Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
A cultura popular representa um conjunto de saberes determinados pela
interação dos indivíduos. Ela reúne elementos e tradições culturais que
estão associados à linguagem popular e oral.
Assim, a cultura popular inclui o folclore, o artesanato, as músicas, as danças, as festas, dentre outros.
O
folclore, utilizado como sinônimo da cultura popular, é composto por um
conjunto de lendas e mitos transmitidos entre gerações e representam a
herança cultural e social de um povo.
Vale observar que o termo
cultura é muito amplo e reúne comportamentos, símbolos e práticas
sociais. Trata-se, portanto, de um conjunto de fatores que compõem uma
sociedade, como por exemplo, saberes, crenças, costumes e tradições de
determinado povo.
Destacam-se literatura, música, teatro, dança, culinária, religião, etc.
Cultura popular brasileira
Festival Folclórico em Parintins, Amazonas, Brasil
A
cultura popular brasileira reúne um conjunto de lendas, mitos e
tradições do país, que estão calcados na história e na miscigenação de
culturas, das quais se destacam: a portuguesa, a africana e a indígena.
Conheça exemplos de cultura popular que se destacam em cada área.
Manifestação cultural literária tradicional, especialmente no
interior nordestino. É caracterizada por pequenos livros com capas de
xilogravura, pendurados em barbantes ou cordas.
Gênero musical brasileiro que que possui forte influência do
folclore do Brasil, especialmente no que diz respeito às culturas
indígena, africana e europeia.
As cantigas de roda também são conhecidas como cirandas
Festa que acontece três dias antes da Quarta-feira de Cinzas,
onde, em alguns estados, são habituais os bailes de máscaras, os
desfiles de fantasias e/ou os trios elétricos.
Festas populares que ocorrem no mês de junho, onde são comuns as
danças de quadrilhas e as comidas típicas como, por exemplo, canjica,
arroz doce e bolo de milho.
Também chamado de Boi-bumbá, consiste em uma dança típica do
Norte e do Nordeste, onde ocorre uma apresentação teatral na qual o boi é
o personagem principal.
Desfile de carnaval no Rio de Janeiro
Cultura popular e cultura erudita
O termo “popular” faz oposição ao termo “erudito”. Na cultura popular,
as tradições são realizadas pelo povo, que participa de forma orgânica e
ativa, sendo, portanto, formadas de maneira espontânea.
Já a cultura erudita,
considerada “superior”, é eleita como a mais “culta”. Ou seja, ela é
produzida e apreciada por indivíduos que possuem maior poder aquisitivo
(elite) e por isso, é mais restrita.
A cultura erudita, diferentemente da cultura popular (que se forma pela convivência das pessoas), é elitizada e demanda estudos.
Ela
é associada aos museus, bibliotecas, teatros, centros culturais,
apresentações de música erudita e de música clássica, como, por exemplo,
as óperas.
Devemos lembrar que nenhuma cultura é superior à
outra. Cada uma carrega suas heranças culturais e sociais, que se
desenvolvem segundo diversos fatores que envolvem a diversidade cultural.
Cultura popular e cultura de massa
A cultura de massa, também chamada de “cultura pop” corresponde àquela realizada pela indústria cultural e veiculada nos meios de comunicação de massa.
Ambas estão associadas à sociedade contemporânea industrializada, ou seja, à produção industrial capitalista.
Nesse
sentido, a arte e a cultura são produzidas de modo “artificial” para
atrair as massas, e com o intuito principal de gerar lucro.
Assim,
na cultura de massa os produtos culturais e artísticos são
mercantilizados, diferentemente do que acontece na cultura popular, que
surge da interação do povo e não é imposta pela indústria cultural.
Quiz do folclore
Não pare por aqui! O Toda Matéria selecionou uma série de textos caprichados para ajudar você a ampliar os seus conhecimentos.
Licenciada
em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e
Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense
(UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha
com produção e gestão de conteúdos on-line.
Por:Eliade Pimentel / especial para o Potiguar Notícias.
Ao encerrar sua visita ao Rio Grande do Norte, o ex-presidente Luís
Inácio Lula da Silva passou rapidamente pelo Centro de Convenções, na
manhã desta quarta-feira (25), em evento promovido pelo Consórcio
Nordeste, entidade formada pelos nove estados da região, e concedeu uma
entrevista coletiva. Considerada a liderança política mais popular do
Brasil, ele falou sobre a viagem, em que está percorrendo o país, sobre a
possível candidatura em 2022 e também respondeu se existe sentimento de
vingança sobre aqueles que lhe imputaram acusações, das quais ele foi
inocentado 15 vezes, ou seja, é considerado inocente em todos os casos
em que foi julgado.
Lula disse que, caso opte por se candidatar e seja reconduzido à
presidência, seu objetivo maior vai ser reconstruir o país, missão para a
qual ele contará com todos os setores da sociedade, da classe política,
à classe trabalhadora. "Eu não faço política por raiva. Quando se entra
na política, tem que se pensar no bem comum, tem que se pensar no povo.
Caso eu volte à presidência, a minha 'vingança' será fazer mais pela
educação, mais pelos jovens, será fazer com que o país cresça. Eu sei o
que me fizeram, em nove meses eu fui alvo de mentiras, mas eu tinha
certeza que a verdade iria prevalecer e a gente iria ganhar",
enfatizou.
De partida para a Bahia, ele explicou que a viagem pelo Nordeste é é um
encontro com a região que mais precisa de atenção nesse processo de
reconstrução do Brasil, açodado, segundo suas palavras, pela política
genocida do presidente Jair Bolsonaro. "Estamos dentro de uma crise
sanitária jamais vista em todos os tempos, sendo que parte dela poderia
ser evitada se nós tivéssemos feito o que toda sociedade civilizada
fez. Se o governo tivesse feito comitê de crise, na hora certa e com
as pessoas certas, principalmente conversado com os governadores e
ouvido os profissionais da saúde, teríamos evitado a morte de mais de
570 mil brasileiros e brasileiras", disparou.
Lula repudiou a atitude da maior autoridade do país, que "continua
tripudiando todas as pessoas, não usando máscara, ignorando os mais de
14 milhões de desempregados e as mais 40 milhões de pessoas que vivem em
situação de insegurança alimentar", disse. Ele relembrou que, em 2012,
quando encerrou o segundo mandato como chefe do Executivo nacional, não
existia mais fome no Brasil e que agora não é possível que um dos
maiores produtores de grãos do mundo considere normal "continuar
assistindo as pessoas morrerem de fome".
O ex-presidente também destacou que Bolsonaro se contradisse em seus
propósitos de campanha, de ser uma via política alternativa, visto que
ele tem se aliado às velhas oligarquias. "Ele caiu na ratoeira da velha
política. Hoje o que temos é um país destroçado. Temos um presidente que
só é amigo da ignorância, das fake news, da mentira, que não conversa
com governadores, com prefeitos, com empresários, com trabalhadores e
com movimentos sociais", disparou o líder que, na véspera (24),
considerado o dia do(a) artista, recebeu a classe artística e os
movimentos sociais para dialogar sobre a conjuntura nacional e discutir
sobre o futuro da nação.
"Vamos precisar reconstruir o Brasil juntos, esse mesmo país que esteve
no sexto lugar da economia quando eu saí da presidência. A tarefa de
reconstruir a nação é de todos nós", enfatizou. E, com um sorriso largo
no rosto, declarou: "Eu comi carne do sol todos os dias em que estive
aqui, a melhor do Brasil". Antes de Lula falar aos jornalistas, a
presidente do Partidos dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann falou aos
presentes e distribuiu o Memorial da Verdade, publicação editada pelo PT
que conta a histórias de todos os processos que resultaram em sua
prisão arbitrária, e que trata de sua inocência.
"Quero agradecer a todos que nos receberam muito bem, em especial a
governadora Fátima Bezerra e à miliância, e dizer que estamos nessa
viagem pelo Brasil, especialmente no Nordeste, difundindo que o
presidente Lula foi inocentado, está livre e é inocente. O que ele
passou foi o maior processo de perseguição a um líder político no
Brasil", resumiu a deputada federal. Além da companheira de Lula,
Rosângela da Silva (Janja), também estavam presentes os políticos
petistas, senador Jean Paul Prates, deputada federal Natália Bonavides,
deputado federal eleito Fernando Mineiro (que briga na justiça pela vaga
ocupada por Beto Rosado) e a deputada estadual Isolda Dantas.
TEMAS TRATADOS NA COLETIVA
Regulação da mídia - Pauta histórica do PT, Lula foi
provocado a falar sobre a Rede Globo e sobre a regulamentação da mídia e
critérios regionais para dirimir as verbas públicas para publicidade.
"Eu trabalho com a consciência sei como foi o escárnio com que foi
criada a Lava-jato. Eu acho difícil que a rede Globo vá se redimir, vá
pedir desculpas. Eu estou com minha consciência tranquila, porque quando
eu fui dar meu depoimento a Moro, eu disse que ele estava condenado por
me condenar. Sobre a comunicação do Brasil, não é possível continuarem
gastando verba apenas na imprensa do Sul e Sudeste, não é democrático.
Vamos sim regulamentar a comunicação no Brasil com o propósito de
democratizar o acesso à informação".
Petrobras - "Eu sei o quanto o petróleo é associado ao
desenvolvimento do Rio Grande do Norte, aqui descoberto ainda no no
século 19. O Petróleo mudou a realidade do estado. A gente tem que
pensar na Petrobras como a maior empresa para promover o desenvolvimento
do Brasil. Quando não tiver mais nada no Brasil, quando venderem as
empresas de gás, as empresas navais, e deixarem tudo na mãos das
multinacionais, terão alcançado o objetivo de destruir a nação".
Pesquisa, eleições 2022, vice e Moro candidato - "Eu
não posso discutir pesquisa, está muito longe ainda, temos cerca de 14
meses para a frente. Mas, eu adoraria que Moro saia presidente para a
sociedade conhecer o carácter dele, mas acho que ele não tem coragem". E
sobre o perfil para o vice de sua possível candidatura, Lula brincou em
princípio, depois voltou a falar sério: "não pode ser mais bonito do
que eu, mais pode ser mais alto do que eu, ou mais forte do que eu. Sei
que será difícil encontrar um José de Alencar, então tem que ser uma
pessoa que pense como eu penso no povo. É como encontrar uma mulher para
casar. Eu já encontrei a minha, então vou escolher com muito cuidado o
vice".
Crescimento da Economia - "Eu acredito que a economia
pode crescer quando os empresários acreditarem nisso, mas o mercado não
só investe para ter lucro, ele investe sobretudo para não ter prejuízo. E
para aumentar a rentabilidade, os estados têm que fazer a sua parte.
Estado junto com empresários, junto com a sociedade, ajudando a conduzir
o crescimento da economia. O Estado é tutor. Se o estado não investe, a
economia não cresce. Por isso construirmos a BR-101, por isso que
pensei em fazer a transposição, que não deixaram Dom Pedro fazer, porque
a gente tem que investir e acreditar no Nordeste. Quando tudo isso
acontecer, o Nordeste voltará a crescer".
Militares na política - "As forças armadas foram
constituídas para defender nossas fronteiras, nossa florestas, defender a
soberania nacional. Se algum militar quiser se candidatar, que se
aposente, só não dá para as forças armadas se meterem na política".
Alianças com MDB no RN - "É preciso lembrar que
Garibaldi Filho foi ministro de Dilma, e eu preciso pensar de forma
civilizada sobre como manter as relações políticas e não posso definir
como serão as eleições aqui. Quem define é o partido do Rio Grande do
Norte. Eu sou um democrata. Eu sou um político civilizado. O que esse
governo faz é pregar o ódio".
O DCM teve
acesso a documento inédito que prova a existência de campos de
concentração no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Não é novidade
que eles existissem, mas o fato era de certa forma ocultado pela
historiografia e restrito a círculos acadêmicos discretos. É a primeira
vez que este material vem a público.
