Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
Com potencial para se tornar a quinta maior mineração de ouro do Brasil, o “Projeto Borborema” na Fazenda São Francisco, zona rural de Currais Novos, será um dos maiores investimentos do setor de mineração do país nos próximos anos após o início da extração do minério, confirmação esta dada pelo Diretor do grupo australiano no Brasil, Robert Smakman, ao prefeito Odon Jr e Vice-Prefeito Anderson Alves, durante a visita dos representantes do executivo municipal à mina na tarde desta sexta-feira (17/03/2017).
Aguardando a emissão da licença prévia ambiental do IDEMA para o início dos trabalhos de extração, o empreendimento tem em seu protocolo de intenções uma vasta preocupação com a sustentabilidade e com os recursos ambientais da região. Para o prefeito Odon Jr, o investimento será de grande importância para o desenvolvimento da economia de Currais Novos.
– “É um projeto que irá contribuir no desenvolvimento e na geração de emprego e renda em nosso município”, comentou o Prefeito. Ao lado dos representantes da empresa, Odon Jr e Anderson visitaram os locais onde foram identificados a presença do minério após algumas pesquisas realizadas.
O aniversário do Estado foi instituído pelo lei 8.731 de 2000.
Bem, como achamos que nosso Estado tem uma série de paisagens incríveis interior a fora, muitos pouco conhecidos pela própria população e turistas, selecionamos 19 fotos de João Maria Alves que mostra um pouco dessa beleza.
Aproveite 🙂
1 – Ponta do Mel, Areia Branca
2 – Carnaubais
3 – Dunas do Rosado
4 – Pedra da Boca
5 – Estação Papari, Nísia Floresta
Imagem do Google - Estação Papary - Nísia Floresta
“Aqui houve grandeza destruída pela bárbara invasão/Aqui reside o útero da vida e o umbigo do mundo/Aqui é o berço da História/Do Cabo ao Cairo o vento geme como quem ri e chora”. Os versos do poema Deixo-te a maior missão: a reconstrução de África, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, apresentam o sentimento de quem sabe reconhecer o quão grandiosa é a terra que abriga o seu povo e entende a responsabilidade de resgatar a própria trajetória a partir de suas narrativas.
Apesar de todo o tipo de revisionismo que se tem tornado moda atualmente, África, africanos e seus descendentes não deixam que a História seja negada. Da barbárie promovida no continente pelos invasores colonialistas às execuções em periferias de grandes cidades brasileiras, o negro sofre na pele e por causa da cor da pele as consequências do racismo, seja velado ou institucionalmente declarado, além de diversos outros preconceitos que matam, discriminam, tolhem o direito à voz e inferiorizam sua cultura ao longo dos séculos.
Certamente esse é um povo que tem muita história para contar, mas quão atentos estão os leitores? Potencialmente, a capacidade africana de transformar um papel em branco em escrito poético ou suas tradições, lendas e cotidianos em literatura é a mesma de trovadores portugueses, formalistas russos, modernistas brasileiros e tantos outros integrantes de escolas literárias ao redor do mundo. Por que, então, autores daquele continente não são tão populares e lidos no Brasil?
Para a professora de Literatura e Linguística Espanhola da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Izabel Nascimento, a questão passa necessariamente pelo mercado editorial. “Poucas editoras têm cardápio de literatura africana. Publica-se, como nos demais casos, apenas autores consagrados, e estes normalmente não são africanos. Há nomes poderosíssimos, mas ainda sem capilaridade entre o público não especializado. É preciso divulgar que esses autores são excelentes para criar demanda”, explica a docente.
Além de excelentes, como diz Izabel, são laureados. Ainda que algumas controvérsias envolvam premiações como o Nobel e o Camões, especialmente em relação ao júri e aos critérios de escolha, nomes importantes da literatura de África já receberam esses reconhecimentos. Entre os vencedores do Nobel, estão Wole Soyinka (1986), Naguib Mahfouz (1988), Nadine Gordimer (1991) e J. M. Coetzee (2003). Já o Camões, exclusivo para a produção literária de língua portuguesa, tem em sua galeria de honra Jorge Craveirinha (1991), Pepetela (1997), Luandino Vieira (2006), Armênio Vieira (2009), Mia Couto (2013) e Germano Almeida (2018).
Se por um lado, com algumas raríssimas exceções, as editoras negligenciam esses autores, as universidades também precisam mudar algumas posturas nesse aspecto. Na opinião do diretor geral da Associação Internacional de Estudos Culturais e Literários Africanos (Afrolic), professor Sávio Fonseca de Freitas, muitas universidades têm optado por um conservadorismo teórico, privilegiando o estudo mais tradicional da literatura.
“A língua portuguesa deve ser pensada em suas mais diversas formas de manifestação artística e literária. Por isso não podemos omitir ou tornar invisível a literatura africana escrita nesse idioma, principalmente pelo fato de ser a literatura brasileira uma fonte de recorrência de leitura por parte de escritores africanos, que veem em nossa literatura um modelo estético e ideológico de sistema literário”, alerta Sávio, que é professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Entre autores da literatura africana há nomes premiados com o Nobel e o Camões – Foto: Anastácia Vaz
Desinteresse mercadológico de editoras e pouca atenção da academia podem ter, no entanto, um elemento mais amplo como pano de fundo. “No Brasil, foi preciso implantar uma lei para que fossem apresentadas nas escolas a cultura e a literatura africanas. Esse é o peso do racismo no país”, afirma a professora do Departamento de Letras da UFRN, Tania Lima, que também é vice-presidente da Afrolic.
Confira aqui áudio da entrevista com a professora Tania Lima
Sancionada em 2003, a lei em questão é a de n° 10629/2003. Ela inclui na Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional a obrigatoriedade de que os currículos abordem o assunto História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, além de instituir o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, como data oficial no calendário escolar. Mas mesmo 16 anos depois de entrar em vigor, ainda há muito a avançar na representatividade de negros na sociedade e no enfrentamento ao racismo.
Construção da Afrolic
Em meio a esse cenário de reconstrução da identidade africana no Brasil, por meio do combate ao racismo, da promoção da cultura afro e da educação, nasceu, em 2010, a Afrolic, uma associação de professores envolvidos com o estudo das Literaturas Africanas. A entidade está cadastrada no CNPq como um grupo de pesquisa que acolhe estudiosos de todo o mundo e tem como principal meta disseminar o conhecimento sobre o continente africano com base nas diversas áreas das Humanidades.
Desde a sua fundação, a Afrolic vem realizando a cada cada três anos um congresso internacional, em associação ao Encontro dos Professores de Literaturas Africanas, evento que acontece desde 1991 e originou a associação. Sediado anteriormente nas universidades federais do Rio Grande do Sul (2013) e de Pernambuco (2016), este ano o congresso aconteceu na UFRN durante os três últimos dias de julho e recebeu pesquisadores de diversos países.
Sob o tema Literatura, desigualdade e ensino, o evento debateu como a escola e as universidades têm lidado com a relação África-Brasil, o racismo e a contribuição da literatura africana na formação do sistema literário brasileiro. “Essa cultura precisa ser reconhecida, precisa ser lida. É interessante, os africanos nos leem”, ressalta a professora Tania.
Afrolic reuniu pesquisadores em literatura e cultura africanas – Foto: Thamise Cerqueira
Desconstrução do eurocentrismo
Uma das grandes questões que permeiam os debates sobre África atualmente e que foi suscitada no encontro é o eurocentrismo, com base em estudos do teórico camaronês Achille Mbembe. “Africanos vão para outras partes do mundo estudar. Vêm para o Brasil, vão para Alemanha, Portugal, França, Estados Unidos. Então, eles acabam bebendo direto na fonte eurocêntrica. Quando voltam, ficam na comparação entre Europa e África, entre o sistema colonizador e o colonizado, e não saem disso, o que aprisiona a própria construção do universo do negro”, explica.
Para reconstruir África é necessário desconstruir a visão europeia do continente, o que não parece uma tarefa tão simples diante de séculos de acreditação pouco contestada. Quando a poeta escolhe a palavra “missão” para definir a restauração africana, certamente tem em conta quão árdua ela pode ser. Afinal, menos de meio século atrás havia países cuja independência não era reconhecida ainda por colonizadores. A “grandeza destruída pela bárbara invasão” necessita da reavaliação de certos paradigmas teóricos.
Na opinião de Tania Lima, no Brasil, um desses casos é a obra Casa-Grande & Senzala, do sociólogo Gilberto Freyre, publicada em 1933. “Naquele momento foi importante porque ele diz que negro é uma categoria cultural, não biológica, que precisa ter a linguagem, a religiosidade entendidas, mas isso tem um limite. Da mesma forma que ele traz isso como algo positivo e insere o negro na cultura brasileira, tanto em Casa-Grande & Senzala como em Sobrados e Mucambos, por outro lado, nas entrelinhas dessas obras, percebe-se um racismo incutido, que vem da casa-grande. Isso se manifesta ao dizer, por exemplo, que o negro comia melhor quando estava na senzala”, pondera.
Ou seja, para a professora o ensino de literatura africana tem de pensar a partir do seguinte questionamento: como esse sujeito se percebe? Do ponto de vista europeu? “Eu vejo como Lévi Strauss, Gilberto Freyre ou de acordo com o pensamento indígena, do filósofo africano? Ainda prevalece um olhar dual; ou é casa-grande ou é senzala, mas e o quilombo? Quilombo é a revolta, a indignação, a não subserviência. Precisamos ver essa filosofia para nos emanciparmos”, afirma Tania.
Reconstrução de África no Rio Grande do Norte
Nos últimos nove meses, a UFRN sediou dois dos maiores congressos sobre estudos africanos do país. Além do encontro da Afrolic, a universidade recebeu, em novembro de 2018, o IV Congresso Internacional de Literaturas e Culturas Africanas (Griots), que teve como tema Literaturas e Direitos Humanos. Mas alguém pode questionar: existe essa ligação toda do Rio Grande do Norte com África? Fala-se muito sobre os holandeses do período colonial e dos estadunidenses durante a II Guerra Mundial, porém africanos nem sempre são lembrados.
“É preciso mostrar uma relação do estado com a África que é negligenciada. Temos leituras de Câmara Cascudo, que esteve em África e fez um livro sobre isso, Made in Africa. O congolês Kabengele Munanga, uma das maiores autoridades nos estudos africanos e que hoje é titular na Universidade de São Paulo, estabeleceu-se no Brasil como professor da UFRN nos anos 1980, quando deu aulas de antropologia. Há mapeados cerca de 60 quilombos em terras potiguares e muita gente esquece disso. Sim, nós temos muito de África aqui”, afirma contundentemente Tania.
“Não existe combate ao racismo sem investimento em educação”, afirma professora Tania Lima – Foto: Anastácia Vaz
Em 2015 foi criada uma especialização piloto no Rio Grande do Norte nesta área que envolvia, entre outros assuntos, o combate ao racismo nas escolas. Esse projeto teve a primeira perna quando foram capacitados mais de 200 professores de colégios públicos do Seridó, todo ele patrocinado pelo Ministério da Educação. A experiência deu certo e foi relatada no livro Tessitura de Vozes, lançado em 2018, mas diante das seguidas diminuições dos recursos federais destinados à área da educação, o curso ainda não teve uma segunda edição.
Enquanto esse projeto segue em compasso de espera, outros desafios permanecem na pauta diária de docentes, especialmente o de promover o conhecimento dessa literatura. “Vejo que entre os alunos existe uma demanda muito grande. Infelizmente ainda estamos no ponto de despertar a curiosidade, mas essa é uma briga contínua”, relata a professora Izabel Nascimento.
No mesmo sentido, dizendo que é uma batalha infinda, Tania Lima ressalta a importância da inclusão. “Não existe combate ao racismo sem investimento em educação. É necessário pensar em inclusão. A política da exclusão de negros, indígenas, crianças, mulheres só pode ser enfrentada a partir de um processo educacional sério”.
Aliás, não só leitores, mas autores negros também precisam ser incluídos. No Brasil, escritores consagrados como Machado de Assis e Lima Barreto são apresentados em ilustrações e fotos manipuladas com um tom de pele bem mais claro que o real. Em África, entre os laureados com os prêmios Nobel e Camões pouquíssimos são negros. Imagina-se que não seja por falta de opções, pois Sónia Sultuane, Paula Tavares, José Luis Mendonça e Paulina Chiziane são nomes que certamente merecem o reconhecimento dentro e fora da academia e do meio especializado.
E, nessa digressão entre construções, desconstruções e reconstruções, há muito mais poetas, romancistas, contistas e cronistas a serem descobertos. Do Cabo ao Cairo, existe literatura tão cheia de subjetividade e beleza como tantas outras distribuídas nos países que se podem encontrar nos mapas. “Nós que pensamos às margens temos de fazer essa leitura”, afirma Tania, que conclui: “o mundo precisa de leitores e nós temos de abrir a sociedade a partir do livro”.
Com oito premiações, o filme “Pacarrete” foi o grande destaque da noite de premiações do 47º Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha. O longa conquistou Kikitos nas categorias de melhor filme pelo júri oficial e popular, melhor atriz, melhor ator e atriz coadjuvantes, melhor direção, roteiro e desenho de som.
“Pacarrete foi meu primeiro roteiro de longa-metragem, resultado de muita troca, afetos, pesquisa e trabalho, mas também dúvidas e aperreios, como qualquer processo criativo. As oito premiações revelam o comprometimento de toda equipe em contar a história de uma bailarina tida como louca que ousou viver da sua arte”, declarou o roteirista André Araújo, egresso do curso de Comunicação Social – habilitação Rádio e TV, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em seu Instagram.
O filme é composto por profissionais nordestinos. O cearense Allan Deberton é diretor do longa e também assina o roteiro, juntamente com Samuel Brasileiro, Natalia Maia e André Araújo.
No elenco, estão a premiada atriz paraibana Marcélia Cartaxo, que dá vida a Pacarrete e conquistou o Kikito de melhor atriz; as atrizes paraibanas Zezita Matos (“Onde Nascem os Fortes”) e Soia Lira (“Tatuagem”), o ator baiano João Miguel (“3%”), os cearenses Débora Ingrid (“A História da Eternidade”), Samya de Lavor (“O último Trago”), Edneia Tutti e Rodger Rogério (Bacurau), além da participação de atores e atrizes de Russas (CE), cidade onde o filme foi gravado.
O filme conta a história de Maria Araújo Lima, uma icônica moradora de Russas (CE), que gostava de ser chamada de Pacarrete. “Ela é minha tia-avó. Assim como Pacarrete, eu também sou cearense de Russas. Cresci ouvindo histórias sobre ela, sobre o seu jeito afetado e afrontoso, muitas vezes incompreendido”, contou André Araújo. “Pacarrete” é uma jornada pela mente de sua protagonista e “estabelece um diálogo entre o presente e o passado, a realidade e a utopia. O tom biográfico é atravessado pelo universo fantasioso da personagem que mescla instantes de lucidez e loucura”, conta.
KIKITO
O Kikito é o símbolo e prêmio máximo concedido no Festival de Gramado. Este nome foi atribuído por Elisabeth Rosenfeld, artesã da cidade de Gramado, e responsável pela criação da estatueta com que são laureados os vencedores. Inicialmente, o Kikito era o símbolo da cidade e, mais tarde, tornou-se o troféu do festival. O Kikito é uma figura risonha, um “deus do bom-humor”, com 33 centímetros de altura.
O FILME
Pacarrete é um longa-metragem de ficção, inspirado na história de vida da bailarina Pacarrete. O filme foi gravado na cidade de Russas-CE e aborda questões como a loucura, a permanência do sonho e o drama da velhice de uma bailarina clássica. Registrada como Maria Araújo Lima, ela se autobatizou como Pacarrete, margarida em francês, e assim é lembrada até hoje por todos na cidade.
Nascida e criada em Russas, alimentou desde criança o sonho de ser artista e viver a vida na ponta da sapatilha, mesmo sendo de uma cidade conservadora onde mulher nasceu para casar e ter filhos. Mas é em Fortaleza que ela consegue estar no centro dos palcos como bailarina clássica e se tornar professora de ballet. Com a aposentadoria, a russana retorna a sua cidade natal, onde pretende dar continuidade ao seu trabalho artístico, mas só se depara com desrespeito à sua arte.
Pacarrete continua respirando ballet e traduzindo sua vida em sequências de pliés e demi-pliés, à guisa de ribalta, nas calçadas e praças da cidadezinha. Em vez de plateias de admiradores e aplausos, ela se defronta com a troça e o despeito daqueles que cruzam seu caminho. A bailarina de outrora, que acredita ainda ser, transformou-se, no imaginário popular, na “Louca da cidade”.
O primeiro automóvel do Brasil é licenciado no Rio de Janeiro, como propriedade de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio em 29 de agosto de 1903.
Mas o primeiro automóvel mesmo, de motor a explosão, do Rio, foi de FernandoGuerra Duval, então estudante de engenharia, irmão de Adalberto Guerra Duval, poeta, embaixador do Imperador na corte do czar da Rússia.
O carro de Guerra Duval era um “Decauville” e aqui circulou em agosto de 1909. O carro era aberto, sem capota, a direção em forma de guidon de bicicleta, motor a gasolina, de 2 cilindros. Com escapamento livre ele fazia muito barulho!
O interessante é que na falta do combustível, Guerra Duval ia às farmácias e comprava benzina.
O carro também circulou em Petrópolis – foto acima – e para lá foi transportado pela estrada de ferro.
A foto acima traz erradamente ,na legenda, Armando como o primeiro nome de Guerra Duval.
Nelson Cavaquinho, nome artístico de Nelson Antônio da Silva, (Rio de Janeiro, 28 de outubro de 1911 – Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1986) foi um importante músico brasileiro. Sambista carioca, compositor e cavaquinista na juventude, na maturidade optou pelo violão, desenvolvendo um estilo inimitável de tocá-lo, utilizando apenas dois dedos da mão direita.
Seu envolvimento com a música inicia-se com na família. Seu pai, Brás Antônio da Silva, era músico da banda da Polícia Militar e seu tio Elvino tocava violino. Depois, morando na Gávea, passou a frequentar as rodas de choro. Foi nessa época que surge o apelido que o acompanharia por toda a vida.
Casou-se por volta dos seus 20 anos com Alice Ferreira Neves, com quem teria quatro filhos e na mesma época consegue, graças a seu pai, um trabalho na polícia fazendo rondas noturnas a cavalo. E foi assim, durante as rondas, que conheceu e passou a frequentar o morro da Mangueira, onde conheceu sambistas como Cartola e Carlos Cachaça.
Deixou mais de quatrocentas composições, entre elas clássicos com “A Flor e o Espinho” e “Folhas Secas”, ambas em parceria com Guilherme de Brito, seu parceiro mais frequente. Por falta de dinheiro, depois de deixar a polícia, Nelson eventualmente “vendia” parcerias de sambas que compunha sozinho, o que fez com que Cartola optasse por abandonar a parceria e manter a amizade.
Sua primeira canção gravada foi “Não Faça Vontade a Ela”, em 1939, por Alcides Gerardi, mas não teve muita repercussão. Anos mais tarde foi descoberto por Cyro Monteiro que fez várias gravações de suas músicas. Começou a se apresentar em público apenas em 1960, no Zicartola, bar de Cartola e Dona Zica no centro do Rio. Em 1970 lançou seu primeiro LP, “Depoimento de Poeta”, pela gravadora Castelinho.
Suas canções eram feitas com extrema simplicidade e letras quase sempre remetendo a questões como o violão, mulheres, botequins e, principalmente, a morte, como em “Rugas”, “Quando Eu me Chamar Saudade”, “Luto”, “Eu e as Flores” e “Juízo Final”.
Com mais de 50 anos de idade, conheceria Durvalina, trinta anos mais moça do que ele, sua companheira pelo resto da vida. Morreu na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, vítima de um enfisema pulmonar.
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou, nesta terça-feira (26), o Projeto de Resolução do Senado 14 /2017, de iniciativa da senadora Fátima Bezerra, que cria a comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo. A proposta foi relatada pelos senadores Lindbergh Farias e Cristovam Buarque (Ad hoc), que apresentaram parecer favorável à iniciativa legislativa. A Mesa do Senado agora deve definir os procedimentos para a instituição da comenda.
Um dos mais respeitados pesquisadores do folclore e da etnografia do país, Câmara Cascudo deixou sua marca em vários outros campos da literatura, como gastronomia, história e cultura da infância, o que denota a riqueza de sua pesquisa.
Para a autora da proposta, a comenda incentivará a cultura no país e eternizará a memória de Luís da Câmara Cascudo, que foi um dos maiores estudiosos da cultura popular brasileira. “O Senado tem comenda na área de Direitos Humanos, de empoderamento das mulheres e, agora, nada mais oportuno do que criar esta comenda na área cultural”, disse. “Na condição de senadora, representando o povo potiguar, chão onde Cascudo nasceu, viveu e morreu, é gratificante ter a oportunidade dessa iniciativa. Esta é uma justa homenagem ao grande brasileiro, jornalista, escritor e pesquisador, que tanto contribuiu para a cultura brasileira”, completou emocionada a parlamentar.
A Comenda será conferida anualmente a cinco personalidades, instituições e grupos que desenvolvem trabalhos na área cultural. A indicação dos candidatos será realizada pelos senadores.
Também será constituído o Conselho da Comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo, composto por um representante de cada um dos partidos políticos com assento no Senado Federal. Caberá ao conselho definir os agraciados e a data de premiação.
A iniciativa da senadora Fátima Bezerra foi bastante elogiada pelos parlamentares. Parabenizaram a proposta os senadores, Antonio Anastasia, Cristovam Buarque, Ana Amélia Lemos e Lúcia Vânia. A proposta segue, agora, para a Mesa Diretora do Senado.
Desfaça os nós com aqueles que já foram importantes, crie novos vínculos e sinta-se melhor. Esqueça a mensagem enviada, visualizada e por um certo alguém, ignorada. Toma banho, escova os dentes e tudo bem, nem todo dia pertence ao caçador.
Não desanima se o dia de ontem não foi bacana, tampouco chore por aquilo que não lhe acrescenta. Hoje é um novo dia, e a porra do mundo não gira em torno do nosso redor. Não adianta fazer cara de quem comeu e não gostou, nem se fazer de vítima só porque o ônibus atrasou, sabe? Acontece. Ás vezes, só não é o nosso dia...então faça valer a pena pelas oportunidades.
Aproveita a folga no fim de semana, compra uma roupa nova e vai no shopping. No shopping, na praia, no cinema...barzinho talvez. Chama aquele amigo que você não conversa há meses e faz isso: compra bastante guloseima e se empanturra de batata frita, refrigerante e chocolate.
Nada de se abater pelo fora que lhe deram na balada no dia anterior...não adianta! Gente cabeça dura e sem conteúdo não faz falta...faz favor. Se o dia não melhorar, pega aquelas fotos bem antigas e chore.
Chore pois nada melhor do que lavar a alma, se limpar por dentro e por fora pra poder renascer...porquê viver é isso, é amadurecer, crescer, se abater, se doar e se doer. Eu sei que uma palavra amiga, um cafuné antes de dormir e uma orelha pra cheirar faz falta, mas infelizmente não amamos por dois.
Felizmente caminhamos sós, ainda que de mãos dadas, você me entende? Aparentemente, mesmo que aquela pessoa que você quer tanto bem esteja distante, sentimentalmente ela pode ter você em seus pensamentos. Então, desapega. Desapega ou nem se estressa, poxa. Faz valer a pena quem fez por você valer. Coloca a reciprocidade como critério não só de vida, mas também da alma.
Erica Berenguer: “De 2004 para cá o Brasil reduziu a taxa de desmatamento em 70%. É possível sim combatermos o desmatamento, mas isso depende tanto da pressão da sociedade quanto da vontade do governo de assumir a responsabilidade pelas atuais taxas e parar com discursos que promovam a impunidade no campo”.
Há 12 anos eu trabalho na Amazônia e há 10 pesquiso sobre os impactos do fogo na maior floresta tropical do mundo. Meu doutorado e meu pós-doutorado foram com isso e já vi a floresta queimando sob os meus pés mais vezes do que gostaria de lembrar. Me sinto então na obrigação de trazer alguns esclarecimentos enquanto cientista e enquanto brasileira, já que pra maioria das pessoas a realidade amazônica é tão distante:
Primeiro, e mais importante, é que incêndios na floresta amazônica não ocorrem de maneira natural – eles precisam de uma fonte de ignição antrópica ou, em outras palavras, que alguém taque o fogo. Ao contrário de outros ecossistemas, como o Cerrado, a Amazônia NÃO evoluiu com o fogo e esse NÃO faz parte de sua dinâmica. Isso significa que quando a Amazônia pega fogo, uma parte imensa de suas árvores morrem, porque elas não tem nenhum tipo de proteção ao fogo. Ao morrerem, essas árvores então se decompõem liberando para a atmosfera todo o carbono que elas armazenavam, contribuindo assim pras mudanças climáticas. O problema nisso é que a Amazônia armazena carbono pra caramba nas suas árvores, a floresta inteira estoca o equivalente a 100 anos de emissões de CO2 dos EUA, então queimar a floresta significa colocar muito CO2 de volta na atmosfera.
Os incêndios, que são necessariamente causados pelo homem, são de 2 tipos: aquele usado pra limpar o roçado e o usado pra desmatar uma área; o que estamos vendo é do segundo tipo. Para desmatar a floresta, primeiro corta-se ela, normalmente com o que é chamado de correntão – dois tratores interligados por uma imensa corrente, assim com os tratores andando, a corrente entre eles vai levando a floresta ao chão. A floresta derrubada fica um tempo no chão secando, geralmente meses a dentro da estação seca, pois só assim a vegetação perde umidade suficiente pra ser possível colocar fogo nela, fazendo toda aquela vegetação desaparecer, e sendo então possível de plantar capim. Os grandes incêndios que estamos vendo agora e que fizeram o céu de São Paulo escurecer representam então esse último passo na dinâmica do desmatamento – transformar em cinzas a floresta tombada.
Além da perda de carbono e de biodiversidade causadas pelo desmatamento em si, existe também uma perda mais invisível – aquela que ocorre nas florestas queimadas. O fogo do desmatamento pode escapar para áreas não desmatadas e caso esteja seco o suficiente, queimar também a floresta em pé. Uma floresta que então passa a estocar 40% a menos de carbono do que anteriormente ela armazenada e, de novo, carbono esse que foi perdido para a atmosfera. As florestas queimadas deixam de ser de um verde luxuriante, esbanjando vida e a cacofonia de sons dos mais diversos bichos se silencia – a floresta adquire tons de marrons e cinzas, com os únicos sons sendo aqueles de árvores caindo.
A estação seca na Amazônia sempre trouxe queimadas e há anos tento chamar a atenção pros incêndios florestais, como os de 2015, quando a floresta estava excepcionalmente seca devido ao El Niño. O que tem de diferente esse ano é a dimensão do problema. É o aumento do desmatamento aliado aos inúmeros focos de queimada e ao aumento das emissões de monóxido de carbono (o que mostra que a floresta está ardendo), o que culminou na chuva preta em São Paulo e no desvio de vôos de Rondônia pra Manaus, cidades situadas a meros mil quilômetros de distância. E o mais alarmante dessa história toda é que estamos no começo da estação seca. Em outubro, quando chegar ao auge do período seco no Pará, a tendência infelizmente é da situação ficar muito pior.
Em 2004 o Brasil chegou a 25000 km2 de floresta desmatados no ano. De lá pra cá reduzimos essa taxa em 70%. É possível sim frearmos e combatermos o desmatamento, mas isso depende tanto da pressão da sociedade quanto da vontade política. Depende do governo assumir a responsabilidade pelas atuais taxas de desmatamento e parar com discursos que promovam a impunidade no campo. É preciso entender que sem a Amazônia não há chuva no resto do país, seriamente comprometendo nossa produção agrícola e nossa geração de energia. É preciso entender que a Amazônia não é um bando de árvore juntas, mas sim nosso maior bem.
É de uma dor indescritível ver a maior floresta tropical do mundo, meu objeto de estudo, e meu próprio país queimarem. O cheio de churrasco acompanhado do silêncio profundo numa floresta queimada não são imagens que vão sair da minha cabeça jamais. Foi um trauma. Mas na escala atual, não vai precisar ser pesquisador ou morador da região pra sentir a dor da perda da Amazônia. As cinzas do nosso país agora buscam a gente até na grande metrópole.