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domingo, 24 de junho de 2018

Política - 1968 - 'Vivíamos o momento': os 50 anos da Passeata dos Cem Mil

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Evandro Teixeira/reprodução
Concentração dos 'Cem Mil'. Passeata reuniu os mais diversos setores da sociedade civil carioca
Com a experiência de 68, ex-líder estudantil Vladimir Palmeira relembra o contexto da mobilização e reflete sobre os novos movimentos da juventude.
“Foi um ano de acertos e de transição. Esses momentos são sempre muito ricos”, descreve o ex-líder estudantil Vladimir Palmeira. Em 1968, ele tinha 23 anos e era presidente da UMES, a União Metropolitana de Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro. Quando aquele ano começou, ele nem imaginava se tornar protagonista de momentos históricos que desembocariam na marcante Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968.
Cinquenta anos depois, Palmeira teme que o imaginário de 1968 se resuma apenas a grandes fatos políticos, como a marcha daquele ano. “Fazer o movimento era duro. Fazíamos trabalho de base para tentar mudar alguma coisa. Mudar aula, professor, currículo, verba. Isso tudo não aparece quando você faz a história só dos grandes acontecimentos.”  
“De resto, não há mistificação de 1968, porque foi realmente um ano importante não só no Brasil, mas em todo o canto”, explica. “Cem Mil virou uma simbologia de luta contra a ditadura militar. É natural que seja lembrada assim. Mas se você quer entender toda a luta democrática, não pode ficar reduzido aos Cem Mil”, comenta, citando a importância de outros movimentos, como o sindical, o operário, o do campo e o das mães. 
Em conversa com a CartaCapital, o ex-deputado federal relembra como era viver a atmosfera do movimento estudantil naquela época, suas ideologias e suas principais reivindicações. Hoje com 73 anos, Palmeira, que iniciou sua trajetória no movimento estudantil ainda como secundarista, em um grêmio de sua escola, reflete sobre as mobilizações de massa e a atual conjuntura da política brasileira e olha mais cético para a juventude atual. 
Ponto de inflexão
No início de 1968, o AI-5, ato institucional que suspendeu uma série de direitos democráticos, ainda não havia sido instituído. As manifestações populares tinham apoio legal e a repressão não era a mesma da que se viu a partir do final daquele ano. O movimento estudantil florescia inspirado nas cenas da França e dos Estados Unidos. A principal luta desse grupo era a defesa da universidade pública, gratuita e popular, colocada em cheque pela ditadura.

No Rio de Janeiro, a atmosfera de mobilização já vinha de meses anteriores, quando, em março, o estudante Edson Luís foi morto em um protesto em defesa do restaurante Calabouço, frequentado principalmente por secundaristas e estudantes universitários. “Não foi uma deliberação do governo atirar. Mas o soldado atirou, matou e aí a indignação popular foi muito grande. Em algum momento aquilo virou uma grande mobilização de massas. Tinham milhares, não dá para dizer o número, mas tinha muita gente. A repercussão foi muito grande”, explica Vladimir.
O Calabouço pertencia à UMES, entidade estudantil da qual Vladimir era presidente. Foi legal de 61 a 64, mas caiu na ilegalidade em 66, juntamente com a entidade. “Conseguimos a vitória em 67, quando o restaurante reabriu perto do Fórum do Rio de Janeiro. Mas reabriu em condições precárias e aí a luta continuou”, conta.
“O enterro do Edson me emocionou muito pela espontaneidade do apoio. Era uma coisa emocionante. Morreu uma criança, 16 anos. A violência impactou muito. Ultrapassou o movimento estudantil e chegou a outros setores. A sociedade viu naquilo um ponto de inflexão", relembra. 
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Ao fundo, a foto do menino Edson Luís (Arquivo de Vladimir Palmeira/Reprodução)
Os Cem Mil
A semana anterior à Passeata dos Cem Mil havia sido marcada por manifestações com confrontos. A última, numa sexta-feira, havia sido a mais violenta, segundo Vladimir. O governador do estado na época, Francisco Negrão de Lima, resolveu permitir mais uma. “O clima era de que ia haver uma grande manifestação. Havia uma expectativa de crescimento do movimento”, comenta.