O destaque é o ofício veiculado aqui com
exclusividade do prefeito de Joinville Arnaldo Moreira Douat de 8 julho
de 1942 ao interventor federal Nereu Ramos (de Santa Catarina), em que
explicita que, por determinação do governador, o hospital psiquiátrico
da cidade foi “adaptado para servir de presídio político” – isto é, o
manicômio foi fechado e na mesma edificação foi instalado o campo de
concentração para encarcerar nazistas.
Outra prova é o comunicado entre o
Ministro das Relações Exteriores do Brasil Oswaldo Aranha para o
Ministro da Justiça e Negócios Alexandre Marcondes Filho do dia 14 de
julho de 1943 – documento que até então só havia sido publicado em livro
-, que revela que campos de concentração para encarcerar hitleristas
foi uma política do governo Getúlio Vargas.
Houve, oficialmente, no total, dez
campos em sete estados (PA, PE, RJ, MG, SP, SC e RS) entre 1942 e 1945
para aprisionar suspeitos por espionagem, propaganda, apoio político e
logístico ao regime nazista. Em Santa Cataria foram dois; um em
Joinville e outro em Florianópolis. A Segunda Guerra Mundial se iniciou
em 1939, mas o Brasil entrou efetivamente no conflito em 1942 junto aos
Aliados (EUA, França, Inglaterra) contra os países do Eixo (Alemanha,
Itália e Japão), ano em queo presidente Vargas rompe as relações diplomáticas e declara guerra à Alemanha.
Hospital psiquiátrico convertido em campo deconcentração para nazistas
Em Joinville, o campo de concentração foi
instalado em um local onde anteriormente funcionava um manicômio, o
Hospital Oscar Schneider, que ficava localizado na rua Borba Gato, no
bairro Atiradores. Por determinação do governador do estado o hospital
foi reformado para ser instalado o campo de concentração.
A reportagem do DCM
encontrou ofício do prefeito de Joinville Arnaldo Moreira Douat de 8
julho de 1942, ao interventor federal Nereu Ramos (governador), em que
está registrado que o Hospital Oscar Schneider foi “adaptado para servir
de presídio político”, conforme o “caráter urgente e imprevisto” por
determinação do governador Nereu Ramos. E descreve que o valor gasto
para a adaptação somou a “importância de 24.407$300” (réis, moeda
corrente na época).
Ofício
do prefeito de Joinville sobre investimento de recursos públicos para a
reforma do hospício Oscar Schneider para ser adaptado em “presídio
político”
Durante a Segunda Guerra
Mundial, países que estavam neutros representavam os interesses de
imigrantes de países envolvidos no conflito. A diplomacia da Espanha
ficou encarregada de observar as condições de tratamento dispensados aos
alemães presos nos Campos de Concentração no Brasil.
Ofício do Ministro das Relações
Exteriores do Brasil Oswaldo Aranha para o Ministro da Justiça e
Negócios Interiores do Brasil Alexandre Marcondes Filho do dia 14 de
julho de 1943 dispõe que: “O Ministro de Estado das Relações Exteriores
cumprimenta atenciosamente o seu colega da Justiça e Negócios Interiores
e tem a honra de levar ao conhecimento de Sua Excelência haver a
Embaixada da Espanha, encarregada dos interesses dos alemães no Brasil,
solicitando a intercessão do Itamaraty para que seja permitido ao
encarregado do Vice-Consulado honorário da Espanha em Florianópolis visitar
aos súditos alemães que se acham internados nos campos de concentração
de ‘Trindade’, perto de Florianópolis e ‘Oscar Scheneider’, nos
arredores de Joinville.”
Este documento foi encontrado pela
professora da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) de
História Marlene Fáveri e transcrito em 2004 em seu livro Memórias de uma (outra) guerra: cotidiano e medo durante a Segunda Guerra em Santa Catarina
– resultado de sua tese de doutorado e pela primeira vez é agora
publicado este ofício do Ministério das Relações Exteriores na imprensa.
Documento do ministério das Relações Exteriores pede encarceramento de “súditos alemães”
Prisões políticas oficiais
O emprego da palavra campo de
concentração no ofício do ministro das Relações Exteriores do Brasil não
é uma força de expressão, ou o uso do termo em sentido figurado, mas
sim a partir da definição do Direito Internacional Público e em
particular na normatização das Relações Internacionais em sua Teoria do
Costume, que defini campo de concentração.
De acordo com a Drª em História Social
pela Universidade de São Paulo (USP) Priscila Perazzo, na definição do
Direito Internacional “estes lugares não integravam os sistemas
penitenciários civis ou militares, eram instalados durante o período da
instabilidade armada, quase sempre provisórios, abrigavam grande
quantidade de pessoas, prisioneiros de guerra que eram mantidos
encarcerados até o final do conflito”.
O ofício do ministro das Relações
Exteriores se refere a prisões que não integravam o sistema prisional
regular, mas o documento se refere à instalação de locais onde não eram
encarcerados criminosos comuns que infringiram o código penal – furto,
roubo, ladrões, homicidas, mas somente determinados grupos étnicos,
políticos ou de nacionalidades específicas. Em levantamento feito por
Perazzo para sua tese de doutorado onde discorre sobre o tema
identificou dez campos de concentração pelo país, mas de acordo com a
historiadora havia inúmeros outros espaços destinados para o
encarceramento de súditos do eixo que não constam nos registros
oficiais.
Em Santa Catarina, a historiadora Marlene Fáveri identificou, além do de Joinville e de Florianópolis,ao
menos mais dois campos de concentração menores que não apareciam nos
registros oficiais; outro também em Florianópolis, e no Sul do estado no
municípios deTimbé do Sul e em Bom Retiro.
Nestes campos de concentração no Brasil
eram presos somente pessoas de origem étnica dos países do Eixo (Itália,
Japão, Alemanha). Dados do anuário estatístico do Brasil do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que entre 1819 a
1940 entraram no Brasil 4.705.365 imigrantes, dentre os quais 232.972
eram alemães e em sua maior parte migraram para Santa Catarina. Por
estes dados é possível presumir que devido esta concentração étnica
alemã no estado os presos nos campos de concentração eram
majoritariamente alemães.
Campo de Concentração de Florianópolisficava onde hoje é a UFSC
Ainda resquícios de alguns dos prédios do campo de concentração de Florianópolisno
bairro Trindade. A reportagem com a historiadora Marlene Fáveri
identificou o local. Hoje é onde está instalada a equipe de segurança do
Campus da UFSC.
O campo de concentração de Trindade, em Florianópolis, ficava onde hoje é a UFSC
Os descendentes de alemães, japoneses e
italianos foram presos nos campos de concentração no Brasil na
tipificação legal de prisioneiros de guerra disposto no seu Artigo 81,
de 27 de julho de 1929 da Convenção de Genebra. Há vários documentos que
revelam um amplo debate conflitante interminesterial do governo Vargas
referente a extensão da legislação sobre prisioneiros de guerra para os
civis no Brasil e o tratamento dispensado aos estrangeiros nos campos de
concentração administrados pelo Ministério da Justiça e Negócios
Interiores.
O próprio ministro da Justiça e Negócios
Interiores Alexandre Marcondes Filho se opôs inicialmente em tipificar
os estrangeiros como prisioneiros de guerra por considerar que a
Convenção de Genebra tipificava prisioneiro de guerra apenas militares
presos no campo de batalha por países envolvidos no conflito.
Houve um extenso debate registrado em
documentos se concedia aos italianos, japoneses e alemães o status de
internos civis ou de prisioneiros de guerra, mas ao final ministro da
Justiça e Negócios Interiores Alexandre Marcondes Filho encontrou na
jurisprudência internacional e em brechas interpretativas justificativa
inclusive para a repressão aos estrangeiros naquele período no Brasil e
aderiu a tese.
