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sábado, 1 de dezembro de 2018

"PARA NÃO CAIR NO ESQUECIMENTO! JUSTIÇA, JÁ!" - Eduardo Vasconcelos - CPC/RN - TRAGAM OS BERIMBAUS! O que significa o assassinato de um Mestre da Capoeira?

Breve história da Arte e da Resistência Negra
Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, o Mestre de Capoeira “Moa do Katendê”, conhecido em nível nacional e internacional, inclusive, também era compositor, percussionista, artesão, educador e fundador do bloco carnavalesco Afoxé Badauê em maio de 1978. Ele foi brutalmente assassinado no dia 07 de outubro de 2018. Sim, foi no dia do 1º turno das eleições de 2018.
O motivo de sua morte…? Ter externado em um bar que teria votado em candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT). O seu assassino seria um eleitor do fascista Jair Bolsonaro. O assassino partiu para cima do Mestre e o matou a facadas pelas costas. Esse cenário absurdo, mas emblemático, é fruto da intolerância e da violência que vêm sendo apregoadas pelo candidato a presidência do Brasil mais votado no primeiro turno. Esse assassinato possui forte significado: intolerância versus resistência. A ordem é para matar quem resiste na luta pelos seus direitos e não se submete?
A Capoeira é um forte símbolo da resistência histórica dos milhões de negros africanos escravizados e de seus descendentes no Brasil, – entre eles os quilombolas -, sendo usada pelo menos desde o século XVII tendo se desenvolvido e se difundido como forma de sociabilidade, de solidariedade entre os negros escravizados e como estratégia para lidarem com o controle, a discriminação e a violência. Praticada inicialmente por negros escravizados trazidos de Angola nos navios negreiros, principalmente, a Capoeira foi considerada crime até o fim da década de 1930. Segundo o grande Mestre Pastinha, grande capoeirista Angola, autor do principal clássico sobre o tema, “não há dúvida que a capoeira veio para o Brasil com os escravos africanos” (PASTINHA, 1988:26).
Possivelmente, a Capoeira no Brasil foi readaptada como forma de defesa pessoal contra os opressores e perseguidores na colônia, pois como os negros escravizados não possuíam armas, então usavam o gestual corporal como forma de defesa – tornando-se uma forma de luta e resistência – uma autodefesa contra o inimigo (AREIAS, 1996). Segundo Letícia Reis (1997), a capoeira seria o resultado de uma mescla de diversas danças, rituais, lutas, cânticos, sons e instrumentos musicais advindos, por sua vez, de diversas localidades da África. Possivelmente, esta reconstrução teria ocorrido e se aprimorado especialmente no Recôncavo Baiano.
No início, os negros escravizados, mas resistentes, praticavam a Capoeira nas fazendas, terreiros, tabernas, ruas e becos das vilas de forma clandestina forjando se tratar de uma ‘brincadeira’, pois podiam ser severamente punidos e torturados quando se descobria que se tratava de uma preparação para um tipo de ‘defesa pessoal’. O instrumento berimbau era usado, dependendo do ritmo e da marcação como aviso ou sinal da chegada ou aproximação de capataz, fazendo a dança se transformar em luta, se necessário. Os outros instrumentos são: atabaque, agogô, reco-reco, pandeiro, chocalho e caxixi; sendo que o berimbau (e suas modalidades) é considerado um dos instrumentos mais antigos do mundo.
Mas segundo Luiz S. Santos (1990), com o tempo, os colonizadores perceberam o poder defensivo da Capoeira e a proibiram terminantemente, tendo sido rotulada como ‘arte negra’. Após a abolição formal da escravatura, em 13 de maio de 1888, muitos negros escravizados foram abandonados nas vilas e tiveram que usar a Capoeira como estratégia de defesa por serem perseguidos e discriminados permanentemente pela polícia e capangas dos senhores de terra.
Visando controlar os grupos ou as maltas de capoeiristas que se organizavam e se multiplicavam nas crescentes urbes oitocentistas, sobretudo na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foi estabelecida em 1890 que a Capoeira seria ação ilícita pelo antigo Código Penal da República. Foi proibida a utilização de destreza corporal e exercício de agilidade nas ruas e praças públicas, penalizando de seis meses a dois anos a quem ousasse realizar ato de ‘capoeiragem’ (REGO, 1968).
