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sábado, 5 de janeiro de 2019

DIREITOS HUMANOS - RAPOSA NO GALINHEIRO: Bolsonaro esvazia Funai e dá aos ruralistas o direito de demarcar terras indígenas

Em um rápido aceno à bancada ruralista, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) transferiu ao Ministério da Agricultura a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas e quilombolas poucas horas após sua posse. 
Estas eram algumas das principais atividades executadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) nos últimos 30 anos. A alteração está na medida provisória que estabelece a nova estrutura do governo federal.
Agora, o ato será de responsabilidade da pasta, que está sob comando de Tereza Cristina (DEM-MS). A ministra, conhecida como “musa do veneno”, também integra a bancada ruralista. Em 2014, na campanha eleitoral em que disputava uma vaga na Câmara dos Deputados, ela recebeu R$ 2,8 milhões de empresários ligados ao agronegócio.
André Bezerra, membro da Associação Juízes para a Democracia e doutor pelo Programa em Humanidades e Direitos da USP, afirma que a medida vai reduzir a autonomia do órgão.
“Uma fundação pública como a Funai é, em sua essência, autônoma. Pode então uma canetada de uma medida provisória retirar essa autonomia, tirar poderes de algo que deveria ser autônomo?”, questiona.
Além disso, Bezerra considera que, com a transferência, os direitos dos povos indígenas serão fragilizados. Por isso, a medida seria inconstitucional.
“Os direitos dos povos indígenas estão previstos na Constituição em razão de uma situação historicamente existente no Brasil que é o colonialismo”, explica.
“Enfraquecer uma fundação que existe para defender os direitos dos povos indígenas significa enfraquecer os direitos dos povos indígenas. E isso é uma prática indiretamente inconstitucional. Eu falo indireto porque, aparentemente, não viola nenhum dispositivo específico da Constituição — mas viola toda uma sistemática de proteção conquistadas pelos povos indígenas”, alerta Bezerra.
Ele afirma ainda que a retirada das demarcações do âmbito da Funai aprofunda o esvaziamento do órgão e defende a revogação da medida. 
Por e-mail, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que “respeita a decisão do novo governo e continuará a cumprir a missão institucional de proteger e promover os direitos dos povos indígenas”. 
Um funcionário da Funai que atua no Paraná e que não quis ser identificado afirmou ao Brasil de Fato que os colegas ainda estão “digerindo a novidade”. Segundo ele, mais do que esvaziar, a medida faz parte de um “verdadeiro sucateamento à vista”. 
“O processo relativo às demarcações de terras era o que mantinha a essência do órgão indigenista federal. São 129 terras indígenas ainda em estudo. Cerca de 11 milhões de hectares. Isso para não falar das possíveis revisões das áreas já homologadas, como, por exemplo, Raposa Serra do Sol", disse o funcionário.
“Outro aspecto preocupante, é claro, trata-se da incumbência ser passada a quem mais tem interesse em não criar mais áreas que possam ‘atrapalhar’ o agronegócio.”
No Twitter, Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (2) que vai “integrar” indígenas e valorizar a todos os brasileiros. “Mais de 15% do território nacional é demarcado como terra indígena e quilombolas. Menos de um milhão de pessoas vivem nestes lugares isolados do Brasil de verdade, exploradas e  manipuladas por ONGs”, publicou na rede social.
Em nota, o Instituto Socioambiental (ISA) também se posicionou e afirmou que definição do Ministério da Agricultura como órgão responsável pelo reconhecimento de territórios dos povos indígenas e comunidades quilombolas estabelece "um inaceitável e inconstitucional conflito de interesses".
"A medida subordina os direitos fundamentais dessas minorias aos interesses imediatos de parcelas privilegiadas do agronegócio, parte diretamente interessada nos conflitos fundiários. É ainda mais grave considerado que o dirigente responsável pelas temáticas é representante da UDR [União Democrática Ruralista] e dos grandes proprietários de terra. Isso indica que a estratégia de estado não será orientada para o ordenamento do território e para a solução de conflitos, mas para a concentração fundiária e a submissão do interesse nacional a interesses corporativos", diz o texto do ISA.
A Funai foi criada em 1967 em substituição ao Serviço de Proteção ao Índio, fundado em 1910.
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira
Fonte: BRASIL DE FATO

EDUCAÇÃO “Bolsonaro quer destruir legado de meu avô”, diz neta de Paulo Freire

Segundo neta do educador, governo Bolsonaro trata educação como "mais uma mercadoria em sua lógica privatizadora" - Créditos: Reprodução

Segundo neta do educador, governo Bolsonaro trata educação como "mais uma mercadoria em sua lógica privatizadora" / Reprodução

Sofia Freire criticou medidas educacionais tomadas por Temer e disse que desmonte será aprofundado por Bolsonaro.

A neta do educador, pedagogo e filósofo Paulo Freire, a também educadora Sofia Freire Dowbor, afirmou em entrevista à revista argentina La Garganta Poderosa, da organização de vilas e favelas La Poderosaque Jair Bolsonaro quer destruir o legado deixado por seu avô. No trecho da entrevista, publicado na última quarta-feira (2), ela declarou: "Bolsonaro propôs entrar com um lança-chamas no Ministério da Educação para destruir até o último vestígio do que meu avô nos deixou. Quer anular o pensamento crítico e o trabalho em grupo".
Leia trecho:
Algumas horas depois de Bolsonaro assumir, eu senti raiva. Muita raiva. Me dói ver um presidente que não vai representar nem defender os direitos de um povo, mas que foi eleito democraticamente em um pleito que se insere em um quadro mais amplo, de uma onda conservadora que está varrendo o país, as Américas e, inclusive, a Europa. 
Bolsonaro propôs entrar com um lança-chamas no Ministério da Educação para destruir até o último vestígio do que meu avô nos deixou. Quer anular o pensamento crítico e o trabalho em grupo. 
A crise educacional no Brasil é um projeto político: uma educação de qualidade, consciente e libertadora seria uma grande ameaça para a classe dominante de um dos países mais desiguais do mundo. O ensino público vem, desde o aprofundamento do neoliberalismo com o golpe de Temer em 2016, passando por um processo de desmonte, que vai se acentuar com Bolsonaro no poder: suas propostas não são conexas, claras ou estruturadas. O que se pode entender de suas declarações é que encara esta área tão fundamental para o desenvolvimento da sociedade como mais uma mercadoria em sua lógica privatizadora.
O novo presidente apoia a Base Nacional Curricular Comum, que propõe que só as áreas de língua e matemática sejam obrigatórias no currículo, desvalorizando as ciências naturais, humanas e sociais. Além disso, promove a censura aos professores por meio do Projeto Escola sem Partido, que diz erradicar a “doutrinação ideológica”; quer ampliar a educação a distância a partir dos seis anos, devido a membros de seu gabinete serem empresário nesta área; e busca cobrar mensalidades nas universidades públicas.
Mas isso não é tudo: também apoia a lei que congela os gastos em educação e saúde pelos próximos 20 anos! Em suma, a educação é o fiel reflexo de um projeto neoliberal que irá se radicalizar em nosso país.
Me invade a alma tamanha injustiça quando vejo que desprestigiam o legado de Paulo Freire. Com a ajuda dos meios de comunicação dominantes, e inclusive de fake news, se construiu uma campanha baseada em emoções e não na racionalidade, mantendo a narrativa falsa de que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi o partido mais corrupto.
“Uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade”, assegurava uma máxima da estratégia de comunicação do nazismo. Com sua posse, chegaram a ocupar cargos políticos pessoas que apoiam um discurso totalitário e que afirmam que “o erro da nossa ditadura militar foi ter torturado ao invés de matar mais pessoas”. Nosso futuro é assustador! Sinto uma imensa angústia, por mim e pelo resto de minhas irmãs e irmãos.
A partir das práticas educativas populares podemos compreender-nos, aumentando nossa capacidade de transformação, ocupando os espaços políticos, reivindicando debates e combatendo os retrocessos institucionais de nossa política; lutando nas escolas, nas periferias, a partir do afeto, construindo caminhos até conquistar a liberdade, essa que tanto os chateia. 
Hoje, mais do que nunca, a educação popular é fundamental para gerar um ser coletivo, porque como bem dizia meu avô, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.
Nós não ficaremos dormindo, embora a televisão nos anestesie.
O povo brasileiro nas ruas será nosso motor!
Edição: Vivian Fernandes
Fonte: BRASIL DE FATO

Segundo pesquisa, 60% dos brasileiros rejeitam privatizações e 57% são contra redução das leis trabalhistas

The the E195-E2 commercial jet’s first prototype is pictured in Sao Jose dos Campos, Brazil, March 7, 2017. REUTERS/Roosevelt Cassio
Da Folha:
As eleições de 2018 consagraram políticos que se diziam comprometidos com princípios liberais na economia, como o presidente Jair Bolsonaro e os governadores João Doria (SP) e Romeu Zema (MG).
Mas dois itens usualmente associados a esse ideário, privatizações e redução das leis trabalhistas, são rejeitadas pela maioria dos brasileiros: 60% e 57% dos ouvidos pelo Datafolha sobre as práticas, respectivamente, discordam delas.
A pesquisa, realizada em 18 e 19 de dezembro, ouviu 2.077 pessoas em 130 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.
Ela aponta que 34% concordam que o governo deve vender o maior número possível de suas empresas.
Outros 5% não têm opinião formada, e 1% se diz neutro.
(…)
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM

ENTIDADES DE CLASSES SE REUNIRAM ONTEM (4) EM NATAL COM O ALBÉRICO MEDEIROS COORDENADOR GERAL DA VICE GOVERNADORIA

 Albérico recebendo as lideranças: Daniele (STRAF de Nova Cruz). Eduardo Vasconcelos (Presidente do CPC/RN), Damião Gomes da Silva (Presidente do PCdoB de Nova Cruz) e Erivan Gomes.
 Daniele (STRAF-Nova Cruz), Erivan Gomes, Damião Gomes (Presidente do PCdoB de Nova Cruz), Eduardo Vasconcelos (Centro Potiguar de Cultura com Albérico, Coordenador Geral do Gabinete do Vice Governador, ANTENOR ROBERTO.
Na saída da Vice Governadoria o quarteto pousaram para foto

Ontem (4) pela manhã em Natal na Vice Governadoria, lideranças novacruzenses foram recebidos pelo Coordenador Geral da Vice Governadoria, CARLOS ALBÉRICO MEDEIROS.

Os mesmos foram os primeiros a serem recebidos por Albérico Medeiros, onde falaram sobre política, demandas da região, entre outras questões referentes a NOVA CRUZ.

Foram apresentadas pela comissão reivindicações em prol da cidade e da região do Agreste Potiguar.

Albérico ouviu atentamente a comissão, anotou as sugestões colocadas na reunião, onde no final ALBÉRICO MEDEIROS deu as orientações necessárias para as viabilidades das solicitações em defesa da região e de ordens política.

Albérico participou ontem da I FEIRA DE AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA DE MONTANHAS/RN, representando o Vice Governador, ANTENOR ROBERTO, que já tinha uma agenda previamente estabelecida, antes do convite feito. Estiveram com ele Damião Gomes da Silva, entre outras.

SECRETARIA DA CULTURA NÃO CITA FUNDO SETORIAL DO AUDIOVISUAL

Reduzida à secretaria especial, a área de cultura mantém maior parte da antiga estrutura no novo governo, mas o controle da Ancine fica com o titular do Ministério da Cidadania, Osmar Terra. O mesmo acontece com outros órgãos colegiados vinculados ao extinto MinC, como o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC); Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC); Comissão do Fundo Nacional da Cultura (CFNC); e  Conselho Superior de Cinema (CSC).
Também ficou sob o controle do ministério a gestão do Fundo Nacional da Cultura, que será feita por diretoria própria, com o objetivo de controlar o uso de seus recursos. E ainda não há menção ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que tem sustentado o crescimento da produção cinematográfica do país nos últimos anos.
Mas é a Secretaria do Audiovisual que vai fiscalizar a execução do contrato de gestão entre o Ministério e a Ancine. Veja a nova estrutura do governo, que cuidará da cultura no país:
Secretaria Especial da Cultura:
Secretaria da Diversidade Cultural:
1.1. Departamento do Sistema Nacional de Cultura; e
1.2. Departamento de Promoção da Diversidade Cultural;
Secretaria do Audiovisual: Departamento de Políticas Audiovisuais;
Secretaria da Economia Criativa:
3.1. Departamento de Empreendedorismo Cultural; e
3.2. Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas;
Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura:
4.1. Departamento de Fomento Indireto; e
4.2. Departamento de Fomento Direto;
Secretaria de Difusão e Infraestrutura Cultural: Departamento de Desenvolvimento, Análise, Gestão e Monitoramento; e
Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual:
6.1. Departamento de Política Regulatória; e
6.2. Departamento de Registro, Acompanhamento e Fiscalização.
O Ministério de Cidadania cuida também das políticas de desenvolvimento social, assistência social, renda de cidadania, combate às drogas, esporte, cooperativismo, entre outras atribuições.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Artesanato Brasileiro (História)

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A história do artesanato tem início no mundo com a própria história do homem, pois a necessidade de se produzir bens de utilidades e uso rotineiro, e até mesmo adornos, expressou a capacidade criativa e produtiva como forma de trabalho.
Os primeiros artesãos surgiram no período neolítico (6.000 a.C) quando o homem aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cerâmica e a tecer fibras animais e vegetais.
No Brasil, o artesanato também surgiu neste período. Os índios foram os mais antigos artesãos. Eles utilizavam a arte da pintura, usando pigmentos naturais, a cestaria e a cerâmica, sem esquecer a arte plumária como os cocares, tangas e outras peças de vestuário feitos com penas e plumas de aves.
O artesanato pode ser erudito, popular e folclórico, podendo ser manifestado de várias formas como, nas cerâmicas utilitária, funilaria popular, trabalhos em couro e chifre, trançados e tecidos de fibras vegetais e animais (sedenho), fabrico de farinha de mandioca, monjolo de pé de água, engenhocas, instrumentos de música, tintura popular. E também encontram-se nas pinturas e desenhos (primitivos), esculturas, trabalhos em madeiras, pedra guaraná, cera, miolo de pão, massa de açúcar, bijuteria, renda, filé, crochê, papel recortado para enfeite, etc.
O artesanato brasileiro é um dos mais ricos do mundo e garante o sustento de muitas famílias e comunidades. O artesanato faz parte do folclore e revela usos, costumes, tradições e características de cada região.

Tipos de artesanatos brasileiro:

Cerâmica e bonecos de barro
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É a arte popular e de artesanato mais desenvolvidas no Brasil e desenvolveu-se em regiões propícias à extração de sua matéria prima – o barro. Nas feiras e mercados do Nordeste, se encontram os bonecos de barro, reconstituindo figuras típicas da região, como os cangaceiros, retirantes, vendedores, músicos e rendeiras.

Renda
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A renda, presente em roupas, lenços, toalhas e outros artigos, tem um importante papel econômico nas regiões Norte, Nordeste e Sul, e é desenvolvida pelas mãos das rendeiras.

Entalhando a madeira
É uma manifestação cultural muito utilizada pelos índios nas suas construções de armas, utensílios, embarcações, instrumentos musicais, máscaras e bonecos.
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Os artesanatos em madeira produzem objetos diversificados com motivos da natureza, do universo humano e a fantasia. Exemplos disso são as carrancas, ou cabeças-de-proa, os utensílios como cocho, pilão, gamelas e móveis simples e rústicos, os engenhos, moendas, tonéis, carroças e o maior produto artesanal em madeira – contando com poucas partes de metal – são os carros de bois.
Cestas e trançados
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A arte de trançar fibras, deixada pelos índios, inclui esteiras, redes, balaios, chapéus, peneiras e outros. Quanto à decoração, os objetos de trançados possuem uma imensa variedade, explorada através de formas geométricas, espessuras diferentes, corantes e outros materiais. Esse tipo de artesanato pode-se encontrar espalhados em diversas regiões do Norte e Nordeste do Brasil como, na Bahia, Mato Grosso, Maranhão, Pará e o Amazonas.

Artesanato indígena
Cada grupo ou tribo indígena tem seu próprio artesanato. Em geral, a tinta usada pelas tribos é uma tinta natural, proveniente de árvores ou frutos. Os adornos e a arte plumária são outro importante trabalho indígena.
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A grande maioria das tribos desenvolvem a cerâmica e a cestaria. E como passatempo ou em rituais sagrados, os índios desenvolveram flautas e chocalhos.

Vítima da aids, cartunista Henfil faleceu há 31 anos

A morte do cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, completa hoje (4) exatos 31 anos. Vítima da aids, ele faleceu no Rio de Janeiro em 4 de janeiro de 1988. O cartunista contraiu o HIV em uma das transfusões que realizava com frequência, já que era hemofílico assim como seus irmãos, o sociólogo Betinho e o músico Chico Mário.
O cartunista é o criador de tirinhas famosas nos anos 1970 e 1980, como a Graúna, o Fradim Cumprido e o Fradim Baixim. Engajado na vida política e social do país, seus traços criticavam a ditadura militar. Ele trabalhou para o semanário O Pasquim, cuja linha editorial era contrária ao regime da época. Mais tarde, participou de movimentos importantes, como a mobilização pela anistia a presos e exilados políticos e as Diretas Já! Cujo bordão é inclusive de sua autoria.
Se fosse vivo, Henfil teria hoje 74 anos. Mineiro de Ribeirão das Neves, nasceu em 5 de fevereiro de 1944. Em outubro do ano passado, a história do cartunista foi retratada no documentário Henfil. Dirigido por Angela Zoe e lançado no Festival do Rio, o filme tem depoimentos de figuras próximas a ele, como seus colegas no semanário O Pasquim: Ziraldo, Jaguar, Sérgio Cabral e Tárik de Souza. “É um erro chamá-lo de cartunista, porque ele foi um multiartista”, diz Tárik de Souza em um dos depoimentos.
Fonte: BRASIL CULTURA

Bolsonaro ameaça liberdade de imprensa

Associações destacam que postura em relação aos jornalistas na posse ‘é incompatível com a democracia’.
NOTA OFICIAL
A Associação Brasileira de Imprensa expressa profunda preocupação com o excesso de restrições impostas aos jornalistas credenciados para a cerimônia de posse do Presidente da República Jair Bolsonaro. Não há registro de comportamento discricionário semelhante na história recente no País. O que se viu em diferentes cenários de Brasília é incompatível com o regime democrático. O respeito à imprensa é um dos principais indicadores das nações que se consideram civilizadas.
A ABI espera que os exageros no trato com os jornalistas sejam creditados à inexperiência da nova criadagem do Palácio do Planalto e dos serviçais que assumiram a segurança periférica do Presidente.
Não é aceitável que repórteres e cinegrafistas sejam mantidos durante horas em determinados locais, como se estivessem em cárcere privado, impedidos de se locomoverem, e até de falar com o público.
Não se pode confinar a imprensa em alambrados como gado de corte.
Estamos convencidos de que as patuscadas que enodoaram a cerimônia de posse acabem se circunscrevendo a esses deploráveis episódios, e não voltem a se repetir.
A construção da democracia é um exercício diário que exige submissão aos mandamentos da Constituição além de extraordinária capacidade de doação e respeito pelo outro.
A partir de hoje, Jair Bolsonaro é o Presidente de todos os brasileiros, mesmo daqueles que não o honraram com o seu voto, nas eleições de outubro.
O Novo Mandatário também precisa ser alertado que a campanha eleitoral terminou.
Domingos Meirelles
Presidente da ABI

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

I Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária de *Montanhas*

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Imagem: Rádio Clube de Lages/RN
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Brasão da Prefeitura de Montanhas/RN - Google

I Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária de *Montanhas*

▪Data: 04, 05 e 06 de Janeiro de 2019

▪Local: *Festa de Réis* - Município de *Montanhas*, Território do Agreste.


▪ *Programação*  (proposta flexível)

 👉🏽Sexta feira, dia 04 

- 15h00min : Chegança d@s participantes;

- 17h00min: Jantar;

- 18h30min: Abertura da Feira;

- 19h00min: Roda de Conversa "Economia Solidária" - Samara Francione/ COOPERCACHO Secretaria Executiva do *Fórum Potiguar de Economia Solidária*- FPES

👉🏽Sábado, dia 05

- 06h00min: Comercialização (junto com a feira local);

- 11h00min : Almoço

- 13h30min : Oficina Temática " *Licitação e Compras* do Programa Nacional de Alimentação Escolar /PNAE - *Expedito Alexandre*/ Presidente da Cooperartiva Agropecuária Cacho de Ouro- *COOPERCACHO*

- 17h00min : Comercialização ( Festa de Reis)

- 18h00min: Jantar

👉🏽 Domingo, dia 06

- 07h00min: Café da manhã

- 08h00min : Oficina Artesanato "Boneca de Pano" - Fátima Luciano/Artesã 

-11h00min: Encerramento 

👉🏽👉🏽Realização - *STR, Secretaria Municipal de Agricultura e Prefeitura Municipal de Montanhas*

Informações: Dr EVANDRO BORGES - Advogado, colonista e entrevistador.

Bilac: a imortalidade faz cem anos

Contam que Olavo Bilac, que havia sido um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, pilheriava sobre a sua condição de imortal, como eram chamados os membros daquela casa, na qual ocupou a cadeira de número quinze. Dizem que respondia ser imortal por não ter onde cair morto. Pois há cem anos, trinta depois da publicação do seu primeiro livro, Poesias (1888), Bilac deixou a vida terrena e virou imortal.
Por Joan Edessom
A fúria com que alguns dos primeiros modernistas investiram contra o passado foi talvez a responsável por uma certa diminuição do valor de Bilac. Aos olhos de alguns daqueles, seu parnasianismo era uma espécie de condenação póstuma.
Mas em vida, Bilac foi um poeta extremamente popular. Nos convescotes literários da época todos declamavam os seus sonetos. O poeta Manuel Bandeira creditava essa popularidade de Bilac a sua fluência na linguagem e na métrica, bem como a sua sensualidade à flor da pele. Segundo Bandeira, esse conjunto tornava-o muito acessível ao grande público.
O republicano Bilac era um romântico, de um romantismo sensual, erótico, de clara influência baudelairiana. Mas era também um homem antenado com o seu tempo, ou mesmo à frente dele.
Na crônica “Os Boers”, de 1900, o poeta afirma que “Agredir um homem para lhe tomar o fruto das suas economias é uma ação negra que leva ao calabouço e ao patíbulo, mas agredir um povo para lhe arrebatar a fortuna, a liberdade e a honra, é uma ação gloriosa e bela, que se pratica com uma desfaçatez sem par”. O professor Sânzio Azevedo, ao comentar esse trecho, afirmava que ele era de uma contundente atualidade. E chama a atenção para o fato de Bilac ter apoiado o povo russo na sua tentativa revolucionária em 1905.
Mesmo entre os que criticaram Bilac mais duramente, havia um reconhecimento do seu valor. Massaud Moisés, por exemplo, que criticava a “frieza” dos poemas de Bilac, ao falar sobre os aplausos que ele recebera em vida e os ataques desferidos pelos modernistas, afirma que “um poeta menos denso ou brilhante não suscitaria tais aplausos ou iras apaixonadas”.
No centenário da sua imortalidade, talvez devêssemos voltar à obra de Bilac. Para ler poemas como “Ouvir estrelas”, por exemplo, de imediato sucesso quando da sua publicação. Ou sua clássica declaração de amor à “Língua Portuguesa”, a “última flor do Lácio, inculta e bela”. Ou ainda para nos deliciarmos com a obediência erótica de “Delírio”, capaz de ruborizar falsos moralistas tão em voga.
Leiamos Bilac em voz alta, e mesmo nesses tempos de ódio e intolerância, sejamos capazes de perder o senso e ouvir estrelas. E sejamos também capazes de amar, para poder ouvi-las e entendê-las. Pois como disse o poeta que imortalizou-se há um século, “só quem ama pode ter ouvido, capaz de ouvir e de entender estrelas”.
ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS!
XIII
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
LÍNGUA PORTUGUESA
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
DELÍRIO
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…
*Joan Edesson de Oliveira é educador, Mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará.