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PRESIDENTE DO CPC/RN FARÁ PEREGRINAÇÃO NAS COORDENAÇÕES DA FUNARTE E BIBLIOTECA NACIONAL NO RIO

RIO DE JANEIRO Na próxima segunda-feira (11) e terça-feira (12),  o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vascon...

quinta-feira, 1 de junho de 2017

APUB realiza debate “Cultura e Democracia no Brasil de Hoje”

O debate “Cultura e Democracia no Brasil de Hoje” acontece no dia 13 de junho, às 18h, no Museu de Arte da Bahia (MAB) e reúne nomes como Emiliano José, Gordo Neto, Henrique Dantas, Ivan Uhol, Javier Alfaia, Leandro Colling, Marta Rodrigues, Sílvio Humberto e Sueide Kintê. O evento é parte do lançamento do livro “Política Cultural e Gestão Democrática no Brasil”, organizado pelo professor Antônio Albino Rubim (IHAC/UFBA). 
A obra, que reúne textos de diversos autores, como Antônio Cândido, Marilena Chauí, Jorge Bittar, Lélia Abramo, entre outros, analisa experiências de gestões democráticas da Cultura desenvolvidas tanto pela União quanto por estados e municípios brasileiros.
Após o debate e o lançamento haverá festividades em homenagem à Santo Antonio.
Fonte: APUB-Sindicato

Na dúvida, escutem os rappers

Arte sobre fotografia de manifestante da marcha de protesto contra a chacina do Cabula, em Salvador. Impune há dois anos.
Arte sobre fotografia de manifestante da marcha de protesto contra a chacina do Cabula, em Salvador. Impune há dois anos.
Segunda-feira participei da entrega da 29ª Medalha Chico Mendes de Resistência, no Rio de Janeiro, evento organizado pelo Movimento Tortura Nunca Mais e pela OAB-RJ, em memória de vítimas da ditadura e contra a impunidade da tortura e dos assassinatos praticados por agentes públicos no Brasil.
Como o próprio nome sugere, esse movimento começou logo depois do fim da ditadura na crença que seria necessário investigar esses crimes, punir os algozes e vacinar a sociedade para que essas barbáries nunca mais voltassem a ocorrer em nosso país.
A ideia de não deixar que a sociedade esquecesse esses crimes – para isso seria necessário manter uma militância -, se mostrou justa; mas a sociedade brasileira se revelou mais doente e mais contaminada pela violência do que aqueles que iniciaram esse movimento supunham.
Essa violência é herança da escravidão, prática que a brutal desigualdade social reproduz até os dias de hoje. Vem desde a formação do país. É uma mazela histórica entranhada no tecido social. O Brasil que emergiu a partir da redemocratização passou a lidar com a mesma violência e com os mesmos crimes praticados pelo Estado no período ditatorial.
A diferença é que agora essa violência é exercida pelo aparato policial contra a população que vive nas favelas e nas periferias das grandes cidades brasileiras; contra os povos indígenas, camponeses e trabalhadores rurais, que lutam por direitos e terra; contra a juventude negra que vive nas periferias urbanas.
A prática sistemática e os números crescentes de violência indicam que se trata de um mecanismo estrutural de submissão dos excluídos e revelam que a sociedade já se acostumou com esta situação. Muitos chegam a acreditar que a violência é o caminho para se alcançar a paz social.
Na época da ditadura, os militantes políticos eram as vítimas mais evidentes. Aqueles que se opunham ao regime eram presos, desaparecidos e torturados sistematicamente. O assassinato e a tortura desses militantes eram a norma da ditadura. Precisavam que a sociedade tivesse medo.
Nas últimas décadas, a violência política foi se amenizando à medida que a democracia amadurecia, mas a truculência contra os mais fracos socialmente só cresceu. Cada vez mais nos horrorizamos com os massacres de indígenas, com a escalada de assassinatos de jovens negros e negras nas favelas; com os homicídios de líderes rurais; com a tortura nas delegacias e presídios de todo o país.
Chauim Soutine, Boi Esquartejado, 1921, imagem abaixo:
Chauim Soutine, Boi Esquartejado, 1921
Os eventos anuais de repúdio à violência dos agentes públicos durante a ditadura tiveram que incorporar a denúncia desses outros crimes e tratá-los juntamente com os crimes políticos do passado. Mas isso não é suficiente.
A gravidade destas denúncias exige um protagonismo maior da sociedade. É preciso uma repercussão maior, um envolvimento maior de todas as mulheres e homens de bem do nosso país.
Que democracia é possível florescer num país que convive passivamente com tantos crimes praticados por agentes do Estado? Como alcançar a paz nestas condições? Como gerar uma coesão social nestas condições? Como alcançar um mínimo de harmonia social quando, em nome da segurança pública, agentes pagos com o dinheiro dos impostos coletados na sociedade aterrorizam, roubam, torturam e matam os cidadãos e cidadãs que deveriam proteger?
A verdade é que existe um silêncio, uma indiferença, uma omissão da sociedade diante desses crimes. As pesquisas indicam que parte das classes médias acredita no paradoxo de que esse nível de violência estatal é necessário para conter a criminalidade.
A imprensa se nega a dar um tratamento responsável ao tema. Em vez de ir à raiz do problema, em busca de caminhos para sua superação, faz uma cobertura rasa e sensacionalista, reforça estereótipos e preconceitos que acabam criminalizando as vítimas e seus territórios.
Os números da violência do Estado no Brasil, nos últimos anos, se aproximam das estatísticas de países em guerra. Estamos, na verdade, falando da banalização do mal em sua versão brasileira: violência política, violência policial, repressão aos movimentos sociais, assassinatos, desaparecimentos, execuções, torturas.
No Brasil, nada disso se circunscreve ao período da ditadura. Se nas décadas de 1970 e 1980 esses crimes do poder público chamavam atenção porque eram crimes da ditadura contra os seus opositores. Depois da redemocratização chamam a atenção porque são crimes do mesmo Estado, praticados principalmente através dos seus aparatos policiais, contra os pobres, os negros, os indígenas, contra as pessoas que moram nas favelas e periferias e contra os movimentos sociais que lutam por direitos; Indígenas e camponeses lutando pela terra, jovens negros das periferias demandado direitos e oportunidades iguais.
Os que têm dúvida sobre a gravidade dessa tragédia que escutem a música que está sendo produzida nas periferias e que falam da violência do sistema para manter a desigualdade. Escutem os rappers.