Aos cidadãos detidos sob o status de
prisioneiros de guerra a Convenção de Genebra salvaguardava determinado
tratamento humanitário sob pena de que os países beligerantes que
contrariassem essas normas estariam sujeitos a processos jurídicos para
apurar os atos cometidos e punir os autores.
O fato é que os campos de concentração
do Brasil reservavam condições muito melhores aos prisioneiros do que o
sistema prisional regular brasileiro e de sobremaneira do que os campos
de concentração da Alemanha onde eram presos os judeus, ciganos,
poloneses, franceses e todos os perseguidos pelo III Reich.
Correspondências da Embaixada alemã na
Espanha, Madri, para o Ministério Exterior em Bonn (onde ficava o
ministério à época), qual a reportagem encontrou em apuração
arquivológica, relatórios sobre os campos de concentração em Santa
Catarina a partir de visitadas dos diplomatas aos locais. Nestes
documentos estão detalhados as características e tamanho dos edifícios,
dos cárceres e o tratamento dispensado aos prisioneiros alemães onde não
são detalhados ambientes insalubres, pelo contrário, pelos relatos eram
lugares que dispunham de cama, pia, banheiro e tinham direito a
visitações de familiares.
A pesquisadora argentina Elda Gonzalez
Martinez, que integra o Conselho Superior de Investigações Científicas
(CSIC) da Espanha, encontrou em 2015 documentos encaixotados desde a
época da ditadura espanhola do general Franco que revelam parte da
atividade da diplomacia espanhola no Brasil nos anos da Segunda Guerra.
Nestes relatórios há descrições de que alguns dos alemães foram vítimas
de torturas nos campos de concentração. A reportagem entrevistou
vizinhos dos campos de concentração de Joinville que moram no mesmo
local até hoje e que narram que ouviam gritos que vinham do campo de
concentração.
Partido Nazista no Brasil
A Drª em História Social pela USP e
atualmente professora de Ciências e Humanidades da Universidade Federal
do ABC Ana Maria Dietrich autora da tese Nazismo Tropical? O Partido Nazista no Brasil
conta que o III Reich tinha uma instituição denominada Organização do
Partido Nazista no exterior (A.O), uma espécie de secção que gerenciava
os partidos nazistas em outros países. De acordo Ana Maria Dietrich “o
Partido Nazista no Brasil funcionou de 1928 a 1938 na legalidade foi o
país de maior número de filiados fora da Alemanha, com 2.900 integrantes
e se fez presente em 17 estados, sendo que São Paulo teve o maior
número de filiados com 785 filiados e SantaCatarina o segundo maior com 528”.
Campo de concentração de Joinville (SC)
O Partido Nazista realizava reuniões
semanais com seus filiados, encontros de caráter organizacional eram
realizados em diversos locais das cidades, paralelamente haviam reuniões
periódicas dos dirigentes partidários e o envio de relatórios para a
direção na Alemanha reportando as atividades partidárias nas comunidades
alemãs no Brasil. Filiava somente alemães natos ou descendentes que
tinham cidadania alemã, teuto-brasileiros de terceira, quarta geração
eram considerados cidadãos de segunda classe, 92,8% dos filiados eram
alemães de nascimento.
Mantinham ações de difusão da ideologia e
propaganda nazista através de palestras de seus dirigentes e de
publicação de periódicos como o jornal Deutscher Morgen (Aurora
Alemã) – órgão oficial do Partido Nazista no Brasil. Estavam presentes
em empresas, associações de todos os tipos das antigas colônias onde se
inseriam nas diretorias, em igrejas, clubes e em embaixadas e consulados
da Alemanha do Brasil.
“O público-alvo do Partido Nazista eram
os alemães que moravam no Brasil e a orientação era de não interferir na
política do país e de não disputar eleições, mas de preservar a cultura
alemã através do germanismo e o de raça superior como também das
políticas partidárias-institucionais nazistas segregacionistas. Já a
partir de 1939 passam a atuar na clandestinidade e há registros de ações
de espionagem nazista no Brasil”, afirma Dietrich.
O fato é que havia uma sólida
organização hitlerista no Brasil. A reportagem encontrou nos arquivos do
Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) Ludwig Neeb que, de
acordo com a ficha do DOPS, era tesoureiro da representação brasileira
do Partido Nazista. Neeb profissionalmente exercia o cargo de Diretor de
Finanças da Empresul, empresa de energia elétrica privada formada com
capital alemão que tinha a concessão para operar o setor na região norte
de Santa Catarina.
Neeb foi preso por 3 anos no Campo de
Concentração em Joinville. A reportagem encontrou seu túmulo no
Cemitério Municipal de Joinville. Irngard Priess Leye, hoje com 93 anos,
moradora de Joinville, conheceu Neeb, e relata que ele foi namorado de
sua irmã e que após a prisão foi morar com ela. Irngard Priess afirma
que Neeb sempre negou que tivesse qualquer relação com o Partido Nazista
e que contava a elas que foi torturado no campo de concentração de
Joinville.
Ao final da Segunda Guerra, a partir do
Decreto Federal 8.206, de 22.11.1945, como indenização de guerra as
ações da Empresul foram incorporadas ao Patrimônio Nacional brasileiro e
anos mais tarde veio a se incorporar e a se tornar em 1955 a o que é
hoje Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. (CELESC) – empresa de
economia mista qual o governo estadual tem o controle acionário tendo
50,2% das ações ordinárias.
Guerharld Vollrath, filho de preso no campo de concentração
Inocentes presos nos campos de concentração
Inúmeros inocentes – que não tinham
nenhuma relação com o hitlerismo – foram presos nos campos de
concentração por suspeição, sem provas, sem direito a defesa e julgados
em tribunais de exceção invariavelmente acusado por crimes contra a
Segurança Nacional.
Somente entre 1942 e 1943, mais de 200 cidadãos foram detidos por ordem de segurança nacional. Ahistoriadora
Marlene Fáveri aponta que em um dos relatórios do DOPS de Santa
Catarina, que está no Arquivo Público de São Paulo, entre janeiro de
1942 e janeiro de 1943 foram efetuadas 695 detenções em Santa Catarina
por motivo de segurança nacional. Sendo que destes, 465 foram postos em
liberdade por não terem “apurado gravidade”, 15, por terem os processos
arquivados pelo Tribunal de Segurança Nacional, e 2, por pena cumprida
ao mesmo Tribunal, “continuando os demais detidos”, “inclusive 36 que se
encontravam recolhidos à Ilha das Flores (Colônia penal Cândido
Mendes), no Rio de Janeiro”. Em relatório de 03 de dezembro de 1943 do
próprio campo de Trindade (Florianópolis) aparece que nessa data estavam
presos 69, condenados ou processados por ligação ao Partido Nazista. Já
no relatório da Cruz Vermelha Internacional no Brasil, entre fevereiro e
março de 1943, havia 90 alemães internos no campo de concentração da
Trindade em Florianópolis.
Irngard Priess Leye foi
proprietária até meados dos anos de 1990 de uma bem frequentada
livraria na Rua XV de Novembro em Joinville. A livraria levava o mesmo
nome da rua. Irngard presenciou seu pai ser preso por volta de 1942 em
uma festa de família. Segundo Irngard,
seu pai foi preso simplesmente porque falava alemão. Ingrid quando
criança visitava o pai no Campo de Concentração e lembra da mãe levar
comida. Lembra que na escola ela, assim como todas as crianças, eram
estigmatizadas como “quinta coluna”. Sua filha hoje mora em Potsdam na
Alemanha e trabalha na Kavo – empresa de tecnologia odontológica.
A historiadora e professora da
Universidade da Região de Joinville (Univille) Msc. Ilanil Coelho afirma
que o Exército brasileiro foi designado como órgão responsável para a
efetivação da Campanha de Nacionalização. “Em Joinville, o programa de
ação nacionalizadora foi dirigida pela 5ª Região Militar sob supervisão
do General Meira de Vasconcelos, auxiliado pelo 13º Batalhão de
Caçadores (hoje o 62º Batalhão de Infantaria sediado em Joinville)”,
destaca a historiadora. Em Joinville nos anos de 1940 inúmeros
teuto-brasileiros mal falavam o português, alguns só sabiam falar
alemão.
