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domingo, 16 de dezembro de 2018

Rodrigo Leone é empossado novo diretor-geral do Campus Nova Cruz

Rodrigo Leone é empossado novo diretor-geral do Campus Nova Cruz
Solenidade aconteceu na última quarta-feira (12), com a presença do reitor Wyllys Farkatt
Em cerimônia realizada na manhã desta quarta-feira (12), o professor Rodrigo Leone foi empossado novo diretor-geral pro-tempore do Campus Nova Cruz. Participaram da cerimônia o reitor do IFRN, Wyllys Farkatt Tabosa, o diretor acadêmico do Campus, Allan  Nilson de Sousa, o secretário de Educação do município, Rogério Felipe, a coordenadora da Editora IFRN, Kadydja Chagas, o presidente da comissão central eleitoral, Von Klaus Bezerra, o presidente do Grêmio Estudantil, Rony dos Santos, e o presidente do Centro Acadêmico, Delaías Alves. Participaram também da cerimônia estudantes e servidores da comunidade interna e da Reitoria.
A consulta pública para a escolha do diretor-geral aconteceu no dia 31 de outubro de 2018. Leone obteve 97,16%  dos votos de estudantes e servidores. O professor completará a gestão do Campus até o primeiro semestre de 2020, ocupada anteriormente pelo professor Márcio Bezerra. Em seu discurso, Leone ressaltou a importância de toda a Instituição trabalhar com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais e preconceitos. 
O secretário de Educação do município destacou a qualidade do ensino oferecido pelo Instituto em cidades do interior como Nova Cruz. Delaías, presidente do Centro Acadêmico, falou na confiança depositada pela comunidade interna na gestão do professor Leone. Já o reitor Wyllys Farkatt finalizou a cerimônia enfatizando a dimensão do IFRN: "temos condições de seguir desenvolvendo o nosso trabalho e mostrando à sociedade potiguar a força do Instituto Federal do Rio Grande do Norte. Desejo ao professor Leone sucesso com a condução do Campus".
 Fonte: Portal do IFRN

SÓ LEMBRANDO! O Brasil tem 190 línguas indígenas em perigo de extinção

Os idosos Känä́tsɨ e Híwa, últimos falantes da língua warázu, sentados em frente à sua casa em RO, com a acessórios de seu povo indígena na cabeçaKänä́tsɨ (à esq.) e Híwa falam entre si uma língua que só eles conhecem | Foto: Liames/Unicamp
Moradores da fronteira do Brasil com a Bolívia, o casal Känä́tsɨ, de 78 anos, e Híwa, de 76, são os dois últimos falantes ativos da língua warázu, do povo indígena Warazúkwe.
Os dois se expressam mal em castelhano e português, e conversam entre si somente em warázu – embora seus filhos e netos que moram com eles falem em português e espanhol.
"Aquela casa desperta, para quem entra nela, uma sensação incômoda de estranheza, como se o casal idoso que vive nela viesse de outro planeta, de um mundo que eles nunca poderão ressuscitar", escrevem os pesquisadores Henri Ramirez, Valdir Vegini e Maria Cristina Victorino de França em um estudo publicado na revista Liames, da Unicamp.
Com ajuda do casal idoso, esses linguistas da Universidade Federal de Rondônia descreveram pela primeira (e possivelmente a última) vez o idioma do povo Warazúkwe.
O casal nasceu em Riozinho, em Rondônia, mas a comunidade warazúkwe em que viviam foi abandonada nos anos 1960, forçando os dois a se mudar diversas vezes entre Brasil e Bolívia até se estabelecido em Pimenteiras (RO).

