Postagem em destaque

Atrofia cultural

O cartunista  Miguel Paiva  afirma que a cultura brasileira segue ameaçada. Ele diz: “um país como o Brasil não pode ser entregue a ini...

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Mário de Andrade e O Carro da Miséria: Um calamitoso Brasil

O poema O Carro da Miséria, de Mário de Andrade, será apresentado todas as segundas-feiras de agosto desde ontem no teatro da companhia do Feijão, no centro de São Paulo. É um experimento cênico-musical que reúne atrizes, cantoras e músicos em torno das angústias e esperanças desse “coração paulistano”, o Mário militante das causas do povo e do Brasil.
Por Railídia Carvalho
 Mário de Andrade: “Escondido e desnudo em O Carro da Miséria” Mário de Andrade: “Escondido e desnudo em O Carro da Miséria”
E os tempos nunca estiveram tão necessitados dessa militância. Não é coincidência recuperar atualmente, pós-golpe de 2016 e do governo de Michel Temer, o contexto de incertezas e frustrações que tanto afligiu Mário ao escrever, nos anos de 30, 32 e 43, esse poema “de fôlego”.
A contestação política e social da obra fez com que Mário exitasse publicar o poema, o que aconteceu apenas em 1945, após a morte dele, ocorrida naquele mesmo ano. “O Carro da Miséria” foi publicado junto com o livro “Lira Paulistana”.
Nos nossos dias, coube ao pianista paulista Lincoln Antonio “receber” Mário e reunir uma trupe (de mulheres em sua grande maioria) do canto, do batuque, da cena, da criação, das luzes para dialogar com O Carro da Miséria. O ator Pascoal da Conceição, Mário redivivo, faz participação especialíssima na temporada.
Lincoln que, há 20 anos se debruça com o grupo A Barca sobre parte da obra do escritor paulista, musicou abrasileiradamente O Carro da Miséria fazendo soar sambas, cocos, lundus, canções luso-brasileiras.
Em ensaio sobre o poema, Mário diz: “…botei coisas nele (no poema) que estou convencido, não tem absolutamente nenhuma interpretação possível.” Não é à toa que O Carro “alegórico” da Miséria desfila o caldeirão cultural brasileiro com seu “morubixaba caiuarí”, “viúvas restritas”, “tantos barcos” e “adeuses presentinhos”, “os nossos negros que fazem bilboquê”, “veteranos da rabolução de 30”.
Iniciado nas vanguardas europeias, Mário fez a transição para o Brasil profundo do povo massacrado, escravizado, humilhado e discriminado. Fez da expressão do povo negro, índio, mestiço brasileiro sua fonte de inspiração para uma visão de identidade nacional.
Também fez a própria revolução civilizacional como o primeiro secretário de cultura de São Paulo (de 1936 a 1938). Implementou programas de acesso amplo à cultura para as massas. Em O Carro da Miséria se escondeu e se desnudou. Estão lá angústias, frustrações e também a perspectiva de que “seríamos felizes na ausência deste calamitoso Brasil”.
73 anos após sua morte, Mário de Andrade vivo, idealista, socialista se mantém como inspiração para construírmos um Brasil para todos: “E ao vivermos nas terras do Morubixaba Caiuarí, Tudo será em comum…”

Condomínio carioca executa dívida de R$ 40 mil contra Arlindo Cruz. "Brasil mostra verdadeiramente a tua cara!" - Eduardo Vasconcelos

"Brasil mostra verdadeiramente a tua cara!" - Eduardo Vasconcelos
Arlindo Cruz mal voltou para a casa, após um ano e meio de internação médica, e já está tendo que lidar com sérios problemas de cunho financeiro e judicial.
Segundo informações da coluna de Ancelmo Góis, do jornal O Globo, o condomínio carioca Vivendas do Sol entrou com o pedido de execução de uma dívida do sambista.
O valor soma quase R$ 38 mil e diz respeito a cotas condominiais em atraso, referentes ao período em que Arlindo residiu no local, entre setembro de 2015 e julho deste ano.
Vale citar que o processo, que está correndo na 6ª Vara Cível da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), foi aberto apenas nove dias após Cruz ter recebido alta hospitalar.
Lar, doce lar
Arlindo Cruz deixou o hospital no dia 2 de julho. O cantor estava internado desde março de 2017, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). De acordo com Arlindinho, filho do compositor, o músico de 59 anos seguirá seu tratamento em casa, onde contará com uma equipe 24 horas.
Fonte: BRASIL CULTURA