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GRUPO DE CAPOEIRA CORDÃO DE OURO-NOVA CRUZ/RN REALIZOU O BATIZADO E TROCA DE CORDA FECHANDO COM CHAVE DE OURO! CONFIRAM!!!

FINAL - FOTO HISTÓRICA  - GRUPO DE CAPOEIRA CORDÃO DE OURO MOMENTO DO "ESQUENTE"  MOMENTOS DECISIVOS - MUITA CONCENTRAÇ...

sábado, 31 de março de 2018

CPC/RN: NOSSA SINGELA HOMENAGEM A ELIZEU VENTANIA


Imagens; Google

Biografia


Elizeu  Elias da Silva ,Mais conhecido por Elizeu  Ventania, nasceu em 20 de julho de 1924 no Sítio jacu município de Martins. Desde de criança se identificou com a musica e aos 18 anos percebendo a sua vocação ,decidiu fazer da cantoria o seu ganha pão ,influenciado por outros violeiros.

De inicio pensou em se chamar Elizeu Serrania para homenagear a cidade de Martins,mais na época já havia artista com esse nome, E optou por Ventania.
Aos 18 anos seguiu para Fortaleza onde aprimorou sua arte de cantoria e inicia sua trajetória de artista. Viveu por anos do repente e da viola por todo Nordeste ate o Sul do país.

Fazendo cantorias com outros cantadores chegou a formar dupla com o cantor, João Liberalino, tornando-se uma dupla famosa na região e em um programa de radio "Rimas e Violeiros" por mais de 20 anos.

Gravou um LP "O Nascimento de Jesus" em 1972,

Foi casado por mais de vinte anos com Francisca Limeira Sales, Mais sua doença foi acompanhada pela companheira Benedita Neuma Sena com quem viveu seus últimos dias de vida.

O cancioneiro teve ao todo, 8 filhos,

Veio a falecer em 19 de outubro de 1998 de parada cardíaca. Elizeu sofria a anos de complicações respiratórias adquirida pelo fumo. A Sua morte ocorreu as 11: 30 hs ,no Hospital Regional Tancredo Neves onde estava internado.



Suas Obras  Discografia



  • Canções de Amor (1971)Disco com 10 músicas ,lançadas pela Continental
  • O Nascimento de Jesus ( 1972) Segundo álbum com a parceria de  João Liberalino
  • Chorando ao Pé da Cruz (1979) Disco com 10 música



 Letras de uma de suas canções



Chorando ao Pé da Cruz -  Elizeu Ventania

Eu fui um dia visitar o cemitério
Lugar de pranto de tristeza e de emoção
Fiquei sabendo que a vida é um mistério
Por uma cena que abalou meu coração.

Foi lá que vi uma criança ajoelhada
Ao pé da cruz a lamentar dizendo assim
Esta é a cova que mamãe esta sepultada
Mamãe o mundo acabou-se para mim.

A nossa casa permanece abandonada
Minha roupinha nunca mais ninguém lavou
Minha comida é tão mal feita e limitada
Sou espancado por alguém aonde vou.

Se adoeço fico só ninguém me assiste
Se estou chorando ninguém vem me consolar
Se vejo um filho chamar mãe eu fico triste
Porque não tenho mamãezinha pra chamar.

Eu aconselho a quem tiver sua mãezinha
Agrade a ela não lhe faça ingratidão,
Eu sofro tanto nesse mundo sem a minha
Ninguém me olha só recebo humilhação.

Eu estava perto observando aquela cena,
A criancinha a soluçar sem ter ninguém
Agarradinha com a cruz eu tive pena,

Não suportei sai dali chorei também.



Homenagens



A Estação das Artes Eliseu Ventania é um prédio em que aconteceram a maioria das festas e eventos da cidade de Mossoró, estado do Rio Grande do Norte. Também é parte do chamado "Corredor da Cultura de Mossoró", que envolve as atrações da Avenida Rio Branco, no Centro de Mossoró. O antigo prédio do Sistema Ferroviário Federal, foi recuperado com a parceria da Petrobrás, que foi contemplada com o espaço para o Museu do Petróleo.

O nome do prédio é homenagem a Elizeu Ventania, falecido em 1997, importante compositor e violeiro do Rio Grande do Norte, e ainda  também são homenageados outras personalidades importantes da cultura potiguar e brasileira, tendo em cada uma das salas, batizadas com o nome de um homenageado.

Fonte: http://elizeuvent.blogspot.com.br/2015/01/biografia-de-eliseu-ventania.html

Adaptado pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN. Em, 31/03/2018.

