Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
247 - O ministro-conselheiro Qu Yuhui, porta-voz Embaixada da China no Brasil, criticou nesta sexta-feira, 10, os ataques de membros do governo de Jair Bolsonaro contra o país que é o maior parceiro comercial do Brasil.
“Nossas economias são muito complementares. Temos necessidades cotidianas e estratégicas para fomentar a nossa cooperação. Mas isso requer um cuidado, um carinho muito especial. Temos que colocar tijolos nessa parceria, em vez de tirar os alicerces desse edifício”, afirmou em entrevista coletiva.
Ele se referia aos ataques à China perpetrados pelo deputado Eduardo Bolsonaro e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Qu Yuhui criticou as duas principais medidas defendidas por Jair Bolsonaro para lidar com a crise do coronavírus, que são o uso indeterminada da cloroquina e o relaxamento do isolamento.
“Não é hora de relaxar. Não estou olhando com bons olhos as medidas de afrouxamento tomadas por alguns estados. No Brasil, a curva ainda está em expansão. E na China continuamos a fazer enormes esforços para continuar a combater a Covid-19”, declarou.
Maloca da comunidade Moxihatëtëma, subgrupo yanomami que vive em isolamento voluntário
João FelletBBC News Brasil en São Paulo
Imagens de satélite mostram que garimpeiros estão ampliando suas operações dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus.
Segundo um boletim produzido pelo Instituto Socioambiental (ISA), que monitora a atividade na região, houve um aumento de 3% na área degradada por garimpeiros no território yanomami em março em comparação com fevereiro.
Em uma das frentes, as escavações passaram a ocorrer a cerca de 5 quilômetros de uma roça recém-aberta por um subgrupo yanomami que vive em isolamento voluntário e jamais recebeu qualquer vacina.
Indígenas são considerados especialmente vulneráveis à pandemia por conta de costumes que tendem a facilitar a disseminação de doenças respiratórias e da ausência de hospitais em seus territórios.
No caso de indígenas isolados, os riscos são ainda maiores, pois vários desses grupos não têm qualquer memória imunológica contra outros vírus que podem ser levados por forasteiros e que poderiam agravar um eventual surto de covid-19 nas comunidades.
Na última terça-feira, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) divulgou que um jovem yanomami contraiu covid-19 - é o primeiro caso registrado entre a etnia.
O rapaz, que foi levado para a UTI de um hospital em Boa Vista, vive em uma comunidade na região do rio Uraricoera, onde há circulação intensa de garimpeiros.
Maior terra indígena do Brasil
Na fronteira do Brasil com a Venezuela, o território Yanomami é a maior terra indígena do país, com área equivalente à de Portugal. Nele vivem cerca de 26 mil membros dos povos yanomami e ye'kwana, distribuídos em 321 aldeias.
Rico em depósitos de ouro, o território é cobiçado por garimpeiros desde a década de 1970. Desde então, várias doenças levadas por não indígenas assolaram o grupo.
Segundo o boletim do ISA, os novos focos de garimpo degradaram 114 hectares (o equivalente a 114 campos de futebol) de floresta na Terra Indígena Yanomami em março.
As regiões que tiveram maior incremento nas escavações foram as de Hakoma e Parima, "que até então não pareciam ter uma atividade tão intensa", segundo o boletim.
Direito de imagem Image captionNovos focos de garimpo degradaram 114 hectares (o equivalente a 114 campos de futebol) de floresta na Terra Indígena Yanomami em março - FUNAI
"Este aumento é especialmente preocupante nesse momento de ameaça de contágio de covid-19, pois nessas regiões estão localizadas comunidades com menos contato com a sociedade nacional, onde as pessoas, possivelmente, possuem sistemas imunológicos mais sensíveis a este tipo de enfermidade", diz o documento.
O texto também faz um alerta sobre o avanço de garimpeiros na região da Serra da Estrutura, onde um subgrupo yanomami vive em isolamento voluntário, sem contato com outras comunidades.
Em março, imagens de satélite detectaram uma nova roça atribuída ao grupo isolado em um local que fica a cerca de 5 km de uma frente de garimpo ativa na região do rio Novo.
Os autores do boletim dizem acreditar que a roça esteja associada justamente à tentativa de fundação de uma nova aldeia perto da zona de garimpo.
