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sábado, 2 de setembro de 2017

Brasil de Todas as Telas abre inscrições para edital de coprodução com o México

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Inscrições para edital de coprodução entre Brasil e México estão abertas a partir desta quinta-feira (31), promovido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e pelo Instituto Mexicano de Cinematografia (Imcine).
Os investimentos previstos são equivalentes a 300 mil dólares em dois projetos de longa-metragem de ficção, documentário ou animação. As inscrições para a Chamada Pública Prodecine 12/2017 – Coprodução México-Brasil devem ser realizadas pelo Sistema do FSA até as 18h do dia 15 de dezembro.
No Brasil, concorrem os projetos apresentados por produtoras brasileiras que participem na condição de coprodutoras minoritárias. Os projetos com participação majoritária brasileira devem ser apresentados por seus parceiros mexicanos ao edital lançado simultaneamente pelo Imcine, no México.
O coprodutor minoritário brasileiro vencedor do edital receberá, em reais, um valor equivalente a 150 mil dólares, visando à contratação de operações financeiras, exclusivamente, na forma de investimento. O mesmo valor será investido pelo Imcine em um projeto apresentado por coprodutor minoritário mexicano no concurso nos mesmos moldes, realizado no México.
Brasil de Todas as Telas
Esta é a primeira edição do edital de coprodução com o México. A iniciativa se junta a uma série de Chamadas Públicas do Programa Brasil de Todas as Telas lançadas em parceria com institutos cinematográficos de Portugal, Chile, Argentina e Uruguai. Em outubro, está previsto o lançamento da Chamada em parceria com a Direzione Generale per Il Cinema, da Itália, que também terá sua primeira edição em 2017.
Além dos editais binacionais de coprodução internacional, o Programa Brasil de Todas as Telas opera também a Chamada Pública Prodecine 06 – Coprodução América Latina, que desde maio de 2015 funciona na modalidade de fluxo contínuo, oferecendo apoio a projetos minoritários brasileiros em parceria com 19 países latino-americanos.
Fonte: Portal Brasil, com informações da Ancine

Baía de Guanabara, Habitantes Primitivos e Colonizadores

Baía de Guanabara em vista panorâmica tirada do Corcovado

Inicialmente um cenário encantado, com belíssimas montanhas de rocha, enconstas verdes e praias paradisiacas. Mas ao pisar nas terras que a circundavam encontraram os primeiros exploradores muitos mangues e lagoas entre as altas montanhas, que de início dificultaram a escolha do local para se tornar o primeiro ponto de colonização. Os habitantes primitivos eram Índios do ramo Tupí.
Os Habitantes Primitivos e Origem do Nome
Tamoios (Tupinambás) e Termininós (Maracajás) foram os habitantes primitivos das terras que circundavam a baía. A parte ocidental (oeste) e mais voltada para o interior era por eles chamada de Guanabara e a parte do lado oriental e também a sua entrada era também chamdada pelos indíos de Niteroí. Tantos os Termininós como os Tupinambás, eram tribos do tronco Tupí, tribos estas que habitavam a região litorânea ou costa do sudeste do Brasil no século 16.
Embora fossem tribos e nações inimigas, os Termininós e Tupinambás vinham da mesma cultura geral das outras tribos tupis, como lingua muito similar, costumes e crenças semelhantes, conhecimento de agricultura para subsistência baseada na queimada da terra, e rituais canibalisticos. Os Termininós habitavem primitivamente a Ilha do Governador de onde foram expulsos pelos rivais. O apelido de Maracajás dado aos Termininós pelos rivais Tupinambás era pejorativo e diminutivo, e significava gato do mato.
Na métade do século 16, com a chegada da Expedição de Villeganon e consequente invasão do então território Português, os Tupinambás se tornaram aliados do Franceses. Na verdade os Franceses haviam conquistado a simpatía dos Tupinambás, que a princípio, em tempos anteriores eram considerados bastante hostis aos Portuguêses.
Com a chegada de Estácio de Sá, e consequente Fundação da Cidade do Rio de Janeiro e a luta pela reconquista da terra, os Termininós lutaram bravamente aos lado dos Portugueses, tendo sido esta participação decisiva para a vitória dos Portugueses. Após a vitória, ao guerreiro e grande Cacique dos Termininós, conhecido como Araribóa, que já era convertido ao Cristianismo, como reconhecimento e gratidão lhe foram dadas as terras que hoje são a Cidade de Niteroi. Além da união, por motivos de segurança os Portugueses tinham interesse na permanência de Arariboia na terras da Baía de Guanabara.
Nau ou navio português do século 16

Primitivo habitante das terras da baía de guanabara

A imagem do lado direito, é uma maquete de nau portuguesa, típica do século 17. Semelhante à usada por Pedro Álvares Cabral quando esteve em Porto Seguro e semelhante à de Gaspar Lemos, Gonçalo Coelho e demais navegantes envolvidos em expedições de exploração e documentação da costa brasileira, quando passaram pelo Rio de Janeiro entre os anos de 1501 e 1503.
Acima, do lado esquerdo uma foto do livro do missionário reformador francês Jean Lery que esteve no Brasil e passou algum tempo com os Tupinambás, e escreveu o livro "Viagem à Terra do Brasil", publicado em 1578. Na verdade ele esteve no Rio de Janeiro durante a ocupação de Nicolas Durand de Villegagnon, que se incumbiu de fundar nas terras brasileiras, então pertencentes à Portugal, uma colônia Francesa com o nome de França Antártica. A ilustração do livro mostra um nativo e primitivo habitante das terras da Baía de Guanabara.
Os Primeiros Navegantes Portugueses | 1502
O primeiro navegante a chegar às aguas da Guanabara, foi Gaspar Lemos que havia vindo ao Brasil em 1500 comandando uma das naves da frota de Pedro Alváres Cabral. Após a chegada em 1500 voltou a Portugal com uma carta comunicando a descoberta. Em 1501, partiu novamente de Portugal em viagem exploratória ao Brasil, juntamente com Américo Vespúcio. Navegou pela costa brasileira, documentando e nomeando as descobertas. Chegou à Baia de Guanabara em primeiro de Janeiro 1502, e pensando tratar-se da foz de um enorme Rio, chamou o local de "Rio de Janeiro".
Provavelmente esta bela baía cercada de montanhas, não foi escolhida pelos Portugueses para os primeiros assentamentos, devido ao território adverso com muitas lagoas e talvez às altas temperaturas nas partes mais baixas e enconstadas no mar. Provavelmente, por este motivo, quando Martim Afonso de Souza, em 1534 recebeu uma capitania hereditária no início do processo de colonização, este preferiu estabelecer assentamentos mais para o Sul, na costa do Estado de São Paulo, São Vicente. Deste modo a Baía de Guanabara era parte da Capitania doada à Martim Afonso.
Assim os Portuguese que aqui estiveram nos primeiros anos da colonização do Brasil, foram os navegantes que fizeram viagens exploratórias, e também os que ancoravam suas naves para fazer abastecimento de água potável, na foz do Rio Carioca, no local onde ficava a original Praia do Flamengo. O local era chamado Aguada dos Marinheiros, e abastecia os navios que seguiam viagem rumo à São Vicente ou em direção ao Rio da Prata.
A Primeira Construção na Baía
Certamente as primeiras construções na Baía de Guanabara foram feitas pelos índios que aqui habitavam. Entretanto, em se tratando de construção feito pelo assim chamado "homem civilizado", indícios apontam no sentido de que a primeira construção em alvenaria foi uma casa construída na Praia do Flamengo.
Apesar não mais existirem evidências arqueológicas, sabe-se através da citação de antigos documentos Portugueses, que existiu uma casa chamada "Casa de Pedra", sobre a qual não se sabe com precisão de sua localização. Entretanto tudo leva a crer que ficava na Praia do Flamengo, próxima à foz do Rio Carioca.
Esta construção foi citada em documentos de concessão de sesmarias, quando da fundação da cidade. Especula-se que a tal "Casa de Pedra" tenha sido erguida por Gonçalo Coelho, navegador português que chefiou uma das primeiras expedições ao Brasil, em 1503, após o seu descobrimento. Portanto esta casa teria sido construída muito antes da Expedição e Invasão Francesa comandada por Villeganon em 1555 e consequentemente muito antes da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro por Estácio de Sá em 1565.
A casa também foi citada pelo missionário reformador francês, Jean de Lery, que inclusive residiu nesta casa que já existia no local. Lery esteve na Guanabara no tempo da invasão de Villegaignon, e teve contato amistoso como os Tupinambás.
Para sustentar a hipótese da "Casa de Pedra" construída por alguns dos primeiros exploradores Portugueses, existe a outra hipótese que atribui o nome de Carioca ao Rio Carioca em decorrencia da "Casa de Pedra".
Representação Pictórica dos Primitivos Habitantes do Brasil na Guanabara
Cultura indígena por volta da época do descobrimento do BrasilAbaixo algumas gravuras da métdade do século 16, onde aparecem os primitivos habitantes das terras brasileiras, mais especificamente os nativos da Baía da Guanabara. A fotografia de um diorama também é mostrada abaixo.
A maquete ou diorama mostrada na foto ao lado exemplifica a cultura indígina ao tempo de suas primeiras relações com o chamado "homem civilizado", à época do descobrimento do Brasil (1500) ou pouco depois, ainda no século 16.
Observe que os indíos construiam "tabas" de madeira com sistema de cobertura e paredes contínuas que parecem feitas de sapê. A aldeia esta cercada por troncos de madeira.
Uma das ócas ou "casas de índio" está representada sem a cobertura de sapés, onde pode-se ver a estrutura e notar que alguns índios estão deitados em redes.
A próxima gravura, mostrada do lado direito, é de 1550-1551, e mostra os Tupinambás como eram vistos pelos franceses, com os quais mantinham uma relação amistosa nesta época, mesmo antes da tentativa de estabelecimento da colônia "França Antártica".
Índios em gravura francesa de 1550Nesta época navios ou naus francesas navegavam nestas águas, entre Cabo Frio e Baía de Guanabara, com fins de exploração e comercializar o pau-brasil na França.
A gravura tenta mostrar os nativos ou primitivos habitantes no dia a dia, em atividades lúdicas e de lazer, assim como em atividades de trabalho.
São mostradas algumas ocas com cercas de madeira, alguns com arco e flecha caçando, são vistos alguns sobre canoas, e alguns em redes de dormir ou descançar, sendo uma delas fixada em dois troncos de árvores.
Na gravura é também mostrada uma cena de guerra, onde a batalha talvez apareça de forma um tanto fantasiosa com relação às armas usadas, onde além do arco e flecha parecem usar machado de pedra e cabo de madeira, quando na verdade usavam um "tacape" ou "borduna", uma espécide porrete esculpido em madeira.
Esta gravura fez parte de um livro comemorativo chamado "Entrada de Henrique II em Rouen", quando o Rei da França voltava de uma campanha vitoriosa contra os Ingleses. Participaram da recepção 50 índios brasileiros que foram levados à França.
Indios das terras da baía de guanabara em gravura de 1578Habitantes primitivos das terras da Baía de Gunabara | 1558
Acima representações que parecem bastante realistas. A da esquerda vem do livro de Jean de Lery, publicado em 1578, sobre sua estadia nas terras da guanabara e junto aos Tupinambás. A gravura mostra na parte de cima cenas da vida cotidiana e na parte de baixo cenas de guerra entre tribos.
A gravura da direita é do livro "Singularidades da França Antártica" do padre cartógrafo e cosmográfo André de Thevet. Na gravura aparecem os indios ou primitivos habitantes da baía em sua vida cotidia. Um nativo parece acender fogo por atrito usando uma vareta de madeira, carregando pendurado às costas o que aparenta ser frutas tropicais.
Gofinhos e Baleias
Muitos não sabem que em tempos passados, golfinhos e baleias eram parte da paisagem da Baía de Guanabara. Mas nem tudo era festa, pelo menos para as baleias. Após a fundação da Cidade do Rio de Janeiro e com sua decorrente prosperidade e crescimento, a pesca de baleias foi de fundamental importância para a econômia dos tempos coloniais. Nesta época existiram muitas industrias de pesca de baleia, as chamadas "armações". O óleo de baleia era parte integrante da mistura contida no concreto usado no assentamento de pedras e alvenaria das antigas construções e fortificações.
Assim, com o desenvolvimento da cidade, tanto faziam parte da paisagem da Baía de Guanabara, as baleias assim como os barcos de pescas e as armações que se localizavam em praias mais distantes do centro da cidade.
Referencias e Fontes:
  • Consulta à diversos livros sobre a história e iconografia da Cidade do Rio de Janeiro para dar suporte à criação desta página.

