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segunda-feira, 19 de março de 2018

BBC resgata áudios emocionantes dos soldados brasileiros na 2ª Guerra


Por Thomas Pappon Da BBC Brasil em Londres
Esse “diálogo com Adolf Hitler” é narrado por um soldado brasileiro no estilo stand-up musical, fazendo uma versão bem-humorada de O Ébrio, grande sucesso de Vicente Celentino na época, em um show de calouros gravado pelo Serviço Brasileiro da BBC na Itália em junho de 1945 com os pracinhas que aguardavam o retorno ao Brasil.
O show, um raro e precioso registro em áudio do momento em que saboreavam a vitória com um misto de alto astral e pesar pela morte de companheiros, foi registrado com auxílio de uma rara unidade móvel de gravação da BBC.

Além de gravar esse show e vários sambas compostos pelos pracinhas em pleno front, essa unidade registrou – sempre em frágeis discos de alumínio cobertos por um laque especial, já que ainda não havia gravadores portáteis de fita magnética – os sons do dia a dia dos soldados nos acampamentos, além de relatos, crônicas e mensagens a familiares.

Essas gravações, feitas pelo correspondente de guerra da Seção Brasileira da BBC, o anglo-gaúcho Francis Hallawell, com ajuda do técnico de som britânico Douglas Farley, foram resgatadas pela BBC Brasil como parte das celebrações dos seus 80 anos e estão sendo disponibilizadas ao público para marcar essas oito décadas de produção de conteúdo para o Brasil.
Historiadores e especialistas que tiveram acesso ao material ouvido pela BBC Brasil foram enfáticos ao situar sua importância.
“Foi emocionante ouvir as gravações”, diz Francisco César Ferraz, professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com anos dedicados à pesquisa da participação brasileira na Segunda Guerra e autor de dois livros sobre o assunto – O Brasil e a Segunda Guerra Mundial e A Guerra Que Não Acabou.
“Uma coisa é passar anos estudando ou lendo sobre o assunto, outra é realmente ouvir esses registros. A variedade de tópicos, de situações… têm de tudo… desde reportagens relidas por correspondentes de guerra, seleções musicais, eventos, missas, humor, personagens, serviço médico… um material fantástico. É um estímulo a outros pesquisadores.”
Para Vinicius Mariano de Carvalho, professor e pesquisador do Brazil Institute do King’s College, em Londres, que ajudou a BBC a recuperar esse material e está publicando um trabalho focado nas músicas compostas pelos pracinhas, as gravações de Hallawell “nos aproximam demais do que viveram esses soldados na guerra”.
“O som do acampamento, da panela ao fundo, pessoas falando… é a única imagem que a gente tem do universo sonoro desses pracinhas. Esse material é extremamente importante, possivelmente o único documento sonoro que dá voz ao soldado brasileiro na Itália.”
As gravações resgatadas totalizam pouco mais de quatro horas de áudio. São 12 programas de duração e temas variados com material gravado durante os oito meses de campanha militar dos 25 mil integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália.
‘Cartas, pessoal!’

Parte desse material foi transmitido ao Brasil por rádio durante a guerra, como por exemplo as reportagens que mostram uma distribuição de cartas e a “hora do rancho” em um acampamento, a visita a um hospital – transmitida para o Brasil na noite de Natal de 1944 – e o registro de uma missa na Catedral de Pisa, em que mais de mil soldados e oficiais, com a presença do comandante da FEB, general Mascarenhas de Morais, cantaram o Hino Nacional.

Um dos mais curiosos é o programa com um show de variedades celebrando a vitória, realizado no clube da FEB em Alessandria, no norte da Itália, quando os soldados aguardavam o retorno ao Brasil. O programa segue a linha de shows de rádio ao vivo populares na época, com concurso de calouros, música e muito humor, e foi gravado especialmente “para as famílias (dos expedicionários) no Brasil, enquanto espera-se o grande dia do embarque”.
Mas boa parte dos programas foi montada mais tarde, quando os soldados já tinham sido desmobilizados e retornado a suas cidades, como as homenagens aos três regimentos de infantaria da FEB – o 1º, também conhecido como Regimento Sampaio, baseado na então capital, Rio de Janeiro, o 6º, baseado em Caçapava (SP) e o 11º, de São João del-Rei (MG) -, recontando suas campanhas com depoimentos e dramatizações feitas no estúdio da BBC.
O material do “Chico da BBC” deu impacto às transmissões da Seção Brasileira da BBC em ondas curtas. Eram três horas diárias de transmissão, sempre à noite, no horário nobre dos anos de ouro do rádio no Brasil. Havia notícias, programas de variedades, música, radioteatro e “cerca de 15 minutos dedicados ao noticiário sobre a guerra”, segundo o livro Vozes de Londres, de Laurindo Lalo Leal Filho, que conta a história da Seção Brasileira da BBC desde sua criação, em março de 1938.
Arquivo revela Natal de soldados brasileiros sob granadas e ao som de Noel Rosa na 2ª Guerra
As notícias que os brasileiros ouviam sobre a guerra eram traduzidas do inglês, o que, segundo Rose Esquenazi, professora da PUC-Rio e autora de O Rádio na Segunda Guerra: no ar, Francis Hallawell, o Chico da BBC, longe de ser um problema, ajudou a dar crédito ao conteúdo.

“A BBC trouxe maior equilíbrio. Falava quando um navio inglês era afundado”, diz ela à BBC Brasil. “As pessoas sabiam que havia a censura do Estado Novo. Se você ouvia em outra rádio, a notícia seria mais parcial. Os brasileiros sentiam que o noticiário da BBC era mais isento.”
As vozes dos combatentes brasileiros e as crônicas enviadas por Hallawell “traziam humanidade” nessas transmissões. “As pessoas queriam que a guerra acabasse, e o Chico trazia as informações lá do front, onde estavam os filhos, os maridos e os noivos”, afirma Esquenazi.
‘Ô Félix, tá caindo muita coisa no front?’

Hallawell, nascido em Porto Alegre e educado parcialmente na Inglaterra, falava português com um leve sotaque britânico, mas sua voz, diz Esquenazi, “tinha certa intimidade com o ouvido do brasileiro”.

