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sábado, 21 de dezembro de 2019

Pelo fim da violência contra as mulheres, mas se quiser pode

"é que eu sou do movimento feminista e preciso fazer umas perguntas antes de decidir ou não se eu vou defender esta mulher"

_ Com licença senhor agressor, desculpa interromper essa surra que o senhor está aplicando nessa mulher que está caída no chão, é que eu sou do movimento feminista e preciso fazer umas perguntas antes de decidir ou não se eu vou defender esta mulher, tudo bem?

_ Claro, mas eu posso continuar batendo nela enquanto respondo?

_ Pode sim. Ainda não sabemos se ela mereceu ou não, vai que ela mereceu. Não queremos ser injustas.

_ Tá.

_ Essa mulher está sob efeito de substâncias psicoativas ilícitas?

_ Sim. Na verdade, sóbrio, sóbrio, ninguém aqui tá.

_ Entendo. Outra pergunta: ela é bolsonarista né?

_ É sim. Mas nessa galera aqui todos somos né, gata. Mito, B17!

_ Entendo. Soube também que ela estava com a arma da namorada anteriormente.

_ Sim. Mas a namorada já havia guardado. Com ela armada eu não estaria batendo né, senão ela atiraria em mim. Mas vou usar o fato de ela ter estado armada antes para legitimar isso aqui como defesa, saca?

_ Tem outras pessoas armadas aqui né?
_ Sim.

_ Mais uma pergunta: foi ela que começou?

_ A de mão ou a de boca? Pq eu tava humilhando ela mó cota, ela tava toda com raivinha, mexi com a mina dela também. Aí ela veio pra cima de mim. Olha o tamanho da s4p4t4o. É óbvio que eu ia arrebentar ela.

_ Mas sabendo disso, pq o senhor só não se defendeu ou segurou ela?

_ Ah, ela quer ser homem né, tem que apanhar que nem homem, pô.

_ Mas o senhor sabe que é uma mulher, com compleição física e força bem inferior que a sua. Vc sabia que ia sair ileso e ela arrebentada, não?

_ Claro. Mas eu quero mostrar pra morena lá que eu sou alfa tá ligado?

_ Mas se fosse um cara?

_ Se fosse um cara nem tinha mexido com a mina dele, pô. Mas como é uma mina, que ainda é s4p4t4o, e ainda fez uso de drogas, e ainda revidou as minha provocações vindo pra cima de mim? Acha que vou só conter ela? Vou arrebentar mesmo.

_ O senhor viu que ela já estava no chão?

_ Vi, eu sou bem forte, né?

_ Então pq o senhor continua batendo nela?

_ Pq é facião bater em mulher, nocaute certeiro. Quero dizer, mulher não, s4p4t4o.

_ Entendi. Mas a questão é que o senhor tá criando um problema ético para o feminismo, além desse monte de hematomas nela. Pq, veja bem: ela segue filosofia de direita e a gente já não gosta dela, ela não performa feminilidade e ainda fica agindo toda pá para performar masculinidade, já não nos parece como a vítima perfeita e cândida, fala mal do ativismo e tem um auto-ódio imenso, nenhum senso de classe. Dificil detectar misoginia e lesbofobia quando não é a vítima ideal, pô.

_ Ah, moça, faz assim então, se ninguém me segurar, eu continuo chutando ela aqui caída e mato logo. Ninguém liga pra lesbocídio, essas estatísticas nem saem. Resolvo o meu problema e o de vcs. Pode ser?

_ Pô, senhor agressor. Fechou. A gente muda o lema para ‘Pelo fim da violência contra as mulheres, mas se quiser pode.’

_ Ah, genial. Qualquer coisa, cê manda um ‘ela que lute’ ou um ‘bem-feito’ ou ‘sem tempo pra mina reaça’, mas acho que não vai precisar não. Ela mereceu, ela tava pedindo.

_ Verdade né. Desculpa atrapalhar o espancamento ae. Boa surra pro senhor.

_ Valeu. Ow, cê é uma “morena muito bonita”.

_ Que isso, não tá vendo meu namorado ali?

_ Ow, que vacilo, perde perdão lá pra ele. Cê falou que é feminista e eu já pensei que vc tbm namorava s4p4t4o, eca. Aí a gente não respeita não. E se vir cobrar a gente arrebenta, não quer ser homem?

_ Tá certo. Deixa só eu terminar a minha postagem aqui do “não sou obrigada a ter sororidade com reaça”, péra. Como é mesmo o novo lema que falei agora pouco?

_ Sei lá, era tipo ‘nada justifica um cara jantar uma mina no soco’…

_ Não, lembrei, era ‘Pelo fim da violência contra as mulheres, mas se quiser pode.’

_ Isso.

_ Desculpa incomodar a surra do senhor.

_ Que isso, tamo junto. B17.

Fonte: Jornalistas Livres

2019 – Natal Bem Brasileiro – Receitas

natal brasileiro bc
A valorização da cozinha brasileira pelos profissionais do fogão e pelo consumidor é muito recente. O Portal Brasil Cultura tem participação nisso! Sugestões de receitas doces e salgadas para quem quer fazer uma ceia de Natal Bem  Brasileira e com muito sabor.
Falar em cozinha brasileira está na moda e os chefs estão percebendo sua importância para fazer uma culinária com raízes próprias, capaz de ganhar respeito no cenário gastronômico mundial pela sua autenticidade. Mas parece que a maioria dos consumidores ainda tem preconceito em pedir pratos da cozinha brasileira. “Por isso tenho que colocar esse conceito de forma moderada no cardápio”. Assim,o site Brasil Cultura aproveita para introduzir releituras de doces brasileiros, como o doce de leite com açafrão, a goiabada cascão com alecrim, o doce de abóbora com cerefólio, mel com coalhada e pimenta aroeira. Uma idéia quase lúdica de comprar pronto os melhores doces típicos brasileiros e fazer harmonizações diferentes com eles, como as receitas que o Portal da Cultura Brasileira  escolheu para fazer uma ceia de Natal contemporânea, baseada nos ingredientes e receitas de nosso país, com um novo olhar. Um Natal com o sabor de uma galinhada remodelada, de um leve caruru, de uma farofa com frutas secas como a jaca e a banana, a castanha-do-pará e a castanha-de-caju e de uma verdadeira iguaria até hoje pouco valorizada que é a suã com arroz de pequi.

SUÃ DE PORCO E ARROZ COM PEQUI

6 porções
1 kg de suã de porco em pedaços
Farinha de trigo (suficiente para empanar)
1 salsão picado
Óleo de girassol
2 cenouras picadas
1 cebola picada
1 alho-poró picado
1 bouquet de ervas
500 ml de vinho branco
1 vidro de pequi em conserva
200 g de arroz
Sal e pimenta-do-reino
1. Tempere os pedaços de suã com o sal e a pimenta-do-reino. Empane-os com farinha de trigo e doure-os em uma frigideira com óleo.
2. Em uma panela funda refogue os legumes, coloque o suã, o bouquet de ervas, o vinho branco e cozinhe até quase secar.
3. Cubra com água, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo até que fique macio. Retire os pedaços de suã e reserve.
4. Separe 3/4 da conserva de pequi. Use o pequi e o líquido da conserva para fazer um purê no liquidificador e reserve.
5. Faça um arroz branco e quando pronto junte o purê de pequi.
6. Sirva em seguida a suã, acompanhada do arroz de pequi.

FAROFA COM FRUTAS BRASILEIRAS

6 porções
150 g de manteiga
1 cebola roxa picada em cubinhos
50 g de jaca seca
100 g de banana passa
50 g de castanha-de-caju
50 g de castanha-do-pará
300 g de farinha de mandioca
1 ramo de alecrim
Sal e pimenta
1. Derreta a manteiga em fogo baixo e refogue a cebola por vinte minutos.
2. Junte em seguida as frutas secas cortadas finamente, as castanhas inteiras, o ramo de alecrim e o sal. Cozinhe por mais 10 minutos e adicione a pimenta e a farinha.
3. É importante que esta farofa fique bastante úmida.

GALINHADA

6 porções
1 frango caipira em pedaços
70 ml de vinagre de vinho tinto
1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
1 ramo de cheiro-verde (cebolinha e salsinha)
1 colher (chá) de urucum
1 colher (sopa) de extrato de tomate
Sal e pimenta
1. Tempere o frango com o sal, a pimenta, o vinagre, a cebola e o alho. Deixe marinar por 2 horas.
2. Aqueça uma panela funda e doure bem os pedaços de frango. Junte então o restante da marinada, as ervas, o urucum e o extrato de tomate.
3. Cozinhe em fogo baixo até quase secar. Cubra então com água, tampe a panela e cozinhe até que o frango esteja bem macio.

CARURU

4 porções
100 g de camarão seco
100 g de castanha-de-caju
1 cebola
1 dente de alho
Suco de limão
30 ml de vinagre
Cheiro-verde e coentro
30 ml de azeite de dendê
200 g de quiabo
1. Em um processador bata o camarão seco e a castanha-de-caju até obter uma massa bem homogênea, coloque água se necessário.
2. Refogue a cebola e o alho finamente picado, e junte então a pasta de camarão. Cozinhe por 15 minutos, adicione o suco de limão, o vinagre e as ervas, misture bem e cozinhe por mais 10 minutos. Coloque então o dendê, apague o fogo e mexa vigorosamente.
3. Sirva em seguida com lâminas de quiabo cruas e também fritas. (O quiabo cru não tem baba)

DOCES DA FAZENDA

Algumas harmonizações de doces tradicionais brasileiros, mas cabem outras criações. Escolha produtos de boa qualidade.
  • Combine a goiabada cascão com folhas de alecrim.
  • O doce de goiaba com manjericão.
  • O doce de leite com pistilos de açafrão.
  • O doce de abóbora com cerefólio.
  • O figo em calda com flores de violeta.Na noite anterior, aqueça a compota com a calda e faça uma infusão de muitas flores de violeta na calda. Deixe retornar à temperatura ambiente. Na manhã seguinte, retire os figos e coe a calda. No momento de servir parta o figo ao meio e decore com uma flor.
  • Escolha um queijo-de-minas meia cura, porém macio e polvilhe com pimenta-do-reino moída na hora.
  • Aqueça o leite cru a 35ºC (pode ser usado um termômetro comum), junte então o coalho, cubra com um pano e deixe descansar por 12 horas. Em seguida, leve à geladeira. Na hora de servir, disponha uma colher num prato, regue com mel e salpique as bagas de aroeira.Disponha de maneira delicada cada doce e suas harmonizações e sirva em seguida.

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Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

URGENTE: Quilombolas de Rio dos Macacos (BA) gritam por socorro

Por Tatiana Scalco/Ciranda em parceria com os Jornalistas Livres 
Cercada pela Marinha, a comunidade está sob ameaça de morte.

Na madrugada de (10/12), estranhos cercaram o quilombo Rio dos Macacos em Simões Filho/BA, região metropolitana de Salvador, mais uma vez. Circulando em volta das casas, tentaram forçar portas e janelas. A comunidade ficou em pânico, apavorada.
Os níveis de tensão no quilombo Rio dos Macacos se elevaram após o assassinato do Sr. Vermelho (José Esidio dos Santos, 80 anos, liderança local), em 25 de novembro último.  Hoje, a Polícia Civil informou que as investigações em relação ao assassinato do Sr. Vermelho estão em curso e há “indicativo de motivação e autoria”, contudo “mais detalhes não podem ser divulgados para não interferir na apuração do caso”. A 22ª Delegacia Territorial de Simões Filho é a responsável pelas investigações.  Sobre outras ameaças à comunidade quilombola de Rio dos Macacos, a Polícia Civil informou que “não há registro na unidade policial”.
A deputada estadual Neusa Cadore, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa da Bahia, informou que está monitorando a situação e conversando com as autoridades do governo.
A comunidade espera a ação das autoridades. E que as ameaças sejam levadas a sério.
A Associação Quilombola Rio dos Macacos divulgará hoje a tarde nota sobre a situação.
Entenda o caso
Foto: reprodução Facebook
O quilombo de Rio dos Macacos está localizado em Simões Filho/BA – região metropolitana de Salvador.
Desde os anos 1950, a União tenta espoliar esse território quilombola. Nos anos 1960, a Marinha recebeu como doação do poder público parte do território tradicional da comunidade e construiu a Barragem do Rio dos Macacos. Nos anos 1970, instalou a Vila Naval de Aratu e impôs uma dinâmica social marcada pelo racismo, práticas abusivas e violações de direitos humanos. Desde então, há inúmeros casos registrados de violência física e sexual e de exploração do trabalho. Em 2009, a União ingressou com ações judiciais buscando expulsar a comunidade de seu território tradicional. A partir de então, as ameaças e violência cotidiana aumentaram. 
Foto: Conac
Nos últimos 10 anos a luta em defesa do território e pela vida negra quilombola ganhou outros contornos. A articulação política avançou. Os movimentos se articularam. Entre outros, foi apresentada denúncia de Violação de Direitos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2017, que destacou o sofrimento da comunidade “com espancamentos, tortura e ameaças cotidianas dos militares contra seus/as integrantes”.
Até hoje a Marinha utiliza múltiplas estratégias de guerra contra a Comunidade. Sendo que muitas delas ultrapassam os processos judiciais e outras estão sendo legitimadas oficialmente pelo estado brasileiro. Até hoje moradores/as são impedidos de construírem ou reformarem suas casas, têm suas lavouras de subsistência saqueados. Além disso, não gozam de pleno acesso à água, saneamento básico e energia elétrica. As manifestações culturais e religiosas no quilombo Rio dos Macacos foram proibidas. Terreiros de candomblé foram fechados e destruídos, afetando diretamente seu patrimônio simbólico. 

Samba-enredo da Mangueira critica Bolsonaro

“Favela, pega a visão, não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão”, diz parte da letra do samba da Mangueira.
Em 2019 a Mangueira falou sobre a luta das mulheres l Carla de Souza/AFP
Pelo menos dez escolas de samba do Rio de Janeiro levarão para a Sapucaí um enredo crítico ao contexto político brasileiro. Uma delas é a Estação Primeira de Mangueira, que venceu o carnaval de 2019 com o refrão “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”.
Em 2020, a verde e rosa se apresenta como a “Estação Primeira de Nazaré”, no “A Verdade Vos Fará Livre”. O nome da música faz uma referência explícita ao jargão utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua campanha nas eleições de 2018: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, João 8:32, da Bíblia Sagrada.
A versão da Mangueira, no entanto, música traz um “Jesus da gente”, de “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, filho de pai carpinteiro desempregado e de mãe Maria das Dores Brasil. O samba-enredo foi assinado por Manuela Oiticica, a Manu da Cuíca – que emplacou a canção do carnaval deste ano – ao lado de Luiz Carlos Máximo.
“Será que todo povo entendeu o meu recado? Porque de novo cravejaram o meu corpo, os profetas da intolerância (…) Favela, pega a visão, não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão”, conforme trecho da letra.
“Com certeza, ele [Jesus Cristo] aprovaria uma escola espetacular que trata a favela como um ato de sobrevivência, especialmente com esse governo que mais mata favelados. Mas o samba mostra que estamos vivos”, disse Manu da Cuíca, em entrevista ao site “Carnavalesco”.
Leia a letra do samba-enredo na íntegra:
A Verdade Vos Fará Livre
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra do buraco quente
Meu nome é Jesus da gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais que a escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Senzala Brasil: Uma releitura de Gilberto Freyre

Para compreendermos a formação histórica e o caráter predatório da elite brasileira, um livro é fundamental: Casa-Grande & Senzala, do grande sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.
por Claudio Daniel
Casa-Grande & Senzala, livro clássico de Gilberto Freyre publicado pela primeira vez em 1933, é obra essencial para entendermos a construção da sociedade brasileira, que desde as capitanias hereditárias até os dias de hoje mantém preconceitos arcaicos contra mulheres, índios, negros e pobres e não é capaz de avançar para um estágio civilizacional mais avançado, pelo compromisso da burguesia nacional com a preservação do latifúndio e pela sua submissão ao grande capital internacional.
A sociedade brasileira sempre esteve dividida entre a Casa-Grande e a Senzala. Vivemos em um país que impôs a exclusão social, os preconceitos racial, religioso, de classe, de orientação sexual e de gênero desde o início da colonização portuguesa, no século 16, até os dias atuais. Para compreendermos a tragédia brasileira, portanto, é necessário estudarmos as nossas raízes coloniais, e em particular a formação da elite brasileira, que nasceu com as capitanias hereditárias, os engenhos de cana-de-açúcar, a imposição do cristianismo, o trabalho escravo, a submissão da mulher e a dependência política, econômica e cultural em relação à metrópole.
Nunca nos emancipamos do colonialismo e do imperialismo – primeiro o português, depois o inglês e o norte-americano; sempre fomos uma imensa feitoria, fornecedora de matérias-primas e mão-de-obra barata para as potências capitalistas hegemônicas, além de oferecermos um mercado de dimensões continentais para as mercadorias e capitais excedentes das nações ricas, sem desenvolvermos um projeto autônomo de civilização.
A burguesia brasileira renunciou ao seu papel histórico de promover uma revolução democrática que criasse um estado laico com verdadeiras instituições republicanas, promovesse os direitos básicos de cidadania, eliminasse a fome, a miséria, o analfabetismo, o atraso cultural e permitisse o desenvolvimento em larga escala das forças produtivas. A elite industrial da Terra de Santa Cruz abdicou de qualquer vocação democrática ou progressista e preferiu manter a sua aliança com o latifúndio – rebatizado de “agronegócio” –, o capital financeiro internacional e a dominação imperialista para a exploração brutal da classe trabalhadora, em vez de investir na construção de um país moderno, democrático e soberano.
Podemos comprovar essa afirmação com facilidade, pelo simples exame dos fatos recentes da política brasileira após o golpe de estado de 2016, como o apoio do empresariado urbano, e em particular da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), à flexibilização do conceito de trabalho escravo no campo, implementada pelo governo ilegítimo de Michel Temer (MDB), e o posterior apoio dessas entidades patronais à eleição do neofascista Jair Bolsonaro, em 2018.
Outros exemplos poderiam ser apresentados em defesa de nossa tese, como o apoio empresarial à liquidação dos direitos trabalhistas e previdenciários, ao congelamento dos investimentos públicos em saúde e educação por 20 anos, aprovado no Congresso Nacional, à privatização de usinas hidroelétricas, serviços públicos e empresas estatais rentáveis, em benefício de investidores internacionais, sem falarmos dos leilões dos campos de pré-sal a preço vil e da venda de ações dos bancos públicos a grupos privados, numa operação de completa destruição do país, que supera as desgraças anteriores de nossa história recente, e em particular a ditadura militar implantada em 1964, que perdurou até 1985, e o período neoliberal seguinte, que atingiu o seu apogeu nos governos de Fernando I (Collor de Mello) a Fernando II (Henrique Cardoso).
A ausência de um projeto civilizacional autônomo, soberano e de longo prazo por parte da elite brasileira, que se contenta com o papel de capitão-do-mato do grande capital internacional, é a raiz de todo o nosso infortúnio. Para compreendermos a formação histórica e o caráter predatório dessa elite, um livro é fundamental: Casa-Grande & Senzala, do grande sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, que comentaremos a seguir neste artigo.
Publicado pela primeira vez em 1933, Casa-Grande & Senzala apresenta um retrato da sociedade aristocrática, patriarcal, branca, cristã e escravocrata do período colonial brasileiro, entre os séculos 16 e 19. Neste livro notável, Gilberto Freyre faz uma descrição minuciosa da alimentação, vestuário, higiene, saúde, arquitetura, mobiliário, vida cotidiana, sexualidade, religiosidade, meio ambiente, comércio e outros aspectos da vida colonial brasileira, e em especial da miscigenação entre europeus, negros e índios, um dos temas centrais da obra, em um estilo de grande beleza literária; o que nos interessa no presente artigo, no entanto, é o estudo realizado pelo autor sobre a economia colonial e os hábitos e práticas da elite dirigente.
Já no prefácio de sua obra, o autor caracteriza a atividade econômica desenvolvida no Brasil na época das capitanias hereditárias de “monocultura latifundiária” que “exigia uma enorme massa de escravos” e que teve como consequências a concentração da terra “numa grande extensão em volta aos engenhos de cana”, onde não se praticava a policultura, nem a pecuária. “Na zona agrária desenvolveu-se, com a monocultura absorvente, uma sociedade semifeudal – uma minoria de brancos e brancarões dominando patriarcais, polígamos, do alto das casas grandes de pedra e cal, não só os escravos criados aos magotes nas senzalas como os lavradores de partido, os agregados, moradores de casas de taipa e de palha, vassalos das casas-grandes em todo o rigor da expressão”.
Freyre critica a monocultura latifundiária, concentrada nos engenhos de cana-de-açúcar, apontando os seus “males profundos, que têm comprometido, através de gerações, a robustez e a eficiência da população brasileira”, comprometendo a sua saúde, além de prejudicarem o solo. “Entre outros males, o mau suprimento de víveres frescos, obrigando grande parte da população ao regime de deficiência alimentar caracterizado pelo abuso do peixe seco e de farinha de mandioca (a que depois se juntou a carne de charque); ou então ao incompleto perigoso, de gêneros importados em condições péssimas de transporte, tais como as que precederam a navegação a vapor e o uso, recentíssimo, de câmaras frigoríficas nos vapores”.
Compreenda-se: na economia de monocultura açucareira voltada para a exportação à metrópole, não havia espaço para o cultivo de verduras, legumes, árvores frutíferas, nem a criação de gado doméstico para a alimentação de casa. Frutas e carnes eram importadas da Europa, em caravelas, e pela ausência de recursos de conservação artificial e tempo da viagem, os alimentos chegavam aqui muitas vezes estragados. Do mesmo modo, importava-se quase tudo da metrópole, desde vestuário, joias, peças de decoração e armas até ferramentas de trabalho.
Toda a atenção de nossos incipientes capitalistas estava concentrada no cultivo e exportação do açúcar e no lucro imediato oferecido por esse negócio, sem nenhuma preocupação com a criação de outras atividades econômicas, mesmo para a sobrevivência imediata. A alimentação inadequada, tanto dos senhores quanto dos escravos, resultava na “diminuição da estatura, do peso e do perímetro torácico; deformações esqueléticas; descalcificação dos dentes; insuficiências tiróidea, hipofisária e gonodial provocadoras de velhice prematura, fertilidade em geral pobre, apatia, não raro infecundidade”.
As empresas coloniais não estavam preocupadas com a construção de uma nação próspera, de economia diversificada, mas simplesmente com a exploração intensiva da terra, com o uso do trabalho escravo, para a obtenção de lucros rápidos nas exportações para a metrópole – lucros que seriam usados, posteriormente, para a importação de manufaturas dessa mesma metrópole, num círculo vicioso de dependência.
No centro desse sistema perverso estava a casa-grande, “completada pela senzala”, que representava “todo um sistema econômico, social, político: de produção (a monocultura latifundiária); de trabalho (a escravidão); de transporte (o carro de boi, o banguê, a rede, o cavalo); de religião (o catolicismo de família, com capelão subordinado ao pater famílias, culto dos mortos etc.); de vida sexual e de família (o patriarcalismo polígamo); de higiene do corpo e da casa”, escreve Freyre.
Senhores absolutos nesse sistema, os grandes proprietários rurais dispunham a seu bel-prazer da vida e integridade moral e física dos africanos e índios escravizados, de suas mulheres e filhos, todos tratados como se fossem animais ou coisas, destinados ao prazer e ao lucro de seus senhores. Dispunham até mesmo dos corpos de escravos ou familiares mortos, enterrados dentro da casa grande, numa suposta continuidade das relações de controle e posse, mesmo após a morte física.
Conforme escreve o autor pernambucano: “Conta-se que o Visconde de Suaçuna, na sua casa grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho”.
Freyre descreve ainda, em detalhes, as sevícias sofridas pelos meninos negros, tratados como animais de estimação, objetos sexuais ou alvos de humilhação e de tortura por parte das crianças brancas; o estupro das escravas pelos senhores de engenho, e posterior castigo das negras pelas esposas brancas, que as mandavam torturar das mais sádicas maneiras, desde a extração de todos os dentes das pobres diabas pelo capataz até a morte no tronco, sob a tortura ininterrupta do açoite.
O espaço deste artigo, com certeza, é insuficiente para analisarmos em profundidade todos os temas desenvolvidos por Freyre em sua obra-prima, mas o que expusemos até aqui acreditamos ser suficiente para despertamos o interesse do leitor disponível para a leitura integral desse grande livro. Claro: o autor pernambucano possui limitações: Casa Grande & Senzala peca pela ausência de informação sobre o trabalho escravo na lavoura (o autor concentra a sua atenção nos escravos domésticos que trabalhavam na Casa Grande), a miscigenação é apresentada de uma forma idealizada, a luta de classes nunca aparece (a resistência dos quilombos, por exemplo), como se não existisse, e os conceitos de raça utilizados por Freyre, comuns nas primeiras décadas do século 20, estão hoje completamente ultrapassados.
Apesar de todas as críticas que podem ser feitas ao livro – que data de 1933 –, é impossível resistirmos à sua prosa elegante e saborosa. Casa-Grande & Senzala é um dos livros basilares para compreendermos a nossa formação nacional, ao lado de outras obras clássicas, como O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., e Os Sertões, de Euclides da Cunha, que nos ajudam a compreender porque até hoje fomos incapazes de criarmos uma civilização.
Portal BRASIL CULTURA

Teto da Lei de Incentivo para teatro musical vai subir de R$ 1 milhão para R$ 10 milhões

Projetos de teatro musical poderão captar até R$ 10 milhões por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O aumento do teto para o setor, atualmente em R$ 1 milhão, foi anunciado  pelo secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, durante almoço com representantes do setor cultural, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
“Como diretor teatral, eu sei que não é possível fazer teatro musical com R$ 1 milhão. Estamos aqui para consertar esse equívoco, que pode comprometer uma área importante, responsável por gerar inúmeros empregos e por dinamizar a economia”, destacou Alvim.
Durante a reunião na Fiesp, Alvim também se comprometeu a avaliar as possibilidades de atualizar o valor do Vale-Cultura, atualmente em R$ 50, e de rever restrições relativas ao preço dos ingressos de projetos de teatro musical apoiados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, assim como as regras de distribuição de ingressos gratuitos.
O secretário também afirmou que irá nomear, em breve, os novos diretores da Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pela execução do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal ferramenta de fomento federal ao setor audiovisual no país. Além disso, ressaltou que irá dialogar com representantes de todos os setores da Cultura.
“O Paulo Skaf (presidente da Fiesp) organizou este encontro entre mim e a classe do teatro musical e do audiovisual. É uma alegria porque foi o ponto de mudança. O Paulo percebeu a necessidade de nós nos encontrarmos, afinarmos os nossos pontos de vista e trabalharmos juntos para a construção de políticas públicas estruturantes para esses dois setores”, destacou Alvim.
Segundo Skaf, o diálogo é essencial para o setor cultural. “Estamos aqui para celebrar o teatro musical, o audiovisual, as artes e a união, por que sem união não se constrói um País. O teatro musical dialogou com o secretário, o audiovisual também e tiveram suas respostas”, afirmou.

Secretário do Audiovisual

Também no almoço, Alvim convidou o cineasta André Sturm para ser o novo secretário do Audiovisual da Secretaria Especial da Cultura. O convite foi imediatamente aceito. Surpreso, o cineasta se disse lisonjeado e que espera trabalhar para a construção de uma política forte para o setor.
“Eu fui pego totalmente de surpresa. É claro que eu fico muito honrado com o convite, que vem em função da minha trajetória profissional. É um desafio. Hoje, o setor audiovisual tem uma distensão, um clima de muita disputa. E eu vou buscar pacificar o setor, buscar o diálogo. Sendo uma pessoa do audiovisual, minha indicação sinaliza a vontade do diálogo e de entendimento da Secretaria da Cultura e do governo com o setor”, destacou Sturm.
Segundo Alvim, Sturm é uma escolha técnica, que irá harmonizar o setor. “André Sturm tem experiência comprovada por mais de 30 anos de carreira no audiovisual e conta com amplo apoio do setor. É um nome de conciliação, que marca o início de um novo momento de construção conjunta entre a Secretaria Especial da Cultura e o mercado audiovisual brasileiro”, apontou.

Deliberações

Após a reunião, o secretário Roberto Alvim se reuniu com André Sturm e representantes do audiovisual para debater ações e políticas para o setor.
Fonte Portal BRASIL CULTURA

Tragédia do Gran Circus Norte-Americano – 17 de dezembro de 1961

Fogo!”, gritou a trapezista Nena. Antonietta Stevanovich (seu verdadeiro nome) foi a primeira a dar o alerta dentro do circo. Junto com os colegas Vicente Sanches e Santiago Grotto, ela apresentava o quadro final de acrobacia, clímax do espetáculo da tarde quente de domingo em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Foi quando um clarão pode ser notado na parte inferior da lona, à esquerda da entrada. O fogo se alastrou rapidamente e, nos 10 minutos seguintes, as 3 mil pessoas que lotavam o Gran Circo Norte-Americano viveram um inferno. Foi o maior incêndio da História do Brasil.
Montado num grande terreno na avenida Feliciano Sodré, no centro da cidade, o circo, de propriedade do empresário Danilo Stevanovich (irmão da trapezista Nena), era um dos maiores da América Latina. Contava com 60 artistas, das mais diversas nacionalidades, e 150 animais, que morreriam, quase todos, carbonizados ou sufocados pela fumaça. Foi o primeiro circo de picadeiro a fazer turnê pelo país. Era uma atração obrigatória para qualquer família. A lona verde e laranja, que pesava 6 toneladas, chamava a atenção de qualquer criança.
Mas, em 17 de dezembro de 1961, às 15h45, o teto virou uma abóboda flamejante. O mastro principal vergou e caiu, fazendo desabar a lona em chamas sobre a multidão. O pânico se instalou. A elefante Sema saiu em disparada e atropelou crianças (em compensação, quando conseguiu arrebentar uma parte da lona na fuga, salvou dezenas de vidas). “Foi o maior incêndio de circo de todos os tempos”, diz o historiador Paulo Knauss, autor de A Cidade como Sentimento: o Incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói, 1961.
Os cadáveres, carbonizados, foram levados ao estádio de futebol Caio Martins. Enfileirados no gramado, cobertos com lençois brancos doados pelo povo, esperavam reconhecimento de amigos e familiares. O governador do Rio, Celso Peçanha, convocou todos os marceneiros e carpinteiros da cidade para ajudar na fabricação de caixões. Na segunda-feira, o presidente João Goulart e o primeiro-ministro Tancredo Neves visitaram os queimados no hospital da cidade. Diante de uma menina envolta em gaze, Jango se virou para a parede e levou as mãos aos olhos, repetindo: “Não é possível, meu Deus”.
A tragédia causou comoção internacional. O papa João 23 mandou rezar uma missa em homenagem às vítimas. Doações chegaram do Chile, da Argentina e do Uruguai e médicos de outros países apareceram para ajudar. O hospital Bathesta, em Washington, enviou 33 mil cm cúbicos de pele seca, para que os médicos pudessem fazer enxertos. Com o material recebido e o contato com cirurgiões plásticos estrangeiros, foi possível salvar o garoto Pablo, de 11 anos. Retirado das lonas com 80% do corpo queimado, ele se desvencilhou das enfermeiras e voltou para o meio do fogo. Minutos depois, reapareceu com um amigo no colo. O caso de heroísmo impressionou o jovem médico Ivo Pitanguy, que participou do resgate e viu o trabalho com os feridos estimular o desenvolvimento da cirurgia plástica no Brasil. Professor da PUC-RJ, Pitanguy ia para um plantão na Santa Casa da Misericórdia quando ouviu, pelo rádio, o anúncio do incêndio. Desviou o carro e seguiu para o Iate Clube do Rio. A bordo de sua lancha particular, atravessou a baía de Guanabara (não existia ainda a Ponte Rio-Niterói).
A notícia também impactou um empresário de cargas de São Paulo. José Datrino acordou 6 dias depois do incidente, ouvindo “vozes astrais”, e foi morar no terreno onde o circo pegou fogo. Deixou a barba e o cabelo crescer e, de bata branca, virou o Profeta Gentileza, figura carismática da capital carioca até morrer, em 1996.
Condenados
“Só mesmo um crime pode justificar o incêndio”, repetia Danilo Stevanovich. Gaúcho de Cacequi, membro de uma família de 7 irmãos, ele já tinha tido 2 circos destruídos pelo fogo, o Búfalo-Bill e o Shangri-lá, em 1951 e 52. Mas continuou no ramo até a morte, em 2001.
As suspeitas da polícia recaíram sobre Adilson Marcelino Alves, 21 anos, vulgo Dequinha. Descrito como “epiléptico com baixo nível mental”, vivia de biscates. Trabalhou na construção do Gran Circo, mas brigou com o capataz e foi demitido. O rapaz foi detido no morro da Boa Vista, em Niterói, onde morava com a mãe, enquanto comprava sabão para lavar roupa na bica comunitária. Dequinha confessou o crime. Teria recebido a ajuda de dois amigos, Walter Rosa dos Santos, o Bigode, e José dos Santos, conhecido como Pardal. A condenação ficou cercada por suspeitas. Doracy Campos, o palhaço Treme-Treme, passou anos sustentando que tinha havido desleixo na fiação elétrica.
Niterói ficou traumatizada. Apenas em 1975 um circo voltaria à cidade, o Hagenback. Este tinha lona importada, à prova de fogo.
Cercados pelo fogo
Outros incêndios que chocaram a América Latina
Edifício Joelma

Dos 25 andares do prédio, localizado no centro de São Paulo, 18 deles foram destruídos pelo fogo no dia 1º de fevereiro de 1974, após um curto-circuito em um ar-condicionado no Banco Crefisul. Das pessoas encurraladas pelo incêndio, 188 morreram ao longo de mais de 3 horas de agonia. O desespero das vítimas foi transmitido ao vivo, por rádio e televisão – que registrou o momento em que algumas delas se jogaram pelas janelas.
Igreja da Companhia de Jesus
O incêndio mais mortífero da História aconteceu em 8 de dezembro de 1863, em Santiago do Chile. A igreja da Companhia de Jesus estava lotada quando uma lamparina a gás do altar principal pegou fogo. Entre 2 mil e 3 mil pessoas morreram queimadas e soterradas.
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