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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

9 lindas fotos dos Galos (RN), um paraíso desconhecido de muitos brasileiros

Já era hora de falar dos Galos, um paraíso do Rio Grande do Norte a 170 km de Natal e bem próximo de São Miguel do Gostoso, que é desconhecido de muita gente.

O lugar ainda se preserva bastante intacto, com vilarejos rústicos, e charretes e buggys como únicas opções de transporte.

Quem o visitar verá lagoas que viram piscinas naturais, dunas móveis, praias isoladas (que surgem e desaparecem no ritmo da maré). A natureza se expressando com força e liberdade.
Foto: Pousada Peixe Galo/Divulgação
Nos Galos é possível ir do rio ao mar em poucos passos. Lá tem um restaurante onde dá pra tomar um belo café da manhã com vista pra o rio, e depois dar um passeio de barco passando por rios, dunas, mangues e salinas da região.
A especialidade do restaurante é o trio ovo + queijo + tapioca. 
Foto: Pousada Peixe Galo/Divulgação
E a fauna é outra coisa fuderosa. Os vários mangues e estuários são berços para espécies nativas de pássaros, crustáceos e animais marinhos, como cavalos marinhos. Já viu um desses de perto?

Agora chega de lero lero e vamos às fotos desse paraíso. As fotos foram feitas pelo nosso leitor Chrystian de Saboya, segundo ele “sem nenhuma pretensão, apenas por amor ao mundo”:
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Foto: Chrystian de Saboya
Fica então a dica pra sua próxima viagem!
Com informações de Viagem em Pauta

Fonte: CURIOZZZO

MUNDO: “Polarização extrema mata a democracia”



Autor de “Como as democracias morrem”, Steven Levitsky aponta riscos da transformação de adversários políticos em inimigos no Brasil.

Uma democracia liberal esvaziada pode ser o futuro do governo Jair Bolsonaro, afirma o cientista político Steven Levitsky, autor do best-seller Como as democracias morrem, em entrevista à DW Brasil.

Professor de ciência política na Universidade de Harvard, Levitsky escreveu o livro em parceria com o colega Daniel Ziblatt. A obra tem como ponto de partida a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas de 2016 para mostrar como líderes populistas, assumindo o papel de “outsiders”, estão alcançando o poder em diversos países.

No contexto brasileiro, Levitsky afirma que a democracia liberal não parece estar funcionando para muitos cidadãos e que, em sua opinião, há uma boa chance de que Bolsonaro torne o governo menos liberal.

“Os direitos civis, políticos e humanos básicos de um grande número de brasileiros – de afro-brasileiros a indígenas, de gays e lésbicas a ativistas de direitos humanos e esquerdistas – poderão ser restringidos ou subvertidos. Se isso se tornar sistemático, não poderíamos mais chamar o Brasil de uma democracia liberal”, afirma.

Além disso, a polarização política ameaça a democracia brasileira. “Quando cada lado vê seus rivais políticos como inimigos, há disposição para se fazer qualquer coisa – até mesmo violando as regras da democracia – para impedir que eles ganhem. Já estamos vendo sinais disso no Brasil.”

DW Brasil: No livro Como as democracias morrem, há uma análise de como os partidos políticos e os políticos – os chamados guardiões da democracia – podem falhar em meio à busca por objetivos pessoais. A eleição de Jair Bolsonaro, assim como a de Donald Trump, reflete isso?

Steven Levitsky: Sim e não. O sistema político do Brasil é mais aberto que o dos EUA, em que os partidos são mais fracos. Ao contrário de Trump, que precisava do apoio dos líderes republicanos para concorrer, Bolsonaro concorreu com seu próprio partido. No caso do Brasil, acho que a polarização e o medo da esquerda importam tanto, se não mais, que a ambição pessoal. Muitas elites políticas e econômicas simplesmente pensaram que o PT era pior (que Bolsonaro), ou pelo menos igualmente ruim.

Que responsabilidade políticos e partidos têm e em que falharam quando a democracia é questionada pela sociedade e líderes autoritários emergem? 

