionar o Governo imperial, tendo-se inclusive pensado em um momento, que o reconhecimento poderia ser trocado pela abolição do tráfico. Mais tarde, em 1826, foi assinada “com o fim de pôr termo ao comércio da escravatura na Costa da África”, a Convenção de 23 de novembro, a qual além de revalidar os compromissos anteriormente assumidos pela Metrópole, estatuiu a “supressão definitiva do tráfico”, três anos depois da troca de ratificações; a libertação dos negros importados ilegalmente e o término, em 1845, do “direito de visita”. 

Iniciou-se assim um penoso período que se deteriorava dia a dia. De um lado, os interesses escusos dos traficantes (a maioria dos quais estrangeiros) ávidos de não perder os lucros extraordinários que obtinham, sustentados pela maioria absoluta, pela quase totalidade, dos produtores rurais que não imaginavam outros braços que não fossem escravos. 

De outro, o Governo e o Almirantado da Grã-Bretanha, lutando por uma nobre causa, mas insensíveis aos melindres nacionais que os interessados habilmente manipulavam. A cada excesso dos navios ingleses, correspondia um aumento de sensibilidade do povo e do governo. Multiplicavam-se, assim, os abusos ao mesmo tempo que crescia o sentimento nacionalista de reação. 

Chegou um momento em que a repressão tornou-se unilateral e, inclusive, a Comissão Mista de Serra Leoa passou a funcionar sem representantes brasileiros. Crescia desmesuradamente o tráfico depois de 1833. Em 1844 o Governo Imperial resolveu enfrentar os arbítrios da campanha inglesa. Em 9 de novembro, em nota ao Ministro inglês no Rio de Janeiro, declarou abolido o cargo de juiz conservador da Nação inglesa. Meses depois, em 12 de março de 1845, às vésperas da cessação da vigência da Convenção de 1826, recordou ao representante inglês essa situação, sugerindo, entretanto, a criação por seis meses de uma comissão mista. 

Para surpresa nossa, o representante inglês nessa comissão declarou que o Almirantado da Grã-Bretanha considerava sempre vigente a Convenção de 1826, no que se referia busca e apreensão de navios suspeitos. Apesar de não esperar essa reação, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Limpo de Abreu, respondeu que estaria pronto a estudar uma maneira de adaptar às atuais circunstâncias as convenções de 1817 e 1826, com o que, após certa relutância, parecia concordar o governo inglês. Eis, porém, que a 8 de agosto do mesmo ano de 1845, fora sancionado o famoso Bill Aberdeen que determinava o julgamento, pelo Almirantado inglês, de todos os navios apresados. Nosso Ministro em Londres apressou-se a protestar junto ao Foreign Office, o mesmo fazendo Limpo de Abreu na severa nota enviada à Legação inglesa no Rio de Janeiro, circulada, aliás, entre os demais representantes de potências amigas acreditados junto à Corte de S. Cristóvão. 

O Governo britânico ponderou, como já o fizera, que considerava a “cláusula da pirataria” como permanentemente válida. No Brasil a reação ao Bill Aberdeen foi geral e particularmente violenta. Esse estado de espírito favorecia o comércio negreiro. Ao mesmo tempo, as violências inglesas contra o tráfico recrudesceram. Ia se criando um verdadeiro círculo vicioso que era mister interromper: de um lado, a reação aos excessos da campanha levada a cabo pela Inglaterra propiciava aos traficantes intensificar sua atividade a qual, por sua vez, dava lugar a uma repressão cada vez mais violenta. O tráfico aumentava, na verdade, em proporção muito superior ao que seria possível esperar. 

Assim, em 1845, ano da sanção do célebre Bill, o Brasil importara 19.453 escravos; em 1846, 50.324; em 1847, 56.172; em 1848, 60.000; em 1849, 54.000; em 1850, (ano da Lei Eusébio de Queiroz) 23.000; em 1851, 3.287; e em 1852, 700. Essa baixa vertiginosa no quadro da importação de escravos deve-se à atitude do Governo imperial o qual soube, apesar da atmosfera de ressentimentos e de indignação popular, acirrados, como assinalamos, pelos traficantes e grandes proprietários, ver o interesse maior do país procurando solucionar diretamente, sem a colaboração de outras potências, o grande e complicado problema do tráfico. Passou, assim, o assunto para o campo do direito interno e de acordo, aliás, com a opinião um tanto isolada de uma elite de estadistas, foi sancionada a lei de 4 de setembro de 1850 que suprimiu definitivamente o tráfico, estatuindo penalidades graves para seus infratores. 

