Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Até último dia para jovens de 16 e 17 tirarem o título, UBES realiza maratona “Se Liga 16”

UBES e UMES no TSE Natal

Campanha e ações para incentivar a juventude a ocupar as urnas em 2018 continuou até último minuto do prazo.

Terminou nesta quarta-feira (9) o prazo para quem tem 16 ou 17 anos e quer votar nas eleições do próximo mês de outubro. A UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) está promovendo em todo o Brasil uma maratona de ações da campanha “Se Liga 16”, que tem o objetivo de conscientizar o público dessa idade sobre a participação política e democrática nos rumos do país.
A campanha, que completa 30 anos, e desta vez tem como mote “Bora ocupar as urnas”, convoca o grande número de estudantes secundaristas que ocuparam as suas escolas nos últimos anos, em defesa da educação, para se mobilizarem também pelo direito ao voto.
Em diversos estados, a UBES está realizando rolês coletivos com a juventude para os Tribunais Regionais Eleitorais, para a emissão do documento. Na última quinta-feira (3), uma dessas ações foi realizada em Natal (RN) e quem tirou o título também foi o próprio presidente da UBES, Pedro Gorki, de 17 anos. Esta será a primeira eleição da qual participa:
“Assim como tantos, me sinto muito feliz de tirar meu título de eleitor. A emoção é por ter mais participação cidadã e poder escolher quem representa nosso povo. A escolha dos representantes é decisiva para a defesa dos direitos dos jovens. A construção da sociedade que a gente quer passa por boas políticas públicas para a juventude e para a educação brasileira”, afirma Gorki.
A campanha Se Liga 16 surgiu em 1988, após a ditadura militar brasileira, como um instrumento de pressão sobre os parlamentares que definiram a Constituição Federal naquele ano. Após muita manifestação e atuação da UBES, o texto constitucional passou a incluir o voto facultativo nessa faixa etária.
Até o fim desta quarta, a UBES promoverá uma série de ações nos estados, nas escolas e também nas redes sociais, onde está previsto um twitaço de mobilização dos mais atrasados que ainda não procuraram a Justiça Eleitoral. Nos próximos meses, a entidade também produzirá uma plataforma eleitoral com as reivindicações dos estudantes brasileiros para os candidatos nas eleições de 2018.

Campanha “Se Liga, 16!” pelo Brasil



Nos últimos dias antes do fim do prazo, a ACES (Associação Cearense dos Estudantes Secundaristas) ajudou a organizar um grande mutirão no Ginásio Paulo Sarasate, com o TRE, e mobilizou mais de 100 secundas.


No Ceará também teve debate sobre democracia e cidadania. Na foto, presidente da UBES Pedro Gorki fala na EE César Cals, Fortaleza. Abaixo, no transporte até o ginásio Paulo Sarasate.


Vai que dá! Na terça (8/5), a UPES – Paraná e Aesc-Sul Associação dos Estudantes Secundaristas de Campina Grande do Sul mobilizaram os secundas atrasadinhos para tirarem o título no Fórum Eleitoral de Campina Grande do Sul.


Em Manaus, jovens participam de caravana da UBES e do Grêmio Estudantil Chico Mendes, do IFAM, até o TSE-AM





Jovens de Campina Grande emitem título de eleitor e participam de palestra sobre cidadania em Campina Grande (PR). Ação da UBES foi em parceria com a AESP – Associação dos Estudantes Secundaristas da Paraíba


Orgulho! Mais uma foto da ação em Campina Grande, Paraíba




Em São Luis, estudantes também mostram o título de eleitor depois de participar da campanha #SeLiga16 da UBES e da AMES – Maranhão


No TSE de São Luís do Maranhão, com participação da diretora da UBES Rozana Barroso


Em Porto Alegre, estudantes puderam tirar o título de eleitor na frente da escola Ernesto Dornelles, graças a uma parceria do TRE-RS com o grêmio
Fonte: UBES

Seminário de Educação ressalta resistência para o desenvolvimento nacional

Seminário de Educação ressalta resistência para o desenvolvimento nacional

Estudantes de todo o estado de São Paulo se reuniram nesse último final de semana, 07 e 08 de abril, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, para participar do Seminário de Educação da UEE-SP.

Com uma programação intensa de debates, mas realizado, inesperadamente, em um dia histórico de resistência, após o mandato de prisão ao ex-presidente Lula - expedido pelo juiz Sergio Moro, na quinta-feira, 05.04, e toda mobilização popular, do movimento estudantil e social contrários à prisão arbitrária. 

Assim, o Seminário que tinha como tema " Universidade Não se vende, se defende", tornou-se um evento emblemático e histórico de posicionamento dos estudantes em defesa da democracia e da educação.
 
Nayara Souza, presidenta da UEE-SP, iniciou a programação do Seminário, apresentando a iniciativa da entidade em organizar os dois dias de debates, trazendo estudantes de todo o estado de São Paulo. "Os ataques à educação são intensificados atualmente. Recentemente, uma tal reforma de projeto pedagógico dos tubarões do ensino demitiu milhares professores das universidades privadas e se elevam as propostas de cobranças de mensalidade nas instituições públicas. Sair dessa situação é ainda mais difícil quando estamos em torno dessa conjuntura, que um golpe trouxe um plano de governo, que não se dedica ao desenvolvimento".

Em seguida, deu-se início ao debate sobre financiamento da educação, com a presença de Renato Meirelles, diretor do Instituto Locomotiva, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel e Virgínia Barros, ex-presidenta da UNE.

Meirelles lembrou dos avanços no acesso ao ensino superior nos últimos anos e os impactos no salário e no mercado de trabalho, a partir do investimento em programas de acesso. " Atualmente, temos 75% dos estudantes brasileira sendo a primeira geração com formação universitária das suas famílias. Esse acesso gera uma transformação social imensa".

O reitor da Unicamp falou sobre seu um ano à frente da universidade e as dificuldades no orçamento com o projeto no estado. "São Paulo tem um modelo de financiamento de universidade único  no mundo inteiro, uma vez que é a população que paga pelo orçamento destinado às instituições . Ou seja, toda população paga por elas por meio de ICMS, que é o imposto por circulação, compras e serviço. Em um momento de crise, claro que vamos consumir menos e assim a verba destinada cai. Eis aí o grande problema desse sistema".

Knobel acrescentou que além de um novo modelo de financiamento, com maior papel do estado nos hospitais universitários e programas de assistência estudantil, por exemplo, e deve-se pensar a universidade mais adequada às especificidades regionais e mais flexível.

Virgínia Barros, ex-presidenta da UNE, que em sua gestão foi aprovado o Plano Estadual de Educação, com 20 metas para os próximos 20 anos, explicou qual o principal entrave para a efetivação do PNE. 

" Com a PL 95, aquela do congelamento de gastos, o investimentos de educação e saúde não serão reajustados nos próximos 20 anos, o que conflita diretamente com as metas de educação pública. A abertura da exploração da camada do pré-sal para empresas estrangeiras o tornou ainda mais distante."

Confira contribuições das mesas de domingo (08.04)

Mercantilização da Educação
Nessa mesa, em que estudantes de universidades privadas levaram seus questionamentos e contestações sobre o ensino e detalhes sobre a vida estudantil nessas instituições,  Madalena Guasco, coordenadora da Faculdade de Educação da PUC - SP, apresentou do projeto educacional que se firma com o avanço neoliberal no governo e a urgência em barrá-lo
" Avança a educação à distância,também no ensino médio, a privatização do ensino. Cursos com o valor de R$ 8 mil reais, com professores de mestrado e doutorado e para o ensino superior gratuito, docentes com notório saber, mesclando aulas à distância", avalia Madalena.

Victor Grampa, presidente da Comissão de Direito Educacional da OAB/SP, mostrou detalhes das fatias do mercado entre os chamados "tubarões do ensino" e a problemática em torno da falta de regulamentação. " Na aquisição das universidade, ou seja na compra de mais instituições pelos grupos, já há carência de fiscalização.".


Ensino, pesquisa e extensão

Participaram do debate, Tamara Naiz, presidenta da ANPG ( Associação Nacional dos Pós Graduandos, Roseli de Deus Lopes, diretora da SBPC ( Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência)  e Luis Claudio, diretor do Campus São Paulo do Instituto Federal. A mesa debateu os impasses da regulamentação do profissional tecnólogo, os cortes na Ciência e Tecnologia e carência - e necessidade - da pesquisa na graduação.


Reformas e Mercado de Trabalho

Na tarde de domingo (08.04), o deputado federal Orlando Silva ( PC do B) e Rodrigo Brandão, diretor do Instituto Teotônio Vilela, debateram os caminhos para o desenvolvimento nacional e o mercado de trabalho. 
Brandão trouxe dados sobre o desemprego na juventude, que chega a 30% no Brasil e as propostas para elevar a taxa de empregabilidade nessa faixa etária. "Incentivar as empresas a contratar pessoas mais jovens e repensar a formação a partir das novas modalidades de emprego que surgem".

O deputado Orlando Silva, ressaltou que pensar do desenvolvimento nacional, redução de desemprego, passa também por uma luta política em reverter as "reformas" recentes e os investimentos em pesquisa nas universidades. 
" O PL de congelamento de gastos públicos inviabiliza crescimento do país, a inovação. E esse baixo investimento é criticado no mundo inteiro. Não dá para falar em indústria 4.0, com essas medidas, como a emenda 95".


Imagens: Karla Boughoff

Na luta pela educação, uma bagagem de histórias


Tradição da entidade, caravanas realizadas pela União Nacional dos Estudantes disseminam cultura e fortalecem a luta pela educação
Os pés que abriram os caminhos desta edição da UNE Volante não andam sós. Eles acompanham passos de outras épocas, acumulam e espalham a luta pela educação Brasil afora, como manda a tradição. Em 1962, a história teve início sob a gestão de Aldo Arantes, numa caravana que rodou o país para falar sobre reforma universitária e levar o então recém-criado Centro Popular de Cultura (CPC) a todos os cantos do país.
A também ”UNE Volante” saiu em marcha após o II Seminário Nacional de Reforma Universitária, realizado em Curitiba.
“Fizemos a UNE Volante, uma caravana que ia do Rio Grande do Sul a Manaus. Eram vinte e cinco pessoas, vinte integrantes do CPC e cinco dirigentes da UNE. Nós íamos de cidade em cidade, fazíamos assembléias gerais dos estudantes falando sobre a reforma e ainda apresentávamos as peças de teatro do CPC. Essa ação teve um o grande saldo que foi o fortalecimento do movimento estudantil. Éramos recebidos em cada lugar por milhares de estudantes. Foi muito importante para nossa história”, relembra Aldo.
Em 1963,reforçando as conquistas dessa experiência, foi realizada a segunda edição da UNE Volante, congregando jovens artistas e universitários em busca de conhecer e integrar o Brasil. No entanto, essas experiências foram interrompidas pela ditadura. A UNE foi colocada na ilegalidade em 1964 e sua reestruturação ocorreu quase 15 anos depois, com o enfraquecimento do regime. Contudo, a luta seguiu firme. Os passos já estavam dados. Novas caravanas estariam por vir.

ANOS 2000: A UNE PELO BRASIL

Em 2004, na gestão do presidente Gustavo Petta, as caravanas voltaram a fazer parte do calendário da entidade. Intitulada ”UNE Pelo Brasil”, a nova edição também trouxe para a pauta a reforma universitária. À bordo de um ônibus, a UNE Pelo Brasil somou 18 mil km rodados em 60 dias de viagem.
”Percorrer as universidades brasileiras foi fundamental porque ajudou a entidade a ter uma proposta de reforma universitária que chegou ao Senado Federal. Essa proposta resultou na aprovação de iniciativas como o Prouni e Reuni. Conseguimos influenciar o debate nacional para mudar a composição da universidade”, falou o então presidente.
Reeleito em 2005, Petta repetiu a experiência. Durante sua segunda gestão, a Caravana de Cultura e Arte Paschoal Carlos Magno percorreu 20 estados brasileiros levando a semente do Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca da UNE) para diversas universidades.
No segundo semestre de 2008, já sob o mandato da presidenta Lúcia Stumpff, a UNE apostou na diversificação dos temas das caravanas em um projeto ousado, a Caravana Saúde, Educação e Cultura. Em parceria com o Ministério da Saúde, o projeto passou pelos 26 estados, mais o Distrito Federal, a bordo de um ônibus.

UNE BRASIL + 10

Qual é o Brasil que você quer para os próximos 10 anos? Com essa pergunta em mente, a UNE saiu em caravana pelo país no ano de 2012. Foram mais de 50 cidades e mais de 70 universidades públicas e particulares percorridas, na intenção de debater os rumos da educação e do país. Daniel Iliescu, presidente da entidade nesta edição, conta que estar à frente de uma Caravana da UNE é algo muito especial.
”É uma atividade em que a entidade está cumprindo um papel que lhe é constitutivo, que é o de ser Nacional. Não se é nacional somente no Rio, em São Paulo e em Brasília. É preciso estar lado a lado com os estudantes de Norte a Sul, do interior ao litoral do Brasilzão. Conhecer a diversa realidade concreta, nua e crua que vive a nossa juventude”, disse.
Para ele, construir uma caravana em 2018, num momento em que a democracia está sob forte ataque, é um resgate histórico e necessário. ”Em 2012 vivíamos no Brasil um momento de muito otimismo e esperança no futuro. Infelizmente, por enquanto, a História tem tomado outro rumo e nosso povo resiste a uma situação de exceção gerada por um golpe. Por isso, caiam dentro! Muita sola de sapato, muita saliva na língua, muita energia positiva no corpo e na alma. A solução do Brasil está no povo, está nas pessoas e uma entidade fantástica como a UNE é um instrumento precioso para ajudar a unir e organizar o povo e a juventude em nossa luta por um Brasil justo e livre”, destacou Iliescu.
Fonte: UNE

quarta-feira, 9 de maio de 2018

" JOVENS NÃO DEIXEM DE LÊ" - EDUARDO VASCONCELOS -Maio de 1968: um convite ao debate


 

Cinquenta anos depois, é ainda mais necessário examinar em profundidade um movimento que indicou o esgotamento do capitalismo mas inspirou, ao mesmo tempo, a 'renovação' pós-moderna do sistema


1968 constitui um evento de dimensão 
histórico-mundial (Wallerstein), assim como 1789-91, 1848, 1917, 1989-91, pois assinala um ponto de virada histórico suficientemente persuasivo para instaurar um novo world time (Eberhard). Particularmente contagiante, a expressão francesa da crise internacional, detonada em Paris no mês de maio, funcionaria como uma espécie de catalisador de outras revoltas antissistêmicas em arenas locais distantes como Varsóvia, Praga, Dublin, Berlim, Tóquio, São Paulo, Cidade do México ou Lima.

Devido a esta repercussão mundial da experiência francesa, convencionou-se nos meios jornalísticos e até mesmo acadêmicos reduzir 68 ao maio de 68, uma referência ao mês no qual a contestação de setores esquerdistas do movimento estudantil universitário explodiu nas barricadas da Rua Gay-Lussac, no entorno da Sorbonne em Paris. Já a referência a maio-junho de 68 incorpora o desfecho conclusivo da crise, quando o impacto causado pelos Acordos de Grenelle – pactuados, no fim de maio, pelo Ministério do Trabalho com a Confederação Geral do Trabalho (CGT), sob a direção do Partido Comunista Francês (PCF) –, somado à proibição das organizações revolucionárias mediante decreto governamental de 12 de junho, e a subsequente vitória eleitoral de De Gaulle, conseguiram finalmente canalizar as energias revolucionárias do movimento para saídas reformistas.

Contudo, este ano turbulento não começou nem terminou em 1968, algo que a expressão anos 68 também tenta exprimir. Na Itália, por exemplo, a contestação eclodiu um ano antes da rebelião na França, arrastando-se por mais dez anos.

A cada decênio, repõe-se uma situação de disputa pela memória e significado de 68, sempre renovada por uma série de publicações acadêmicas e editoriais jornalísticos que polemizam sobre o anacronismo ou, pelo contrário (a depender do ponto de vista), sobre a atualidade ou contemporaneidade das aspirações libertárias e energias revolucionárias liberadas naquele ano.

Não há também consenso quanto ao seu impacto sobre a vida social, se este foi subestimado ou superestimado pelos protagonistas daquela geração. Afinal, 68 foi uma revolução social derrotada, ou tudo não passou de uma intentona hedonista e iconoclasta de perturbação do status quo pela juventude revoltada? 68 resultou na vitória da heteronomia e do individualismo pós-moderno ou simboliza um importante marco temporal nos processos de descolonização e de emancipação das populações submetidas às mais diversas formas históricas de opressão (patriarcal, heteronormativa, xenofóbica, étnico-racial, política)?

Algumas interpretações mais dogmáticas chegam a reduzir a história de 1968 a um tudo ou nada maniqueísta, incapaz de perceber a sua dimensão histórica real.

É nesse sentido, nos parece, que a provocação lançada pelos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari (1984), de que o Maio de 68 não aconteceu, deve ser entendida: pois, se a luta não começou nas barricadas dos dias 10 e 11 de maio, tampouco ela terminou com as eleições de 23 e 30 de junho, mas se desenvolveu posteriormente também nas trincheiras do campo simbólico, isto é, nos conflitos ideológicos pela memória do evento. De fato, as interpretações sobre 68 dividem-se mesmo no interior de campos políticos afins, principalmente à esquerda do espectro sociopolítico, sobretudo na França, país onde o evento despertou as reações mais furiosas e apaixonadas. O caso dos antigos fundadores da revista Socialismo ou Barbárie (1949-67), Claude Lefort e Cornelius Castoriadis, é exemplar nesse sentido. Para o primeiro, 68 foi uma revolta bem sucedida, enquanto que para o segundo, não passou de uma revolução fracassada.

Guy Debord, fundador de uma pequena, porém influente organização, a Internacional Situacionista (IS, 1957-72), constatou em 88 que nada havia sido até ali “tão dissimulado com mentiras dirigidas” quanto a história de 68. De fato, naquele mesmo ano, surgia pela primeira vez na França um livro sobre 68 produzido pelo campo néocon(neoconservador), chamado O pensamento 68, dos ideólogos Luc Ferry e Alain Renaut.

Vinte anos depois, no livro O pensamento anti-68 (2008), o filósofo Serge Audier alertava para o que chamou de trabalho de deslegitimação de 68, realizado por três atores principais, oriundos de campos políticos e intelectuais distintos, mas que convergiram na interpretação sobre aquele episódio: os gaullistas (retórica do “complô internacional”), os comunistas (retórica das “provocações esquerdistas”) e os neoconservadores (como o ex-presidente Nicolas Sarkozy), que pretendia liquidar a herança de maio de 68.

Em 2018, o atual presidente da França, Emmanuel Macron, restaurou a polêmica sobre o legado de 68 desde um ponto de vista modernisateurque, longe de liquidar com a herança de 68, pretende instrumentalizá-la, ressaltando as supostas características liberal-modernizantes do evento, enquanto oculta seus aspectos mais selvagens (como a greve geral de 10 milhões de trabalhadores com ocupação de fábricas e universidades).

Para os situacionistas[1], “de todos os critérios parciais utilizados para acordar ou não o título de revolução a tal período de perturbação no poder estatal, o pior é seguramente aquele que considera se o regime em vigor caiu ou se manteve. Esse critério […] é o mesmo que permite à informação diária qualificar como revolução qualquer putsch militar que tenha mudado o regime do Brasil, de Gana ou do Iraque”. A “prova mais evidente” do caráter revolucionário de 68, continuam os situacionistas, “para aqueles que conhecem a história do nosso século, ainda é esta: tudo o que os stalinistas fizeram, sem recuo, em todos os estágios, para combater o movimento, prova que a revolução estava lá”[2].

Debord, por sua vez, identificaria justamente na reação a 68 a origem do novo ciclo de dominação da sociedade do espetáculo, denominado espetáculo integrado, quando países de economia capitalista mais avançada (como França e Itália) passaram a incorporar, na tentativa de frear o avanço das forças revolucionárias liberadas internamente no decurso dos anos 1960-70, algumas das técnicas de governo empregadas tanto pelos regimes concentracionários de Stalin e Hitler, como pelas ditaduras militares dos países de economia capitalista mais atrasada (como Portugal, Espanha, Grécia, Chile, Argentina e Brasil) – sem, contudo, uma correlata supressão dos arranjos institucionais do chamado Estado de direito. Ao comentar a “estratégia da tensão” aplicada pelo Estado italiano contra o movimento del ‘77, Debord notou que “só se ouviu falar com frequência de ‘Estado de direito’ a partir do momento em que o Estado moderno, chamado democrático, deixou de ser democrático” (Comentários sobre a sociedade do espetáculo, § XXVI, 1988).

Como vimos, 68 não se restringe temporalmente aos meses de maio e junho, nem espacialmente à França. No Brasil, diferentemente de países formalmente democráticos como Estados Unidos, França e Itália, em 1968 a exceção se encontrava mais à vontade para mostrar o seu próprio rosto, dado que um processo de ruptura democrática já estava em curso no país há quatro anos. Mesmo assim, o ano de 68 foi marcado pela ascensão da resistência à ditadura instaurada em 64.

A luta dos secundaristas cariocas contra o aumento no preço das refeições, no início de 1968, que resultou na morte do estudante Edson Luís e nas mobilizações subsequentes, culminariam na Passeata dos Cem Mil, em junho. A partir do segundo semestre ocorreu a contra-ofensiva dos militares e dos apoiadores civis do regime. Em julho, a ocupação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), na Rua Maria Antônia, foi destruída por forças militares e paramilitares de orientação anticomunista como o Comando de Caça aos Comunistas (com saldo de mais um estudante morto). Em agosto, forças de repressão invadiram a Universidade de Brasília (UnB), prendendo e espancando estudantes e professores. Em outubro, os militares invadiram o XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, prendendo centenas de lideranças do movimento estudantil. Em dezembro, a decretação do Ato Institucional n° 5 (AI-5) fecharia ainda mais o regime, dando início aos chamados anos de chumbo. Com a posse do general Emílio Garrastazu Médici, então chefe do SNI [3], em 30 de outubro de 1969, o regime atinge o ponto de indistinção total onde “o serviço secreto não seria apenas mais um órgão da Presidência da República; seria a própria Presidência da República”[4].

