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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Duas décadas de Bienal: a história da produção estudantil brasileira

Abertura da 9ª Bienal da UNE no Rio de Janeiro 


 11ª edição do Festival chega em 2019 com fôlego renovado e muita história pra contar
Janeiro de 2019 é o mês de mais uma Bienal da UNE. Com seus quase 82 anos de vida, a entidade celebra duas décadas de existência do maior festival estudantil da América Latina. O nascimento da Bienal marcou na história o início de um longo projeto de entendimento e investigação sobre a formação do povo brasileiro, com uma rica troca entre artistas já consagrados e estudantes, além da conexão das muitas juventudes do país e a arte independente produzida dentro das universidades.
Assim, para dar visibilidade à produção estudantil, em 1999, acontece a 1ª Bienal da UNE, em Salvador (BA), com a participação de 5 mil estudantes. A pluralidade artística de propostas e projetos se confirmou com a participação dos músicos Chico César, Jorge Mautner e de um debate com Mano Brown, do Racionais MC´s.
Após essa primeira edição, foi criado o Circuito Universitário de Cultura e Arte, o CUCA da UNE, responsável dali em diante por colaborar na organização de todas as outras edições do festival e articular espaços físicos nas instituições de ensino por meio de uma rede de diálogo com os estudantes.
Já expandindo sua rede, o CUCA da UNE realiza a 2ª Bienal, desta vez no Rio de Janeiro, com discussões sobre o fomento dessas áreas nas universidades, que de lá para cá tem crescido e sendo mais divulgada. Cresceu também nessa edição de 2001 o público: 8 mil jovens participaram.
Todas as atividades levantavam a reflexão do tema “Nossa Cultura em movimento”, instigando uma discussão sobre a variedade de criação e produção no país. As presenças marcantes foram Augusto Boal, Ziraldo, Oscar Niemeyer, O Rappa e Tom Zé.
O “Lado B” (espaço para programação não-oficial) e o “Lado C” (visita e interação com as comunidades, projetos e programas do Rio de Janeiro) foram as grandes novidades.
3ª Bienal, em 2003, volta ao Nordeste, e desembarca em Recife (PE), com o compromisso de ressaltar a identidade nacional brasileira. O tema “Um encontro com a cultura popular” foi burilado por convidados do quilate de Gilberto Gil (na época ministro) e Ariano Suassuna. Foi também momento também de avaliar a postura do novo governo federal, eleito em 2002, em relação às políticas culturais e valorização da diversidade. (Assista a parte 1 dessa edição aqui)
Etapas preparatórias foram realizadas em diversos estados, como a 2ª Bienal da UEE-SP e a etapa mineira, da UEE-MG, em conjunto com o Festival Coração de Estudante de Música Universitária, na cidade histórica de Ouro Preto..
Em 2005, a 4ª Bienal recebe estudantes de toda a América Latina, com o tema “Soy Loco por ti América”, em São Paulo e paralelamente o XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE), discutia “Outra América é Possível”. A junção dos dois eventos provocou uma grande integração entre os povos do continente e suas culturas.
Personalidade como o ministro da educação de Cuba, Vecinno Alegrete; Aleida Guevara (médica cubana e filha de Che); Enio Candotti; Mino Carta; Aziz Ab’saber; Nação Zumbi e Serginho Groisman estiveram presentes.
A edição seguinte, em 2007, ficou marcada pela celebração dos 70 anos da entidade. O local escolhido para sediar a 5ª Bienal, foi a o “berço” da entidade”: o Rio de Janeiro. Sob as influências dos Orixás, “Brasil-África: um Rio Chamado Atlântico”, as regiões da Lapa e da Cinelândia foram ocupadas pelos estudantes e artistas. As atividades foram realizadas na Fundição Progresso e no Circo Voador, que receberam intelectuais como Alberto da Costa e Silva e Abdias do Nascimento, o escritor angolano Ondjaki; músicos como Martinho da Vila, Lenine, Naná Vasconcelos, Mr. Catra e Beth Carvalho foram as presenças que trocaram energias com o público.
Ao fim do encontro, uma imensa passeata cultural, a famosa “Culturata”, ocupou e retomou a antiga sede da UNE, na Praia do Flamengo 132, um marco na luta do estudantil.
Já na 6ª Bienal, Salvador é novamente escolhida a sede do encontro. O tema “Raízes do Brasil” levantou a reflexão sobre a formação do povo brasileiro num festival carregado por atividades ao ar livre, incluindo o Forte. As novidades desta edição foi a realização do Conselho Nacional de Entidades de Base, o CONEB da UNE, ampliando o caráter do projeto. Marcelo D2, Alceu Valença, Armandinho e Cordel do Fogo Encantado se apresentaram nesse ano.
Último show da 6ª Bienal com Alceu Valença 
Na 7ª Bienal, em 2011, realizada ao ar livre no Aterro do Flamengo, os estudantes sambaram durante uma semana, com muita festa e luta no Rio de Janeiro. Com o tema “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”, o grande encontro debateu a força desse ritmo, que é uma manifestação popular brasileira, seu caráter festivo e de resistência em diversos momentos da história nacional. A Bienal teve como madrinha Beth Carvalho e Elza Soares deu as caras em um show memorável na Lapa.
8ª Bienal tomou as ladeiras de Olinda em 2013 e homenageou o centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, o Gonzagão. O tema “A volta da Asa Branca” reverenciou o sertão nordestino e os shows de Lenine, Elba Ramalho, Alceu Valença, Silvério Pessoa e Mundo Livre S/A entram para a história nesta edição. Um dos principais artistas do Brasil e do mundo, o xilogravurista J. Borges foi um dos homenageados e teve uma exposição com obras suas nos dias da mostra.
Essa 9ª da Bienal foi realizada novamente ao Rio de Janeiro, com maratona de atividades na histórica Fundição Progresso e shows nos Arcos da Lapa. A abertura foi uma grande homenagem a Mário de Andrade e a Semana de Arte Moderna, com a presença de artista como Pascoal da Conceição.
A edição realizada em 2015, foi regida pelas“ Vozes do Brasil”,que celebrou a língua nacional com suas raízes, variações, misturas e possibilidades, remetendo à formação do povo brasileiro, sua construção e traduzindo as “brasilidades” e suas idiossincrasias.
O doc oficial do evento dá uma ideia de como essa festa invadiu a cidade maravilhosa. Assista:
Em 2017, a 10ª edição aconteceu de 29 de janeiro a 1 de fevereiro, em Fortaleza. O tema ”Feira da Reinvenção” remontou a imagem e o conceito das feiras-livres na cultura popular. Ali,  a Bienal propôs um espaço de troca de tendências e estéticas, reciclagens e reconexões, encontros inusitados e férteis entre os ingredientes que formam o país de norte a sul.
Os quatro dias de festival abrigaram mais de 100 atrações,15 shows, 70 convidados, 1.140 trabalhos inscritos na maior mostra estudantil de arte do Brasil e um público total de mais de 70 mil pessoas. Gente como Emicida, Fernando Haddad, José Celso Martinez Corrêa, Gaby Amarantos, Franklin Martins, Ciro Gomes, Luciana Genro, Eryk Rocha e Juca Ferreira passaram por lá e deram sua contribuição.
 Fonte: UNE

