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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Contos africanos:Os dois reis de Gondar


Os dois reis de Gondar
(Etiópia)
Era um dia como os de outrora… e um pobre camponês,tão pobre que tinha apenas a pele asobre os ossos e três galinhas que ciscavam lguns grãos deteff que encontravam pela terra poeirenta, estava sentado na entrada da sua velha cabana como todo fim detarde. De repente, viu chegar um caçador montado a cavalo. O caçador se aproximou, desmontou, cumprimentou-o e disse - Eu me perdi pela montanha e estou procurando ode Gondar.

— Gondar? Fica a dois dias daqui — respondeu o camponês. — O sol já está se pondo e seria mais sensato se você passasse a noite aqui e partisse de manhã cedo.
O camponês pegou uma das suas três galinhas, matou-a,cozinhou-a no fogão a lenha e preparou um bomjantar, que ofereceu ao caçador. Depois de comerem os
dois juntos sem falar muito, o camponês ofereceu sua cama ao caçador e foi dormir no chão ao lado do fogo.
No dia seguinte bem cedo, quando o caçador acordou,
o camponês explicou-lhe como teria que fazer para chegar
a Gondar:
— Você tem que se enfiar no bosque até encontrar um rio, e deve atravessá-lo com seu cavalo com muito cuidado para não passar pela parte mais funda. Depois tem que seguir por um caminho à beira de um precipício até chegar a uma estrada mais larga…
O caçador, que ouvia com atenção, disse:
— Acho que vou me perder de novo. Não conheço esta região… Você me acompanharia até Gondar? Poderia montar no cavalo, na minha garupa.
— Está certo — disse o camponês —, mas com uma
condição. Quando a gente chegar, gostaria de conhecer o
rei, eu nunca o vi.

— Você irá vê-lo, prometo.
O camponês fechou a porta da sua cabana, montou na garupa do caçador e começaram o trajeto. Passaram horas e horas atravessando montanhas e bosques, e mais uma noite
inteira. Quando iam por caminhos sem sombra, o camponês abria seu grande guarda-chuva


preto, e os dois se protegiam do sol. E quando por fim viram a cidade de Gondar
no horizonte, o camponês perguntou ao caçador:
— E como é que se reconhece um rei?
— Não se preocupe, é muito fácil: quando todo mundo faz a mesma coisa, o rei é aquele que faz outra, diferente.
Observe bem as pessoas à sua volta e você o reconhecerá. Pouco depois, os dois homens chegaram à cidade e o caçador tomou o caminho do palácio. Havia um monte
de gente diante da porta, falando e contando histórias, até que, ao verem os dois homens a cavalo, se afastaram da porta e se ajoelharam à sua passagem. O camponês
não entendia nada. Todos estavam ajoelhados, exceto ele e o caçador, que iam a cavalo.
— Onde será que está o rei? — perguntou o camponês.
— Não o estou vendo!

— Agora vamos entrar no palácio e você o verá, garanto! E os dois homens entraram a cavalo dentro do palácio. O camponês estava inquieto. De longe via uma fila de pessoas e de guardas também a cavalo que os esperavam na entrada. Quando passaram na frente deles, os guardas desmontaram e somente os dois continuaram em cima do cavalo. O camponês começou a ficar nervoso:
— Você me falou que quando todo mundo faz a mesma
coisa… Mas onde está o rei?
— Paciência! Você já vai reconhecê-lo! É só lembrar que, quando todos fazem a mesma coisa, o rei faz outra.
Os dois homens desmontaram do cavalo e entraram numa sala imensa do palácio. Todos os nobres, os cortesãos e os conselheiros reais tiraram o chapéu ao vê-los.
Todos estavam sem chapéu, exceto o caçador e o camponês, que tampouco entendia para que servia andar de chapéu dentro de um palácio. O camponês chegou perto do caçador e murmurou:
— Não o estou vendo!
— Não seja impaciente, você vai acabar reconhecendo-o! Venha sentar comigo.
E os dois homens se instalaram num grande sofá muito confortável. Todo mundo ficou em


pé à sua volta. O camponês estava cada vez mais inquieto. Observou bem
tudo o que via, aproximou-se do caçador e perguntou:
— Quem é o rei? Você ou eu?
O caçador começou a rir e disse:
— Eu sou o rei, mas você também é um rei, porque sabe acolher um estrangeiro!
E o caçador e o camponês ficaram amigos por muitos e muitos anos...

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:https://nuvemdehistorias.wordpress.com/

Museu Paranaense promove o lançamento de cinco livros de história do Paraná

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Hoje, dia 19 de dezembro o Museu Paranaense (MP) promove o lançamento de cinco livros das coleções Teses do Museu Paranaense e Histórias do Paraná. O evento começa às 17h no auditório Loureiro Fernandes. A entrada é gratuita.
O diretor do Museu Paranaense, Renato Carneiro Jr. explica que o museu tem como missão a preservação, divulgação da história, da cultura e do patrimônio do Paraná. “A publicação de livros aumenta bastante a possibilidade de que mais pessoas visualizem elementos da nossa história e conheçam a fundo alguns desses temas. Para o museu também é muito importante permanecer no cenário científico nacional e internacional com publicações deste nível, tanto da coleção Teses do Museu Paranaense quanto da nova coleção Histórias do Paraná, em convênio com o Departamento de História da Universidade Federal do Paraná”.
Da coleção Teses do Museu Paranaense será lançado o livro “Vulnerabilidade, resiliência e cultura: comunidades quilombolas no Paraná e o Varzeão”, de Jurandir Souza, sobre as comunidades de descendentes negros no Paraná. No livro é retratada a história e as condições atuais da comunidade Varzeão, localizada no município de Dr. Ulysses, interior do Estado.
Nova coleção
Organizada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) junto ao Museu Paranaense, a nova coleção Histórias do Paraná lança quatro títulos. “O Macabeu: imigração e identidade judaica no Paraná”, de Michel Ehrlich, traz uma discussão sobre os judeus no Brasil, especificamente na cidade de Curitiba. O livro procura traçar alguns dos mais importantes antecedentes para a construção da identidade moderna judaica, e descreve a chegada, adaptação e integração dos judeus no Brasil.

Na publicação “Entre sapatos e livros: a trajetória de um sapateiro na militância comunista em Paranaguá/PR – 1935 a 1964”, Thiago Possiede conta a história do sapateiro Antonio Rocha que, por meio de seus livros, atravessou continentes e travou lutas políticas. Seus hábitos de leitura ficaram tão famosos que se tornou orientador dos estudantes da cidade, auxiliando-os a fazer trabalhos acadêmicos.
No livro “Política entre razão e sentimentos: a militância dos comunistas no Paraná 1945-1947”, Cláudia Monteiro procura demonstrar as motivações compartilhadas pelos membros do Partido Comunista em seus dois anos de existência legal, tecendo uma trama muito original sobre os sentimentos de pertença a um grupo que se autodefine como responsável por uma grande causa, a revolução.
Hitler não morreu e está na América Latina, segundo o autor Marcos Meinerz no livro “Imaginário da formação do IV Reich: América Latina após a 2ª Guerra Mundial”. De acordo com Meinerz, o líder nazista e seus subordinados estariam conspirando para formar o IV Reich. A reorganização do partido nacional socialista no continente receberia a ajuda de imigrantes alemães existentes, inclusive, na pacata cidade de Marechal Cândido Rondon, no interior do Paraná.
Todas as publicações estarão disponíveis para download gratuito no site www.museuparanaense.pr.gov.br após o lançamento.
Serviço
Lançamento de livros das coleções “Teses do Museu Paranaense” e “Histórias do Paraná”
Dia 19 de dezembro de 2017 às 17h
Auditório Loureiro Fernandes
Entrada Gratuita

Museu Paranaense
Rua Kellers, 289, São Francisco. Curitiba/PR
Terça a sexta-feira das 9h às 18h
Sábado, domingo e feriado das 10h às 16h.
www.museuparanaense.pr.gov.br
(41) 3304-3300
Fonte: SEEC

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Contos africanos:O Violiono do Macaco



A fome e a necessidade de satisfazê-la forçou o macaco a abandonar a sua terra e procurar outro lugar entre estranhos para o tão necessário trabalho. Bulbos, feijões da terra, escorpiões, insetos, e estavam completamente extintas em sua própria terra. Mas, felizmente, ele recebeu, por enquanto, abrigo com um tio-avô dele, Orangotango, que morava em outra parte do país.

Quando ele tinha trabalhado durante certo tempo ele quis voltar para casa e, como recompensa seu tio deu-lhe um violino e um arco e flecha e lhe disse que com o arco e flecha, ele poderia acertar e matar qualquer coisa que ele desejasse, e com o violino ele poderia obrigar qualquer coisa a dançar.

O primeiro que ele encontrou em seu retorno para a sua terra foi o irmão lobo. Este velho companheiro disse-lhe todas as novidades e também que ele estava desde cedo tentado perseguir um cervo, mas tudo em vão.

Então macaco disse para ele todas as maravilhas do arco e flecha que ele carregava nas costas e lhe garantiu que se avistasse o cervo, ele iria acertá-lo para ele. Quando o lobo mostrou-lhe o veado, macaco estava pronto e derrubou o cervo.

Eles fizeram uma boa refeição juntos, mas em vez do lobo ser grato, o ciúme se apoderou dele e ele pediu para o arco e flecha. Quando o macaco recusou-se a lhe dar, ele usou sua força para ameaçá-lo, e assim, quando passaram pelo jacal o lobo disse que macaco tinha roubado o seu arco e flecha. O chacal tendo ouvido falar do arco e flecha, declarou-se incompetente para resolver o caso sozinho, e ele propôs que eles levassem a questão para o Tribunal do Leão, Tigre, e os outros animais. Nesse meio tempo, ele declarou que iria ficar tomando conta do que tinha sido a causa de sua discussão, de modo que seria mais seguro, como ele disse. Mas o chacal imediatamente tirou da tudo o que era comestível, e isso gerou um longo período de matança, antes que o macaco e o lobo concordassem em levar o caso para o tribunal.

As evidências do macaco era frágeis, e para piorar, o testemunho de chacal foi contra ele.

Ele pensou que desta forma seria mais fácil obter o arco e flecha para si mesmo.
E assim a sentença foi contra macaco. O roubo foi encarado como um grande crime: ele


seria enforcado.

O violino ainda estava ao seu lado, e ele recebeu como um último desejo do tribunal o direito de tocar uma música nele.

Ele era um mestre dos truques de sua época, e além disso, tinha o maravilhoso poder de sua rabeca encantada. Assim, quando ele emitiu a primeira nota do “Canto do Galo” no violino, o tribunal começou logo a mostrar uma vivacidade incomum e espontânea, e antes de terminar a primeira estrofe da valsa da velha canção toda a corte estava dançando como um redemoinho.