O então Ministro do império tomou as medidas necessárias para a rigorosa aplicação do texto legal justamente conhecido como Lei Eusébio de Queiroz. Extinguia-se, assim, um problema que tantas dificuldades trouxera ao Governo imperial. Hélio Vianna (“História Diplomática do Brasil”, págs. 106 e 107) sintetiza, com felicidade, outras questões que tivemos que enfrentar com a Inglaterra, nos primeiros anos da década de 1860: “Além das divergências suscitadas pela questão do tráfico de africanos e da pretendida renovação de seu vantajoso Tratado de Comércio, outras sustentou o Império do Brasil contra a Inglaterra, algumas, aliás, baseadas em motivos de ordem exclusivamente pessoal, isto é, arbitrárias atitudes assumidas por seu ministro no Rio de Janeiro, William Dougal Christie. Dois pequenos incidentes, que poderiam ser satisfatoriamente resolvidos sem dificuldade, levaram o país a romper relações com aquela potência européia, pela inabilidade e violência com que quis resolvê-los o referido diplomata. 

O primeiro caso originou-se na pilhagem, nas costas do Rio Grande do Sul, da carga de uma embarcação inglesa aí naufragada em 1861. Apesar de terem as autoridades brasileiras tomado todas as providências para o necessário inquérito, conseguiram fugir para o estrangeiro os responsáveis pelo roubo. O segundo incidente, simples ocorrência policial, verificou-se no Rio de Janeiro, no ano seguinte. 

Dois oficiais da marinha britânica, embriagados e à paisana, desrespeitaram uma autoridade brasileira, foram presos e, logo depois de conhecida sua condição militar, postos em liberdade. Juntando os dois episódios, exigiu Christie o pagamento imediato de indenização pelo primeiro e amplas satisfações pelo segundo, inclusive a punição dos funcionários que julgava responsáveis. Não acedendo o Governo imperial às exigências do diplomata, determinou este que navios ingleses apresassem, fora do porto do Rio de Janeiro, algumas embarcações mercantes brasileiras. 

O fato provocou, nos primeiros dias de 1863, enorme agitação popular, que só não chegou a produzir lamentáveis conseqüências pela atitude então assumida pelo Imperador D. Pedro II, que tomou sob sua responsabilidade a honrosa solução do incidente. 

Determinando que se pagasse, sob protesto, a indenização pedida, pois o Brasil não discutiria questões de dinheiro quando se tratasse da honra nacional, mandou que o nosso ministro em Londres, Francisco Inácio de Carvalho Moreira, depois Barão do Penedo, pedisse satisfações ao governo inglês, pela ação de seu agente no Rio de Janeiro, aliás prontamente removido do cargo. Não julgando satisfatórias as explicações que lhe foram dadas, rompeu o Brasil relações com a Inglaterra, deixando a sua capital o nosso representante e recebendo passaportes o substituto de Christie junto à corte de São Cristóvão. 

Reconhecendo, porém, o governo brasileiro, a origem puramente pessoal do conflito, e levando em conta a antiga amizade brasileira e portuguesa com a Inglaterra, admitiu, pouco depois, que o caso fosse decidido por arbitramento do Rei dos Belgas, aliás tio e conselheiro da soberana inglesa, a Rainha Vitória. O laudo de Leopoldo I foi inteiramente favorável ao Brasil, motivo pelo qual, reconhecendo a Inglaterra a precipitação com que agira o ministro Christie, incumbiu o ministro Edward Thornton de apresentar a D. Pedro II as escusas do governo de Sua Majestade britânica. Encontrava-se o Imperador do Brasil em Uruguaiana, em plena guerra com o Paraguai, em 1865, quando foi procurado pelo agente inglês, que aí mesmo deu cumprimento à sua missão, reatando-se as relações com a Inglaterra, ficando inteiramente desfeito o incidente que dera causa ao rompimento”. As questões do Pirara e do Amapá a que nos referimos ao sintetizar a diplomacia durante o período regencial, arrastavam-se, sem solução, depois da Maioridade. 

O Governo Imperial, em 1843, concordou em neutralizar a zona do Pirara aguardando melhor oportunidade para resolver o dissídio. Com relação ao Amapá, tanto as negociações entabuladas no Rio de Janeiro, em 1841 e 1842, quanto as levadas a cabo em Paris em 1846 e 1854, não tiveram resultados definitivos. Sobre as negociações para pôr termo ao Tratado de Comércio de 1827 com a Inglaterra, já nos referimos ao tratar do assunto de maneira geral no capítulo referente ao 1º Reinado. A abertura do Amazonas será enfocada de maneira especial. 

Fonte: www2.mre.gov.br 

Tráfico Negreiro 

Os negros levados para o Brasil para suprimirem a escassez de mão-de-obra, nomeadamente nas plantações da cana do açúcar, tabaco, algodão e café ou na extração do ouro e diamantes. No século XVI o Brasil terá recebido 15 mil escravos, a maioria dos quais vieram do Golfo da Guiné, e destinavam-se sobretudo ao engenhos da cana-do-açucar. 

Os dois principais locais foram a Baia e Pernanbuco, e depois o Maranhão (ligados à cultura do Algodão) e o Rio de Janeiro. O tráfico era controlado por portugueses a partir da Baia. Em 1559, os senhores dos engenhos são autorizados importar diretamente escravos de África. No século XVII recebeu 400 ou 500 mil escravos. 

Angola tornou-se na principal fonte de abastecimento. A extração do ouro e diamantes, iniciada no final do século, provocou o aumento do tráfico negreiro. Multiplicaram-se as iniciativas para aumentar o número de escravos: A Companhia do Maranhão, fundada em 1680, foi a primeira grande iniciativa para suprir a falta de escravos, mas a verdade é que teve uma vida curta. Em 1690 funda-se uma nova companhia dedicada ao tráfico negreiro, tendo funcionado até 1706. 

A Companhia de Jesus, em 1697, foi autorizada a fundar uma companhia de comércio que se dedicaria ao tráfico de negros. A justificação era que dessa forma se evitaria a escravatura dos Índios. Face à penúria de escravos, em 1699, foi a vez dos portos brasileiros serem autorizados a importar diretamente escravos de África. O tráfico esta longe de ser controlado pelo Estado português. No século XVIII chegaram cerca de 1,7 milhões de escravos. 

A maioria eram oriundos de Angola (Luanda e Benguela) e os restantes quase todos do Golfo de Benim. A partir de meados do século passou a predominar os escravos de origem africana, assim como os afro-descendentes, conhecidos por “pardos”. No final do século, só os escravos representariam mais de 60% da população brasileira. O século XVIII foi marcado por dois acontecimentos maiores: a Declaração de Independência dos EUA (1776) e a Revolução Francesa (1789). Em ambos foi declarado que todos os homens nascem livres e iguais. Contudo, os revolucionários da altura não incluíam na categoria de “homens”, nem os escravos, nem as mulheres. É por esta razão que os lideres da revolução americana, como George Washington ou Thomas Jefferson não viam nisso qualquer contradição pelo fato de possuírem centenas de escravos. 

Os escravos não eram homens, eram outra coisa. Século XIX. A Independência do Brasil, em 1822, está ligada ao incremento do tráfico negreiro, para abastecer as plantações de café e de tabaco. O fato nada tem de estranho. Sem esta mão-de-obra o Brasil estaria em risco de desagregar, devido à estagnação que isso iria provocar no seu desenvolvimento económico. Era difícil atrair imigrantes para os trópicos. 

A separação do Brasil de Portugal tornou-se em certa altura a única medida possível para manter a escravatura neste país e evitar a sua desgregação. Portugal, no princípio do século XIX, estava numa situação muito complicada em relação à escravatura. Abolira a escravatura em 1761, mas manteve-a nas suas colónias, como no Brasil, sob o argumento de que as mesmas careciam de mão-de-obra. 

No princípio do século, a Inglaterra, sua principal aliada, pressionava-o para que abolisse a escravatura. Em 1810, foi assinado no Rio de Janeiro, um Tratado de Aliança e Amizade entre os dois países, no qual se comprometeu a restringir a escravatura nas colónias e a acabar com o tráfico para o Brasil. Em 1815, no Congresso de Viena, comprometeu-se mais uma vez a acabar com a escravatura. 

Em 1817 assina o Ato Adicional ao Tratado de 1815, no qual permite que fossem apresados os seus navios que se dedicassem ao tráfico negreiro. Esta medida envolvia diretamente o Brasil caso o mesmo permanecesse unido a Portugal. A única alternativa que lhe restava para manter o tráfico e a escravatura no Brasil era separá-lo de Portugal, continuando este a manter em África as fontes de abastecimento de escravos (Angola, Guiné, Moçambique, etc.). É por esta razão que D. Pedro I, logo após a célebre declaração de Independência do Brasil, escreve ao seu pai (D.João VI), a 22 de Setembro, afirmando que a Independência era a única coisa que servia os interesses a longo prazo dos portugueses, pois permitia manter a unidade e prosperidade do Brasil e o negócio de escravos nas colónias africanas. 