Aos ouvidos brasileiros pós-2013, esse debate (pós-68) parece assumir contornos familiares. Afinal, é inquestionável o fato de que tanto 1968 quanto 2013 marcaram, guardadas suas respectivas particularidades históricas, períodos de acirramento das lutas sociais. Parece-nos que o traço mais distintivo entre uma conjuntura e outra, mais do que nas formas e conteúdos da contestação sociopolítica e da repressão policial, consiste no fato de que a violência estatal de 2013 foi operada, desta vez, não por um regime formalmente ditatorial como em 1968, mas por um regime formalmente democrático.

Se se quiser aplicar a crítica teórica do espetáculo – crítica essa fundamentalmente nucleada pela experiência de 68 – à crise sociopolítica brasileira de 2013-18, deve-se ler com especial atenção os escritos de Guy Debord nos anos 1980. Pois a crise e o esgotamento da chamada Nova República testemunham justamente a entrada definitiva do Brasil na era do espetáculo integrado.

[1]As críticas téorica e prática dos situacionistas, indissociáveis da crise revolucionária francesa de maio-junho, ainda são pouco lembradas por nossa historiografia sobre 68. Quando mencionadas, incorre-se em algumas imprecisões. Olgária Matos reconhece, por um lado, que “foram os situacionistas que numa mescla de marxismo, anarquismo, surrealismo, fizeram a crítica mais certeira à sociedade ‘espetacular mercantil’, onde tudo se dá sob a forma da mercadoria e esta se dá como espetáculo” (1981, p. 68). Mas erra ao afirmar que “o dia 22 de março marcou a fusão entre o leninismo, o anarquismo e o situacionismo” (Idem, p. 69). De fato, o grupo 22 de Março ao qual ela se refere (fundado em 22/03/68), resultou de uma agremiação eclética que amalgamava, de modo geral, anarquistas, trotskistas e maoístas, mas não os situacionistas. A IS também não “se formou em Strasbourg” (Idem, p. 66), como afirma a autora, mas na Itália em 1957. Os situacionistas foram os pivôs do chamado Escândalo de Strasburgo, em 1966, um dos episódios antecipadores da crise de maio. Porém, apenas um dos membros da IS, Mustapha Kayathi (autor do manifesto A miséria do meio estudantil), detinha contato com estudantes radicais de Strasbourg. Cf. Paris, 1968: As barricadas do desejo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1981. Já Daniel Aarão Reis Filho alude a “um texto dos anos 60” (A sociedade do espetáculo, de Guy Debord), para se compreender “o caráter mediático que a política assume desde então” (1999, p. 67). Ocorre que o livro de Debord é de 1967, e não explica 68 a posteriori, mas o antecipa em diversos aspectos, inclusive para além da questão “mediática”. Cf. “1968, O curto ano de todos os desejos”. In: GARCIA, Marco Aurélio; VIEIRA, Maria Alice. Rebeldes e contestadores. 1968: Brasil/França/Alemanha. São Paulo: Ed. Perseu Abramo, 1999.

[2]Cf. “O começo de uma época”. In: Internacional Situacionista, n° 12, 1969, p. 13 (Tradução nossa).

[3]O Serviço Nacional de Informações é o serviço secreto brasileiro, vigente entre 1964-90. A partir de 1990, mudaria de sigla outras três vezes. Foi o efêmero DI (Departamento de Inteligência) entre 1990-92, SSI (Subsecretaria de Inteligência) entre 1992-99 e, desde então, Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

[4]Cf. FIGUEIREDO, Lucas. Ministério do Silêncio. A história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula (1927-2005). Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 186.

*Publicado originalmente no Outras Palavra
Fonte: Revista Carta Maior

"JOVENS PENSAR NO FUTURO, SEM ESQUECER O PASSADO! - EDUARDO VASCONCELOS - O significado de ser feliz coletivamente

Reprodução


Em 1988 Gilberta Acserald escreveu sobre maio de 68 para o livro 'Um Rio em 68', da Secretaria Municipal de Cultura da época. Trinta anos depois, ela fala do legado daquele período na educação dos filhos da sua geração e no que restou do espírito de luta, de crítica e solidariedade.

1968: clímax de um processo que vinha se gestando, já prenunciando tempos graves de um fechamento ainda maior do regime e que a nossa paixão não permitia avaliar. 

Lembro da tentativa de um modo de ser diferente: corajoso, criador. ‘’Estudante é para estudar’’, era um ditado repetido por aqueles que negavam o direito de pensar e atuar do cidadão. E, no entanto, como estudávamos os livros e a realidade cotidiana.

A sensação de poder criar era indizível, num espaço que não nos fora dado, mas que ousávamos conquistar. 

Pensávamos uma sociedade sem desigualdades sociais no futuro, mas pensávamos desde então as questões imediatas: mais vagas para que a universidade fosse de todos; mais verbas para que houvesse espaço de criação de um saber nosso. (Escrito em 1988) 

Coragem, solidariedade, a generosidade vividas naqueles tempos. O que ficou de herança desse espírito combativo de 68? Ela ficou um tanto comprometida porque a memória daquela época não foi apropriadamente transmitida, discutida, cultivada. Quando converso com alguns jovens sobre aqueles anos, muitos se surpreendem - o tema não faz parte da História que aprendem nas escolas.  Talvez, de alguma forma, aquele espírito combativo permaneça no imaginário coletivo. 

A disposição de luta, acredito que seja inerente à experiência humana, mas não obrigatoriamente se transforma no desejo de mudar as condições da vida social e política como aconteceu em 1968. 

Lembrar reflexivamente das experiências do passado fortalece as opções de ação no futuro. Mas a mídia prefere abrir espaço para os que afirmam que em 1968 “não houve uma luta por mudanças políticas e sociais; houve apenas uma luta para mudar os comportamentos”, o que é reduzir demais o tamanho do sonho que tivemos.

Em 67 e 68 eu morava na casa dos meus pais, no Rio de Janeiro e estudava na Faculdade de Letras da UFRJ. Estava no último ano com previsão de ter a graduação em Letras em novembro de 1968, tendo cumprido tanto as disciplinas e o estágio didático no

Colégio de Aplicação. Estudava literatura e o mundo. Na Faculdade de Letras, não havia tradicionalmente muita ligação com a política; mas os estudantes começaram a se mobilizar.

Minha militância estudantil começou ali, como representante da faculdade no Diretório Central dos Estudantes, órgão legal que tinha assento no Conselho Universitário da UFRJ. A partir de 68, minhas liberdades como cidadã, assim como de muitos outros companheiros foram sendo brutalmente tolhidas.

Sobre o fato de, eventualmente, ter se perdido, na pós-ditadura, na redemocratização, a energia dos jovens daquela época, penso que não dá para falar dos jovens em geral. Energia, os jovens têm de sobra, mas não obrigatoriamente na direção de construir um mundo melhor, sem desigualdade e com justiça. Alguns jovens pobres, não brancos e moradores de periferia, sem nenhuma perspectiva de futuro em meio à miséria, e sem reconhecimento como cidadãos de direitos constituídos, optam pelo sinistro comércio ilícito de drogas e são assassinados. 

Outros, mesmo trabalhando, são ditos “confundidos com traficantes” e também são mortos pela polícia. É toda uma geração que desaparece nessa espiral de violência. 

Outros ainda, jovens de classe média, inebriados pela tecnologia e pelo consumo, se tornam verdadeiros “cavalos de corrida”, ardorosos defensores do status quo – “se está bom para mim, que o mundo siga igual”. 

E outros, finalmente, olham o mundo de hoje e o vêm tão diferente daquele que fora sonhado nas lutas da geração anterior, e buscam inspiração nas experiências do passado, alternativas para construir um futuro solidário, com um ardor semelhante ao daquela época.

Não é possível falar dos filhos dessa “geração de 68’’ em geral. Alguns de nós, quando se tornaram pais mudaram, se acomodaram  e educaram seus filhos na busca do sucesso sem pensar nos demais. Mas há sempre a possibilidade desses filhos se redescobrirem de outra forma e se reinventarem. 

Outros pais se mantiveram críticos e continuaram cada um na sua área, ao seu modo, nas suas lutas; e seus filhos, eventualmente, poderão compreender, se identificar, criar e recriar suas próprias lutas. 

De toda forma, combatividade, crítica e projeto libertário não se transmitem por DNA, mas são opções social e historicamente construídas. Não cultivar reflexivamente a memória daqueles tempos promove esquecimento e conformidade. 

O que eu escrevi e disse vinte anos depois de 68 (acima)  permanece atual. A paixão, a sensibilidade diante do cotidiano, o senso crítico, a crença na urgência de uma construção de um mundo sem desigualdade e com justiça permanecem. 

Entretanto, diante da realidade do Brasil de hoje, aumentou muito a melancolia. 

Naqueles anos não se imaginaria o estado de desconstrução política, social, econômica e cidadã a que hoje chegamos. Em 1968, tive a ventura de imaginar que seria possível viver uma felicidade coletiva, onde todos tivessem as mesmas possibilidades de um futuro com justiça social. 

Tenho até hoje, na memória, o momento em que, numa manifestação estudantil no centro do Rio, olhei para trás e vendo aquela multidão de gente se manifestando e exigindo seus direitos em plena ditadura, experimentei a sensação do que significa ser feliz coletivamente. 

Foi uma sensação indizível, e até então desconhecida; você não se sente mais um, mas se torna nós e esse sentimento tem outra força, porque vai além daquela felicidade individual, temporária ou, por vezes, duradoura, de ter família, um parceiro/a amoroso, filhos saudáveis e estudiosos, que vale, sem dúvida, mas é ainda muito pouco diante do que pode almejar a humanidade.

Hoje, fica a melancolia de não só não termos conseguido construir o mundo que sonhamos, mas termos que conviver com miséria e violência.

Jovens daquela época, e idosos hoje, de incendiários se transformaram em bombeiros, como diz o ditado? As generalizações não dão conta da realidade. Alguns se tornaram bombeiros, outros ousam ainda. As mulheres se organizam mais e melhor do que em 68 porque suas reivindicações atuais se diversificaram, vão além das que tínhamos na época. 

Hoje, jovens e militantes de 68 estavam juntas nas ruas quando do assassinato de Marielle exigindo liberdade de pensamento e ação contra o genocídio da juventude negra, pelos direitos das mulheres, e denunciando a opressão dos despossuídos. 

Acreditando, assim como em 68, que eu sou eu porque somos nós e é esse nós que nos dará força para construir outro mundo possível.

*Gilberta Acselrad é enfermeira na UERJ. É autora dos livros Quem tem medo de falar sobre drogas? e Avessos do prazer: drogas, Aids e Direitos Humanos


Carta Maior

Novidades do Museu - Parceria entre o Ibram e Google democratiza acesso ao acervo do MNBA




O Google Arts & Culture, que reúne coleções de mais de mil museus e instituições de arte e cultura de todo o mundo, acaba de incluir cinco museus do Ibram, dentre eles o Museu Nacional de Belas Artes.
Com a digitalização de parte do seu acervo, busca-se promover o Museu e sua fabulosa coleção, e assim democratizar o acesso ao seu extenso patrimônio, dentro de uma plataforma digital de grande alcance. 
O acervo do MNBA está disponível na plataforma digital do Google Arts & Culture.
São mais de 500 obras em alta resolução, além de poder passear pelas galerias do museu pelo Google Street View.
Conheça a obra Retrato do intrépido marinheiro Simão, de José Correia de Lima (1814-1857) e muitas outras.

VISITE O MUSEU NACIONAL DAS BELAS ARTES

S
ituado no centro histórico do Rio de Janeiro, o edifício de arquitetura eclética projetado em 1908 pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios para sediar a Escola Nacional de Belas Artes, herdeira da Academia Imperial de Belas Artes, foi construído durante as modernizações urbanísticas realizadas pelo prefeito Pereira Passos na então Capital Federal.

Criado oficialmente em 1937 por Decreto do presidente Getúlio Vargas, o Museu Nacional de Belas Artes conjugou a ocupação do prédio com a Escola Nacional de Belas Artes até 1976, quando a EBA foi deslocada para a ilha do Fundão. Neste mesmo ano, com a criação da Fundação Nacional de Arte(Funarte) houve novo compartilhamento.
museu antigo
Em 24 de maio de 1973, o edifício da Avenida Rio Branco, 199, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN) e a partir de 2003, a imponente construção passou a abrigar na sua totalidade o MNBA.

Avançando na linha do tempo, em 2009 o MNBA foi incorporado pelo Instituto Brasileiro de Museus(IBRAM), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura. Hoje é a instituição que possui a maior e mais importante coleção de arte brasileira do século XIX, concentrando um acervo de setenta mil itens entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros.
A bicentenária Coleção do Museu Nacional de Belas Artes se originou de três conjuntos de obras distintos: as pinturas trazidas por Joaquim Lebreton, chefe da Missão Artística Francesa, que chegou ao Rio de Janeiro, em 1816; os trabalhos pertencentes ou aqui produzidos pelos membros da Missão, entre os quais se destacam Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Batiste Debret, Grandjean de Montigny, Charles Pradier e os irmãos Ferrez; e as peças da Coleção D. João VI, deixadas por este no Brasil, ao retornar a Portugal, em 1821.
museu antigo
Percorrendo suas galerias, o visitante pode vislumbrar, como em poucos espaços culturais do país, a história das artes plásticas no Brasil desde os seus primórdios até a contemporaneidade.

Ocupando atualmente uma área de 17.000 m2, o Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/MinC constitui-se num vigoroso centro irradiador de conhecimento e divulgação da arte brasileira. 

Museu Nacional de Belas Artes: Avenida Rio Branco, 199 – Cinelândia.
Tel:  (21) 3299-0600