Judia da Polônia, negra da Maré

Por Juliana Neuenschwander* e Marcus Giraldes**
O contexto histórico-social em que estiveram inseridas e a trajetória individual de cada uma são muito diferentes, mas, assim como Rosa Luxemburgo, Marielle Franco também era uma mulher incômoda para o poder dos opressores.
No dia 15 de janeiro do próximo ano terão se passado exatamente cem anos da derrota da revolução socialista na Alemanha e da execução à sangue frio, em Berlim, de seus dois principais líderes, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. Ambos tinham 47 anos e haviam participado há poucas semanas da fundação do Partido Comunista alemão (KPD), após anos de polêmicas em face das linhas dominantes no interior da social-democracia. E ambos haviam se dedicado a denunciar a Primeira Guerra Mundial como uma carnificina que servia apenas para matar trabalhadores em prol dos interesses econômicos das burguesias de cada país imperialista. Karl era um jurista das causas populares e em 1914 foi o único deputado da bancada do Partido Social-Democrata (SPD) no parlamento alemão a votar contra a entrada da Alemanha na guerra, o que lhe valeu perseguições penais, a despeito de sua imunidade parlamentar. Além de líder revolucionária, Rosa Luxemburgo também entraria para a história como uma das mais importantes teóricas da tradição marxista: os seus estudos sobre o caráter necessariamente violento da acumulação do capital e sobre a relação irredutível entre socialismo e democracia são até hoje imprescindíveis. Para Rosa, socialismo revolucionário e democracia deveriam andar sempre juntos. Certamente não deve ter sido fácil para ela, uma mulher (ainda mais judia e que nem alemã era) ter se tornado uma líder de partido e do movimento operário em uma sociedade marcada por forte machismo e chauvinismo. Contam que alguns maus camaradas tentavam ridicularizá-la ao dizerem que ela seria representante de um tal “materialismo histérico”. Como imaginar hoje que alguém (de esquerda) pudesse insultar Rosa Luxemburgo?
No 15 de janeiro de 1919 a revolução fracassou e os dois líderes foram sequestrados, brutalmente espancados e baleados. Na execução do crime estavam os chamados Freikorps, uma milícia de extrema-direita formada por ex-combatentes de guerra e que veio a dar origem ao que seriam mais tarde as SS e SA nazistas. Apenas em 1933 Hitler se tornaria chanceler alemão e em janeiro de 1919 o que se tinha na Alemanha era um período de turbulências que se colocavam entre o fim do regime monárquico da dinastia dos Hohenzollern, em novembro de 1918, e o início das atividades da Constituinte de Weimar, em fevereiro de 1919. Mesmo assim, aquele crime foi em si um ato inaugural do pior que ainda viria. Por isso, tempos depois, o historiador Isaac Deutscher diria, com muita razão, que o assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foi o último triunfo da Alemanha dos Hohenzollern e o primeiro triunfo da Alemanha Nazista. No instante do crime a ala ultra-moderada e conciliadora dos social-democratas colocou-se do lado da repressão, porque estavam no governo e preferiam uma transição negociada com a cúpula das forças armadas. E pelos anos seguintes, a esquerda alemã se mostraria desunida e politicamente incapaz de impedir a ascensão do fascismo. Em 1948, logo após o fim de uma outra guerra mundial, com suas montanhas de muitos milhões de mortos, o poeta e dramaturgo Bertold Brecht homenagearia os dois líderes comunistas alemães com poemas em forma de epitáfio. Na homenagem a Rosa é muito incisivo o apelo lançado pelo poeta, não para um passado que é sempre imutável, mas para o presente e o futuro:
Aqui jaz
Rosa Luxemburgo,
judia da Polônia,
vanguarda dos operários alemães,
morta por ordem
dos opressores.
Oprimidos,
enterrai as vossas desavenças!

Desde o covarde assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes que estes versos de Brecht não saem da cabeça: “Oprimidos, enterrai as vossas desavenças!” O contexto histórico-social em que estiveram inseridas e a trajetória individual de cada uma são muito diferentes, mas, assim como Rosa, Marielle também era uma mulher incômoda para o poder dos opressores. Poderíamos, sem qualquer traição ao poema, parafrasear Brecht para honrar Marielle, negra da Maré, lutadora pelos direitos humanos na cidade do Rio de Janeiro. Muito se tem repetido sobre tudo que Marielle simbolizava a partir das identidades que reunia. Mas um símbolo só é justo pelo conteúdo que carrega. Marielle era mulher, negra, lésbica, mãe e também socialista. Era uma militante ligada aos movimentos sociais e ao mesmo tempo um quadro de partido. Vinda da favela, chegou à institucionalidade parlamentar sem negar suas origens. Criticava o sistema com radicalidade e defendia a efetividade dos direitos humanos. A riqueza da trajetória e da militância de Marielle, sem dúvida uma das mais promissoras das novas lideranças da esquerda brasileira, estava no fato de pertencer a vários lugares e não trair nenhum deles. Marielle era admirável pela sua própria singularidade de pessoa no mundo.
Marielle denunciava o terror do Estado em uma guerra em que pobres matam pobres e jovens negros são encarcerados em massa. Não leva a lugar nenhum a discussão em redes sociais sobre se o mais importante como causa social de sua morte é a tradicional violência do Estado contra os pobres e os negros ou é a piora da conjuntura pelo golpe de 2016 e o crescimento da direita. Lembremos de uma publicação da própria Marielle no Facebook em 10 de março: “O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”. O texto é brilhante pela verdade que consegue condensar em poucas palavras: aponta-se tanto o terrorismo histórico reiterado contra a população das favelas quanto a análise de que vivemos uma conjuntura presente que favorece politicamente cada vez mais essa violência. Um conhecimento não exclui o outro. Contudo, agora os canais midiáticos dos opressores irão se dedicar a falsificar sua imagem e transformá-la em algo não perigoso para o sistema, comparável ao que desde 1988 tentam fazer em relação a Chico Mendes, outro militante que ocupava lugares diversos. Tentam usar a imagem de Marielle para justificar a política de segurança do governo, na contramão de tudo o que ela defendia. É a antiga violência contra os mortos. Todos os que morrem, e não são esquecidos, perdem a capacidade de dizer por si mesmos e passam a depender dos vivos para se comunicarem. Os opressores sabem disso e utilizam seus canais para dizerem falsidades. O que os oprimidos dirão de Marielle depois que a comoção já tiver passado?
Oprimidos, enterrai as vossas desavenças!” Para os dias de hoje não podemos ler essa sentença como um apelo à ausência de debates e críticas. Não é possível construir uma sociedade emancipada de pessoas livres e iguais sem o processo de exercer radicalmente a crítica e a autocrítica que permitem o aprendizado das experiências. É o que chamavam de “unidade de teoria e prática”. Também esse apelo não significa uma defesa da unidade indiferenciada, o que é sempre artificial. A esquerda brasileira precisa ter a maturidade para compreender e respeitar suas diferenças filosóficas, organizacionais, partidárias e eleitorais. Que os mais jovens olhem para as tradições das lutas passadas e que os mais velhos estejam abertos a renovar suas ideias e práticas. Enterrar as desavenças significa a compreensão afetiva e racional de que há um inimigo comum, os opressores (aqueles que são os responsáveis pelas mortes de Marielle e Anderson). E esses opressores, que mandam no Brasil desde sempre, têm alcançado vitórias importantes nos últimos anos e querem avançar mais. Ninguém realmente crítico pode apostar com absoluta certeza se de fato teremos eleições este ano e nem o quanto livre serão essas eleições caso ocorram, mas sabemos que a extrema-direita tornou-se uma competidora real e é nossa responsabilidade levar a sério todas as ameaças. Duas semanas após a morte de Marielle e Anderson, milícias rurais, sob o aplauso de lideranças políticas de direita, dispararam tiros contra a caravana do presidente Lula, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais para o pleito de 2018. Ninguém poderá dizer até onde irá o pior, e a mais importante lição da história é que nunca devemos duvidar do pior. Precisamos de mais ação e mais unidade na ação!
*Professora Titular da Faculdade de Direito da UFRJ.
**Advogado e analista da Fiocruz.
Fonte: REVISTA FÓRUM

Malhação de Judas


Costume trazido pelos portugueses e espanhóis para toda a América Latina, desde os primeiros séculos da colonização européia, 6, para alguns pesquisadores, seria um resíduo folclórico transfigurado das perseguições aos judeus que se desencadeou na Idade Média, na época da Inquisição.
Para outros, o Judas queimado seria uma personalização das forças do mal, vestígio de cultos para obter bom resultados, no início e no fim das colheitas, realizados em várias partes do mundo. Há ainda alguns historiadores que afirmam ser o costume remanescente da festa pagã dos romanos.
No Uruguai, a queimação do Judas é parecida com a do Brasil, embora ocorra no Natal e não na Semana Santa.
Malhar o Judas ainda é uma prática comum no Brasil, apesar do costume estar desaparecendo das grandes cidades, principalmente por falta de local adequado ou pelos perigos que representa. Hoje, a brincadeira está restrita, praticamente, a algumas cidades do interior do Brasil, que continuam preservando a nossa cultura e tradições populares.
A brincadeira acontece na Semana Santa, especificamente no sábado de Aleluia. Bonecos de palha ou de pano, pendurados em postes de iluminação pública, galhos de árvores, porteiras, currais, são rasgados e queimados.
No Nordeste, é também conhecida como enforcamento do Judas. A cidade amanhece com postes enfeitados com diversos judas: bonecos feitos com  um paletó velho, camisa, calça, meias, sapatos, meias colocadas nas mãos, gravata, cujo corpo é enchido com trapos, panos velhos, raspas de madeira e jornais.
O Judas representa o personagem bíblico, Judas Iscariotes, que traiu Jesus Cristo com um beijo por 30 moedas. Consumada a traição, arrependeu-se, tentou restituir o dinheiro, mas, repelido pelos sacerdotes, enforcou-se numa corda.
A brincadeira seria uma maneira dos católicos se vingarem da traição do Judas. Antes do boneco morrer enforcado como o traidor, no entanto,  tem que apanhar e ser bastante xingado.
No Rio de Janeiro, no século XIX, os judas traziam fogos de artifício no ventre e apareciam junto com demônios, ambos ardendo colorida e apoteoticamente e sendo aplaudidos pelo povo.
Atualmente, o boneco é feito com a fisionomia de alguma personalidade do mundo político, social, econômico, artístico ou esportivo que não é apreciado pelo povo, merecendo portanto ser ridicularizada, xingada e condenada.
No Brasil, faz-se também o julgamento de Judas, antes da sua condenação e execução. O “testamento” é adaptado ao folclore de cada região. Alguém o retira normalmente do bolso do boneco e o lê. Trata-se de uma sátira das pessoas e coisas locais. A “herança” só tem graça para o povo da cidade que vive o seu dia-a-dia e conhece os personagens com quem a ou a quem o Judas se refere. Seguem alguns exemplos:
Deixo para o Mestre Isaías
Como o Antônio Nel uma questão:
A Antônio Nel diz que sim!
Mas o Mestre diz que não!
Diz que é mentira pura,
Que não como RAPADURA
Acompanhando a procissão
Deixo para o “João da Bela”
O meu canário “parteiro”
Que ele cria como bem
Mas é um “buga” verdadeiro
Vive em casa esvoaçando
Com o João “Curruxiando”
Na tenda de sapateiro
Aqui vai este sapato para o Sr. Antônio
O chapéu para o Sr. José
A gravata para o Sr. Willian
O paletó para o Sr. Aílton
O cinturão para a Sra. Maria
A camisa para o Sr. Geraldo
A calça para o Sr. Cristiano
Nos lugarejos do interior brasileiro, principalmente no Nordeste, o “testamento” é manuscrito, em folhas de papel almaço e distribuído entre alguns amigos. Quando existem tipografias no local, ele é impresso e colocado por debaixo das portas das casas, de madrugada e, às vezes, vendidos pelas ruas.
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

sexta-feira, 30 de março de 2018

Duas semanas da morte de Marielle e o que temos até agora é o mesmo de quando um negro é morto na favela

Marielle Franco. Foto: Wikimedia Commons
POR ÉRICO BRÁS, ator e conselheiro do Fundo de População das Nações Unidas, agência da ONU especializada em temas de demografia, juventude e saúde sexual e reprodutiva
Já se passaram duas semanas desde o assassinato da deputada Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes e até agora a polícia emitiu um parecer oficial sobre a investigação. No dia 26 de maio, Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) ligados a questões de direitos humanos e de gênero, fizeram um comunicado pedindo investigação rápida e imparcial dos crimes. “O assassinato de Marielle é alarmante, já que ele tem o objetivo de intimidar todos aqueles que lutam por direitos humanos e pelo Estado de direito no Brasil”, disseram os relatores.
Quem se lembra de ter visto no país tamanha comoção pela morte de uma mulher negra favelada? Certamente os executores e mandantes do assassinato não esperavam tamanha repercussão na mídia e reação da sociedade. Mas, com a demora na investigação e o silêncio da polícia, aos poucos a rotina esmagadora vai tirando a notícia da primeira página dos jornais, naturalizando algo que jamais deveria ser aceito.
Crimes contras pretos, pobres e favelados costumam mesmo passar despercebidos. Para mais da metade da população brasileira, a morte violenta de um jovem negro choca menos do que a de um jovem branco, segundo pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e pelo Senado Federal.
Marielle morreu porque defendia os pobres negros e favelados. Os mesmos que entram no estereótipo de quando se define quem é bandido. Os mesmos que lotam as cadeias e são mortos nas ruas todo dia. Nascer negro e pobre no Brasil é quase sentença de morte: 77% dos jovens que morrem no país são negros que vivem em comunidades.
Dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios a maioria (78,9%) é negra. De cada mil adolescentes brasileiros, quatro serão assassinados antes de completar 19 anos.
Se o cenário não mudar, 43 mil brasileiros entre os 12 e os 18 anos serão mortos de 2015 a 2021, três vezes mais negros do que brancos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas (Unicef). Todos os anos são assassinadas no país 30 mil pessoas, 23 mil são jovens negros. A cada 23 minutos, um jovem negro morre no país. São números de guerra. São números de um genocídio.
O Negro quando não morre é preso. Quando não é preso, é sentenciado pelo descaso. No Brasil a polícia costuma escolher os suspeitos a partir de uma filtragem racial, com base exclusivamente na cor da pele. Não por acaso 85% dos homens presos são negros.
A relação entre o recorte racial e a violência no Brasil atinge também o sexo feminino. Enquanto a mortalidade de não-negras caiu 7,4% entre 2005 e 2015, entre as mulheres negras o índice subiu 22%. Preconceitos aumentam a discriminação racial, fazendo com que os negros sejam as principais vítimas.
Esses números só serão revertidos quando estado e sociedade se comprometerem com o fim do racismo. Mais do que intervenção policial, é preciso trabalhar por programas sociais, por educação pública de qualidade, por políticas de integração. É preciso incluir jovens negros na agenda do desenvolvimento sustentável. Isso tem a ver diretamente com o futuro do Brasil. Afinal, que futuro queremos para o país se estamos matando jovens e enchendo as cadeias de homens negros?
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM

“A decisão dá a expectativa de que podemos resistir”, diz professor da UFBA sobre liberação da disciplina do golpe

Carlos Zacarias: “O juiz demonstrou que mais grave do que permitir que essa disciplina exista seria interceder na autonomia da universidade, cerceando debate, a livre expressão de pensamento e a livre circulação de ideias” – Foto: Reprodução/Facebook
Juiz indeferiu pedido de liminar feito pelo vereador Alexandre Aleluia (DEM), que tentou proibir o curso criado por Carlos Zacarias na Universidade Federal da Bahia;
“Uma decisão de grande importância. Estávamos preocupados, embora confiantes, principalmente diante desse quadro, que é muito preocupante no Brasil. A suspensão da disciplina abriria um grave precedente na instituição, porque seria uma decisão contra o artigo 207 da Constituição Brasileira, que diz que a universidade goza de autonomia científica, didática e pedagógica”. Foi dessa forma que o professor Carlos Zacarias de Sena Júnior, do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), reagiu à notícia de que o juiz Iran Esmeraldo Leite indeferiu liminar pedida pelo vereador Alexandre Aleluia, líder do DEM na Câmara Municipal de Salvador, que tentou impedir a criação da disciplina “Tópicos Especiais em História: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, criada por Zacarias. O professor chegou, inclusive, a ser convocado a prestar esclarecimentos na Justiça.
Fórum – O Ministério Público indeferiu liminar pedida pelo vereador Alexandre Aleluia, líder do DEM na Câmara Municipal de Salvador, que queria impedir a criação da disciplina “Tópicos Especiais em História: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, proposta pelo senhor. Como observou essa vitória da autônima da universidade?
Carlos Zacarias – A liminar pedida pelo vereador Alexandre Aleluia é uma demonstração de que ele não conhece a universidade, não sabe como funciona, que ele não tem apreço pela democracia, porque tentou cercear, porque tentou censurar uma disciplina criada dentro da normalidade da instituição, como o juiz reconheceu e expressou em sua decisão. Há outra ação movida contra nós, por parte de grupos de extrema direita, e nós vamos responder, assim que a Justiça pedir a nós esclarecimentos. Vimos com muita preocupação, porque não é habitual que professores da universidade quando oferecem disciplinas sejam interpelados por quem quer que seja sobre o motivo de oferecer essa disciplina. Quando as disciplinas são oferecidas, os professores estão desenvolvendo pesquisas, desenvolvendo reflexões, estão dialogando com seus pares sobre a oferta dessa disciplina. Então, a disciplina que ofertamos cumpriu todos os trâmites da universidade. Para surpresa nossa, o vereador entrou com essa ação. Felizmente, a Justiça reconheceu que a universidade tem autonomia para decidir sobre isso. O juiz, na sua decisão, demonstrou que mais grave do que permitir que essa disciplina exista seria interceder na autonomia da universidade, cerceando debate, a livre expressão de pensamento e a livre circulação de ideias, que é o que a universidade faz e é como ela funciona.
Fórum – Durante o processo, o senhor foi intimado a prestar esclarecimentos à Justiça. Chegou a depor?
Carlos Zacarias – Eu fui intimado a prestar declarações, mas a intimação não pressupunha que eu fosse lá. Podíamos até ter solicitado falar diretamente com o juiz, mas optamos por fazer essa manifestação por escrito. Eu me reuni com advogados, recebi muitas ofertas de escritórios de advocacia e de advogados, que, individualmente, se dispuseram a me defender, de entidades que se colocaram à disposição para defender a mim e a universidade, defender a democracia. Eu aceitei a oferta de um escritório de advocacia, que existe em Salvador há muitos anos, e defende muitos sindicatos. Um dos advogados já era um velho conhecido meu, o dr. Mauro Menezes. Esse escritório me defendeu e fez junto comigo a representação solicitada pelo juiz. Nós protocolamos isso na sexta-feira (23), dia que se encerrava o prazo, e ontem (28) o juiz deu essa manifestação contrária à liminar solicitada pelo vereador do DEM.
Fórum – O que o vereador Aleluia alegava para pleitear na Justiça a proibição da disciplina e quais foram seus contra-argumentos?