Os que estavam contra esta política, a que chama “luso-espanhóis” serviam apenas os interesses da Espanha, pois esta estava interessada no fim de Portugal e na desagregação do Brasil. Concluí que quando os desgraçados dos portugueses os conhecerem bem, os que se opunham nas Cortes de Lisboa à Independência, lhes dará “o justo prémio”. Foi talvez por esta razão que também que veio para Portugal, em 1831, a fim de dar continuidade a este projeto, sendo na sua ação apoiado militar e financeiramente pelo Brasil e os grandes senhores locais. Após a Independência, D. Pedro I, recusa-se naturalmente a aceitar as exigências da Inglaterra acabando com a escravatura. O tráfico não apenas continuou, mas até aumentou. 

Calcula-se que só período das regências (1831-1840), entrassem mo Brasil 20.000 escravos por ano. Número que subiu para 50.000 entre 1840 e 1850, já sob o governo de D. Pedro II. A presença dos escravos e do afro-descendentes era bem vísivel na sociedade brasileira do século XX. Em 1838, o Rio de Janeiro, capital do Brasil, contava com 97 mil habitantes, dos quais 37 mil eram escravos. Em 1851 registava 266 mil habitantes, entre os quais se contavam 110 mil escravos. Desde a antiga Roma que não existia uma capital com maior número de escravos. Calcula-se que só primeira metade do século XIX, o Brasil tenha recebido 1,325 milhões de escravos, destinados sobretudo às plantações de café de Vale de Paraíba, na província do Rio de Janeiro. 

Embora o tráfico tenha sido proibido a 4 de Setembro de 1850, continuou muito ativo. O problema da falta de mão-de-obra persiste. Portugal em 1869 decreta o fim da escravatura nas suas colónias. O Brasil ficam sem fontes de abastecimento, e tem que acelerar o fim da escravatura. Em 1871 é publicada a lei do Ventre Livre, que declara livres os filhos dos escravos nascidos no Brasil, assim como os escravos pertencentes ao Estado. Apesar das sucessivas medidas para restringir o tráfico, em 1883, ainda se registavam neste país 1.200.000 escravos. 

Oficialmente a escravatura só foi abolida em 1889. Desde os anos 70 do século XIX, começa a grande vaga de imigração para o Brasil, sobretudo de portugueses e italianos que começam a substituir os escravos nas roças, mas também em muitas outras atividades nos campos ou nas cidades. O anunciado colapso económico não se verificou graças a estes imigrantes. Desde o século XVI até ao século XX terão entrado no Brasil cerca de 4 milhões de escravos, os quais na sua maioria são oriundos de três grupos fundamentais: a) culturas sudanesas (povos Iorubanos, da Nigéria, Domé, Costa do Ouro, etc); b) culturas da Guiné-Sudanesas islamizadas (Peuhl, mandigas, Haussá, tapa, Borem, Gurunsi,etc); c) culturas bantas (Angola, Congo, Moçambique, etc). 

Após a libertação completa dos escravos do Brasil (1889), os negros foram legalmente incorporados no conceito de povo brasileiro, embora tenham persistido os problemas da sua integração social. Nesta mesma altura começa-se a colocar a questão da influência negativa dos negros no povo brasileiro. A mestiçagem é então condenada por largos setores, falando-se na necessidade de embranquecer a população. No anos 30 do século XX, Gilberto Freire ao retomar a questão da miscigenação, mostra os importantes contributos dos negros para a sociedade brasileira. Sem eles não havia Brasil. Palavras que não devem ser esquecidas quando se sabe que a maioria da população pobre do Brasil é negra. Carlos Fontes 

Fonte: lusotopia.no.sapo.pt Tráfico Negreiro TRÁFICO NEGREIRO – Estimativas globais, por época e região Regiões Períodos 1451-1600 1601-1700 1701-1810 1811-1870 Total Europa 48.800 1.200 5 .000 Ilhas Atlânticas 25.000 25.000 São Tomé 76.100 23.900 100.000 América Espanhola 75.000 292.500 578.600 606.000 1.552.100 Brasil 50.000 560.000 1.891.400 1.145.400 3.646.800 Caribe britânico 263.700 1.401.300 1.665.000 Caribe francês 155.800 1.348.400 96.000 1.600.200 Caribe holandês 40.000 460.000 500.000 Caribe dinamarquês 4.000 24.000 28.000 América do Norte inglesa 348.000 51.000 399.000 Total 274.900 1.341.100 6.051.700 1.898.400 9.566.100 Média anual 1.800 13.400 55.000 31.600 22.800 Fonte: people.cohums.ohio-state.edu 

Tráfico Negreiro 

O tráfico negreiro no Brasil perdurou do século XVI ao XIX. Nosso país recebeu a maior parte de africanos escravizados no período (quase 40% do total) e foi a nação da América a mais tardar a abolição do cativeiro (1888). Era uma atividade lucrativa e praticada pelos portugueses antes do descobrimento do Brasil. As embarcações utilizadas para o transporte desses escravos da África para o Brasil eram as mesmas anteriormente usadas para o transporte de mercadorias da Índia. 

Assim, podemos levantar dúvidas sobre o estado de conservação e a segurança dos navios negreiros. No início desse “comércio” eram utilizadas para o tráfico negreiro desde as charruas até as caravelas, com arqueações que variavam entre 100 e 1000 toneladas. Mas com o passar do tempo os navios negreiros começaram a ser escolhidos com mais especificidade, indo de naus com apenas uma cobertura (os escravos eram transportados sem distinção nos porões) a naus com três coberturas (separando-se homens, mulheres, crianças e mulheres grávidas). 

Àquela época, esses navios eram apelidados de “tumbeiros”, pois devido às condições precárias muitos escravos morriam. Os negros que não sobreviviam à viagem tinham seus corpos jogados ao mar. Os negros que aqui chegavam pertenciam, grosso modo, a dois grupos étnicos: os bantos, vindos do Congo, da Angola e de Moçambique (distribuídos em Pernambuco, Minas Gerais e no Rio de Janeiro) e os sudaneses, da Nigéria, Daomé e Costa do Marfim (cuja mão-de-obra era utilizada no Nordeste, principalmente na Bahia). 

A saudade da terra natal (banzo) e o descontentamento com as condições de vidas impostas eram a principal razão das fugas, revoltas e até mesmo dos suicídio dos escravos. A “rebeldia” era punida pelos feitores com torturas que variavam entre chicotadas, privação de alimento e bebida e o “tronco”. Durante essas punições, os negros tinham seus ferimentos salgados para provocar mais dor. O motivo para o início do tráfico negreiro no Brasil foi a produção de cana-de-açúcar. 

Os escravos eram utilizados como mão-de-obra no Nordeste. Comercializados, escravos jovens e saudáveis eram vendidos pelo dobro do preço de escravos mais velhos ou de saúde frágil. Vistos como um bem material, eles podiam ser trocados, leiloados ou vendidos em caso de necessidade. O Tráfico Negreiro foi extinto pela Lei Eusébio de Queirós, em 1850. A escravidão no Brasil, no entanto, somente teve fim em 1888, com a Lei Áurea. 

Origem dos Escravos Africanos Inicialmente, os portugueses ocuparam o litoral oeste do continente africano guiados pela esperança de encontrar ouro. O relacionamento com a população nativa era razoavelmente pacífica, tanto que os europeus chegavam a casar com mulheres africanas. Mas registros apontam que por volta de 1470 o comércio de escravos oriundos da África tinha se tornado o maior produto de exploração vindo do continente. No século XV Portugal e algumas outras regiões da Europa eram os principais destinos para a mão de obra escrava apreendida no continente africano. 

Foi a colonização no Novo Mundo que mudou a rota do mercado consumidor de escravos e fez com que o comércio fosse praticado em grande escala. Os escravos capturados na África eram provenientes de várias situações: Poderiam ser prisioneiros de guerra; Punição para indivíduos condenados por roubo, assassinato, feitiçaria ou adultério; Indivíduos penhorados como garantia de pagamento de dívidas; Raptos em pequenas vilas ou mesmo troca de um membro da comunidade por alimentos; A maior parte dos escravos vindos da África Centro-Ocidental era fornecida por chefes políticos ou mercadores, os portugueses trocavam algum produto pelos negros capturados. 

A proveniência dos escravos percorria toda a costa oeste da África, passando por Cabo Verde, Congo, Quíloa e Zimbábue. Dividiam-se em três grupos: sudaneses, guinenos-sudaneses muçulmanos e bantus. Cada um desses grupos representava determinada região do continente e tinha um destino característico no desenrolar do comércio. 

Os sudaneses dividiam-se em três subgrupos: iorubas, gegês e fanti-ashantis. Esse grupo tinha origem do que hoje é representado pela Nigéria, Daomei e Costa do Ouro e seu destino geralmente era a Bahia. Já os bantus, grupo mais numeroso, dividiam-se em dois subgrupos: angola-congoleses e moçambiques. A origem desse grupo estava ligada ao que hoje representa Angola, Zaire e Moçambique (correspondestes ao centro-sul do continente africano) e rinha como destino Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo. 

Os guineanos-sudaneses muçulmanos dividiam-se em quatro subgrupos: fula, mandinga, haussas e tapas. Esse grupo tinha a mesma origem e destino dos sudaneses, a diferença estava no fato de serem convertidos ao islamismo. 

Desde os primeiros registros de compras de escravos feitos em terras brasileiras até a extinção do tráfico negreiro, em 1850, calcula-se que tenham entrado no Brasil algo em torno de quatro milhões de escravos africanos. Mas como o comércio no Atlântico não se restringia ao Brasil, a estimativa é que o comércio de escravos por essa via tenha movimentado cerca de 11,5 milhões de indivíduos vendidos como mercadorias. 