"É possível que essa aproximação seja, inclusive, intencional, visando manter uma relação de troca com os garimpeiros, o que na história de contato dessa sociedade sempre resultou em tragédia para ambos os lados", diz o boletim.
Os autores do texto estimam que haja 10 mil garimpeiros no território. Eles afirmam que até agora não houve qualquer sinal de diminuição nas atividades de garimpo na região por conta da pandemia do novo coronavírus.
A BBC News Brasil questionou a Funai, a Polícia Federal e o Exército sobre o avanço de garimpeiros no território yanomami, mas não obteve respostas.
Direito de imagemPLANET LABSImage captionImagem de satélite em março de 2020 mostra focos de garimpos no rio Mucajaí
Os três órgãos fizeram várias operações contra o garimpo na região nos últimos anos.
Em uma das iniciativas mais recentes, em janeiro de 2019, um sargento do Exército teve parte da mão decepada ao tentar interceptar um barco que transportava garimpeiros pelo rio Uraricoera.
O piloto jogou a embarcação contra o sargento, que se feriu com a batida. O piloto conseguiu fugir.
Apesar das repetidas operações, os autores do boletim do ISA afirmam que os garimpeiros jamais deixaram o território.
Vários focos de garimpo operam em áreas com pistas de pouso clandestinas. Essas pistas conseguem garantir a chegada de alimentos e combustível para os garimpeiros mesmo quando forças de segurança realizam bloqueios nos rios da região.
Cercados pelo garimpo
Conhecidos como moxihatëtëma thëpë, os indígenas isolados ameaçados pelos garimpeiros pertencem a um subgrupo yanomami monitorado pela Funai há quase uma década. Estima-se que o grupo tenha hoje cerca de 120 integrantes.
Nos anos 1990, houve relatos de confrontos que opuseram os moxihatëtëma a garimpeiros e a outras comunidades yanomami nas regiões dos rios Catrimani, Mucajaí e Apiau.
Chegou a se especular que o grupo tivesse sido extinto por conta dos conflitos e de doenças, até que sobrevoos identificaram as malocas e roças da comunidade em 2011.
Nos últimos anos, o grupo vinha se afastando de uma frente de garimpo na região do rio Mucajaí. Os indígenas seguem se deslocando na mesma direção, só que agora se aproximam de outra frente no rio Novo.
Histórico de epidemias
Em O papel político das epidemias: o caso yamomami, de 1993, a antropóloga Alcida Rita Ramos diz que cerca de mil indígenas - ou 14% da população da etnia em Roraima na época - morreram por conta de doenças no auge da invasão garimpeira, entre 1987 e 1990.
Uma década antes, a construção da rodovia Perimetral Norte na região também expôs as comunidades a epidemias. Entre 1974 e 1975, segundo Ramos, doenças infecciosas mataram 22% da população de quatro aldeias yanomami atingidas pelas obras.
Direito de imagem Image captionImagem de satélite em março de 2020 mostra focos de garimpo no rio Uraricoera - PLANET LABS
"Dois anos depois, mais 50% dos habitantes de outras quatro comunidades sucumbiram a uma epidemia de sarampo", diz a antropóloga. Entre os cerca de 130 indígenas que viviam no rio Apiaú, só sobreviveram 30.
"Desgarrados, acabaram abandonando a área e juntaram-se a outras comunidades. Em fevereiro de 1992, o que fora suas terras era agora uma gigantesca área de queimadas de mais de 30 mil hectares transformados em projeto de colonização regional."
Em outra região, os 60 remanescentes de um grupo de 102 indígenas "se dispersaram, abrindo caminho para uma intensa ocupação por colonos brasileiros do que fora terras suas". "Alguns desses yanomami vivem hoje como agregados nos sítios desses colonos", escreveu a antropóloga.
Apelo às autoridades
Em post publicado em 27 de março no Facebook, a Hutukara Associação Yanomami, principal organização indígena da região, divulgou fotos recentes de garimpeiros na região do rio Mucajaí.
"Eu quero chamar a atenção das autoridades não indígenas. Na nossa Terra Indígena Yanomami (está) cada vez mais aumentando os garimpeiros ilegais, esses garimpeiros ilegais estão entrando nas comunidades e não são examinados por médicos", diz o post.
A Hutukara cobrou as autoridades a bloquear as seis principais rotas de acesso às comunidades: os rios Uraricuera, Mucajaí, Ajarani, Catrimani, Demini e Marauiá.
Mortes por coronavírus já superam “previsão” de Bolsonaro (Foto: Carolina Antunes/PR).
O motivo da ida de Jair Bolsonaro ao hospital ainda não foi divulgado. A visita não constava na agenda oficial
247 - Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada pouco depois das 9h desta sexta-feira (10) e deu entrada no Hospital das Forças Armadas (HFA) em Brasília.
A comitiva de Bolsonaro não passou pela portaria onde se concentram jornalistas e apoiadores.
O motivo da ida de Bolsonaro ao hospital não foi divulgado. A visita não consta na agenda oficial.
Embaixador e ex-ministro Celso Amorim (Foto: VALTER CAMPANATO/ABR | Reuters)
247 - O embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, disse à TV 247 acreditar que a China terá um papel de destaque na reorganização mundial após a pandemia de coronavírus. Ele comparou os efeitos geopolíticos do surto de Covid-19 aos da Segunda Guerra Mundial, e disse que os chineses estão demonstrando mais capacidade de gestão da crise do que os Estados Unidos.
“Acho que vai ter um período grande de muitas possibilidades de convulsão social, você vai ter no nível internacional uma reorganização em que o papel da China vai ser muito grande”, avaliou.
“No final da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética saiu com forte soft power, porque teve um papel fundamental em derrotar o nazismo, mas os Estados Unidos também saíram com um forte soft power. Agora eu acho que é diferente porque a China, até o momento pelo menos, está demonstrando maior capacidade para enfrentar a crise e está também demonstrando a capacidade de cooperar internacionalmente em um momento crítico, coisa que os Estados Unidos não estão demonstrando. Então acho que tudo isso vai implicar mudanças importantes na organização do mundo”, completou.
Apesar das incertezas, o ex-ministro cravou que o mundo não permanecerá estático depois da pandemia. “É difícil fazer uma previsão exata porque estamos vivendo no meio dessa crise nebulosa, mas uma coisa é certa: como muitos têm dito, o mundo não será o mesmo, o mundo vai mudar e eu acho que esse mundo terá que ser reorganizado”.
"Estamos na época da medicina BBB, feita por votação. Medicina e pesquisa de rede social. Você não consegue mais não dar cloroquina para um paciente meio grave. A família pressiona e, se você não der, no dia seguinte você não é mais o médico.” O desabafo é do médico Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente de pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein
247 - O diretor superintendente de pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, Luiz Vicente Rizzo, desabafa sobre o desastre causado por Jair Bolsnonaro na medicina no Brasil: "Estamos na época em que a medicina está sendo feita por votação. Medicina e pesquisa de rede social. Você não consegue mais não dar cloroquina para um paciente meio grave. A família pressiona e, se você não der, no dia seguinte você não é mais o médico.”
Ele relatou à jornalista Cláudia Collucci da Folha de S. Paulo a pressão que as instituições médicas estão sofrendo para ampliar o uso da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus..
Rizzo ainda desmentiu afirmações da médica Nise Yamaguchi, que atende no hospital, e o virologista Paolo Zanotto, da USP, que defendem e disseram haver o uso da cloroquina no início da doença. De acordo com Rizzo, o Einstein só indica a substância para pacientes graves, internados na UTI.
“Nenhuma dessas pessoas [Yamaguchi e Zanotto] que está falando de protocolo do Einstein participa de protocolo nosso. Nem de Covid nem de nenhum dos 711 projetos de pesquisa no hospital. Uma coisa é ser médico no Einstein; outra coisa é ser médico do Einstein”, afirmou.
O diretor médico e superintendente do hospital, Miguel Cendoroglo Neto, logo nos primeiros casos um consenso de especialistas do Einstein aprovou o uso do medicamento em pacientes graves. Ele adverte, entretanto, “que essa proposta terapêutica é dentro do que a gente chama de off label, não está na bula desses medicamentos, não está nos 'guidelines' das sociedades médicas”. Por isso, defende ele defende que “a família precisa ser informada sobre o risco de complicação, de efeitos adversos.”
Ele ainda disse que 70% dos 30 pacientes internados na UTI estão fazendo uso da cloroquina isolada ou associada ao antibiótico azitromicina, os outros não usam por terem alguma contraindicação (como problemas cardíacos).
O médico afirma também que outros medicamentos estão sendo estudados e usados para pacientes graves, como anticoagulantes, anticorpos monoclonais e plasma. “Tudo isso a gente está estudando ainda”, reforçou.
A morte de Jesus na cruz, relembrada na Semana Santa, é um dos acontecimentos mais importantes da história. No entanto, não sabemos quase nada sobre ele. Quase nenhum pesquisador nega que o fundador do cristianismo tenha sido um personagem histórico, crucificado por Roma em Jerusalém. O resto se move em um enorme espaço em que confluem a fé, a história e o mistério. Cada novo achado arqueológico relacionado a esse momento é analisado a fundo. A descoberta de uma tumba daquela época com o cadáver de um réu crucificado, que recebeu sepultura em vez de ser deixado para apodrecer à vista de todos como era habitual, torna plausível o enterro de Jesus. Uma inscrição encontrada em Caesarea Maritima confirma a existência de Pôncio Pilatos como governador romano na época de Tibério. Mas o relato bíblico continua muito distante de qualquer confirmação histórica. Como escreveu o jornalista do EL PAÍS Juan Arias, um dos grandes conhecedores da figura de Cristo, autor do livro Jesus. Esse Grande Desconhecido, “ainda não sabemos por quem, nem por que Jesus foi morto”.
“Os testemunhos bíblicos que acusam os judeus são uma distração que tenta lançar os historiadores pelo caminho equivocado”
Uma das poucas certezas que os historiadores compartilham é que a morte de Jesus ocorreu durante a Páscoa judaica (Pessach), em que se comemora a libertação da escravidão no Egito e que é uma das festas mais importantes do calendário hebreu. Como a Semana Santa cristã, o Pessach depende das fases lunares e do equinócio da primavera. “Existe uma conexão muito sólida entre a Páscoa judaica e a paixão”, afirma Carl Savage, professor de arqueologia bíblica na Universidade Drew (EUA) e que trabalhou em diferentes sítios arqueológicos como Bethsaida, na Galileia. “É muito plausível que tenha ocorrido durante esse período, embora mesmo os próprios Evangelhos deem calendários ligeiramente diferentes sobre os acontecimentos da última semana de vida de Jesus”, prossegue.
Quando morreu?
Perguntado sobre as certezas históricas acerca da morte de Jesus, Douglas Boin, pesquisador da Universidade de Saint Louis (EUA),que escreveu um estudo sobre os cristãos sob o império romano, Coming Out Christian in the Roman World: How the Followers of Jesus Made a Place in Caesar’s Empire, responde: “Não muitas. Jesus foi executado na província romana da Judeia pelo prefeito da província, Pôncio Pilatos. Só isso. Inclusive a data, provavelmente em torno de 28 depois de Cristo, é uma suposição baseada em dados”. Muitos pesquisadores consideram a data de 14 de Nissan (mês do calendário judaico), isto é, na sexta-feira 3 de abril. Mas nem mesmo os Evangelhos estão de acordo: Marcos, Lucas e Mateus falam de um dia e João de outro. Em seu livro sobre Jesus, o ex-papa Bento XVI apoia a tese de João, o que adiantaria em um dia a condenação e a morte.
São as fontes não cristãs, sobretudo Tácito, que permitem estabelecer um calendário mais ou menos preciso. O historiador romano fala da morte na cruz de uma pessoa que era chamada de Messias sob o reinado de Tibério pelo governador Pôncio Pilatos. “Estas datas são especialmente úteis para os historiadores”, explica Savage. “O imperador Tibério governou Roma entre 14 e 37 d.C., sabemos que Jesus nasceu entre 7 e 4 a.C. no final do reinado de Herodes. Sabendo que viveu 30 anos, podemos datar sua morte entre os anos 26 e 28”. Flávio Josefo também fala da condenação de Cristo à cruz por Pilatos, mas a autenticidade da passagem, conhecida como Testimonium Flavianum, foi questionada por numerosos eruditos. Como explica a historiadora Mireille Fadas-lebel em sua biografia Flávio Josefo, alguns estudiosos acreditam que toda a passagem é falsa, enquanto outros opinam que “algum fervoroso leitor cristão do início do século IV” adicionou algumas frases.
Uma das poucas certezas que os historiadores compartilham é que a morte de Jesus aconteceu durante a Páscoa judaica
“Quem foi educado na tradição católica, como nós, imagina o percurso por Jerusalém, o enfrentamento com os líderes judeus, as palavras pronunciadas na cruz”, prossegue Boin. “Muitos destes detalhes provêm do relato dos autores dos Evangelhos, que se orientam por pautas teológicas. Como historiador, considero-os importantes, mas devem ser analisados com cautela”. O horto de Getsêmani, a traição de Judas, a última ceia, a negação de Pedro, Pôncio Pilatos dando a escolher entre Barrabás e Jesus ou lavando as mãos: nenhum desses episódios foi confirmado e, no caso dos dois últimos, são uma clara manipulação na opinião da maioria dos pesquisadores.
“A resposta curta é que não sabemos nada além do que contam os Evangelhos e algumas outras referências”, explica Carl Savage. “Entretanto, sabemos algumas coisas que tornam plausíveis pelo menos algumas parte do relato bíblico. Por exemplo, foi encontrado um osso de calcanhar com um prego em uma tumba na região de Jerusalém. Isso nos permite confirmar que a crucificação era praticada como forma de execução na Judeia na época de Jesus. Também que a forma de sepultamento descrita nos Evangelhos coincide com evidências históricas. Portanto, estas evidências nos permitem pensar na morte de Jesus como um evento real e não como uma construção teológica”.
Quem e por quê?
No entanto, a questão não é saber como foi executado, mas por que motivo e por quem. Os Evangelhos acusam os judeus, uma afirmação que propiciou 2.000 anos de antissemitismo, uma das mais violentas, trágicas e perduráveis máculas da história da humanidade. Como recorda Juan Arias, “foi o papa João XXIII que, em 1959, mandou tirar da oração da Sexta-feira Santa as expressões ‘pérfidos judeus’ e ‘cegueira daquele povo’ que se negava a reconhecer a divindade de Jesus”.
São as fontes não cristãs, sobretudo Tácito, que permitem estabelecer um calendário mais ou menos preciso
Reza Aslan argumenta em Zelote, uma biografia de Jesus que se tornou best-seller internacional em 2014, que os Evangelistas desculparam os romanos porque “Roma tinha se transformado no principal público do evangelismo cristão”. Paul Winter (1904-1969) escreve em seu clássico Sobre o processo de Jesus que “o tribunal judeu tinha autoridade para ditar e aplicar penas capitais, mas, apesar disso, o Sinédrio não condenou Jesus à morte”.
Para o Douglas Boin, “os testemunhos bíblicos que acusam os judeus são uma distração que tenta lançar os historiadores pelo caminho equivocado”. Novamente existe um consenso entre os pesquisadores: se Jesus foi condenado à cruz, deve ter sido por crimes sujeitos a um método de execução tão extremo: rebelião, desafio ao poder de Roma, insurreição contra o Estado. E um governante romano como Pôncio Pilatos não duvidaria um instante em aplicar esse castigo. O fato de, segundo um dos Evangelhos, ter sido executado entre ladrões — “também podemos falar de rebeldes” especifica Savage — só confirma essa tese. Simon Sebag Montefiore escreve em sua monumental história da cidade das três religiões, Jerusalém. Uma biografia: “Os Evangelhos, escritos ou emendados depois da destruição do Templo no ano 70, acusam os judeus e absolvem aos romanos, desejosos de mostrar sua lealdade ao império. Entretanto, as acusações contra Jesus e o castigo em si contam sua própria história: foi uma ação romana”.
Depois de desviar equipamentos no exterior, Trump autoriza agências federais a tomar qualquer medida necessária para impedir saída de materiais.
Os Estados Unidos vão reter exportações de respiradores, máscaras e luvas cirúrgicas até decidir se os equipamentos devem ou não permanecer no país para o combate ao coronavírus.
A medida foi comunicada nesta quarta-feira (8) pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (Fema), pela Alfândega e pela Proteção de Fronteiras (CBP), em anúncio conjunto. A retenção entrará em vigor na sexta-feira (10) e deve durar até 10 de agosto.
Na última sexta-feira (3), o presidente Donald Trump emitiu um memorando instruindo as agências federais a usar qualquer autoridade necessária para manter no país os equipamentos necessários durante a pandemia
A companhia 3M, principal produtora de máscaras no mundo e com sede nos EUA, disse na segunda-feira (6) ter chegado a um acordo com Trump para continuar vendendo máscaras para o Canadá e a América Latina. Ainda não se sabe se a política de retenção afetará o acordo.
Nos últimos dias, a Fema foi acusada de confiscar remessas de máscaras e outros suprimentos vindas do exterior. Na ultima semana, a Alemanha acusou os EUA de praticarem “pirataria moderna”, ao interceptar e confiscar equipamentos que teriam destino ao país, na Tailândia.
Líderes regionais na França relataram dificuldade de negociar equipamentos médicos e de proteção porque o governo estadunidense paga valores acima do mercado. Na mesma semana, os EUA também acabaram tomando encomendas do Brasil.
A ciência acredita que Jesus foi crucificado. Mas de maneira um pouco diferente
A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS
Se ele foi morto como era hábito na época, esqueça a imagem clássica. Seus braços foram amarrados e os pés, pregados de lado
Quase famoso
Descoberto em 1968, Yehohanan foi crucificado no século 1, mesma época que Jesus. Por isso, os restos dele, como um osso de calcanhar perfurado por um prego com fragmentos de madeira, ajudaram cientistas a decifrar como Jesus teria sido executado
Cruz sustentável
As fontes da época sugerem que o método romano obrigava o condenado a carregar para o local da condenação apenas a haste horizontal da cruz. Como a madeira era muito escassa na época, o poste vertical já ficava fincado e era usado para várias crucificações
Morte penosa
Os braços soltavam-se das juntas, alongando-se ao limite, o que dificultava a expiração. Quando o peitoral está totalmente expandido, só dá para respirar com pequenos “goles”. Jesus provavelmente morreu num processo de sufocação lento e doloroso
Haja sofrência
Com os braços soltos das juntas nos ombros, a opção de muitos era tentar se apoiar pressionando os pés na cruz. Mas as pernas estavam dobradas e os pés pregados. Então, logo o prisioneiro perdia a força. Muitas vezes, os soldados quebravam as pernas dele, prolongando o sofrimento
Corpo exposto
A Bíblia diz que Jesus foi sepultado, mas o mais comum era largar o corpo para apodrecer na cruz. Não dar um túmulo ao morto evitava criar um ponto de peregrinação. Mas sabe-se que os romanos às vezes abriam exceções, logo é possível que Jesus tenha sido sepultado
Braços atados
Não havia um “método oficial”. Por sadismo, os carrascos podiam atar os condenados em diferentes posições, até de ponta-cabeça (como Pedro, segundo a tradição). Não se pregavam as mãos, porque isso não era eficiente (ela não aguentaria o peso e rasgaria). O mais comum era apoiar os braços na cruz e amarrá-los. É possível que Jesus tenha tido os pulsos pregados, mas não há evidências
Sem Via-Crúcis
Jesus, um judeu, foi a Jerusalém na época da Páscoa judaica, festa que celebra o fim da escravidão desse povo. Então, é difícil que os romanos tivessem prendido um líder judeu, feito um julgamento público e o torturado na frente de todo mundo. Por isso, os historiadores consideram apenas a crucificação um fato histórico
TURISMO EM JERUSALÉM
A via-crúcis mistura textos medievais com um pouquinho da Bíblia – e quase nada de história
Já é tradição
A via-crúcis está no interior das muralhas da cidade antiga de Jerusalém e virou um museu a céu aberto. As 14 estações representam as passagens do martírio de Jesus. Nem todas são citadas na Bíblia. Algumas das passagens estão só em textos da época das Cruzadas (séculos 11 a 13), quando venerar os últimos passos de Jesus virou uma tradição cristã
Obituário sem destaque
Pesquisadores acreditam que a morte de Jesus na cruz não causou a comoção que costumamos imaginar e provavelmente passou despercebida para quem vivia no Império Romano, com exceção de sua família e seus seguidores. Quer dizer: se houvesse TV na época, ela nem seria noticiada
A morte na cruz era um método de punição ou execução praticado por assírios, fenícios, persas, gregos e romanos, entre outros
Em 2015, arqueólogos disseram ter encontrado o local exato do julgamento de Jesus
FONTESBible Archaeology, Biblical Archaeology, British Museum, Jewish Virtual Library, Journal of Archaeological Science, Slinging; livros A Bíblia: Uma Biografia, de Karen Armstrong, Bíblia, Deus, Uma Biografia, de Jack Miles, Excavating Jesus, de John Dominic Crossan e Jonathan L. Reed, The Mystic Past, de Thomas L. Thompson, e Jesus, Coleção Para Saber Mais, de Rodrigo Cavalcante e André Chevitarese