Segundo Anande das Areias (1996), a arte da Capoeira foi se aperfeiçoando e acrobacias foram sendo incorporadas aos praticantes nas esquinas, portas de armazéns e na mata de forma clandestina e de forma oculta. No último decênio do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, de forma hábil e inteligente, os capoeiristas resistiram de forma heroica às perseguições e ao forte preconceito da sociedade e do governo ‘republicano’, em República proclamada dia 15 de novembro de 1889 por generais em golpe militar.
Somente na década de 1930, durante o primeiro Governo de Getúlio Vargas, a prática da Capoeira foi permitida com uma série de restrições, devendo ocorrer em recintos fechados e com o alvará de autorização da polícia. Mas segundo Anande das Areias (1996), as rodas de capoeira ocuparam as ruas se popularizando nos principais centros urbanos e festas populares.
Um marco fundamental foi o trabalho do Mestre Bimba que, em 1932, fundou a primeira Academia de Capoeira, tendo sido o grande divulgador da luta Regional Baiana, que posteriormente foi chamada de ‘Regional’ (REIS, 1997). Mestre Bimba era morador do bairro Engenho Velho de Brotas, mesma localidade em que foi assassinado o Mestre Moa, que era da ‘Terra da Capoeira’ onde conviveu com grandes mestres, tais como o Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi estudante diplomado pelo Mestre Bobó, tendo se iniciado aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola Cinco Estrelas. A localidade Engenho Velho de Brotas foi um dos muitos engenhos de cana de açúcar do período colonial – Casa Grande versus Senzala – e um dos focos iniciais de luta e de resistência dos negros escravizados e da capoeira.
Depois de muita luta dos Mestres Capoeiristas, incluindo o respeitadíssimo Mestre Moa, foi aceito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o pedido de registro do ofício dos Mestres de Capoeira e da Roda da Capoeira em 2008. Já em 2014 a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda aprovou, em Paris, a Roda de Capoeira, como um dos símbolos do Brasil mais reconhecidos internacionalmente, portanto, com o status de Patrimônio Cultural Imaterial e Tradicional da Humanidade.
Agora teremos a mácula de um assassinato violento e execrável sob todos os aspectos de um Mestre da Capoeira… Ficam o seu fantástico legado, seus ensinamentos e seus registros. O Mestre Moa dizia: “a capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais. Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos” (Fonte: https//nossapolitica.net/2018/10/mestre-moa-triste-fim-capoeira/ ).
Durante o enterro do mestre de capoeira Moa, um ato de repúdio à candidatura de Bolsonaro foi organizado. O corpo foi sepultado ao som de uma orquestra de berimbaus. O corpo do Mestre Moa do Katendê não foi apenas enterrado, mas plantado como semente no campo sagrado do cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa das Quintas, em Salvador, na Bahia, onde recebeu homenagens de familiares, amigos e estudantes.
Diante de atos de preconceito e violência que se multiplicam lamentavelmente pelo Brasil, insuflados por Jair Bolsonaro, que há 28 anos como deputado federal reiteradas vezes manifestou de forma estridente e repugnante apoio a torturadores, a tortura, a pena de morte, além de discriminar maiorias, tais como indígenas, negros, mulheres, nordestinos, ciganos, LGBTs, domésticas, sem-terra, sem-teto etc, está aceso diante de nós um grande sinal: povo brasileiro, não coloque na presidência do Brasil quem estimula a violência e reforça posturas militaristas, senão estaremos autorizando o reingresso do Brasil em outra ditadura. “Felizes os que constroem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5,9), bradou Jesus Cristo no Discurso da montanha na Galileia, periferia da Palestina colonizada pelo Império Romano.
Mestre Moa do Katendê! Presente!
Ritmo de revolta e de indignação…
TRAGAM OS BERIMBAUS !!!
Fonte: http://averdade.org.br