O DCM publica no pé desta reportagem a
lista de prisioneiros do Campo de Concentração “Oscar Schneider” de
Joinville. Esta lista pertence ao acervo do livreiro de Curitiba Paulo
José da Costa. De acordo com o livreiro a lista de prisioneiros
pertencia a Hans Kiekbush. Costa presume que Kiekbush desempenhava
alguma atividade consular alemã em Joinville, “cônsul honorário ou algum
assessor da diplomacia nesta atividade onde morou”.
O livreiro conta que Kiekbush se mudou
para Curitiba e morreu no início dos anos 2000 época em que Costa
comprou da família de Kiekbush vários documentos que estavam arquivados
na sua residência no Centro da capital paranaense, entre os quais fotos
dos presos no campo de concentração de Joinville, relatório sobre os
presos e a lista com o nome e profissão dos prisioneiros onde se percebe
que foram presos pessoas das mais distintas classes sociais
industriários, funcionários públicos e agricultores.
Na terceira página do livro está datilografado em alemão “Campo de Concentração (Internados alemães) “Oscar Schneider”
O senhor Guerharld Vollrath (foto em
anexo), tinha 12 anos em 1943. Hoje aos 89, conta que naquele ano o pai,
Traugott Treuherz Vollrath, 49 anos, e o marido da sua irmã Konrad
Josef Paul Jäckel, 32 anos, foram presos porque falaram a língua alemã
no comércio que era de propriedade da família. Era uma “venda” de secos e
molhados, a Treuherz x Jäckel, que ficava na Rua North Strasse, hoje
Av. Dr. João Colin, na esquina da Sociedade América, no bairro do mesmo
nome.
O casarão está lá até hoje com ótimas
características de conservação. Vendiam roupa, calçados, comidas,
querosene, lenha. “Naquela época era proibido falar alemão, italiano e
japonês. Um dia chegou um senhor querendo comprar querosene. Em tempo de
guerra era racionado e não tinha, mas ele achou que meu pai não queria
vender para ele, mas não era verdade. Então ele ficou com raiva. Logo
mais, entrou outra senhora mais de idade, e ela não falava português.
Ela trocou umas palavras em alemão com meu pai e o senhor que estava lá
para comprar querosene viu e denunciou o meu pai no batalhão
(Exército)”, narra com voz trôpega Vollrath.
Era 20 horas da noite quando chegaram
três militares, um sargento e dois soldados. Já na porta do mercado, o
oficial deu voz de prisão ao pai e ao cunhado de Vollrath.
Na mesma noite, por volta das 23 horas,
foram soltos. O homem que havia deletado os descendentes de alemães
porque falaram a língua estrangeira ficou sabendo que tinham sido soltos
e os denunciou formalmente na delegacia da Polícia Civil. “Eu me lembro
até do nome do delegado na época, Arlindo Godoy. Depois de alguns dias
veio uma intimação para se apresentarem. Quando se apresentaram, foram
presos e levados para o campo de concentração Hospital Oscar Schneider”,
conta com tristeza.
Vollrath relata ainda que não chegou a
visitar o pai, mas que a alimentação era por conta dos próprios presos e
que chegou a levar de carroça acompanhado de outros adultos os
mantimentos para os prisioneiros. Os pedidos eram anotados em papel, os
parentes compravam e depois entregavam. Nunca chegou a ver o pátio, mas
lembra que havia muitos alemães de outras cidades do estado e que viviam
em boas condições. Runilda Munich, hoje com 87 anos, lembra que o pai
era barbeiro e nunca teve simpatia pelo nazismo. “Foi preso na própria
barbearia em Joinville porque falava em alemão com um cliente que não
entendia português. Sempre suspeitamos que alguém que passou pelo local
ouviu meu pai falando em alemão e o denunciou”, narra Runilda.