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domingo, 27 de agosto de 2017

O Brasil racista no novo álbum de Chico Buarque

As Caravanas, Chico Buarque
É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turqueza à la Istambul enchendo os olhos
Um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará — do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o combio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá — é o bicho, é o buchicho é a charanga
Diz que malocam seus facões e adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré
Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné
Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
Fonte: http://jornalggn.com.br (Luiz Nassif)

Um poema satírico brasileiro comentado pelo erudito presidente-golpista, por Sebastião Nunes


por Sebastião Nunes
O Brasil, como palco de dramalhões, não tem paralelo no mundo. Colonizado e explorado com voluptuosa preguiça por uma confusa mistura de criminosos e herdeiros da pequena aristocracia portuguesa, perdeu-se no caos. Terra de elites podres, corrupção antiga e velhos golpes que se repetem como se fossem novos. Lá em cima, os poderosos de hoje (crias dos poderosos de ontem) dividem o butim, sempre gordo. Aqui embaixo, a ralé e a classe média baixa (a média alta é tropa de choque dos poderosos) tentam sobreviver, juntando os cacos, os farrapos e a esperança. Ou, como filosofou um amigo esperto, quem tem coragem vai ser traficante; quem não tem, entra para a polícia. A alternativa é jogar futebol ou cantar música brega em programa de auditório, únicas praias em que preto pobre pode ter sucesso e encher o metafórico chapéu.
A população se divide assim: 100 famílias que fazem as leis e 190 milhões de otários que cumprem as ordens ou vão mofar (e morrer) nas cadeias superlotadas.
Este poema foi composto quando Itamar Franco (lembra dele?) era presidente, mas continua perfeitamente atual. Nada de espantoso: as sátiras de Gregório de Matos têm 350 anos e continuam valendo. Vamos ao poema, emoldurado em dourado numa das paredes palacianas, e aos palpites golpistas.
            AS RAMPAS DO PALÁCIO
Deitado de costas o presidente ronca.
            Deitada de bruços a senadora sua.
            Ajoelhado no tapete o ministro chupa.
            De pernas abertas a deputada goza.

            O líder do governo propõe uma suruba.
            Em regime de urgência o plenário aprova.
            Pelo buraco da fechadura o secretário.
            Enrolado nas cortinas o mordomo.
            A afilhada do prefeito sobe a rampa.
Caiu-lhe, ao presidente-golpista, o pelado queixo. Embasbacou.
– Serei eu esse presidente aí? – ponderou. – E que senadora será essa? Tem umas bem bonitinhas, de bundinhas empinadas e seios pontudinhos. Claro que tem umas bruxas que vou te contar, mas não seria uma dessas a estar de bruços. Deus me livre!
Atentando no segundo dístico, de novo ponderou:
– E esse ministro aí, qual deles será? Deve ser bem velhusco pra estar chupando, se bem que se for gostosona a deputada...
Passando adiante, refletiu sobre o terceiro dístico:
– Não é suruba, caro poeta, seja você quem for, não se trata de suruba. Quem sabe uma simples troca de palavras resolve a pendenga? Então, em vez de suruba, bota aí Reforma Política ou outra reforma qualquer, que é tudo farinha do mesmo saco, metaforicamente falando, é claro.
Saltou as alusões ao secretário e ao mordomo (“os daqui de casa sabem se comportar, não fariam tão feio assim”, refletiu cabreiro), leu o verso final e se apressou em voltar à sala do trono, pois uma afilhada de prefeito só pode ser uma semideusa, conforme deduziu imediatamente com sua emporcalhada mente golpista.
– Nada como uma afilhadazinha de prefeito como entrada – refletiu ele, sorrindo e pensando na senadora suando.
Entrou pelas portas dos fundos e, sentado no trono, esperou, cheio de curiosidade e emoção, a bela prenda – que demorava.
http://jornalggn.com.br/blog/sebastiao-nunes/um-poema-satirico-brasileiro-comentado-pelo-erudito-presidente-golpista-por-sebastiao-nunes