País multilíngue

Da família linguística tupi-guarani, o warázu é apenas uma de dezenas de línguas brasileiras em perigo de extinção.
Segundo o Atlas das Línguas em Perigo da Unesco, são 190 idiomas em risco no Brasil.
O mapa reúne línguas em perigo no mundo todo – e o Brasil é o segundo país com mais idiomas que podem entrar em extinção, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Adauto Soares, coordenador do setor de Comunicação e Informação da Unesco no Brasil, explica que o mapa foi feito com a colaboração de pesquisadores especialistas em cada região e entidades governamentais e não governamentais.
A jovem Zahy Guajajara
Image captionOs guajajara consideram a língua um aspecto importantíssimo para preservação de sua cultura | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
No Brasil, as principais entidades que colaboraram foram o Iphan, a Funai, a Unaids e o Museu do Índio.
Soares explica que foram usados diversos critérios para definir se uma língua está em risco: o número absoluto de falantes, a proporpoção dentro do total da população do país, se há e como é feita a transmissão entre gerações, a atitude dos falantes em relação à língua, mudanças no domínio e uso da linguagem, tipo e qualidade da documentação, se ela é usada pela mídia, se há material para educação e alfabetização no idioma.
"Essa quadro (de línguas em perigo) pode ser revertido, e é por isso que a gente atua", diz Soares.
A morte de uma língua não é apenas uma questão de comunicação no dia a dia: a preservação da cultura de um povo depende da preservação do seu idioma. "Se a língua se perde, se perde a medicina, a culinária, as histórias, o conhecimento tradicional. No idioma estão a questão da identidade, o conhecimento do bosque, do mato, dos bichos", explica o linguista Angel Corbera Mori, do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp.

Mais ainda

O número de idiomas em risco pode ser ainda maior do que o apontado pela Unesco, porque é possível que algumas línguas, que nunca foram estudadas, tenham ficado de fora – o warázu, por exemplo, não está incluso no mapa.
Além disso, é possível que existam dezenas de línguas em perigo em comunidades isoladas, que nunca foram descritas.
Estima-se que, antes da colonização portuguesa, existissem cerca de 1,1 mil línguas no Brasil, que foram desaparecendo ao longo dos séculos, segundo Corbera.
Ele explica que durante o período colonial, os jesuítas começam a usar o tupi como uma espécie de língua geral – o que foi visto pela Coroa portuguesa como uma ameaça. O tupi – e posteriormente outras línguas indígenas – foram proibidos. E quem desobedecesse era castigado.
Image captionJovem guarani mbyá da aldeia Mata Verde BonitaConsiderado vulnerável pela Unesco, o idioma Mbyá Guarani, do tronco tupi-guarani, é falado por cerca de 6 mil pessoas no Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A perseguição continuou por séculos. Na era Vargas, por exemplo, o português era obrigatório nas escolas, e quem desrespeitasse também estava sujeito a punição.
"A situação só melhorou a partir da Constituição de 1988", diz Corbera.
Segundo ele, uma das principais ameaças à língua hoje é a invasão dos territórios indígenas. "Políticas de preservação e registro da língua são importantes, mas não adiantam nada se eles não têm território, se são expulsos de suas terras", diz Corbera.
Alguns grupos que foram perseguidos têm o único registro escrito de suas línguas em trabalhos em naturalistas que visitam o país nos séculos passados. É o caso da língua dos povos do grupo Panará - nomeados pelos colonizadores de Caiapós do Sul – do aldeamento de São José de Mossâmedes, em Goiás, no século 18.
A única descrição linguística dos povos que ocupavam esse aldeia é encontrada em listas de palavras dos europeus Emmanuel Pohl (1782-1834) e Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), como descreve o linguista Eduardo Alves Vasconcelos em um artigo publicado no ano passado.

Os últimos

Uma das línguas que sobreviveram, ainda que em estado crítico, é o guató. O idioma tinha, em 2006, apenas cinco falantes, de acordo com a Unesco.
Os Guatô ocupavam praticamente toda a região sudoeste do Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia, até começaram a ser expulsos de suas terras entre 1940 e 1950, segundo o Intituto Sócio Ambiental (ISA), por causa do avanço da agropecuária.
Chegaram a ser considerados extintos pelo governo, por isso foram excluídos de programas de ajuda e políticas públicas, até meados dos anos 1970, quando missionários identificaram índios Guatô e o grupo começou a se reorganizar e lutar por reconhecimento.
Image captionEscrita guajajaraO registro escrito é um dos fatores avaliados para definir se uma língua está em perigo | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Há línguas tidas como vulneráveis - possuem um número maior de falantes, mas ainda são consideradas em perigo. É o caso da língua guajajara, falada por um dos povos mais numerosos.
Há mais de 27 mil guajajaras no Brasil, segundo o sistema de informações do Ministério da Saúde. O guajajara é usado como primeira língua em muitas aldeias, mas nem todos os índios Guajajara falam o idioma. A língua guajajara pertence à família tupi-guarani e é subdividida em quatro dialetos.

Extintas

Das 190 línguas citadas pela Unesco, 12 já são consideradas extintas, ou seja, não têm mais nenhum falante vivo.
Uma das que foram extintas mais recentemente foi língua dos Umutina, povo indígena que vive no Mato Grosso.
Quando o Museu do Índio iniciou um trabalho de documentação de línguas, em 2009, ela ainda tinha falantes. Hoje está extinta, segundo a Unesco.
Os Umutina tiveram seu território invadido violentamente no início do século passado, segundo o ISA. Por isso acabaram perdendo sua terra tradicional e sua língua, que era do tronco lingüístico Macro-Jê, da família Bororo.
Além disso, centenas de umutinas morreram devido a doenças levadas pelos brancos.
Os que sobreviveram às epidemias tiveram contato com o antigo SPI (Serviço de Proteção ao Índio, antecessor da Funai extinto em 1967). Eles foram educados em uma escola para índios que os proibia de falarem sua língua materna e de praticar qualquer tipo de atividade relacionada à sua cultura, segundo o ISA.
Hoje são 515 pessoas, de acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena, que falam predominantemente português e tentam recuperar a língua com ajuda de idosos e universitários indígenas. Segundo Corbera, o muitas vezes não se consegue recuperar a língua toda, às vezes só o léxico.
"Mas é muito importante, até por questões de identidade", conta ele.

RETROSPECTIVA-‘Graffiti Contra a Enchente’ reúne 300 artistas em Taboão

Grafiteiro Mirage. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA

Pelo 4º ano consecutivo, grafiteiros se unem em Taboão da Serra contra descaso do poder público.

Em 2014, na cidade de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, uma intensa chuva atingiu o bairro do Leme. O Rio Pirajussara, que corre ao lado, mesmo com um piscinão, subiu tanto que atingiu o teto das casas, destruindo tudo o que a população local conquistou a duras penas durante muitos anos. Carros, móveis e mesmo pessoas foram levadas pela força violenta da natureza.
Esse foi o estopim para o graffiteiro Agnado Mirage, que ao observar água saindo pela janela da casa do seu parceiro Gamão Raxakuka, falou: “mano, isso não pode continuar assim. Vamos fazer um graffiti contra essa enchente”. De cara, Gamão respondeu contrariado: “eu perdi tudo e você ta pensando em graffiti, mano?”, mas depois de alguns dias, refletindo sobre tudo o que aconteceu, ele repensou e disse: “vamos fazer isso”.
Foi desse episódio que nasceu o Graffiti Contra a Enchente, evento de hip hop que chegou à sua 4ª edição em 2018, reunindo mais de 300 grafiteiros de todas as partes do mundo para mudar a paisagem do bairro assolado pelas enchentes há mais de 40 anos.
Neste ano, os organizadores estimam que eles chegaram a cobrir mais de 3 km de muros do bairro com graffitis, mudando não só o visual da quebrada, mas dando auto estima para a população e chamando atenção do poder público para a falta de estrutura do local para lidar com as chuvas, principalmente durante o verão.
“Não é fácil produzir um evento como esse. Fazemos tudo sem qualquer recurso governamental. São cinco meses de preparação, andando com as próprias pernas. São os recursos obtidos pelo coletivo Raxakuka, através dos graffitis, venda de produtos e parcerias na região que fazem tudo acontecer”, contou Mirage.
A maior missão do projeto sempre foi trazer auto estima e envolver a população com arte, cultura e educação, elementos muito distantes daquele cenário de destruição das chuvas e das constantes enchentes.
“O mais importante desde o início foi ver as pessoas emocionadas com o que estamos fazendo. É você ver um sorriso no rosto da pessoa que acabou de perder tudo o que conquistou em anos”, lembra o graffiteiro.

Comunidade

A população local admira e se interessa pelo movimento e se sente abraçada pelos elementos do hip hop. A grande maioria mora há muitos anos no bairro e já passou dezenas de vezes por enchentes. Ver como esse cenário pode ser diferente, mesmo sem apoio governamental, é um choque que prova ser possível fazer qualquer coisa quando se junta.
Moradora há mais de 50 anos do Leme, Maria Luiza de Oliveira relembra as muitas vezes em que viu a água arrastar os seus pertences. “A última vez a água chegou até o meu pescoço, superou o teto da casa. Perdemos tudo o que tínhamos e a prefeitura deu apenas um colchão para a minha família”, conta.
Dona Maria. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
A situação só não foi pior porque, como muitos moradores da periferia sabem, nos momentos difíceis a comunidade se reúne e se fortalece mutuamente, dividindo o pouco que tem com os vizinhos.
Essa situação se repete também nos momentos de celebração, como o Graffiti Contra a Enchente. “Toda a minha família participa do evento e prestigia os shows. No que eles precisam eu também dou uma força. Aqui todo mundo se conhece no bairro, então nessas horas todo mundo se vê e reencontra antigos colegas”, diz Maria.
Com sorriso fácil, simpatia, uma apertada camiseta da Portuguesa de Desportos e um bonezinho de lado, o eletricista Alexandre da Silva, vulgo Buli, é mais um morador antigo do Leme. Com 44 anos, desde os 8 mora no bairro, e sempre conviveu com a situação difícil, temendo perder tudo o que conquistou a qualquer momento.
Ele conta que, com o tempo a região foi ganhando reformas que eram promessas de evolução, porém o problema nunca acabou. Uma dessas mudanças foi o piscinão. Com capacidade para 5 mil metros cúbicos de água, foi inaugurado em 2010 pelo então governador José Serra (PSDB), a um custo de mais de 41 milhões de reais.
“Antes o rio passava aqui no meio da rua, bastava chover um pouco e subia a água nas casas todas. Depois que construíram o piscinão não mudou muito, porque ainda chove e alaga. Ele consegue resolver só 50%, ainda não dá conta”, reclama.
Córrego do Rio Pirajussara. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
Buli ajuda na parte elétrica do palco, que recebeu shows de rap, rock, samba, entre outros, além do espetáculo de dança Gumboot Dance, oriundo da África do Sul e protagonizado por moradores da comunidade.
“É muito bom ver isso acontecendo aqui, fica bonito demais. Eu gosto de morar aqui e ver gente de todo mundo fazendo arte é muito bom”, elogia o eletricista, que é dono de um ferro velho. O seu empreendimento também mudou de cara esse ano, recebeu desenhos na porta de entrada e nas paredes internas.
Buli em frente ao seu ferro velho. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
Durante a entrevista, ele teimou de chamar um amigo para contar da sua experiência de vida no bairro. Enquanto não conseguiu encontrar o parceiro de trabalho, não sossegou. Conversou com a esposa, os filhos, mas não achava. Deu uma volta, esperou um pouco e então, alguém gritou: “o Tiago chegou”. Buli correu para chamá-lo.
“Conversa com ele aqui, fala como a gente trabalhou junto e se fortaleceu lá no ferro velho”, pediu o eletricista. Tiago, com um óculos prata espelhado e uma camisa do Barcelona estava em casa. Ouvindo a música black dos falantes dançava feito malandro sambista. Chegou com o sorriso aberto.
“Hoje eu estou vendo isso aqui muito bonito, cheio de gente. É uma sensação que eu não consigo descrever, fico até sem palavras”, respondeu Tiago, que tem 34 anos de idade e mora a vida toda no bairro do Leme.
Mural pintado em escadaria. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
Casado e pai de 3 filhos, duas meninas e um menino, Tiago não tem profissão, trabalha naquilo que conseguir dinheiro para prover o sustento e não tem medo de investir: onde enxerga uma oportunidade de negócio e uma fonte de dinheiro, se joga para garantir a comida em casa.
Cobrador, servente, catador, vendedor, cortador de mármore, entre outros, a lista de profissões é longa e a cada ano cresce. “Se saí de um trabalho, não posso ficar parado, então logo corro para fazer outra coisa”, explica. “Quando entrei aqui no ferro velho, o Buli me ajudou muito para manter as coisas”.
O parceiro até se emociona ao contar das dificuldades desse período, porém com o esforço conjunto e a camaradagem, conseguiram se levantar. Hoje Buli trabalha sozinho no ferro velho e Tiago toca seu novo empreendimento, uma barraquinha de churrasquinho, em que também vende tortas, bolos, água, cervejas e bebidas quentes.
Buli e Tiago no ferro velho. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
Enxergar essas relações e como elas constroem uma comunidade, dia a dia, ano após ano, são uma pequena amostra de como mesmo sob circunstâncias tão difíceis as pessoas conseguem encontrar força para evoluir e, ao mesmo tempo, resistirem às constantes enchentes.
Isso revela as potências das pessoas periféricas, inseridas em um cenário de descaso e violência de estado, e como elas são capazes de construir redes e empreendimentos tanto econômicos, quanto culturais e sociais nesses espaços.

Arte e hip hop conectando mundos

Artistas de todos os lugares do Brasil e do mundo deram a sua contribuição para o Graffiti Contra a Enchente, trazendo uma pluralidade de traços, desenhos e pensamentos para a grande galeria de arte a céu aberto do Leme.
São pessoas que, assim como a população local, tem problemas sociais em suas comunidades e através desse projeto se conectam a redes e têm experiências em que se inspiraram para trabalhar em seus territórios.
É o caso do Coletivo Manifestintação, do Jardim Nakamura, no Jardim ngela, extremo sul de São Paulo. Desde a primeira edição do Graffiti Contra a Enchente eles somam com os seus desenhos, e neste ano fizeram um painel de mais ou menos 20 metros, divididos em seis desenhos, um de cada integrante do coletivo: Quinho, Mundo Loko, Royal PHR, Curió e Espeto.

Mural do coletivo Manifestintação. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
“Um rolê como esse agrega valor e cultura para a comunidade, conscientiza sobre a importância do meio ambiente em uma área vulnerável”, comenta Quinho. “Aqui desenvolvemos todas as linguagens do hip hop e envolvemos a quebrada. É um trabalho de formiguinha, que está crescendo ano a ano”, completou Ari, vulgo Mundo Loko.
Da outra ponta do país, a gaúcha Ana Scarcelli, de Porto Alegre (RS), também pintou no evento e se diz emocionada em trabalhar em algo tão grande para a comunidade, que além de dar auto estima, valoriza a natureza.
“A reação de todos é maravilhosa e o resultado nos vemos enquanto estamos trabalhando. Como quando, mesmo com todas as dificuldades de ser artista, uma criança de apenas 7 anos te aborda e fala que quando crescer quer fazer o que você faz”, relata Ana.
Convidada pessoalmente por Mirage durante um trabalho realizado junto em sua cidade, ela reforça a responsabilidade que é fazer parte de um evento com a representatividade e potência do Graffiti Contra a Enchente.
“Hoje estamos aqui dando foco na natureza e na cultura indígena na nossa pintura. Queremos levar essa mensagem para a população”, explica a grafiteira.
Mural de Ana Scarcelli. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA

Drogas e política nas periferias

A roda de debate de lançamento do livro ‘Na Fissura’, do jornalista Britânico Johann Hari, que aconteceu no Graffiti Contra a Enchente, e foi promovido pela Agência Solano Trindade, trouxe elementos fortes para a discussão dessas questões e como a marginalização de territórios em nome da Guerra às Drogas contribui para esse processo.
Além do autor, a conversa ainda contou com a participação de Thiago Vinicius, da Agência Solano Trindade, Carmen Lopes, Assistente Social e Redutora de Danos, e Raull Santiago, do coletivo Papo Reto e Movimentos.
“A única forma que o estado chega aqui é através da Polícia Militar. Eles nos veem como um perigo, um risco para a sociedade. E o que a gente vê hoje são pessoas fazendo o que o estado não faz”, pontuou Thiago. “Esse muro da escola é um exemplo. Nunca foi pintado pelo estado e hoje está recebendo obras de arte da própria população”.
Desenho em frente ao EMEI Dorinha. Paredes foram restauradas pelos grafiteiros após enchente em 2014. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
O agente cultural vê as ações como um revide da população contra o descaso do estado, no entanto com armas bem diferentes. “A nossa resposta vem através de ideias e conexões”. Mesmo assim, as vitórias são conquistadas pouco a pouco e nem sempre é possível dissuadir a juventude de entrar para o varejo das drogas, por exemplo.
“A gente procura falar a linguagem do jovem, que é o dinheiro. O jovem anseia ser incluído na sociedade do consumo, ele quer ter o tênis que está na TV. Se ele não tem nada, a oportunidade dele ter qualquer coisa vai ser através do tráfico. Ele está consciente do que está fazendo, não está sendo enganado”, explica Thiago.
Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
Raull Santiago, que é morador do Complexo do Alemão, enxerga uma situação semelhante nos morros cariocas e que exemplos como o dele e de Thiago, de terem resistido à entrarem nesse mercado, tanto os fortalece individualmente, quanto fortalece o coletivo, ao indicarem outras possibilidades de acessarem o consumo.
“Você vê muitos jovens curtindo um evento como esse, aprendendo o que é cultura e arte, sorrindo, tendo um lazer. Fomos ensinados a vida toda que isso não é para a gente, que não é para gente da favela”, reflete Raull. “Agora, ao mesmo tempo que entendem o que é a violência, eles sabem o que é arte e cultura. Com isso, estamos plantando sementes para o futuro”.
Carmen Lopes e Raull Santiago. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
Apesar disso, o estado está muito distante de criar mecanismos para fomentar esse trabalho. Ao contrário, o apego ao partidarismo faz com que muitas políticas implantadas por uma gestão sejam descontinuadas pela posterior, principalmente se forem de partidos diferentes. Com isso, as mudanças são pontuais e pouco efetivas.
É o que aponta Carmen Lopes em relação às políticas de drogas no Brasil. Para ela, “o Brasil não está preparado para políticas públicas” em função do personalismo dos governantes. Quando se trata de drogas, o moralismo da opinião pública aprofunda esse problema.
Quando se trata de crack, por exemplo, droga associada à miséria e pobreza, são poucas as medidas de longo prazo adotadas pelo poder público. E quando há, duram pouco, pois tem pouca aceitação do eleitorado conservador.
“O crack hoje esta em um patamar de vilão na sociedade, mas quem ocupa esse papel de fato é o álcool”, revela Carmen. “O crack é usado por pobres, e se estamos está crescendo o número de pobres, vai haver um aumento natural no consumo. Se tivéssemos mais ricos, o aumento seria da cocaína”.
Thiago Vinicius. Foto: Laio Rocha / Mídia NINJA
A experiência violenta que as pessoas da periferia tem com as drogas, em função da atuação da Polícia Militar nos territórios, faz com que todos tenham uma percepção de medo e vergonha do consumo. Com isso, não há experimentação de drogas sem a sombra da criminalização.
A criminalização, no entanto, não é sobre as drogas, mas sobre territórios e populações. Essa marginalização gera falta de informação e cria problemas como o uso abusivo e de risco de substâncias químicas, a desestruturação familiar e o preconceito da própria comunidade.
“Quando um usuário de crack está lá no centro, você já sabe que ele foi expulso da quebrada”, conta Thiago. “Aqui você até pode ver alguém fumando um baseado na rua, mas usando crack não. Se for pego, os próprios moradores são capazes de bater nele. Isso não é aceito aqui”.
“A violência tem relação direta com a droga e atinge a todos na comunidade, independente de ser ou não usuário. Isso marca o significado das drogas na nossa vida e rotina”, salienta Raull. “As pessoas não conseguem enxergar possibilidades positivas no consumo de drogas”.

Fonte: http://midianinja.org - Matéria publicada em 29/11/2018 e reproduzida pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, 16/12/2018.

A "11º Bienal da UNE - Festival dos Estudantes" acontece de maneira unificada com o 4º Encontro Nacional de Grêmios, de 6 a 10 de fevereiro

Pela primeira vez a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas integra a Bienal da UNE, na próxima edição transformada em Festival dos Estudantes. A inscrição para seis mostras já estão abertas também para os secundaristas, até dia 10 de janeiro: Literatura, Artes Visuais, Música, Audiovisual, Artes Cênicas, Projetos de Extensão.
Quem apresentar seu trabalho artístico em alguma das Mostras Selecionadas terá sua taxa de inscrição estornada, além de expor para mais de 10 mil estudantes do Brasil todo.
(Lembrando que a taxa de inscrição é uma só para participar do 4º Encontro Nacional de Grêmios e 11º Bienal da UNE – Festival dos Estudantes, de 6 a 10 de fevereiro, na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.)
As obras podem ou não ter relação com o tema desta edição: “Gilberto Gil: Um reencontro com o Brasil”.
Consulte o regulamento, tire suas dúvidas e inscreva sua arte!

Como inscrevo minha arte?

Se inscreva pelo site inscricao.une.org.br 
Basta acessar o site, escolher a opção “inscrição de trabalho” e seguir os passos seguintes.
É preciso selecionar qual a linguagem da obra (Música, Artes Visuais, Audiovisual, etc), anexar um arquivo da obra (pode ser áudio, imagem, vídeo, etc) e explicar quais as necessidades técnicas da apresentação.
Se a inscrição for feita com sucesso, você receberá um e-mail de confirmação. (Isso ainda não significa que a obra foi selecionada)
Atenção: Já a sua inscrição e pagamento de taxa para participar do evento deve ser feita pelo inscricao.encontrodegremios.org.br.  Todos devem pagar a taxa neste endereço. Caso sua arte seja selecionada, você terá o pagamento estornado.

Que tipo de arte posso inscrever?

Pode inscrever obras nas seguintes linguagens: Literatura, Artes Visuais, Música, Audiovisual, Artes Cênicas e Projetos de Extensão.
Consulte o regulamento para mais detalhes sobre cada categoria.

Como serão escolhidas as obras selecionadas para as mostras?

Cada categoria tem uma curadoria composta por estudantes do Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da UNE e do Circuito de Cultura Secundarista(CIRCUS) da UBES.
Será observada a paridade na quantidade de trabalhos de secundaristas e universitários.

Quando saberei se minha arte foi selecionada?

A partir do dia 20 de Janeiro de 2019.

O que eu ganho se minha arte for selecionada?

O pagamento de sua inscrição será estornada na sua chegada ao evento, no momento do credenciamento.
Além disso, o nome de seu grupo e sua obra entrará no catálogo da 11º Bienal da UNE – Festival dos Estudantes.
Para os participantes da mostra de literatura, será publicado um Livro Coletânea da mostra selecionada.

Posso escrever mais de um trabalho?

Cada autor pode inscrever, no máximo, 3 trabalhos de sua autoria em cada uma das categorias.

Sou menor de idade, posso inscrever trabalhos?

Sim, basta apresentar uma autorização assinada por algum responsável legal.

Fonte: UBES