Fonte: www.historiabrasileira.com 

Tráfico Negreiro 

Na Colônia, ainda no século XVI, os portugueses já haviam dado início ao tráfico negreiro, atividade comercial bastante lucrativa. Os traficantes de escravos negros, interessados em ampliar esse rendoso negócio, firmaram alianças com os chefes tribais africanos. Estabeleceram com eles um comércio baseado no escambo, onde trocavam tecidos de seda, jóias, metais preciosos, armas, tabaco, algodão e cachaça, por africanos capturados em guerras com tribos inimigas. 

Segundo o historiador Arno Wehling, “a ampliação do tráfico e sua organização em sólidas bases empresariais permitiram criar um mercado negreiro transatlântico que deu estabilidade ao fluxo de mão-de-obra, aumentando a oferta, ao contrário da oscilação no fornecimento de indígenas, ocasionada pela dizimação das tribos mais próximas e pela fuga de outras para o interior da Colônia”. Por outro lado, a Igreja, que tinha se manifestado contra a escravidão dos indígenas, não se opôs à escravização dos africanos. 

Dessa maneira, a utilização da mão-de-obra escrava africana tornou-se a melhor solução para a atividade açucareira. Rugendas, Desembarque de Escravos Negros vindos da África Os negros trazidos para o Brasil pertenciam, principalmente, a dois grandes grupos étnicos: os sudaneses, originários da Nigéria, Daomé e Costa do Marfim, e os bantos, capturados no Congo, Angola e Moçambique. 

Estes foram desembarcados, em sua maioria, em Pernambuco, Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Os sudaneses ficaram na Bahia. Calcula-se que entre 1550 e 1855 entraram nos portos brasileiros cerca de quatro milhões de africanos, na sua maioria jovens do sexo masculino. Os navios negreiros que transportavam africanos até o Brasil eram chamados de tumbeiros, porque grande parte dos negros, amontoados nos porões, morria durante a viagem. O banzo (melancolia), causado pela saudade da sua terra e de sua gente, era outra causa que os levava à morte. 

Os sobreviventes eram desembarcados e vendidos nos principais portos da Colônia, como Salvador, Recife e Rio de Janeiro. Os escravos africanos eram, de forma geral, bastante explorados e maltratados e, em média, não aguentavam trabalhar mais do que dez anos. Como reação a essa situação, durante todo o período colonial foram constantes os atos de resistência, desde fugas, tentativas de assassinatos do senhor e do feitor, até suicídios. Essas reações contra a violência praticada pelos feitores, com ou sem ordem dos senhores, eram punidas com torturas diversas. Amarrados no tronco permaneciam dias sem direito a comida e água, levando inumeráveis chicotadas. 

Eram presos nos ferros pelos pés e pelas mãos. Os ferimentos eram salgados, provocando dores atrozes. Quando tentavam fugir eram considerados indignos da graça de Deus, pois, segundo o padre Antônio Vieira, ser “rebelde e cativo” é estar “em pecado contínuo e atual”…. Fonte: www.multirio.rj.gov.br Tráfico Negreiro O tráfico de Negros aconteceu no século XlX,foi uma mancha na História do Brasil. Eram vendidos como animais,trabalhavam sem descanso. No período do romantismo no Brasil,Castro Alves e outros escritores assumiram a causa abolicionista que só foi concretizada com a Lei Áurea,assinada por Princesa Isabel Resumo A escravidão africana era autorizada por Bula do Papa desde 1454. Havia três tipos de Tráfico Negreiro: O Assiento, cedido pela coroa; O Particular; O das Cia Privilegiadas de Comércio. Os Sobas (chefes africanos), faziam guerra para capturar negros de outras tribos para negociar com os portugueses. 

Nos Tumbeiros (Navios Negreiros), de 10 a 30% dos escravos morriam; às vezes chegava a 50%. O escravo era trocado por cachaça, fumo, arma, etc. 

CONDIÇÕES E RESISTÊNCIA DOS ESCRAVOS 

Muitos pertenciam a dois grupos étnicos: Bantos e Sudaneses. Dentre os sudaneses destacava-se os muçulmanos da Guiné. Cotidiano Já na América alguns morriam de tristeza ou melancolia, chamada de Banzo. Os castigos físicos mais comuns eram: Tronco (em pé: para o chicote; deitado: para prender pelas pernas). Bacalhau: chicote de couro cru (às vezes passavam sal nas feridas, o que piorava). Viramundo: Instrumento de ferro que prendia mãos e pés juntos. Gargalhadeira: colar de ferro com hastes em forma de gancho. Conflitos culturais Os escravos eram submetidos a se adaptar a uma nova cultura que lhe era imposta, tendo que: Comer uma comida que não era de seu costume. Vestir roupas de panos grossos de algodão. 

Aprender a língua local. Formas de Resistência Suicídios, abortos, assassinatos, fugas eram constantes. Houve também quilombos e insurreições. A perda do escravo era prejuízo para seu dono, que nem sempre exagerava nos maus tratos. Dificuldades de organização Falta de comunicação entre os engenhos – dificultava uma organização de negros de outras fazendas. Mistura de etnias rivais – tribos que eram rivais na África são colocados juntos para dificultar o entrosamento. Diferença na distribuição dos trabalhos – o escravo doméstico tinha medo de voltar para a lavoura, denunciando qualquer tentativa de rebelião. Alforria como forma de dominação – o escravo alforriado vivia em torno do seu antigo dono, e denunciava complôs por medo de perder a liberdade. Fonte: www.cegh.com.br Tráfico Negreiro 

TRÁFICO DE ESCRAVOS 

A relação de depêndencia econômica entre metrópole e colônia acelera a necessidade de que a segunda se torne cada vez mais produtiva. A partir da metade do século XVI, a mão de obra indígena escravizada já não bastava ao sistema colonial. Quando o cultivo de cana de açúcar torna-se a principal atividade produtiva da colônia, superando a fase do extrativismo, a importação de africanos começa a ser praticada. Ela vem complementar a mão de obra, buscando aumentar a produtividade sem causar ônus para a metrópole. O tráfico de escravos, já praticado pelos portugueses desde o século XV para suprir a carência de mão de obra na Europa e em suas colônias das Antilhas, é um negócio altamente lucrativo para a metrópole. Ao contrário dos negócios em torno do escravo indígena, que geram um comércio interno cujos lucros não atingem a merópole, o comércio do africano se inicia sob o seu controle. 

Como conseqüência, o grau de dependência da economia colonial acentuou-se devido ao controle de um setor estratégico praticado de perto pela metrópole. O tráfico negreiro aprofunda os objetivos mercantilistas da Coroa portuguesa ao tornar-se uma atividade altamente lucrativa, especialmente a partir do aumento da produção canavieira, ainda no século XVI. 

Expande-se por todas as atividades da colônia, tornando-se a base sobre a qual se ergue a sua economia. Como o número de mortes entre os escravos negros era sempre maior do que o de nascimentos, devido às péssimas condições de vida em que eram mantidos, o tráfico de escravos era uma necessidade contínua para a reposição da mão-de-obra e da crescente produtividade da colônia. Em 1815 os escravos negros representavam cerca de 50,55% da população total do Brasil. 

Em algumas áreas esta porcentagem crescia, como no caso da província do Rio de Janeiro, que em 1821 chegava a 52% nos municípios produtores de café. No momento de desenvolvimento da economia cafeeira houve uma forte intensificação do tráfico negreiro para o abastecimento das regiões produtoras de café. Porém, neste momento, a constituição do capitalismo industrial com o crescente emprego do trabalho livre assalariado cria um clima internacional desfavorável à escravidão. Com as pressões exercidas pela Inglaterra para o fim do tráfico negreiro desde as primeiras décadas do século XIX e a transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, D. João VI se vê forçado a limitar o comércio de escravos. 

Entretanto, por força das pressões das elites agrárias e por fraqueza do Império para combatê-las, os africanos continuam chegando por contrabando ao Brasil, apesar dos freqüentes ataques da esquadra britânica aos navios negreiros. O contrabando ainda é um bom negócio e a mão-de-obra escrava também. No ano de 1850 é aprovada a Lei Eusébio de Queirós, que extingue o tráfico de escravos. Porém, é somente com o aumento da produtividade trazida pela industrialização na segunda metade do século XIX que a economia baseada no trabalho escravo deixa de ser um bom negócio para tornar-se um entrave ao ingresso do Brasil na nova ordem do progresso mundial. Só assim termina o tráfico de escravos. 

Fonte: www.projetomemoria.art.br 

Tráfico Negreiro 

Negro Escravo Homem negro era uma continuação do meio na sua brutal grandiosidade geofísica, meio absorvente e bárbaro e na sua entomologia, a raça Bantu a mais adiantada, detentora das ricas terras do Congo e de Angola, caminhou a passos de gigante para a regressão em face dos usos e dos costumes de suas tribos e nações incapazes de absorver a civilização da raça branca para lá mandada pelos portugueses, tinha o culto da liberdade até extremos desconhecidos. 