A mobilização uniu todos aqueles setores que já vinham se indignando cada vez mais desde a morte de Edson Luís. Padres, freiras, artistas, mães, sindicalistas, a ampla sociedade civil soube, num boca a boca quase orgânico, que a passeata se dirigiria, naquele 26 de junho, rumo à Candelária. De lá, seguiram para a Praça Tiradentes pela Avenida Rio Branco, até a Assembléia Legislativa.
“Normalmente nós tínhamos uns 2500 estudantes organizados nos centros acadêmicos e diretórios centrais. O pessoal se organizava em grupos de cinco, com um coordenador que sabia os endereços dos lugares escolhidos para a manifestação. Esse pessoal mantinha a chama acesa o tempo inteiro”, relembra Vladimir. “A polícia chegava e acabava com a manifestação e meia hora depois ela começava em outro lugar. Os coordenadores de grupo sabiam onde era e podiam recomeçar.”
No dia, o então presidente da UMES chegou de carro e atravessou a multidão de pessoas para chegar no alto da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Há boatos de que Vladimir era um dos alvos dos soldados naquele dia, mas ele não acredita nisso. “Claro, eu cheguei a ter medo. Já tinha sido preso, mas não fizeram nada comigo. Depois fui preso em agosto e depois de novo em Ibiúna. Mas a repressão não era o que foi depois do AI-5”, esclarece.
“Naquele dia nunca ia passar pela minha cabeça que eu estava fazendo parte de um evento histórico que ficaria lembrada como algo tão grande. Nós vivíamos o momento, nós esperávamos que podia sair uma coisa maior dali, nós queríamos mudar o país, queríamos uma revolução. Não passava nada pela cabeça, nós só organizamos a passeata. Nós pegávamos os oradores e pedíamos para falar direito, para colocar a questão da ditadura, a questão da universidade.”
As manifestações anteriores vinham sendo centradas na reivindicação por mais verbas para as universidades. Os estudantes pediam o mantimento do ensino pública, o não pagamento de anuidade e a mudança nas estruturas antidemocráticas das universidades. “Essas foram as reivindicações que nos levaram ao movimento. Mas durante a manifestação quatro companheiros nossos foram presos. E nós começamos a pedir a libertação deles também. Eles só foram soltos uns 15 dias depois”, conta Vladimir.
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Vladimir Palmeira faz fala durante a Passeata dos Cem Mil (Evandro Teixeira/Reprodução)
Ele relembra que, na época, a Igreja vinha propondo um diálogo da sociedade com o governo. A UMES aceitou, mas a interlocução deveria ocorrer com as entidades representativas. Na quarta-feira anterior, o grupo tentou ocupar o Ministério da Educação, mas foram recebidos com repressão. A Passeata deu a eles uma nova oportunidade.
“Uma comissão de representantes populares foi referendada ali mesmo na Passeata. Eles foram recebidos pelo ditador de plantão, o general Costa e Silva. Mas eu não fui”, relembra Vladimir. “Sei que não houve acordo, porque o Costa e Silva exigiu que não houvesse mais manifestação nenhuma. Foi o que me contaram na época.”
Segundo Palmeira, a Passeata não se compara a nenhum evento recente vivido no Brasil. “Cada conjuntura é uma conjuntura diferente”, afirma ele. Mas compara números. “Quando você pega a fotografia das Diretas Já e olha, é igualzinha à fotografia dos Cem Mil. Se nas Diretas tinha 1 milhão, no Cem Mil tinha 800 mil, 700 mil, entendeu? Porque a fotografia é igual. Em 2013, houve uma manifestação maior que a das Diretas, aquela última grande manifestação, no Rio, ela tinha um número maior, ia da Candelária até a Central do Brasil e os jornais disseram que tinha 300 mil.”
Movimento estudantil 
“Em 1968, nós queríamos liberdade. Alguns queriam o socialismo, estavam antenados com as novidades culturais da época. A MPB, as mudanças nas artes plásticas, a nova geração de teatro. Foi uma época de muita mudança. E nós tínhamos muita confiança e muita esperança no futuro”, afirma Palmeira.

Ele se orgulha de ter composto o movimento estudantil naquele período. Segundo ele, era uma época de experimentação e muita coisa foi feita pela primeira vez ali, em assembleias, reuniões, conversas. “Quando a gente pensava no projeto político geral, nós acreditávamos muito em uma receita. A gente achava que trazia a verdade, e isso eu fui lendo e vendo que não é assim. Aprendemos mais a ler a conjuntura, a saber que não tem fórmula pronta”, reflete.
Cinquenta anos depois, Vladimir enxerga uma juventude menos politizada. “A política é muito chata. Só se vê notícia de corrupção ou de desgoverno, é difícil se entusiasmar”, comenta. Para ele, em 1968, o papel político bem estabelecido do movimento, centrado na luta contra a ditadura, ajudou a sua massificação. “Hoje em dia, quem quer fazer política vai para o partidos, mas frequentemente é dissolvido pelas estruturas obsoletas deles. É difícil a renovação sem se perder na mediocridade geral. Aí a juventude acaba indo por outros caminhos”.
Atualmente, ele não vê representatividade nos movimentos estudantis dentro das universidades e acredita que os partidos políticos têm uma grande responsabilidade por isso, por sufocarem o movimento absorvendo “quadros” e lideranças estudantis nas universidades. 
“Em 68 nós éramos vistos como a entidade de representação dos estudantes. Hoje em dia tem a disputa do partido A contra o partido B dentro dos espaços estudantis”, opina. “São os próprios estudantes que certamente vão ter que achar um caminho para isso.”
Mobilizações
Vladimir não compara junho de 1968 ao que se viu 45 anos depois, em junho de 2013. Para ele, a maior diferença foram as reivindicações. “Em 2013, o pessoal do Movimento Passe Livre perdeu o controle das manifestações, eles não sabiam o que fazer. Saiu da reivindicação puramente de transporte e virou reivindicação de saúde e educação também”, comenta.

“O pessoal não estava preparado para lidar com esse desdobramento. Cada vez que se tem uma manifestação, tem que saber o que se vai fazer depois e abrir alternativas. Isso não aconteceu e o movimento acabou de forma estranha.”
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Vladimir e outros oradores do movimento estudantil durante a Passeata (Aquivo de Vladimir Palmeira/Reprodução)
Segundo ele, a mesma dúvida sobre o que fazer após as mobilizações surgiu três anos depois, durante as ocupações das escolas públicas pelos secundaristas, em 2016. “O movimento formou-se mas depois não teve desdobramento. Mas as ocupações em si foram muito boas”, analisa. “Certamente essas pessoas que participaram ganharam experiência que influenciaram na vida delas, inclusive levando eventualmente às atividades políticas.”
Vladimir, que já foi deputado federal pelo PT e que se desfiliou da legenda em 2011, acredita que atualmente os partidos políticos têm dificuldades para lidar com as mobilizações fora do espaço institucional e parlamentar.
“Nem os sindicatos, nem os diretórios estudantis, nem os partidos têm dado um desdobramento para os movimentos. Os partidos querem canalizar tudo para as eleições e não conseguem se ligar à população, então o movimento se perde. Isso empobrece muito a conjuntura, porque às vezes as pessoas querem participar diretamente e não encontram um canal”, explica.
Para ele, a descrença perpassa a juventude e atinge toda a população. Em um ano de eleições, ele acredita que o cenário político é complexo e incerto. “Estamos em um mangue. Você não sabe para onde vai isso tudo. E para o povo sobra a descrença. Eu canso de ver gente que não vai votar, ou que vai anular, por acharem que essa eleição não vai mudar muita coisa”, comenta.
A situação não é clara para ninguém. E aí aparece o Bolsonaro. Você não sabe para onde vai isso tudo. Acho então que essa situação vai ser resolvida se tiver movimento de massa, senão nós podemos cair no impasse daquele time que talvez queira aquela intervenção que a gente não quer.”
Vladimir não faz previsões acerca de quando uma próxima experiência de mobilização tal como as Diretas Já ou as Jornadas de Junho florescerá. “Pela minha experiência com movimento estudantil, você passava meses chamando o pessoal para alguma coisa e o pessoal não ligava. E de repente um dia o pessoal decide ir para a rua. Eu tenho esperança de que a juventude vai descobrir um caminho. O mundo cria os problemas e vai criando as soluções também”, afirma.
Fonte: Carta Capital

Pessoa sem fingimento

Esta quarta-feira (13) marca os 130 anos de nascimento de Fernando Pessoa
No último dia 13/06 marcou os 130 anos de nascimento de Fernando Pessoa

O poeta Fernando Pessoa levantava-se diariamente de sua mesa de trabalho na Editora Olisipo, pegava o chapéu, ajeitava os óculos e seguia em passos cadenciados até o Abel, tradicional casa comercial produtora e distribuidora das melhores bebidas à margem do rio Tejo. Lá tomava lentamente um cálice de aguardente e saía pelas ruas de sua Lisboa. Esse hábito Pessoa manteve por um longo tempo em seus curtos e intensos 47 anos de vida.

Por Nirton Venâncio

Em uma dessas tardes de bebericar seu veneno antimonotonia, em 1929, o poeta pediu que lhe fizesse uma foto saboreando a bebida. Dias depois pegou uma cópia, escreveu atrás a dedicatória "Fernando Pessoa em flagrante 'delitro'" e enviou para sua amada Ophelia Queiroz, com quem reatara depois de nove anos de rompimento e muitos poemas e muitas cartas ridículas - ou não seriam cartas de amor, preconizava. Mas o namoro com o ainda donzelo e múltiplo poeta terminou novamente em 1931. As caminhadas ao Abel continuaram, claro.
A moça, professora de Instrução (algo como o Primário), ficou na história como o único amor do reservado Fernando Pessoa, ou de seus heterônimos - ela já não sabia mais quem namorava. O poeta não fingia, seu coração, sabia, um comboio que gira, mas não entretia sua razão e nunca frequentou a casa de Ophelia, resistia a conhecer a família. Como bem observou o ensaísta moçambicano José Gil, Pessoa revelou incapacidade de amar Ophelia à maneira de Ophelia, de aceitar a máscara correspondente a um homem “comum”. Pois é, lembremos que em Lisbon Revisited, poema de 1925, o poeta já questionava, na pele de Álvaro de Campos, também sem fingimentos, o que deveras sentia: “Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?” Nem a Ofélia de Shakespeare, em Hamlet, aguentaria essas esquisitices de poeta.

No final de 1935 Fernando Pessoa é internado diagnosticado com cólica hepática e falece. Um ano antes publicara Mensagem, o derradeiro livro onde no poema Mar português leem-se os conhecidos versos-espólio: “Quantas noivas ficaram por casar / para que fosses nosso, ó mar! / Valeu a pena? / Tudo vale a pena / se a alma não é pequena.”

13 de junho:130 anos do nascimento de uma alma que valeu a pena na literatura.

*Nirton Venâncio é poeta e cineasta.

Fonte: Olhar Panorâmico
Adaptado pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, 24/06/2018.

Deputados defendem registro do forró como Patrimônio Cultural


A Comissão de Cultura da Câmara realizou-se no último dia (13/06), audiência pública para discutir o processo de inscrição das matrizes do forró como Patrimônio Imaterial do Brasil. A reunião aconteceu por iniciativa da deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), presidente da Frente em Defesa da Cultura, e do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA).
“Nos sentimos muito felizes em nos somar a essa luta em defesa do registro do forró como Patrimônio Imaterial do Brasil, porque é um cuidado com a nossa cultura, com a nossa história e com a identidade do povo brasileiro. Além da audiência na Câmara realizaremos atividades nos estados, nas Assembleias, Câmaras e também em atividades artísticas”, comentou a deputada Luciana, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura.
O deputado Daniel Almeida acrescentou que o forró embala as festas juninas em todo o país e gera milhares de empregos – razões pelas quais merece a proteção do Estado. “Trata-se de uma manifestação cultural e artística extremamente democrática. Digo sempre que o forró chega com o mesmo brilho no rancho – debaixo do pé de árvore – e nos salões mais sofisticados do Brasil”, salientou.
Os parlamentares puderam ouvir sobre como o processo tem acontecido, sobre as organizações nos estados e sobre a relevância dessa iniciativa para a cultura do país. Para o professor Rangel Junior, reitor da Universidade Estadual da Paraíba e, segundo o próprio, “forrozeiro licenciado”, a educação e suas instituições têm papel fundamental na valorização da cultura e da arte como elementos de identidade de um povo.
“À pergunta ‘para que serve a arte’ eu respondo: Serve para nós sabermos quem somos. Serve para ouvir quatro cinco acordes de Asa Branca e eu saber de onde eu vim, e eu saber onde estão fincados os meus pés e as ideias que estão na minha cabeça. Para eu me reconhecer como gente, mas como gente de um lugar”, exclamou. Ele lembrou, ainda, que o registro do forró vai estimular a cadeia produtiva da economia criativa, da cultura, porque o forró “é instrumento não só de identidade, mas também de desenvolvimento econômico e social”.
Já Tereza Accioli, produtora cultural e coordenadora do Fórum em Pernambuco, emocionou o plenário lotado de forrozeiros de Brasília e da região ao lembrar o músico Accioly Neto, seu esposo, falecido em 2000 e referência para muitos dos presentes. Ela destacou que o reconhecimento do forró por parte do Iphan é fundamental para que a tradição não se perca e os artistas possam cada vez mais se profissionalizar.
“Tendo o reconhecimento do forró como patrimônio cultural, serão criadas mais políticas públicas para nossos representantes. Passaremos a participar da cadeia produtiva, da economia criativa”, disse Tereza.
A coordenadora do Fórum na Bahia, Rozania Macedo, se pronunciou na mesma linha, ressaltando a importância dos parlamentares se somarem aos esforços de produção do dossiê, destinando emendas parlamentares para essa finalidade no Iphan.
Marina Lacerda, coordenadora de Registro do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, falou sobre como acontecem os registros e as dificuldades enfrentadas para a confecção dos documentos necessários ao registro do forró. “Nós já tínhamos anuência, tínhamos parecer de que o tema tinha relevância e que deveria seguir e nos deparamos com uma questão muito sensível: o custo de uma pesquisa antropológica é muito alto e inviabilizou o nosso trabalho”, explicou.
A autora da ideia foi Joana Alves da Silva, presidente da Associação Cultural Balaio Nordeste e do Fórum Nacional em Defesa do Forró. Em 2011, a Associação Cultural Balaio Nordeste iniciou uma mobilização para reunir forrozeiros e valorizar a cultura. Em 2015, o fruto dessas mobilizações foi encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como pedido de registro das Matrizes do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil. Desde então, foram constituídos fóruns estaduais com objetivo de mobilizar os forrozeiros e promover espaços para o debate das questões pertinentes ao pedido.
“Esse movimento está crescendo porque tem interesse de toda comunidade de forrozeiros. Estamos em 14 estados: toda a região Nordeste, mais Rio de janeiro, Brasília e São Paulo”, explicou. Joana reforçou que os esforços agora são no sentido de garantir os recursos para viabilizar a produção do dossiê e garantir, com o registro, estrutura e fundamentos que possibilitem políticas públicas de fomento, preservação e valorização da cultura do forró.
Por Ana Cristina Santos
Fonte: PCdoB na Câmara
Adaptação em 24/06/2018 pelo CPC/RN;

O artista e seu legado

A Ponte Carlos, em Praga, lembra a cidade de Olinda num domingo de carnaval. As pessoas mal conseguem caminhar, tamanha é a quantidade de turistas, principalmente italianos. Um euro vale muitas coroas tchecas, o que torna Praga muito atraente para os europeus dos países ricos. Escutamos as vozes dos guias amplificadas por microfones amadores, numa verdadeira babel de idiomas. Desenhistas trabalham em caricaturas, grupos musicais se apresentam com repertórios de jazz e blues.
Em vários locais da cidade recebi folhetos de propaganda, convites para uma visita à casa de Franz Kafka. Não estive na residência do escritor, mas almocei um excelente pato com beterrabas e comi torta de maçã no Café Savoy, que ele costumava frequentar, segundo dezenas de outros informativos.
Estranhei esse culto a Kafka, um autor que foi pouco lido enquanto viveu e que continua sem muitos leitores nos dias atuais. Os seletos apreciadores de Kafka não fazem parte da massa de turistas que espera em filas e paga ingressos para olhar a mesa em que ele escrevia seus textos, alguns propositalmente deformados. As pessoas que se agitam pelos cômodos da casa do autor de A metamorfose, lembrando o Gregor Samsa transformado em barata, talvez desconheçam que Kafka representou de forma contundente a modernidade e o aniquilamento do homem pela burocracia. As engrenagens do turismo moderno lembram essa burocracia.
Chama atenção na Europa o exagerado culto aos artistas, mesmo na França, onde proliferam livrarias a cada esquina, as pessoas leem em todos os lugares, e há incontáveis salas de cinema. Esse culto faz parte de uma indústria para arrecadar dinheiro e é mais fácil de ser percebido nos museus superlotados de visitantes. A adoração às imagens criadas pelos pintores se faz do mesmo modo como se adoravam os santos nas igrejas. Mudaram apenas os autores dos milagres.
Na cidadezinha de Auvers-sur-Oise, visitei o túmulo onde está enterrado Vincent van Gogh. Às sete horas de uma tarde em que o sol continuaria claro até às nove e meia, os dois portões do cemitério continuavam escancarados, não havia ninguém cobrando ingressos, o que é bem estranho na França. Do lado esquerdo do cemitério e junto ao muro externo, duas sepulturas simples, cobertas por uma erva barata. Numa lápide de pedra, o nome do pintor hoje famoso, e as datas de nascimento e morte. Do lado dele, Theo, que morreu poucos meses depois do suicídio de Vincent, e que foi trazido mais tarde para junto do irmão, que ele tanto amava.
Tamanha simplicidade, tamanho silêncio e solidão contrastam com a turbulência e a criatividade, o gênio e a loucura de Vincent van Gogh. Mas estão em perfeita harmonia com sua vida de pintor sem fama, que nada vendeu do que produziu, e que se mantinha graças à generosidade de Theo. O extenso campo em frente ao cemitério já não é de trigo; é de mostarda com flores amarelas, o amarelo que se repete obsessivamente na obra de Van Gogh. Em meio às flores, bem ao longe, corre uma jovem ginasta. Tudo é tão expressivo e bonito que penso em acordar Vincent, para que ele pinte a alegria que sinto.
Reencontro Van Gogh no seu museu em Amsterdã. Durante seis horas contemplo os mais de duzentos quadros da coleção. Numa loja, vendem reproduções, agendas, camisas, canetas, cadernos, livros, marcadores, leques, sombrinhas, pratos, copos, todos os objetos em que é possível reproduzir uma pintura do artista. É um rendoso comércio, ajuda a manter a instituição, faz circular o dinheiro que Vincent nunca imaginou que sua arte produziria. Ele que experimentava novas formas e escrevia ao irmão, falando das esperanças de conseguir vender algum quadro.
Franz e Vincent, dois símbolos da incompreensão e do êxito, transformados em quarto de visitação pública. São os enigmas da modernidade que Kafka e Van Gogh anunciaram.
Por Ronaldo Correia de Brito

Fonte: Blog do Ronaldo Correia de Brito

Hoje é Dia de São João!

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São João é conhecido como o “Santo Festeiro”, e nesse dia são realizadas muitas festas, conhecidas popularmente como Festas Juninas, comemorações marcadas por danças e pratos típicos.
Alguns símbolos bastante conhecidos nas celebrações são a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha, o manjericão, entre outros.
Existem duas possíveis explicações para a origem do termo Festa Junina: pelo fato das comemorações ocorreram durante o mês de junho e, segundo a outra teoria, seria uma homenagem direta a São João. No princípio, em alguns países da Europa, a festividade era chamada de Festa Joanina.
Origem do Dia de São João
O Dia de São João é celebrado em 24 de junho por ser a data tradicionalmente atribuída ao seu nascimento.
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São joão
São João é considerado o santo mais próximo de Cristo, pois além de ser seu parente de sangue, Jesus foi batizado por João nas margens do rio Jordão.
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A Festa Junina de São João
São Joãoé uma das principais figuras das festas juninas. O Dia de São João também marcado pela culinária, com várias comidas e doces típicos, como:
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amendoim
bolo de milho
cocada
curau
canjica
bolo de macaxeira / mandioca
paçoca
pé de moleque
Existem outros pratos que variam de acordo com a região brasileira em que é celebrado o São João.
Essas iguarias estão quase sempre presentes nas festas. Cidades do interior do Brasil, em especial, fazem festas mais típicas e possuem costumes bastante difundidos entre todos os habitantes, diferentemente do que acontece nas cidades grandes.
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Dia de Santo Antônio e o Dia de São Pedro também fazem parte das tradicionais Festas Juninas.
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Receita de comida típica para a Festa Junina
Arroz Doce (40 min / 6 porções 
1 xícara de arroz arbóreo
1 colher de sopa de manteiga sem sal
1 litro de leite integrada
4 canelas em casca
1 cravo
Casca de laranja
1/2 de leite condensado
Pé de moleque
Paçoquinha
Modo de Preparo:
  1. Aqueça o leite e aromatize com as canelas, o cravo e casca de laranja a gosto.
  1. Quando o leite esquentar, reduza o fogo para não deixar ferver e em outra panela, derreta a manteiga e coloque o arroz.
  1. Mexa sem parar um ou 2 minutos em fogo baixo,quando o grão começar a cozinhar ficará transparente, hora de começar a adicionar o leite quente bem devagar.
  1. Esperando o liquido reduzir para acrescentar a próxima concha até o arroz ficar al dente.
  1. Tire os aromatizantes da panela com o leite e acrescente o leite condensado, misture bem.
Bolo de Fubá (1 hora / 12 porções)
4 ovos
2 xícaras de chá de açúcar
2 xícaras de chá de trigo
1 xícara de chá de fubá
3 colheres de sopa de margarina
1 xícara de chá de leite
4 colheres de chá de fermento
Modo de Preparo:
  1. Bater as claras em neve, acrescentar o açúcar, continuar batendo
  1. Acrescentar as gemas, a margarina, o leite, a farinha de trigo e o fubá aos poucos, continuar batendo
  1. Colocar por último o fermento e misturar com uma espátula
  1. Coloque a massa em uma forma untada, deixe assar em forno médio (pré-aquecido) por aproximadamente 30 minutos.