Mídia Ninja

Hip-hop, a voz do gueto rebelde

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Tenho um filho de 16 anos. Vicente. É ele quem me apresenta os rappers. Dezenas de jovens comprometidos com a sua comunidade tentando traduzir em palavra cantada a tragédia social do Brasil. Eles são a voz do gueto rebelde. Impressionante a força dessa música entre os jovens em todo o país!
Há grande quantidade de bons tradutores do sentimento de indignação, raiva e demanda por justiça existente na juventude periférica. Sabem que estão sós, assumem-se negros e compreendem que vivem uma guerra de domesticação ou extermínio.
É urgente que a luta pela democracia incorpore como uma questão central o fim do extermínio, dos massacres e das chacinas nas periferias das nossas cidades. É urgente que a polícia se comporte civilizadamente e com respeito àquelas pessoas que ali moram. É preciso urgentemente dialogar com esses artistas – e com os demais sambistas, funkeiros, escritores etc. – dessas comunidades, como um primeiro movimento para transformar os direitos das populações segregadas nas periferias e favelas das nossas cidades em uma das prioridades da luta democrática. É urgente dar um basta, um ponto final na barbárie policial. Claro que muita coisa foi feita nos últimos anos para reduzir as desigualdades, para se fortalecer a cidadania, aumentar o poder aquisitivo dos mais pobres, criar uma institucionalidade receptiva aos direitos sociais de todos os brasileiros e brasileiras. Mas as chacinas permaneceram e continuaram a crescer, os direitos mais elementares dessas pessoas continuaram a ser desrespeitados.
Tudo que foi feito ainda é insuficiente.
Um passo importante que pode ser dado é incorporar nas prioridades políticas a questão dos direitos das periferias com tal força que os que aí vivem sintam que não estão sós, que todos os que lutam por mais democracia estão juntos e esse é o caminho.
Esse diálogo não será fácil. As dificuldades começam na linguagem. Quem convive com a possibilidade de um encontro com a morte a qualquer momento tem outras demandas e muitas urgências. E outra linguagem.
Arte Renatinho da Silveira
Arte Renatinho da Silveira
A classe média, mesmo os seus rebeldes, não chegam junto desta realidade. O sistema nos divide, nos separa, e invisibiliza o mundo dos excluídos. Mas pode chegar, um dia vai chegar! Esse é o papel da política transformadora.
Quando vão deixar de ser apenas expressão da cidade partida? No dia em que o outro lado da cidade se emocionar às lágrimas com uma criança morta pela violência policial; com o relato de um pai ou de uma mãe que, tomando um exemplo concreto, estava dando o café da manhã para sua filha de menos de dez anos antes de levá-la para a escola e, de repente, um tiro de fuzil atravessa a parede do barraco e atinge a cabeça dessa criança.
A polícia e os traficantes estavam trocando tiros como se não existissem pessoas ali, como se elas fossem apenas parte do cenário. No caso, a bala saiu do fuzil de um policial.
As coisas vão mudar no dia em que os moradores dos outros bairros da cidade entenderem o que significa bala perdida. No dia que sentirem como inaceitável que a polícia entre em um bairro pobre, em uma favela, na periferia, atirando e desrespeitando os que ali moram. No dia que vierem a chorar por vidas terminadas em chacinas que todo mundo sabe quem pratica, mas todos fingem não saber e nem ver.
