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quarta-feira, 14 de março de 2018

Dia Mundial da Poesia -- 21 de Março de 2018 (Quarta-feira)

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Adicionar legenda O Dia Mundial da Poesia celebra-se todos os anos a 21 de março.
A data foi criada na 30ª Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999.
Este Dia Mundial da Poesia celebra a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação. A data visa fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa. Neste dia realizam-se várias atividades pelo país, sobretudo nas escolas, bibliotecas e espaços culturais.
A poesia contribui para a diversidade criativa, usando as palavras e os nossos modos de perceção e de compreensão do mundo.

Poesia em Portugal

A história portuguesa apresenta muitos poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos.

Sugestões de atividades

No Dia Mundial da Poesia pode:
  • escrever um poema sobre o que sente
  • escrever poemas com os amigos
  • declamar poemas
  • reler os poetas e os poemas preferidos
  • colocar poemas em música
  • assistir a encontros de poetas
  • assistir a filmes sobre poetas
  • dizer às pessoas o que sente por elas
  • fazer de cada gesto um poema
A 21 de março celebra-se também o Dia Mundial da Árvore. Pode construir uma árvore com folhas de poemas, por exemplo. Ou escrever um poema sobre uma árvore.

8 MOTIVOS PARA IR AO 8º EME

 por Renata Bars Fotos: Yuri Salvador.
Site da UNE te ajuda a se livrar das dúvidas e fazer agora mesmo sua inscrição para o maior encontro de mulheres estudantes do país
A 8ª edição do Encontro de Mulheres Estudantes da UNE (EME) está cada vez mais próxima. De 30 de março a 1 de abril, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, será palco de debates feministas, atividades culturais, e arenas de discussão sobre os assuntos como saúde, economia , gênero, racismo, violência, segurança, sexualidade, assistência estudantil e muito mais.
Pra te convencer de vez que o Encontro está imperdível, o site da UNE preparou 8 motivos para você fazer sua inscrição e embarcar de vez para o 8º EME. Confira:

1 – FAZER PARTE DA RESISTÊNCIA FEMINISTA

O 8º EME traz como tema um assunto necessário em tempos de retrocessos e perda de direitos: a resistência. “Mulheres em movimento: a resistência feminista nas universidades e nas ruas” faz um chamado às estudantes para resistirem, se organizarem e fortalecerem a luta por um Brasil justo para todas as mulheres.

2 – ARQUITETAR A DESTRUIÇÃO DO PATRIARCADO

O empoderamento feminino é fundamental para fazer enfrentamento a todas as armadilhas patriarcais arraigadas na sociedade. A luta contra a sexualização da mulher, a violência, o silenciamento, as duplas jornadas de trabalho e até contra os salários inferiores aos dos homens passa por ele. Por isso, debater entre mulheres para mulheres fortalece a todas.

3 – DIZER NÃO À VIOLÊNCIA MACHISTA

Segundo a pesquisa Relógios da Violência, realizada pelo Instituto Maria da Penha a cada 7.2 segundos uma mulher é vítima de violência física. O EME abordará o assunto na Arena Feminista intitulada ”Violência contra as mulheres e segurança pública”.

4 – FICAR POR DENTRO DAS PAUTAS

Informação é poder. Enquanto a luta feminista avança, pautas conservadoras são discutidas e aprovadas no Congresso Nacional. O que dizer da proposta de reforma da previdência que neglicencia a dupla jornada feminina e propõe a mesma idade para homens e mulheres na aposentadoria? A mesa ”Resistência Feminista frente ao golpe e ao avanço neoliberal conservador” trará para o debate essa e outras questões.

5 – FORTALECER A ORGANIZAÇÃO POLÍTICA FEMINISTA

Embora representem 51,7% dos eleitores brasileiros, a participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de 9%, número semelhante aos 10% registrados no Senado. As 641 mulheres eleitas ao cargo de prefeita nas eleições municipais de 2016 representaram apenas 11,57% do total. O número chega a ser menor do que o registrado no pleito de 2012, quando elas somavam 659 prefeitas eleitas. Apesar da legislação impor cota de gênero, a participação feminina na política ainda é pequena se comparada aos homens, que em 2016 elegeram 4.898 prefeitos, total de 88,43%.
Reunidas no EME, mais mulheres poderão debater e propor avanços na participação feminina na política.

6 – TROCAR EXPERIÊNCIAS

Além das arenas feministas, shows e intervenções culturais farão parte do 8º EME. A pluralidade de atividades será responsável pela integração das mulheres. Cada uma com sua vivência, cada uma com o seu entendimento de feminismo. Cada uma de um canto diferente do país. Oportunidade para criar laços feministas para toda a vida!

7 – EXIBIR A SUA ARTE

O 8º EME será também um espaço acolhedor para a arte feminista. As inscrições nas linguagens de Arte Cênicas, Música, Literatura, Artes Visuais e Audiovisual estão abertas. As interessadas deverão estar inscritas no 8º EME da UNE e preencher o formulário disponível neste link até o dia 23 de Março.

8 – PROTAGONIZAR AS MUDANÇAS

No meio estudantil, cada vez mais mulheres tem tomado a frente na organização de CAs, Das e DCEs. A UNE é, pela terceira vez consecutiva, presidida por uma mulher e a diretoria executiva é composta por cerca de 50% de mulheres. São negras, cotistas e trans que estão fazendo a diferença e protagonizando a revolução feminista. Venha fazer parte disso no 8º EME!

Fonte: UNE

Compositor Toninho Nascimento mostra sua “identidade” em São Paulo


Por Augusto Diniz
Toninho Nascimento se formou em filosofia pela UERJ, mas nunca exerceu a atividade. “Cursei por curiosidade acadêmica. Sempre vivi de direito autoral e de músicas publicitárias”, esclarece.
Os interpretes de sua obra vão de Clara Nunes (como o clássico “Conto de areia” – que ele considera um samba de ciranda -, “A Deusa dos Orixás”, entre outros) a Elizeth Cardoso e Elza Soares, passando por Roberto Ribeiro e Maria Bethânia.
“Romildo dizia que (“Conto de areia”) era da Ilha de Itamaracá. A levada de ‘Conto de areia’ me remete à ciranda”, destaca Toninho Nascimento. A melodia dessa obra-prima da música brasileira é de Romildo (já falecido e parceiro de muitos sambas com Toninho), e a letra de Toninho Nascimento – e que letra: “É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô, mareia. É água no mar…”.
Também foi ganhador de três sambas-enredo na Portela (2012, 2013 e 2014) e um na São Clemente (2017).
O compositor, que nasceu no Pará, mas mudou-se cedo com a família para o Rio, permanecendo até hoje na cidade, começou a apresentar sua face de cantor no Candongueiro, histórica casa de samba de Niterói (RJ), que recentemente anunciou seu fechamento.
“Eu sempre fui um autor com a face anônima. A primeira vez que me apresentei cantando minhas obras foi no Candongueiro, que infelizmente encerrou as atividades. No Candongueiro, conheci o Beto Cesar, sambista de Porto Velho, que me convidou pra me apresentar no antigo território do Guaporé, atual Rondônia. Depois fui convidado, juntamente com o Edmundo Souto, pra me apresentar no Amazônia Samba. Em Belém, participei do projeto Terruá Pará”, relata ele alguns trabalhos autorais ao longo de sua vida.
Desde o ano passado tem se apesentado em São Paulo com o conjunto 4 x 4 em várias casas de samba da cidade. “As apresentações com o conjunto estão me dando oportunidade de botar em contato com o samba de São Paulo”, conta ele, dizendo que tem recebido reconhecimento de sua obra: “Isso tem me deixado surpreso”. E ele agrade a cidade pela recepção ”que emociona este coração já calejado”.
Toninho acha que os sambistas que têm representatividade na mídia são mais reverenciados no Rio. “Porém, em São Paulo, a reverência é mais abrangente”, diz. No entanto, ele avalia que a mídia de massa não dá ao samba a divulgação que oferece aos outros gêneros.
Apesar de estar cantando suas músicas, Toninho Nascimento não pretende, por enquanto, gravar um CD solo. “Gravei quatro músicas uma vez, mas não considerei a produção com o nível profissional que eu queria, apesar de não ser um cantor-especialista. Sou um compositor que canto minhas músicas”, afirma.
A gravação deste trabalho que ele cita foi há seis anos e não foi divulgado. “Foi apenas uma experiência, um aprendizado”, resume.
O conjunto 4×4, ativo desde 2016, em suas rodas remete à memória do samba. O grupo é integrado por Fabricio Alves (voz), Kelly Silva (voz), Marcelo Homero (voz), Eloisa Marques (voz), Maik Oliveira (bandolim), Marcelinho Monsserrat (violão), Kelly Adolpho (cavaco), Miró Parma (percussão), Dio Bandeco (percussão) e Cacá Sorriso (percussão).
Portal GGN

Pilar del Río: “Cultura e feminismo são indissociáveis”


Por Verônica Lugarini
A presença de Pilar del Río no Tucarena em São Paulo tomou o espaço. Quando Pilar se levantou para falar, o silêncio e admiração se fizeram presentes. O evento aconteceu nesta última sexta-feira, 8 de março no Dia das Mulheres.
A voz suave e aveludada da companheira do já falecido escritor José Saramago (1922 – 2010) contrasta com as palavras fortes que carregam um discurso tanto político quanto poético.
Com bom humor, começou dizendo o motivo pelo qual opta por falar apenas em espanhol, apesar de ter a tradução como ofício e ter vivido durante 22 anos com um português.
“Sou tradutora de português para espanhol, mas há uma maldição: os falantes de português nunca falarão espanhol e os falantes de espanhol nunca vão falar português. É impossível porque somos muito próximos e, portanto, sendo duas línguas tão próximas, é melhor que falemos nossas próprias línguas”, explicou Pilar.
Muitas vezes tratada como “viúva de Saramago” por jornalistas, Pilar é incisiva ao falar que viúva é uma palavra horripilante e que “não vivia com Saramago, vivia com o José”.
A forma como Pilar e José se conheceram está à altura de romances, onde a escrita une dois amores que apenas esperavam pelo momento do encontro.
A vida do casal rendeu o documentário intitulado José e Pilar (2010), onde Saramago conta: “Um dia de junho de 1986 telefona para minha casa em Lisboa, onde eu então vivia, uma senhora que dizia chamar-se Pilar del Río, de profissão jornalista, leitora minha e que queria, uma vez que viajaria a Lisboa, gostaria, se eu tivesse tempo, de conhecer-me. E eu disse que sim senhor”.
Pilar o procurou porque gostava muito do livro O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) e queria agradecer o prazer da leitura. Entre um café e uma visita ao túmulo de Fernando Pessoa a conexão estava feita e ela não seria rompida até a morte do escritor. Ainda hoje o vínculo é forte, pois Pilar preside a Fundação Saramago, mantendo a obra e as lembranças do escritor para a posteridade.
Este ato de agradecimento que a fez conhecer Saramago é característico da tradutora e foi lembrado durante a entrevista ao Portal Vermelho quando questionada sobre sua ligação com a literatura.
“Na literatura o que sou é leitora e admiradora. Sou uma pessoa que toda manhã quando acordo sempre digo: ‘Cinco razões para ver’. Preciso encontrar razões para ir além. Como leitora sou admiradora da generosidade sem limites que têm os escritores e as escritoras porque compartilham sua intimidade com os leitores. Me situo como leitora simplesmente, não sou uma produtora de literatura”, afirmou.
Indissociável da vida do escritor desde que se conheceram, Pilar sempre esteve conectada a vida e obra de Saramago. Pilar traduziu os livros do autor do português para o espanhol e neles, Saramago sempre se referiu a Pilar forma carinhosa, deixando claro que a aguardava para “sentir a quarta dimensão do amor”.
Em sua dedicatória do livro As Pequenas Memórias (2006), por exemplo, ele escreveu: ” A Pilar, que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar”.
Desde 1986, ano em que se conheceram, Saramago publicou 10 romances durante sua vida e em mais da metade deles as dedicatórias são para Pilar. Em A viagem do elefante (2008) ele diz: “A Pilar, que não deixou que eu morresse” e em Caim, último livro publicado em vida (2010), ele escreve: “A Pilar, como se dissesse água”.
Imagem do documentário “José e Pilar”, do diretor Miguel Gonçalves Mendes (2010)

Espanhola nascida em Sevilha em 1950, Pilar é feminista, comunista e ateia e se expressou com fervor em uma data que representa as mulheres e a luta por igualdade de direitos.
“Se nós mulheres pararmos, o mundo para. Para seguir sua órbita, o mundo precisa da força das mulheres(…). Queria dizer que precisamos do feminismo, precisamos de educação e precisamos de cultura porque é isso que somos. Somos uma voz que não se pode silenciar porque estamos estudando e porque sabemos que nossas armas não são os tanques, os fuzis, ou as armas, mas a cultura. Pois, com a cultura podemos ir mais longe”, disse aos ouvintes.
Ao Vermelho Pilar explicou mais sobre essa reflexão:
“Todos nós, e todas as mulheres, sabemos que temos a obrigação e o dever de nos instruir, pois uma pessoa instruída é menos manipulável. E nós, mulheres, não fabricamos filhos para a guerra, nem para morrer. Queremos filhos que tenham cada vez mais capacidade de defesa. Por isso, acredito que a cultura e o feminismo são indissociáveis”.
Questionada sobre como vê o papel da escritora nesse ambiente cultural de empoderamento feminino que levou ao aumento de publicação de livros de mulheres, Pilar citou Virginia Woolf (1882 – 1941), escritora inglesa que trabalhou questões políticas, sociais e feministas em suas obras.
“Virginia Woolf escreveu uma conferência, já publicada, que nos ensina: ‘Se a mulher não tiver um quarto próprio [em referência ao livro Um teto todo seu], dificilmente poderá escrever’. Porque a história da literatura passada não é uma história que respeitou as mulheres. As mulheres não podiam escrever, ou seja, a escrita não era feita para elas, assim como a música, a pintura, a escultura e não nos era permitido pensar e também não éramos filósofas”.
“Ultimamente, nós mulheres, estamos ocupando o espaço. Efetivamente, a literatura é algo que se faz entre o papel e a pessoa, logo [as mulheres] têm muito mais dificuldade para publicar e quando publicam, a crítica faz muito menos caso. As escritoras estão piores colocadas e isso não é uma opinião, isso é um dado constatado. Ainda assim, nós mulheres, estamos ocupando um espaço, estamos escrevendo considerações e reflexões. E eu acho isso fantástico porque faz com que saibamos que vamos navegando contra a corrente. Ser mulher continua sendo muito difícil, mas a cada dia [estamos] mais conscientes de quem somos e nos movemos mais”.
Ainda no universo da literatura, Pilar citou escritoras que admira e novamente apareceu o nome de Virginia Woolf.
“Virginia Woolf, que citei agora mesmo, por exemplo. Outro livro é Americanah que é absolutamente maravilhoso [da autora Chimamanda Ngozi Adichie] e estão aparecendo muitas mulheres portuguesas como Lídia Jorge e Agustina Bessa-Luís. Também gosto de Lygia Fagundes Teles. Há escritoras mulheres que são muito interessantes porque têm sempre uma perspectiva distinta”.

Política 

Ainda em seu discurso para o público, na maioria mulheres, Pilar destacou o papel das mulheres latino americanas.
Pilar del Río durante seu discurso no Tucarena em 8 de março de 2018
“Uma coisa que se repetia na manifestação e na passeata era: A América Latina será feminista. Por que até agora, as mulheres participaram pouco na construção deste continente e, talvez por isso, esse continente esteja mal. (…) Está tão mal porque sempre houveram elites que governavam (…), elites que não deixaram as mulheres governarem”.
E citou mulheres que hoje estão na política como Michelle Bachelet, presidenta do Chile e Cristina Kirchner, ex-presidenta da Argentina e Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil que sofreu um impeachment, que chegou ao poder com a proposta de dar continuidade à eficácia do serviço público. Entretanto, ser mulher e ter características femininas pesaram na hora do impeachment.
“Minhas queridas, somos o futuro e temos direitos, todos, mas também temos uma obrigação que é salvar os nossos países porque temos que salvar a humanidade e precisa ser agora, não depois de amanhã. Vamos acabar já com o poder patriarcal”.
Fonte Portal Vermelho