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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Concurso "Contos da Quarentena" tem sucesso de público e vencedores serão divulgados dia 30 de junho

Concurso literário lançado pela Editora 247 recebeu 1.827 inscrições com histórias reais e imaginárias de autores durante a quarentena provocada pela pandemia. Textos estão sendo avaliados por uma banca formada pelos escritores Luiz Ruffato, Ricardo Aleixo e Marcos Pamplona
247 - O concurso literário “Contos da Quarentena”, lançado pela Editora 247, responsável pelo site Brasil 247 e pela TV 247, foi um sucesso de público. 
Com as inscrições finalizadas no dia 16, o concurso recebeu ao todo 1.827 participações de autores amadores e/ou profissionais, que compartilharam suas experiências reais e/ou imaginárias durante a quarentena provocada pela pandemia do coronavírus, no Brasil e no exterior. 
Para o jornalista Leonardo Attuch, responsável pela Editora 247, o volume de inscrições reforça a relação com a comunidade 247. “O número expressivo de participantes ultrapassou nossas expectativas. Estamos sempre em contato com a nossa audiência e sabemos que ela é formada por pessoas muito qualificadas e criativas. Tenho certeza que o resultado final do concurso será uma prova disso”, afirmou Attuch. 
Os contos inscritos já estão sendo avaliados por uma banca de jurados de primeira linha, formada pelo contista, romancista e poeta Luiz Ruffato; pelo poeta, produtor cultural e editor Ricardo Aleixo; e pelo escritor e roteirista Marcos Pamplona. A banca julgadora não conhece a autoria de cada conto e avalia aspectos como criatividade, originalidade do texto e obediência à língua portuguesa. 
Lembrando que, conforme o regulamento do concurso, todos os textos participantes têm até 10 mil caracteres, são limitados a um texto por participante e devem ser rigorosamente inéditos. O primeiro lugar do concurso receberá um voucher de R$ 1 mil para a compra de livros na Livraria Martins Fontes Paulista. O segundo colocado receberá um voucher de R$ 500. O terceiro receberá um voucher de R$ 300. Os 15 melhores contos serão publicados em livro, em edição conjunta da Editora 247 e da Kotter Editorial. 
Os contos vencedores e seus respectivos autores e/ou autoras serão anunciados no dia 30 de junho, no site do Brasil 247 e na TV 247. O prazo, que anteriormente era 28 de abril, foi estendido devido ao grande número de participantes.
Conheça mais sobre a banca examinadora do concurso: 
Luiz Ruffato 
Um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea, Luiz Ruffato é contista, romancista e poeta. Formado em Comunicação Social na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), seu romance “Eles eram muitos cavalos”, publicado em 2001, ganhou o Troféu APCA, oferecido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, e o Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Em 2011, com a publicação do romance Domingos Sem Deus, concluiu a pentalogia Inferno Provisório. 
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo é poeta, músico, produtor cultural, artista plástico e editor. Autodidata, atua em diversas áreas, sobretudo nas poéticas experimentais com a voz. Edita a revista Roda - Arte e Cultura do Atlântico Negro, pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Seus poemas revelam forte afinidade com o movimento concretista e com a etnopoesia. Com visão crítica da realidade, Aleixo faz poesia social, mordaz, seca e irônica. 
Marcos Pamplona
Marcos Pamplona é escritor e roteirista. Teve poemas seus selecionados para três Coletâneas do Prêmio Off Flip de Literatura. Como poeta, tem poemas publicados nas coletâneas do Prêmio Off Flip de Literatura de 2006, 2008 e 2010, na revista Jandique e no blog Mallarmargens. Como roteirista, escreveu diversos curta-metragens, entre eles Helena, com Irene Ravache e Silvio Abreu no papel principal. Em 2016 publicou o livro de poemas "transverso", pela Kotter Editorial. 
Fonte: Brasil 247

Le Monde sobre o coronavírus no Brasil: "À beira da barbárie"

Pessoas com máscara para se proteger do coronavírus e Jair Bolsonaro
"A epidemia de Covid-19, descrita pelo presidente Bolsonaro como uma "gripezinha" se intensifica agora em um país onde o sistema de saúde é incapaz de responder a tal desafio sanitário", escreve Bruno Meyerfeld, em artigo publicado no Le Monde
Tradução de Sylvie Giraud, publicado originalmente no Le Monde - Escava-se em todo Brasil. Abrem-se buracos, fossas, aos milhares. Quando se dispõe de um pouco de tempo, com pá e enxada. Com retroescavadeira e maquinário de construção, quando não se tem. Não para plantar café ou encontrar petróleo, como antes. No Brasil de hoje, cavam-se buracos para enterrar corpos.
O Covid-19 chegou e "piora a cada dia", disse Paulo Henrique, jovem coveiro mestiço de 26 anos, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. Nesta terça-feira, 21 de abril, formou-se um pequeno congestionamento de carros funerários entre os túmulos. "É o sétimo que estou carregando hoje, o dobro do habitual. É exaustivo", continua ele, esperando ao volante de seu veículo funerário. A cerimônia não dura mais que cinco minutos, tempo suficiente para o adeus e uma pá cheia de terra. "Está todo mundo apavorado", diz Paulo Henrique.
Em 23 de abril, a epidemia já ceifara 3.313 vidas no Brasil (um salto recorde de 407 mortes em relação ao dia anterior) para 49.492 casos confirmados. Mas quem ainda acredita nos números oficiais? Sobrepujadas, as autoridades falharam em testar vivos e os mortos, algumas mortes devido ao Covid-19 estão sendo registradas com vinte dias de atraso! Estimativas divulgadas pela imprensa sugerem que o número de pessoas realmente infectadas é de 12 a 15 vezes superior ao do número anunciado pelas autoridades. O número de mortos já poderia exceder 15.000 vítimas no pior cenário. E o pico só virá em maio...
Desde já, o vírus golpeia toda Federação: as grandes cidades do sul do país, como São Paulo e Rio, onde concentra-se metade das mortes, mas também o estado Nordestino de Pernambuco ou o Amazonas, às vezes mesmo em terras distantes, em pleno meio da floresta tropical. Nessas regiões, os hospitais públicos já estão quase saturados, com taxas de ocupação para serviços de terapia intensiva geralmente superiores a 70% ou 80%. O que se esperava? Um novo tipo de coronavírus sazonal? Sensível ao calor? Agora não resta dúvida de que o vírus se adapta muito bem ao torpor tropical.
Caça ao leito em todo lugar
É tudo assustador. Tudo isso faz chorar de raiva e de desespero. "Estamos à beira da barbárie", disse em lágrimas o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, desesperado, nesta semana durante uma entrevista. Na maior cidade da Amazônia, o número de enterros triplicou, covas coletivas estão sendo cavadas com escavadeira. Nos hospitais superlotados, os cadáveres estão sendo alinhados nos corredores e os pacientes muito idosos já receberam alta para ir morrer em casa.
Em toda parte, a caça aos leitos, a briga pelos ventiladores. "Uma guerra quotidiana", testemunha um cirurgião do Hospital Geral de Fortaleza, no Ceará, pedindo anonimato. “Estamos lotados, 100% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados e agora todos os respiradores estão em uso. No entanto, tínhamos dedicado um andar inteiro e cinco unidades de terapia exclusivamente para o Covid-19. Mesmo com isso, no dia seguinte, 48 pessoas já estavam esperando por um leito! Nesse ritmo, não duramos quinze dias", preocupa-se ele.
Em Fortaleza, temos sorte: por enquanto, há luvas e máscaras suficientes. Isso está longe de ser o caso em todos os lugares. “No hospital, em São Paulo, uma grande parte da equipe não está equipada e teve de usar capas de chuva e sacos de lixo, comprados no supermercado, para se proteger!”, se enfurece Sergio Antiqueira, presidente do Sindicato dos Funcionários da cidade. Alguns receberam uma única máscara protetora descartável para um mês inteiro. "Essas pessoas estão em perigo", diz ele.

O Brasil está a nu. "Não estamos absolutamente prontos para lidar com essa pandemia", disse Ligia Bahia, especialista do setor de saúde da Universidade Federal do Rio. O país, no entanto, tem dezenas de milhares de leitos de terapia intensiva. Mas "metade está no setor privado: inacessível para a esmagadora maioria da população", lamenta. Resultado: em média, segundo o Instituto Nacional de Estatística, o brasileiro tem hoje que percorrer 155 quilômetros para encontrar um hospital capaz de prestar atendimento complexo, como o exigido pelo Covid-19. No extremo norte da Amazônia, a distância pode chegar a 400 ou 500 quilômetros.
Um vírus? Que vírus? 
A pandemia coloca o dedo na ferida. "O coronavírus mostra o fracasso do nosso sistema democrático, se entristece Ligia Bahia. Desde o fim da ditadura, nos últimos  trinta anos, nunca investimos realmente na criação de um sistema de saúde pública eficaz, que ofereça atendimento aos mais pobres, aos Negros, os mais excluídos, aqueles que serão as primeiras vítimas. [Nosso sistema funciona] principalmente para os ricos. E [nossa] democracia não garante direitos sociais. "
Um vírus? Qual vírus? Apesar da tragédia, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, para quem o Covid-19 é apenas uma "gripesinha", ainda defende o "retorno ao normal". Todo final de semana ele vai ao encontro de seus apoiadores, desprezando as regras sanitárias básicas. "Tenho o direito constitucional de ir e vir", disse o Presidente, abraçando os transeuntes e apertando a mão de uma idosa depois de limpar o nariz no braço ou tossindo diretamente sobre seus apoiadores durante um discurso... O apelidaram então de: "Capitão Corona".
O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, não transmite mais confiança [do que o Presidente]. Avaro de palavras, encerrou as coletivas de imprensa diárias, valorizadas por seu antecessor Luiz Henrique Mandetta, bruscamente afastado do cargo por Jair Bolsonaro na semana passada. Considerado apagado e submisso ao presidente, Teich não convence a ninguém, nem mesmo ao governo. "Tudo está sob controle ... Mas de quem, nós não sabemos!" disse o vice-presidente Hamilton Mourão em público, pouco antes da posse do ministro.
Tragédia anunciada? Segundo as previsões do Imperial College de Londres, se não for controlada, a epidemia pode matar mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.
Felizmente, desde meados de março, substituindo-se ao governo federal, a maioria dos estados, implementou políticas de confinamento mais ou menos rígidas. Mas qual sua eficiência? Apenas um em cada dois brasileiros estaria isolado em casa hoje. Nos bairros de baixa renda, o controle das autoridades é quase inexistente e as ruas estão somente um pouco menos cheias do que o normal.
Pior: à medida que a onda se aproxima, sob pressão combinada do Executivo e da comunidade empresarial, dez em cada vinte e sete Estados já adotaram medidas para flexibilizar, a curto ou médio prazo, o já frágil e parcial confinamento. Prevendo o pior, a cidade de São Paulo ordenou com urgência a escavação de 13.000 novas covas, a compra de 38.000 urnas funerárias adicionais e a construção de um novo cemitério. Para evitar engarrafamentos, os enterros serão realizados agora sem público e à noite, se necessário.
Fonte: Brasil 247

PSL vai pedir impeachment de Bolsonaro

Joice, sobre pronunciamento de Bolsonaro: 'irresponsável, inconsequente e insensível'
Joice, sobre pronunciamento de Bolsonaro: 'irresponsável, inconsequente e insensível' (Foto: Valter Campanato/Agencia Brasil)

A líder do PSL na Câmara dos Deputados, a deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP), protocolou na noite desta sexta-feira (24) um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro. O argumento do pedido é que houve falsidade ideológica na publicação do Diário Oficial, que informou a exoneração de Maurício Valeixo a pedido do próprio
247 - A deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP), líder do partido na Câmara dos Deputados, apresentou um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro. O partido vai argumentar que houve crime de falsidade ideológica na publicação do Diário Oficial da União acerca da exoneração de Maurício Valeixo "a pedido", ex-diretor-geral da Polícia Federal, a pedido dele próprio. 
A reportagem do portal Uol destaca que “o PSL também defenderá "notória tentativa de intervenção de Bolsonaro na Polícia Federal, valendo-se das prerrogativas de Chefe de Estado, com o fim de obter informações sensíveis e privilegiadas de uma instituição cuja independência deve ser pilar do Estado Democrático de Direito, havendo, inclusive, a tentativa de interferir em investigações correntes.”
Fonte:Brasil 247

segunda-feira, 20 de abril de 2020

AS DESASSISTÊNCIAS DE SAÚDE INDÍGENA E O AVANÇO DO COVID-19

Por Rayhatã Pataxó
Em tempos de crise no mundo vemos o quanto precisamos cuidar dos nossos familiares, amigos e pessoas que amamos. Os indígenas sempre sofreram grandes ameaças, começando com os portugueses, continuando com os grandes fazendeiros, além de diversas doenças que atacam e nos matam diariamente. Sofremos também com a falta de política de saúde e essa é uma das questões mais delicadas e problemáticas. Sensíveis às enfermidades trazidas por não-indígenas e, muitas vezes, habitando regiões remotas e de difícil acesso, as nossas comunidades são vítimas de doenças como malária, tuberculose, infecções respiratórias, hepatite e DSTs.
Desde a criação da Fundação Nacional do Índio (Funai), em 1967, diferentes instituições e órgãos governamentais se responsabilizaram pelo atendimento às comunidades. As diretrizes foram alteradas diversas vezes, mas, com exceção de casos pontuais, em nenhum momento a situação sanitária nas aldeias foi realmente satisfatória. Os ataques se intensificaram recentemente com governo federal que lançou uma proposta de repassar à saúde indígena a estados e municípios. Os direitos a saúde indígenas são de competência federal e o governo não pode fugir jogando a responsabilidade para estados e municípios, pois sabemos das limitações de cada território e da importância de manter a SESAI ( Secretaria Especial de Saúde Indígena), fortalecendo-a ainda mais através de ampliar os investimentos e ter um acompanhamento direto principalmente nas comunidades mais afastada. Mas, graças a luta de diversas lideranças, o então ministro da saúde Luiz Mandetta voltou atrás e manteve a saúde indígena vinculada ao seu ministério.
A preocupação dos povos indígenas aumenta ainda mais diante do atual surto do COVID-19, o novo coronavírus, com a eterna crise da falta de acesso à saúde nas comunidades. No dia 09 de abril foi a óbito um guerreiro Yanomame de 15 anos de idade, que testou positivo para a COVID-19 e havia sido internado no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista, desde sexta-feira (3). Foram confirmados no mesmo dia 09, mais duas mortes de indígenas por coronavírus. Trata-se de um homem da etnia tikuna, de 78 anos, e de uma mulher da etnia kokama, de 44 anos. Além desses uma senhora borari de 87 anos e um senhor da etnia Muru de 55 anos, que só tiveram os diagnósticos confirmados após terem sido sepultados. A SESAI contabiliza agora 7 casos , seis no Alto Solimões (kokamas e tikuna) , um em Manaus (Baré, isolado).
Os povos indígenas cobram ao Ministério da Saúde e a FUNAI posições sobre as comunidades que correm risco nesse momento, que precisam de acompanhamento médico e suporte para poder se deslocar das comunidades, pois a dificuldade para chegar no hospital é muito grande. Para além disso, existe a grande dificuldade de se manter, pois, precisam sair de suas comunidades até a cidade para comprar alimentos e mantimentos além de muitos desses territórios estarem sendo tomados por garimpeiros que ameaçam a vida desses povos.