As coisas vão mudar quando reconhecermos que os direitos que nos protegem do relento, da fome, da humilhação, da ignorância e da morte violenta são as mesmas garantias devidas a todos os brasileiros e brasileiras.
Quando tivermos nossa cidadania plenamente desenvolvida ao ponto de não nos dividirmos entre os que merecem viver e os que podem morrer de fome, esgotamento, preconceito, bala perdida ou por qualquer outra injustiça social.
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Arte Renatinho da Silveira
Quando tivermos a grandeza de nos perceber como uma nação de iguais, cessará a indiferença. E todos construiremos a narrativa de nossas vidas sob a mesma gramática cidadã, fortalecendo a diversidade humana e cultural que deve mais nos unir, pelo respeito e pela solidariedade, do que nos segregar pela exploração, pela exclusão e pela violência.
Essa compreensão cobramos dos indivíduos, mas ela deve ser exigida principalmente das instituições do Estado brasileiro e dos partidos políticos, em particular.
Refiro-me principalmente aos partidos de esquerda e aos que estão comprometidos programaticamente com a democracia, pois são os que se oferecem para dirigir o Estado de forma a superar seu caráter opressor e mantenedor do status quo. Um olhar mais apurado perceberá que os operadores da política no Brasil se dividem entre os que são herdeiros do sistema escravagista e os que lutam para superá-lo.
Precisamos pensar em um Estado formado e formador de valores democráticos, encarregado de oferecer educação, de criar as condições para o acesso pleno de todos à cultura, encarregado de fazer justiça, recolher impostos, distribuir riquezas, garantir qualidade de vida e outros direitos a todos os cidadãos sem distinção. Por isso, partidos precisam ter ideologia e devem ser fiéis aos seus ideais quando ascendem ao poder.
No último dia 31 de março, 53 anos depois do golpe de Estado que nos impôs uma ditadura cruel, refletindo sobre a persistência e recrudescimento da violência praticada pelo Estado, alertei para a necessidade de ouvirmos as denúncias que nos fazem os artistas da periferia. “Na dúvida, escutem os rappers”, escrevi nesta Mídia NINJA. Minha mensagem se dirige especialmente aos partidos de esquerda, e aos demais democratas, cuja linguagem e prática estão afastadas da realidade daqueles que estes partidos almejam representar.
A direita é caso perdido: justifica as cruéis desigualdades sociais, tenta naturalizá-la, culpabiliza os pobres e excluídos. E, prega como saída armar a população. Lembro que muitos são financiados pelos fabricantes de armas.
No século 21, as lutas emancipatórias não serão feitas por uma minoria detentora do controle da narrativa e dos instrumentos políticos em nome de uma maioria silenciosa, legitimadora de dogmas e estratégias partidárias de ascensão ao poder.
No século 21, as tecnologias da comunicação ampliaram o acesso à informação e abriram canais de expressão em proporções nunca vistas na história da humanidade.
Hoje, não só os jovens da periferia, mas os jovens em geral, as mulheres, os indígenas, os quilombolas e outros grupos sociais já não podem ser interditados por um controle centralizado da narrativa.
É preciso ouvi-los e, mais do que isso, é preciso abrir a estes grupos sociais e humanos os canais de participação na vida social em geral e nas organizações partidárias; pois na vida política do Brasil eles já são protagonistas em suas lutas diárias por emancipação, respeito, igualdade de direitos e liberdade.
Arte Renatinho da Silveira
Arte Renatinho da Silveira

Fonte: Mídia Ninja

Depois de ato histórico no Rio, São Paulo terá show com artistas por eleições diretas


Mano Brown, Criolo, Emicida, Tulipa Ruiz, Péricles, Otto, Maria Gadú e mais de 30 blocos cantam pela saída do presidente Michel Temer
Por RBA 
Artistas, ativistas e blocos de carnaval realizam manifestação em forma de show no próximo domingo (4) em São Paulo para exigir a saída do presidente Michel Temer (PMDB-SP) e a realização de eleições diretas como saídas para a atual crise política que atinge o país.
Estão previstas as presenças dos cantores Mano Brown, Criolo, Péricles, Emicida, Tulipa Ruiz, Simoninha, Otto, Maria Gadú, dentre outros, e a participação de cerca de 30 grupos que promovem o carnaval de rua em São Paulo, como o já tradicional bloco Acadêmicos do Baixo Augusta e o bloco Tarado Ni Você, que executa músicas de Caetano Veloso em ritmo de marchinha. O ato SP pelas Diretas Já será realizado no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, a partir das 11h.
O evento ocorre uma semana depois que mais de 100 mil pessoas foram até a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo (28), e puderam acompanhar apresentações do próprio Caetano Veloso, além de Milton Nascimento, Mano Brown, Rappin Hood, Mart’nália, BNegão e outros, que cantaram pelas Diretas Já e entoaram coros  pelo “Fora, Temer”.
“Vamos ocupar o Largo da Batata com nossa música e nossos estandartes para defender o direito do povo eleger o próximo presidente da república”, afirmam os organizadores em chamado pelas redes sociais.
Eles refutam as articulações de bastidores de parte da classe política que propõe a realização de eleição indireta para eleger o sucessor de Michel Temer, pois ressaltam que o Congresso Nacional, com inúmeros parlamentares envolvidos em casos de corrupção “não tem condições morais de determinar como será o futuro do país.”
“Convidamos a todas e todos que compartilham desse pensamento a se vestirem de Diretas Já conosco para fazermos um ato histórico, digno do espírito democrático e inovador da nossa querida cidade”, convocam os artistas.

Fonte: Revista Fórum

Artistas potiguares cantam pelas #DiretasJá nesta sexta


Artistas potiguares cantam pela saída de Michel Temer e pela realização de eleições diretas para presidente em manifestação no formato de show nesta sexta-feira, 2.

O Festival #RNPelasDiretasJá acontece no Galpão 29, na Ribeira, cedido pela cantora e empresária Karol Posadzki, a partir das 20h, e contará com a participação de cerca de 20 artistas e bandas do Estado. 

A realização de um ato musical/político partiu do músico, compositor e intérprete Júlio Lima a partir da ideia de defender o direito do povo eleger o próximo presidente da república e ganhou força após o emprego arbitrário da violência contra a manifestação pelas Diretas em Brasília, no último dia 24 de maio.

O evento conta com o apoio da Frente Brasil Popular e diversos movimentos sociais e sindicais. “Um evento em que os artistas e intelectuais se agregam à luta pela retomada da democracia e a defesa das eleições diretas, e o Sindicato apoia esse evento e ressalta a importância da iniciativa dos artistas que o organizaram”, ressaltou o presidente do Sindicato, Wellington Duarte.

O palco para a manifestação livre reunirá Júlio os rappers Daniel Get Up, Preto Bronx e Carcará; as bandas Flamel, Born to Freedom, TP084, Pantim, Slim, a cantora e compositora Clara Pinheiro, o cantor e compositor Donizete Lima, Chico Bomba e Zé Baga, a banda Holandês Voador, Pretta, os regueiros do Resistência Roots e System Natal e Bob Marlom, Eric Mendes e Banda D’Fela, e o batuque do Pau e Lata e Folia de Rua.

Historia do Carnaval: Brasil e a influencia do negro...


A cultura brasileira é uma síntese da influência dos vários povos e etnias que formaram o povo brasileiro. Não existe uma cultura brasileira perfeitamente homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. Naturalmente, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana. É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: apesar do povo brasileiro ser um mosaico étnico, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualdade linguística e religiosa é um fato raro para um país de grande tamanho como o Brasil, especialmente em comparação com os países do Velho Mundo.

Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas de empréstimos à língua portuguesa. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor participação africana.

No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na língua, culinária, música e outros aspectos. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém, de forma mais limitada
Os africanosA cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições distintas. Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores. Na colônia, os escravos aprendiam o português, eram batizados com nomes portugueses e obrigados a se converter ao catolicismo.

Capoeira, a arte-marcial afro-brasileira.Os africanos contribuíram para a cultura brasileira em uma enormidade de aspectos: dança, música, religião, culinária e idioma. Essa influência se faz notar em grande parte do país; em certos estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul a cultura afro-brasileira é particularmente destacada em virtude da migração dos escravos.

Os bantos, nagôs e jejes no Brasil colonial criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás praticada atualmente em todo o território. Largamente distribuída também é a umbanda, uma religião sincrética que mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo, incluindo a associação de santos católicos com os orixás.

A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê. Este azeite é utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé.

Na música a cultura africana contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais. Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como o berimbau, o afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil colônial.

Segundo definição genérica, o carnaval é uma festa popular coletiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos, como herança das festas pagãs realizadas a 17 de dezembro (Saturnais - em honra a deus Saturno na mitologia grega.) e 15 de fevereiro (Lupercais - em honra a Deus Pã, na Roma Antiga.). Na verdade, não se sabe ao certo qual a origem do carnaval, assim como a origem do nome, que continua sendo polêmica. 

O Carnaval:
Alguns estudiosos afirmam que a comemoração do carnaval tem suas raízes em alguma festa primitiva, de caráter orgíaco, realizada em honra do ressurgimento da primavera. De fato, em certos rituais agrários da Antigüidade, 10 mil anos A.C., homens e mulheres pintavam seus rostos e corpos, deixando-se enlevar pela dança, pela festa e pela embriaguez.

Outros autores acreditam que o carnaval tenha se iniciado nas alegres festas do Egito. É bem verdade que os egípcios festejavam o culto a Ísis há 2000 anos A.C.

Em Roma, realizavam-se danças em homenagem a Deus Pã (as chamadas Lupercais) e a Baco (ou Dionísio para os gregos). Rituais Dionisíacos ou Bacanais.

Com o advento do cristianismo, a Igreja Católica começou a combater essas manifestações pagãs, sacralizando algumas, como o Natal e o Dia de Todos os Santos. Entre todas, o Carnaval foi uma das poucas a manter suas origens profanas, mas se restringiu aos dias que antecedem o início da Quaresma e ganhou colorido local. Na França medieval, era celebrado com grandes bebedeiras coletivas. Na Gália, tantos foram os excessos que Roma o proibiu por muito tempo. O papa Paulo II, no século XV, foi um dos mais tolerantes, permitindo que se realizassem comemorações na Via Ápia, rua próxima ao seu palácio. Já no carnaval romano, viam-se corridas de cavalo, desfiles de carros alegóricos, brigas de confetes, corridas de corcundas, lançamentos de ovos e outros divertimentos.

Entretanto, se o Catolicismo não adotou o carnaval, suportou-o com certa tolerância, já que a fixação do período momesco gira em torno de datas predeterminadas pela própria igreja. Tudo indica que foi nesse período que se deu a anexação ao calendário religioso, pois o carnaval antecede a Quaresma. É uma festa de características pagãs que termina em penitência, na dor de quarta-feira de Cinzas.

O baile de máscaras, introduzido pelo papa Paulo II, adquiriu força nos séculos XV e XVI, por influência da Commedia dell'Arte. Eram sucesso na Corte de Carlos VI. Ironicamente, esse rei foi assassinado numa dessas festas fantasiado de urso. As máscaras também eram confeccionadas para as festas religiosas como a Epifania (Dia de Reis). Em Veneza e Florença, no século XVIII, as damas elegantes da nobreza utilizavam-na como instrumento de sedução.

Na França, o carnaval resistiu até mesmo à Revolução Francesa e voltou a renascer com vigor na época do Romantismo, entre 1830 e 1850. 
Manifestação artística onde prevalecia a ordem e a elegância, com seus bailes e desfiles alegóricos, o carnaval europeu iria desaparecer aos poucos na Europa, em fins do século XIX e começo do século XX.

Há que se registrar, entretanto, que as tradições momescas ainda mantêm-se vivas em algumas cidades européias, como Nice, Veneza e Munique.

Em outros países da Europa, as comemorações eram animadas por canções que ironizavam os governantes locais. Em cidades italianas como Nápoles, as pessoas acompanhavam grandes cortejos dançando e bebendo. 
Em Portugal – de onde veio para o Brasil – o Carnaval era sinônimo de Entrudo.por influência dos portugueses que trouxeram, em 1723, brincadeiras e festejos carnavalescos. Muitos atribuem o início do nosso carnaval à celebração feita pelo povo para comemorar a chegada da Família Real. As pessoas saíram comemorando pelas ruas com música, usando máscaras e fantasias.


O Carnaval do Brasil é a maior festa popular do país. A festa acontece durante quatro dias (que precedem a quarta–feira de cinzas). A quarta de cinzas tem este nome devido à queima dos ramos no Domingo de Ramos do ano anterior, cujas cinzas são usadas para benzer os fiéis no início da quaresma. O Carnaval prepara o início da quaresma, isto é, seu último dia precede a quarta-feira de cinzas (início da Quaresma).

Comemorado em Portugal desde o século XV, o entrudo foi trazido pelos portugueses para a então colônia do Brasil e em finais do século XVIII era já praticado por todo o território. Consistia em brincadeiras e folguedos que variavam conforme os locais e os grupos sociais envolvidos. Com a mudança da côrte portuguesa para o Rio de Janeiro, surgiram as primeiras tentativas de civilizar a festa carnavalesca brasileira, através da importação dos bailes e dos passeios mascarados parisienses, colocando o Entrudo Popular sob forte controle policial. A partir do ano de 1830, uma série de proibições vai se suceder na tentativa, sempre infrutífera, de acabar com a festa grosseira.


Em finais do século XIX, toda uma série e grupos carnavalescos ocupam as ruas do Rio de Janeiro, servindo de modelo para as diferentes folias. Nessa época, esses grupos eram chamados indiscriminadamente de cordões, ranchos ou blocos. Em 1890, Chiquinha Gonzaga compôs a primeira música especificamente para o Carnaval, "Ô Abre Alas!". A música havia sido composta para o cordão Rosas de Ouro que desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval. Os foliões costumavam frequentar os bailes fantasiados, usando máscaras e disfarces inspirados nos baile de máscaras parisienses. As fantasias mais tradicionais e usadas até hoje são as de Pierrot, Arlequim e Colombina, originárias da commedia dell'arte.
sambaGênero musical binário, que representa a própria identidade musical brasileira. De nítida influência africana, o samba nasceu nas casas de baianas que emigraram para o Rio de Janeiro no princípio do século. O primeiro samba gravado foi Pelo telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, em 1917. Inicialmente vinculado ao carnaval, com o passar do tempo o samba ganhou espaço próprio. A consolidação de seu estilo verifica-se no final dos anos 20, quando desponta a geração do Estácio, fundadora da primeira escola de samba. Grande tronco da MPB, o samba gerou derivados, como o samba-canção, o samba-de-breque, o samba-enredo e, inclusive, a bossa nova. 


A Escola de Samba:
Uma coisa é o samba. Outra, a escola de samba. O samba nasceu em 1917. A primeira escola surgiu uma década mais tarde. Expressão artística das comunidades afro-brasileiras da periferia do Rio de Janeiro, as escolas existem hoje em todo o Brasil e são grupos de canto, dança e ritmo que se apresentam narrando um tema em um desfile linear. Somente no Rio, mais de 50 agremiações se dividem entre as superescolas e os grupos de acesso.



As primeiras:
A Deixa Falar foi a primeira escola e samba do Brasil. Ela foi fundada em 18 de agosto de 1928, na cidade do Rio de Janeiro, por Nilton Basto, Ismael Silva, Silvio Fernandes, Oswaldo Vasques, Edgar, Julinho, Aurélio, entre outros. As cores oficiais desta escola de samba eram o vermelho e branco e sua estréia no carnaval carioca ocorreu no ano seguinte a sua fundação.

O termo “escola de samba” foi usado, pois na rua Estácio, onde aconteciam os ensaios, havia uma Escola Normal. A escola de samba Deixa Falar funcionava ao lado desta Escola Normal. 

A Deixa Falar fez muito sucesso entre os moradores da região. Ela acabou por estimular a criação, nos anos seguintes, de outras agremiações de samba. Surgiram assim, posteriormente, as seguintes escolas de samba: Cada Ano Sai Melhor, Estação Primeira (Mangueira), Vai como Pode (Portela), Vizinha Faladeira e Para o Ano sai Melhor.

Nestas primeiras décadas, as escolas de samba não possuíam toda estrutura e organização como nos dias de hoje. Eram organizadas de forma simples, com poucos integrantes e pequenos carros alegóricos. A competição entre elas não era o mais importante, mas sim a alegria e a diversão.

O desfile das 16 superescolas cariocas se divide em dois dias (domingo e segunda-feira de carnaval), em um megashow de mais de 20 horas de duração, numa passarela de 530 metros de comprimento, onde se exibem cerca de 60 mil sambistas. Devido à enorme quantidade de trabalho anônimo que envolve, é impossível estimar o custo de sua produção. Uma grande escola gasta cerca de um milhão de dólares para desfilar, mas este valor não inclui as fantasias pagas pela maioria dos componentes, nem as horas de trabalho gratuito empregadas na concretização do desfile (carros alegóricos, alegorias de mão, etc.). Com uma média de quatro mil participantes no elenco, cada escola traz aproximadamente 300 percusionistas, levando o ritmo em sua bateria, além de outras figuras obrigatórias: o casal de mestre-sala e porta-bandeira (mestre de cerimônias e porta-estandarte), a ala das baianas, a comissão de frente e o abre-alas.


Primeira escola de samba: Deixa falar, fundada em 12 de agosto de 1928, no Estácio, Rio de Janeiro, por Ismael Silva, Bide, Armando Marçal, Mano Elói, Mano Rubens e outros sambistas (foi extinta em 1933).

Primeiro desfile oficial: Carnaval de 1935, vencido pela Portela. 


Atualmente, no Rio de Janeiro e em várias grandes e pequenas cidades, as escolas de samba fazem desfiles organizados, verdadeiras disputas para a eleição da melhor escola do ano segundo uma série de quesitos. Com o crescimento vertiginoso dessas agremiações o processo de criação se especializou gerando muitos empregos concentrados, principalmente, nos chamados barracões das escolas de samba.

O desfile mais tradicional acontece no Rio de Janeiro, na Passarela do Samba, Marquês de Sapucai, como é chamado o sambódromo carioca, primeiro a ser construído no Brasil. Outros desfiles importantes ocorrem em Uruguaiana, Porto Alegre,Florianópolis,Manaus e em Vitória.

Recentemente o desfile das escolas de samba de São Paulo adquiriu relevância ao passar a ser transmitido pela Rede Globo para todo o país, exceto no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a RBS TV, afiliada da Globo nos dois estados, transmite os desfiles do grupo especial de Porto Alegre, que ocorre em dois dias (sexta e sabado de carnaval), e Florianópolis (no sabado de carnaval).

Além dos desfiles das escolas de samba acontecem também os desfiles de blocos e bandas, grupo de pessoas que saem desfilando pelas ruas das cidades para se divertir, sem competição. Também existem os bailes de carnaval, realizados em clubes, ou em áreas públicas abertas, com execução de músicas carnavalescas.

O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem as ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu.


Carro abre-alas da Gaviões da Fiel.Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.

Indústria do carnaval é o nome dado ao conjunto de atividade para produção de fantasias, adereços, materiais para os carros alegóricos. São na maioria empregos informais para milhares de costureiras.

Um afro abraço e exelente carnaval.

Fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre/www.coladaweb.com/www.passeiweb.com/saiba_mais/voce.