Eram naturalmente anárquicos, não tinham união política entre si, e suas autoridades entre eles quase sempre eram tirânicas, absoluta e absorvente eram indisciplinados e desobedientes, por estes motivos foi fácil de serem vencidos em toda parte e em todos os tempos, esta raça robusta e por isto ela foi facilmente escravizada, podemos dizer-se que a nação de autoridade, só lhe veio depois do contato com a raça branca, depois que a rainha Ginga Bandi conseguiu tirar todo o partido das ações missionarias com o qual melhorou a sua raça em civilização e costume de crê-se que o espírito dessa formosa e famosa rainha tenha acompanhado um punhado de negros descendentes dos N`gola que foram vendidos para o Brasil e aquilombados em Mato Grosso e que fundaram o reinado negro de Quariterê, onde tanto sangue se derramou como em Palmares. 

E os costumes das tribos africanas em geral pareciam estar no ínfimo grau de desenvolvimento a julgar por alguns signos característicos destas habitações em cavernas porém tais exemplos não poderiam ser representativo da raça africana em regra geral. Pois o negro já estava fixado no solo e já constituía a sua tenda e quase todas os títulos protegiam as suas aldeias por uma cerca de arvores de troncos grossos e no recinto fortificado construíam as tendas formadas de juncos e palmas de forma cônica com teto de palha, que não possuía divisões salvo as vezes as dos chefes da tribo. 

Os utensílios domésticos eram todos de madeiras e pedra que serviam de assento, os pratos eram de argilas, cuias, facas de pedra e de ferro, vasos para água e para o preparo da comida, algumas tribos dormiam no chão sobre palhas ou peles e algumas tribos construíam tarimbas. 

A ordem domestica era perfeita pois cada tenda era ocupada por uma família onde o homem exercia a autoridade suprema do lar e na sua ausência era exercida pela primeira esposa, pois a poligamia era um costume em todas as tribos, e todo o trabalho domestico e nas pequenas lavouras ficava a cargo das mulheres, tanto os homens como as mulheres enfeitavam-se com muito capricho, particularmente da cabeleira, entre muitas tribos era costume se tatuarem e furar as orelhas, o lábio superior e o septo nasal. 

Os homens cuidavam de preparar as terras para as grandes plantações, em algumas aldeias existiam as industrias pastoril, também a caça e pesca era atribuições parta os homens das tribos. Sendo a caça no interior da África um serviço fatigante e arriscadíssimo, demandando grandes esforços, agilidade e coragem e de todos os animais eles aproveitavam a carne, o couro e do elefante o marfim. 

Era muito raras as aldeias não terem em forno para fundir ferro e uma forja para fabricação de ferramentas, armas e artigos de uso comum, as armas que usavam era o arco e a flecha, a zagaia, a lança e o cajado nodoso, a antropofagia era usada por algumas tribos do interior e da costa ocidental, todos negros africanos tinham grandes conhecimentos das virtudes de muitas plantas medicinas e a sua medicina consistia no emprego destas plantas acompanhadas de muitos exorcismo. 

Eram muitos supersticiosos e tinham, entre eles os adivinhos e os feiticeiros que eram venerados por todos das tribos, se tatuavam com desenhos significativos que constituíam-se de figuras de animação de plantas e de desenhos geométricos o desenho era indelével e feito no corpo humano em geral no peito e nos braços e as línguas eram todas aglutinantes e os usos e costumes sempre varriam de tribos para tribos conforme o seu grau de civilização e de caráter religioso, a concepção da arte nos povos negros não eram de ordem estética mas tão simplesmente religiosa, a idolatria foi o mais forte motivo da arte negra em conseqüência do meio bárbaro em que viviam e os brutais contraste que o cercaram desde o alvorecer de sua idade, o negro criou a arte segundo a sua emoção e essa arte e arte e é beleza porque representa o seu conhecimento de tristeza, a sua dor e o seu medo. 

A raça negra sempre tiveram grande pendor para as danças e a mais característica é o batuque, que o acompanhou na trajetória dolorosa de sua migração forçada para o cativeiro, e as suas danças consistiam num circulo formado pelas dançadores, indo para o meio de um preto que depois de executar vários passos, dava uma imbicada a quem chamava de semba na pessoa que escolhe entre as da roda, a qual ia para o meio do circulo substitui-lo. 

Os instrumentos musicais eram mais guerreiros que de diversões e o principal deles era o tong-tong empregados nas solenidade de guerra, nas festas populares usavam o balafo muito usado na costa do ouro, tinham o berimbau, canzá, e o tambaque e estes instrumentos acompanharam os palmerinos para amenizar os seus sofrimentos e resistir as dores e aos desesperos. 

Fonte: www.zbi.vilabol.uol.com.br

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