Depende muito do país. Com muita frequência, (falharam quanto ao) o desempenho econômico – esse era certamente o caso no Brasil ou na Venezuela antes de Hugo Chávez. Mas nem sempre é isso. A economia dos EUA não estava em tão mau estado em 2016. Podem ser outras áreas políticas, como crime ou corrupção. Mas, de forma mais geral, há uma percepção de que os políticos não estão ouvindo as pessoas, de que elas não representam eleitores e de que estão mais interessados nos problemas das elites do que nas pessoas em geral.
Quando rivais são vistos como inimigos (comunistas, fascistas, criminosos, traidores, etc.), há uma disposição para usar “todos os meios necessários” para mantê-los fora do poder.
No livro, há também a ideia de que tolerância mútua e reserva institucional são fatores que salvaguardam as democracias, além das leis escritas na Constituição. O que esses dois termos significam?

Tolerância mútua significa aceitar o rival como um candidato legítimo, e não um inimigo ou uma ameaça existencial. Reserva institucional significa ter moderação na implantação de prerrogativas institucionais – não usando a letra da lei de maneiras que subvertam o espírito dela. Democracias não podem funcionar bem sem essas normas.

Quando rivais são vistos como inimigos (comunistas, fascistas, criminosos, traidores, etc.), há uma disposição para usar “todos os meios necessários” para mantê-los fora do poder. Isso significa abandonar essa moderação e engajar-se, pelo menos, no “jogo duro” constitucional – como temos visto nos últimos anos no Brasil – e, às vezes, no autoritarismo aberto – como se viu no Brasil em 1964 e no Chile em 1973.

Nas últimas eleições brasileiras, adversários políticos se tornaram inimigos. Quais são os riscos para a democracia quando há esse tipo de polarização?

Há riscos terríveis. Polarização extrema mata a democracia. Pense na Espanha e na Alemanha na década de 1930. No Brasil no início dos anos 1960, no Chile em 1973;, na Venezuela e na Turquia no início dos anos 2000. Quando cada lado vê seus rivais políticos como inimigos, há disposição para se fazer qualquer coisa – até mesmo violando as regras da democracia – para impedir que eles ganhem.

Já estamos vendo sinais disso no Brasil. Vimos sinais na campanha de 2014, no impeachment de 2016, no fato de a elite ter amplamente abraçado a exclusão de Lula das eleições – algo que pode ter sido merecido, mas ainda é realmente problemático para a democracia. E vimos isso no apoio de muitos políticos a um candidato abertamente autoritário como Bolsonaro. Os riscos são muito reais.
Durante as eleições, o presidenciável do PT,  Fernando Haddad, tentou criar uma frente democrática. Você vê a necessidade dessa frente após a eleição de Bolsonaro?

Sim, há uma necessidade de tal frente, mas acho que ela é improvável no momento – pela mesma razão que não se formou em 2018: polarização. O PT e a centro-direita desprezam e temem um ao outro agora. Eventualmente, se as coisas ficarem ruins o suficiente, eles podem cooperar, podem olhar para os socialistas e democratas chilenos nos anos 80 como modelo, mas agora eles não estão próximos o suficiente.

Para o Brasil, a eleição de Bolsonaro pode trazer um esvaziamento democrático?

Nós ainda não sabemos o que essa vitória significa. Não havia um apoio esmagador a Bolsonaro, com apenas cerca de um terço dos brasileiros realmente entusiastas do seu projeto. Muitos outros eram simplesmente anti-PT ou estavam irritados com o establishment em geral. Então, depende do que Bolsonaro fizer.

A democracia liberal do Brasil estava doente – por uma razão compreensível: o país teve uma de suas piores recessões ao mesmo tempo que foi descoberto o maior escândalo de corrupção na história do mundo democrático. A isso se somou uma grave crise de segurança. Os eleitores estavam compreensivelmente irritados e queriam uma mudança significativa. O Brasil foi governado pela centro-esquerda por 15 anos, então Haddad representava o infeliz status quo. E, claro, (Geraldo) Alckmin também representou o status quo para a maioria dos eleitores.

Então, a democracia liberal não parece estar funcionando para muitas pessoas. Ela vai se esvaziar agora? Nós ainda não sabemos. Eu acho, infelizmente, que há uma boa chance de que ele se torne menos liberal. Os direitos civis, políticos e humanos básicos de um grande número de brasileiros – de afro-brasileiros a indígenas, de gays e lésbicas a ativistas de direitos humanos e esquerdistas – poderão ser restritos ou subvertidos. Se isso se tornar sistemático, não poderíamos mais chamar o Brasil de uma democracia liberal.

O surgimento de líderes populistas em todo o mundo, como Bolsonaro, Trump, Rodrigo Duterte, Viktor Orbán e outros, sugere o fim do modelo democrático? No livro Como a democracia chega ao fim, David Runciman diz que a democracia ocidental está em declínio e que seu auge já passou.

É cedo demais para dizer isso. Tudo depende da alternativa. Se um modelo alternativo viável e amplamente legítimo emergir, então sim, a democracia liberal poderia estar em declínio. Mas até hoje isso não aconteceu. Até hoje estamos no mundo de Winston Churchill, segundo o qual a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais experimentadas de tempos em tempos.

Pense na América Latina. As democracias entram em apuros o tempo todo: o Peru na década de 1990, a Venezuela, a Nicarágua e o Equador nos anos 2000. Mas as alternativas – por exemplo, o chavismo – não surgiram como um modelo alternativo viável. Já perderam o brilho e se mostraram bastante frágeis. No Equador, até entrou em colapso. E o modelo proposto por oponentes e sucessores? Ainda é a democracia liberal. Então, não está claro se a democracia está chegando ao fim. Isso é especulação.

Fonte: Carta Capital

Morre aos 42 anos o ator Caio Junqueira em decorrência de acidente de carro


Há uma semana, ele dirigia sozinho em direção ao Centro do Rio, perdeu o controle do carro, que subiu o meio-fio, bateu em uma árvore e capotou.

O ator Caio Junqueira morreu nesta quarta-feira, (22) às 5h15, no Rio, em decorrência de um acidente de carro no Aterro do Flamengo, ocorrido no último dia 16. O ator, que tinha 42 anos e participou, entre outros, do Filme “Tropa de Elite”, estava internado no Hospital Miguel Couto.

Ele dirigia sozinho em direção ao Centro do Rio, perdeu o controle do carro, que subiu o meio-fio, bateu em uma árvore e capotou. Caio ficou preso dentro do veículo, desacordado, e foi retirado com uma fratura exposta.

O ator estava internado na unidade coronariana desde que chegou ao Miguel Couto. Entre os ferimentos, Cairo Junqueira sofreu um trauma grave no tórax e perdeu muito sangue.

Trajetória 

Caio de Lima Torres Junqueira nasceu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 1976. Filho de Maria Inês Torres e do ator Fábio Junqueira, ele é irmão por parte de mãe do também ator Jonas Torres. Ele iniciou a carreira ainda criança e deixou um legado profissional extenso. Ao todo, ele participou de mais de 20 produções televisivas, além de 10 curtas e pelo menos 15 longas.
O primeiro trabalho na TV Globo se deu em um episódio do seriado “Armação ilimitada”, de Guel Arraes, ao lado do irmão Jonas.

O ator fez parte do elenco de “Zuzu Angel” e “Quase nada”, de Sérgio Rezende, “For all – O trampolim da vitória”, de Buza Ferraz e Luiz Carlos Lacerda, “O que é isso, companheiro?”, de Bruno Barreto, além de “Abril despedaçado” e “Central do Brasil”, ambos assinados por Walter Salles. No entanto, não há dúvidas de que seu personagem mais marcante junto ao público foi o aspirante Neto, oficial recém-formado da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no filme “Tropa de elite”, de José Padilha.
Com informações do G1
Fonte: Revista Fórum
Foto acima é uma reprodução

Crescimento do turismo mundial pode chegar a 4% em 2019






29 de Dezembro de 2016 -Cenas embarque Aeroporto de Brasília .Foto: Roberto Castro/Ascom/MTur
O turismo mundial vai crescer entre 3% e 4% em 2019. Essa é a previsão da Organização Mundial do Turismo (OMT), segundo relatório recém divulgado. Além disso, de acordo com o último levantamento da entidade, o setor registrou, em 2018, o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos, atingindo a marca de 1,4 bilhão de chegadas internacionais no mundo todo, um aumento de 6% sobre 2017.

Apesar do resultado positivo, as Américas estão na lanterna do crescimento, com 3% de alta no período 2017/2018. O número segue tendência histórica do continente (2% a 3%). Entre 2017/2018 a América do Sul registrou aumento de 3,2%, enquanto no período anterior – 2016/2017 – o crescimento foi de 9%.

O diagnóstico relata que a alta se deve a fatores como ambiente econômico favorável, forte demanda dos principais mercados emissores, consolidação da recuperação em destinos anteriormente em crise, melhor conectividade aérea e maior facilitação de vistos.

Para o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, o Brasil está na rota do crescimento do setor em 2019. “Nosso trabalho a partir de agora é criar recursos para o incremento da competitividade e incentivo à inovação em todas as atividades da cadeia produtiva. Com um novo ambiente de negócios, teremos um mercado de viagens mais acessível, gerando empregos, renda e desenvolvimento”, prevê.

O titular do Turismo no Brasil destacou medidas prioritárias para obter resultados importantes da atividade no país: “a isenção de visto para países considerados estratégicos, a criação de Áreas Especiais de Interesse Turístico (AEITs) e a ampliação da conectividade aérea no país para expandir os mercados doméstico e internacional estão entre as nossas metas. É urgente repensar e reorganizar o setor para fazer o Brasil crescer”, defende.

Em comunicado, o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, afirmou que “o crescimento do turismo nos últimos anos confirma que o setor é hoje um dos motores mais poderosos de crescimento e desenvolvimento econômico a nível global. Temos a responsabilidade de geri-lo de maneira sustentável para converter essa expansão em benefícios reais para todos os países, e em particular para todas as comunidades locais, criando oportunidades de emprego e empreendimento”.

A expectativa da OMT é que em 2030, as chegadas internacionais cheguem a 1,8 bilhão.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Ensino ameaçado Governo Bolsonaro ameaça fechar escolas do MST que atendem 200 mil alunos

Escola José Martí (PR)
 por Cláudia Motta, da RBA

Nos 35 anos de existência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a educação é esteio da organização e qualifica para produção que se tornou uma das principais em alimentos orgânicos no mundo.

Antes um barracão, a escola estadual José Martí, reerguida em Jardim Alegre, recebe mais de 600 alunos da região.

São Paulo – Há 35 anos, em 21 de janeiro de 1984, era oficialmente fundado o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante seu primeiro encontro nacional. Quem não conhece de perto o trabalho do MST e se informa pela imprensa comercial ou pelas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, pode até considerá-lo uma ameaça ao país. A realidade, no entanto, é diferente.

O MST tem hoje um foco de atuação na defesa da agroecologia, do manejo sustentável da terra e no consumo consciente como parte da segurança alimentar. Abrange a instalação de 96 agroindústrias, 1.900 associações de trabalhadores rurais e mais de 350 mil famílias assentadas, produzindo toneladas de alimentos provenientes de localidades onde antes só havia terra improdutiva.

Essa comida, quase toda, é produzida sem veneno, os agrotóxicos que representam ameaças à saúde da população e enriquecem a indústria farmacêutica e os chamados "defensivos agrícolas". Na base desse conhecimento que passa de acampamento em acampamento, de assentamento em assentamento, está a educação, pilar na organização e no fortalecimento do MST.

 “A vida no assentamento garante às famílias direitos sociais que não são garantidos a todo o povo brasileiro, como casa, escola e comida”, afirma o movimento em seu site.

A necessidade de fazer com que os filhos dos assentados e acampados pudessem ter acesso à educação de qualidade levou à criação de cerca de 1.500 escolas para jovens de 7 a 14 anos – 1.100 delas já reconhecidas pelos conselhos estaduais de educação e cultura. Elas abrigam em torno de 200 mil alunos e 4 mil professores, além dos 250 educadores que trabalham nas Cirandas Infantis – educação de crianças até seis anos ou na faixa da alfabetização. O MST mantém ainda 320 cursos divididos em 40 instituições de nível fundamental, médio, técnico, superior e educação de jovens e adultos (EJA).
“Todo o esforço do MST em levar educação de qualidade aos acampados e assentados rendeu bons frutos ao longo dos anos”, afirma a organização, em nota. “Segundo o Índice de Desenvolvimento na Educação Básica (IDEB), duas escolas do MST no Piauí obtiveram em 2018 os maiores índices na educação básica.”

Para Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, as escolas do MST não só são importantes porque atendem uma quantidade imensa de estudantes, como também atingem uma população de crianças, adolescentes, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, que muitas vezes o poder público não alcança e até criminaliza.
“Além disso, o trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas do MST é um trabalho de qualidade ímpar: há preocupação sensível com a inclusão, com as diversidades e com uma pedagogia de qualidade”, avalia.

Aluna de assentamento é ouro na Olimpíada da Língua Portuguesa
Assentamento 8 de abril
Reforma agrária em bom português. Uma história premiada
 
Prêmio recebido por estudante do Assentamento 8 de Abril, em Jardim Alegre (PR), mostra importância da formação e integração da comunidade

Governo ataca e ameaça

Apesar da qualidade reconhecida, as escolas do MST correm risco. O secretário especial de Assuntos Fundiários do governo de Jair Bolsonaro, Luiz Antônio Nabhan Garcia, afirmou que vai trabalhar para fechar as escolas chamadas por ele de “fabriquinhas de ditadores”.

Contraditoriamente à sua preocupação com posturas ditatoriais, defendeu o direito de o fazendeiro reagir a bala quando tem sua propriedade "invadida". O presidente eleito também já disse que não tem diálogo com o movimento e ameaçou colocar fim aos processos de reforma agrária – medida entre as tantas das quais teve de recuar.

“Não dá para o Brasil admitir em pleno século 21 fabriquinhas de ditadores. Não dá para admitir escolas de marxistas, de leninistas, de bolivarianos, que ensinam crianças a invadir e cometer crimes. Vamos fechar as escolas e punir os responsáveis pela doutrinação. Aliás, isso tem de ser qualificado como crime. Crime de lesa pátria”, disse Nabhan que é presidente licenciado da União Democrática Ruralista (UDR), representante dos latifundiários brasileiros. 

O movimento afirma que não "doutrina" crianças e que todas as escolas de assentamentos são públicas e cumprem as diretrizes aprovadas pelo Ministério da Educação.

“A educação do MST é um trabalho estrutural para uma transformação das zonas rurais do país em busca da justiça social e ambiental. Isso certamente é alvo dos grandes interesses ruralistas”, avalia Andressa. 

Essa transformação foi vivida pela jovem Débora Makoski Francelino, que dá aulas numa das escolas do MST, no assentamento Dom Tomás Balduíno, na região de Quedas do Iguaçu, no Rio Grande do Sul. Durante a passagem da Caravana Lula pelo Brasil relatou à reportagem da RBA seu orgulho por fazer parte do movimento. “É algo que a gente está conquistando para nós, para o Brasil, para estar melhorando tanto na alimentação, quanto na educação”, disse a professora, defensora da agroecologia e do manejo sustentável da terra.
“A educação tem impacto positivo imenso na vida daquelas crianças, que valorizam a terra, a sustentabilidade e a residência no campo, diminuindo inclusive os êxodos rurais.” (Andressa Pellanda, da da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Débora lembra do tempo em que também tinha preconceito em relação ao MST, até seu pai decidir abandonar a vida de “viver para trabalhar e não trabalhar para viver, sem tempo nem para a família” e decidir seguir ao lado do movimento. “Eu tinha 16 anos e não queria vir. Todo mundo falava mal dos sem-terra e eu não sabia o que era. Tinha esse preconceito que têm os que não têm tempo ou dedicação para pesquisar o que é de fato.”

Quando chegou, viu uma realidade toda diferente. “Aqui não existe uma pessoa só para comandar o movimento, todos nós comandamos.”

Educação que semeia futuro

Para Andressa Pellanda, o trabalho de educação no campo, nas escolas do MST, é realizado por educadores que compreendem profundamente as realidades locais e têm senso de transformação social.
“Isso gera um impacto positivo imenso na educação daquelas crianças, que valorizam a terra, a sustentabilidade e a residência no campo, diminuindo inclusive os êxodos rurais.”

Pós-graduada em Ciência Política e mestranda em Relações Internacionais, Andressa considera que essas são perspectivas absolutamente alinhadas com o que tem de mais avançado nos debates globais para o desenvolvimento sustentável. “Os estudantes das escolas do MST aprendem não só os conteúdos curriculares, como também senso de comunidade, do trabalho com a terra, dos direitos humanos.”

O Viveiro de Mudas Silvino Gouveia é uma mostra disso. Localizado no assentamento Liberdade, em Periquito, Vale do Rio Doce (MG) proporciona aos agricultores um aprendizado por meio do qual o MST pretende reflorestar assentamentos da reforma agrária: o projeto Semeando Agroflorestas.

A proposta, como explicou o jovem assentado Davy Pereira Paixão, é fazer um trabalho de recuperação das áreas que estão muito degradadas. “Seja em função da atividade anterior, do fazendeiro que explorou muito, seja pelo pastoreio e pelo mau uso da terra.” A técnica alia o plantio de árvores à produção de alimentos. “Pelas histórias contadas pelos mais velhos, a gente se sente muito triste. Estão acabando com tudo e a monocultura aumentando”, lamenta.

André Pereira da Paixão trabalha como coletor de sementes no viveiro de mudas Silvino Gouveia. Depois leva mudas para outros assentamentos. Técnico em administração de cooperativas, estudou na escola do MST. “Desde sempre gostei de estudar a questão da agroecologia. Pra gente que conhece outras regiões, é triste voltar aqui e ver esses morros todos pelados, essa degradação. O trabalho do viveiro rejuvenesce a gente. Quando chegamos nos assentamentos somos recebidos com muito carinho e as pessoas entendem a importância que tem isso.”

São quatro viveiros no estado e mais de 600 famílias assentadas e mais de 300 acampadas. “Cada assentamento tem um núcleo que contribui com o trabalho no viveiro, a tarefa de coleta de sementes, e estuda essa questão do SAF, como fazer para recuperar as áreas, as nascentes. Tem muita gente envolvida.”

Rede Brasil Atual

Lobato cai em domínio público e ganha releitura politicamente correta


 
Desde o dia 1.º de janeiro, a obra de Monteiro Lobato, um dos maiores escritores do país, está em domínio público, ou seja, os direitos autorais não mais pertencem exclusivamente aos descendentes. Para divulgar Lobato, preservando o melhor de sua obra, o escritor Pedro Bandeira atualiza a produção do escritor nascido em Taubaté e elimina algumas expressões que foram consideradas racistas
 
José Bento Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, então Província de São Paulo, em 18 de abril de 1882 e faleceu na cidade de São Paulo em 4 de julho de 1948
Desde o dia 1.º de janeiro, a obra de Monteiro Lobato está em domínio público, ou seja, os direitos autorais não mais pertencem exclusivamente aos descendentes. Isso acontece porque a proteção aos direitos é válida por 70 anos e termina a partir do primeiro dia do ano seguinte – como Lobato morreu em 1948, aos 66 anos, os direitos terminaram agora. Assim, é permitida a publicação da obra por qualquer editora, o que já resultou em um plano diversificado de edições (veja no quadro). Dentre todos os projetos, o mais ambicioso foi assumido pelo também escritor Pedro Bandeira, exímio conhecedor da obra lobatiana e que está ambientando para o século 21 as brincadeiras e ensinamentos da turma do Sítio do Picapau Amarelo.
 
“Minha adaptação protege o talento de Lobato”, assegura. “Autores geniais como Perrault, Andersen, Dumas ou Shakespeare têm sido adaptados sem parar. No caso de Lobato, quase toda sua linguagem e humor devem ser preservados e foi o que fiz. Mas tenho de mexer um pouquinho em detalhes como os xingamentos da Emília. Na época de Lobato, isso poderia parecer engraçado; hoje, porém, é um absurdo. Sua obra não perderá a qualidade se tirarmos, aqui e ali, xingamentos acachapantes como ‘sua negra beiçuda’.”

Acusações de racismo, aliás, vêm figurando em diversas discussões sobre o texto de Lobato, especialmente o direcionado ao público infantil. Bandeira faz uma contextualização. “Em muitos de seus artigos para jornais e em suas cartas, ele demonstrou-se um ardoroso racista, um eugenista de marca maior, um cultor da superioridade dos eurodescendentes. Logo ele, que era baixinho, franzino e feio como a mãe da peste”, diverte-se Pedro Bandeira. “Na primeira metade do século 20, quem negasse diferenças entre africanos, chineses e europeus seria chamado de maluco. Todo mundo acreditava em diferenças raciais, em ‘superioridades’ e ‘inferioridades’, até a ciência. A magia de Lobato, sem seus pequenos deslizes racistas, é imensa e é isso que sonho preservar para as próximas gerações, para que se encantem como eu.”

Pedro Bandeira faz questão de citar um detalhe que passa despercebido: Narizinho tinha a pele negra. Afinal, Lobato a descrevia como “uma menina de 7 anos, com a pele da cor do jambo”. “O jambo é vermelho-escuro, mais escuro que uma ameixa”, observa ele, irritado com a imagem disseminada a partir dos desenhos de Voltolino que, na capa de A Menina do Narizinho Arrebitado, de 1920, cria uma Narizinho “como uma inglesinha gorducha e loura feito uma espiga de trigo”.

É essa personagem, aliás, que, aos 7 anos, fascina Bandeira, justamente por não ser mais uma criança tampouco uma pré-adolescente. “É uma idade de transição, em que o ser humano é solitário e se alimenta de sua prodigiosa imaginação. Nessa idade, as meninas falam com suas bonecas e elas respondem.” Por outro lado, o escritor não esconde sua antipatia por Pedrinho, o menino que vivia na cidade grande e que passava férias no sítio.

“Acho que Lobato não gostava dos meninos”, comenta Bandeira. “Pedrinho nada traz da vida urbana, nada acrescenta, não fala de tecnologias, de progressos que não existiriam no sítio. Aliás, ele se porta como se sempre tivesse vivido no campo – sabe construir arapucas para passarinhos e vive com seu bodoque a dar ‘botocadas’ a torto e a direito.” Bandeira nota que a postura do personagem é a de um “machinho agressivo”. “Ele chega no sítio e mergulha direto nos sonhos da prima. Nenhuma das aventuras proveem de sua imaginação. Em O Saci, ele é apenas um ouvinte das narrativas folclóricas do menino de uma perna só. Em Caçadas de Pedrinho, o protagonismo o tempo todo é de Emília. Aliás, esse é um livro que eu não ofereceria às crianças.”

Personalidade de múltiplas facetas, movido por sonhos e utopias, Monteiro Lobato era um homem que tomava partido sobre todos os assuntos polêmicos de sua época, defendendo suas posições em cartas e artigos que publicava na imprensa, sobretudo no Estado. Assim, Bandeira engrossa o coro dos que criticam o prazo de 70 anos para o domínio público. “A obra de Lobato estaria tendo uma sobrevida muito melhor se já se pudesse estar mexendo nela há duas ou três décadas.”

LANÇAMENTOS: 

Vários lançamentos estão previstos para este ano.

Editora Moderna. Pedro Bandeira (foto) adapta obras do Sítio para o século 21 A Globo Livros, que detinha desde 2007 os direitos exclusivos sobre a obra do criador de Pedrinho, Dona Benta e Tia Nastácia, deve colocar no mercado edições especiais de A chave do tamanho e O Picapau Amarelo.

Companhia das Letras. Em fevereiro, deve lançar nova edição de Reinações de Narizinho, além da biografia juvenil de Monteiro Lobato preparada por Marisa Lajolo e a historiadora Lilia Schwarcz

‘Urupês’. Márcia Camargos prepara uma versão para o público jovem do livro de contos
Mauricio de Sousa. Desenhista vai lançar o livro Narizinho Arrebitado com a turma da Mônica e adaptação de Regina Zilberman

Fonte: O Estado de S. Paulo

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

ARBITRARIEDADE - PM usa máscaras e esconde identificação em ato contra aumento do transporte

pm passe livre
Nas duas últimas manifestações, a Polícia Militar agiu de forma violenta, deixando detidos e feridos
por Redação RBA 
Manifestantes realizam terceiro ato contra tarifa de R$ 4,30 do ônibus e metrô em São Paulo, depois que o governador João Doria proibiu uso de máscaras por manifestantes, regra que não vale para a PM.
São Paulo – O Movimento Passe Livre (MPL) realiza nesta terça-feira (22) o terceiro ato contra o aumento das passagens dos ônibus e metrô em São Paulo. A concentração começou pouco depois das 17h, com um pequeno atraso em razão de uma forte chuva na capital paulista. Após as 18h30, o ato saiu em passeata do local de concentração, na Praça da Sé, região central, em direção à Avenida Paulista.
Após a manifestação acessar a Avenida Paulista, pela Avenida Brigadeiro Luis Antônio, a PM fez um bloqueio, impedindo o avanço por cerca de uma hora. Durante o cerco, os militares realizaram manobras com as tropas. Mais a frente, o ato MPL se uniu com um debate sobre a relação das armas de fogo com a violência urbana, que acontecia no vão-livre do Masp, com a presença do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos. 
As passagens subiram, no início do ano, de R$ 4 para R$ 4,30. Os manifestantes consideram o aumento, que ficou acima da inflação, abusivo e cobram respostas do governador João Doria (PSDB) e do prefeito, também tucano, Bruno Covas. Nas duas últimas manifestações, em especial a última, que aconteceu no dia 16, a Polícia Militar agiu de forma violenta, deixando detidos e feridos, entre eles jornalistas. 
Após as cenas de violência, o governador ainda decretou a proibição do uso de máscaras por manifestantes, o que o MPL considera inconstitucional. Um fato chamou a atenção: todos os policiais militares que acompanharam as movimentações estavam usando máscaras. Soma-se a isso o fato deles não possuírem mais identificação com nome, apenas um código alfa-numérico extenso.
Para a jornalista Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres, que acompanha o ato, a ausência de identificação dos policiais revela o arbítrio e a truculência da instituição. "Não querem proteger os bons policiais, mas os maus policiais que cometem excessos. Em uma situação de abuso, como a vítima vai decorar esse código enorme?! Ninguém sabe ao certo o que pode acontecer, os policiais podem ficar nervosos e agredirem a qualquer momento", disse.
Para a estudante Luna, do Diretório do Centro Acadêmico (DCE) da Universidade de São Paulo (USP), a ação policial do último ato foi um dos motivadores para seu ativismo. "Estamos aqui, principalmente para denunciar a repressão policial. No último ato teve uma repressão incrível e o Doria está fechando o cerco contra manifestações democráticas e legítimas. O principal é trazer o debate. Quando aumentamos a tarifa, excluímos parte da população mais pobre e todos que precisam andar pela cidade."
Já Dimitri Sales, do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), pede cautela aos manifestantes. "Acompanhamos as manifestações desde o começo. Direito de protestar é direito humano. Vemos desde a eleição de Bolsonaro que a tônica é impedir manifestação. Para isso estão utilizando de muita violência policial. Por isso, o Condepe está aqui para fiscalizar a Polícia Militar e exigir que os governantes atuem em razão do interesse do povo. Acompanhamos prisões na última manifestação e a orientação é tomar cuidado, evitar mochila, é provável que a polícia plante provas."
A próxima manifestação do MPL contra o aumento das passagens já tem data marcada. Acontecerá na quarta-feira da semana que vem (30), com concentração às 17h, no Largo da Batata, zona Oeste da capital.
Fonte: RBA