ADURN-Sindicato lança marca dos 40 anos da entidade neste sábado (1) - " Nossos aplausos pelos 40 anos de histórias, lutas e conquistas!" - EDUARDO VASCONCELOS - CPC/RN

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Em 2019 o ADURN-Sindicato completa quatro décadas de uma história de lutas e conquistas, em defesa dos interesses dos docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A data será celebrada ao longo de todo o próximo ano, mas as comemorações começam neste sábado, dia 1 de dezembro, com o lançamento da marca dos quarenta anos da entidade.
O evento acontecerá no Acabou Chorare Bar Cultural, em Ponta Negra, a partir das 19h, e contará com a apresentação do músico André Rangell e da Banda Dissonah, diversão garantida para os docentes até o início da madrugada.
Na ocasião o professor Bosco Araújo fará o lançamento dos livros “Juventudes, Desenvolvimento e Políticas Públicas” e “Juventudes, Cultura e Política”, ambos organizados por ele e pela professora Maria Aparecida Ramos.
Para participar do evento basta o professor apresentar a carteira de sindicalizado na entrada do bar. Cada docente receberá um brinde em alusão aos 40 anos do sindicato.
Serviço:
Lançamento da marca de 40 anos do ADURN-Sindicato
Data: 01 de dezembro de 2018
Local: Acabou Chorare Bar Cultural - Rua doutor Manoel Augusto Bezerra de Araujo, 135, Ponta Negra.
Horário: A partir das 19h
Fonte: Ascom ADURN-Sindicato

Bolsonaro bate continência para assessor de Trump, mas expõe ao ridículo seu próprio ministro - "Absurdo! Cadê a nossa soberania?" - Eduardo Vasconcelos

Jornalistas que testemunharam o encontro de Jair Bolsonaro com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, disseram que o futuro presidente brasileiro bateu continência para o assessor de Trump.

Bolton, em recente discurso em Miami, retomou o discurso de George W. Bush sobre um suposto “eixo do mal”, só que desta vez na América Latina: Nicarágua, Cuba e Venezuela.
São países em que os Estados Unidos, através de bloqueios e sanções econômicas, ações clandestinas e propaganda, tentam promover troca de regime.
Para isso, agora contam com o Brasil. A primeira ação “eficaz” do ponto-de-vista de Washington foi a destruição do programa Mais Médicos no Brasil, em que Bolsonaro denunciou os médicos cubanos como “escravos”.
É importante lembrar que durante a guerra fria os EUA financiaram direta ou indiretamente intelectuais de esquerda que se opunham à União Soviética.
Bolton é o clássico apparatchik norte americano, tendo servido aos governos de Ronald Reagan e Bush filho.
Ele é um dos responsáveis pela decisão de cancelar o acordo firmado entre EUA e aliados europeus com o Irã durante o governo Obama.
O objetivo é, contando com a aliança Israel-Arábia Saudita, promover a troca de regime também no Irã. Uma aliança na qual os EUA já contam com o Brasil, depois da recente visita do filho de Bolsonaro, Eduardo, a Washington.
Eduardo disse que não teme um boicote às exportações brasileiras para países árabes se a embaixada brasileira em Israel for transferida de Tel Aviv para Jerusalém.
Segundo ele, será possível trabalhar com países árabes de maioria sunita que enfrentam o Irã xiita.
O Brasil também deu um sinal claro de que vai se alinhar a Donald Trump nas questões ambientais.
Trump disse que não acredita num relatório emitido recentemente por seu próprio governo segundo o qual o aquecimento global provocará grandes danos à economia dos Estados Unidos.
Bolsonaro, por sua vez, de olho em ocupar a Amazônia com o agronegócio, interferiu para que o Brasil não sediasse, no ano que vem, a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 25.
Com o título “Brasil envergonha a agenda climática”, o Greenpeace definiu como desastrosa a decisão:
É do Acordo de Clima que saem as metas para conter as emissões de gases de efeito estufa. Na conta do Brasil, isso significa principalmente acabar com o desmatamento e promover energia limpa a fim de assegurar um país e um mundo em que a biodiversidade possa ser conservada, que eventos extremos não destruam vidas e que os direitos das pessoas sejam assegurados. Porém, a retirada da candidatura brasileira ocorre no momento em que a Amazônia registra alta de 14% na taxa de desmatamento. No Brasil, o equilíbrio climático é fundamental principalmente para setores como a agricultura, que tem importante participação na economia. Assim, fazer mais pelo clima é uma questão de lógica estratégica para o país. Infelizmente, este campo parece não ser o forte do próximo governo.
No twitter, @luciocaramori fez uma brincadeira com a trapalhada entre o futuro ministro Onyx Lorenzoni e Bolsonaro sobre a desistência de sediar a COP (ver vídeo abaixo).


Onyx pretendia mentir, mas Bolsonaro admitiu sua interferência.
O clipe termina com legendas da série norte-americana Curb Your Enthusiasm, em que um dos criadores de Seinfeld, Larry David, brinca com suas próprias trapalhadas.
Vi o Mundo
C/ CTB NACIONAL

Acesse a cartilha do Projeto DST/Aids da CNTE

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No dia 1º de dezembro é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. De acordo com dados da UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), em 2017, havia 36,9 milhões de pessoas convivendo com HIV no mundo. No Brasil, a estimativa é de 830 mil pessoas infectadas.
Para a data, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) lançou a Cartilha “Prevenção à Vista – Além da luta por prevenção e camisinha, agora é preciso lutar para defender a saúde e o SUS”. O material aborda assuntos como a conscientização da população, o tratamento pelo SUS, o papel da educação na prevenção, além de auxiliar no combate contra o preconceito que os portadores de HIV sofrem na sociedade.
A doença
“A AIDS é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. A síndrome é causada pelo vírus HIV, que ataca as células de defesa do corpo, deixando o organismo mais vulnerável, permitindo que aconteçam infecções oportunistas, por microrganismos que normalmente não produzem a doença e que elevam muito a mortalidade dos pacientes portadores do retrovírus”, explica o infectologista Dr. Manuel Palácios, do Hospital Anchieta.
De acordo com o médico, antigamente, entre a contaminação e a fase final, estimava-se um tempo de sobrevida médio de três anos. Hoje em dia, por haver certa ‘adaptação’ do vírus ao corpo humano, pode ser que este tempo tenha aumentado em um ou dois anos. Atualmente o vírus pode ser identificado mais precocemente e o paciente pode ter uma sobrevida mais longa e saudável devido a disponibilidade de um grande arsenal de medicamentos para conter a ação do vírus.
Prevenção
De acordo com o Ministério da Saúde, uma das formas de prevenção é a Profilaxia Pré-exposição (PrEp). A medicação deve ser ingerida, diariamente de forma contínua, antes do contato com um soropositivo e diminui em até 80% as chances de contaminação (independentemente da situação do parceiro infectado). A pílula, que combina o medicamento tenofovir e o entricitabina, bloqueia o ciclo de replicação do vírus, impedindo a infecção no organismo.
“Existem dois tipos de PrEP: oral e tópica (uso de gel genital). O Brasil, atualmente, disponibiliza pelo SUS acesso à PrEP oral somente para homens que fazem sexo com homens; transexuais; profissionais do sexo e parceiros sorodiscordantes de pessoas com HIV, porém pode ser encontrada também na rede privada de drogarias”, conclui o infectologista.
Assim pega:
• Sexo vaginal sem camisinha;
• Sexo anal sem camisinha;
• Sexo oral sem camisinha;
• Uso de seringa por mais de uma pessoa;
• Transfusão de sangue contaminado;
• Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
• Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Assim não pega:


• Sexo desde que se use corretamente a camisinha;
• Masturbação a dois;
• Beijo no rosto ou na boca;
• Suor e lágrima;
• Picada de inseto;
• Aperto de mão ou abraço;
• Sabonete/toalha/lençóis;
• Talheres/copos;
• Piscina;
• Banheiro;
• Doação de sangue.

Fonte: CNTE

“Comerciais como o da Perdigão evidenciam o racismo estrutural”