Mais e mais, mais rápido e mais rápido, tocou a melodia do “Canto do Galo” no violino encantado, até que alguns dos bailarinos, exaustos, caíram, embora ainda mantendo seus pés em movimento. Mas o macaco, músico como ele era, ouvi e não vui nada do que tinha acontecido à sua volta. Com a cabeça colocada carinhosamente contra o instrumento, e seus olhos meio fechados, ele tocou, mantendo a cadência com o seu pé.
O lobo foi o primeiro a gritar em tom suplicante, sem fôlego, “Por favor, pare, primo macaco! Pelo amor de Deus, por favor, pare!”
Mas o macaco nem conseguiu sequer ouvi-lo. Mais e mais a valsa “Canto do Galo” parecia irresistível.
Depois de um tempo o leão mostrou sinais de fadiga e, quando ele rodava mais uma vez com a leoa, ele rosnou quando passou do macaco, “Todo o meu reino é vosso, macaco, se você parar com essa música!”
“Eu não quero isso”, respondeu macaco “, mas retire a sentença e devolva o arco e flecha, e você, lobo, reconheça que você o roubou de mim!”

“Eu reconheço, reconheço!” gritou o lobo, e o leão no mesmo instante, chorou anulando a punição.

O macaco ainda deixou-os girando mais uma vez ao som da valsa, e depois recolheu seu


arco e flecha, e sentou-se no alto da árvore de espinhos mais próxima.

A corte e outros animais estavam com tanto medo que ele pudesse começar de novo que apressadamente correram para outras partes do mundo.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte:http://www.sacred-texts.com/afr/saft/sft05.htm

A poesia que comove

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Alexandre Simões Pilati*
A voz da lira, a voz da lírica é algo que se concretiza, definitivamente, na leitura; é também algo além dos sons, das palavras, das imagens do poema. A voz lírica é o que encontramos de vivo e real nos textos, é o que humaniza a construção literária.
Em certas poéticas, firmadas em princípios humanistas seguros, o prazer dessa descoberta é ainda maior. Este é o caso da coletânea Pé de ferro & outros poemas (Anita Garibaldi, 2017), de Adalberto Monteiro. A voz lírica de Adalberto Monteiro comove o leitor por sua honestidade, sua singeleza exigente, a disposição comunicativa e seu compromisso com o registro poéticos dos acontecimentos os mais diversos. Nesse sentido, a voz lírica desses poemas de Pé de ferro se assemelha à de um cantador de cordel, àquela dos repentistas e dos compositores populares. Entretanto, tal voz jamais resvala para o pitoresco ou para a estilização de um tom que não é o do poeta urbano, culto, comprometido com as lutas de seu tempo e consciente de seu lugar na luta de classes. A voz lírica de Adalberto Monteiro adere à vida, à matéria simples, humilhada, radiante e complexa da existência de todo dia. E o mais importante: realiza-se como voz real do mundo, sem qualquer mistificação.
O sujeito lírico de Pé de ferro & outros poemas, esse cantador urbano, olha para as coisas do cotidiano e as desvenda com a calma tranquila que apenas se constata nos sábios. Dele emana uma sabedoria serena no trato das mais variadas matérias, seja a memória, o amor, o erotismo, os fatos políticos, a cidade São Paulo, a miséria, a esperança ou a fome. Vale ressaltar, entretanto, que a sabedoria que preenche os versos de Adalberto Monteiro não é aquela de quem, petulante, acha que sabe tudo. É aquela de quem deseja saber, que sabe interrogar e que acredita que a arte é uma das mais profundas maneiras de se interpretar as relações humanas.
Talvez seja desse desejo de entender a dinâmica da vida que nasça a tendência essencial da poética de Pé de ferro & outros poemas: o olhar estruturado em função de crônica do cotidiano, em que o modo textual da descrição atravessada pela interpretação subjetiva converte-se em dominante da estrutura. Como um fino cronista de nosso tempo, Adalberto Monteiro jamais dissociará em seus versos o sentimento íntimo do olhar social, politicamente empenhado, atento a cada acontecimento que seja capaz de traduzir dinâmicas fundamentais do presente ou da História pretérita.
Para estar à altura de tal tarefa, a linguagem precisa encantar-se no comezinho. Em Pé de ferro & outros poemas, a linguagem poética precisa encontrar-se com o trivial e, portanto, precisa ser simples sem ser banal. É uma linguagem clara, pedestre, mas jamais vulgar. Sendo cotidiana, essa linguagem nunca é ordinária, uma vez que é mimese e veículo daquela sabedoria em torno da qual a voz lírica de Adalberto Monteiro se constrói, através da beleza que tem a sinceridade de alguém que, vencendo as hesitações típicas da personalidade do tímido, do retraído ou do deslocado, é capaz de se expor, de se revelar, integramente, honestamente, sinceramente.
Uma das formas utilizadas mais eficazes para requintar a expressão poética em Pé de ferro & outros poemas encontra-se na utilização de elementos naturais para traduzir estados de alma, situações sociais, movimentos da memória e as inusitadas arquiteturas do político. A natureza é um grande manancial de sentidos, onde Adalberto Monteiro recolhe forças de significado capazes de intensificar a expressão necessária a cada tema. É através da natureza, perceberá o leitor mais atento, que se constrói a quase totalidade das metáforas, das imagens, das figuras de linguagem de Pé de ferro & outros poemas. Com essa delicada força que vem da natureza e encanta a forma poética, Adalberto Monteiro enfrenta os mais difíceis assuntos, empresta dignidade e salva do esquecimento os que sofrem, os que ficaram para trás no tempo, aqueles sobre os quais a sociedade ou a intimidade não quer deixar sempre falar, relegando-os a último plano ou recalcando-os.
Fundamentalmente a poesia de Adalberto Monteiro, através desses princípios aqui aludidos apenas em linhas gerais, constrói uma voz que deseja comunicar e por isso comove, em sentido amplo. Comove porque nos incita à ação, comove porque impressiona, comove porque provoca a dureza da nossa alma, tão desacostumada a dar a atenção devida à beleza da vida. Ao nível do canto, ao nível do chão, essa poesia tem o grande mérito de ser expressão consciente de uma concepção de poesia que está traduzida em um dos textos de Pé de ferro & outros poemas: “O que será um livro de poemas senão o estuário no qual desembocam as alegrias e desgraças do mundo?” O autor sabe, como poucos, estar à altura de seu conceito de poesia, dando voz ao que nos salva e nos humilha; exprimindo poeticamente o que nos oprime e o que nos redime.
Alexandre Simões Pilati é poeta e professor de literatura da Universidade Brasília (UNB).

Os livros encaixotados em Palmeira dos Índios e o legado de Graciliano

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Palmeira dos Índios virou notícia nacional, com a divulgação, pela Controladoria Geral da União (CGU), de que mais de 13 mil livros estão encaixotados há alguns anos na Secretaria Municipal de Educação e Esportes. A cidade do interior alagoano, na primeira metade do século passado, também chamou a atenção nacional: seu então prefeito, Graciliano Ramos, havia inaugurado uma nova forma de administração, favorecendo a população desassistida de alimento e ensino.
Por Carlos Pompe*

Segundo a CGU, o fato causou um prejuízo de quase R$ 1 milhão para o programa Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). São livros para alunos, para professores, para família; cartilhas sobre drogas e sobre bulyng. O material é sobra do que foi distribuído nas 24 escolas municipais. São mais de 13 mil livros – mais do que o dobro do que o necessário para o município. O prefeito Julio Cezar (PSB) entrou com ação contra o ex-gestor, James Ribeiro (PSDB), devido ao excesso do pedido de compra.
Nessa mesma cidade, em 1926, Graciliano Ramos (34 anos), autor de Vidas Secas, São Bernardo e tantos outros clássicos da literatura brasileira, foi nomeado presidente da Junta Escolar. Fazia inspeções de surpresa. Numa das visitas, flagrou uma escola sem aula e as professoras conversando na diretoria. Ao tomar conhecimento dos motivos, mandou comprar sapatos e tecidos para a confecção de uniformes para os alunos. Escreveu em relatório às autoridades estaduais: “As escolas estão pessimamente instaladas. Cada aluno leva a sua cadeira, cada professora, a sua banca”. No final do ano seguinte, foi candidato único a prefeito e eleito. A verba nos cofres municipais mal dava para cobrir a folha de pagamento dos servidores. Cobrou os impostos com rigor e cancelou as isenções fiscais.
Administrou as finanças da Prefeitura anotando pessoalmente a finalidade do gasto, a quantia paga e o nome do beneficiado. Fez aprovar, no Conselho Municipal (Câmara de Vereadores), o Código de Posturas, regulamentando direitos e deveres dos cidadãos e do poder público. “Eis alguns: animais não poderiam andar soltos nas ruas; os comerciantes eram impedidos de açambarcar mercadorias de primeira necessidade em época de carestia; os farmacêuticos, proibidos de vender determinados remédios sem receita médica; os hoteleiros, obrigados a ter em ordem o livro de hóspedes e a afixar a tabela de preços em locais visíveis; o comércio não poderia funcionar além das 21 horas nem abrir aos feriados e fins de semana; açougueiros não poderiam vender carne de rês doente e teriam de passar a recolher impostos”, relata Dênis de Moraes na biografia O velho Graça.
Nos dois relatórios de prestações de contas que enviou, em janeiro de 1929 e de 1930, ao governador de Alagoas, Álvaro Paes, relatou: “Fiz apenas isto: extingui favores largamente concedidos a pessoas que não precisavam deles e pus termo à extorsões que afligiam os matutos de pequeno valor, ordinariamente raspados, escorchados, esbrugados pelos exatores”.
Ironizou as agruras do “pobre povo sofredor” (seriam os “coxinhas” de hoje?) nestes termos: “É uma interessante classe de contribuintes, módica em número, mas bastante forte. Pertencem a ela negociantes, proprietários, industriais, agiotas que esfolam o próximo com juros de judeu. Bem comido, bem bebido, o pobre povo sofredor quer escolas, quer luz, quer estradas, quer higiene. É exigente e resmungão. Como ninguém ignora que se não obtém de graça as coisas exigidas, cada um dos membros desta respeitável classe acha que os impostos devem ser pagos pelos outros”.
Quanto à instrução, registrou: “Instituíram-se escolas em três aldeias. Serra da Mandioca, Anum e Canafístula. O Conselho mandou subvencionar uma sociedade aqui fundada por operários, sociedade que se dedica à educação de adultos. Presumo que esses estabelecimentos são de eficiência contestável. As aspirantes a professoras revelaram, com admirável unanimidade, uma lastimosa ignorância. Escolhidas algumas delas, as escolas entraram a funcionar regularmente, como as outras. Não creio que os alunos aprendam ali grande coisa. Obterão, contudo, a habilidade precisa para ler jornais e almanaques, discutir política e decorar sonetos, passatempos acessíveis a quase todos os roceiros”.
Em março de 1930, o governador convidou-o a assumir a direção da Imprensa Oficial do Estado, em Maceió. Para atender ao pedido, renunciou em 10 de abril. Escreveu à esposa, Heloísa de Medeiros Ramos: “Para os cargos de administração municipal escolhem de preferência os imbecis e os gatunos. Eu, que não sou gatuno, que tenho na cabeça uns parafusos de menos, mas não sou imbecil, não dou para o ofício e qualquer dia renuncio”.
Na nova função, reestruturou a Imprensa Oficial e foi nomeado, em seguida, para a direção da Instrução Pública (atual Secretaria de Estado da Educação de Alagoas). Tempos bicudos. De uma população em idade escolar de 124.890 indivíduos no Estado, apenas 1.356 alunos concluíram o curso primário, naquele em 1931, e 36, o secundário. Faltavam merenda, uniforme e instalações físicas adequadas nas 47 escolas municipais e nas 327 estaduais.
Em três anos de trabalho, Graciliano reformou parte dessas escolas e iniciou a construção de novas sedes em Maceió e no interior. Chegou a triplicar o material escolar, ampliar o acesso à merenda e garantir a entrega de uniformes para as crianças. Aumentou as vagas instituindo regime de turnos e diminuiu evasão dos alunos. Até uma biblioteca foi inaugurada no grupo Diégues Júnior.
Equiparou o salário das professoras da zona rural com o da capital, instituiu concurso público obrigatório para as educadoras do ensino primário possibilitou a algumas crianças negras o ingresso na escola. “Cometi um erro”, comentou a respeito, “encontrei 20 mil crianças nas escolas e em três anos coloquei nelas 50 mil, o que produziu celeuma. E o pior é que se matricularam nos grupos da capital muitos negrinhos. Não sei bem se pratiquei outras iniquidades. É possível.”
Foi arrancado da Instrução Pública para ir para o cárcere: foi preso em sua casa e levado, de navio, para o Rio de Janeiro imputado de ser comunista pela ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas (acusação falsa – só se filiou ao Partido Comunista em 18 de agosto de 1945). Nunca foi processado e nem condenado. Dessa experiência resultou a obra prima Memórias do Cárcere. Não voltou a morar em Alagoas.
Depois de liberto, trabalhou como inspetor federal de ensino. Fiscalizou colégios em subúrbios do Rio de Janeiro. Respondeu, quando perguntado como se sentia como funcionário público: “Não escolhi ser. Mas fiz o que achei que me cabia”.
Como diz uma canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, ” o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir”.
 *Carlos Pompe é jornalista

Pagu, a atualidade de sua luta após 55 anos

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Por Alessandra Monterastelli *
Ela morreu em Santos, em 12 de dezembro de 1962, vencida pelo câncer. Em 1910, nascia: São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Ao longo de 52 anos de vida, Pagu deixou uma herança e tanto, não só pelos seus feitos no campo da escrita, da arte e da militância pelo Partido Comunista, mas também pela sua trajetória pessoal.
Começou a escrever com 15 anos, como colaboradora de um jornal de bairro em São Paulo. Celebrada como musa do movimento modernista, adere ao movimento antropofágico aos 19 anos. Conviveu com figuras como Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade (com quem se casa e tem o seu primeiro filho) e Mario de Andrade (seu professor no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo). Como jornalista escrevia sobre tudo um pouco com facilidade, publicando seus textos em diversos jornais; opinava de maneira pontual sobre política, o proletário e a sociedade. Escreveu sobre a temática LGBT, até hoje alvo de ataques por parte de conservadores: “Há meninas que nasceram errado, mas que não querem se conformar em seguir à lei da natureza. Querem continuar meninas”.
Foi correspondente de vários jornais, viajou para os Estados Unidos, Japão e União Soviética, entre outros países da Ásia e da Europa. Na França, tem contato com o escritor André Breton e outros surrealistas; entrevistou Sigmund Freud e assistiu à coroação de Pu-Yi, o último imperador chinês, e com ele conseguiu sementes de soja, que foram enviadas ao Brasil e introduzidas na economia agrícola brasileira. Em 1930 viaja para Buenos Aires para encontrar Luís Carlos Prestes, líder comunista que vivia no exilio, e acaba conhecendo o escritor Jorge Luis Borges (encontraria Prestes apenas mais tarde, em Montevidéu, no Uruguai).
Dona de caráter irreverente, não tinha medo em ser. Feminista, se dizia uma “mulher de ferro, com zonas erógenas e aparelho digestivo, isso no Brasil de 1930; a defesa da mulher pobre e a crítica ao papel conservador feminino na sociedade permearam sua vida e todas as suas obras.
Em 1931 lançava duras críticas à burguesia paulistana na coluna “A mulher do Povo”, seção batizada como contraponto ao título do jornal criado e dirigido por ela e Oswald de Andrade, O Homem do Povo. Aliás, Pagu tornou-se nesse momento também uma grande expoente dos quadrinhos, área até hoje majoritariamente masculina. Inspirada especialmente nas obras de Tarsila do Amaral (chegou, inclusive, a ilustrar a Revista de Antropofagia), fez ilustrações e tiras para cada uma das 8 publicações do Homem do Povo; entre elas, Malakabeça, Fanika e Kabelluda contam a história de um casal rico que não teve filhos e começa a morar com a sobrinha pobre, a Kabelluda, que protagoniza cenas de subversão e contestação dos valores morais da sociedade do início do século XX – criticas, aliás, que servem facilmente à sociedade atual. Como conclui Roberta AR, zienira e escritora na cena de quadrinhos independentes, as tiras de Pagu “mostram bem a veia política da autora, que não era de meias palavras”. Por fim, seu nome batizou o primeiro selo de quadrinhos feito somente por mulheres.
Malakabeça, Fanika e Kbelluda. 
Pagu entrou para o Partido Comunista em 1931, junto de Oswald, e foi morar em uma vila operária, onde trabalhou como tecelã e metalúrgica. Participou da organização de uma greve de estivadores em Santos e, na ocasião, como conta o jornalista Fernando do Valle em seu artigo “Viva Pagu”, o estivador Herculano de Souza foi morto pela polícia durante a homenagem aos operários anarquistas Sacco e Vanzetti, injustamente acusados de homicídio nos Estados Unidos e executados na cadeira elétrica. Herculano caiu nos braços de Pagu, que pediu a todos que cantassem a Internacional. Ela foi presa pela polícia de Getúlio Vargas, tornando-se a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas. Em 1935, após participar do Levante Comunista, foi detida, torturada e condenada a dois anos de prisão. Três anos mais tarde foi novamente condenada e, ao todo, foi presa 23 vezes, chegando, inclusive, a ser presa como militante comunista estrangeira quando estava na França, militando pelo partido comunista francês. Logo após a sua filiação, foi morar em uma vila operária.

Mais tarde fez suas críticas ao Partido, mas nunca deixou o idealismo de lado, sempre defendeu um socialismo pacífico e libertário e nunca deixou de lutar. O jornal que tinha com Oswald foi tomado por estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e proibido pela polícia. Em 1933, Pagu lançou seu primeiro romance, “Parque Industrial”, focado em uma narrativa urbana sobre a vida das operárias da cidade de São Paulo, e assinou a obra sob o pseudônimo de Mara Lobo. Segundo a antropológa Mariza Corrêa, o texto tem forte estilo cinematográfico e “poderia ser lido hoje como se fosse o roteiro de um vídeo”. A narrativa denuncia a suposta “moral” que exigia castidade das mulheres ao passo em que estimulava a liberdade sexual dos homens, que muitas vezes enganam e abusam das mulheres.
Ilustração: Kiddo Art, via As Mina na História 
Em 1935, se separa de Oswald de Andrade, em uma época em que o divórcio ainda era motivo de tabu e julgamentos. Mais tarde se casa com o jornalista Geraldo Ferraz e lhe dedica diversas cartas de amor.
Nos anos 40 e 50 continua sua produção jornalística, escrevendo crônicas, artigos, poemas e críticas literárias no jornal “A Tribuna” de Santos. Divulgou autores marcados pelo inconformismo e de vanguarda como Alfred Jarry, Fernando Arrabal e Samuel Beckett. Também foi pioneira na tradução de autores como Artaud e Apollinaire.
Mas, como relembra a jornalista Camila Alam, as memórias pessoais de Pagu também ganharam muita visibilidade. Na sua autobiografia, intitulada “Paixão Pagu”, a escritora revela intimidades e confissões. Nas passagens são relatadas algumas prisões, doenças e casos amorosos. “Uma personalidade fugaz e intensa, que, ao longo de seus 52 anos, revelou-se coerente, objetiva, idealista e apaixonada” finaliza Camila Alam.
“Luminosa agente subversiva de nossa modernidade”: foi assim que o poeta concretista Augusto de Campos descreveu Pagu na abertura da nova edição de “Pagu: vida-obra”, em que ele conta da contribuição da escritora também para a poesia concreta, com a publicação de diversos poemas. Em entrevista para O Globo em 2014, quando questionado do título referido à escritora de “primeira mulher nova no Brasil”, ele explica: “Por todo o seu passado revolucionário (…)nenhuma assumiu até o fim ideias tão radicais e renovadoras, nenhuma correu os riscos e sofreu o que sofreu por elas, nenhuma defendeu com tanto ardor a arte de vanguarda, nenhuma se pode comparar, em termos de atuação ética e estética, como ela”.
Pagu marcou presença: nunca deixou o espírito revolucionário adormecer, nem na arte, nem na política. Jamais se deixaria calar ou censurar por nenhum conservador ou moralista. Diante de suas enormes contribuições, vale o questionamento: como seria sua reação diante do atual momento vivido pelo Brasil?

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Sabedorias e poderes da Medicina Milenar Tradicional Africana

-“Diz o velho adágio popular que “Deus dá o mal e também dá o remédio para este mal”.

Nunca algo foi tão bem definido como este ditado. Neste trabalho procuramos, a partir de uma coletânea de ervas usadas para os Orixás dentro dos candomblés, trazer a público as suas utilizações na terapia de vários males que afligem a sociedade.

As relações da religiosidade com a saúde e os processos de cura, procurando entender as formas como os indivíduos vivenciam a doença, o sofrimento, a dor e as práticas de cura. Trata-se de pesquisa exploratória de caráter etnográfico, com observação participante em um templo religioso afro-brasileiro, localizado no Rio de Janeiro. Um efeito fundamental da religião é alterar o significado de uma doença para aquele que sofre, não implicando necessariamente remoção dos sintomas, mas mudança positiva dos significados atribuídos à doença. A religiosidade dá sentido à vida, diante do sofrimento, ao criar uma rede social de apoio. Constatamos que a prática religiosa tem complementado as práticas médicas oficiais. As informações coletadas nos permitem afirmar que as práticas religiosas se constituem em lugares de acolhimento, de cura e de saúde para aqueles que as buscam. Apontamos para a necessidade de aprofundamento de estudos dessa temática que venham a se somar enquanto possibilidades de ajuda e alternativa de "cura" às pesquisas da prática biomédica.

No Brasil -É costume nos rituais afro-brasileiros dizer-se que “sem as ervas, não existiria Orixás, e, sem Orixá, não existiriam as ervas”. O estranho encantamento que as folhas, as raízes e as ervas exercem dentro dos rituais, é assunto fascinante e desafiador para quem acredita em algo mais do que uma Aspirina. Neste trabalho, procuramos trazer ao conhecimento dos estudiosos da cultura afro-brasileira, aos médicos, fitoterapeutas, antropólogos e cientistas das diversas áreas, algumas informações preciosas que estavam ameaçadas de se perderem no tempo ou dentro de um velho baú de recordações de um antigo “candomblé” cujo terreno tenha sido desapropriado para a construção de uma mansão de um político qualquer

"Sementes, plantas, bagas, raízes, cascas, ervas. Quem nunca ouviu falar de uma receita mágica para uma dor de barriga? Uma pomada ou um chá para tratar um problema de saúde mais delicado? Em África, o segredo da medicina tradicional continua a passar de geração em geração, após milhares de anos, continuando a resolver os problemas das populações e surpreendendo os cientistas que apostam cada vez mais no seu estudo".

Por muito tempo, a medicina tradicional da África foi subestimada pela ciência ocidental. Hoje, séculos depois de descaso com as técnicas de cura africanas, pesquisadores do mundo todo começam a reconhecer a eficácia dos tratamentos desenvolvidos. Sobretudo com sistemas integrados de saúde, além de mais acessível e sustentável, a medicina tradicional tem-se provado preciosa na ajuda do combate a doenças como câncer, transtornos psiquiátricos, hipertensão arterial, vitiligo, cólera, doenças venéreas, epilepsia entre outros.
De disciplina holística que envolve fitoterapia indígena e espiritualidade, a solução da medicina tradicional, diferente da filosofia do ocidente, não busca apenas a cura e a recuperação dos sintomas físicos, mas sim um equilíbrio entre paciente, ambiente cultural e mundo energético, procurando a reinserção social e psicológica do doente dentro de sua comunidade. As práticas e experiências da medicina são sabedorias passadas de geração em 
geração, com formações sociais que implicam em lições de procedimentos de diagnóstico, recursos medicinais, preparação de receitas médicas, administração dos medicamentos e, sobretudo, treinamento teórico, prático e espiritual adequado.

A filosofia humanista empregada, muitas vezes associada à filosofia ubuntu, se afasta do ganho material. Assim, os curandeiros geralmente fornecem o serviço gratuitamente, sem exigir encargos do paciente, o que estimula um forte código de ética na prestação de serviços de saúde de uma comunidade. O profissional é assim, durante seu treinamento, preparado para ser algo além de responsável e eficiente, mas também um bom ouvinte, orgulhoso de si mesmo, de sua tradição e cultura.

Misturando métodos biomédicos, dietas e jejuns, ervas terapêuticas, banhos, massagens e pequenos procedimentos cirúrgicos, a sabedoria médica africana é a favorita de seus habitantes. Hoje, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 80% da população do continente confiam seus cuidados à medicina tradicional. Ainda, suas práticas são reconhecidas por quase todos os países do continente, sobretudo nos serviços de cuidados gerais, de parto, de saúde mental e de doenças não agudas, que vêm mostrando excelentes resultados.

Eu cuido do meu povo [...]. Eu privo da maldade, ajudo a arrumar emprego, ajudo os inocentes a saírem da cadeia, as pessoas a terem saúde, dou conselhos [...]. Há um povo que conta comigo [...]. Quanto mais o povo eleva meu nome, mais eu cresço espiritualmente. O povo tem que saber quem eu sou e o que eu faço".
A proposta das organizações adeptas à filosofia local, assim como a de alguns governos, é de cada vez mais integrar as técnicas da medicina tradicional aos sistemas de saúde nacional, unindo força das diferentes ideologias de medicina, combinando às práticas locais seja com técnicas ocidentais ou com os know-hows chineses e indianos. Para o pesquisador, Paulo 
Peter Mhame, a ação e implantação da associação dos saberes podem chamar por um futuro
brilhante. Ele explica que uma vez que a medicina tradicional e seus praticantes forem formal e explicitamente reconhecidos por todos os países seja por meio de políticas de implementação ou por meio do desenvolvimento de um marco regulatório, um sistema de qualificação e licenciamento, que respeitem tradições e costumes, estará estabelecido.
Ainda, segundo o especialista, assim será possível um modelo que permita a atualização de conhecimentos e habilidades na pesquisa tradicional, protegendo a sabedoria local e o acesso a recursos biológicos. A integração entre medicina tradicional e ocidental possibilita o aumento da cobertura de cuidados de saúde, o potencial econômico e a redução da pobreza, uma vez que a produção local é incentivada e o acesso aos medicamentos é ampliado. As vantagens não param por aí: custos reduzidos, falta de necessidade de exportação, cultivo local em larga escala e criação de oportunidades de emprego, tanto na indústria quanto na prática medicinal. Assim, as 6400 espécies de plantas medicinais utilizadas na África e as sabedorias locais milenares, combinadas com bom aproveitamento, formam um potencial que pode, com êxito, confrontar os desafios da saúde no continente.

Considerações- Aos nossos gryos que fizeram de suas vidas um banco de informação destes dados que levamos a certeza de que os outros tantos fitoterapeutas, homeopatas, alopatas e homens públicos de bem, tudo farão para minorizar o sofrimento de seu próximo, pois, afinal de contas, as ervas pertencem aos ORIXÁS e são um presente da natureza para o ser humano. –O princípio ativo das ervas é químico, portanto matematicamente infalível 
As práticas religiosas têm complementado as práticas médicas oficiais e, mesmo que às vezes estigmatizadas, subsistindo o modelo biomédico hegemônico. Apesar do terreiro ser instituição religiosa e não instituição de saúde em sentido estrito, seus agentes geralmente atuam no campo da medicina (popular ou alternativa). Ou seja, os terreiros são locais de promoção da saúde e evidenciam o caráter tênue e fluido das fronteiras entre o mundo oficial
da biomedicina e o relativamente subterrâneo das práticas terapêuticas populares e religiosas.
"Apesar de se tratar de um estudo exploratório, a pesquisa de campo com a observação participante possibilitou uma compreensão mais próxima da realidade cotidiana das pessoas frequentadoras de templos religiosos"

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte:www.afreaka.com.br/www.gpmina.ufma.br/arquivosDALGALARRONDO, P. Is religion membership a protective factor in the course of psychosis: a clinical study from Brazil. Curare, Berlin, v. 12, n. 1, p. 215-219, 1997./FERRETI, M. M. R. Religiões afro-brasileiras e saúde: diversidade e semelhanças. In: SEMINÁRIO NACIONAL: RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E SAÚDE, 2., 2003, São Luís. Anais... São Luís: CCN-MA, 2003. p. 1. /FREYRE, G. Casa grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. São Paulo: Global, 2005. /FRY, P. H.; HOWE, G. N. Duas respostas à aflição: umbanda e pentecostalismo. Debate e Crítica, Rio de Janeiro, n. 6, p. 75-95, 1975.    

Exposição faz oposição aos ataques da direita contra a arte

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Neste final de 2017, em especial, o Ateliê Contraponto estará marcando uma posição em relação aos ataques da direita a exposições de arte e a artistas: em defesa da liberdade de criação, em defesa do estudo da nudez humana e em defesa do nu humano como arte. Assim, serão apresentados cinco trabalhos de representação de nus, também para homenagear a todos os modelos-vivos que trabalham para que o artista aprofunde seus estudos da anatomia humana.
O Ateliê Contraponto, completa seu 4º ano de funcionamento, promovendo o aprendizado do desenho e da pintura a óleo dentro do espírito de um ateliê. Com um método de ensino bastante eficaz, o Ateliê Contraponto permite que qualquer pessoa possa aprender a desenhar, mesmo sem experiência anterior na área. Anualmente, a exposição de final de ano dos alunos é uma demonstração da capacidade de aprendizado teórico e prático de conceitos sólidos que remetem aos grandes mestres da pintura.
Abertura de exposição anual dos alunos
Dia 15 de dezembro, sexta-feira
A partir das 19h
Local: ATELIÊ CONTRAPONTO DE ARTE
Avenida Angélica, 2.341 cj. 2 – Higienópolis
(11) 9 9988-4858

Programa de Ocupação Cultural do Estado do RJ – POC RJ em Angra dos Reis

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A Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro visita as dez Regionais Fluminense para mais esclarecimentos  sobre o inédito  Programa de Ocupação Cultural do Estado do RJ – POC RJ.?  O programa se caracteriza pela expansão das ações culturais a partir da localização de imóveis  fora de uso, de propriedade do estado, com cessão para SEC/RJ, para que sejam utilizados sob gestão compartilhada com prefeituras, sociedade civil e iniciativa privada.
Atendendo solicitação de agentes culturais da região Costa Verde (municípios de Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba  e Itaguaí), a reunião acontece na Casa de Cultura de Angra dos Reis – Dia 16 de DEZ, 12:30h às 13:30h, em parceria com o Conselho Estadual de Política Cultural do RJ e apoio da Prefeitura de Angra dos Reis. Presente na reunião a Chefe do Núcleo de Políticas Culturais  da SEC RJ – a professora Cleise Campos,  e o Mestre de Capoeira Albes Ribeiro, Conselheiro Regional da Costa Verde.
A composição das parcerias com a sociedade civil, a iniciativa privada, ou instituições de economia mista, envolvendo  artistas, animadores e produtores culturais, é  o diferencial do POC RJ. Até dia 15 de dezembro, a SEC RJ recebe sugestões de imóveis que podem ser inseridos no programa. Finalizado o mapeamento e seleção, será aberto edital de chamada pública em todo o estado para ocupação cultural dos imóveis.
Reunião Região Costa Verde – ?Município de Angra dos Reis
Dia 16 de DEZEMBRO, Sábado – 12:30h
Local: Casa de Cultura de Angra dos Reis
Endereço:  Rua do Comércio com Raul Pompéia ?
Centro, Angra Dos Reis