Inscrições abertas para oficinas livres na Escola de Cinema Darcy Ribeiro (RJ)

As oficinas acontecem entre novembro e janeiro
Escola de Cinema Darcy Ribeiro, localizada no Rio de Janeiro, está com inscrições abertas para oficinas livres de cinema para os meses de novembro, dezembro e janeiro. As inscrições são feitas presencialmente e os preços variam de R$ 250 a R$700 reais.
Nos dias 01, 08 e 15 de dezembro acontecerá a Oficina de Cinema Negro Feminino Contemporâneo, ministrada por Rosa Miranda, a primeira mulher negra formada em licenciatura em Cinema e Audiovisual no Brasil.
Outras oficinas com vagas disponíveis, são: “Imagem-Espaço: Cinema e Direção de Arte”; “Interpretação para Cinema e TV”; “Cinema Mundial em Quatro Tempos – Do Expressionismo Alemão à Nova Hollywood”; “Cinema Ampliado”; “Produção e Mixagem para Áudio 360º”; “Figurino para Cinema e Audiovisual” e “A Construção Sonora De Uma Obra Audiovisual”.
As oficinas “Captação de Som/Som Direto (Básico) ”, “Audiovisual e Negócios: Transformando Competências em Diferenciais” e “Atuação para Cinema” ainda não tiveram os preços divulgado.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais aponta crescimento de games no Brasil

River Raid, Mario Bros, Plantas versus Zumbis. Não importa a idade, nem a região brasileira, nem o estilo de jogo. O fato é que o mercado de games cresce no Brasil, ganha cada vez mais adeptos e tem chamado, nos últimos anos, a atenção de diversas políticas públicas.
É o que mostra o 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A pesquisa foi apresentada nesta quarta-feira (7) durante o Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), em São Paulo.
O estudo indicou crescimento do mercado de jogos eletrônicos brasileiros em todas as regiões do Brasil. De 2014 a 2018, o número de desenvolvedoras passou de 142 para 375, um aumento de 164%. Apesar de as empresas ainda se concentraram no Sul e Sudeste, as regiões Norte e Centro-Oeste foram as que apresentaram o maior crescimento proporcional de novos empreendimentos nos últimos quatro anos.
Alguns dos dados destacados por Luiz Sakuda, um dos coordenadores da pesquisa, mostram que as empresas são, em sua maioria, pequenas (faturam, anualmente, menos de R$ 81 mil por ano) e jovens (mais de metade têm menos de cinco anos).
O estudo também revela que, somente nos últimos dois anos, foram produzidos 1.718 jogos no País, 43% deles desenvolvidos para dispositivos móveis, como celulares, 24% para computadores, 10% para plataformas de realidade virtual e realidade virtual aumentada e 5% para consoles de videogame. Dentro desse universo, foram 874 jogos educativos e 785 voltados ao entretenimento.

Políticas públicas para o setor

Durante a palestra, Ivelise Fortim, também coordenadora do Censo, falou sobre a importância do MicBR e destacou a necessidade de políticas públicas voltadas ao setor de games. “Acho que é importante incluir a área de jogos no MicBR, e apresentar o censo aqui é importante, porque tem gente de toda a América Latina”, afirmou.
Ivelise enfatizou que, segundo o Censo, 50% dos entrevistados pretendem se candidatar a editais e 62% consideram que o governo tem papel importante nos próximos passos da indústria.
O tema foi aprofundado pelo palestrante Pedro Zambom, que trouxe histórico de políticas para games e apresentou metas para o futuro. “O governo é importante na indústria de games. Uma iniciativa que tenho apoiado muito são as de incubação e aceleração das empresas porque surgem iniciativas, mas tem desafios para que elas alcancem infraestruturas maiores”, explicou.

Audiovisual no Brasil e na Coreia do Sul

A superintendente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Luciana Rufino, apresentou, também na tarde desta quarta-feira (7), durante o MicBR, dados sobre a Economia do Audiovisual e comparou a trajetória desse setor no Brasil e na Coreia do Sul desde a década de 1990, quando ambos estavam em situação de sucateamento e de dificuldade de produção e de exibição nacional. Explicou ainda as políticas públicas que ambos países implementaram e como elas transformaram o setor e impulsionaram a economia.
“Na Coreia, em 20 anos fizeram uma série de politicas para superar esse gap e saíram de uma participação de mercado de 2,1% para alcançar 57% em 2014”, disse. “No Brasil, hoje, a cada R$ 1 investido no cinema, obtemos R$ 2,90 de receitas de bilheteria desse filme e retorno de R$ 3,70, contando efeitos indiretos. Ou seja, você quadruplica o retorno na economia”, exemplificou.

MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ocorre até 11 de novembro, em São Paulo. O megaevento reúne milhares de empreendedores brasileiros e de sete países sul-americanos em atividades de capacitação, rodadas de negócios e apresentações artístico-comerciais, além de um público geral de aproximadamente 30 mil pessoas. Dez áreas da produção cultural estarão envolvidas: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, artes visuais e gastronomia.
Brasil Cultura

20 de novembro: Vidas negras importam


dia da consciencia negra post final
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), neste 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra, convida para o debate, a promoção e o apoio às ações contra a violência racial. A entidade apoia a campanha nacional “Vidas Negras”, do Sistema ONU Brasil, como parte da implementação da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024).
A iniciativa busca ampliar, junto à sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça, setor privado e movimentos sociais, a visibilidade do problema da violência contra a juventude negra no país. O objetivo é chamar atenção e sensibilizar para os impactos do racismo na restrição da cidadania de pessoas negras, influenciando atores estratégicos na produção e apoio de ações de enfrentamento da discriminação e violência.
A sensibilização para temática torna-se ainda mais imprescindível em tempos de ataques à população negra, com cenário político que incentiva a violência e ameaça conquistas como a política de cotas. Ao longo do mês, a Confederação abordará o assunto no site, nas redes sociais e no jornal mural CNTE Notícias.
Fonte: CNTE

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Povo Paresi recebe visita do presidente da Funai, Wallace Bastos

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O presidente da Funai, Wallace Bastos, se reuniu com lideranças indígenas de dez etnias matogrossenses (foto: acervo/Funai)

O presidente da Fundação Nacional do Índio, Wallace Moreira Bastos, visitou a Aldeia Bacaval e conheceu as lavouras mecanizadas da Terra Indígena Utiariti, noroeste do Mato Grosso, no último dia 30. "Este exemplo do Povo Paresi comprova, na prática, o potencial do desenvolvimento econômico sustentável que conjuga atividades agrícolas e conservação ambiental", disse Bastos durante a visita.

Foto de capa: Lideranças indígenas entregaram pessoalmente suas reivindicações ao presidente da Funai, Wallace Bastos [camisa branca], e ao chefe da Coordenação Regional de Cuiabá, Benedito César Garcia [de óculos]
Arnaldo Zunizakae, liderança indígena da Terra Indígena Utiariti, afirmou que a visita fora uma satisfação para o Povo Paresi e demais etnias da região. "Isso mostra para nós que a Funai é um órgão que realmente se preocupa com os povos indígenas e que tem interesse com as nossas escolhas de trabalho coletivo, Acompanhei todo o trajeto do presidente dentro do nosso território e nas unidades de produção da Cooperativa Copihanama", declarou.

Na ocasião, lideranças indígenas puderam tratar de temas importantes com o presidente Bastos, como as reivindicações sobre saúde indígena em relação ao Distrito Sanitário em Cuiabá-MT. Essa unidade atende cerca de dez povos do Mato Grosso: Paresi, Manoki, Niky, Enauenê Nauê, Nambikwara, Chiquitano, Gotó, Boró, Bacairi e Mutina.
A visita contou com o apoio logístico da Coordenação Técnica Local Campo Novo do Parecis. "Para nós, servidores da CTL, receber o presidente da Funai é sentir o reconhecimento do trabalho que realizamos junto ao povo Parecis. Esse acompanhamento e a abertura para o diálogo são motivadores imprescindíveis para a missão indigenista. É importante saber que a presidência conhece a nossa realidade e apoia os povos indígenas", afirmou Joelson Avelino Kinizokemaece, responsável pela chefia da CTL.

Assessoria de Comunicação Social / Funai

Funai e ICMBio estudam capturar e remover onças que ameaçam comunidades indígenas no Parque Xingu

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Os servidores da Funai [de verde], Eduardo Ribeiro e Otávio Moura, conversam com Rogério Cunha e o cacique Kotok, da aldeia Kamaiurá (fotos: ICMBio)

A morte da pajé Kuanap Kamayurá, uma senhora de 56 anos, por causa do ataque de uma onça pintada (dia 09/05), causou tristeza e preocupação em quatro comunidades indígenas do Alto Xingu, Mato Grosso. Nos últimos meses foram vistas muitas  onças perto das aldeias, o que é raro de acontecer. Essas ocorrências levaram o ICMBio e a Funai a estabelecer ações conjuntas para coibir outros ataques.


Com o objetivo de planejar a captura e remoção de uma das onças, a que tem mais se aproximado das aldeias e que fora responsabilizada pelo ataque, o presidente substituto da Fundação Nacional do Índio e diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Rodrigo Faleiro, recebeu o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro, nesta quarta-feira (30). Estiveram presentes na reunião Rosana Subirá, coordenadora-geral de Estratégias para a Conservação, Rogério Cunha de Paula, coordenador-substituto do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), e servidores da Fundação.

Rodrigo Faleiro falou sobre a importância de parcerias entre o ICMBio e a Funai. "Ambos os órgãos estão trabalhando juntos no planejamento da captura e remoção daquelas onças, e também no estudo das condições que possam causar prejuízos à biodiversidade em consonância com a proteção das comunidades indígenas. Temos realizado a cooperação por meio de operações diretas em áreas cujas atuações governamentais se interpõem, como é o caso das Terras Indígenas e Unidades de Conservação", disse Rodrigo.

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A figura da onça envolve um universo místico para os povos indígenas do Alto Xingu

"Casos de ataque de onça a indígenas não são usuais. A gente conversa com as pessoas nas aldeias e elas dizem que morte por onça não acontece praticamente em nenhum lugar. É raríssimo. A morte da Sra. Kuanap trouxe um medo muito grande na região", disse Rogério Cunha. "Depois dos recentes ataques, os indígenas começaram a perceber que estão vulneráveis", conta o analista ambiental. Ele integrou a equipe que fez a identificação das onças nas aldeias Yawalapiti, Ipawu, Piyulaga e no Posto de Serviços Médicos Leonardo Villas-Bôas – local onde aconteceu o ataque à pajé Kuanap Kamayurá.

Por que os ataques?
A partir da informação de dois ataques feita pelo Instituto Socioambiental (ISA), a equipe do ICMBio buscou o contato com a Funai e começou a investigar as ocorrências envolvendo pessoas e onças na região. O propósito é tentar desvendar por que essas onças estão chegando tão próximas às aldeias e o quanto isso representa de risco para as comunidades indígenas.
Acompanhada por técnicos da Funai, A equipe do ICMBio avaliou as questões ecológicas e ambientais que pudessem ter influência sobre os ataques, o que não é normal no contexto da relações entre indígenas e animais silvestres. "Para muitos indígenas, a onça representa um elemento sagrado. Para outros, essa parte do sagrado se perdeu e eles passaram a considerar a onça como um problema a ser eliminado. Assim, nós trabalhamos tentando ver toda relação da onça com os povos do Alto Xingu. E também mapeamos o quanto que existia de relação negativa, da onça representando o medo", relata Rogério Cunha.

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Rogério Cunha, do ICMBio, instala armadilhas fotográficas acompanhado dos servidores da Funai

Lugares em que ocorreram os ataques:
(a área de amostragem foi de 300 Km²)



- Aldeia Piyulaga
- Aldeia Ipavu
- Posto Avançado Leonardo Villas-Bôas
- Saídão da Fumaça 

Na expedição de identificação das onças, a equipe instalou, em 20 locais diferentes, as armadilhas fotográficas para avaliar, além da presença dos animais, a frequência de ocorrência desses bichos ao redor e entre as aldeias. Essas câmeras registraram quatro fêmeas de onça-pintada e um macho considerado animal-problema e suposto responsável pelo ataque à pajé Kamayurá. Ele foi o animal mais registrado pelas câmeras rondando o perímetro das aldeias.
 
Locais onde as câmeras foram instaladas 
- Posto de Serviços Médicos Leonardo Villas-Bôas: 4 câmeras
- Aldeia Piyulaga - Waurá: 5 câmeras
- Aldeia Ipawu - Kamayurá: 6 câmeras
- Aldeias Yawalapiti - Amary: 5 câmeras

Também foram feitas 29 entrevistas com indígenas da região onde aconteceram os acidentes envolvendo pessoas e animais domésticos, como os cães.

(continuação: página 2)

NOVEMBRO NEGRO - Escravidão Africana- Pra não esquecer!




A escravidão é o grande sustentáculo do processo de colonização do continente americano, a partir do século XVI. Longe de se ater a uma forma homogênea de relação de trabalho, a escravidão foi marcada pelas mais diferentes caracterizações ao longo do período colonial. No caso da colonização lusitana, a utilização de escravos sempre foi vista como a mais viável alternativa para que os dispendiosos empreendimentos de exploração tivessem a devida funcionalidada


O tráfico negreiro ainda incentivava o desenvolvimento de outras atividades econômicas. A indústria naval crescia ao ampliar a necessidade de embarcações que pudessem fazer o transporte dos negros capturados. Ao mesmo tempo, incentivou as atividades agrícolas ao ampliar, por exemplo, as áreas de plantação do tabaco, produto agrícola usualmente utilizado como moeda de troca para obtenção dos escravos.

A obtenção de escravos era feita a partir de firmação de acordos comerciais com algumas tribos, principalmente as que se localizavam na região do litoral Atlântico do continente. Na verdade, a escravidão já integrava as práticas sociais e econômicas dos africanos mesmo antes do processo colonial. Em geral, essa população escrava era resultado da realização de guerras ou da aplicação de penas contra aqueles que cometessem algum tipo de delito.

A partir da chegada dos portugueses à África, a prática antes desenvolvida no contexto social e político das populações africanas, veio a integrar uma atividade comercial sistemática integrada à economia mercantilista europeia. Dessa maneira, a escravidão se transformou em uma atividade econômica de caráter essencial. Um dos resultados dessa transformação foi que, entre os séculos XV e XIX, o número de escravos provenientes da Costa Africana ultrapassou a marca dos 11 milhões de cativos.

Um imenso processo de exclusão socioeconômica e, principalmente, a questão do preconceito racial. Mesmo depositado no passado, podemos ver que as heranças de nosso passado escravista ecoam na constituição da sociedade no mundo...

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

Fonte: https://www.youtube.com/

Rosemberg Cariry: A triste noite

“Depois das lágrimas, os nossos olhos estavam mais límpidos e tudo ganhou uma insuportável transparência, nos adveio uma dolorosa lucidez. Sim, este é o País em que vivemos, em seu feitio mais brutal, violento, racista e autoritário. Sim, muitos colaboraram com a ascensão do fascismo, mas não todos. Como pode parte do povo brasileiro marchar de forma tão cega para o matadouro, arrastando consigo a outra parte? Como pode, de forma tão servil, renegar a liberdade?”
Rosemberg Cariry*
Sim, choramos, porque os nossos olhos não acreditavam no que viam e os nossos corações não podiam aceitar sem dor tamanha tragédia. Cercado por um aparato militar, o líder racista, da extrema direita, violento e cheio de ódio, falava em nome de Deus, da família e da pátria, sob os aplausos dos fiéis seguidores.
Depois das lágrimas, os nossos olhos estavam mais límpidos e tudo ganhou uma insuportável transparência, nos adveio uma dolorosa lucidez. Sim, este é o País em que vivemos, em seu feitio mais brutal, violento, racista e autoritário. Sim, muitos colaboraram com a ascensão do fascismo, mas não todos. Como pode parte do povo brasileiro marchar de forma tão cega para o matadouro, arrastando consigo a outra parte? Como pode, de forma tão servil, renegar a liberdade? Agora, em vez de diálogos, mais repressão. Em vez de livros, mais armas. Em vez de escolas e universidades, mais presídios. Em vez de florestas, mais risco de sua destruição. Em vez de justiça social, mais favorecimento dos ricos. O grande capital está em festa, abertas foram as porteiras da grande colônia Brasil para o saque final. Aleluia, aleluia, gritam os neopentecostais, guiados por seus pastores em transe. Agora são livres para massacrar gays, atacar terreiros de umbanda, acabar com os índios hereges e tomar as suas terras. Em nome do Senhor, vão querer decretar o fim do livre pensar e do livre arbítrio. Tentarão impedir o nosso sonho, vigiando o nosso sono, mas o sono acabou.
Quando os homens maus falam em nome de Deus e das armas, a vida corre perigo. Sob o guarda-chuva da força e do arbítrio se abrigam os covardes. De tudo isso sabemos, mas também sabemos que, daqueles que resistem, virá a flor e a canção de liberdade.
Parafraseando Sartre, afirmo que, mais do que nunca, é preciso compreender que somos livres para escolher de qual lado estamos. Mais do que nunca se faz necessária a poesia e a arte. Entre ruínas e escombros, não nos deve faltar a coragem de lutar e recomeçar. Mas, por precaução, amigo, põe em dia o teu passaporte, consulta os mapas e refaz as trilhas.
(Para Chico Buarque – a canção que resiste).
*Rosemberg Cariry é cineasta e escritor.
Fonte: Portal Brasil Cultura

Educação meramente técnica é visão obscurantista, diz diretor do Sesc

DANILO SANTOS MIRANDA
O superministro de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, anunciou que pretende remanejar recursos destinados ao Sistema S de forma a não financiar mais atividades culturais, apenas a formação técnica de profissionais. Para o diretor regional do Sesc São PauloDanilo Santos Miranda, esta visão é “obscurantista” e será um “prejuízo incalculável para o país”.
Em carta aberta, Miranda pede a intelectuais, artistas, formadores de opinião e parceiros do Sesc que se manifestem em defesa do Sistema, uma vez que a proposta do futuro governo ataca diretamente a instituição e prejudica o projeto consolidado há mais de 60 anos.
Para ele, qualquer pessoa que já tenha tido a oportunidade de visitar uma unidade do Sesc e conversar com os frequentadores tem noção da gravidade da proposta de Paulo Guedes. “Esse patrimônio não pode ser sacrificado no altar de prioridades transitórias, em nome das quais se engendra um prejuízo incalculável ao país. Tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista”, diz o diretor.
“Certo de que compreenderão a gravidade dessa perspectiva, escrevo a vocês, formadores de opinião, representantes de classes, artistas, pensadores, amigos e parceiros do SESC para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho. Um projeto que, afinal, construímos juntos”, pede.
Na carta, Miranda explica como funcionaria a proposta. Segundo ele, a ideia é que parte da arrecadação das entidades do Sistema S seja remanejada para um novo Fundo, destinado apenas à formação técnica. “O fato, porém, é que as entidades do chamado Sistema S são em si resultado de Fundos já criados, lá nos anos 40, em parte, com a mesma finalidade”.
“O remanejamento dos recursos desses Fundos para outro novo Fundo, no entanto, implicará na restrição drástica da diversidade e do alcance da reconhecida ação do Sesc, em prejuízo da educação permanente promovida diariamente a seus milhares de frequentadores assíduos”, esclarece.
A medida proposta pelo futuro governo de Bolsonaro representa um imenso retrocesso e afetará diretamente a vida de todos os milhares de frequentadores do Sesc e suas famílias.
Do Portal Vermelho

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira (1886-1968) foi um poeta brasileiro. “Vou-me Embora pra Pasárgada” é um dos seus mais famosos poemas. Foi também professor de literatura, crítico literário e crítico de arte. Os temas mais comuns de sua obra são: a paixão pela vida, a morte, o amor, o erotismo, a solidão, o cotidiano e a infância. Foi um dos maiores representantes da primeira fase do Modernismo.
Infância e Juventude
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, conhecido como Manuel Bandeira, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 19 de abril de 1886. Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Souza Bandeira e de Francelina Ribeiro, abastada família de proprietários rurais, advogados e políticos. Seu avô materno Antônio José da Costa Ribeiro, foi citado no poema “Evocação do Recife”. A casa onde morava, localizada na Rua da União, no centro do Recife é citada como “a casa do meu avô”.
Manuel Bandeira iniciou seus estudos no Recife. Com 16 anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, concluindo o curso secundário no Colégio Pedro II. Em 1903 ingressou no curso de Arquitetura da Escola Politécnica de São Paulo, mas interrompeu os estudos para tratar de uma tuberculose.  Dez anos depois, ainda doente, foi para a Suíça em busca da cura, onde permaneceu durante um ano, de 1913 a 1914. Nesse período, conviveu com o poeta francês, internado na mesma clínica, Paul Éluard, sem a menor esperança de sobreviver, conforme confessou posteriormente no poema Pneumotórax, do livro Libertinagem.

Primeiros Poemas Publicados

Em 1917, Manuel Bandeira publicou seu primeiro livro, “A Cinza das Horas”, de nítida influência Parnasiana e Simbolista, onde os poemas são contaminados pela melancolia e pelo sofrimento, como no poema “Desencanto”. Dois anos depois, publicou “Carnaval” (1919), cujos poemas prenunciavam os valores de uma nova tendência estética.

Primeira Fase Modernista

Em 1921, Manuel Bandeira conheceu Mário de Andrade e através deste, colabora com a revista modernista Klaxon, com o poema “Bonheur Lyrique”. Morando no Rio de Janeiro, sua participação no Movimento Modernista foi sempre a distancia. Para a Semana de Arte Moderna de 1922, enviou o poema “Os Sapos”, que lido por Ronald de Carvalho, tumultuou o Teatro Municipal, com vaias e gritos. O poema satiriza os princípios do parnasianismo, com um deboche agressivo dirigido à métrica e à rima desses poemas:
Os Sapos (trecho do poema)
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– “Meu pai foi à guerra!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
Manuel Bandeira vai cada vez mais se engajando no ideário modernista. Em 1924, publica “Ritmo Dissoluto”. A partir de 1925, escreve crônicas para jornais onde faz críticas de cinema e música. Em 1930, publica “Libertinagem”, obra de plena maturidade modernista, onde se destacam os poemas: “O Cacto”, “Pneumotórax”, “Evocação ao Recife”, onde tematiza a infância fazendo uma descrição da cidade do Recife no fim do século XIX, e “Vou-me Embora pra Pasárgada”, uma espécie de autobiografia lírica:

Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Academia Brasileira de Letras

Foi como poeta que Manuel Bandeira conquistou sua posição de relevo na literatura brasileira, mas se dedicou também à prosa, crônicas e memórias. Em 1938, Manuel Bandeira foi nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II. Em 1940 foi eleito para Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº. 24. Em 1943 foi nomeado professor de Literatura Hispano-Americana da Faculdade Nacional de Filosofia.
Manuel Bandeira faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro de 1968.

Obras de Manuel Bandeira

  • A Cinza das Horas, poesia, 1917
  • Carnaval, poesia, 1919
  • O Ritmo Dissoluto, poesia, 1924
  • Libertinagem, poesias reunidas, 1930
  • Estrela da Manhã, poesia, 1936
  • Crônicas da Província do Brasil, prosa, 1937
  • Guia de Ouro Preto, prosa, 1938
  • Noções de História das Literaturas, prosa, 1940
  • Lira dos Cinquent’ Anos, poesia, 1940
  • Belo, Belo, poesia, 1948
  • Mafuá do Malungo, poesia, 1948
  • Literatura Hispano-Americana, prosa, 1949
  • Gonçalves Dias, prosa, 1952
  • Opus 10, poesia, 1952
  • Intinerário de Pasárgada, prosa,1954
  • De Poetas e de Poesias, prosa, 1954
  • Flauta de Papel, prosa, 1957
  • Estrela da Tarde, poesia, 1963
  • Andorinha, Andorinha, prosa, 1966 (textos reunidos por Drummond)
  • Estrela da Vida Inteira, poesias reunidas, 1966
  • Colóquio Unilateralmente Sentimental, prosa, 1968
 Fonte BRASIL CULTURA


CURITIBA – Uma das primeiras casas italianas de Santa Felicidade está em exposição

Fotos e pinturas de uma das primeiras casas italianas construídas no bairro de Santa Felicidade são tema da mostra Casa Culpi. A exposição será aberta nesta quarta-feira (7/11), na sala da Fundação Cultural na Rua da Cidadania de Santa Felicidade, e fica em cartaz até 3 de dezembro, com entrada gratuita.
A exposição reúne fotografias antigas e pinturas em tela da Casa Culpi. O imóvel, construído em 1897, é uma das primeiras edificações da região e pertenceu à família Culpi, uma das pioneiras entre os imigrantes italianos que colonizaram o bairro de Santa Felicidade. A mostra também traz dois trabalhos do artista Sérgio Serena que retratam o imóvel: um desenho em bico de pena sobre papel e uma maquete feita em madeira.
Moradia e armazém, a casa também foi ponto de encontro de motoristas, pois integrava a rota que levava ao Norte do Paraná. Comprada e restaurada pelo Município, em 1990 a edificação passou a funcionar como um memorial da imigração italiana, administrado em parceria com a comunidade organizada. Atualmente o imóvel, localizado na Avenida Manoel Ribas, 8450, é sede do CRAS Butiatuvinha, equipamento gerenciado pela Fundação de Ação Social de Curitiba.
Serviço:
Exposição de imagens da Casa Culpi
Local: Sala de exposições da FCC na Rua da Cidadania de Santa Felicidade – Rua Santa Bertila Boscardin, 213 – Santa Felicidade
Data: 07/11 a 03/12/2018
Horário: das 9h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta e das 8h às 13h, aos sábados
Classificação livre
Entrada franca
Maiores informações: arteeculturasantafelicidade@fcc.curitiba.pr.gov.br ou 3374-5019

Conselho de Comunicação Social rejeita projetos sobre rádios comunitárias

O Conselho de Comunicação Social, que atua como órgão consultivo do Senado, rejeitou por 7 a 4 votos três projetos que atuavam na área da radiodifusão comunitária. O PLS 55/2016, do senador Donizeti Nogueira (PT-TO), autorizaria as rádios a captar publicidade comercial; o PLS 513/2017, do senador Hélio José (PROS-DF), permitiria ampliar a potência das rádios comunitárias; e o PLS 410/2017, também de Hélio José, isentaria essas rádios da cobrança de direitos autorais realizada pelo ECAD.
A decisão do Conselho de Comunicação não interrompe o trâmite dos projetos, mas serve de parâmetro técnico sobre eles. O conselheiro Davi Emerich fez um voto em separado, em que defendia a isenção da cobrança do ECAD (PLS 410/2017) mas rejeitava os outros dois projetos (PLS 55/2016 e PLS 513/2017). O parecer contrário aos três projetos foi apresentado pela conselheira Tereza Mondino.
O parecer do Conselho é remetido ao presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira, que o remete para as comissões que estão analisando os três projetos, no Senado e na Câmara dos Deputados.

Agressões a Jornalistas

A Conselheira Maria José Braga relatou diversos casos de violências contra jornalistas ao longo da campanha presidencial e após. Segundo ela, diversos repórteres foram ameaçados ou agredidos e disse estar preocupada com essa tendência crescente:
— Durante a campanha eram militantes e agora temos relatos de seguranças do novo presidente ameaçando jornalistas que estão exercendo seu trabalho de informar.

Como “Cem Anos de Solidão” redefiniu a América Latina

Antes de Cem Anos de Solidão, a América Latina já apresentava algumas semelhanças com o lugar imaginário que seria descrito no primeiro parágrafo do romance: “o mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo”.
Por Felipe Restrepo Pombo
O continente, obviamente, não era um lugar novo quando Gabriel García Márquez escreveu sua obra-prima: os escritores conhecidos como “cronistas das Índias” tinham como missão descrever a terra durante os séculos 15 e 16 e nomeavam coisas desconhecidas a eles conforme as viam.
Muitas décadas depois, García Márquez embarcou em uma segunda Descoberta da América. A partir de seu pequeno estúdio na Cidade do México, escrevendo pacientemente em sua máquina de escrever, ele reimaginou a gênesis do continente e, ao fazer isso, mudou seu futuro.
Durante a segunda metade do século 20, a América Latina passou por um período conturbado. Alguns países – como Chile, Colômbia e México – estavam lidando com instabilidades, ditaduras e violência política. Isso levou a mudanças abruptas e confusas em sua maioria, incluindo a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara.
Quando García Márquez estava nos primeiros estágios de sua imensa saga, ele ficou fascinado com a mudança que ocorreu em Cuba. O que mais o impressionou foi a verdadeira possibilidade de uma nova ordem para países nesse hemisfério, longe da pressão e das imposições dos Estados Unidos. Muitos intelectuais – Mario Vargas Llosa, Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Simone de Beauvoir, entre outros – compartilhavam o entusiasmo de García Márquez.
Nos anos seguintes, alguns deles ficaram desapontados e se distanciaram do modelo cubano. Mas é inegável que a revolução teve um grande impacto no tom de Cem Anos de Solidão: ela deu a García Márquez esperança no destino da América Latina.
Criando uma lenda
Escrever sua obra-prima, porém, não foi fácil. Na época, ele morava com Mercedes, sua esposa, e seus dois filhos, Rodrigo e Gonzalo, na Cidade do México. Eles haviam deixado a Colômbia porque García Márquez não se sentia à vontade com o governo de direita em seu país. Ele estava vivendo no exterior – antes de se fixar na Cidade do México, passou um tempo em Caracas, Paris e Barcelona – tudo enquanto aspirava ser um romancista mundialmente famoso.

Mas a família passava dificuldades para se manter com seu salário baixo como correspondente internacional de uma série de revistas e jornais de língua espanhola. Seus livros anteriores, apesar de muito elogiados, foram um fracasso comercial. García Márquez sabia que tinha uma história ótima, mas não conseguia achar o caminho certo para o romance épico que tinha em mente.
Há muitas lendas – o que, ao longo de sua vida, ele nunca se importou em confirmar ou desmentir – sobre como ele encontrou inspiração e superou o bloqueio de escrita que o acometeu. Eu prefiro acreditar na versão que li na incrível biografia feita por Gerald Martin: “Ele planejou férias na praia com sua família em Acapulco, um dia de distância ao sul [de onde morava]. No meio do caminho, ele parou o carro – um Opel branco de 1962 com um interior vermelho – e voltou. Sua próxima ficção havia o acometido de uma vez só. Agora ele podia vislumbrar com a clareza de um homem que, diante de um grupo de atiradores, vê sua vida inteira em um único momento”.
Segundo Martin, Mercedes cancelou as férias imediatamente. Eles voltaram para casa e ela disse a ele para começar a escrever. Mercedes arcaria com as contas da casa contanto que ele se mantivesse focado no novo romance. E foi o que fez: ignorou a realidade e escreveu – possuído pelos personagens que haviam sussurrado suas histórias em seus ouvidos desde que era criança – por oito meses direto.
O que aconteceu depois foi repetido inúmeras vezes. A saga do Macondo e da família Buendía imediatamente se tornou um clássico moderno, frequentemente comparado aos trabalhos de Cervantes e Shakespeare. “É o livro que redefiniu não apenas a literatura latinoamericana, mas também a literatura, ponto”, disse Ilan Stavans, um eminente estudioso de cultura latina nos Estados Unidos que diz ter lido o livro 30 vezes.
García Márquez não era nem um historiador nem um sociólogo. Ele era um contador de histórias nato. Eu o via como um prisma. Era capaz de pegar uma quantidade tremenda de informação e transformá-la em uma nova mitologia. Essa é a especialidade de Cem Anos de Solidão: ele reúne diferentes fontes para chegar a um nascimento alternativo e hiperbólico da cultura latinoamericana. E, ao fazer isso, ele reinterpretou sua natureza.
Verdade e ficção
Seria impossível listar todas as fontes que configuram esse novo universo. Boa parte veio das lendas que ele ouvia em sua infância em Aracataca, a pequena cidade colombiana onde nasceu. Elas são a base das tradições orais caribenhas que estão por baixo da superfície do romance. Então, ele leu William Faulkner, assim como mitologia grega e pré-hispânica. E, por último, inspirou-se na violenta história da Colômbia entre os séculos 18 e 20. Todas essas histórias foram reunidas e amadurecidas em sua mente extraordinária para emergir em um corpo diferente, mas com um simbolismo próprio.

Gabo – como família e amigos o chamavam – também tinha a habilidade de contar essas histórias como nenhum outro antes dele. Ele pegou emprestado o ritmo da Vallenato, a música folclórica da cidade de Valledupar, e o combinou com as ferramentas do jornalismo narrativo. García Márquez também era um repórter fantástico e essas habilidades são mostradas em sua prosa. Eu tive a oportunidade de vê-lo trabalhar quando comecei minha carreira na revista Cambioin no final dos anos 1990. Como um jovem jornalista na Colômbia, testemunhei sua habilidade sobrenatural de transformar as trivialidades da vida diária em contos mágicos.
Cem Anos de Solidão é uma alegoria poderosa à identidade da América Latina. A história, que transcorre no período de um século, explora muitos dos assuntos predominantes da história perturbadora da região: caudilhismo (fenômeno político que ocorreu na América Latina após o processo de independência caracterizado pelo agrupamento de uma comunidade em torno do caudilho), machismo, rebeliões, pragas e violência política.
Mas, apesar desse tecido social denso, García Márquez o desvela com humor e uma linguagem poética refinada. E, por trás dessa espécie de afresco social de conflitos, ele foi capaz de ver a beleza que há em tudo isso. Como ele disse em seu discurso ao receber o Prêmio Nobel de Literatura: “Apesar disso, da opressão, do saque e abandono, respondemos com vida. Nem enchentes nem pragas, nem fome nem cataclismos, nem mesmo as eternas guerras, séculos após séculos, foram capazes de subjugar a persistente vantagem que a vida tem sobre a morte.”
Esse retrato pode parecer uma caricatura, mas o realismo mágico é construído sobre o exagero. O mundo que García Márquez criou é um espelho de aumento no qual a América Latina pode ver suas falhas e suas virtudes. Como ele disse em uma entrevista ao jornal The New York Times em 1988: “Eu acho que meus livros têm impacto político na América Latina porque eles ajudam a criar uma identidade latinoamericana, eles ajudam os latinoamericanos a terem uma consciência maior de sua cultura”. E é nessa consciência em que está seu poder.
Fonte: BBC