Outro fator são as ameaças aos membros da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), entidade que tem o intuito de alcançar e evangelizar índios em locais remotos e de difícil acesso, fazem pousos e decolagens ilegais em aldeias mesmo com as recomendações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) de se manterem distantes do contato com indígenas para evitar a disseminação do novo coronavírus. A MNTB ingressou por contra própria dentro de uma área onde há a maior concentração de povos isolados do mundo, colocando em risco a saúde desses índios, contrariando a política de não contato sustentada pela Constituição de 1988.
Os povos originários precisam sobreviver e não dá pra se manter vivo sem alimento e sem saúde. Já foram vários povos dizimados por doenças dos não-índios, pela evangelização, catolicismo, e o coronavírus é mais uma ameaça. As comunidades pedem proteção. Em nota mandada à OMS, a APIB – Articulação dos povos indígenas do Brasil pediu a distribuição de kits para teste de coronavírus. E pede também o fortalecimento orçamentário da SESAI encarregada da administração dos 39 Distritos Sanitários Especiais Indígenas, que segundo a entidade está sendo sucateada após a eleição do atual governo. A nota da Apib reivindica também “medidas de prevenção e atendimento para evitar riscos de contaminação pelo coronavírus nas aldeias, sobretudo naquelas próxima a centros urbanos.” A luta pela vida é diária e a necessidade de ter auxílio do governo e parceiros é mais do que necessário. É momento de cuidarmos um dos outros, não esqueçam de cuidar também dos povos que sempre cuidaram dessa terra.

Para que esses povos não sejam dizimados, o governo precisa acelerar o socorro para que as mortes parem de acontecer. É necessário que testes possam chegar às comunidades, que tenham médicos para atendimento e auxílio como a prevenção das famílias, aparelhos respiratórios em hospitais, cartilhas, materiais de prevenção como máscaras e luvas. É importante também fazer com que a entrada e saídas de não indígenas sejam mais controladas e que às fiscalizações aconteçam também nas aldeias onde diversos garimpeiros estão circulando, levando também ameaças aos povos. Pedimos socorro por nossas vidas, parem de matar nossos povos.

O que outras pandemias podem nos ensinar?


Foto: Arquivo do Museu Nacional de Saúde e Medicina/ Wikimedia Commons
 POR NINJA
É comum fazermos comparativos com o passado para tentar manter a calma, ter mais uma referência e pensar soluções para problemas atuais. E no caso da pandemia do novo coronavírus, isso não é diferente.
O historiador Marcos Leitão de Almeida em artigo para O Globo aponta 4 lições que outros momentos na história podem nos ensinar sobre crises sanitárias.
Muitas delas não são a resolução mas apontam para o comportamento que podemos ter e como isso nos forma culturalmente. Preconceito, tentar encontrar culpados, modos de agir em casos de contaminação e o surgimento de novos cientistas e medicações são alguns dos pontos citados.
Podemos entender as lições como uma maneira de pensar e agir diferente, e não reproduzir erros do passado que tem consequências que às vezes transcendem as doenças.

Rotas de expansão humana

Observando a história, notamos que outras pandemias se espalharam através de grandes navegações por rotas comerciais, como a 2º ocorrência da Peste Bubônica no século XIV chegou à Europa pelas rotas comerciais que ligavam a China à Itália. O vírus HIV-1, que na década de 1920 infectou trabalhadores migrantes e mulheres nos centros urbanos da África Central e de lá se espalhou pelo continente através de vias férreas e pluviais até que o avião o levasse para a Europa imperial, os Estados Unidos e o Haiti.
Não se deve pensar em encerrar as rotas comerciais, mas observar como e quando agir para evitar maiores contaminações a partir das origens e não minimizar situações como fechamento de vias e aeroportos como forma de prevenção.

Bodes expiatórios

Chamar o coronavírus de vírus chinês nos remete a expansão do HIV, que por preconceito até hoje mantido, foi chamado de câncer gay e nos Estados Unidos disseminado como castigo divino a comunidade gay. Na África do Sul, onde o HIV se alastrou durante o apartheid, supremacistas brancos chamavam-na de mais uma forma de “swart gevaar”, o perigo negro.

Criação de teorias para encontrar culpados

Durante a epidemia da Aids, surgiu a teoria que a vacinação contra pólio testada em chimpanzés teria transmitido um vírus criado em laboratório para humanos. Percebe a semelhança com os dias atuais?
Inventar culpados não ajuda a encontrar curas e ainda estigmatiza e aumenta o preconceito contra comunidades inteiras.

As pandemias não produzem só coisas ruins

Cientistas incríveis, líderes comprometidos e povos criativos aparecem nesses momentos. Um exemplo é o médico John Snow que, em meio à epidemia de cólera em Londres em 1854, demonstrou que era a água dos londrinos, e não o ar pútrido da cidade, que transmitia a doença. Com isso, a cólera pôde ser combatida com eficiência.
A pandemia também nos mostra a necessidade de não acreditar em soluções milagrosas, não ignorar trabalho de jornalistas, cientistas, historiadores e profissionais de saúde que nos mantém informados das melhores ações a tomar diante de uma situação que desconhecemos.

Fonte: https://midianinja.org

América Latina ultrapassa 100.000 infectados pelo coronavírus

(Foto: Sebastian Castaneda/Reuters/Russia Today)
O Brasil é o país mais afetado pela pandemia na região, seguido pelo Peru
247 - Os casos relatados de infecção por coronavírus na América Latina foram de 100.952 neste domingo (19), enquanto o número de mortes pela covid-19 foi de 4.924, de acordo com um balanço da AFP baseado em dados oficiais.
O Brasil, com uma população de 210 milhões de habitantes, é o país mais afetado pela pandemia na região, com um total de 39.144 casos e 2.484 mortes.
As infecções por coronavírus no Peru, cujos 32 milhões de habitantes são a segunda população latino-americana mais afetada pelo surto, ultrapassaram 15.000 neste domingo, informou o Ministério da Saúde. O total de pessoas afetadas pela pandemia no território peruano é de 15.628, enquanto 400 pessoas morreram da covid-19.
Até o momento, o Chile registrou 10.088 casos confirmados e 133 mortes por covid-19 entre seus 18,7 milhões de habitantes. Enquanto isso, o Equador (17 milhões de habitantes) adiciona 9.468 infecções e 474 mortes, enquanto o México (126 milhões) registra 7.497 infectados e 650 mortes, informa Russia Today. 
Fonte: Brasil 247

Jurista lembra que Rodrigo Maia quebra decoro ao não abrir impeachment contra Bolsonaro

Marcelo Uchôa e Jair Bolsonaro
Marcelo Uchôa e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Reuters)

Por BRASIL 247
Professor Marcelo Uchoa diz que Maia não pode prevaricar diante de um personagem que claramente quebra o decoro presidencial, ao decidir implantar uma nova ditadura no Brasil.
247 – Se o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) se recusar a abrir um processo de impeachment contra Jair Bolsonaro, que ontem explicitou seu projeto de implantar uma nova ditadura no Brasil, ele próprio poderá responder a processo no conselho de ética por prevaricar e não cumprir com suas obrigações constitucionais. A lembrança foi feita pelo professor Marcelo Uchôa, jurista pela democracia, em seu twitter:

"Lembre-se! Ontem (19) FOI O DIA DOS VERDADEIROS DONOS DO BRASIL! OS ÍNDIOS! 19 DE ABRIL – DIA DO ÍNDIO

“Um provérbio indígena questiona se somente quando for cortada a última árvore,
pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.”

HISTÓRICO

Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, estimava-se que havia por aqui cerca de 6 milhões de índios.

Nos anos 50, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a população indígena brasileira estava entre 68.000 e 100.000 habitantes.
Passados os tempos de matança, escravismo e catequização forçada, atualmente há cerca de 280.000 índios no Brasil.
Contando os que vivem em centros urbanos, a população indígena ultrapassa os 300.000. No total, quase 12% do território nacional pertence aos índios.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300 línguas indígenas. Atualmente existem apenas 180. O pior é que cerca de 35% dos 210 povos com culturas diferentes têm menos de 200 pessoas..
Hoje em dia, o que parecia impossível está acontecendo: o número de índios no Brasil e na Amazônia está aumentando cada vez mais. A taxa de crescimento da população indígena é de 3,5% ao ano, superando a média nacional, que é de 1,3%.
Em melhores condições de vida, alguns índios recuperaram a sua auto-estima, reintroduziram os antigos rituais e aprenderam novas técnicas, como pescar com anzol.
Muitos já voltaram para a mata fechada, com uma grande quantidade de crianças indígenas. “O fenômeno é semelhante ao ‘baby boom’ do pós-guerra, em que as populações, depois da matança geral, tendem a recuperar as perdas reproduzindo-se mais rapidamente”, diz a antropóloga Marta Azevedo, responsável por uma pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos em População da Universidade de Campinas.
Com terras garantidas e população crescente, pode parecer que a situação dos índios se encontra agora sob controle. Mas não! O maior desafio da atualidade é manter viva sua riqueza cultural.
Organização e Sobrevivência do Grupo
Os índios brasileiros sobrevivem utilizando os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos rudimentares. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem os instrumentos necessários a essas atividades.
A terra pertence a todos os membros do grupo e cada um tira dela seu próprio sustento.
Existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo: em geral, cabe à mulher o cuidado com a casa, as crianças e a roça; o homem é responsável pela defesa, pela caça (que pode ser individual ou coletiva) e pela colheita de alimentos na floresta.

Os mais velhos – homens e mulheres – adquirem grande respeito por parte de todos.
A experiência conseguida por muitos anos de vida os transforma em símbolos de tradições da tribo. O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.

O Chefe da Tribo
Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas.
A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os chefes devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados.
Muitas vezes ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões.
Alimento – Pesca
Além de um conhecimento profundo da vida e dos hábitos dos animais, os índios possuem técnicas que variam de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis.
Há também armadilhas para pesca, como o pari dos teneteharas – um cesto fundo com uma abertura pela qual o peixe entra atrás da isca, mas não consegue sair. A maioria dos índios no Brasil pratica agricultura.
Cultura Indígena
O esforço das autoridades para manter a diversidade cultural entre os índios pode evitar o desaparecimento de muita coisa interessante. Um quarto de todas as drogas prescritas pela medicina ocidental vem das plantas das florestas, e três quartos foram colhidos a partir de informações de povos indígenas.
Na área da educação, a língua tucana, apesar do pequeno número de palavras, é comparada por lingüistas como a língua grega, por sua riqueza estrutural – possui, por exemplo, doze formas diferentes de conjugar o verbo no passado.
Ritos e Mitos
No Brasil, muitas tribos praticam ritos de passagem, que marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra. Tais ritos se ligam à gestação e ao nascimento, à iniciação na vida adulta, ao casamento, à morte e a outras fases da vida. Poucos povos acreditam na existência de um ser superior (supremo); a maior parte acredita em heróis místicos, muitas vezes em dois gêmeos, responsáveis pela criação de animais, plantas e costumes.
artedeindio
Arte

A arte se mistura à vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos em que uma sociedade indígena se divide, como pode ser utilizada como enfeite.
A tinta vermelha é extraída do urucum e a azul, quase negro, do jenipapo. Para a cor branca, os índios utilizam o calcário.
Os trabalhos feitos com penas e plumas de pássaros constituem a arte plumária indígena. Alguns índios realizam trabalhos em madeira.
A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica e à cestaria. Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são feitos.
Na foto: Vaso Marajoara, proveniente do Pará.

Geralmente, os índios associam a música instrumental ao canto e à dança.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA