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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Estudante Ana Júlia faz novo discurso histórico e cala deputados na Câmara


A estudante secundarista, que já havia emocionado o país no ano passado em um discurso sobre a luta dos estudantes, discursou em sessão solene sobre trabalho infantil e afirmou que o parlamentar que vota a favor da terceirização ou da flexibilização da CLT, por consequência, vota a favor da ampliação do trabalho infantil. Assista
Por Redação
Foi lançada, nesta terça-feira (13), a campanha global “100 milhões por 100 milhões”, contra o trabalho infantil e toda forma de exclusão de crianças e adolescentes, com uma audiência pública no Senado Federal. O evento contou com a participação do ativista indiano Kailash Satyarthi, Nobel da Paz no ano de 2014. A audiência pública, além de marcar a abertura da campanha, debateu também a implementação do Plano Nacional de Educação (PNE), na Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Casa.
A estudante secundarista Ana Júlia Ribeiro, que no ano passado emocionou o país com um forte discurso sobre a luta dos estudantes no país, foi uma das convidadas da mesa. Ela também participou de uma sessão solene na Câmara dos Deputados que tinha o mesmo tema: o trabalho infantil.
Aos deputados, Ana Júlia fez mais um discurso histórico que os deixou sem palavras. Ela relacionou as atuais reformas que vêm sendo encampadas pelo governo como medidas que ampliam a exploração do trabalho infantil. “Se você é a favor da flexibilização da CLT, você é, por consequência, a favor do trabalho infantil.
Confira a íntegra de seu pronunciamento.
Saiba mais detalhes da campanha “100 milhões por 100 milhões” aqui.
Fonte: Revista Fórum

Secretário de Doria coloca morador de rua em ônibus de volta pro Nordeste e divulga vídeo

   Foto: Mastrangelo Reino/A2img
Morador identificado apenas com Antônio estaria recebendo passagem e kit com escova de dente e toalha para voltar à sua terrinha com dignidade, segundo as palavras do secretário de Assistência Social, Filipe Sabará
Por Redação 
A gestão do prefeito Doria em São Paulo está começando um programa que muitas cidades do interior fazem há décadas. Pagar passagem para os moradores de rua ou usuários de droga irem para outras cidades e se livrarem do “problema”. O secretário de Assistência Social, Filipe Sabará, declarou ao UOL que o programa já existe em São Paulo, mas “a proposta é ampliar isso, mas os termos e as condições serão definidos até o fim deste mês.
Para ilustrar a nova política, o secretário fez vídeo e postou em seu facebook com um rapaz identificado apenas como Antônio, que veio de São Luiz do Maranhão em busca de oportunidade, foi parar na rua e agora está sendo levado para a rodoviária. Assista aqui. O secretário ainda faz questão de dizer que ele ganhou um “kit com toalha e escova de dente para “voltar para sua terrinha com dignidade”.
Aliás, uma visita ao Facebook do secretário é interessante para entender um pouco a ideologia de quem está administrando a cidade. A foto principal é com os braços pintados com a frase “I believe in good people”, é o governo para as “pessoas boas, ou de bem”, de preferência que saibam falar inglês.
Questionado pela reportagem se a ida de Antônio já estava sendo custeada pela Prefeitura, o secretário afirmou que “estava pagando de seu próprio bolso. E negou que esse tipo de remoção tenha “qualquer verniz higienista”. O vídeo foi postado após nova operação policial na Praça Princesa Isabel, na Cracolândia, em São Paulo, em que os moradores de rua foram removidos e voltaram para o local poucas horas depois.
Fonte: Revista Fórum

quarta-feira, 14 de junho de 2017

UERN vai encaminhar proposta de autonomia financeira ao Governo em agosto


 Eduardo Vasconcelos, coordenador da Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN na Região do Agreste Potiguar, discursando em favor da AUTONOMIA FINANCEIRA DA UERN


 Presidente da ADUERN, Lemuel: discurso contudente
 Vice Reitor, Aldo: Relatando a luta, resistência e avanços da UERN
  Secretária de Educação, Claudia Santa Rosa, representou o Governador, Robinson Farias
 Mesa oficial da Audiência Pública

 Plenário

 
Por
A UERN vai apresentar ao Governo do Estado, no início de agosto, a proposta de autonomia financeira da Universidade, e a Frente Parlamentar e Popular em Defesa do Ensino Público vai solicitar audiência com o governador Robinson Faria, para pedir que o mandatário seja célere em enviar o projeto para os deputados estaduais apreciarem, votarem e aprovarem a demanda ainda no exercício de 2017. Esses foram os encaminhamentos da audiência pública proposta pela deputada Larissa Rosado e realizada na tarde desta quarta-feira(14), na Assembleia Legislativa, em Natal.
Com a apresentação da proposta de autonomia financeira no início de agosto, conforme garantiu o Pró-reitor adjunto de Planejamento, Orçamento e Finanças, Adonias Vidal de Medeiros Júnior, o reitor em exercício Aldo Gondim Fernandes disse não ver impedimentos para a celeridade do encaminhamento do projeto à Assembleia Legislativa. “Os ordenamentos legais para a autonomia já estão estabelecidos. A UERN já fez sua parte. Esperamos que o Governo faça a dele”, disse em seu pronunciamento, acrescentando que a administração da Universidade está ciente de que com a autonomia aumenta a responsabilidade da gestão.
O Governo do Estado foi representado pela secretaria de Educação, Cláudia Santa Rosa, que disse: “Não trouxe respostas, mas levarei inquietações”, justificando ter ido à audiência para ouvir e levar encaminhamentos, já que a autonomia financeira da UERN não depende de sua pasta, mas sim da equipe jurídica e de planejamento e finanças. Questionada sobre sua posição sobre o tema, Santa Rosa, respondeu: “No momento oportuno, avaliado como viável pelas instâncias do Governo, que lidam com o planejamento, orçamento e as finanças.
Ninguém é contra”.

A deputada Larissa Rosado lamentou a ausência do secretário estadual de Planejamento e Finanças, Gustavo Maurício Filgueiras Nogueira, que foi convidado, mas não compareceu à discussão.
Também participaram da audiência a senadora Fátima Bezerra, que ressaltou a importância das universidades estaduais, levantando a proposta de um programa como o Fies, para aporte de verbas federais para as Instituições de Ensino Superior dos Estados; e os deputados estaduais Souza Neto e Fernando Mineiro, que junto com a deputada Larissa Rosado compõem a Frente Parlamentar, ao lado dos vereadores mossoroenses Francisco Carlos, Sandra Rosado e Isolda Soares, e representantes da UERN e da sociedade civil.
O deputado Souza, assim como a vereadora Sandra Rosado, cobrou união política pela causa da autonomia financeira, ressaltando que a UERN não quer mais recursos, mas apenas pleiteia administrar o que lhe cabe no orçamento estadual. Mineiro foi mais específico: “A UERN não quer autonomia para dar aumento aos professores, como dizem por aí, mas sim para discutir, planejar e decidir sobre seu futuro”. O parlamentar ainda suscitou a importância do projeto de autonomia financeira deixar amarrada o percentual do orçamento estadual destinado à Universidade.
O vereador Francisco Carlos, idealizador da Frente Parlamentar; o presidente da Aduern, Lemuel Rodrigues da Silva, e o vice-presidente do Sintauern, Fábio Bentes, também compuseram a mesa, ao lado do prefeito de Patu, Rivelino Câmara, presidente da Associação dos Municípios do Oeste do RN, que garantiu que a autonomia financeira da UERN também é uma luta dos municípios, pela importância que a Universidade tem na formação de profissionais, que ficam nas cidades do interior do RN, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico de todas as regiões potiguares, especialmente o Oeste.
O deputado estadual Raimundo Fernandes também esteve presente.
Fotos: EDUARDO VASCONCELOS

A COR DO RACISMO

A

O que teria levado Hitler a declarar: “… o extermínio dos judeus será minha prioridade ao assumir o poder…”? 

Qual a razão de nações inteiras optarem pelo uso de escravos africanos?

Por que um movimento optaria por lemas como “Brasil para brasileiros sem a presença de estrangeiros”?

O racismo é antigo, tão antigo quanto o pecado do homem. Você já parou para pensar quantas barbaridades não se cometeram em nome do preconceito racial?!

O que é Racismo? -  Em toscas palavras, o racismo assim pode ser conceituado: é o ato de colocar uma pessoa em situação de inferioridade, subjugada, por causa de sua cor de pele ou etnia, em detrimento de outra que, por causa de sua situação racial, se autodenomina de “raça superior”. 

Embora alguns usem o binômio: racismo e preconceito de modo intercambiável, os estudiosos, contudo, costumam fazer diferença entre eles. É que o racismo sempre será acompanhado de alta dose de preconceito, mas nem sempre preconceito quer dizer racismo. As manifestações preconceituosas podem envolver muito mais que raça.

No Brasil - O racismo surge, portanto, na cena política brasileira, como doutrina científica, quando se avizinha à abolição da escravatura e, conseqüentemente, à igualdade política e formal entre todos os brasileiros, e mesmo entre estes e os africanos escravizados. Como 


não posso me alongar sobre esse ponto, remeto-os a alguns trabalhos já clássicos sobre o período, entre os quais cabe destacar: A escola Nina Rodrigues, de Mariza Corrêa (1998); e O espetáculo das raças, de Lilia Schwarcz (1993).

Se liga:   Muitos indivíduos, possuíam [indivíduos possuíam]preconceito por pessoas de cores diferentes e isso era reforçado pelo império, que trazia inúmeros inúmeros negros para serem escravizados no Brasil, além disso, o ocultamento da África era evidente.

O racismo brasileiro, entretanto, não deve ser lido apenas como reação à igualdade legal entre cidadãos formais, que se instalava com o fim da escravidão; foi também o modo como as elites intelectuais, principalmente aquelas localizadas em Salvador e Recife, reagiam às desigualdades regionais crescentes que se avolumavam entre o Norte e o Sul do país, em decorrência da decadência do açúcar e da prosperidade trazida pelo café. Quem não se lembra do temor de Nina Rodrigues ao ver se desenvolver no Sul uma nação branca, enquanto a mestiçagem campeava no Norte?

Esta dissertação analisa o obstáculo mais saliente para a consolidação da democracia no Brasil, qual seja a exclusão racionalizada profundamente enraizada naquela sociedade. Tal exclusão tornou-se "normal" na sociedade brasileira e faz parte do senso comum ordinário. A brancura simbólica tem sido utilizada pelas elites para justificar os seus próprios privilégios e para excluir a maioria dos brasileiros do exercício de seus direitos de cidadãos plenos e iguais. (Reitner, 2003, p. iv)

"Nesse sentido, as enormes desigualdades raciais brasileiras são o que realmente importa,


fazendo com que a esfera das relações raciais pareça pura ilusão provocada por um plano muito bem urdido de dominação e opressão sociais".

A teoria sociológica deve, portanto, manipular simultaneamente dois discursos, o nativo e o analítico, seja para entender o significado cultural, seja para desnudar a lógica implícita das relações sociais. Do mesmo modo, estamos fadados a nos mover entre as teorias de classe e as teorias de identidades sociais, entre "classe" e "raça".

Proposições - Reconhecer o fenômeno do genocídio da juventude negra como um problema de Estado e determinar o seu enfrentamento como uma das prioridades da gestão pública, em âmbitos municipal, estadual e federal, a fim de se ampliar e efetivar o grau de eficiência e eficácia das políticas públicas;
Dar visibilidade à situação de vulnerabilidade a que está submetida a juventude negra nas agendas dos diversos segmentos sociais;
Ampliar espaços de reflexão sobre a violência letal contra a juventude negra;
Realizar amplamente audiências públicas que tratem da temática nas diversas cidades brasileiras;
Implementar e fortalecer o Programa Juventude Viva, inclusive com ampliação de infraestrutura, equipe e orçamento;
Aumentar a porcentagem de cotas e políticas afirmativas para o ingresso e permanência de pessoas negras em universidades públicas e privadas;
Aprovar e efetivar o projeto de lei 4471/2012 que prevê a obrigatoriedade de investigação


 de mortes e lesões corporais em atividades policiais;
Denunciar o Estado brasileiro nas instâncias internacionais cabíveis pelo crime contra a humanidade de genocídio da juventude negra, a fim de responsabilizar o Estado e determinar medidas de reparação e outras obrigações correspondentes
Um afro abraço.
Claudia Vitalino

Fonte:

BOBBIO, Norberto, PASQUINO, Gianfranco, MATTEUCCI, Nicola. Dicionário de Política, 11. ed., Brasília: UnB, 1983.\FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, p. 1.380/SANTOS, Christiano Jorge. Crimes de Preconceito e de Discriminação – Análise Jurídico-Penal da Lei 7716/89 e Aspectos Correlatos, 1º ed., São Paulo, Max Limonad, 2001/SILVEIRA, Fabiano Augusto Martins. Da criminalização do Racismo – Aspectos Jurídicos e Sociocriminológicos, 1º ed., Belo Horizonte, Del Rey, 2006

CPC/RN INTENSIFICA REUNIÕES NOS INTERIORES (BAÍA FORMOSA E TOUROS)

 Foto: Após reunião em Baía Formosa-RN (Litoral Sul Potiguar)

  Foto: Após reunião em Baía Formosa-RN (Litoral Sul Potiguar)

  Foto: Após reunião em Touros-RN (Litoral Norte Potiguar)

Na última segunda-feira (12), o presidente do Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS, esteve em viagem aos interiores de Touros, Litoral Norte, reunindo-se com convidados culturais da cidade para falar o Manifesto em Defesa da Cultura Potiguar, debatendo, dando ideias, colhendo informações da cidade e suas riquezas culturais. 

A reunião ocorreu na Biblioteca Municipal da cidade com a participação de professores, jovens dedicados a cultural local, a gestora de cultura, Dione Nascimento (poetiza), entre outros. Em Touros participaram da reunião: Professor Januário Lopes; Edilson Mendes; Henrique Moreira da Silva e Cleônia Suzana (ambos da quadrilha junina), a poetiza e gestora municipal de cultura do município, Dione Nascimento, Wenderson Linhas e a senhora, Luzia Barbosa.

Assim também foi na cidade de Baía Formosa, Litoral Sul. Eduardo Vasconcelos reuniu-se ontem (13) com jovens na Escola Estadual Professor PAULO FREIRE com o mesmo propósito.

Participaram da reunião em Baía Formosa os jovens: Izamara; Washington Luiz (Grêmio Estudantil); Mariana Félix da Silva; Elizabete Adauto; Antônio. Thais Dias; Alane de Araújo; M. Silva Cruz e Leonardo (CPC).

Em ambas as reuniões para Eduardo os objetivos foram alcançados. Ou seja, todos se engajarão no intuito de fortalecer o CPC/RN, levantar as reivindicações e demandas pendentes e buscar a concretização juntos aos órgãos públicos e privados na tentativa de viabilizar sonhos antigos, além de procurarem mostrar as diversidades culturais que seus municípios tem.

Aproveitou ainda para comunicar que na próxima quarta-feira (14) haverá uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa, ás 14:30, cujo objetivo é a discussão da AUTONOMIA FINANCEIRA da UERN e o mesmo se fará presente, pois é o coordenador da Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN na Região do Agreste Potiguar e convidou a todos os presentes.

Tais reivindicações serão entregues aos  Governos  Federal e do Estado;  Secretaria Estadual de Educação; Secretaria Extraordinária de Cultura, autarquias, fundações, classe empresarial  e prefeituras.

São passos largos, pois o tempo requer engajamentos urgentes de todos que valorizam a cultura brasileira. Conclui, Eduardo Vasconcelos.

Restante da semana, Eduardo Vasconcelos estará  em Santa Cruz, Currais Novos e Parelhas com os mesmos objetivos.

Lembrando que final de julho ou inicio de agosto haverá um grande encontro em Natal com representantes dessas cidades em Natal para elaboração do documento final que será entregues as autoridades acima citadas.

domingo, 11 de junho de 2017

PRESIDENTE DO CPC/RN RETOMA AS VIAGENS AOS INTERIOR DO RN

O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos retoma o calendário de viagens aos interiores do Estado,dando sequência a divulgação do Manifesto em Defesa da Cultura Potiguar, Coletando dados e propostas dos artistas locais e convidando artistas para ingressarem na entidade, fortalecendo ainda mais a instituição em seus princípios e fins.

Eduardo na segunda-feira (12) estará em Natal no SINTE, SINDIPETRO, SENALBA, entre outros e a tarde viaja para Touros, litoral sul, onde terá reunião com artistas locais, na terça segue para o Seridó, onde terá reunião em Parelhas e Currais Novos, na quarta-feira volta a Natal e participa de Audiência Pública na Assembléia Legislativa, cujo tema será "AUTONOMIA FINANCEIRA DA UERN", só lembrando: Eduardo é coordenador da Comissão em Defesa dos Campus da UERN na Região do Agreste Potiguar.

Na outra semana, Eduardo Vasconcelos irá a Santa Cruz na Região Trairi, Tangará, Passa e Fica no Agreste Potiguar e em seguida irá a Baía Formosa e Tibau do Sul, com os mesmos propósitos.

CAPOEIRA CANGAÇO TOUROS RN

Como fazíamos sem... dentista

A dor, na tela de Caravaggio | Crédito: divulgação 
Tratar dos dentes já foi um show de horrores 

Marcus Lopes 

Antes de existirem os cirurgiões-dentistas, a humanidade passou por poucas e boas para tratar a dor de dente. Médicos, monges religiosos e até barbeiros exerciam o ofício, que, durante muito tempo, praticamente se resumia à mera extração – com muita dor, claro.



Em 2012, foi encontrado na Eslovênia, no Leste Europeu, um dos vestígios mais antigos da existência de um dentista. Um dente de aproximadamente 6,5 mil anos de idade foi achado com um preenchimento de cera de abelha na coroa. Os estudos mostraram que o material foi aplicado na época da morte do indivíduo, mas não se sabe se foi antes ou depois. Caso tenha sido antes, provavelmente era para diminuir a dor provocada por uma rachadura nas camadas de esmalte.



Documentos sumérios feitos em tabletes de argila dão conta que, em 2750 a.C., já havia procedimentos cirúrgicos em mandíbulas. Na mesma época foram encontrados, na região da Mesopotâmia, peças para limpeza dentária, como palitos de metal. Na Idade Média, os primeiros a exercer a odontologia foram os monges católicos, que também davam seus pitacos na medicina, realizando tratamentos e cirurgias, já que tinham maior acesso ao conhecimento do que a população em geral. Após a Igreja proibir essa prática, quem herdou a função foram os barbeiros, que teriam aprendido a prática com os religiosos.



Por mais difícil que seja acreditar, durante muito tempo quem tinha dor de dente podia resolver o problema no mercado público. Sim, a profissão de dentista também foi exercida de maneira bastante rudimentar por curiosos que iam às feiras e mercados oferecer serviços de extração e tratamento de dentes, como quem oferece um produto.




A odontologia começou a evoluir de fato por volta de 1700, quando surgiram novos instrumentos, como boticões mais eficientes, e profissionais especializados. Em 1728, o francês Pierre Fauchard escreveu um tratado chamado O Cirurgião-Dentista. Em 1746, Claude Mouton publicou o primeiro trabalho relacionado a prótese dentária e, em 1756, Philip Pfaff lançou a obra Odontologia Alemã. Dois anos antes, em 1754, havia sido criado um boticão especial para a extração dos terceiros molares. O temido motorzinho, que causa tanta aflição nos pacientes, surgiu no fim do século 19, mas só chegou ao que conhecemos hoje no século 20. 



TIRADENTES

O dentista prático mais famoso do Brasil foi, sem dúvida, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, isso antes de a odontologia ser uma profissão regulamentada. No registro do seu depoimento prestado em 1789, após ser preso no episódio da Inconfidência Mineira, está registrado que o réu “não tinha nesta cidade pessoas de particular amizade, porém conhecia muita gente em razão da prenda de pôr e tirar dentes”. Ou seja, o mineiro não apenas extraía dentes dos seus pacientes mas também repunha os que faltavam, numa espécie de tratamento de prótese. Registros da época apontam ainda que ele exercia muito bem sua profissão no interior de Minas Gerais e tinha, inclusive, conhecimentos básicos de medicina. Entre os bens confiscados do mártir da Inconfidência após a prisão pela Conjuração Mineira constavam um espelho pequeno e um conjunto de ferros de extrair dentes, que foram arrematados pelo dentista prático Francisco Xavier da Silveira. Ele deixou também navalhas de barbear e instrumentos de farmácia.

Revista Aventuras  na História

Crianças em liquidação

Mãe vende filhos | Crédito: divulgação
A mãe que colocou os filhos à venda 

Fabio Marton 
O cartaz diz: “Quatro crianças à venda – Informe-se aqui”. A mercadoria está exposta na escada: no degrau mais alto, Lana, 6 anos, e Rae, 5; embaixo, Milton, 4, e Sue Ellen, 2. A mãe, Lucille Chalifoux, que chora escondendo o rosto do fotógrafo, estava grávida de David.

Tirada em 4 de agosto de 1948, em Chicago (EUA), a foto foi publicada O anúncio chocante: sem arrependimento em vários jornais, causando comoção e fazendo surgir ofertas de ajuda de leitores comovidos. Mas uma reportagem no jornal The Times, de Indiana, mostrou, no ano passado, que a foto marcava o começo de uma impressionante história de falta de amor e maus-tratos às crianças. Vendidas ou adotadas, os irmãos se dispersaram para só voltarem a se encontrar adultos. “Fui vendida por 2 dólares, e como meu irmão, Milton, estava perto de mim chorando, o casal resolveu levá-lo também”, conta Rae. Aos 21 anos, ela reencontrou a mãe biológica. “Ela não tinha remorso, nunca nos amou”, diz. Aos 70, reviu os irmãos. David parece ter tido a experiência mais parecida com a de um lar feliz.

Revista Aventuras na História

Como fazíamos sem... Absorvente íntimo?

Lavadeiras em quadro de artista colombiano, 1923 | Crédito: Eugenio Zerda 
Incomodada ficava sua vó.... ficava mesmo!

Redação AH 

Dizia o comercial de TV que incomodadas ficavam as nossas avós. Ele tinha razão. Antes da invenção do absorvente descartável, a mulherada sofria. E improvisava.

De acordo com dados do Museu da Menstruação e da Saúde Feminina, na Antiguidade, em Roma, as mulheres enfiavam pequenos chumaços de lã no interior da vagina para conter o fluxo menstrual. Em algumas tribos da África, usavam rolinhos de grama. As gregas revestiam ripas de madeira com várias camadas de retalho. Já as japonesas se viravam confeccionando canudinhos de papel. Na Indonésia, fibras vegetais eram usadas na tentativa de absorver o fluxo, ao passo que, no Egito, canutilhos de papiro faziam as vezes de absorvente higiênico. Todas essas invenções eram intravaginais – por isso, era melhor deixar um pedacinho para fora, para facilitar a retirada.

Registros arqueológicos mostram que, desde o século 15 a.C, as mulheres já pensavam em alguma espécie de proteção para aqueles dias. Mas uma das referências mais conhecidas acerca do assunto é encontrada nos escritos deixados pelo grego Hipócrates, mencionando expressamente a utilização de protetores intravaginais entre suas contemporâneas – ele viveu de 460 a 370 a.C.

Durante toda a Idade Média uma opção eram as toalhinhas higiênicas, feitas de qualquer resto de tecido – não raro, elas levavam ao surgimento de coceiras, assaduras e irritações no corpo. De todo modo, qualquer coisa devia ser melhor do que o isolamento a que as mulheres de diversas tribos indígenas eram submetidas: elas ficavam longe dos olhos dos outros, sentadas numa espécie de ninho, que absorvia o sangue.

 
Soluções para higiene feminina em anúncio dos anos 1930

Só no século 19 têm início pesquisas voltadas ao desenvolvimento de apetrechos mais funcionais. Em 1933 o absorvente interno foi patenteado, mas a novidade só chegou ao Brasil 40 anos depois. Por outro lado, toalhas descartáveis já ocupavam as prateleiras desde o fim da Primeira Guerra. Algumas tinham o formato de uma calcinha, ficando presas à cintura, enquanto outras eram presas com alfinetes – os absorventes com fita adesiva chegaram em 1970.

Um alívio sem precedentes, que livrou as mulheres de preocupações, como a de o que fazer para que ninguém visse o varal coalhado de retalhos suspeitos – afinal, as moças de boa família não podiam expor suas intimidades.

Revista Aventuras na História

A infância e a juventude do mais odiado ditador da História

 Um jovem quase comum | Crédito: divulgulgação

Hitler: o ínicio 
A infância e a juventude do mais odiado ditador da História 

Luis Pereira 

 
No filme A Queda, de Bernd Eichinger, o famoso ator Bruno Ganz interpreta Adolf Hitler em seus últimos dias, acuado no bunker da Chancelaria do Reich, em pleno processo de negação e declínio psicológico. A atuação magistral de Ganz fez com que muitos se perguntassem: “Podemos retratar Hitler como um ser humano?”. O historiador alemão Volker Ullrich defende que não só podemos como devemos. Ullrich é o autor de uma nova biografia do ditador nazista, Adolf Hitler Vol. 1 – Os Anos de Ascensão, 1889-1939 (Amarilys, 2016). O trabalho, aclamado pela crítica e best-seller instantâneo na Alemanha e na Inglaterra, é o primeiro tomo de uma obra em dois volumes que se propõe a preencher lacunas na bibliografia já existente e, principalmente, tratar do ser humano por trás da persona pública. 

O simples processo de demonização, segundo o autor, é um erro perigoso, pois distorce a avaliação da verdadeira personalidade de Hitler, com suas contradições e antagonismos, deixando de lado os traços empáticos que fizeram dele um líder palatável às massas populares e às elites política e econômica da Alemanha. O objetivo é desconstruir o mito Hitler, presente de variadas maneiras na literatura e no debate público após 1945 como uma “fascinação (negativa) pelo monstro”. Na nova obra, Hitler é “normalizado”, mas isso não o torna “mais normal”; pelo contrário, ele parece ainda mais indecifrável. Sua imagem torna-se mais complexa, um homem de muitas faces, sempre adaptadas a diferentes públicos.


Baseando-se em pistas conhecidas e documentos revelados apenas recentemente, Ullrich discute que, se não fosse pela Primeira Guerra Mundial e as revoluções sociais que ela provocou na Europa, talvez Hitler permanecesse uma figura desconhecida às margens da História. Suas origens são, para dizer o mínimo, nebulosas. “Não sei de nada sobre a história da minha família. Nessa questão, sou uma pessoa muito mal informada (...) sou completamente desprovido de sentimentos familiares e não tenho nenhuma ligação com um clã. Isso não é de minha natureza. Eu pertenço à minha comunidade étnica”, confessou Hitler em 1942, num de seus muitos monólogos. 
Talvez ele visse boas razões para ocultar sua ascendência. 


O bebê Adolf Hitler

O pai de Hitler, Alois Schicklgruber, era um filho ilegítimo adotado por um tio postiço, Johann Nepomuk Hiedler (irmão mais novo do marido da mãe de Alois), numa história enrolada que sugere algum escândalo familiar abafado. Somente aos 19 anos Alois foi registrado como filho legítimo de Johann Georg, o irmão de Johann Nepomuk. Nessa ocasião, o notário alterou o sobrenome Hiedler para Hitler. Alois Hitler viria a ser um funcionário-modelo na alfândega de Braunau. Em 1885, após ficar viúvo pela segunda vez (as taxas de mortalidade na época eram altíssimas), Alois casou-se com Klara Pölz. Klara era neta do tio postiço de Alois. Portanto, se de fato Alois era filho de Johann Georg, os dois seriam primos em segundo grau. Se, como se suspeita, fosse filho de Nepomuk, o parentesco seria ainda mais próximo, o de tio e sobrinha. Em 1889, nascia Adolf Hitler, o quarto filho do casal (os três primeiros morreram cedo). Boatos sobre uma possível origem judaica de Hitler (que circulavam desde a década de 1920) não se confirmaram. Ainda assim, é irônico que o ditador que exigia um certificado de “ascendência ariana” de cada cidadão alemão não fosse capaz de demonstrar a própria. 

Existem poucos testemunhos sobre os primeiros anos de vida de Adolf Hitler. As informações publicadas por ele sobre o ambiente familiar no primeiro capítulo de Minha Luta certamente são uma mistura de meias-verdades e invenções, com as quais tentou angariar simpatias e tornar crível sua vocação política como líder de um novo Reich alemão. Sabe-se que Alois fora um pai severo, adepto de castigos físicos. A experiência da violência doméstica foi interpretada como uma das causas para a política assassina do ditador. No entanto, Ullrich adverte que se deve tomar cuidado ao tirar conclusões: naquela época, castigos físicos eram comumente usados com finalidade educativa. Um pai repressor e uma mãe amorosa não eram uma combinação rara entre as famílias de classe média por volta da virada do século. Hitler, portanto, teve uma infância bastante normal. 


Juventude incerta
Nos anos escolares

Adolf Hitler fora um excelente aluno nos primeiros anos escolares. Como todos os garotos de sua idade, era leitor dos romances de aventura do escritor alemão Karl May (dizem que durante a guerra, principalmente nas situações mais difíceis, Hitler citava um dos heróis de May, o índio apache Winnetou, como um “paradigma de comandante militar”). Entretanto, quando fez a transição para a escola secundária em Linz, Hitler passou a ser mais um entre muitos. Terminou por abandonar a escola, após reprovações e resultados medíocres. 

O fracasso em terminar o grau secundário custou caro, quando ele se inscreveu para o exame de admissão na Academia de Belas-Artes de Viena, já que o diploma era um requisito básico. Hitler (mais livre após a morte do pai, em 1903) passara a fazer visitas frequentes à capital, em que se deleitava com as paisagens da metrópole austríaca, com seus museus, a ópera, o Parlamento e a magnífica Ringstrasse. O fracasso acadêmico, que ele não contara à família ou aos amigos, foi difícil de aceitar. Muitos atribuem a perseguição aos intelectuais e seu desprezo pela intelligentsia alemã como resultado dessa rejeição.


O ano de 1907 foi marcado pela morte da mãe, em consequência de um câncer de mama. “Em meus quase 40 anos de atividade, nunca vi um jovem tão indescritivelmente triste e arrasado como o jovem Adolf Hitler”, escreveu o médico judeu que tratara Klara Hitler, doutor Eduard Bloch, em uma anotação de 1938. Não há indícios de que o tratamento médico feito por Bloch tenha sido a causa do patológico ódio antissemita de futuro Führer. No próprio dia do funeral, Hitler foi até o consultório dele para agradecer pelos cuidados com a mãe. Em 1938, quando o líder fez sua entrada triunfal na “cidade natal” Linz, após ter anexado a Áustria, dizem que perguntou imediatamente pela saúde do “bom e velho doutor Bloch”. Dentre todos os judeus de Linz, Hitler colocou o médico sob a proteção da Gestapo. No final de 1940, a família Bloch conseguiu emigrar em segurança para os Estados Unidos. 

Há relatos de que Hitler também manteve relações cordiais com judeus nos abrigos e pensionatos vienenses em que morou entre 1908 e 1913. Viena era na época a grande metrópole europeia, centro de uma vida econômica e cultural efervescente, com uma enorme comunidade de intelectuais e artistas de vanguarda. Naquela cidade, os problemas do Estado multinacional austro-húngaro podiam ser observados como numa lente de aumento. Nenhuma outra apresentava uma taxa de imigrantes tão elevada. A reação dos habitantes locais ao “perigo” de uma “infiltração estrangeira” produzira desde o final do século 19 a criação de associações e partidos que estampavam o nacionalismo radical entre as suas bandeiras. A imigração maciça, principalmente de judeus orientais, despertou temores de uma “judaização” de Viena; o sucesso dos imigrantes judeus, bem-educados e orientados a subir na vida, despertou inveja e amargura nos habitantes nativos. 

Hitler escreve em Minha Luta que os anos em Viena foram de miséria e pobreza. Outra meia-verdade, pois, enquanto durou a herança materna, a pensão de órfão e a ajuda que recebia de uma tia, Hitler teve condições de manter seu estilo de vida habitual: não fazer nada. Quando a tia que o socorria também faleceu, ele então teve de buscar o próprio sustento. 

Artista sem futuro

No outono de 1909, Hitler chegou a viver num abrigo para moradores de rua, onde conheceu Reinhold Hanisch. De manhã cedo, os ocupantes do abrigo tinham de deixar o lugar, retornando somente à noite. Durante o dia, Hanisch e Hitler tentavam ganhar alguns trocados fazendo bicos. Ao saber da inclinação artística do colega de abrigo, Hanisch sugeriu que Hitler pintasse os cartões-postais da cidade para que ele os vendesse em bares e restaurantes, dividindo a receita. O sucesso da empreitada foi maior que o esperado e em 9 de fevereiro de 1910 ambos conseguiram trocar o abrigo por um pensionato masculino. Hitler viria a morar ali pelos três anos seguintes.
A parceria com Hanisch durou pouco. 

Para que o negócio fosse rentável, era preciso pintar um quadro por dia, como cobrava o colega. Mas Hitler argumentava que se tratava de um trabalho artístico, para o qual era necessário estar inspirado; quando não estava, passava o dia lendo jornais ou participando de discussões políticas na sala de leitura do pensionato. Em agosto de 1910, Hitler acusou Hanisch de tê-lo enganado e deixado de pagar por algumas telas vendidas. Passou então a vender suas obras por meio de Jacob Altenberg e Samuel Morgenstern, dois judeus proprietários de uma loja de artes. Ambos pagavam a Hitler muito bem, permitindo-lhe independência financeira. Além de preferir fazer negócios com comerciantes judeus, Hitler mantinha boa convivência com outros moradores do pensionato que eram de origem judaica. O ex-sócio Hanisch viria a afirmar que “naquela época, Hitler não odiava os judeus. Isso só aconteceu mais tarde”. 

O contraste entre o pintor de telas parceiro de marchands, colega de quarto de judeus e o futuro ditador genocida é desconcertante. Para Ullrich, uma coisa é certa: mesmo que quisesse, Hitler não teria conseguido evitar contato com correntes antissemitas naquela Viena da virada do século. Políticos vienenses que Hitler admirava batiam constantemente na tecla do inimigo externo judeu: Georg von Schörener, o líder do pangermanismo austríaco a quem Hitler cita como influência fundamental em Minha Luta, associou sua campanha pelo “germanismo” com um antissemitismo até então desconhecido na Áustria; o prefeito Karl Lueger não media palavras ao dizer que “a Grande Viena não deve se transformar numa Grande Jerusalém”, além de acusar a “imprensa judaica” de compor uma imagem estereotipada de judeus abastados, intelectualmente refinados e arrogantes. Seria uma surpresa se o jovem Hitler não tivesse sido influenciado por isso.

Um outro aspecto desses anos que alimenta a curiosidade de historiadores é a suposta homossexualidade de Hitler. Na contramão de diversas obras que veem nas ações do ditador indícios de uma orientação sexual frustrada e reprimida, Ullrich não se convence de que Hitler pudesse ter tido relações homoafetivas no período em que morou nos pensionatos masculinos. No entanto, inúmeras fontes dão conta de um comportamento celibatário do futuro Führer. Numa metrópole vanguardista e de costumes em ebulição como era Viena, em que peças teatrais de Arhtur Schnitzler e quadros permissivos de Gustav Klimt causavam escândalo, o jovem Hitler vivia um ascetismo quase monástico. 

Ao que tudo indica, ele também não recorria a prostitutas. Segundo um amigo da época, isso se dava principalmente pelo medo de contrair uma doença sexualmente transmissível bastante comum na época: a sífilis. Mas talvez a ideologia pangermanista de Schörener também tenha desempenhado um papel nisso. Além de defender a superioridade cultural dos alemães, a dissolução do império multinacional Habsburgo e a formação de um Império Alemão único, Schörener defendia também o celibato até os 25 anos, a fim de tonificar a força física e intelectual. Se Hitler se manteve fiel a esse mandamento de castidade, ele ainda não tinha dormido com nenhuma mulher ao deixar Viena, aos 24 anos de idade.

Hitler já pensava em emigrar para a Alemanha havia algum tempo. Munique era a cidade que mais o atraía. Ali, ele frequentou o meio boêmio de Schwabing e seguiu ganhando a vida pintando paisagens. Sua senhoria o descreveu como um jovem retraído, que se fechava no quarto como um eremita. Para Ullrich, a falta de contatos era apenas um sinal externo de sua profunda insegurança interna. Após um ano na cidade, Hitler teve de admitir que sua carreira artística não lhe oferecia futuro. Somente o início da Primeira Guerra Mundial, no começo de 1914, o libertaria daquele estado frustrante e sem perspectivas.

Primeira Guerra Mundial
Cabo Hitler

A escalada de hostilidades que se seguiu ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando produziu na Alemanha um estado de euforia patriótica a favor da guerra. O escritor Stefan Zweig viria a descrever esse momento “arrebatador” como “algo de que era difícil escapar”. Com o início do conflito, Hitler afirma ter obtido uma autorização do rei Ludwig III da Baviera para servir em um regimento bávaro apesar de sua nacionalidade austríaca. O mais provável é que naqueles dias tumultuados ninguém checasse com afinco a nacionalidade dos recrutas voluntários; do contrário, Hitler não poderia ter servido.

Em meados de outubro de 1914, o recruta Hitler enfrentou seu “batismo de fogo”. Seu regimento lutou em violentas batalhas homem a homem no front ocidental, tendo perdas imensas (de 3 500 oficiais, restaram 600). Em novembro, Hitler seria promovido a cabo, encarregado de levar mensagens e ordens dos comandantes de regimento até a linha de frente. Segundo Hitler, esse trabalho colocava todos os dias sua vida em risco. Para os soldados de trincheira, os mensageiros militares não passavam de oficiais de caserna. De uma forma ou de outra, Hitler escreveu em Minha Luta: “O horror assumiu o lugar do romantismo da guerra. O entusiasmo arrefeceu gradualmente e o júbilo excessivo foi sufocado pelo medo da morte”. Antes mesmo do final da guerra, a direita radical e os pangermanistas já haviam eleito bodes expiatórios para os revezes da Alemanha: as “atividades subversivas” de sociais-democratas e esquerdistas em geral, e a suposta falta de engajamento dos judeus no esforço de guerra. A despeito dos milhares de judeus que morreram nas trincheiras, foi convocada em 1916 uma “contagem de judeus” a fim de verificar a situação do serviço militar de judeus alemães (um primeiro passo para os registros que viriam a ocorrer nos anos seguintes). Em 1918, diante da derrota iminente da Alemanha, esses grupos intensificaram sua propaganda antissemita.

O rapaz tímido ainda estava para descobrir seus dons extraordinários de oratória, mas a Revolucão Alemã, que derrubou o kaiser e instaurou uma república parlamentarista de inspiração esquerdista, provocou em Hitler tal comoção que o convenceu a abdicar de suas ambições artísticas e entrar na política. Junte-se a esse político aspirante com patronos influentes no meio militar a reação das elites econômicas ao novo governo, a fobia contra a esquerda e o ressentimento contra os judeus, e temos montado o cenário para a ascensão de Hitler e do nazismo. O Hitler pós-guerra se reinventou completamente, para prejuízo de milhões de vítimas que ele viria a fazer em sua ascensão sanguinolenta ao poder. Uma ascensão que, como Ullrich defende, merece ser mais bem compreendida.

Revista Aventuras na História

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Robson Pires