Fonte: http://www.riodejaneiroaqui.com

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Presidente do CPC/RN visita o Memorial dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. "Precisamos ajudar a preservar URGENTE!"

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IPN - INSTITUO DE PESQUISA E MEMÓRIA PRETOS NOVOS - "A SAGA DOS PRETOS NOVOS" RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL
"[...] um ato de reverência e respeito aos milhares de negros recém-chegados à colônia, mortos ou doentes devido aos maus tratos durante a travessia do Atlântico."
O Memorial dos Pretos Novos é parte integrante do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos - IPN que tem por finalidade a reflexão sobre a escravidão no Brasil, assim como o desenvolvimento de projetos educativos e de pesquisa para a preservação da memória dos  Pretos Novos.
Pretos Novos era o nome dado aos cativos recém-chegados da África e desembarcados no Rio de Janeiro, em meados do século XIX, em uma área da cidade chamada, então, de Pequena África. Neste local, hoje a zona portuária da Gamboa, ficava o mercado de venda dos negros cativos.
O memorial é um sítio arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos que funcionou no local, entre os anos de 1769 e 1830, um ato de reverência e respeito aos milhares de negros recém-chegados à colônia, mortos ou doentes devido aos maus tratos durante a travessia do Atlântico.
Estima-se que ali tenham sido depositados, em valas coletivas, os corpos de 20 a 30 mil negros, muito embora estes números não façam parte dos registros oficiais.
Com a proibição do tráfico negreiro, o cemitério foi fechado e a memória de sua existência sepultada em razão dos sucessivos aterros ocorridos na região, assim como ao apagamento de parte importante da história da escravidão na cidade do Rio de Janeiro.
O Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos - IPN, Museu Memorial, tornou-se um dos mais novos Pontos de Cultura do Rio de Janeiro, graças ao “Projeto Memorial Pretos Novos: Resgatar a memória de um povo é preservar a cultura de um país”. 

Um local de preservação da memória e fonte documental

O Memorial dos Pretos Novos é o resultado do trabalho conjunto de historiadores e de arqueólogos com base nas ossadas e nos vários artefatos encontrados no local durante a primeira escavação, realizada com o objetivo de delimitar a extensão do Cemitério dos Pretos Novos.
Ao todo, foram encontradas 28 ossadas, com predomínio do sexo masculino entre 18 a 25 anos. Eram pedaços de crânio, de costela, dentes, mandíbula, nenhuma peça completa, o que demonstra que se tratava de um cemitério com covas, onde os corpos eram simplesmente jogados uns sobre os outros.
Se as ossadas revelam os sinais da brutalidade e do desrespeito com que esses negros eram tratados, os vários artefatos também encontrados como pontas de lança, argolas, colares, contas de vidro; artefatos de barro, porcelanas, conchas, ostras e vestígios de fogueira surgem como importantes fontes documentais, não apenas dos costumes e do cotidiano do Rio de Janeiro oitocentista, mas de que, há três ou quatro mil anos, o local também fora uma região sambaquieira, 
Pirâmides de vidro, inauguradas em 2012 com uma manifestação religiosa com a presença de mães de santo, protegem e dão visibilidade aos achados arqueológicos depositados nos locais de escavações. 
A Galeria Pretos Novos apresenta exposições temporárias de arte contemporânea.A Biblioteca Pretos Novos, inaugurada em novembro de 2012, conta com cerca de 600 títulos dedicados à cultura, à história e às artes afro brasileiras e indígenas.
Fonte: IPN - A SAGA DOS PRETOS NOVOS
  Documentários - Memorial dos Pretos Novos - RIO DE JANEIRO
 Documentários - Memorial dos Pretos Novos - RIO DE JANEIRO

 Cemitério dos Pretos Novos, hoje é o Memorial dos Pretos Novos
  Eduardo Vasconcelos - CPC/RN mostrando o livreto da A SAGA DOS PRETOS NOVOS
 Eduardo Vasconcelos - CPC/RN mostrando o livreto da A SAGA DOS PRETOS NOVOS
 RECONHECIDO PELA UNESCO
 Eduardo Vasconcelos - CPC/RN entrevistando Antonio Carlos - IPN

 Local onde os navios "desembarcavam os escravos"
 
"Estive hoje (01/09/2017) na parte da tarde no Instituto de Pesquisa e Memória PRETOS NOVOS no Rio de Janeiro - A SAGA DOS PRETOS NOVOS. Foi um momento único. Ao chegar conheci o Antonio Carlos, fundador e secretário geral do IPN. Uma pessoa dedicada e determinada a continuar na luta a pesar de todas as dificuldades que o instituto enfrenta, por falta de apoio necessário para tocar o IPN como deve ser tocado.
Aproveitei para entrevistá-lo e ele foi muito objetivo e claro! É necessário que o Governo de um modo geral reconheça a instituição como deve ser reconhecida, ou seja, uma instituição séria e dedicado em preservar as origens e acultura do negro, ou melhor dos nossos irmãos africanos, como também os nossos irmãos índios TUPINAMBÁS, esses antes dos portugueses chegarem ao Brasil, eles aqui já estavam, eles sim, é que são os verdadeiros habitantes e donos do BRASIL!
Quanto A Saga dos Pretos Novos façamos um apelo as autoridades, sejam elas o governo do Rio de Janeiro ou o Governo Brasileiro, que cumpram com seus princípios constitucionais e apoiem o INSTITUTO DE PESQUISA E MEMÓRIA PRETOS VELHOS, a menos que tenham em mente a ideia de querer que o nosso povo esqueça suas origens.  Com a palavra a Governo.
Se for ao RIO DE JANEIRO, conheça o Memorial dos Pretos Novos! Fica localizado na Rua Pedro Ernesto, 32/34 - Gaboa - Região Portuária - RIO DE JANEIRO. Fones (21) 2516 7089/7835-4438 e se for possível ajude-o!
LEMBRANDO!
O IPN (A Saga dos Pretos Novos) foram RECONHECIDO PELO UNESCO!
APOIO: CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN

Reportagem sobre o IPN e o Cais do Valongo-Miriam Leitão-"A SAGA DOS PRETOS VELHOS-RIO DE JANEIRO"

UNEGRO RUMO AOS 30 ANOS DE LUTA PELA POPULAÇÃO NEGRA


Movimento de lutas e conquistas
Entretanto, ao contrário dos países que adotaram sistemas explícitos de segregação racial, como a África do Sul na época do apartheid e algumas regiões dos Estados Unidos; o Brasil, por uma série de motivos históricos e sociais, tem um racismo camuflado, subterrâneo e dissimulado, além de, em geral, ser negado pela maior parte da sua população. O racismo age como um agente invisível que vai determinando futuros de jovens, perspectivas de ascensão social para trabalhadores, longevidade para adultos e graus de dificuldade para projetos pessoais. De acordo com origens étnicas, pessoas têm chances diferentes e graus de dificuldades distintos nas construções de suas vidas. Por esta razão, a estratificação social do país interage diretamente com a questão étnica. 

'As trajetórias dos movimentos sociais negros brasileiros têm sido marcadas por um processo histórico de resistências e de lutas em defesa do direito à diferença étnica e, ainda, pela implementação de políticas públicas voltadas à garantia dos princípios da reparação, do reconhecimento e da valorização do população negra brasileira". 


O debate da necessidade de pensar a luta de classe e a luta anti-racismo influenciou a formação do pensamento das lideranças negras brasileiras na pensar de uma entidade ainda na década de 1970, que na resistência e na luta vem contribuindo para desconstruir os mitos fundantes do racismo: mito da inferioridade, do embranquecimento e da discriminação racial sentida pelos negr@s das décadas de 1970 e 1980, ao colocarem em suas agendas as denúncias de racismo institucional, de racismo à moda brasileira e da farsa da democracia racial, demarcaram um campo de força política imprescindível na conquista por direitos civis, políticos e materiais. Apesar do período de repressão militar, principalmente contra os comunistas "principalmente os negr@s" surgiu em todo pais contra o Racismo – uma reação à ideologia dos militares que apregoavam e sustentavam a existência da democracia racial no Brasil...Recuperando a nossa noção histórica de que o racismo foi construído historicamente no Brasil pela forma predatória que as classes dominantes acumularam suas riquezas e construíram o sistema capitalista, percebemos que a população excluída socialmente da sociedade brasileira é originária do contingente de negros que, no processo de abolição gradual e controlada da escravidão no século XIX, passou da condição de escravo para cidadão marginalizado. Toda esta população, independente da tonalidade da cor da pele, é vítima direta ou indiretamente do racismo.

A identidade da elite...

. Na verdade, esta identidade que a elite constituiu continha, na sua essência, um certo grau de frustração com o fato de estarem em um país formado majoritariamente por pessoas não brancas. Por isto, em quase toda a curta história do capitalismo brasileiro, as classes dominantes brasileiras funcionaram como gerenciadoras de negócios lucrativos para a burguesia transnacional, não se importando de ocupar, neste projeto de desenvolvimento associado, um lugar não hegemônico.Mas deixemos de lado a identidade da elite. E a identidade da população excluída, originária dos escravos libertos em 1888? Primeiramente,
a identidade desta população foi construída pelo seu opressor: era um grupo diferenciado pela classe dominante por ser negro, bárbaro, não civilizado, não cristão. Diante disto, a estratégia de luta pela emancipação deste segmento pode variar desde uma construção de identidade dentro dos referenciais oferecidos pelas classes dominantes, ou seja, dentro dos marcos de um grupo diferenciado, ou então a partir de um pressuposto novo, de reconstrução da sua identidade enquanto classe explorada e com perspectiva de superar a condição de explorado, o que significa atuar como um grupo específico. Não consideramos estas duas perspectivas estratégicas como estanques, mas dialeticamente como processos de construção de uma identidade. É evidente que, historicamente, percebemos que o movimento negro transita entre uma e outra posição, porém o que nos interessa aqui é apontar perspectivas de superação do racismo.

 União de Negros Pela Igualdade - "entidade politica racial".

Este corte político é importante para definirmos os parceiros estratégicos na luta contra o racismo brasileiro: os movimentos sociais de um modo geral, que representem o conjunto de proletários que sejam direta ou indiretamente vitimados pelo projeto neoliberal. Para tal, entendemos que é necessário a construção de formações simbólicas que retomem os ideais de espaço público, universalidade de direitos, respeito às diferenças, igualdade social hoje relativizados com o predomínio da ideologia da sociedade de consumo.

O DNA da UNEGRO.

O projeto Negro Cidadão, de luta se desenvolveu o caldeirão onde foi fundado a UNEGROparticipou ativamente de várias ações do Movimento Negro Brasileiro e do Movimento Popular, "desde sua fundação, em julho de 1988", na cidade de Salvador / Ba, em pleno processo de redemocratização do país, depois de três longos anos de intensos debates e tem por objetivo precípuo o combate ao racismo e toda forma de discriminação e opressão social e sua luta esta marcada pela defesa da vida, cidadania e igualdade de oportunidades para a maioria da população brasileira. sua intensa participação e formulação de propostas que contribuiu para que hoje surgia uma nova perspectiva na condução da luta antirracista no Brasil. Sob influência do professor Clóvis Moura, respeitado e pioneiro pesquisador do tema, a entidade rompeu com o entendimento predominante de que racismo era um fenômeno isolado de separação de entre negros e brancos sejam assumidos como algo importante a serem superados pelo Estado Brasileiro.Ao contestar a visão reducionista do movimento negro – e também da esquerda -, a Unegro propôs entrelaçar às questões de raça uma concepção de classe. Formou, assim, a base que conduziria a atuação da entidade dali pra frente – depois, foi incluída também a questão de gênero. O momento da criação foi propício, dadas as condições favoráveis do novo cenário político, marcado pelo fim da ditadura militar 

(1964-1985) e pelo início do processo de redemocratização do país. Ainda assim, a criação da Unegro não se deu sem resistências.O primeiro desafio da entidade foi interno. O rompimento com a lógica proposta pelo movimento negro da Bahia, até então muito caracterizado pelas atividades culturais, com a atuação dos blocos afros de carnaval, não foi de todo pacífico. A Unegro defendia um enfrentamento mais ‘rebelde’ do racismo. O negro não quer só tocar tambor”era uma das frases apresentadas pela nova corrente. Em relação à esquerda, a entidade contrariou o entendimento de que era preciso esperar as transformações sociais acontecerem para se conquistar a igualdade racial. Propunha uma luta concomitante.

“A Unegro levou para setores vastos a importância de lutar contra o racismo hoje e não esperar as transformações da sociedade. Antes, achava-se que o racismo era uma questão a ser resolvida com a questão de classe. Existiu uma certa discriminação, mas, à medida que a Unegro começou a desenvolver suas lutas e estar ao lado das entidades do movimento, foi conseguindo espaço. Mas foi um processo longo”, contou Antônio Carmo, fundador e 1º Coordenador geral da entidade.

O segundo desafio foi externo e estava relacionado à disseminação, naquele período de abertura política, da ideia de que havia uma democracia racial no Brasil. A defesa da Unegro é de que o racismo era muito mais profundo do que se supunha e que estava enraizado na sociedade brasileira. Mirou-se na acadêmica, antro de brancos, para deixar um recado: o negro não quer mais ser apenas o objeto de estudo; o negro quer produzir estudo. Nivaldino Félix, também um dos fundadores, explicou que os anseios por uma ‘rebelião’ no modo do negro estar na sociedade já eram latentes muito antes de 1988, ano da criação da 
Unegro. Lembrou de uma atividade considerada fundamental em que ele, Valdir Estrela e Leo Ornellas (também fundadores da Unegro), que formavam um grupo informal de negros no bairro de Nordeste de Amaralina, participaram no município de Uberaba (MG), em 1985. Era um encontro proposto pelo prefeito da cidade, Wagner Nascimento, que era negro, com lideranças negras e o então presidente da República, José Sarney.

Em Minas, os três baianos participaram de discussões sobre a importância da ascensão da população negra e da inserção nos espaços de Poder, como forma de garantir um olhar mais sensível para a luta contra a desigualdade. Wagner Nascimento era uma das grandes referências, pois entrou para a História como o segundo prefeito negro do Brasil. Na volta, o trio estava embebido pelo desejo de transformação social e encontrou novos parceiros para a organização de um grupo mais sólido e formal, como Antônio Carmo.


A escolha do nome foi feita democraticamente e traduz, segundo Antônio Carmo, as bases que compõem a entidade. A ‘União de Negros’ está relacionado à luta racial e ‘pela Igualdade’ se refere ao ideal socialistaNivaldino lembra que a primeira atividade, 

após a criação, aconteceu também na Biblioteca Pública dos Barris e se tratava de um debate sobre o negro e as crianças abandonadas nas periferias. Disse que foi um sucesso. “Foi muita gente ouvir as nossas propostas”, contou.

As primeiras tarefas, ainda de acordo com Nivaldino, estavam concentradas no esforço de 
ampliar os debates sobre o racismo, principalmente, nos bairros populares de Salvador. Foram criados núcleos nas comunidades da Liberdade, Nordeste de Amaralina e Cosme de Farias. “Nós construímos a entidade dentro das comunidades. A gente precisava fazer uma discussão diferenciada e levar para a negrada”, acrescentou Nivaldino.

Antônio Carmo explicou que o objetivo, naquele primeiro momento, era atuar em conjunto e de maneira mais ampla. “O grande esforço foi tirar o movimento negro do gueto, pois ficava preso em estereótipos e dogmas que atrasavam muito a luta da discriminação”. Ao analisar a história da Unegro, disse que muitas vitórias foram alcançadas em relação a esse objetivo, mas que ainda muito é preciso fazer pela mobilização do povo negro.

Pouco mais de um ano após a criação, em setembro de 1989, a Unegro apresentou, em parceria com o Olodum e com a APLB-Sindicato, uma emenda popular à Assembleia Estadual Constituinte, que propunha incluir no documento um capítulo relacionado à discriminação racial. Dos quatro artigos sugeridos, três foram aprovados pelos constituintes. Uma vitória significativa para a entidade recém-criada, que consegue, de fato, o respeito entre o movimento negro e a esquerda.

A organização completa 29 anos em 2017, forjados na batalha incessante contra o racismo, as desigualdades de gênero e de classe social. É uma organização cuja trajetória não se perde um instante na defesa do exercício pleno da cidadania pela população negra brasileira, compromisso firmemente concatenado com o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Esta convicção política sustenta as raízes do nosso crescimento, respeitabilidade e aliança com amplos setores progressistas da sociedade, com o firme propósito de construção de uma sociedade, livre, justa e solidária .

São Objetivos da UNEGRO:

Lutar contra o racismo em todas as suas formas de expressão;
Empenhar-se na preservação e desenvolvimento da cultura negra;
Defender o livre direito de escolha da orientação sexual dos homens e mulheres negras;
Defender os direitos culturais da população negra;
Externar solidariedade e apoio à luta dos povos africanos e povos oprimidos de todo o mundo;
Lutar pelo exercício da cidadania em todos os setores da vida social do país;
Defender de uma sociedade justa, fraterna, sem exploração de classe, de raça ou baseada na exploração entre os sexos.

Para a UNEGRO que, ao lado de outras organizações, lutou pela aprovação da Lei 10.639/03, pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e acompanhou todas as etapas do julgamento das cotas no STF, conquistando o veredicto de aprovação unanime do Sistema de Cotas, promover palestras, seminários, debates, em universidades, escolas públicas e particulares, bairros populares e outros espaços em que seus representantes venham a ser convidados para desenvolver a luta contra o racismo é contribuir com a formação de novas consciências antirracistas.”

Por hora a unegro conclui-se que os negros brasileiros ainda têm muitas lutas pela frente. São muitas reivindicações a serem conquistadas e movimento negro por se unir cada dia mais
vem assegurando seus direitos. A igualdade de oportunidades iguais é garantir as políticas públicas como cotas por exemplo e as ações afirmativas públicas e privadas. 
A luta contra a discriminação é constante e a população negra deve sempre se manter unida na luta para continuar a ampliar gradativamente e perpetuar nossos direitos deixando de ser cidadão de segunda classe.

A UNEGRO-RJ Realizou o seu  VI Congresso do estado do Rio de Janeiro, nos dias 19 e 20 de Agosto de 2017 na cidade do Rio de Janeiro , onde foi debatido os eixos das bandeiras e trincheiras do próximo quadriênio da entidade no estado...

REBELE-SE CONTRA O RACISMO!
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte:Jeronimo(ex diretor da unegro)\Edson França (vice presidente da unegro)claudia Vitalino(secretaria geral da unegro)

O mito da preguiça baiana, trabalho e racismo

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Certos baianos, quando são chamados de preguiçosos, tomam até como elogio. Dorival Caymmi e Gilberto Gil, por exemplo, assumiram com galhardia a malemolência que lhes é atribuída. A proverbial preguiça, argumentam, é um traço de identidade cultural da Bahia, expressão de um modo de vida em que o trabalho não precisa opor-se ao lazer. Segundo a tese O mito da preguiça baiana, defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 1998 pela antropóloga Elisete Zanlorenzi, a origem desse estereótipo nada tem de benigno. Foi engendrado pela elite da Bahia com o objetivo de depreciar os negros, a maioria esmagadora da população local. Isso remonta aos tempos da escravidão e ganhou fôlego em reação à Lei Áurea. Defendida em 1998, a tese teve repercussão dentro e fora do ambiente acadêmico, mas só agora será publicada na forma de livro, com lançamento programado para o final do ano.
A obra sustenta que a vida tranqüila e a famosa aversão ao trabalho atribuídas aos baianos não têm base na realidade. Elisete foi pesquisar, por exemplo, a relação entre o calendário de festas na Bahia e o comparecimento ao trabalho. Fez descobertas curiosas. Uma empresa com sede no Pólo Petroquímico de Camaçari, a 41 quilômetros de Salvador, registrou menos faltas de funcionários durante o Carnaval de 1994 do que sua filial de São Paulo. Outro dado eloqüente: no final dos anos 1980, entre as pessoas ocupadas na Região Metropolitana de Salvador, 50,4% trabalhavam mais de 48 horas semanais e 35,8% de 38 a 47 horas por semana. Não trabalham mais provavelmente porque não há mais trabalho. Entre as seis maiores regiões metropolitanas do país, Salvador é recordista em desemprego e em trabalho informal, fenômeno que atinge, com vigor especial, os 80% da população que são afro-descendentes.
De acordo com a antropóloga, a ladeira da Preguiça, no centro de Salvador, é símbolo do preconceito. Nos tempos da escravidão, e também depois dela, quem reclamava da íngreme travessia, carregando nas costas as mercadorias desembarcadas no porto, eram os negros – “preguiçosos” na visão desdenhosa dos brancos que, das janelas de seus sobrados, gritavam: “Sobe, preguiça!”. A intensa imigração nordestina nos últimos 50 anos fez o racismo vicejar no Sul e no Sudeste. Fora da Bahia, o termo “baiano”, segundo o Dicionário Houaiss, significa tolo, negro, mulato, ignorante e fanfarrão. E se refere a trabalhadores desqualificados oriundos de todos os estados do Nordeste. Como a estrada que conduziu o êxodo foi a Rio-Bahia, os imigrantes nordestinos foram em São Paulo e na região Sul indistintamente chamados de “baianos” – assim como muitos norte-americanos, desinteressados sobre o que acontece ao sul do Equador, confundem a capital do Brasil com Buenos Aires. “Depreciar os imigrantes nordestinos como preguiçosos era uma forma de excluí-los”, diz Elisete. Ela aponta dois grandes motores do preconceito: o descaso do governo com a capacitação dessa força de trabalho e a intolerância dos imigrantes europeus, que não queriam ser equiparados aos brasileiros pobres com quem disputavam o mercado de trabalho e o espaço urbano.
A tese de Elisete Zanlorenzi, professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, é mais festejada do que conhecida – daí a importância de sua publicação. Ela repercutiu bastante no final dos anos 1990. Até hoje resumos circulam em correntes na Internet, propagadas provavelmente por baianos briosos. Os textos de alguns e-mails foram reforçados com dados que nem sequer constam da tese, numa curiosa anônima colaboração com a pesquisa. “Há dados e até declarações entre aspas que não são minhas”, diz Elisete. “Todos os meses recebo e-mails de pesquisadores interessados em estudar o tema, por isso decidi cuidar da publicação”, diz. O sociólogo Octavio Ianni (1925-2004) – que participou da banca examinadora em 1998 – apontou, à época, a principal contribuição do trabalho: sugerir a atribuição de preguiça como uma forma sutil e escamoteada – porque risível e folclorizada – de racismo.
Descendente de italianos e alemães, a paulista Elisete mudou-se para o Nordeste no final dos anos 1970 e viveu em Salvador entre os anos de 1980 e 1984. Na capital baiana desenvolveu sua dissertação de mestrado, sobre o movimento popular do bairro do Calabar, uma antiga invasão de 8 mil habitantes que a especulação imobiliária tentava, em vão, banir de uma região nobre da cidade. Foi nessa época que o preconceito embutido na questão da preguiça lhe chamou a atenção pela primeira vez. Numa tarde de domingo, ficou impressionada com o que viu numa festa freqüentada por gente da elite de Salvador, políticos, advogados e empresários. “Eles começaram a reclamar da preguiça dos empregados negros, enquanto eram servidos por eles. Os negros eram os únicos que estavam trabalhando ali”, lembra.
Candomblé
Ela foi levantar as razões históricas do fenômeno. “Nem a Abolição da escravatura nem a industrialização foram capazes de inserir grandes contingentes afro-descendentes de Salvador no mercado de trabalho formal”, diz a antropóloga. Até recentemente, os negros permaneceram alijados dos melhores empregos e das atividades mais bem remuneradas da Bahia. Trabalhavam, em sua maioria, no mercado informal, a exemplo do pequeno comércio, da prestação de serviços, de atividades desqualificadas. “Salvador vivia mergulhada em relações tradicionais e muitos de seus bairros tinham vida quase independente”, afirma. Isso só começou a mudar a partir dos anos 1960, com a instalação do Centro Industrial de Aratu e, mais acentuadamente, nos anos 1970 com a instalação do Pólo Petroquímico de Camaçari, que absorveu a mão-de-obra local, ajudando a forjar uma pioneira classe média afro-brasileira. “Mas a visão capitalista sobre o valor do tempo e o significado do trabalho, estampada na imagem do tempo é dinheiro, não conseguiu modificar as relações cotidianas nem retirar dos espaços das relações de trabalho uma dosagem de afetividade”, afirma a antropóloga.
Paralelamente, tomou corpo a face simpática da preguiça. Ary Barroso e Dorival Caymmi, ao descreverem uma Salvador das primeiras décadas do século 20, ajudaram a construir uma imagem exótica e paradisíaca, que ganhou o mundo no filme Você já foi à Bahia? (1945), de Walt Disney. Não era uma imagem inventada. O valor que o tempo e o trabalho têm para os baianos, diz a tese, é fortemente influenciado pelo candomblé. “As obrigações, na filosofia do candomblé, são algo que se escolhe, que não se faz forçado”, afirma Elisete. “No fundo, vem da tradição africana o conceito de que o trabalho não é o foco principal da vida, que trabalho e lazer não se opõem. O que não significa que as pessoas não trabalhem. Ao contrário, trabalham muito, mas sem colocarem o trabalho como objetivo central da existência e cuidando muito das relações que ocorrem fora da esfera do trabalho”, comenta.
A tese se debruça sobre o conceito de tempo na Bahia. Afirma que, embora as relações formais sejam pautadas pelo relógio, ou seja, respondam à lógica capitalista do tempo, as relações informais seguem um tempo maleável. “Muitas pessoas em Salvador não usam relógio”, observa Elisete. “Esse fato poderia ser justificado pelo baixo poder aquisitivo da população, mas a questão vai além desse aspecto, porque não é um bem que custe caro. Se fosse imprescindível, o relógio certamente seria mais usado.” Entre um encontro e outro, observa a tese, pode ocorrer um terceiro, e as pessoas que marcaram o encontro sabem que a rigidez dos horários está exposta ao imprevisto. “O que a mentalidade utilitária e rígida concebe como atraso, na visão afro-descendente baiana aparece como uma possibilidade de ocorrência”, afirma a antropóloga.
A cigarra e a formiga
O estudo é pontilhado por entrevistas com personagens da Bahia, como João Jorge, diretor do grupo Olodum, Vovô, diretor do Ilê-Ayê, Normando, diretor do Centro de Cultura Popular, e Júlio Braga, antropólogo da Universidade Federal da Bahia. “Todos afirmaram que o trabalho é uma esfera importante da vida, mas que a vida não se resume ao trabalho, já que o lazer, a família e os amigos são importantes”, lembra Elisete. “Normando disse que a fábula da cigarra e da formiga é uma invenção da mentalidade ocidental, sem nenhum vínculo com a matriz africana.”
Como ninguém, o compositor Dorival Caymmi encarnou a imagem do baiano malemolente. Não há dúvidas de que seu temperamento tranqüilo e maroto condiz com a imagem – daí a chamá-lo de preguiçoso vai uma distância imensa. “Ele sempre acordou cedo e, mesmo quando trabalhava à noite, fazia questão de sentar-se à mesa do café da manhã com os filhos”, diz a biógrafa e neta do compositor, Stella Caymmi. Forjou mais de uma centena de canções, foi um batalhador pela legislação dos direitos autorais, mas gostava de cultivar a fama de preguiçoso. Para recusar compromissos que não tinha tempo para prestigiar, respondia simplesmente que não podia ir porque era preguiçoso. Numa das primeiras propagandas de que fez, de um rum, em 1957, Caymmi já aparecia tocando violão aboletado numa rede. Nada mais falso. Caymmi, conta a neta Stella, nunca gostou de redes. Apreciava, isso sim, cadeiras de balanço.
Especiaria
Os tropicalistas Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil incorporariam, mais tarde, a imagem da preguiça baiana. “Era um jeito de dizer que eram diferentes, que não pertenciam àquele mundo urbano aonde estavam chegando”, diz Elisete. Entrevistado pela pesquisadora, Gilberto Gil explicou: “A preguiça é uma especiaria que a Bahia oferece ao Brasil. A preguiça produz de forma inusitada, ela produz benefícios inimagináveis. Ela vence os obstáculos pela capacidade de contorná-los e não de atravessá-los diretamente… é a água, é o feminino, é o obscuro. Eu sou adepto dessa visão, porque isso é a salvação do mundo”. Gilberto Gil, diga-se, nunca teve vida mansa. Quando se mudou para São Paulo, no início dos anos 1960, trabalhava numa empresa de dia e cantava à noite. Hoje, aos 62 anos, concilia os compromissos de ministro com a agenda de shows.
A indústria do turismo aprendeu a explorar esse filão para atrair multidões de estressados de todos os cantos do país. Quer descansar, vá à Bahia, a terra onde a festa nunca termina e ninguém se preocupa com o relógio. Isso começou nos anos 1960. Foi nessa época que a capital baiana passou por uma grande cirurgia urbana, com o objetivo de incrementar o turismo – e se descobriu que o mito da preguiça tinha apelo delicioso para os forasteiros. Desde então os baianos trabalham duro para criar uma ilusão capaz de entreter milhares de incautos. A ilusão de que, naquelas paragens, ninguém gosta de trabalhar.
Esta matéria foi publicada na revista Revista Fapesp nº 103