Carlos Zacarias – O que o vereador alegava na sua tentativa de proibir a disciplina é que ela fazia proselitismo partidário, que atendia interesses que não os públicos, interesses de grupos privados, tudo aquilo que a gente tem visto aí pelas ruas, que é uma parte da narrativa que se constituiu no Brasil desde o golpe de 2016. Ou seja, a ideia de que nós não podemos dizer que foi golpe ou não podemos lutar contra o golpe. É uma ideia equivocada, que diz que nós todos pensamos igual em relação ao que foram os governos do PT. É uma ideia que diz que todos nós temos a mesma avaliação do que foi a experiência do PT no governo, que é falsa. O que nos unifica todos hoje é que, independentemente das nossas diferenças de avaliação do que foi o governo do PT, uma presidente eleita com 54 milhões de votos não podia ser destituída do cargo da forma como foi, sem que nada se provasse contra ela. Os argumentos do vereador Alexandre Aleluia, que não moveu a ação como vereador, mas como cidadão, o que é um direito dele, destoam completamente da democracia como a gente a concebe. Os nossos contra-argumentos foram alegando os trâmites pelos quais a disciplina passou, o fato de que essa disciplina foi chancelada no âmbito do departamento, do colegiado, da congregação da minha universidade. Nós juntamos aos nossos argumentos diversas moções de entidades, como a ANPUH Brasil (Associação Nacional de História). Havia muitas outras manifestações que nós optamos por não juntar, houve uma inflação de manifestações, o que demonstra que há ampla resistência contra o golpe, mas nós optamos por não anexar, pois não achamos que seria o momento, que seria necessário. Nosso argumento foi que a universidade tramitou por onde tinha que tramitar e a universidade estava acobertada e protegida pelo que está escrito no artigo 207 da Constituição Brasileira, que ainda não foi revogada, que diz que a universidade goza de autonomia científica, didática e pedagógica e que é no âmbito da universidade que essas questões todas se decidem. Esses foram nossos argumentos principais, entre outros tantos que nós elencamos e o juiz felizmente acatou.
Fórum – Em um momento tão agudo do país, com manifestações de ódio, violência e intolerância, isso reafirma a importância da disciplina sobre o golpe de 2016 na universidade?
Carlos Zacarias – A decisão é de grande importância. Estávamos preocupados, embora confiantes, com a decisão do dr. Iran Esmeraldo Leite. Diante desse quadro, que é muito preocupante no Brasil, nós temíamos pelo pior. A suspensão da disciplina abriria um grave precedente na instituição, porque seria uma decisão contra o artigo 207, contra a autonomia universitária. E diante do quadro que a gente está vivendo, especialmente nesta semana, quando vimos essas manifestações que são absolutamente preocupantes, manifestações de extrema gravidade contra uma caravana de pessoas que estavam no Sul do país, acompanhando o ex-presidente Lula, culminando com o fato ocorrido na terça-feira (27), no Paraná, quando tiros foram disparados contra os ônibus. Isso é muito grave. Isso deve preocupar a nós todos, os democratas, aqueles que esperam e defendem e querem muito viver em um país onde a liberdade que nós conquistamos com muita luta, desde o fim da ditadura, seja preservada, seja mantida. Então, esses fatos, desde o assassinato de Marielle Franco e o motorista Anderson, desde a intervenção federal no Rio de Janeiro e que nesta semana culminou com os tiros disparados contra a caravana do presidente são muito preocupantes, muito graves e devem merecer, de todos nós, que somos do campo progressista, um repúdio total peremptório, sem nenhum tipo de hesitação. Então, essa decisão nos dá um alívio, dá a expectativa de que nós podemos resistir, representar as nossas posições e que podemos permanecer defendendo a democracia. A decisão do juiz veio ao encontro de nossas expectativas, embora estivéssemos apreensivos. O importante é que diante de tudo que estamos passando, nós ainda podemos resistir e em alguma medida a Justiça também pode prevalecer contra todo o tipo de arbítrio que tem se instalado no país.
Fonte: REVISTA FÓRUM

O nazifascismo entre nó


Por Altair Freitas*
Como todos sabem, o capitalismo vive uma crise prolongada, já chegando a uma década e sem soluções avançadas, progressistas, o caldo de cultura para a retomada do nazifascismo ganha muita força, especialmente na Europa. E no Brasil!

A base social do fascismo – independente do tempo e espaço – é composta por setores da classe média e segmentos das forças militares/policiais que enxergam na crise do capitalismo – e nas lutas populares – o risco de deixarem essa posição intermediária e, pior, de jamais se tornarem classe dominante. É dessa base social que brotam movimentos de extrema direita, propagadores do irracionalismo, de um patriotismo tosco, oco e chauvinista, da violência física, mentiras e difamações contra adversários políticos, da demagogia e hipocrisia, racismo e ódio contra a esquerda, em especial contra os comunistas. A depender da repercussão na sociedade, movimentos fascistas recebem apoio político de grandes grupos empresariais interessados em evitar a qualquer custo grandes transformações sociais a favor da massa trabalhadora. Aconteceu nos anos 20 e 30 na Europa, aconteceu aqui no passado e volta a ocorrer nos nossos dias.

O que vemos no Brasil dos últimos anos não é novo nem inédito por aqui. Tivemos dois grandes surtos fascistizantes: nos anos 30, a partir da criação da Ação Integralista Brasileira (AIB), dissolvida em 1938, e no início dos anos 60. O primeiro resultou na Ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-45). O segundo originou a Ditadura Militar (1964-85). Aonde vamos parar com essa nova onda fascistizante que assola o Brasil?

Nos últimos dias nossa atenção voltou-se para as manifestações violentas da extrema direita no sul do Brasil atingindo a caravana do ex-presidente Lula. Para quem fica espantado com o grau de reacionarismo de parte da população do Sul do Brasil, é bom saber que a maior seção do Partido Nazista fora da Alemanha nos anos 30 era lá, especialmente entre Santa Catarina e Paraná junto às colônias de imigrantes alemães que começaram a ocupar a região no final do século XIX O nazismo foi particularmente forte entre famílias de pequenos e médios agricultores ciosos da sacrossanta propriedade sobre a terra. Na Alemanha e aqui.

Depois da 2° Guerra houve um forte fluxo de criminosos nazistas rumo à América do Sul e para o Sul brasileiro aonde seguiram disseminando ódio e preconceitos de todo tipo. Parte razoável dos neonazistas do Sul de hoje é neta/bisneta desse tipo de gente. A ideologia nazifascista está impregnada em alguns setores da sociedade brasileira, mesmo que não se deem conta disso. Mas muitos não apenas se dão conta como se reafirmam como neonazistas.
Segundo uma pesquisa realizada em 2013 pela antropóloga Adriana Dias, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Santa Catarina tem cerca de quarenta e cinco mil neonazistas assumidos. Junto com Paraná e Rio Grande do Sul, são cerca de cem mil adeptos das ideias hitleristas. São Paulo tem cerca de trinta mil simpatizantes. Novamente, insisto, a grande concentração desse pensamento no Sul tem suas raízes fincadas muito forte na ação aberta dos agentes de Hitler nos anos 30 e de criminosos de guerra que trafegaram livremente no Cone-Sul, muitas vezes com apoio e proteção de governos latino-americanos. Vale a pena a leitura do livro “Nazistas entre nós – a trajetória de oficiais de Hitler depois da guerra” do historiador da USP Marcos Guterman.
Às forças democráticas e progressistas é imprescindível evitar qualquer tipo de subestimação sobre o crescimento do nazifascismo e suas manifestações cada dia mais abertas e ousadas. Evitar a subestimação e combater o bom combate da luta de ideias em todos os campos e lugares. Somar forças para vencer as batalhas políticas em curso para reposicionar o Brasil no rumo do desenvolvimento nacional, é fundamental para tirar o país da crise. Derrotar o governo golpista e seus aliados, revogar as reformas nefastas de Temer e impulsionar a industrialização para gerar crescimento econômico, emprego, renda e retomar a soberania nacional aviltada. A crise é o que alimenta o ódio, o preconceito e o neonazismo. O Brasil não merece ficar a mercê dessas forças.
 *Altair Freitas é professor e secretário executivo da Escola Nacional de Formação do PCdoB.

Hoje é Sexta-feira da Paixão


Sexta-feira da Paixão ou Sexta-feira santa é um feriado religioso comemorado pelos cristãos, simbolizando o dia da morte de Jesus Cristo, e faz parte das festividades da Páscoa, que simboliza a ressurreição do Messias.
A sexta-feira da Paixão é considerada uma data móvel, ou seja, não possui um dia específico para ser comemorado anualmente. Por regra, deve ser celebrada na sexta-feira que precede o domingo de Páscoa.
De acordo com a tradição, para se definir o dia em que é celebrada a sexta-feira santa, considera-se a primeira sexta-feira de lua cheia após o equinócio de primavera (no Hemisfério Norte) ou equinócio de outono (no Hemisfério Sul). Neste caso, a sexta-feira da Paixão pode ocorrer entre os dias 22 de março e 25 de abril.
Após a definição da data da sexta-feira santa, outras comemorações são estabelecidas, como o domingo de Páscoa, a quarta-feira de Cinzas (primeiro dia da Quaresma) e o Carnaval.
De acordo com o cristianismo, a Sexta Feira Santa é um de reflexão sobre o sacrifício de Jesus na cruz. Para os católicos, tradicionalmente, a sexta-feira da Paixão é um dia de rituais e penitências, como o jejum ou a abstinências de prazeres mundanos.
É comum ver reconstituições, encenações, homenagens e outras formas de representações artísticas de como teriam sido os últimos momentos de vida de Jesus Cristo, seu julgamento, crucificação e ressurreição do “mundo dos mortos”.
Fonte: BRASIL CULTURA

quinta-feira, 29 de março de 2018

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)

Acervo Iphan

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) tem atuação nacional e sua missão consiste na pesquisa, documentação, difusão e execução de políticas públicas de preservação e valorização dos mais diversos processos e expressões da cultura popular. Sua estrutura abriga: o Museu de Folclore Edison Carneiro, a Biblioteca Amadeu Amaral e os setores de Pesquisa e de Difusão Cultural, além da área administrativa. 
Criado em 1958 e vinculado ao Iphan desde 2003, o Centro atua em diferentes perspectivas com o objetivo de atender as demandas sociais que se colocam no campo da cultura popular. Entre suas principais ações destacam-se os projetos de fomento da cultura popular, desenvolvidos pelo Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) e Sala do Artista Popular (SAP); programas de estímulo à pesquisa, como o Concurso Sílvio Romero de monografias, o Etnodoc (edital de filmes etnográficos), o Dedo de Prosa (fórum de debates) e o Projeto Memórias dos Estudos de Folclore.
Na área de difusão e formação de público, destacam-se o programa de exposições, o programa educativo, o Curso Livre de Folclore e Cultura Popular e os programas de edições e intercâmbio. E na área de documentação, o tratamento, atualização e disponibilização dos acervos museológico (14 mil objetos – MFEC), bibliográfico e sonoro-visual (300 mil documentos – BAA), parte deles disponibilizada em suas coleções digitais.
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Patrimônio Cultural

Acervo Iphan

Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 216, ampliou o conceito de patrimônio estabelecido pelo Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, substituindo a nominação Patrimônio Histórico e Artístico, por Patrimônio Cultural Brasileiro. Essa alteração incorporou o conceito de referência cultural e a definição dos bens passíveis de reconhecimento, sobretudo os de caráter imaterial. A Constituição estabelece ainda a parceria entre o poder público e as comunidades para a promoção e proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro, no entanto mantém a gestão do patrimônio e da documentação relativa aos bens sob responsabilidade da administração pública.
Enquanto o Decreto de 1937 estabelece como patrimônio “o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”, o Artigo 216 da Constituição conceitua patrimônio cultural como sendo os bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. 
Nessa redefinição promovida pela Constituição, estão as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
O Iphan zela pelo cumprimento dos marcos legais, efetivando a gestão do Patrimônio Cultural Brasileiro e dos bens reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade. Pioneiro na preservação do patrimônio na América Latina, o Instituto possui um vasto conhecimento acumulado ao longo de décadas e tornou-se referência para instituições assemelhadas de países de passado colonial, mantendo ativa cooperação internacional. 
Nesse contexto, o Iphan constrói em parceria com os governos estaduais o Sistema Nacional do Patrimônio Cultural, com uma proposta de avanço disseminada de maneira contínua para os estados e municípios em três eixos: coordenação (definição de instância(s) coordenadora(s) para garantir ações articuladas e mais efetivas); regulação (conceituações comuns, princípios e regras gerais de ação); e fomento (incentivos direcionados principalmente para o fortalecimento institucional, estruturação de sistema de informação de âmbito nacional, fortalecer ações coordenadas em projetos específicos). 
Trabalhando com esses conceitos e visando facilitar o acesso ao conhecimento dos bens nacionais, a gestão do patrimônio é efetivada segundo as características de cada grupo: Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Patrimônio Arqueológico e Patrimônio Mundial.
Fonte: http://portal.iphan.gov.br

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