Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

terça-feira, 15 de maio de 2018

HISTÓRIA: OS POTIGUARAS DO SÉCULO XXI

Os Potiguaras do século 21 têm seus pés apoiados no presente, mas o movimento de resgate de sua cultura, tão expressiva no passado, é um passo fundamental para as atuais e futuras gerações reafirmarem sua identidade. As escolas indígenas vêm revolucionando esse processo.

Desde 2002, as trinta e duas aldeias têm unidades de ensino fundamental com professores bilíngues, sendo que, quatro delas (São Francisco, Monte-Mor, Três Rios e Acajutibiró) recebem também alunos do ensino médio.
Nesses treze anos, muita coisa mudou. A língua Tupi, que até então aparecia de forma inconsciente, em palavras soltas e esparsas no meio de frases, em português, aos poucos, ressurge na boca do povo.
“No início, não havia demanda. Hoje, está faltando professor. Muitos querem participar do Toré, inclusive, adultos. É o fortalecimento da nossa cultura”, diz o professor Josafá Freire, potiguar da gema e coordenador do projeto em toda a Reserva.
As aulas, além da grade normal de qualquer escola no Brasil, ensinam gramática da língua tupi, história étnica e arte e cultura potiguara.
O RITUAL SAGRADO
O Toré é um ritual sagrado dos índios do nordeste brasileiro que resistiu a tudo e a todos. Nem mesmo centenas de anos em longos processos de aculturação foram capazes de minar esse culto que está na essência do espírito guerreiro dos Potiguaras.
A cerimônia, fechada, é uma celebração à identidade e à união das aldeias, e acontece em diferentes situações. Comemorar uma colheita, uma conquista, a exemplo das demarcações e homologações de suas terras ou, até mesmo, homenagens em dias de luto.
No passado, as batalhas vencidas pelos Potiguaras contra as forças portuguesas sempre eram festejadas com o Toré.
O rito é dançado em três círculos sobrepostos. No centro do primeiro círculo, formado pelas crianças e adolescentes, ficam os tocadores de bombo (tambor), a gaita (flauta feita de bambu) e a caixa; o segundo anel é composto pelas lideranças (caciques e pajés); no maior arco dançam os adultos, sempre em movimentos circulares, no sentido horário.
PINTURA POTIGUARA
A pintura Potiguara é uma de suas expressões culturais mais representativas. Usada durante o ritual do Toré, ela é a mais pura tradução dos antepassados indígenas.
O urucum reproduz o sangue vermelho e a força dos guerreiros. Retirar sua tinta é muito simples. A semente é aberta, depois, com as próprias mãos, os nativos pintam o rosto.
A cor preta do jenipapo evoca a Mãe Terra, fonte de energia. Sua extração é bem mais complexa, sendo necessários três dias em que é preciso mexer o caldo com as raspas do fruto, a cada duas horas, até chegar à tonalidade e textura certas.
No Dia do Ìndio, 19 de abril, é realizado um grande Toré, aberto ao público, na aldeia São Francisco.
A RESERVA INDÍGENA
A Reserva dos Potiguaras tem 33 757 hectares (Terra Indígena Potiguara - 21.238 hectares; TI Jacaré de São Domingos - 5.032 ha; e TI Potiguara de Monte-Mor - 7.487 ha), repartidos em três áreas adjacentes, nos municípios de Baía da Traição, Rio Tinto e Marcação.
Sua população é estimada em vinte mil pessoas, distribuídas em 32 aldeias e nas cidades de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto.
Cada aldeia possui um cacique. A reserva, como um todo, é comandada por um Cacique Geral.
Os potiguaras desenvolvem agricultura de subsistência de culturas como o milho, feijão, mandioca, macaxeira e inhame; a pesca artesanal, no mar e nos manguezais; o extrativismo vegetal da mangaba, dendê, caju e batiputá; e a criação de galinhas, patos, cabras, bovinos e cavalos. O turismo de base comunitária é incipiente, mas merece atenção destacada, por se mostrar uma forma da população indígena, ter um controle sobre seu desenvolvimento econômico em que os benefícios permanecem dentro das aldeias.

Fonte: trilhasdospotiguaras.com.br

Brasil sedia primeira Reunião de Patrimônio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP

1ª Reunião da Comissão de Patrimônio Cultural da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

O Brasil irá sediar a primeira Reunião da Comissão de Patrimônio Cultural da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nos dias 17 e 18 de maio, em Salvador (BA). O evento será promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no hotel histórico Pestana Convento do Carmo, antiga Ordem Primeira dos Freis Carmelitas, construído em 1586, próximo ao Pelourinho. Participam do evento representantes de Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, além do Brasil. 
O propósito da Comissão de Patrimônio é fomentar iniciativas de valorização do Patrimônio Cultural comum, para integração e desenvolvimento regional. Singularidades e aprendizados em preservação do patrimônio serão tema de debate entre as nações integrantes da CPLP, ao longo desses dois dias. A comissão deve promover o intercâmbio de especialistas em atividades de formação em patrimônio, além de compartilhar políticas de preservação entre os países que falam a nossa língua. “Falamos a mesma língua, o que proporciona a capacitação profissional dos gestores de patrimônio dos países da comunidade”, destaca o Diretor de Cooperação e Fomento (DECOF) do Iphan, Marcelo Brito.
O Brasil ocupa a presidência pro tempore dessa comunidade internacional e a cidade de Salvador foi declarada a capital cultural dos países de língua portuguesa, para o biênio 2017-2018. A realização da primeira reunião da comissão ocorre em resposta aos compromissos firmados na X Reunião de Ministros da Cultura da CPLP, ocorrida em maio do ano passado. 
1ª Reunião da Comissão de Patrimônio Cultural da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),A língua de Camões
A CPLP integra nove países que falam o Português. A língua é um meio de aproximação entre os indivíduos, e permite a fruição da cultura dos falantes. Os povos representados na CPLP partilham também de uma herança histórica que os une, de um percurso comum de vários séculos, que deu origem ao Patrimônio Cultural desses países. Esse patrimônio, tanto no que tem de comum, quanto na sua diversidade, tem potencial para o aprofundamento das relações entre os cidadãos dos estados membros, e afirmação da CPLP no contexto internacional. 
A Comissão de Patrimônio tem a missão de aproximar as nações integrantes da comunidade a partir do patrimônio cultural nelas existente. Na CPLP, a cooperação multilateral é um princípio fundamental, onde se pretende desenvolver ações formuladas e implementadas em conjunto, pelo bloco, propiciando sinergias e intercâmbios que favoreçam a gestão do patrimônio em cada país. 
Assim, a construção de projetos de cooperação técnica deve promover atividades formativas, o intercâmbio de experiências, a difusão de documentos internacionais especializados em língua portuguesa, a defesa de interesses comuns em fóruns internacionais e outras políticas de integração para o desenvolvimento do Patrimônio Cultural comum. Durante o encontro, os participantes conhecerão as ações do Centro Lucio Costa, a escola de patrimônio do Iphan, e suas oportunidades de formação em gestão do patrimônio. Haverá visitas técnicas à obra de restauro da Igreja do Passo e à Casa do Carnaval, em Salvador, restauradas pelo Iphan e entregues à sociedade em fevereiro de 2018.
Patrimônio Mundial nos países lusófonos
A cidade de Salvador, com sua história ligada à herança africana e europeia, é um exemplo do patrimônio compartilhado entre países lusófonos. A Ilha de Moçambique, na África, que também leva o título de Patrimônio Mundial, é outro lugar onde se destaca a arquitetura colonial portuguesa. Em Cabo Verde, também no continente africano, a Unesco reconheceu a Cidade Velha, conjunto histórico com bela vista para o mar, onde se destaca o Pelourinho, ao centro. Referências de urbanismo que vêm de cidades como Évora, em Portugal, com suas ruas entrecortadas.
Os bens brasileiros reconhecidos como Patrimônio Imaterial da Humanidade têm também fortes ligações com as tradições afrodescendentes – como é o caso do Samba de Roda no Recôncavo Baiano e a Capoeira. Esses são apenas alguns dos exemplos de formas de expressão marcadas pela presença de tambores e prática da dança, como é o caso do Gule Wamkulu, ritual praticado em Moçambique, Malawi e Zambia, que também integra a lista da Unesco.
A CPLP
Criada em 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização internacional formada por países lusófonos, cujo objetivo é o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros. O bloco assume-se como um projeto político internacional multilateral, cujo fundamento é a Língua Portuguesa, bem como o vínculo histórico comum entre os nove países localizados em um espaço geograficamente descontínuo: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A comunidade constitui, em consonância com as diretrizes da política externa brasileira, foro prioritário de atuação do Ministério da Cultura no âmbito cultural.
Serviço
Primeira Reunião da Comissão de Patrimônio Cultural da CPLP

Data: 17 e 18 de maio
Hora: 9h às 17h
Local:  Pestana Convento do Carmo 
           Rua do Carmo, 1 – Santo Antônio – Salvador/ BA

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br 
Helena Brandi – helena.brandi@iphan.gov.br
(61) 2024-5526- 2024-5511 - 2024-5513
(61) 99381-7543
www.iphan.gov.br
www.facebook.com/IphanGovBr | www.twitter.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr

Semana de Museus tem atrações por todo o País. Confira a programação!


16ª Semana de Museus já começou e, a partir de hoje segunda-feira (14) até o próximo domingo (20), o público terá acesso a mais de 3 mil atrações, promovidas por museus de todo o Brasil, como visitas mediadas, palestras, oficinas e exibição de filmes.
Se você ainda não conferiu a programação da sua cidade, pode acessar o site do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e fazer a pesquisa por estado e cidade. Se desejar, o usuário também pode buscar os eventos de uma instituição específica. A outra opção é clicar aqui fazer o download da programação completa disponibilizada pelo Ibram.
O evento é uma temporada cultural coordenada pelo Ibram que acontece todo ano em comemoração ao Dia Internacional dos Museus, em 18 de maio. Este ano, o tema da semana será Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos. De acordo com o Ministério da Cultura, o objetivo do evento é “valorizar espaços de memória e cultura no País, aprimorar a relação dos museus com a sociedade e ampliar o público visitante”. O tema, ainda segundo o órgão, foi escolhido pelo Conselho Internacional de Museus (Icom).
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ibram, do Ministério da Cultura, da Prefeitura de Belo Horizonte e do Secretaria de Cultura do Paraná

Herson Capri: Povo precisa sair da mesmice da mídia tradicional


O ator da TV Globo Herson Capri visitou nesta sábado (12) a Vigília Lula Livre em Curitiba, e participou do já tradicional Bom Dia ao ex-presidente Lula.
Ele circulou pelas ruas do entorno da sede da Polícia Federal, conversou com os defensores de Lula e da democracia que habitam a vigília e deu um emocionado depoimento sobre o ex-presidente e a atual situação brasileira, que tem sua democracia ameaçada pela prisão arbitrária do líder das pesquisas sobre a corrida presidencial.

“O mundo inteiro já sabe que Lula é inocente. Seu governo foi o melhor que já existiu, mas falam em populismo, quando, na verdade, se trata de um governo popular, que governou para o povo, para quem precisa. Eu estou pedindo para que nosso povo vá às ruas e, principalmente leia as mídias alternativas, para ter o outro lado da moeda, para sair da mesmice dessa mídia tradicional. Estou com você e vou vou ficar com você até o fim” Veja, abaixo, o vídeo que Capri gravou para que seja mostrado ao ex-presidente Lula.
Confira o vídeo gravado por Herson Capri para Lula: Vídeo: Claudio Kbene

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Abolição da escravatura - Escravidão brasileira, fantasma que se recusa a desaparecer

Escravidao.jpg
Milhões de afro-brasileiros ainda vivem sob as mesmas condições precárias que seus ancestrais, libertados há 130 anos
Por Thomas Milz e Deutsche Welle
Durante muito tempo os indícios do gigantesco crime permaneceram ocultos: para a chegada de sua noiva italiana, a princesa Teresa Cristina, em setembro de 1843, Dom Pedro 2º mandou aterrar às pressas o cais do antigo porto do Rio de Janeiro. Entre 1774 e 1831, 700 mil escravos haviam desembarcado aqui, mais do que em qualquer outra parte do mundo. Mas nada isso interessava ao imperador.
Os africanos que não sobreviviam a travessia atlântica eram carregados até o alto do morro vizinho e jogados num monte, junto com lixo caseiro e vacas mortas. Em 1996 uma família descobriu esse Cemitério dos Pretos Novos sob os alicerces de seu casarão. O memorial erigido pelos moradores está agora ameaçado de fechamento, pois há mais de um ano a municipalidade carioca não contribui com nem um centavo.
E no entanto faz um ano que o velho bairro portuário do Rio, na época apelidado "Pequena África", é Patrimônio Mundial da Unesco, tendo o Cais do Valongo como peça central. Na verdade, seria um imã turístico por excelência. Mas para o Brasil oficial, a memória do passado escravagista parece ser indesejada até hoje.
Abolição a contragosto
Em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea, a princesa herdeira Isabel aboliu a escravatura, sem uma guerra civil sangrenta, como nos Estados Unidos, nem uma revolta de escravos bem-sucedida, como no Haiti, em 1794.
Depois que a Inglaterra proibira o Brasil de praticar o tráfico negreiro transatlântico, com a Lei Aberdeen de 1845, passou a haver carência de mão de obra nas plantações locais. Mas ela foi progressivamente coberta pelos imigrantes europeus, mais eficientes no trabalho do que os escravos rebeldes.
O Brasil foi o último país das Américas a dar fim à escravidão, e isso só depois de esse sistema econômico ter se esvaziado. O balanço de seus 350 anos é atroz: um de cada dois africanos traficados foi parar no Brasil, 2 milhões só no Rio, um total de 5,8 milhões ao longo do litoral.
Leia mais: 

A sede de suor humano das plantações brasileiras era insaciável. Calcula-se que um entre dez africanos já morria na travessia. Chegadas ao país, as famílias eram separadas; os homens enviados para o trabalho no campo nas regiões mais distantes, enquanto suas companheiras, estupradas pelos senhores brancos, colocavam no mundo uma geração de brasileiros após a outra. Aos senhores não bastava explorar a natureza e os seres humanos, eles dominavam seus servos literalmente em carne e osso.
Apesar disso, mantém-se até hoje a crença de que a escravidão no Brasil foi mais humana do que em outras partes. Contribuem para tal as imagens e relatos que chegaram daquela época, os quais raramente refletiam a cruel realidade.
Legado nefasto
A libertação em maio de 1888 não foi para os escravos a festa de alegria anunciada oficialmente, mas, na maioria dos casos, uma catástrofe econômica. Sem terra, sem um só real de capital inicial nem qualquer formação profissional, eles foram entregues a seu destino. E lá se encontram, até hoje.
Milhões de afro-brasileiros vivem atualmente sob as mesmas condições precárias que seus ancestrais, libertados 130 anos atrás. Os pobres barracos das favelas das periferias brasileiras lembram os do século 19. Há milhões de brasileiros que ainda não chegaram ao Brasil. Das cerca de 60 mil vítimas de violência, a cada ano, dois terços são jovens negros, assim como dois terços dos detentos nas penitenciárias.
Para eles, o Brasil não oferece nenhuma outra perspectiva além do ciclo, já iniciado na escravidão, de violência, de rebelião contra a sociedade hostil e contra si mesmos. Enquanto os brancos eram e são intocáveis, os negros voltam sua violência contra si, em desesperança e ódio próprio.
Não há como simplesmente descartar o legado nefasto da escravidão, explica o psicanalista italiano Contardo Calligaris, que vive no Brasil desde a década de 80. Cada brasileiro, diz ele, traz em si a figura do colonizador, do dominador e explorador brutal: "Todas as relações de poder do Brasil são absolutamente habitadas pelo fantasma da escravidão." O poder se expressa como dominação física sobre o outro, uma assombração da escravatura que se recusa a desaparecer.
Açoite em praça pública, por Jean-Baptiste Debret
Açoite em praça pública, por Jean-Baptiste Debret
Protagonistas da própria história
A própria escravidão tampouco desapareceu. "Ainda se imagina um escravo como o remador acorrentado das galés, à la Hollywood", observa frei Xavier Plassat. "Mas, em vez de correntes, as pessoas são escravizadas hoje por dependências econômicas." Desde os anos 80, o dominicano francês combate a moderna escravatura com a Comissão Pastoral da Terra. Sob sua pressão, o governo decretou em 1995 a lei contra o trabalho escravo.
Desde então, foram libertados 54 mil trabalhadores escravos, os quais se esfalfavam, sem pagamento justo, nos pastos da Região Amazônica, nas fábricas têxteis ilegais de São Paulo ou nas minas de carvão do Nordeste.
No fim de 2017, surpreendentemente, o presidente Michel Temer tentou abrandar o conceito de escravidão moderna, eliminando o elemento de dependência forçada como critério. Diante da indignação internacional, contudo, recuou rapidamente.
A sombra da escravatura só desaparecerá quando a população brasileira de cor finalmente se tornar protagonista da própria história, acredita Celso Athayde, ativista do movimento negro.
Por fundar o primeiro partido para negros do país, a Frente Favela Brasil, ele foi acusado de discriminar os brancos. Mas já bem se viu o que aconteceu quando as escolas-de-samba se abriram para os brancos, rebate Athayde: em pouquíssimo tempo, eles é que passaram a mandar nelas. Tal coisa não vai acontecer em seu partido, promete.
Os brancos não se contentam nunca com um papel coadjuvante, eles precisam sempre ditar o tom, prossegue Athayde. "Nós, negros, ao contrário, preferimos nos esconder atrás dos brancos, porque temos medo do papel principal. Mas precisamos finalmente aprender a assumir esse papel."
Fonte: CARTA CAPITAL

O povo Guarani resiste! "VIVA O POVO GUARANI, LEGITIMO DONOS DO BRASIL!!!" - EDUARDO VASCONCELOS - CPC/RN

Manifestação do povo Guarani e seus parentes na Av. Paulista, em São Paulo, em reação à desdemarcação do Jaraguá. Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia NINJA

Por Comissão Guarani Yvyrupa (CGY)
Os Guarani, um grande povo entre os tantos que originalmente habitavam essas terras, há muito operam sofisticados movimentos para lidar com as agressões de seus inimigos. Durante esse longo processo de existir entre diferentes, mas também de resistir a uma força agressora descomunal, que busca violentamente exterminar as diferenças, onde se situam os Guarani? Entre a guerra e a diplomacia, o embate e a dispersão, a proximidade e o isolamento, qual seria sua posição?
Levando em conta sua grande população e a ampla extensão do seu território, os Guarani viraram o milênio relativamente desconhecidos pela sociedade brasileira, eventualmente encarnando a identidade de um povo pacífico. Contudo, tal identidade é apenas uma das múltiplas encarnações possíveis e concomitantes na ação política Guarani.

Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia NINJA
É neste contexto que emerge um novo ciclo de manifestações e lutas pelas demarcações que os Guarani empreenderam na última década. Frente à morosidade dos processos demarcatórios que os mantinha confinados a minúsculas e inférteis terras, os Guarani do Sul e Sudeste do país, embalados pelo contexto de revolta que inflamou o mês de junho de 2013 e articulados por meio de sua organização autônoma, a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), realizam uma série de trancamentos de rodovias, atos públicos e retomadas de antigas áreas tradicionais.
Uma das mais icônicas dessas ações foi o trancamento da Rodovia dos Bandeirantes, em setembro de 2013, quando os Guarani das aldeias de São Paulo interromperam por mais de duas horas com suas danças e cantos essa importante via de acesso à cidade. Nomeada em homenagem aos escravizadores de índios, tal rodovia foi construída sobre a Terra Indígena Jaraguá, até então a menor Terra Indígena do país.
Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia NINJA
A cidade de São Paulo, palco estratégico dessa luta, ainda viu uma série de ações com que os Guarani desestabilizaram a lógica identitária de sua suposta passividade: entraram sorrateiramente no Pátio do Colégio, enganando os jesuítas e fazendo uma retomada simbólica desse local onde a cidade fora fundada; utilizaram-se da produção farsesca na abertura da Copa de 2014 que queria ter um índio em seu show e realizaram o único protesto dentro de campo durante o evento, erguendo a faixa “demarcação já!”.
Além disso, estenderam faixas na Av. Paulista e sobre o Monumento às Bandeiras, transformando-o em monumento à sua resistência; dançaram e cantaram durante seis horas ininterruptas no escritório da Presidência da República, em São Paulo, ato com o qual conseguiram, em maio de 2016, a assinatura da portaria declaratória da Terra Indígena Tenondé Porã
Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia NINJA
Inspirados pelos parentes de São Paulo e pelas mobilizações que vinham ocorrendo ao redor do país, diversas lideranças Guarani passaram a realizar manifestações em suas próprias regiões. Do Rio Grande do Sul ao Espírito Santo, passou-se a conviver com essa singular presença dos Guarani tomando as principais ruas e rodovias das grandes cidades.
A CGY, que ingressou na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) em 2014, também participou desde então de uma série de mobilizações nacionais: pelas demarcações, contra a PEC 215 e outras medidas anti-indígenas propostas pela bancada ruralista, contra o sucateamento e a ingerência política do Governo na Funai, contra a desestruturação da Sesai.
Sem dúvida, muitas dessas manifestações tiveram êxito. Exemplo disso é que, apesar dos diversos ataques dos ruralistas, os Guarani conseguiram fazer com que 17 processos de identificação fossem iniciados, sete estudos fossem publicados pela Funai, quatro portarias declaratórias assinadas pelo Ministério da Justiça e uma terra indígena fosse homologada pela presidência entre os anos de 2014 e 2016, tudo por meio de muita luta.
A grande mobilização nacional contra a proposta de desestruturação da Sesai realizada em 25 de outubro de 2016 conseguiu reverter a proposta do Governo que seria realmente devastadora para as políticas de atenção à saúde indígena.
Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia NINJA
No entanto, mesmo essas conquistas têm se mostrado incertas no atual cenário de esfacelamento das políticas públicas chefiado pelo governo Temer. O que fazer quando, de um dia para o outro, o Estado pode aprovar uma lei que faz regredir um processo de demarcação que foi fruto de anos de luta? Como lutar se as mobilizações do movimento indígena conseguem reverter a portaria do Ministério da Saúde que enfraquecia a Sesai mas, ao mesmo tempo, o Congresso aprova a PEC 241, que terá o efeito de sucatear todo o SUS por décadas?
São questionamentos como esses que vêm sendo feitos pelas lideranças Guarani. Se por um lado não há dúvidas de que se deve lutar contra os retrocessos aos direitos que foram conquistados, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, torna-se também necessário buscar cada vez mais o fortalecimento da autonomia das comunidades indígenas.
“Se fortalecer na base”, como dizem muitas das lideranças que, nos últimos tempos, têm retomado suas terras tradicionais e plantado os tembi’u ete’i (os alimentos verdadeiros) independentemente do reconhecimento de um Estado para o qual é cada vez mais improvável reconhecer algo que não soja e petróleo.
Desse modo, mais uma vez, a resistência Guarani se compõe de diferentes ações e posições, entre a visibilidade e a invisibilidade, a luta no Estado e a luta a despeito dele, sem, no entanto, se deixar cristalizar em nenhuma delas. Numa época em que marcos temporais e fronteiras territoriais tentam confinar o tempo e o espaço, manter-se em movimento, nos ensinam os Guarani, é o que permitirá seguir atravessando a história.
Foto: Eduardo Figueiredo / Mídia NINJA
Fonte: MIDIA NINJA

domingo, 13 de maio de 2018

130 anos após a Abolição, o Brasil não sabe o que fazer com sua população negra. Por Clayton Netz

POR CLAYTON NETZ
Última nação a libertar seus escravos, em 1888 (Cuba foi a penúltima, em 1886), o Brasil foi quem mais importou negros africanos, entre meados do século 16 e meados do 19. Pesquisas recentes de um programa das universidades Emory, de Atlanta, nos Estados Unidos, e Hull, de Kingston,  na Inglaterra, refizeram as contas e constataram que chegaram ao país 5,8 milhões de escravos, cerca de 60% dos 10 milhões trazidos para as Américas.
Esse total, representa quase dez vezes mais do que os 597 mil africanos traficados para os Estados Unidos, que aboliram o cativeiro 23 anos antes do Brasil, em 1865, no bojo de uma sangrenta Guerra Civil.
À época da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, estima-se que apenas 5% dos negros que se espalhavam pelas províncias brasileiras eram escravos. O censo de 1872 apontava uma proporção maior, 15,2 % dos 10 milhões de habitantes do país. Os restantes estavam entregues à própria sorte, vivendo de bicos, exercendo funções subalternas de pintores, pedreiros e carregadores de carga, entre outros.
Com a assinatura da Lei, no dia 13 de maio, a situação não mudou. Ninguém procurou prepará-los para a liberdade, seja através da educação, seja com a oferta de preparação profissional ou mesmo distribuindo terras para cultivo.  Em vez disso, o primeiro governo da República, proclamada um ano depois, em 1889, preferiu investir na atração de imigrantes europeus para suprir a ausência dos negros na lavoura, como mão de obra ou oferecendo-lhes pequenas propriedades.
Ou seja, o Brasil resolveu estimular o branqueamento da população brasileira, acelerado pelo ingresso dos estrangeiros, mas principalmente pela miscigenação. Como demonstra a antropóloga, historiadora e escritora Lilia Moritz Schwarcz, autora do monumental “Lima Barreto – Triste Visionário”, sobre o escritor negro Afonso Henriques de Lima Barreto, não faltaram estudos científicos defendendo a teoria do branqueamento.
O principal deles era de autoria do diretor do Museu Nacional, o médico João Batista de Lacerda, que financiado pelo presidente da República, o marechal Hermes da Fonseca, participou do Congresso Universal das Raças, realizado em Londres, em 1911. “De acordo com Lacerda, a mestiçagem no Brasil seria (apenas) transitória e benéfica, não deixando no futuro rastros ou pistas”, escreveu Lilia.
“Ele comparava o Brasil com os Estados Unidos: se por lá grassava um sistema escravocrata violento, no Brasil o processo teria sido bem mais “pacífico.” Baseado nas estatísticas, que mostravam um declínio da população negra entre os censos de 1872 e 1890, Lacerda sustentava que o embranquecimento da população “era um fato consumado” e arriscava que em um século, após três gerações, seríamos um país de brancos.
O que se viu não foi o que queria o governo: mais de um século depois das previsões de Lacerda, não apenas o Brasil não embranqueceu como está mais negro do que nunca. Segundo o IBGE, nada menos de 54% dos 207,7 milhões de brasileiros declaram-se pretos ou pardos, conformando, portanto, a maioria da população brasileira. Em 2004, eram 48%. Com 112 milhões de pessoas, o Brasil abriga a segunda maior população negra do mundo (só perde para a Nigéria). 
Separado, esse contingente formaria o 11º país do mundo em número de habitantes, com uma capacidade de consumo avaliada em R$ 1,6 trilhão, o equivalente a US$ 500 bilhões, de acordo com uma pesquisa do Instituto Locomotiva para a Universidade Zumbi dos Palmares. “É um mercado com grande potencial consumidor, equivalente ao 17º maior do mundo, para o qual as empresas deveriam olhar”, diz Renato Meirelles, presidente do Locomotiva. “Eles estariam no G-20 mundial.”
Segundo Meirelles, esse número poderia ser ainda mais relevante: por conta da desigualdade salarial entre negros e brancos, deixam de ser injetados nada menos de R$ 808 bilhões, anualmente, na economia brasileira. “Se não for por justiça social, que seja por inteligência: a desigualdade racial atrapalha a economia”, diz.
A pesquisa do Instituto Locomotiva desmistifica, também, uma verdade estabelecida entre os brasileiros:  o de que a desigualdade racial está vinculada à desigualdade educacional.
Parcialmente é verdade, pois, na maior parte dos casos, as diferenças educacionais entre brancos e negros são realmente gritantes, no Brasil. No entanto, mesmo quando se trata de pessoas com grau de escolaridade e de experiência semelhantes, os negros recebem um terço a menos do que seus concorrentes brancos. “Sou branco, paulistano, curso superior, 40 anos. Pelo simples fato de ser branco ganho 31% a mais do que um homem negro, paulistano, 40 anos, com curso superior”, enfatiza Meirelles no estudo. 
Lilia Moritz Schwarcz lembra que no período pós abolição corria pelas ruas do Rio de Janeiro um provérbio, segundo o qual se “a liberdade era negra, já a igualdade continuava branca”, numa referência à Lei Áurea, que aboliu formalmente a escravidão no Brasil.
“Mas o fez de forma muito conservadora: sem pensar em ressarcimentos ou na futura inserção das populações de libertos que ficaram submetidas a séculos de escravidão.”, afirma.  Otimista, ela acredita que essa situação tende a mudar. Para ela, o ano de 2017 vai ficar na história como aquele em que a questão racial estourou no País todo, nos mais diversos setores e deixou mais claro para os brasileiros a realidade dura da discriminação e do racismo histórico e estrutural vigentes. 
Um dos exemplos mencionados por Lilia em artigo para o jornal O Estado de S. Paulo é o fato de que Lima Barreto, uma espécie de escritor incômodo para as elites brancas, com sua literatura irreverente e militante, tenha sido homenageado na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). O outro é o sucesso do ator Lázaro Ramos, que lançou sua biografia na Flip. “Lázaro, que morava num lugar afastado na Bahia, precisou ir para a cidade grande e assim “descobrir” sua raça”, afirma. “Chegou na Flip como estrela global e saiu de lá um pensador e escritor consagrado.”
Para a escritora, os brasileiros aprenderam, em 2017, ainda que com muito atraso, que raça é um tema incontornável da nossa agenda cidadã. E que raça continua a ser um plus perverso nos censos oficiais, que mostram como os negros morrem em maior número e mais jovens, têm menos acesso à educação e à saúde, têm os piores postos de trabalho  e salários.
“A gravidade do assunto mostra, pois, como ele não é de interesse apenas das populações diretamente afetadas pela discriminação – diz respeito a cada um de nós”, afirma Lilia. Para além das boas intenções, o fato é que embora sejam maioria da população, os negros brasileiros são tratados como minoria, não sendo prioritários nas políticas públicas, nas empresas e no que se refere à igualdade de direitos. “Padecemos de uma grande miopia social, o Brasil não sabe o que fazer com sua população negra”, diz Adriana Barbosa, da Feira Preta. “É algo que não pode seguir sendo mantido debaixo do tapete.”
Aos números, com dados do estudo do Locomotiva, do Instituto Ethos e do IBGE:
  • A proporção de brancos entre os 10% mais ricos da população é de 70%, contra 30% dos negros; entre os 10% mais pobres, os negros chegam a 74% e os brancos 26%
  • A fatia de negros nos cargos executivos mais elevados nas empresas é de 4,7%; os demais 95,3% são ocupados por brancos
  • Em 2015, a média salarial dos brancos era de R$ 1 379, contra R$ 775 dos negros
  • No ritmo atual, a equiparação do rendimento de negros e brancos só será alcançada em 2089, dois séculos depois da Lei Áurea, segundo a representação no Brasil da Oxfam, entidade britânica de defesa dos Direitos Humanos
  • Pretos e pardos constituíam 63,7% (8,3 milhões) dos 13 milhões de brasileiros que procuravam emprego em 2017.  A taxa de desemprego entre eles alcançava 14,6%, contra 9,9% dos trabalhadores brancos. A taxa nacional era de 12,4%
  • 18% dos homens brancos acima de 25 anos têm curso superior, contra 6% dos negros; entre as mulheres, a proporção é de 21% para as brancas e 9% para as negras
  • Os negros formam 16,8% dos analfabetos entre a população adulta, contra 12,5% dos brancos
  • 93% dos jovens negros não frequentaram cursos de idiomas; 60% nunca receberam qualificação
  • Em média, os brancos têm 7,5 anos de escolaridade; os negros, 6,2 anos
  • No ensino superior, os brancos representam 63% dos matriculados, contra 27%
  • 93% dos jovens negros não frequentaram cursos de idiomas; 60% nunca receberam qualificação profissional
  • Para cada 100 mil habitantes entre 15 e 29 anos, são assassinados 82 negros, contra 30 brancos
  • Na população carcerária, 67% dos presos são negros; os brancos, 33%   
  • 93% brasileiros acham que há racismo no Brasil, mas apenas 9% reconhecem terem sido racistas
  • 17,4 milhões de brasileiros não gostariam de ter um chefe negro
  • 7,9 milhões acham ruim ser atendidos por médicos negros
  • 13, 3 milhões não querem que filhos casem com negros
É preciso desenhar?
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM - Por KIKO NOGUEIRA

RETROSPECTIVA: Agora que Lula está preso…


por DANIEL ZEN (Bacharel e mestre em Direito, foi Secretário de Estado de Cultura e Secretário Estadual de Educação e Esporte. É deputado estadual, no Acre, pelo PT, Líder do Governo na ALEAC e presidente licenciado do Diretório Regional do PT/AC.)
Agora que Lula está preso e nenhum outro político de larga envergadura está (e nem estará, a exceção do cleptomaníaco do Sérgio Cabral e do psicopata do Eduardo Cunha) a coxinhada vestida de canarinho e seguidora de patos de borracha infláveis (o que tem de pior no universo da direitalha brasileira), que fica buscando argumentos e justificativas para todo tipo de abuso e arbítrio praticado pelos seus, afirmam que Temer, Jucá, Padilha, Aécio, Alckmin, Serra etc só não estão presos porque detém “foro privilegiado”.
Pois bem. Alckmin não mais detém foro privilegiado, pois acaba de renunciar ao cargo de Governador do Estado de São Paulo para se dedicar a uma pretensa pré-candidatura à Presidência da República. Com ele, mais quatro governadores de estado, todos citados em investigações de corrupção, estão sem prerrogativa de foro, pois se encontram igualmente afastados, por conta da legislação eleitoral. E o que aconteceu? Em 11/04/2018 o STJ remeteu investigação sobre Alckmin, no âmbito da Lava-Jato, para a Justiça Eleitoral de São Paulo.
Detalhe: isso ocorre na mesma semana em que Lula é mandado a prisão, de modo semelhante ao que já tinha ocorrido com Serra, que teve processo arquivado, por prescrição, no mesmo dia em que o TRF-4 confirmava a sentença em desfavor de Lula…
Sigamos: FHC não detém foro privilegiado há mais de uma década. Mas, detém a posse (é, no mínimo, usufrutuário) de um apartamento na Avenue Foch, em Paris, que supostamente ganhou de “presente” de empreiteiros e que custa umas 50 vezes mais que o valor do tal triplex do Guarujá, para cuja compra ele teria de acumular o salário de Presidente da República e de professor universitário por uns 200 anos… E não está preso. Aliás, nunca foi sequer investigado, nem julgado, o que dirá condenado…
E não o foi (e nem nunca o será) porque faz parte de uma elite corporativista, que se protege de tudo e de todos: neto de marechal e filho de general do Exército, foi professor universitário. Lula é pobre, nascido e criado pobre. Por ter sentido a dor e o sofrimento da fome e da miséria, foi o que mais fez pelos pobres.
Mas, tem gente que prefere defender aqueles que lhe oprimem do que se libertar dos grilhões que lhe prendem, física e psicologicamente…
Ficam repetindo, igual papagaio, os mantras que são vomitados pela imprensa familiar, tradicional, conservadora e sonegadora de impostos do país, associada às forças dominantes da sociedade, em conluio com parcela viciada do Judiciário, Ministério Público e Polícias.
Ante um absurdo jurídico-midiático, preferem se valer do argumento de autoridade do que da autoridade do argumento: “se você acha que entende mais de direito e de processo penal do que 01 juiz federal, 03 desembargadores federais, 05 ministros do STJ e 06 ministros do STF então corre para o próximo concurso porque você é um gênio perdido do direito brasileiro.” Risível, de tão ridículo…
Afirmam que aplaudem a prisão de Lula  porque defendem punição para todo e qualquer corrupto, independente de partido.
Mas, não entram no mérito dos abusos de autoridade, da carência de provas e das ilegalidades, formais e materiais, cometidas nos processos contra Lula (nem têm capacidade para isso) e não ousam vestir suas “amarelinhas”, bater panelas ou sair às ruas em protesto quando as notícias de corrupção ocorrem em desfavor dos seus.
Querem enganar quem? Biltres, infames, pusilânimes…

Fonte: Mídia Ninja