Apesar de muitos soldados estarem “lendo” suas falas – em particular nos programas feitos em homenagem aos regimentos de infantaria -, a impressão que fica no ouvinte é de que eles se comunicam com “Chico” de forma aberta e direta.
Para Francisco Ferraz, as gravações ajudam a traçar um perfil mais nítido dos pracinhas.
“Esse perfil é um dos pontos sobre o qual menos temos informações, a documentação da FEB não é muito pródiga nisso. Em vários momentos (nas gravações), há o cuidado de se perguntar o nome e a origem do soldado, a cidade de onde vem, o que ele fazia…”
“Nos anos 1940, o Brasil era muito diferente, tínhamos uma população pouco alfabetizada. Dados estatísticos indicam que, apesar de restrições do Exército, 6% dos soldados eram analfabetos. Quando você vê essa gente simples, que enfrentou temperaturas que nunca tinha enfrentado, nunca havia treinado para combater em montanhas – bem diferente a combate em terra plana -, vê que esses jovens pertencem ao coração do povo brasileiro, no sentido de sua extração.”
Vinicius Mariano de Carvalho aponta para a riqueza “fabulosa” das gravações do expedicionários fazendo música. “Nos dá a dimensão da expressão humana musical que esses soldados estão encontrando e fazendo no meio do campo de batalha”.
Hallawell e Farley gravaram 16 músicas em pelo menos quatro locais diferentes na Itália. Treze dessas canções, em sua maioria sambas e marchinhas, foram compostas por pracinhas.
“Música e guerra andam a par e passo”, diz Carvalho. “Ela exerce uma função catártica incrível.”
“A FEB tinha uma banda de música, formada por cerca 60 músicos. Essa banda se desmembrava em pequeno grupos para tocar em acampamentos e circular com mais facilidade. Uma delas era a orquestra de jazz, formada pelo pessoal do regimento de São João Del Rey (o 11º), quase imitando uma big band americana.”
As orquestras militares eram comuns na Segunda Guerra. O conhecido músico americano Glenn Miller dirigiu a banda da Força Aérea americana na Europa – e morreu em um suposto acidente quando seu avião desapareceu em um voo de Londres a Paris em dezembro de 1944.
Um dos programas diz, entretanto, “ser interessante notar que os brasileiros são os únicos de todos os combatentes na Itália que escrevem suas próprias canções”. Carvalho diz ser “difícil saber” se a afirmação procede, mas que os pracinhas fizeram na Itália “o que se fazia no Brasil, com incorporação de termos em italiano, com narração do cotidiano que eles estão vivendo”.
“É uma rica transposição de uma vivência musical do Brasil para lá”, diz o pesquisador, salientando “a grande relação de mútua troca” entre brasileiros e italianos.
Não se ouve a palavra “alemão” nos sambas. Ouve-se “tedesco” – como nos sambas Tedeschi Portare Via ou Tedesco Levante o Braço. “Ou ‘paúra’, em vez de ‘medo’.”
“Há um fator que não podemos negligenciar dessa união, que é o catolicismo. A Itália é extremamente católica, o Brasil é eminentemente católico. É comum a narrativa de famílias italianas que abrigavam os brasileiros, compartilhando o que tinham na mesa, rezavam o terço juntos.”
“Outra coisa é a facilidade da língua. De todo o contexto do 5º Exército (americano, ao qual a FEB se juntou) e seus aliados, um grupo extremamente multicultural – com indianos, poloneses, neozelandeses, americanos, ingleses, canadenses – a única língua neolatina é o português. O entendimento foi facilitado por essa raiz comum na língua.”
As composições próprias, segundo Mariano de Carvalho, em sua maioria “são músicas humorísticas, ironizando os alemães ou louvando as batalhas que fizeram”. Dessas, ele destaca Onde Vi Muito Tedesco, uma embolada que descreve passo a passo a tomada de Monte Castello. “É uma música fantástica. Narra detalhadamente as linhas de defesa, o avanço da tropa, a aviação ‘que criou muita confusão’, o Major Syzeno Sarmento, comandante de um os batalhões… e assim vai.”
As exceções são O Morto Vivo, uma surreal conversa entre um soldado e um cadáver, o emocionante samba Lembrei (‘Se algum dia eu voltar/ jamais eu hei de pensar/ nas crises que eu passei/ pela vitória da pátria que tanto amei/ E será nobre dizer/ quando meu filho crescer/ a história de seu pai/ que com muito sacrifício/ buscou em seu benefício/ a vitória e a paz…), composto por um soldado morto em Monte Castello, Alcebíades Sodré, e apresentado pelo grupo de jazz da FEB no show de variedades em Alessandria.
“É um samba bem dramático, dolente, como se (o autor) estivesse prevendo que fosse morrer”, diz Mariano de Carvalho.
Menosprezo

Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que essas gravações podem ajudar a reverter o que Mariano de Carvalho chama de “tendência a menosprezar a participação brasileira na Guerra”.

Francisco César Ferraz diz que essa reversão já está em curso há alguns anos, e que as gravações “vêm em hora oportuníssima”.
“Durante muito tempo, a historiografia universitária, que é a que dita os tópicos que serão valorizados (no ensino escolar de História do Brasil, por exemplo), desprezou a participação brasileira na Segunda Guerra.”
Uma explicação para esse “desprezo” seria o fato “de parte da cúpula do golpe de 1964 ter pertencido à FEB”. “Há essa associação, a meu ver errada, entre militares da FEB e militares que patrocinaram o regime militar. Na FEB havia de tudo. Havia células comunistas dentro da FEB. Dois dos dirigentes nacionais do PCB pertenceram à FEB, Salomão Malina e Jacob Gorender.”
“No últimos dez anos houve um volume crescente de interesse pela participação na FEB e na FAB (Força Aérea Brasileira, que também esteve na Itália). E isso começou a repercutir no material didático. O número de documentários sobre a FEB e a participação do Brasil na Segunda Guerra aumentou bastante.”
Um exemplo da retomada das produções sobre o assunto são os livros (1942: O Brasil e sua Guerra quase Desconhecida e Minha Segunda Guerra) e documentários (1942: O Brasil e sua Guerra quase Desconhecida, Um Brasileiro no Dia D e O Caminho dos Heróis) de João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, que se interessou pela Segunda Guerra Mundial em parte por seu pai ter sido pracinha.
“Todo mundo que toma conhecimento desse assunto fica surpreso, impressionado com o que aconteceu, com os fatos que levaram o Brasil a entrar na guerra, se comove e se emociona”, conta.
Quando conversou com a BBC Brasil, Barone ainda não tinha ouvido as gravações de Hallawell – das quais conhecia apenas “algumas coisas que circulavam pela internet, aquela gravação do Hino Nacional sendo cantado em Pisa, algumas músicas”.
Mas disse que “está todo mundo curioso para ouvir isso, é um material preciosíssimo”.
A participação na Segunda Guerra e o contexto em que ela se deu “foi uma experiência tão valiosa do nosso povo”, ressalta.
“É muita coisa interessante que ajuda a explicar o Brasil de hoje.”
Experiência e espírito de corpo

De fato, é difícil não se surpreender com a jornada dos pracinhas e como ela se encaixa na história recente do país. A aproximação com os EUA se consolida durante a guerra, com os acordos entre Getúlio Vargas e o então presidente americano, Franklin D. Roosevelt.

O Brasil permite a instalação de bases militares (notadamente em Natal), promete fornecer munição e borracha e envia soldados para lutar contra os alemães. Em troca, os EUA bancam a criação da Companhia Siderúrgica Nacional com a construção da usina de Volta Redonda, o “marco zero da nossa industrialização”, como diz Barone.
Além disso, os EUA treinaram e armaram os soldados brasileiros na Europa – ajudando, talvez involuntariamente, a criar o que muitos viram como um “monstro” indesejado no Brasil.
Ao final da guerra, os mais de 24 mil expedicionários compunham uma força militar sem rival no país. Tinham experiência de combate, armas e um invejável espírito de corpo.
Não à toa, foram desmobilizados ainda na Europa. Após os desfiles no Rio de Janeiro, onde foram saudados como heróis, tiveram de retornar imediatamente às vidas que tinham antes. Francisco Ferraz explica que havia um grande receio no país, tanto no governo como na oposição e nos quartéis, com o possível engajamento dos pracinhas nos eventos políticos do país.
“Eles queriam despolitizar os pracinhas o quanto antes. A história já havia dado os exemplos dos soldados russos que voltaram da Primeira Guerra e acabaram apoiando os bolcheviques, e dos militares alemães que retornaram da mesma guerra e moldaram as bases do Partido Nazista.”
“A FEB teve células comunistas”, lembra Ferraz. “Vargas tinha promovido uma abertura no fim de seu governo. Ele não apenas libertou líderes comunistas como (Luis Carlos) Prestes, como também permitiu a legalização do Partido Comunista.”
“Era um clima político bastante conturbado. E nos quartéis, os oficiais que haviam ficado no país receberam com hostilidade os que voltaram condecorados da Itália. Eles temiam ser preteridos por oficiais da FEB. A cúpula militar também não ajudou. Muitos ex-combatentes foram transferidos para bases distantes.”
Outra história pouco conhecida é a dos problemas de adaptação que muitos ex-combatentes sofreram. Muitos voltaram com traumas e neuroses e tiveram grande dificuldade para retomar suas vidas. O governo prestou pouca ajuda – ao contrário do que ocorreu nos EUA, onde houve um plano de reintegração com vários tipos de apoio aos soldados que regressaram da guerra.
Logo esquecidos – e, aos poucos, perdendo cada vez mais espaço nos livros de História do Brasil -, os pracinhas mantiveram acesa a chama do espírito de corpo com associações de veteranos. Essas foram fundamentais na luta por benefícios como uma pensão, aprovada apenas em 1988 – 43 anos depois do retorno -, chegando tarde demais para muitos ex-combatentes.
Com agradecimento especial à Embaixada do Brasil em Londres, que guardou parte dos arquivos usados no documentário.
BBC Brasil

Leitura histórica e científica do golpe se multiplica em aulas


Um dos desdobramentos mais significativos desses cursos será a transformação do golpe que tirou do poder a presidenta Dilma Rousseff em objeto de estudo científico. Teremos, com certeza, daqui para a frente, o surgimento de pesquisas de mestrado e doutorado investigando o tema através de suas várias facetas. Com isso, os cursos agora oferecidos pelas universidades prometem ser apenas o ponto inicial de um longo e aprofundado debate sobre as raízes do golpe e suas consequências para a frágil democracia brasileira.
Pode-se prever o surgimento de trabalhos capazes de dar consistência aos dados e análises do período político que vivemos, tornando-se referência para pesquisadores no futuro. Dessa forma, esses estudiosos estarão a salvo de tornarem-se reféns das interpretações uniformes oferecidas pela mídia conservadora que quando raramente usa a palavra golpe a faz entre aspas. Será instigante confrontar as revelações e descobertas realizadas pelos trabalhos acadêmicos com o que publicam os jornais e revistas.
Antes disso, ainda no calor da hora, já temos algumas publicações analisando o processo de destituição da presidenta eleita e de suas consequências para o país. A mais recente delas é o segundo volume da coletânea “Enciclopédia do Golpe” dedicada ao papel da mídia, com 28 artigos escritos por acadêmicos e profissionais da área. Que os meios de comunicação foram decisivos para realização do golpe não resta a menor dúvida. Basta lembrar o empenho dos veículos das Organizações Globo em chamar a população para participar dos atos contra o governo de Dilma Rousseff. O livro trata desse fato, mas vai além, circunstanciando as ações da mídia em apoio ao golpe por diversos ângulos.
Trata-se de um conjunto de análises que vão desde o papel da Lava Jato no processo de deposição da presidenta até a forma como as fotografias eram publicadas nos jornais e revistas da chamada grande imprensa. Em seu artigo o fotógrafo Lula Marques lembra que “as fotos foram cuidadosamente editadas e manipuladas, ilustrando matérias não menos desonestas, distorcidas e inverídicas. A ordem nas redações era deixar todos do governo do PT mal na foto”. Ele salienta que “Dilma era retratada como uma histérica a beira de um ataque de nervos. Não é possível deixar de lembrar da ultrajante capa da revista Istoé em que a presidenta é comparada à rainha Maria, a Louca, sob a manchete “As explosões nervosas da presidente”.
Em outro artigo a jornalista Bia Barbosa analisa a cobertura realizada pelo Jornal Nacional da condução coercitiva do ex-presidente Lula. O primeiro bloco do telejornal “teve 21 minutos de matérias sobre o episódio, e nada menos que 50 segundos (25 vezes menos) com a posição da defesa”. Padrão mantido nos blocos seguintes, sempre com amplo destaque para as acusações e minúsculos espaços para a defesa.
Outros dados significativos são apontados pelo jornalista Olimpio Cruz Neto. É pública e notória a posição golpista da revista Veja mas o artigo a concretiza com números. Entre janeiro de 2014 e setembro de 2016, quando Dilma foi afastada em definitivo da Presidência, a revista “publicou 123 edições, das quais 76 foram críticas ao governo e ao PT”. Durante 2014, antes do pleito presidencial, os principais candidatos foram capa da revista chamando para os seus planos de governo, com exceção de Dilma. A ela foi reservada, junto com Lula, a famosa capa às vésperas do segundo turno sob a manchete “Eles sabiam de tudo”, numa infundada referência aos esquemas de corrupção na Petrobras.
São alguns exemplos da importância do livro como documento histórico de um momento trágico para a democracia brasileira. Através dele é possível entender melhor o papel decisivo jogado pela mídia no golpe de 2016. Multidões foram às ruas insufladas pela televisão articulada com os demais veículos como mostra, em feliz analogia, o editor do site O Cafezinho, Miguel do Rosário. Diz ele que “o processo de impeachment foi um jogo de futebol. Globo passava a bola para a Folha, que deixava a Veja perto do gol, que tocava para Sergio Moro completar de cabeça”. E assim as ideias da classe dominante tornavam-se as ideias dominantes na sociedade, como dizia Karl Marx, referindo-se a Alemanha do século 19, mas tão atual neste Brasil do século 21.
Rede Brasil Atual

domingo, 18 de março de 2018

Atenção para os direitos do turista


Turistas apreciam prato no restaurante Morunguêtá. Manaus a capital do Amazonas, é vista como a porta de entrada da Floresta Amazônica, o que faz dela um atrativo turístico para o mundo inteiro. Uma cidade que também encanta pela sua diversidade cultural e pela arquitetura glamorosa dos prédios históricos cercados pela modernidade típica de uma metrópole em desenvolvimento. (AM). Foto: David Rego Jr. *** Local Caption *** * Prazo indeterminado
Boas recordações de uma viagem, em parte, decorrem da tranquilidade e segurança que o turista encontra, desde a aquisição da passagem e da contratação de serviços até o final do passeio. Do contrário, um belo destino, além de ficar com a imagem suja, pode guardar recordações amargas para o consumidor. Para fazer valer os direitos do turista, neste Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o Ministério do Turismo reúne orientações para alertar os turistas na hora de organizar uma viagem.
“O site Viaje Legal, do Ministério do Turismo, foi desenvolvido especialmente para o turista. Nele, o viajante, além de ficar bem informado sobre seus direitos, conta com dicas de hospedagem, transporte e até sobre a saúde do turista. É uma ferramenta importante para evitar os problemas que podem estragar uma viagem”, destaca o ministro Marx Beltrão.
Uma das dicas é que ao fazer reserva em um meio de hospedagem, contratar uma agência de viagem ou um guia de turismo, o consumidor deve consultar o Cadastur da empresa. Apenas prestadores de serviço turístico inscritos no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos do Ministério do Turismo estão funcionando de maneira legal. O alerta também é válido para campings, transportadores, organizadores de eventos e parques temáticos. Todos eles estão sujeitos a fiscalização e poderão ser denunciados e autuados pelo Ministério do Turismo.
Outra dica importante é verificar se há alguma reclamação ou denúncia do prestador de serviço no Procon e demais órgãos de controle como ANAC e ANTT que fiscalizam os transportes aéreos e terrestres. Os sites especializados em turismo também reúnem opiniões e avaliações dos turistas importantes para ajudar o consumidor na hora de reservar o hotel, comprar um passeio, escolher o atrativo a ser visitado e, até mesmo, a se decidir por um destino de férias.
O viajante deve ficar atento à oferta de serviços através de anúncios na internet e folhetos. No caso de pacotes, as propagandas devem ser claras, com informações precisas dos valores referentes aos trechos aéreos, terrestres e marítimos, traslados, taxas de embarque, tipo de acomodação, número exato de pernoites, refeições inclusas, guias e despesas extras por conta do turista.
Ao escolher o destino, o turista deve solicitar recibos da agência de viagens. Se comprar os serviços turísticos pela internet, o viajante deve imprimir a confirmação da reserva do hotel, do aluguel do carro, se for o caso, além da passagem com assento marcado e o roteiro completo com a programação da viagem.
NO AEROPORTO – Em caso de atraso longo, cancelamento do voo ou excesso de passageiros, na origem ou durante uma escala, o viajante pode ser realocado em outro voo e receber assistência material. Após quatro horas, a empresa deve providenciar hospedagem, alimentação e transporte para o passageiro até novo embarque. Se o turista desistir da viagem ele será ressarcido integralmente pela transportadora na mesma foram da compra da passagem. As companhias são obrigadas a disponibilizar informações no balcão do aeroporto. Para mais dúvidas e informações, é importante consultar o Viaje Legal.

Estação Cultura recebe exposição sobre arte negra e Bienal Afro

Por Brasil Cultura
Estação Cultura inaugura no dia 20/3, terça-feira, às 19h30, a exposição “Elifas Andreato – A Arte Negra na Cultura Brasileira”. A mostra traz doze obras do artista e reforça a importância do Dia Internacional Contra a Discriminação Racial (21/3). Ela fica em cartaz até o dia 29/3 e tem entrada gratuita.
A exposição, com curadoria do próprio artista e de seu filho, Bento Andreato, traz obras que representam o papel do negro na sociedade por meio da arte e da cultura. Além de “Menino e Bandeira”, uma de suas ilustrações mais icônicas, o público poderá conferir a visão de Andreato ao retratar personalidades como Adoniran Barbosa, Clementina de Jesus, Cartola, Martinho da Vila e Paulinho da Viola.
Com mais de 50 anos de carreira, Elifas Andreato se destacou como criador de capas de discos para os mais importantes nomes da MPB, produzindo em torno de 400 trabalhos ao longo de sua trajetória. Também participou da equipe de criação de inúmeras revistas, fascículos e coleções, além de elaborar programas televisivos dedicados ao resgate da memória do Brasil. Em 2011, pelo conjunto da obra, recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog, concedido a pessoas que se destacam na defesa de valores éticos e democráticos e na luta pelos direitos humanos.

Lançamento BienAfro

Ainda no dia 20, o Estação Cultura recebe o lançamento da 1ª Bienal Afro-Brasileira do Livro (BienAfro), idealizada e produzida pela Associação Cultural Refavela. O evento será realizado em dezembro e terá o abolicionista Luiz Gama como homenageado da primeira edição. Dois chefes de povos do Benin, país da África ocidental (antigo Daomé), além do Secretário de Cultura do Estado, José Luiz Penna, participarão do evento. Haverá também apresentações do Quarteto de Saxofones da Emesp Tom Jobim, do cantor Dinho Nascimentoe do grupo de dança Afro Base Treme Terra.
A BienAfro tem apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O objetivo da BienAfro é celebrar a produção literária tanto de afrodescendentes nascidos no Brasil e nas Américas quanto de escritores e escritoras do continente africano, além de fomentar novos talentos.

sábado, 17 de março de 2018

AFOXÉ - CULTURA NEGRA - ENTRE DANÇAS E RITMOS AFRODESCENDENTES

PRÓXIMA SEMANA PRESIDENTE DO CPC/RN VIAJA A INTERIORES DO ESTADO VISANDO MOBILIZAÇÃO PARA O PRÓXIMO EVENTO

CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN
CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN
Próxima semana o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPCRN, Eduardo Vasconcelos ao interior do Estado Potiguar, visando mobilizar estudantes, artistas, entre outros para participarem do V ENCONTRO DE LIDERANÇAS CULTURAIS DO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA- CPC/RN , que ocorrerá dia 27 de abril n o IFRN de Parelhas. O CPC/RN dessa forma garantirá mais participação no evento, alem da organização para o sucesso do mesmo.

Serão 100 (cem) convidados divididos entre estudantes, artistas culturais (grupos), profissionais da área e autoridades.

Eduardo começará por Natal e em seguida as regiões do Trairi e Seridó. Eduardo Vasconcelos manterá contatos com prefeitos, secretários de cultura da educação para garantir transportes para o inscritos/participantes.

lembrando que o evento não paga taxa de inscrição, tem direito ao almoço, certificado, entre outros.

Participem!

JACARÉ PARADO VIRA BOLSA DE MADAME!

CULTURA: José Augusto Ribeiro, 80, e um novo filme sobre Vargas

Vargas_José Augusto Ribeiro.jpg
Com direção de Beto Almeida, documentário sobre Vargas vai se basear nos livros de Ribeiro (Reprodução)
Maneschy, do PDT: um exemplo para o Jornalismo!
De Osvaldo Maneschy, membro do diretório nacional do PDT, no Facebook:

JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO FAZ 80 ANOS HOJE - O jornalista e escritor José Augusto Ribeiro, autor entre outras obras da trilogia “A Era Vargas”, o mais completo livro sobre a vida e obra política do presidente Getúlio Vargas; e “Tancredo Neves, a Noite do Destino”, biografia lançada em 2015, completa hoje 80 anos de idade. Atualmente José Augusto mora em Curitiba com o seu filho, Vicente Ribeiro, maestro de profissão, e continua escrevendo.
José Augusto começou no jornalismo em 1956, quando entrou na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, em Curitiba, onde se formou em 1960. A sua vida profissional começou no “O Estadodo Paraná” e de lá para cá já passou por muitas redações: ‘Diário Carioca’, ‘O Cruzeiro’, ‘Folha de São Paulo’, ‘Manchete’, ‘Jornal do Brasil’, ‘Ultima Hora’, ‘Fatos & Fotos’, ‘Correio da Manhã’, ‘O Globo’, ‘TV Globo” e ‘TV Bandeirantes’, entre outras.
Em 1963 foi trabalhar no Rio de Janeiro como assessor do ministro do Trabalho de Jango, o senador Amaury Silva, mas foi afastado do serviço público após o golpe de 64, voltando para as redações e o jornalismo.
Exemplo para novos e velhos profissionais, o conheci na redação do Globo, em 1980, onde ele era editor de política. Um chefe tranquilo, centrado, grande amigo e colega. Que me demitiu quando chegou a ordem da direção, no início da vigência da lei dos pagamentos semestrais, de ‘enxugar’ a redação. José Augusto recebeu a sugestão de demitir o grande Aluizio Flores, já em final de carreira; mas preferiu demitir o mais jovem dos redatores, eu, então com 31 anos, por ter mais chance de conseguir novo emprego.
Compreendi e toquei minha vida, indo trabalhar com Wagner Teixeira e Maurício Azedo no recém fundado “Jornal do PMDB”, lançado com pompa na sede da ABI pelo deputado Ulysses Guimarães, em apoio a candidatura do senador Roberto Saturnino Braga ao governo do Rio de Janeiro – que ele não chegou a disputar. E segui minha vida.
Jamais deixei de ser amigo de José Augusto e de respeitá-lo.
Anos depois José Augusto começa a publicar livros – o primeiro deles “De Tiradentes a Tancredo Neves, uma história das Constituições”, em 1987; “Nossos Direitos na nova Constituição”, em 1988; e “Curitiba, a Revolução Ecológica”, em 1993. Em 1979 já realizara, com Neila Tavares, o documentário “Agosto 24”, embrião do que seria uma de suas grandes obras, publicada posteriormente, a trilogia “A Era Vargas”, publicada originalmente em 2000 pela Casa Jorge Editorial e já reeditada duas vezes.
Em 1984 José Augusto passou a trabalhar como assessor de imprensa de Tancredo Neves em sua campanha presidencial. Em 1985 voltou à TV Bandeirantes, onde ficou ate 1990. Trabalhou em seguida nas revistas da Editora Cadernos do Terceiro Mundo, de Neiva Moreira e Beatriz Bissio. Em 1994 foi assessor de imprensa de Leonel Brizola em sua campanha presidencial.
A partir de 1995 passou a trabalhar exclusivamente na elaboração de livros: em 2000 lançou “A Era Vargas”, que já está na terceira edição: e, em 2008 lançou “Jânio Quadros – O Romance da Renúncia” e, em 2015, “Tancredo Neves: A Noite do Destino”, outra obra de fôlego, como a trilogia “A Era Vargas”. Em dezembro de 2016 publicou mais dois livros: “Getúlio Vargas, a saga da Petrobrás” e “Getúlio Vargas, a morte com um sorriso”. Absolutamente ativo apesar de AVC sofrido anos atrás, José Augusto atualmente negocia com editora gaúcha a republicação de seus livros.
Também está para ser lançado, provavelmente mês que vem, mês do aniversário de nascimento do presidente Getúlio Vargas, um documentário sobre a trajetória de Getúlio tendo como fio condutor narrativa de José Augusto Ribeiro sobre a vida e a obra do grande presidente. A direção é do jornalista Beto Almeida, de Brasília.
Desejo, de coração, longa vida ao grande jornalista, escritor e amigo José Augusto Ribeiro. Um exemplo de dignidade e ética para todos os que amam a profissão de jornalista. Parabéns, Zé.
Fonte: CONVERSA AFIADA

CURITIBA – Grupo Brasileiro lança edital para jovens cantores


Grupo de jovens cantores do Conservatório de MPB de Curitiba tem edital aberto para processo de seleção de novos integrantes. O chamamento visa a seleção de seis cantores com idade entre 14 e 18 anos, sendo duas vagas para vozes femininas e quatro vagas para vozes masculinas. As inscrições devem ser feitas até dia 30 de março, presencialmente no Conservatório, de segunda-feira à sexta-feira das 9h às 12h e das 14h às 18h.
Criado há um ano e meio e dirigido por Helena Bel e Milton Karan, o Grupo Brasileiro tem por objetivo trabalhar a canção nacional por meio de teoria e leitura musical, solfejo e técnica vocal, prática de canto a duas, três e quatro vozes, com desenvolvimento interpretativo que possibilite um resultado cênico-musical.

Dos testes
O processo seletivo para as vozes femininas é destinado apenas as ex-integrantes do Coral Brasileirinho. Já as vagas para as vozes masculinas são abertas para a comunidade em geral.
Os nomes dos candidatos pré-selecionados a participarem das audições serão divulgados no dia 2 de abril e os testes acontecem no dia 3 de abril. Durante a audição será necessária a apresentação da música “Deixe a Menina” do autor Chico Buarque e mais uma canção de livre escolha, com ou sem acompanhamento instrumental próprio.

Os nomes dos cantores selecionados para integrarem o Grupo Brasileiro serão divulgados no Conservatório de MPB e nos sites www.icac.org.br e www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br, a partir do dia 5 de abril. O início dos ensaios acontecerá no dia 09 de abril. (segunda-feira).
Serviço:
Grupo Brasileiro abre vagas para novos integrantes
Inscrições abertas até 30 de março presencialmente no Conservatório de MPB de Curitiba
Audição: 3 de abril
Resultado: 5 de abril
Endereço: Rua Mateus Leme, 66
Telefone: 3321-3315

sexta-feira, 16 de março de 2018

POLÍTICA - O assassinato da vereadora, penso eu, será um "divisor de águas"como montar uma loja virtual - "EDSON LUIZ E MARIELLE, SEMPRE PRESENTE! - Eduardo Vasconcelos"

No dia 28 de março de 1968,  fui "testemunha ocular da história", como gostava de dizer o locutor Heron Domingues, da Rádio Nacional, ao se referir ao Repórter Esso, do qual era seu apresentador. 

Tal noticiário, que tinha várias edições ao longo do dia, a primeira às 8 horas da manhã, e representava o que é hoje o Jornal Nacional da Globo. 

Pois no dia acima citado, estava no  restaurante do Calabouço, frequentado por estudantes, onde os preços eram mais acessíveis, e onde nos reuníamos para programar passeatas relâmpagos que realizávamos frequentemente, a partir da Cinelândia.

Ao final da tarde desse dia, a Polícia Militar invadiu o restaurante, pois, como ficamos sabendo depois, achava que iríamos atacar a embaixada americana. 

A invasão foi violenta, e no confronto, oito estudantes foram baleados.  

O Edson Luiz foi atingido por um tiro a queima roupa no peito e morreu na hora. Outro estudante, o Benedito também foi baleado, mas foi levado para o Souza Aguiar, onde também. 

Levamos o corpo do Edson Luiz em passeata até a Assembléia Legislativa, onde foi feita a necrópsia na presença do secretário de estadual de saúde da época, do qual não me lembro seu nome. 

Lá na Assembléia, ocorreu o velório que varou a madrugada, na presença de uma multidão. 

No dia do enterro o Rio parou e o Edson foi enterrado com a multidão cantando o Hino Nacional. 

Tal assassinato, para mim, representou uma "virada" na luta do movimento estudantil contra a ditadura.  

A frequência das manifestações aumentou e com ela a repressão, que culminou com a edição do Ato Institucional número 5, o famoso AI-5, decretado em 13 de dezembro desse ano de 1968. 

Tal ato, para mim e para a maioria, foi o golpe dentro do golpe. A partir deste, aumentaram exponencialmente as prisões, as torturas, os assassinatos dentro dos órgãos de repressão do Estado, e os desaparecimentos de prisioneiros políticos. 

A censura foi repugnante e proliferaram os "dedos duro". O cara não gostava de você, procurava um milico e dizia que você era comunista. E você se ferrava. 

Uma curiosidade: Milton Nascimento fez uma canção chamada "Menino", que se referia ao Edson Luiz e que foi gravada pela Elis Regina. 

A reação dos estudantes foi organizar duas monstruosas passeatas, conhecidas como "passeatas dos 100 mil". Fico até hoje arrepiado quando me lembro delas. 

A primeira foi realizada no dia 26 de junho. 

Dada a repercussão desse evento,  da qual participaram também, artistas, intelectuais, políticos e o povo em geral, o ditador de plantão da época, o Costa e Silva, marcou uma reunião com líderes da  sociedade civil, entre os quais, nossos companheiros líderes, o hoje jornalista Franklin Martins e o Zé Dirceu. 

Eles pediram ao ditador a libertação de estudantes presos, o fim da censura e outras "coisitas más". 

Nada dessas reivindicações foi aceita pelo Costa e Silva. 

Em função disso, programamos uma segunda passeata dos 100 mil, o que deixou a gorilada furiosa. 

Nessa última grande passeata, quando passamos em frente a igreja da Candelária,  a passeata parou, ocasião em  que o  Vladimir Palmeira, outro grande líder estudantil,fez um discurso histórico, lembrando a morte do Edson Luiz e pedindo o fim da ditadura. 

Lá foi aberta uma faixa imensa com os dizeres "Abaixo a ditadura, o povo no poder", imortalizada pela foto do Evandro Teixeira, que trabalhava para o JB. Evandro pode ser nomeado o fotógrafo das passeatas.É dele também uma foto tirada das escadarias da Assembléia Legislativa, onde uma multidão, cuja linha de frente era formada só por artistas, ouvia um discurso de um dos líderes do movimento estudantil da época. Até hoje me lamento não ter sido clicado pelas lentes do Evandro, pois também estava lá. 

Inspirado nas fotos do Evandro, nosso grande poeta Carlos Drummond de Andrade fez o poema "Diante das fotos do Evandro Teixeira". Anos depois, Evandro lançou um livro em que, após longa pesquisa, nomeava grande número de pessoas fotografadas por ele na Cinelândia. 

Nas passeatas participaram várias figuras que hoje são execradas pela esquerda.  A primeira delas é o gato angorá, como o chamava o Brizola: trata-se do ministro Moreira Franco; outro, o Fernando Gabeira, que escreveu um livro chamado "Que é isso companheiro", no qual relata sua participação no sequestro do embaixador americano, em que diz que escreveu a famosa carta de reivindicações aos ditadores, quando na verdade, quem a escreveu foi o Franklin Martins. 

Mas tivemos presenças memoráveis como o Tancredo Neves, Clarice Lispector, Marieta Severo, Chico, Gil, Nana Caimi, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Edu Lobo,Tonia Carrero, Zuenir Ventura, que escreveu o famoso livro "1968, o ano que não acabou", Paulo Autran, e outros que não me lembro mais. 

Hoje voltei no tempo ao ir a Cinelândia, à Assembléia Legislativa, para me despedir dessa grande guerreira, extremamente atuante em favor das causas sociais e defesa das minorias. 

Ano passado, num evento de arte fotográfica,reencontrei o Evandro, ele com mais de oitenta anos e eu com meus 77. Comentei com ele sobre sua histórica foto na Cinelândia momentos antes do início da passeata dos 100 mil. 

Fiquei surpreso com a cobertura que a Globo deu das manifestações de hoje. Afinal, a vereadora não era apenas uma militante, mas uma militante de esquerda, esquerda que causa tanta ojeriza à essa empresa golpista. Nenhuma surpresa com a mídia alternativa de direita, o blog Antagonista à frente, beneficiário em primeira mão dos vazamentos seletivos permitidos pelo Dr. Moro. 

O que se lê neles, é de embrulhar o estômago.   Voltando à minha esperança, acho que o Brasil não será mais o mesmo após esse assassinato. 

Postado por Carlos Augusto de Araújo Dória (Blog de Um Sem Mídia)

Marielle, presente! Hoje e sempre!


Nacional
Vereadora Marielle Franco é assassinada no Rio de Janeiro
A vereadora do Psol no Rio de Janeiro, Marielle Franco, 38 anos, foi brutalmente assassinada a tiros, na noite de quarta-feira (14), na região central do Rio de Janeiro. O motorista que conduzia o carro em que estava, Anderson Pedro Gomes, também foi alvejado e morto. Uma terceira pessoa, assessora da vereadora, que estava no veículo e sobreviveu ao atentando. O caso ganhou ampla repercussão na imprensa nacional e internacional.
Nota da Diretoria do ANDES-SN sobre o assassinato de Marielle Franco
A Diretoria do ANDES-SN lamenta profundamente a morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, que foi brutalmente assassinada na noite desta quarta-feira, dia 14 de março, ao sair de uma atividade política no centro da cidade. Manifestamos também imenso pesar pelo assassinato de Anderson Pedro Gomes, trabalhador que estava conduzindo o veículo que transportava a vereadora no momento que foi violentamente atacada.
Nota da Diretoria do ANDES-SN sobre os novos cortes nas IES
No dia 12 de março, o governo publicou no Diário Oficial da União a Lei nº 13.633 pela qual "Fica aberto aos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União (Lei nº 13.587, de 2 de janeiro de 2018), em favor dos Ministérios da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento Social, crédito especial no valor de R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais), para atender à programação constante do Anexo I", e simultaneamente estabelece que "Os recursos necessários à abertura do crédito de que trata o art. 1º decorrem de anulação de dotações orçamentárias, conforme indicado no Anexo II".
Tenda da Unidade no FSM debateu contrarreformas e perspectiva dos trabalhadores
A Tenda da Unidade é uma construção de vários sindicatos e entidades da esquerda progressista, que debatem a necessidade de avançar na construção da luta coletiva em defesa da classe trabalhadora, contra as políticas de cortes trabalhistas e sociais do governo Temer, e contra a ofensiva conservadora.
Milhares marcham em Salvador na abertura do Fórum Social Mundial
Os verdadeiros donos das terras vindos à frente, com o canto, a força e a dança, abrindo os caminhos da resistência, trazendo consigo milhares de pessoas de todo o mundo. Foi assim que um grupo de índios Potiguara, do interior da Bahia, iniciou a Marcha dos Povos, com milhares de pessoas, que marcou o começo do Fórum Social Mundial (FSM), na tarde dessa terça-feira (13), em Salvador (BA).
Entidades lançam Frente contra a intervenção federal militar no Rio de Janeiro
Nesta terça-feira (13), acontece o lançamento da Frente Contra a Intervenção Militar Federal no estado do Rio de Janeiro, durante ato público no campus Maracanã da Universidade do Estado do RJ (Uerj). A constituição da frente busca aglutinar uma série de movimentos e organizações civis que vêm se posicionando criticamente com relação ao decreto do presidente Michel Temer, que determina a intervenção federal militarizada na área de segurança do Rio.
ANDES-SN marca presença no Fórum Social Mundial com a Tenda da Unidade
Seguindo a deliberação do 37º Congresso Nacional do ANDES-SN, o ANDES-SN estará no Fórum Social Mundial (FSM), que acontecerá em Salvador (BA), a partir desta terça-feira (13). O evento, que terminará no sábado (17), terá como espaço principal o campus Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas outros locais da cidade também serão palco de atividades.
8M: milhões de mulheres se mobilizam no mundo todo
Milhões de mulheres saíram às ruas de todo o mundo na quinta-feira (8), Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, para exigir o fim da violência e do machismo, contra a desigualdade, entre outras reivindicações.
Seções Sindicais
Estudantes negros ocupam reitoria da Ufrgs em defesa das cotas
Há sete dias estudantes ligados ao movimento negro ocupam a reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre (RS), contra a destruição da política de cotas naquela instituição.
Professor da UFBA é intimado a depor por disciplina sobre 'golpe'
O professor Carlos Zacarias, do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi intimado a depor, na 16ª Vara Federal na capital baiana, sobre o pedido de liminar feito pelo vereador Alexandre Aleluia (DEM), posteriormente indeferida pelo juiz federal Iran Leite. Zacarias recebeu a intimação no dia 9 de março e tem 10 dias para se manifestar. O reitor da UFBA, João Carlos Salles, também foi citado.
Outras Lutas
Indígena que teve proteção negada do governo é morto após denunciar empresa Hydro
Um dos representantes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Paulo Sérgio Almeida Nascimento, 47 anos, foi morto na madrugada dessa segunda-feira (12) com quatro tiros, em Barcarena (PA). O ativista desde 2017 cobrava da prefeitura de Barcarena um posicionamento sobre possíveis irregularidades da empresa de alumínio e energia Hydro, envolvendo a construção de bacias de rejeito.
Brasil é condenado pela Corte Interamericana por violar direitos indígenas
Em uma decisão histórica para todos os povos indígenas do Brasil, a Corte Interamericana de Direitos Humanos reconheceu a responsabilidade internacional do Estado brasileiro na violação aos Direitos de propriedade coletiva, garantia judicial de um prazo razoável e proteção judicial em relação ao povo indígena Xukuru de Ororubá. O país foi condenado a finalizar o processo de demarcação do território tradicional, localizado no município de Pesqueira, em Pernambuco. Com a decisão, publicada na segunda-feira (12), o país tem o prazo máximo de 18 meses para cumprir as determinações da Corte, sendo que, no período de um ano, deverá apresentar um relatório sobre as medidas adotadas.
Agenda

MARÇO
13 a 17 - Fórum Social Mundial, em Salvador (BA).

16 e 17 - Reunião Ampliada Conedep, na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF).

17 e 18 - Reunião do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual – GTPCEGDS -, na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF).

23 a 25 - Reunião de Diretoria do ANDES - Sindicato Nacional,  na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF).

ABRIL
26 e 27 - Seminário Nacional da Comissão da Verdade –  Título: continuidades da ditadura na universidade e na sociedade. Em São Paulo (SP).

Confira o calendário do ProAC Editais 2018!



Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo divulgou calendário 2018 do Programa de Ação Cultural (ProAC), na modalidade Editais. Neste ano, serão lançados 47 editais, que irão contemplar 467 projetos. O investimento em premiação será de R$ 29 milhões.
Além dos 43 editais já publicados em anos anteriores, serão lançados cinco novos editais. A linguagem música ganhará dois concursos de estímulo: Bandas Marciais e Fanfarras (10 projetos com prêmio de R$ 40 mil cada) e Música Eletrônica e Alternativa: Rock, Reggae e Outros (12 projetos com prêmio de R$ 25 mil cada). Em festivais, o edital Festival de Música para Novos Talentos contemplará os escolhidos com quatro prêmios no valor de R$ 150 mil cada. Já a linguagem multidisciplinar premiará 15 projetos nos concursos Ações de Internacionalização das Produções Artísticas, no valor de R$ 38 mil cada, e Projetos Culturais para Artistas Residentes em Pequenos Municípios no Estado de São Paulo, com 16 prêmios no valor de R$ 20 mil cada.
Para o secretário da Cultura do Estado José Luiz Penna, a ampliação do número de editais reflete a importância do programa: “O ProAC Editais é um grande estímulo para os artistas de todo o Estado, tanto da capital quanto dos pequenos municípios que, agora, serão especialmente contemplados.” Penna reforça que serão destinados mais recursos para o programa com foco direto em municípios e ressalta a diversidade do público a ser alcançado: “Apontamos para o futuro, com o edital de música eletrônica, mas não esquecemos da tradição, com as bandas e fanfarras”, observa.
Os primeiros editais devem ser lançados já no mês de março, nos seguintes segmentos: teatro (quatro editais); dança (três editais); artes cênicas (dois editais) e música (seis editais). O calendário completo com o nome dos editais, valores e mês de publicação previsto está disponível aqui.
Todos os editais são publicados no Diário Oficial do Estado (www.imprensaoficial.com.br) e também são disponibilizados no site www.proac.sp.gov.br.
Fonte: BRASIL CULTURA