Advogado Silvio de Almeida aponta mensagem racista em campanha de Natal que associa família negra à pobreza. Empresa de alimentos lamenta repercussão negativa.
Por Breiller Pires, do El Pais
Foto: Clécio de Almeida
A cada Chester vendido, a Perdigão promete doar outro para “uma família que precisa”. Apesar da causa nobre, o comercial de divulgação da campanha cai no lugar comum de representar pessoas negras como a “família que precisa” na ceia de Natal e, por outro lado, atribuir a virtude da caridade a uma família branca. Para Silvio Almeida, advogado, professor de Direito e presidente do Instituto Luiz Gama, que promove direitos da população negra e minorias, a peça publicitária reflete as estruturas racistas da sociedade brasileira, em que os negros são automaticamente associados à condição da pobreza. Autor do livro O que é racismo estrutural (Editora Letramento), o doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP adverte que as empresas precisam adotar políticas antirracistas permanentes para não seguir reproduzindo preconceitos em seus discursos e produtos.
Qual mensagem o comercial da Perdigão emite ao apresentar uma família negra como necessitada e outra, branca, como abastada e caridosa?
A desigualdade racial constitui o imaginário. Naturalmente, a propaganda se utiliza desse imaginário para que as pessoas consumam. Comerciais como o da Perdigão evidenciam o racismo estrutural da nossa sociedade. Ele apela para um sentimento de caridade que se manifesta toda vez que nos deparamos com pobres. Em 30 segundos, precisa passar uma mensagem sucinta sobre compaixão que venda seu produto. Sendo assim, a imagem mais rápida é a dos negros como pessoas que merecem compaixão. Trata-se de uma visão tão arraigada, do negro em condição inferior, que a empresa ignora até mesmo os possíveis efeitos negativos que essa representação pode gerar sobre sua marca, incluindo a reação de pessoas brancas que rejeitam esses estereótipos.
Como operam as engrenagens do racismo estrutural?
O racismo estrutural se materializa pelo próprio modo de ser da sociedade. A lógica do Estado se molda a partir do individualismo, onde tudo se compra pelo dinheiro. Nesse contexto, o racismo não é algo anormal. Ele está inserido na estrutura social. Todas as áreas, da economia à política, estão atravessadas pelo racismo. E as instituições, públicas e privadas, são os pilares de toda a estrutura. Logo, o racismo não é originário das instituições. Elas apenas o reproduzem. Por isso também falamos de racismo institucional, que engloba o meio corporativo. O fato de a sociedade ser racista não significa que uma empresa tem de aderir à sua lógica racista. Pelo contrário, ela pode se contrapor ao racismo. Com isso, não só agregaria valor ao seu produto, mas também se estabeleceria com uma alternativa à sociedade.
De que forma as empresas podem evitar a reprodução de padrões racistas?
Partimos do princípio de que nossa sociedade é desigual e racista. Quando esses meios de comportamento já estão constituídos, uma empresa só não é racista se for antirracista. Isso vale também para os indivíduos e qualquer outra instituição. Como o racismo ainda é muito presente em diversas esferas, é preciso adotar políticas antidiscriminatórias permanentes e instituir mecanismos que estabeleçam questionamentos às práticas sociais vigentes nas empresas. Elas não são obrigadas a reproduzir o mundo como ele é. Elas podem melhorá-lo, ofertando coisas que concorrentes não ofertam. Isso só acontece se forem capazes de mudar a forma como estabelecem o relacionamento com o público e suas campanhas de publicidade.
Essa postura de enfrentamento ao racismo também implicaria em mudanças na própria estrutura das empresas?
É fundamental subverter os espaços de comando, desnaturalizar as posições que determinados grupos raciais ocupam. Precisamos questionar: onde estão os negros na presidência de empresas, nas altas esferas do Judiciário, na gestão dos clubes de futebol? O pensamento crítico é o caminho, mas o Estado não oferece condições adequadas para se discutir essas questões.
Nesta semana, o goleiro Jefferson, do Botafogo, afirmou ao jornal O Globo que, por ser negro, teve de “matar dois leões por dia” para triunfar no futebol. O que essa expressão revela sobre a percepção dos negros sobre o racismo?
Uma fala como a do Jefferson só parece surpreendente para quem se propõe a negar o racismo. Qualquer pessoa negra que não está no espaço previsto para ela tem de matar dois leões por dia. Não podemos tratar exceções como meros exemplos de superação. Não é admitido que o negro ocupe o lugar de representação da família rica. Quando ele protesta contra essa condição de subalternidade que lhe é imposta, falam em “vitimismo” ou “coitadismo”, que nada mais é que um discurso racista, em que o negro, mesmo oprimido e explorado, tem de se manter resignado.
Por que muitas pessoas, geralmente brancas, falam em “consciência humana” – se apegando a um argumento do ator Morgan Freeman – para desqualificar o Dia da Consciência Negra?
Gente que se dedica a estudar a fundo as questões raciais acaba sendo deslegitimada por pessoas que validam seus preconceitos amparadas na figura de um homem negro importante. Considero equivocada a declaração do Morgan Freeman, mas, se observarmos o vídeo com calma, percebemos que a fala está fora de contexto. Ele não quer dizer que o racismo não existe. É uma maneira atabalhoada de pontuar que, em linhas gerais, só se debate sobre consciência racial no mês da Consciência Negra. O Morgan Freeman é um exemplo do negro que só serve aos brancos quando diz algo aceitável para quem não reconhece o racismo como uma prática social.

Assista o comercial da Perdigão: