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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Projeto Raízes lança a antologia poética “Negras de lá, Negras daqui”


Por Lwiza Gannibal
O livro “Negras de lá, Negras daqui” traz à baila o aspecto mais importante da formação da identidade em África: o relacional. E leva essa noção a um nível intercontinental, uma vez que une mulheres negras da diáspora e do continente em uma só obra, promovendo o diálogo entre perspectivas que, a despeito de unidas pela ancestralidade comum, estão inexoravelmente distantes no espaço.
Herdeiras dos males da colonização e da escravidão que, de uma forma ou de outra, aflige a memória dos africanos e de seus descendentes, causando rupturas de toda sorte, essas mulheres são impelidas, assim, a reivindicar o que possuem de mais essencial: sua africanidade. Mas como fazê-lo em um mundo sabidamente hostil ao ser negro e feminino?
Eis a poesia: rebento da inspiração que faz da poetiza o veículo de um ânimo ancestral. A mulher negra fala por si, mas fala também pelas inúmeras mulheres negras que a precederam e foram silenciadas.
Tula Pilar, Patrícia Ashanti, Tata Alves e Lívia Prado, do Brasil. Helena Dias e Tuekiava, de Angola. E Melita Matsinhe e Eliana Zualo, de Moçambique, são, portanto, as mulheres que compõem a Antologia Internacional de Escritoras Negras África-Brasil “Negras de lá, Negras daqui”, que terá seu lançamento no Aparelha Luzia, no Centro Cultural Santo Amaro e na Casa das Rosas, em São Paulo.
Um precioso encontro que evoca signos de uma resistência coletiva. Uma oportunidade de reaver as afinidades compartilhadas no trânsito dos séculos; de reafirmar a negritude da pele, dos traços, da alma parida em África, através da linguagem poética.
Uma celebração da mulher negra, pan-africana, que, como a Mãe-África, de cujo ventre nasceram tantos povos e tradições, dão à luz poemas que perfazem, em conjunto, um retrilhar identitário.
Serviço:
Lançamento do Livro “Negras de lá, Negras daqui”
Aparelha Luzia:
Sexta feira, 22/02, às 20 horas.
Centro Cultural Santo Amaro:
Sábado, 23/02, às 18 horas.
Casa das Rosas:
Quinta-feira, 28/02, às 18 horas.

COMIDA DE VERDADE - Movimentos preparam banquetaço em prol do direito humano à alimentação

Banquetaço alimentação como direito humano consea
Banquetaço realizado no final de 2017, contra a ração humana do então prefeito Doria. Desta vez o ato será em defesa do Consea
Evento marcado para o próximo dia 27 visa chamar atenção para a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional pelo governo Bolsonaro e os retrocessos nas políticas para o setor.
São Paulo – Entidades e movimentos de todo o país que atuam na defesa da alimentação de qualidadecomo direito, para todos, preparam para o próximo dia 27, quarta-feira, nas capitais e cidades do interior, o chamado banquetaço. Ao oferecer à população um banquete com alimentos caseiros, preparados com ingredientes naturais e de qualidade, os manifestantes pretendem chamar a atenção para a extinção do Consea – Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O total desmantelamento do colegiado foi uma das primeiras medidas do governo de Jair Bolsonaro (PSL), por meio da Medida Provisória (MP) 870.
O Consea tinha como competência assessorar a Presidência da República na formulação, execução e monitoramento das políticas públicas de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional. Originalmente, na Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan, Lei 11.346/2006), profundamente modificada pela MP 870, o Consea constituía um dos componentes centrais do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), junto com a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).
De caráter consultivo, o colegiado era composto por 1/3 de representantes de diferentes órgãos do poder executivo e 2/3 de representantes da sociedade civil. Reunindo representantes de movimentos e organizações de diferentes setores sociais.
Entre as contribuições do Consea estão a definição e aprimoramento de políticas públicas como a estratégia Fome Zero, a Política e o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, programas de convivência com o semiárido, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, o Plano Safra da Agricultura Familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Guia Alimentar da População Brasileira.
Um círculo virtuoso que contribuiu para que o Brasil alcançasse reconhecimento internacional nas políticas de combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional. Tanto que  em 2014 o país saiu doMapa da Fome elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo os organizadores, o banquetaço é uma forma de mobilização social para exigir que a comida continue sendo direito de todos e que a participação da sociedade na tomada de decisões seja garantida. 
“A comida deve alimentar corpo, mente e alma, não matar, nem por veneno nem por conflito. Deve erradicar a fome e conservar a natureza, promover saúde e a paz entre os povos. Comer é ato político e o que comemos determina o sistema alimentar que fomentamos com nossas escolhas”, diz o manifesto publicado na página do banquetaço em uma rede social. 

Confira os locais onde acontecerão o banquetaço pró-Consea:

Fortaleza (CE) - Rua Azevedo Bolão, 2300 Loja 02 - Bairro Parquelândia, das 8 ás 10 horas
Parangaba (CE) - Local: Praça Mano Albano - em frente ao Restaurante Popular, das 9 às 11 horas
João Pessoa (PB) - Parque Solon de Lucena (Lagoa), das 8 às 12 horas
Salvador (BA) - Praia Porto da Barra - Casa Ninja Bahia, das 8 às 12 horas
Ribeirão Preto(SP) - Praça XV, das 9 às 12 horas
Maceió (AL) - Praça D. Pedro II (Praça da Assembleia Legislativa, Centro, das 9 às 13h30
Goiânia (GO) - Em frente ao Grande Hotel, na Avenida Goiás, Centro, das 9 às 14 horas
Curitiba (PR) - Assembleia Legislativa (9h), Praça Nossa Senhora da Salete, Centro Cívico, às 11h30
Santos (SP) - Praça Mauá, Centro, das 10 às 12 horas
Vitória (ES) - Praça Costa Pereira, Centro, das 10 às 13 horas
Aracaju (SE) - Praça Fausto Cardoso, das 10 às 14 horas
Campo Grane (MS) Em frente a Praça da Rádio, das 11 às 13 horas
Lavras (MG) - Praça Dr. Augusto Silva, das 11 às 13 horas
Poços de Caldas (MG) - Em frente ao banco Itaú da Assis, das 11 às 13 horas
Rio de Janeiro (RJ) - Largo da Carioca, das 11 às 16 horas
Brasília (DF) - Calçada entre o Conic e o Conjunto Nacional, das 12 às 14 horas
Botucatu (SP) - Praça do Bosque, Rua Amando de Barros, das 12 às 14 horas
São Luiz (MA) - Em frente à Igreja Santo Expedito, Bairro Liberdade, das 12 às 14 horas
Juiz de Fora (MG) - Em frente ao Cine Teatro Central, das 12 às 15 horas
São Paulo (SP) - Praça da República, das 12 às 15 horas
Recife (PE) - Em frente ao Armazém do Campo, Av. Martins de Barros, 387, das 12 às 15 horas
Porto Alegre (RS) - Praça da Matriz, das 12 às 15 horas
Porto Seguro (BA) - Reserva Indígena Pataxó da Jaqueira, das 12 às 15 horas
São José dos Campos (SP) - Centro, lado da Igreja São  Benedito/Praça Afonso Pena, das 12 às 15 horas
Belo Horizonte (MG) - Embaixo do Viaduto Santa Tereza, das 12 às 16 horas
Florianópolis (SC) - Largo da Catedral Metropolitana, das 12 às 17 horas
Natal (RN) - CECAFES - Central de Comercialização da Agricultura Familiar e EcoSol (Jaguarari x Mor Gouveia), das 12 às 17 horas
Viçosa (MG) - Feira da Economia Solidária e Agricultura Familiar - Quintal Solidário, das 17 às 20 horas

Bebianno: “Perdi a confiança no Jair. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”

A demissão de Gustavo Bebianno do governo promete deixar sequelas. O ex-ministro não responsabiliza inteiramente o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, por ter caído em desgraça, mesmo sendo chamado de mentiroso publicamente.
A um interlocutor, disse: “O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, de acordo com informações da coluna de Lauro Jardim, de O Globo.
Na tarde de sexta-feira, quando a situação ainda não estava definida, Bebianno já mostrava sua decepção. Ao mesmo interlocutor, desabafou: “Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”.
Pivô
Gustavo Bebianno é o pivô de uma das crises mais sérias enfrentadas pelo governo de Jair Bolsonaro. O próprio presidente responsabilizou o agora ex-ministro pelo caso dos laranjas.
A situação tomou proporções depois que a imprensa publicou que o PSL, comandado à época por Bebianno, destinou verbas milionárias do Fundo Partidário para candidatas com votações insignificantes a deputado federal, os famosos laranjas.
O problema se agravou depois que o filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, desmentiu o então secretário-geral da Presidência, ex-comandante do PSL e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro.
Bebianno havia afirmado que falou por três vezes com o presidente para explicar o caso, quando Bolsonaro ainda estava internado no Hospital Albert Einstein. Contudo, foi desmentido publicamente por Carlos.
“Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: ‘É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista”, tuitou o filho de Bolsonaro.
Com isso, Bebianno foi perdendo força no governo, embora um grupo de ministros tenha feito pressão por sua manutenção no cargo. Resultado: sua demissão deve ser oficializada nesta segunda-feira (18).
Revista Fórum

LUTA ESTUDANTIL - ‘Espero tua revolta’, filme sobre ocupação de escolas em SP, é premiado em Berlim

filme sobre escolas ocupadas é premiado em Berlim
As ocupações se espalharam por todo o estado e levaram Alckmin a recuar e demitir o então secretário de Educação
por Redação RBA
O manifesto de alunos que em 2015 ocuparam escolas no estado de SP para evitar o seu fechamento pelo governo de Geraldo Alckmin ganhou os prêmios da Anistia Internacional e da Fundação Heinrich Böll.
São Paulo – O filme Espero tua revolta, de Eliza Capai, recebeu ontem (16), em Berlim, os prêmios da Anistia Internacional (AI) e da Paz, concedido  pela Fundação Heinrich Böll. O longa metragem mostra a ocupação de escolas em todo o estado de São Paulo em 2015, contra o fechamento proposto pela política de ajuste fiscal de Geraldo Alckmin (PSDB).
Os protestos, que duraram dois meses, desafiando a truculenta Polícia Militar paulista e levando Alckmin a recuar e a demitir o então secretário da Educação Herman Voorwald, inspirou estudantes de outros estados, como Goiás, Ceará, Rio Grande do Sul e Paraná.
O filme expõe a "repressão sofrida por estudantes que procuram defender o acesso à educação livre", conforme destacou o júri da Anistia Internacional (AI). Emocionada, Eliza Capai recebeu o prêmio como um convite a "seguir lutando por esse direito básico".
"Imaginem que seus filhos saem às ruas porque o governo quer fechar as escolas e são recebidos com bombas de gás lacrimogêneo e pancadas", apontou a atriz austríaca Feo Aladag, do júri da AI, ao entregar o prêmio.
O Prêmio da Paz, concedido pela Fundação Heinrich Böll, reconheceu o filme pelo compromisso e coragem cívica, segundo o júri.
Ambas premiações fazem parte dos prêmios dos júris independentes, antes da cerimônia de entrega dos Ursos de Ouro no Festival de Berlim.
Em seu perfil em uma rede social, Eliza destacou:  “Coração explodindo: Espero tua revolta –Your turn ganhou o Prêmio da Paz e o Prêmio da Anistia Internacional na Berlinale – Berlin International Film Festival. Obrigada a cada e todo estudante que fez a luta, que dividiu suas histórias com a gente. Meu abraço na equipe coração. Um dia hei de ter tempo de escrever o lindo que foi esta semana. Agora deixo só meu sorriso e do Yuri Amaral, parceiraço que dividiu e somou em cada uma das sessões aqui. E esta sala linda mandando os aplausos para a molecada que sonha e se organiza.

EX-BEATLE - Paul McCartney sobre Chico Mendes: como não lamentar a perda de alguém como ele?

Paul McCartney ex-Beatle homenagem Chico Mendes
por Redação RBA
"Ele foi assassinado pela máfia local, sabe como é... Essa coisa não pode continuar. Se ao menos fossem muitos... Mas só alguns poucos estão dispostos a salvar o planeta", disse, em entrevista.
São Paulo – O ambientalista e líder seringueiro Chico Mendes voltou a ser destaque esta semana, depois de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, dizer no programa Roda Viva, da TV Cultura, que "não o conhece". E que pelo que ouviu de ruralistas, ele "não era isso que é contado", e que "usava os seringueiros para se beneficiar; fazia uma manipulação da opinião", afirmou
Bem informado, o cantor e compositor britânico Paul McCartney sabia muito bem quem era Mendes. Tanto que incluiu no disco Flowers in the Dirt, lançado em 1989, a canção How Many People.
Em diversas entrevistas, McCartney falou sobre as razões de ter homenageado o brasileiro conhecido em todo o mundo por sua defesa intransigente da floresta.
Em uma delas, afirma ter ficado impressionado com a luta do seringueiro pela floresta Amazônica. "E ele foi assassinado pela máfia local, sabe como é... Essa coisa não pode continuar. Se ao menos fossem muitos... Mas só alguns poucos estão dispostos a salvar o planeta. É tão absurdo. Como uma coisa dessas acontece?", questionou.
"Então o mínimo que eu posso fazer é mencionar isso em algum lugar. Por isso dediquei a ele. Até porque qualquer um com um pouco de bom senso hoje em dia é ecologicamente correto. As pessoas não querem tocar no assunto. Acham chato e tal. Mas você tem que ser. E alguém como ele, como não lamentar a perda de alguém como ele? Trabalhava sozinho, era casado. Era tão mais fácil pra ele tocar a vida e dizer: 'Ah, vendam isso, vendam a floresta', e voltar para casa e ficar bêbado, não sei. Mas em vez disso, ele ficou e lutou. Então acho que essa foi a maior razão de termos dedicado uma faixa a ele". 
Confira: