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domingo, 6 de janeiro de 2019

É mais difícil escrever contos ou romance?

Vale a pena discutir se é mais difícil escrever um romance ou um conto? Segundo Octavio Paz, sem épica não há sociedade possível, pois não existe sociedade sem heróis em que se reconhecer. Jacob Burckhardt foi um dos primeiros a advertir que a épica da sociedade moderna é o romance. Mas como chamar de épico um gênero ambíguo, que mal se define entre a crônica, o ensaio filosófico, a confissão autobiográfica, em que tudo cabe e é possível?
O romance e o conto teriam sua origem nos mesmos relatos míticos. Mas a modernidade mudou a feição do herói, introduziu a consciência, o homem virou o senhor de seus atos e vontades, não é mais o joguete do destino, sua posição diante do cosmo e diante de si mesmo tornou-se radicalmente distinta da que assumiu no passado. Os antigos conferiam realidade aos seus heróis. O mito explicava a ordem do mundo.
A Odisséia de Homero guardaria os prenúncios do romance moderno, uma forma narrativa que busca fugir ao ritmo imposto pela poesia e ao herói modelo, que acabamos de referir. O conto se origina nos relatos da tradição oral, nas histórias de deuses, heróis civilizadores, animais totêmicos. Guardados na memória e repetidos ao longo dos anos, esses relatos tinham a função de registrar os feitos das tribos, de educar através de exemplos, ou simplesmente divertir. As narrativas orais ganharam registros escritos, mas os compiladores, na maioria das vezes, permaneceram no anonimato. Nesse primórdio, o tecido que separava a narrativa de tradição oral, da escrita, era bem tênue. Permaneceu assim, até que a modernidade cobrou a assinatura de um autor.
No Decamerão de Boccaccio as múltiplas vozes dos narradores fazem pensar em vários autores. Porém, as cem narrativas estão assinadas. Não se trata de uma criação coletiva como os relatos colhidos e recontados pelos Irmãos Grimm, ou por Ítalo Calvino, ou por Jean Claude Carrière. Boccaccio imagina um grupo de sete moças que, tentando afastar-se dos perigos da peste que grassava em Florença, se encontram com três rapazes, “não por prévia combinação, mas por acaso, em uma das dependências da Igreja de Santa Maria Novella.” Ali, decidem seguir em busca de ar livre, para uma propriedade agrícola perto de Florença. E durante dez dias contam histórias de amor. É o mesmo modelo adotado em “As mil e uma noites”, sendo que nestas, além de um número mais infinito de noites, existe uma narradora única, Sherazade, que no transcorrer das histórias transfere a voz narrativa para outros. Sherazade seria um Boccaccio que ao invés de escrever, narra.
O conto se manteve próximo da tradição oral, e a substituiu nas sociedades em que a figura do narrador deixou de existir. Não há personagem, dentro das sociedades, a que possa ser comparado o romancista. Porque embora tenha existido o hábito da leitura de romances em voz alta, o romance nunca buscou forma correspondente na oralidade.
Mesmo considerando que a separação entre conto e romance é arbitrária, Ernesto Sabato insiste em diferenças arquetípicas, mas não diz quais são elas. Refere que “Guerra e Paz” é um romance e “Bartleby” um conto, sem estender-se nos motivos dessa classificação. A diferença estaria apenas no número de páginas? Sabato reconhece que “o romance é tão extenso comparado com o conto que, o que deve haver entre o começo e o fim dessa ilha difusa que se entrevê no início é difícil de prognosticar.” Borges, ao referir sua experiência, diz que vislumbra o princípio e o fim da história em cada conto que escreve, mas que não sabe a que país ou época pertencem, o que revela-se apenas quando pensa no tema, ou quando vai escrevendo.
No conto, trabalhando com um tempo narrativo mais limitado, segundo Ricardo Piglia “há um jogo entre a vacilação do começo e a certeza do fim”, sem sobras para digressões extensas como no romance. Segundo Kafka, “No primeiro momento, o começo de todo conto é ridículo. Parece impossível que esse novo corpo, inutilmente sensível, como que mutilado e sem forma, possa manter-se vivo. Cada vez que se começa, esquece-se de que o conto, se sua existência é justificada, já traz em si a forma perfeita, e que só cabe esperar vislumbrar nesse começo indeciso o seu visível, mas, talvez, inevitável final.”
Millôr Fernandes resumiria a questão numa tirada de humor: o conto é um romance sem o miolo. O conto é um relato que encerra um relato secreto, afirma Piglia. É este o seu miolo. Nele, precisamos contar uma história, contando outra. Não como fez Sherazade, que interrompe um fio narrativo para introduzir outro. É necessário que as duas histórias caminhem em paralelo, contem-se ao mesmo tempo. Ler um conto é investigar essa história secreta, que foge à aparência.
Piglia escreve que os contistas mais modernos abandonaram a estrutura fechada da narrativa e o final surpreendente; trabalham a tensão entre as duas histórias sem nunca resolvê-la. E que o conto clássico à Poe contava uma história anunciando que havia outra; e o conto moderno conta duas histórias como se fossem uma só. Os experimentos com o conto deixaram de lado a intenção de contar uma história, ou duas histórias, uma visível e outra secreta. Não existe a vontade de que o conto escrito retorne à forma oral, podendo ser lido em voz alta. Os novos narradores talvez não se interessem em contar histórias. Ou talvez se interessem em narrar uma história tão secreta, que muitas vezes nos perdemos nos seus sinais, sem nunca decifrá-la.
 *Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor.

Dia de Reis – 6 de Janeiro.

dia-de-reis
O dia de Reis foi criado para lembrar a data em que os três Reis Magos entregaram presentes ao Menino Jesus. É uma festa da Igreja Católica Apostólica Romana, realizada entre os dias vinte e quatro de dezembro e 06 de janeiro, o dia da comemoração.
Trazida pelos portugueses na época da colonização do Brasil, a folia de reis é um movimento cultural onde os grupos saem caminhando a pé pelas ruas das cidades, para levar às pessoas as bênçãos do menino Jesus.
Os participantes saem a caráter, cada personagem possui roupas próprias, deixando a folia com um ar mais animado.
Dentre os personagens que aparecem na festa temos: mestre, contramestre, músicos, tocadores, reis magos, palhaço e outras pessoas, donas de conhecimentos da data.
Na história do natal os reis magos foram guiados por uma estrela até chegarem ao local onde Maria estava com seu filho, na presença de José. O caminho percorrido foi longo, pois cada um estava em uma localidade, por isso demoraram cerca de doze dias para chegar a Belém.
Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Sua utilidade é espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar, fazendo também do objeto uma reprodução da fé e da espiritualidade.
Da Europa, o enviado foi Belchior ou Melchior. Seu presente, o ouro, era oferecido apenas para os deuses, motivo pelo qual o ofertou para Jesus, simbolizando a riqueza, a realeza.
A mirra não foi esquecida. Baltazar levou-a da África, como a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta, utilizado para o preparo de medicamentos.
Em agradecimento ao cortejo e às bênçãos recebidas, as donas das casas deixam vários tipos de alimentos prontos, para oferecer aos personagens do cortejo. Como estes saem pelas ruas das cidades, desde bem cedo, vão recebendo desde lanches, café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.
Com a folia, encerram-se as comemorações natalinas em todo o mundo, podendo desmanchar as árvores de natal e retirar todos os enfeites que representam a festa. O importante é abençoar a todos com a festa!

Sinpro-DF inicia diálogo junto ao governo Ibanei


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Dando continuidade à luta em defesa dos direitos do magistério, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) iniciou o diálogo junto à nova gestão que comandará o GDF pelo próximo quadriênio. Após reunião entre a Comissão de Negociação do Sindicato e o Secretário de Educação Rafael Parente, ficou estabelecido um cronograma de reuniões semanais para discutir a pauta de reivindicações da categoria, que contém mais de 100 itens importantes e urgentes para todos(as) educadores(as) do ensino público do DF.

Durante a conversa, realizada na manhã dessa quinta-feira (3), o secretário deu posicionamento em relação alguns pontos do pleito. Sobre o pagamento das pecúnias, Parente informou que o GDF reconhece a dívida, porém, maiores detalhes de como ou quando serão feitos os pagamentos deverão tratados diretamente com o governador Ibaneis Rocha (MDB), tendo em vista que a discussão das pecúnias envolve diversas categorias do funcionalismo.

A Comissão reforçou que é preciso estabelecer um debate permanente sobre as pecúnias, pois os valores destinados aos pagamentos são insuficientes diante do montante acumulado da dívida, além de cobrar a elaboração de medidas que garantam o gozo da Licença-Prêmio por Assiduidade para categoria em atividade, a fim de evitar o acúmulo de novas pecúnias.

Sobre a verba do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), o Sindicato alertou para a quitação das pendências de 2018 que ainda não foram pagas e cobrou que seja estabelecido, com antecedência, a periodicidade e os valores destinados para que as escolas se organizem. Sobre os recursos de 2019, o secretário informou que estão sendo tomadas medidas para pagar a primeira parcela também no mês de janeiro.

Acerca das nomeações, as convocações de professores(as) orientadores(as), bem como de cargos administrativos, incluindo os(as) monitores(as), deverão acontecer este mês. A expectativa é de que sejam convocados(as) 310 monitores(as), 468 orientadores(as), 429 apoio administrativo, 70 secretários(as) e 54 professores(as) das áreas de biomedicina (5), eletrônica (2), eletrotécnica (4), enfermagem (12), informática (1), língua estrangeira moderna/japonês (1), matemática (27) e odontologia (2) .

Parente disse ainda que providências estão sendo tomadas para que as contratações temporárias aconteçam de forma a garantir a participação desses(as) professores(as) já no início da semana pedagógica. Além disso, Rafael Parente explica que na noite desta sexta-feira (4), está previsto um crédito referente aos salários de dezembro, as rescisões de contratos temporários e um terço de férias do efetivo.

O Sinpro solicitou uma reunião com o governador Ibaneis Rocha para a próxima semana e a Comissão reafirma que neste momento se inicia uma nova etapa de discussão junto ao GDF para manter e conquistar avanços para toda a base, porém, o que garantirá o êxito será a continuidade da luta e da unidade histórica da categoria nesse novo embate.

Fonte: Facebook - SINPRO-DF

QUANDO AUTORIDADES USAM O NOME DE DEUS, É PARA EVITAR QUE SUAS POLÍTICAS SEJAM SUBMETIDAS AO CRIVO DA RAZÃO


demétrio magnoli

O DEUS DELES E O DE TODOS
"Não usarás o nome de Deus em vão" (Êxodo 20:7). 

Bolsonaro mencionou Deus abundantemente nos seus dois discursos de posse —e sempre em vão.

O Deus que autoriza ou sacraliza escolhas políticas nasce quando o poder se apropria da fé, para separar os filhos de Deus segundo a fidelidade a uma autoridade terrena.

Na Roma imperial, a fé exprimiu a aspiração ancestral de igualdade política. O cristianismo difundiu-se entre o povo pois a proclamação de que "somos todos filhos de Deus" erguia uma muralha lógica contra a discriminação.

Constantino curvou-se a ela e, para conservar o Império, instituiu a tolerância religiosa (313). 
 

Daí, seguiu-se o Concílio de Nicea (325), a conversão do imperador em seu leito de morte (337) e o Edito de Tessalônica (380), de Teodósio, que elevou o cristianismo à condição de religião de Estado. 

No fim do percurso, completou-se a inversão: o poder terreno adquiria o direito de discriminar invocando o nome de Deus.

A ideia original dos filhos de Deus é inclusiva. São filhos de Deus todos os seres humanos, mesmo os infiéis ou pecadores. O rebanho abrange os que cultuam deuses pagãos e os que clamam contra a autoridade.

Nesse sentido, a fé cristã mantém coerência com o princípio iluminista da igualdade política. “Nós não tratamos de Deus” —a advertência de Alastair Campbell, assessor de Tony Blair, evitou que o primeiro-ministro britânico concluísse seu discurso à nação, no início das hostilidades no Iraque (2003), com a frase “Deus nos abençoe”. 

O veredicto sobre a principal decisão de Blair, de seguir George W. Bush na campanha militar, não caberia a Deus, mas exclusivamente aos cidadãos.

“Agora, nós tratamos de Deus”, escreveu o ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, num artigo para a revista The New Criterion, referindo-se ao Brasil do governo Bolsonaro. 

 
A frase quase protocolar ensaiada por Blair seria uma súplica e a desejada bênção divina, uma mera hipótese. O Deus de Blair não dirige os eventos humanos, ainda que possa eventualmente aprovar, a posteriori, certas escolhas políticas.

Já o Deus de Trump invocado por Araújo move meticulosamente os pauzinhos da política. 

No caso brasileiro, segundo o artigo, Deus concatenou as ações de Bolsonaro, Olavo de Carvalho e da Lava-Jato com a finalidade de restaurar uma pátria que se tinha perdido. Esse Deus pervertido, um despachante de interesses terrenos, é o que o governo de turno quer que seja.

No discurso político, há um Deus para cada gosto. O Deus da Igreja Católica medieval mandava queimar bruxas e dirigia exércitos de cruzados.

O dos partidos religiosos israelenses exige a continuidade da ocupação de territórios conquistados. O das teocracias islâmicas impõe códigos restritivos de costumes que rebaixam as mulheres a uma cidadania de segunda classe. Aí, em todos esses casos, a palavra divina emana das autoridades políticas e o nome de Deus serve para matar, conquistar, oprimir.
 

Araújo fala sem parar na tradição judaico-cristã que seria a nossa, sem se dar conta de que essa é uma tradição diversa, heterogênea e, sobretudo, aberta à mudança. Dela, faz parte a laicidade estatal —isto é, o não tratamos de Deus de Campbell. 

No seu pronunciamento de posse no Itamaraty, perante diplomatas frios de vergonha (e também de um cordão de puxa-sacos, como foi Araújo até ontem), ele denunciou um 
ódio contra Deus que estaria inscrito na agenda global e alinhou o Brasil aos governos populistas dos EUA, da Itália, da Hungria e da Polônia.

O Deus dele é um ídolo: Steve Bannon, o arauto da alt-right americana que tenta construir uma Internacional dos nacionalistas.

Campbell tinha razão. Nenhuma autoridade menciona Deus em vão. O nome é usado para iludir, enganar, trapacear. Para evitar que suas políticas sejam submetidas ao escrutínio da razão. (por Demétrio Magnoli).

Postado por  - Fonte: naufrago-da-utopia.blogspot.com

"MP mira ONGs que atuam em defesa de direitos humanos”, diz diretor da Abong

Brasil de Fato 

Mauri Cruz lembra que a constituição garantir a autonomia de associações e movimentos da sociedade civil.

Uma das novidades trazidas pela Medida Provisória (MP) 870 de 2019, que regulamenta a reforma administrativa do governo Bolsonaro, está sendo contestada por organizações não governamentais brasileiras.
A MP elenca entre as competências da Secretaria de Governo, ministério ligado à Presidência, a de “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades e as ações dos organismos internacionais e das organizações não governamentais (ONG) no território nacional”.
A redação é inédita em relação ao órgão, tradicionalmente visto como espaço de articulação e diálogo entre Executivo e sociedade civil. Atualmente, a pasta é ocupada pelo general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz.
Mauri Cruz, integrante da diretoria executiva da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), destaca que o termo “ONG” não é juridicamente preciso, já que a legislação prévia fala em organizações da sociedade civil. De qualquer forma, entende que a MP mira organizações específicas: as que atuam em defesa de direitos humanos, de indígenas, mulheres e outros grupos alvos do discurso de Bolsonaro.
Cruz entende que a redação é ilegal, e afirma que a Abong busca medidas para reverter o disposto na MP. “O artigo 5º [da Constituição] garante a autonomia da sociedade civil e das associações, fundações, movimentos. O texto constitucional veda a intervenção estatal. Primeiro, interpelar administrativamente o governo para que corrija e, depois, em relação ao Congresso, e, se necessário, até o Supremo”, diz.
Os incisos 12 e 13 do referido artigo dizem que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar” e que “a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”, respectivamente.
Um dos pontos que o governo Bolsonaro, e sua candidatura, pautou foi a de que diversas ONGs recebem recursos públicos e, portanto, deveriam ser fiscalizadas. Dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) apontam, no entanto, que 70% das organizações da sociedade civil atuam sem qualquer financiamento do Estado brasileiro.
Nilo D’Ávila, diretor de campanhas do Greenpeace, explica que já há uma série de regras que regulam a prestação de contas de ONGs que atuam em parcerias e convênios com entidades públicas, e, que neste sentido, a MP é despropositada,  concordando que o dispositivo fere a Constituição Federal.
“Não faz o menor sentido. Foi aprovado o marco regulatório da sociedade civil. Há diretrizes, auditorias necessárias, está tudo escrito. A função da MP é ameaçar”, critica.
O Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) existe desde 2014, tendo sido parcialmente alterado em 2015, passou a ser aplicado em todas as esferas administrativas desde 2017.  

sábado, 5 de janeiro de 2019

DIREITOS HUMANOS - RAPOSA NO GALINHEIRO: Bolsonaro esvazia Funai e dá aos ruralistas o direito de demarcar terras indígenas

Em um rápido aceno à bancada ruralista, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) transferiu ao Ministério da Agricultura a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas e quilombolas poucas horas após sua posse. 
Estas eram algumas das principais atividades executadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) nos últimos 30 anos. A alteração está na medida provisória que estabelece a nova estrutura do governo federal.
Agora, o ato será de responsabilidade da pasta, que está sob comando de Tereza Cristina (DEM-MS). A ministra, conhecida como “musa do veneno”, também integra a bancada ruralista. Em 2014, na campanha eleitoral em que disputava uma vaga na Câmara dos Deputados, ela recebeu R$ 2,8 milhões de empresários ligados ao agronegócio.
André Bezerra, membro da Associação Juízes para a Democracia e doutor pelo Programa em Humanidades e Direitos da USP, afirma que a medida vai reduzir a autonomia do órgão.
“Uma fundação pública como a Funai é, em sua essência, autônoma. Pode então uma canetada de uma medida provisória retirar essa autonomia, tirar poderes de algo que deveria ser autônomo?”, questiona.
Além disso, Bezerra considera que, com a transferência, os direitos dos povos indígenas serão fragilizados. Por isso, a medida seria inconstitucional.
“Os direitos dos povos indígenas estão previstos na Constituição em razão de uma situação historicamente existente no Brasil que é o colonialismo”, explica.
“Enfraquecer uma fundação que existe para defender os direitos dos povos indígenas significa enfraquecer os direitos dos povos indígenas. E isso é uma prática indiretamente inconstitucional. Eu falo indireto porque, aparentemente, não viola nenhum dispositivo específico da Constituição — mas viola toda uma sistemática de proteção conquistadas pelos povos indígenas”, alerta Bezerra.
Ele afirma ainda que a retirada das demarcações do âmbito da Funai aprofunda o esvaziamento do órgão e defende a revogação da medida. 
Por e-mail, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que “respeita a decisão do novo governo e continuará a cumprir a missão institucional de proteger e promover os direitos dos povos indígenas”. 
Um funcionário da Funai que atua no Paraná e que não quis ser identificado afirmou ao Brasil de Fato que os colegas ainda estão “digerindo a novidade”. Segundo ele, mais do que esvaziar, a medida faz parte de um “verdadeiro sucateamento à vista”. 
“O processo relativo às demarcações de terras era o que mantinha a essência do órgão indigenista federal. São 129 terras indígenas ainda em estudo. Cerca de 11 milhões de hectares. Isso para não falar das possíveis revisões das áreas já homologadas, como, por exemplo, Raposa Serra do Sol", disse o funcionário.
“Outro aspecto preocupante, é claro, trata-se da incumbência ser passada a quem mais tem interesse em não criar mais áreas que possam ‘atrapalhar’ o agronegócio.”
No Twitter, Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (2) que vai “integrar” indígenas e valorizar a todos os brasileiros. “Mais de 15% do território nacional é demarcado como terra indígena e quilombolas. Menos de um milhão de pessoas vivem nestes lugares isolados do Brasil de verdade, exploradas e  manipuladas por ONGs”, publicou na rede social.
Em nota, o Instituto Socioambiental (ISA) também se posicionou e afirmou que definição do Ministério da Agricultura como órgão responsável pelo reconhecimento de territórios dos povos indígenas e comunidades quilombolas estabelece "um inaceitável e inconstitucional conflito de interesses".
"A medida subordina os direitos fundamentais dessas minorias aos interesses imediatos de parcelas privilegiadas do agronegócio, parte diretamente interessada nos conflitos fundiários. É ainda mais grave considerado que o dirigente responsável pelas temáticas é representante da UDR [União Democrática Ruralista] e dos grandes proprietários de terra. Isso indica que a estratégia de estado não será orientada para o ordenamento do território e para a solução de conflitos, mas para a concentração fundiária e a submissão do interesse nacional a interesses corporativos", diz o texto do ISA.
A Funai foi criada em 1967 em substituição ao Serviço de Proteção ao Índio, fundado em 1910.
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira
Fonte: BRASIL DE FATO

EDUCAÇÃO “Bolsonaro quer destruir legado de meu avô”, diz neta de Paulo Freire

Segundo neta do educador, governo Bolsonaro trata educação como "mais uma mercadoria em sua lógica privatizadora" - Créditos: Reprodução

Segundo neta do educador, governo Bolsonaro trata educação como "mais uma mercadoria em sua lógica privatizadora" / Reprodução

Sofia Freire criticou medidas educacionais tomadas por Temer e disse que desmonte será aprofundado por Bolsonaro.

A neta do educador, pedagogo e filósofo Paulo Freire, a também educadora Sofia Freire Dowbor, afirmou em entrevista à revista argentina La Garganta Poderosa, da organização de vilas e favelas La Poderosa, que Jair Bolsonaro quer destruir o legado deixado por seu avô. No trecho da entrevista, publicado na última quarta-feira (2), ela declarou: "Bolsonaro propôs entrar com um lança-chamas no Ministério da Educação para destruir até o último vestígio do que meu avô nos deixou. Quer anular o pensamento crítico e o trabalho em grupo".
Leia trecho:
Algumas horas depois de Bolsonaro assumir, eu senti raiva. Muita raiva. Me dói ver um presidente que não vai representar nem defender os direitos de um povo, mas que foi eleito democraticamente em um pleito que se insere em um quadro mais amplo, de uma onda conservadora que está varrendo o país, as Américas e, inclusive, a Europa. 
Bolsonaro propôs entrar com um lança-chamas no Ministério da Educação para destruir até o último vestígio do que meu avô nos deixou. Quer anular o pensamento crítico e o trabalho em grupo. 
A crise educacional no Brasil é um projeto político: uma educação de qualidade, consciente e libertadora seria uma grande ameaça para a classe dominante de um dos países mais desiguais do mundo. O ensino público vem, desde o aprofundamento do neoliberalismo com o golpe de Temer em 2016, passando por um processo de desmonte, que vai se acentuar com Bolsonaro no poder: suas propostas não são conexas, claras ou estruturadas. O que se pode entender de suas declarações é que encara esta área tão fundamental para o desenvolvimento da sociedade como mais uma mercadoria em sua lógica privatizadora.
O novo presidente apoia a Base Nacional Curricular Comum, que propõe que só as áreas de língua e matemática sejam obrigatórias no currículo, desvalorizando as ciências naturais, humanas e sociais. Além disso, promove a censura aos professores por meio do Projeto Escola sem Partido, que diz erradicar a “doutrinação ideológica”; quer ampliar a educação a distância a partir dos seis anos, devido a membros de seu gabinete serem empresário nesta área; e busca cobrar mensalidades nas universidades públicas.
Mas isso não é tudo: também apoia a lei que congela os gastos em educação e saúde pelos próximos 20 anos! Em suma, a educação é o fiel reflexo de um projeto neoliberal que irá se radicalizar em nosso país.
Me invade a alma tamanha injustiça quando vejo que desprestigiam o legado de Paulo Freire. Com a ajuda dos meios de comunicação dominantes, e inclusive de fake news, se construiu uma campanha baseada em emoções e não na racionalidade, mantendo a narrativa falsa de que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi o partido mais corrupto.
“Uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade”, assegurava uma máxima da estratégia de comunicação do nazismo. Com sua posse, chegaram a ocupar cargos políticos pessoas que apoiam um discurso totalitário e que afirmam que “o erro da nossa ditadura militar foi ter torturado ao invés de matar mais pessoas”. Nosso futuro é assustador! Sinto uma imensa angústia, por mim e pelo resto de minhas irmãs e irmãos.
A partir das práticas educativas populares podemos compreender-nos, aumentando nossa capacidade de transformação, ocupando os espaços políticos, reivindicando debates e combatendo os retrocessos institucionais de nossa política; lutando nas escolas, nas periferias, a partir do afeto, construindo caminhos até conquistar a liberdade, essa que tanto os chateia. 
Hoje, mais do que nunca, a educação popular é fundamental para gerar um ser coletivo, porque como bem dizia meu avô, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.
Nós não ficaremos dormindo, embora a televisão nos anestesie.
O povo brasileiro nas ruas será nosso motor!
Edição: Vivian Fernandes
Fonte: BRASIL DE FATO

Segundo pesquisa, 60% dos brasileiros rejeitam privatizações e 57% são contra redução das leis trabalhistas

The the E195-E2 commercial jet’s first prototype is pictured in Sao Jose dos Campos, Brazil, March 7, 2017. REUTERS/Roosevelt Cassio
Da Folha:
As eleições de 2018 consagraram políticos que se diziam comprometidos com princípios liberais na economia, como o presidente Jair Bolsonaro e os governadores João Doria (SP) e Romeu Zema (MG).
Mas dois itens usualmente associados a esse ideário, privatizações e redução das leis trabalhistas, são rejeitadas pela maioria dos brasileiros: 60% e 57% dos ouvidos pelo Datafolha sobre as práticas, respectivamente, discordam delas.
A pesquisa, realizada em 18 e 19 de dezembro, ouviu 2.077 pessoas em 130 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.
Ela aponta que 34% concordam que o governo deve vender o maior número possível de suas empresas.
Outros 5% não têm opinião formada, e 1% se diz neutro.
(…)
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM

ENTIDADES DE CLASSES SE REUNIRAM ONTEM (4) EM NATAL COM O ALBÉRICO MEDEIROS COORDENADOR GERAL DA VICE GOVERNADORIA

 Albérico recebendo as lideranças: Daniele (STRAF de Nova Cruz). Eduardo Vasconcelos (Presidente do CPC/RN), Damião Gomes da Silva (Presidente do PCdoB de Nova Cruz) e Erivan Gomes.
 Daniele (STRAF-Nova Cruz), Erivan Gomes, Damião Gomes (Presidente do PCdoB de Nova Cruz), Eduardo Vasconcelos (Centro Potiguar de Cultura com Albérico, Coordenador Geral do Gabinete do Vice Governador, ANTENOR ROBERTO.
Na saída da Vice Governadoria o quarteto pousaram para foto

Ontem (4) pela manhã em Natal na Vice Governadoria, lideranças novacruzenses foram recebidos pelo Coordenador Geral da Vice Governadoria, CARLOS ALBÉRICO MEDEIROS.

Os mesmos foram os primeiros a serem recebidos por Albérico Medeiros, onde falaram sobre política, demandas da região, entre outras questões referentes a NOVA CRUZ.

Foram apresentadas pela comissão reivindicações em prol da cidade e da região do Agreste Potiguar.

Albérico ouviu atentamente a comissão, anotou as sugestões colocadas na reunião, onde no final ALBÉRICO MEDEIROS deu as orientações necessárias para as viabilidades das solicitações em defesa da região e de ordens política.

Albérico participou ontem da I FEIRA DE AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA DE MONTANHAS/RN, representando o Vice Governador, ANTENOR ROBERTO, que já tinha uma agenda previamente estabelecida, antes do convite feito. Estiveram com ele Damião Gomes da Silva, entre outras.

SECRETARIA DA CULTURA NÃO CITA FUNDO SETORIAL DO AUDIOVISUAL

Reduzida à secretaria especial, a área de cultura mantém maior parte da antiga estrutura no novo governo, mas o controle da Ancine fica com o titular do Ministério da Cidadania, Osmar Terra. O mesmo acontece com outros órgãos colegiados vinculados ao extinto MinC, como o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC); Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC); Comissão do Fundo Nacional da Cultura (CFNC); e  Conselho Superior de Cinema (CSC).
Também ficou sob o controle do ministério a gestão do Fundo Nacional da Cultura, que será feita por diretoria própria, com o objetivo de controlar o uso de seus recursos. E ainda não há menção ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que tem sustentado o crescimento da produção cinematográfica do país nos últimos anos.
Mas é a Secretaria do Audiovisual que vai fiscalizar a execução do contrato de gestão entre o Ministério e a Ancine. Veja a nova estrutura do governo, que cuidará da cultura no país:
Secretaria Especial da Cultura:
Secretaria da Diversidade Cultural:
1.1. Departamento do Sistema Nacional de Cultura; e
1.2. Departamento de Promoção da Diversidade Cultural;
Secretaria do Audiovisual: Departamento de Políticas Audiovisuais;
Secretaria da Economia Criativa:
3.1. Departamento de Empreendedorismo Cultural; e
3.2. Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas;
Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura:
4.1. Departamento de Fomento Indireto; e
4.2. Departamento de Fomento Direto;
Secretaria de Difusão e Infraestrutura Cultural: Departamento de Desenvolvimento, Análise, Gestão e Monitoramento; e
Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual:
6.1. Departamento de Política Regulatória; e
6.2. Departamento de Registro, Acompanhamento e Fiscalização.
O Ministério de Cidadania cuida também das políticas de desenvolvimento social, assistência social, renda de cidadania, combate às drogas, esporte, cooperativismo, entre outras atribuições.