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segunda-feira, 6 de julho de 2020

“…E o Vento Levou” deve ser visto pelo que é: uma fantasia perversa sobre a Guerra Civil Americana

Ao retirar o clássico do catálogo para posteriormente reinseri-lo com contexto, Warner e HBO promovem reparação histórica.

Por James Cimino*

Esta semana foi marcada por uma nova polêmica racial, desta veznão envolvendo a polícia, mas a indústria do entretenimento dos Estados Unidos. O serviço de streaming HBO Max, que pertence ao grupo Warner Brothers, decidiu retirar de seu catálogo o clássico de 1939, vencedor de oito Oscar, inclusive de melhor filme, “…E o Vento Levou”.

A decisão foi tomada após John Ridley, roteirista do filme “12 Anos de Escravidão”, publicar um artigo no jornal Los Angeles Times, em que pedia que o filme fosse retirado do catálogo “PELO MENOS POR ENQUANTO”. Essa informação vem em caixa alta porque ela é muito importante e tem sido ignorada no debate.

No mesmo artigo, Ridley disse não acreditar em censura nem que gostaria que o filme fosse “enfiado em um cofre em Burbank”, cidade do condado de Los Angeles onde se encontram os estúdios da Warner. Seu pedido era que, em respeito ao que está acontecendo neste momento nos Estados Unidos, o filme fosse retirado e depois reinserido com outros filmes e documentários que retratassem a Guerra da Secessão com mais fidelidade ao seu contexto histórico.

Segundo Ridley, o clássico dirigido por Victor Fleming e estrelado por Vivien Leigh, Clark Gable, Leslie Howard, Olivia de Havilland e Hattie McDaniel “romantiza os horrores da escravidão”. E ele está certo. Tanto que a produtora, que detém os direitos sobre o filme, decidiu acatar o pedido do diretor.
Por que não se trata de censura
Imediatamente um debate infundado sobre censura tomou conta das redes sociais. Infundado porque a HBO Max realmente pretende remover o filme apenas temporariamente. Segundo porque a ação da produtora e de sua plataforma de streaming não configuram censura. Não foi o governo dos Estados Unidos que exigiu a remoção da obra do catálogo nem tampouco determinou sua destruição.

Não podemos esquecer que censura é sempre estatal e institucional. Pelo menos é isso que sugere a professora Cristina Costa, diretora do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da USP (Obcom), em uma série de reportagens sobre a censura às novelas durante a ditadura militar publicada em 2013 no UOL.

A professora inclusive destaca que a sociedade civil “pode e tem o direito de não querer ver certas coisas na TV, mas não pode ser um órgão do governo que irá decidir isso”. Foi o que aconteceu. Um representante da sociedade civil fez o pedido e a produtora e proprietária do filme resolveu acatá-lo em consideração ao momento político pelo qual o país está passando. E nunca é problema adicionar informação, contanto que o filme seja mantido em sua edição original.

Mas por que este filme que aprendemos a amar por ser um dos primeiros épicos do cinema falado e em cores é tão ofensivo aos descendentes de escravos dos Estados Unidos?
Muita gente que defende o retorno do longa-metragem ao catálogo da HBO Max acusa o estúdio de promover revisionismo histórico, pois o filme faz o “retrato de uma época”. Outra falácia. O pedido de John Ridley se baseia exatamente no caráter revisionista e romantizado que o filme faz sobre a história americana, mais especificamente sobre a Guerra de Secessão (1861 — 1865).
Tanto que não é de hoje que o filme tem gerado polêmica. Sua exibição tem sido cancelada em diversos cinemas do sul dos Estados Unidos desde pelo menos 2017, quando começou o movimento #OscarSoWhite, que criticava a ausência de artistas negros entre os indicados aos prêmios da Academia. Naquele ano, um cinema de Memphis, Tennessee, que sempre exibia o filme anualmente, cancelou a sessão por considerá-lo “insensível”.
As verdadeiras vítimas
Sua insensibilidade reside no fato de que o filme mostra o sul americano como uma vítima da Guerra de Secessão, a guerra civil americana, quando na verdade foram os sulistas, motivados pelo racismo e por seu suposto “direito” a comercializar pessoas, além de torturá-las e obrigá-las a trabalhos forçados. As vítimas dessa época, portanto, eram os negros, que são praticamente apagados do filme ou retratados de forma cômica e servil.

A Guerra Civil Americana começa em 1861 quando Abraham Lincoln é eleito presidente pelo Partido Republicano. Sua principal plataforma era acabar com a escravidão nos Estados Unidos. Lincoln não era de família escravocrata, mas desde criança aprendeu a odiar a escravidão — diferentemente da maioria dos Pais Fundadores da América (John Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, John Jay, Thomas Jefferson, James Madison, and George Washington). Destes, apenas o advogado John Adams, que depois da independência se tornaria o segundo presidente americano, e Benjamin Franklin não tinham escravos.

Thomas Jefferson, que foi o terceiro presidente, que escreveu a Declaração de Independência e cujo memorial em Washington, D.C., mostra um texto seu chamando o tráfico negreiro de crueldade, tinha 607 escravos, além de pelo menos cinco filhos bastardos com uma escrava chamada Sally Hemings. Seus filhos com ela eram seus escravos, não tiveram direito a herança depois de sua morte, e Sally começou seu “romance” com Jefferson quando tinha apenas 14 anos.

Pelos padrões de hoje, o terceiro presidente americano, responsável pela primeira grande expansão americana em direção ao oeste, era um pedófilo. Fora isso, investigações genealógicas sobre os herdeiros negros dele mostram que alguns dos filhos de Sally poderiam ser, na verdade, filhos do irmão mais novo de Jefferson.
Ou seja, ela era estuprada em família. Há quem diga que o que houve entre eles não foi abuso sexual, mas um romance. Outra mentira histórica, afinal, quando uma pessoa é propriedade de outra, que detém poder de vida e morte sobre ela, a psicologia chama de síndrome de Estocolmo, não de amor.

Essa história está documentada não apenas no Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana inaugurado em Washington DC, em 2016, pelo presidente Barack Obama, mas até o museu de Monticello, Virgínia, que foi a propriedade onde Jefferson viveu, cansou de esconder a história de Sally Hemings com o presidente e tem um espaço dedicado a ela.

Enfim, quando Lincoln chegou ao poder, a escravidão e o tráfico negreiro já tinham entrado em declínio. Em 1804, o Haiti declarou independência da França e se tornou o primeiro país a abolir a escravidão. A Inglaterra, que havia começado uma revolução, a industrial, faria o mesmo em 1833.
Lincoln era republicano e os republicanos eram abolicionistas porque queriam trazer para os Estados Unidos a revolução industrial inglesa. Sociedades industriais não utilizam mão de obra escrava, mas assalariada, porque o escravo, embora não receba salário, é muito caro ao senhor, que tem que lhe dar de comer, beber, roupa e abrigo, além de pagar pelo escravo, que naquelas condições de trabalho e tortura não passavam dos 30 anos de vida. Ou seja, embora a narrativa sobre a abolição nos EUA e no Brasil seja romantizada e sempre mostrada como produto de um humanismo que se impôs, não foi nada disso. Ela acaba porque passou a não ser mais lucrativa.

O 16º presidente americano encontrou resistência nos 13 Estados ao sul do Distrito de Columbia, onde está localizada a capital Washington. Estes Estados eram predominantemente agrícolas e não queriam mudar sua matriz econômica, a plantation (monocultura do algodão e do tabaco), cuja mão de obra era escrava.
O que o vento levou
Uma série do jornal The New York Times chamada 1619, que saiu no ano passado, mostra que a escravidão foi responsável pelo início da riqueza americana e que alguns de seus elementos ainda existem em nossa sociedade, como, por exemplo, as cotas de vendas no comércio. Isso vem da plantation, onde os escravos tinham cotas de algodão a colher.
Quem não atingisse a cota tomava o número de libras faltantes em chibatadas. E quem cumprisse a cota, no dia seguinte, receberia uma cota maior. Aliás, essa série do New York Times pretendia fazer um revisionismo histórico ao declarar que a fundação dos Estados Unidos acontecera, de fato, em 1619, quando aportou aqui o primeiro navio negreiro, não em 1776 com a Declaração de Independência.
Apesar da postura dos sulistas quanto à escravidão, Lincoln ofereceu a eles 7 anos para que se adaptassem à nova matriz econômica, mas eles se recusaram. Declararam guerra contra a União e passaram a se autointitular Estados Confederados da América, cheios de empáfia, nacionalismo e muito racismo, mesmo sendo militarmente inferiores. E isso originou um dos conflitos mais sanguinários da história americana, que matou mais de 600 mil americanos e que durou quatro anos — Lincoln estimava que a guerra não duraria mais de seis meses.
A história de “…E o Vento Levou” se passa no período desta guerra, mas mostra os confederados como patriotas que se negam a respeitar as imposições do norte. Isso e a ocultação dos horrores da escravidão no filme consistem, sim, em um revisionismo histórico desonesto, pois seu roteiro, desde a primeira cena, se propõe a mostrar essa “civilização que o vento levou”.
Por isso o pedido do diretor de “12 Anos de Escravidão” para que o filme seja apresentado no catálogo em um contexto mais amplo é importante, já que os efeitos desta guerra se refletem até hoje na vida e nos costumes, inclusive na violência policial contra cidadãos afro-americanos.
Ao fim desses quatro anos de guerra civil, Lincoln foi reeleito e conseguiu fazer lobby para que o Congresso aprovasse a 13ª emenda que proíbe a escravidão em território nacional. Logo depois do fim da guerra, no entanto, um filho de um proprietário de escravos, o ator John Wilkes Booth, assassinou Lincoln enquanto ele assistia a uma peça no Teatro Ford, em DC. Booth achava que, se matasse o presidente, a abolição seria cancelada, o que é uma estupidez, já que quem aboliu de fato a escravidão foi o Congresso. Mas a morte precoce de Lincoln impediu que ele cumprisse seu projeto de reunificação da nação. Ele reunificou o território, mas as perdas do sul na guerra apenas aprofundaram suas cicatrizes.
A nova segregação
Os Estados sulistas resolveram que, como não podiam cancelar uma emenda constitucional, iriam criar leis em seus parlamentos locais para manter a população negra segregada. Leis que impediam os negros de ir ao mesmo banheiro dos brancos, de ter propriedade, de votar, de estudar nas mesmas escolas dos brancos, de dividir espaço com brancos nos restaurantes, no transporte público.
Isso perdurou até 1965, quando foi assinado o ato dos direitos civis pelo presidente Lyndon Johnson, que acabava com a segregação institucional, ou seja, um século depois da abolição estava Martin Luther King Jr. lutando para que os negros tivessem cidadania plena, o que culminou em seu assassinato em 1968, na mesma Memphis que hoje se recusa a exibir o filme. MLK, aliás, aos 10 anos, fez parte de um coral que se apresentou durante a première de “…E o Vento Levou” em Atlanta.
Quando se visita a capital americana, vemos no patamar das escadarias em frente ao Lincoln memorial o exato local onde MLK proferiu seu famoso discurso “I have a dream” em 1963. A escolha do local obviamente não foi por acaso. Em 2010, Obama também inaugurou na mesma cidade o Memorial de Martin Luther King Jr., cuja estátua não tem parte das pernas nem os pés esculpidos. Segundo o artista que projetou o monumento, o chinês Lei Yixin, ele quis simbolizar que, apesar de os afro-americanos terem conquistado muitos direitos, ainda há trabalho a ser feito. De fato, quando se olha para os protestos anti-violência policial contra negros, conclui-se que Yixin estava certo.
A glorificação do passado vergonhoso
Por fim, é muito importante que “…E o Vento Levou” seja visto pelo que ele é e sob a luz do que foi e ainda é a história do racismo americano. E é importante também não esquecermos da pior história envolvendo esse filme, que é o Oscar de atriz coadjuvante para Hattie McDaniel, a Mammy, que nem sequer pôde se sentar com o elenco do filme durante a premiação por causa das leis de segregação racial. Muitos negros, depois disso, a criticavam por aceitar interpretar papéis de empregada a vida toda. Uma vez, ela respondeu: “Prefiro interpretar uma empregada a ser uma.”

Portanto, essa retirada temporária do filme do catálogo da HBO Max é uma boa oportunidade para que se pare de glorificar o passado vergonhoso da humanidade, de lamentar pelas estátuas de senhores de escravos removidas de praças públicas. Esses monumentos são, em última instância, homenagens a esses homens. E qualquer pessoa que veja uma estátua de um escravagista não vai vê-lo pelo que ele foi, mas achar que, se ele está ali, é porque foi um grande homem.
E filmes não são apenas “obras de ficção”? Essa é outra interpretação rasa das artes cênicas. Quantas pessoas veem “…E o Vento Levou” e acham que tudo aquilo é verdade? Filmes históricos são interpretados como fatos por quem não tem as ferramentas intelectuais para analisá-los com profundidade.

Não nos esqueçamos que hoje 30% dos americanos (cerca de 107 milhões de pessoas) duvidam que 6 milhões de judeus tenham morrido no Holocausto, enquanto 3% da população dos Estados Unidos (cerca de 23 milhões de pessoas) acham que o leite achocolatado vem de vacas marrons, sem falar nos que insistem que a Terra seja plana.

Alguém poderia argumentar que grandes filmes fazem revisionismo histórico, como “Bastardos Inglórios” de Quentin Tarantino. A diferença é que, neste filme, o revisionismo histórico é o ponto de partida da narrativa e ele é apresentado ao espectador desde o lançamento. É uma sátira e é vendido como tal.

E outro apontamento importante sobre revisionismo histórico deve ser feito. Sempre vemos historiadores dizendo que a gente não pode julgar a escravidão com os valores de hoje. Não apenas podemos, como devemos. Mas vamos dar um salto em direção ao passado, mais especificamente à Idade Antiga.

Todo mundo que leu a Bíblia sabe por que aconteceu o Êxodo dos hebreus do Egito, certo? Os hebreus eram escravos dos egípcios e tratados com crueldade imensa, o que levou Deus a designar Moisés como seu libertador, certo? Considerando a  Bíblia como um código moral, não como um registro histórico, pode-se concluir que, pela moral do Velho Testamento, a escravidão já era algo intrinsecamente perverso e cruel.
Por que então, de repente, no fim da Idade Média e começo da Idade Moderna, essa prática se tornou algo moralmente aceito? Porque era uma atividade econômica lucrativa. Então essa lenda de que a escravidão acabou porque “o mundo evoluiu” é pura falácia. Se o mundo tivesse evoluído tanto, não teria incorrido em um erro que, segundo a Bíblia, foi punido com dez pragas. Portanto, podemos e devemos julgar a escravidão não apenas pelos valores de hoje, mas também pelos valores de antes de Cristo.

Quanto a “…E o Vento Levou”, não deixemos nossa memória afetiva confundir nosso julgamento. O filme não vai ser queimado em praça pública e merece, sim, ser visto por seus atributos artísticos. Mas a inserção do contexto histórico vai apenas enriquecer a experiência de assisti-lo, não pelo que acreditávamos que fosse, mas pelo que realmente é.

James Cimino é jornalista graduado pela Universidade Estadual de Londrina (PR). Mora nos EUA há cinco e escreve sobre filmes e séries paras diversos veículos de comunicação do Brasil, tendo entrevistado as personalidades mais emblemáticas do entretenimento mundial. No Facebook jamescimino, no Intagram @james_cimino e no Twitter @rei_da_selfie.

Fonte: JORNALISTAS LIVRES

Lideranças indígenas de Pernambuco denunciam invasão de suas terras

PAJÉ CACICA ELÚZIA
No último dia 22 de Junho de, 2020 o pajé Jaguriçá e a Cacica Elúzia, ambos lideranças indígenas da etnia Pankararu-Opará localizada no Município de Jatobá (PE) 452 km do Recife, denunciaram ao departamento Jurídico do Ylê-Oca casa das tradições em Olinda, o conflito que vem ocorrendo em razão de interesses territoriais entre não-índios e índios estabelecidos no Território Indígena Pankararu Opará.
OCORRE QUE, DESDE O RECONHECIMENTO DA T.I. PANKARARU OPARÁ PELA FUNAI, AGRICULTORES NÃO-ÍNDIOS QUE SE ESTABELECERAM NA MESMA LOCALIDADE VEM FAZENDO AMEAÇAS DE VIOLÊNCIA E MORTE AOS INDÍGENAS, JÁ TENDO DESTRUÍDO DUAS EDIFICAÇÕES INTEGRANTES DO SÍTIO RITUALÍSTICO DAQUELA ETNIA E TENDO TAMBÉM QUEIMADO UMA ÁRVORE SAGRADA PARA OS ÍNDIOS NO CONTEXTO DO CONFLITO.
PAJÉ JAGURICÁ PANKARARU OPARÁ
Os indígenas reportam já terem denunciado à situação às autoridades competentes, porém, com o contexto da Pandemia, ainda não tiveram qualquer devolutiva das instituições. A casa das tradições afroindígenas – Ylê Oca, provocou à Defensoria Pública da União e ao Ministério Público de Pernambuco a encetar diligências para mediar o referido conflito de interesse territorial, a fim de minimizar tensões entre índios e não-índios na região e apurando eventuais responsabilidades penais no que tange as denúncias de ameaça e intolerância religiosa veiculadas pelos indígenas, a fim de evitar o agravamento do conflito e ocorrência de mais violações de direitos.

Fonte: JORNALISTAS LIVRES

Revolta dos 18 do Forte de Copacabana

Tenentes Eduardo Gomes, Mário Tamarindo Carpenter, Newton Prado, o civil Otávio Correa e um soldado não identificado. Foto: Zenóbio Couto. Fonte: Correio da Manhã / Biblioteca Nacional
Em 5 de julho de 1922, na capital do país, Rio de Janeiro, ocorreu a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, também conhecida como Revolta dos dezoito do Forte. Foi a primeira ação do movimento tenentista contra a República Velha. A Revolta tinha por finalidade derrubar o governo vigente e demonstrar insatisfação com a maneira que ocorreu a eleição para presidente.
Durante o processo eleitoral no ano de 1921 para presidência da República, o jornal Correio da Manhã publicou cartas ofensivas com a autoria do candidato Artur Bernardes, de Minas Gerais, ao ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca. Bernardes negou a autoria, mas os militares principalmente do Clube Militar onde o Marechal Hermes da Fonseca era presidente ficaram descontentes com a publicação.
As eleições ocorreram em 1º de março de 1922 e o candidato Artur Bernardes foi eleito. Ocorreu contestação e insatisfação de outros estados e principalmente dos militares pela eleição de Bernardes. Os estados com clima político tenso realizaram rebeliões populares, então o exército foi acionado para conter os rebeldes no estado de Pernambuco. Hermes da Fonseca ordenou que os militares não interviessem nas revoltas. Tal atitude causou a sua prisão e o fechamento do Clube Militar. E dentro de todos os acontecimentos políticos, o presidente da república ainda nomeou um civil como Ministro da Guerra.
O descontentamento por parte dos militares mediante as ações do governo ocasionou a elaboração da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. No dia 4 de julho de 1922, o capitão do forte Euclides Hermes da Fonseca — filho do Marechal Hermes da Fonseca que estava preso, apoiado pelo tenente Siqueira Campos preparavam o forte para revolta que iniciaria pela manhã do dia seguinte. Os planos iniciais da revolta eram que alguns estados brasileiros e áreas militares do Rio de Janeiro participariam do levante, porém no final a revolta só ocorreu no forte, pois o governo federal já sabia da organização militar e a impediu.
Tenentes Eduardo Gomes, Mário Tamarindo Carpenter, Newton Prado, o civil Otávio Correa e um soldado não identificado. Foto: Zenóbio Couto. Fonte: Correio da Manhã / Biblioteca Nacional
No dia 5 de julho, o Forte de Copacabana foi bombardeado fortemente a mando do governo. Euclides Hermes da Fonseca e Siqueira Campos receberam um telefonema do Ministro da Guerra, solicitando a rendição do militares. Dos 301 militares que estavam no forte, renderam-se 272. O capitão Euclides Hermes saiu do forte para negociar com o Ministro da Guerra, e acabou sendo preso. Os que permaneceram no forte sob o comando do tenente Siqueira Campos, não bombardearam a cidade como o plano inicial, mas saíram em marcha pela Av. Atlântica, porém alguns militares abandonaram a revolta e restaram apenas 18 militares. No fim da marcha, os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes ficaram feridos além de dois soldados, o restante morreu em combate desigual.
A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana não obteve êxito, entretanto foi a primeira ação articulada contra a República Velha. Após essa revolta iniciaram-se outros movimentos com a mesma ideologia como a Comuna de Manaus (1924), a Revolução de Paulista (1924) e a Coluna Prestes (1925-1927), todas com a mesma finalidade: destituir a Oligarquia Cafeeira.
Referências bibliográficas:
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 1995.
LINHARES, Maria Yedda (ORG.). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

ARAÚJO, Bernardo Goytacazes. A Instabilidade Política na Primeira República Brasileira. Juiz de Fora: Ibérica. 2009.

domingo, 5 de julho de 2020

VÍTIMAS PREFERENCIAIS DA DESIGUALDADE E DO POPULISMO TÊM CLASSE E COR


oscar vilhena vieira
A DESIGUALDADE MATA
É desconcertante a constatação feita pelo Nobel da Economia Jeffrey Sachs, de que 46% das mortes decorrentes do novo coronavírus ocorreram em apenas três países: Estados Unidos, Brasil e México, que representam não mais do que 8,6% de população mundial.

Uma das hipóteses explicativas para essa tragédia humanitária é a conjugação de populismo e desigualdade.

Como foi apontado pelos pesquisadores da Escola de Economia da FGV-SP Nicolas Ajenman, Tiago Cavalcanti e Daniel da Mata, a qualidade da liderança política tem um forte impacto sobre a condução de pandemias.
 
Na ausência de vacinas e remédios eficazes, o enfrentamento de uma pandemia como a do coronavírus depende da capacidade de a liderança política coordenar as ações das diversas esferas da administração pública na prevenção e mitigação da doença e, sobretudo, de conduzir a população a um comportamento coletivo que reduza os riscos de propagação da pandemia.

Como o acesso à informação, especialmente no início de uma crise como a da Covid-19, tende sempre a ser muito desigual e fragmentário, é fundamental que a liderança política seja capaz de construir um forte elo de confiança com a população, de forma a reduzir os comportamentos irracionais e oportunistas, que aumentem o risco de toda a comunidade. 

Para isso é preciso falar a verdade, não negligenciar o conhecimento científico e propor medidas que protejam toda a população, especialmente os grupos mais vulneráveis. Da perspectiva jurídica e moral, a diretriz é clara: ninguém deve ser deixado para trás.

Como sabemos, não é isso que têm feito os líderes populistas de Estados Unidos, México e Brasil. 

Ao negar a virulência da pandemia, desprezar a ciência, boicotar aqueles que estão levando o combate da Covid-19 a sério e estimular a população a não tomar os devidos cuidados com a doença, cada um desses líderes vem dando sua parcela de contribuição para quase metade das mortes relacionadas ao Covid-19 que ocorreram em todo o planeta, até o presente momento, como indica a alta comissária de Direitos Humanos da ONU.
 
A magnitude dessa tragédia sanitária, no entanto, também tem sido potencializada por altos padrões de desigualdade nesses três países. Apesar de sua pujança econômica, os Estados Unidos são o mais desigual entre os países desenvolvidos. 

Da mesma forma, o Brasil, embora se encontre entre as dez maiores economias do mundo, ocupa uma constrangedora posição entre os países mais desiguais do planeta.

Essa desigualdade profunda e estrutural, como aponta Paulo Chapchap, diretor do Hospital Sírio-Libanês, lança os mais pobres numa condição de enorme vulnerabilidade frente ao vírus. A falta de condições sanitárias, a precariedade da moradia, a necessidade de busca diária pelo ganha-pão, afeta desproporcionalmente os mais pobres, mesmo num país dotado de um sistema sofisticado como o SUS.

Como indica a pesquisa SoroEpi MSP, coordenada por pesquisadores da USP, Laboratório Fleury e Ibope, voltada a aferir a proporção de indivíduos que já desenvolveram anticorpos em São Paulo, a maior cidade brasileira vive duas pandemias. O número de infectados é 4,5 vezes maior entre aqueles que não têm o primeiro grau completo do que entre aqueles que têm o ensino superior completo. 

No mesmo sentido, enquanto 19,7% dos que se declararam negros e 14% dos pardos são soropositivo, essa número cai para 7,9% para os brancos.

Se o vírus não discrimina, as vítimas preferenciais da desigualdade e populismo têm classe e cor. (por Oscar Vilhena Vieira).

Postado por celsolungaretti 

SANTO ANTÔNIO COMPLETA HOJE (5) CENTO E TRINTA ANOS DE HISTÓRIA - RESISTÊNCIA E CULTURA! Por Gélson Pessoa

Por Gélson Pessoa - Poeta - Santo Antônio - RN
Hoje cento e trinta anos
Santo Antônio completou
Uma data especial
Que o povo comemorou
Numa festa tão bonita
Que até emocionou.

Nossa cidade é bonita
Cidade que tem valor
De um povo hospitaleiro
E muito trabalhador
Cidade em crescimento
De um futuro promissor.

Mais de vinte mil pessoas
Em *Santo Antônio* hoje tem
Cidade que é cultural
Com muita gente de bem
Povo com caráter nobre
Cidade que eu quero bem.

Santo Antônio é a cidade
*Princesinha do Agreste*
Que é famosa no estado
E em todo nosso Nordeste
Pela hstória de uma onça
Que deu um pulo da peste.

Essa história começou
No Agreste Potiguar
Atravessou  continentes
Virou conversa de bar
Também uma história tória desta
*Não tava nem “camulesta”*
Que não fosse se espalhar.

Ao povo *“Saltooncense”*
Desejo felicidade,
Saúde e muita paz
E também prosperidade
Com Deus dando proteção
E a Senhora da Conceição
Abençoando a cidade.

*Gélson Pessoa*

05 de Julho de 2020

sábado, 4 de julho de 2020

“Por que devem nos inserir na pauta antirracista?" - Sonia Bone Guajajara·



Indígenas também sofrem racismo. Também somos vítimas dos discursos de ódio, sofremos ameaças, somos colocados como seres inferiores e incapazes. Nossas tradições e costumes também são negadas e vistas como um mal a ser combatido.

As proporções e a maneira que o racismo atinge o povo preto é diferente da que atinge as diversas etnias indígenas. Os dois grupos sofrem RACISMO. Ao passo que, enquanto nas cidades o povo preto morre pelas mãos da polícia, nas aldeias nossos parentes perdem suas vidas defendendo suas terras e se vamos morar nas cidades, além da nossa identidade ser questionada ainda temos grandes chances de virar alvo da polícia também. Não se trata de competição de quem sofre mais pelas mãos da sociedade e do Estado.

O que incomoda são os discursos importantes de amigas e amigos pretos quando esquecem de nos mencionar. Isso precisa mudar. Racismo tem a ver com as violações históricas que sofremos e continuamos a sofrer atualmente.

Nossos parentes seguem sendo mortos em suas aldeias, muitas vezes por defender seus territórios contra os avanços capitalistas do que chamam de "civilização". Essa é a história do país e do mundo e precisa ser lembrada como uma prática também RACISTA ou étnico-racial como alguns preferem.

Vidas negras importam significa que essas vidas não foram respeitadas ao longo da construção dessa sociedade. O sistema de polícia, de (IN)JUSTIÇA e de medidas adotadas pelos governos não são pensados nas vidas que não importam. E isso nos inclui.” @adv.julianaguajajara

Obs.: Também gostaria de lembrar que grande parte da população indígena vive nas cidades, nas periferias e também são alvo. Na maioria das vezes declarados como pardos, visto as dificuldades de se declarar indígena na cidade. Nem todo indígena ta na aldeia, nem todo pardo é preto e o genocídio e etnocidio vem de todos os lados.

Imagem de referência da modelo e ativista @haluami

CULTURA - Show sobre Jackson do Pandeiro disponível na web resgata o país valioso

Foto: Arquivo Portal SescSP
FOTO: ARQUIVO PORTAL SESCSP
Quando completou 100 anos de nascimento ano passado, Jackson do Pandeiro (1919-1982) foi homenageado em vários projetos. Há alguns dias, em meio à pandemia, o Sesc São Paulo lançou uma plataforma digital com diversos conteúdos artísticos.
O primeiro álbum musical inédito disponibilizado em formato digital pela plataforma foi uma homenagem ao centenário do Jackson do Pandeiro. As releituras do repertório do brilhante paraibano nesse trabalho são vibrantes e eloquentes, resgatando o lado valioso da cultura nacional.

Com o título de Toada Improvisada – Jackson do Pandeiro 100 Anos e direção artística de Alessandro Soares, o show, gravado em uma unidade do Sesc, conta com músicos conhecidos pela afinidade às peculiares musicais brasileiras: a boa cantora Mariana Aydar, os personalíssimos cantores Silvério Pessoa e Junio Barreto, a espanhola de sotaque flamenco Irene Atienza, Targino Gondim e sua sanfona e o virtuosíssimo francês Nicolas Krassik no violino, além do preciso violão de Gian Correa, Cosme Vieira (sanfona), Kabé Pinheiro (percussão), Vinícius Gomes (bateria), Luiz Maya (guitarra) e Tadeu Gouveia (baixo elétrico).
O repertório de Jackson do Pandeiro é um passeio nos ritmos brasileiros de origem. Ele é bem explorado neste álbum. Um conforto para almas enclausuradas pela pandemia.

A apresentação abre com belos instrumentais de alguns clássicos gravados por Jackson do Pandeiro. Junio Barreto canta Morena Bela, Lágrima e Tum, Tum, Tum.
A encantadora voz de Irene Atienza se revela a seguir em quatro músicas: Bodocongó, Forró de Surubim, Chiclete com Banana e Na Base da Chinela.
Silvério Pessoa, em noite inspirada, relê Um a Um, Papel Crepom, Cabeça Feita e Micróbio do Frevo. Aí entra Mariana Aydar com Casaca de Couro, Capoeira Mata Um e A Ordem é Samba.
O sanfoneiro Targino Gondim vem com Amor de Mentirinha, Tem Pouca Diferença e O Canto de Ema, esta última com participação de Aydar.
O encerramento é com todos no palco cantando Cantiga do Sapo e Sebastiana. A alegria está completa. Jackson foi e é isso. O Brasil pandeiro: “Expressão que não tem par”.
O fato de impor uma divisão rítmica intensa e forte nas músicas que cantou ao longo da carreira, Jackson do Pandeiro acabou se tornando referência para muitos artistas. Um jeito musical peculiar no qual esse show gravado conseguiu resgatar com louvor.
Fonte: caRTA CAPITAL

Relações Indecentes: livro sobre Lava Jato tem download gratuito

Relações indecentes

Relações indecentes (Foto: Reprodução)

O livro ‘Relações Indecentes’, que revela os aspectos ilegais da operação Lava Jato, foi lançado nacionalmente nesta quinta-feira, 2. São 23 autores que comentam a operação, dentre eles Jessé Souza, Lênio Streck, Luis Nassif, Eugenia Gonzaga entre outros.

247 - O livro ‘Relações Indecentes’, sobre os desmandos da Lava Jato, foi lançado com download gratuito nesta quinta-feira, 2 (baixe o volume abaixo). A obra produzida pelo Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Ideclatra) é editada pela Tirant Lo Blanch.
São 190 páginas com uma coletânea de artigos especialmente selecionados. Os autores convidados são profissionais renomados de diversas áreas de atuação e analisam fatos revelados pela “Vaza Jato”, série de reportagens do The Intercept Brasil, que mostrou os bastidores da operação. As relações da Lava Jato com o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, também são alvo de análise dos especialistas.
A obra, coordenada por Wilson Ramos Filho, o Xixo, Mírian Gonçalves, Maria Inês Nassif e Hugo Melo Filho, reúne textos de 23 autores de distintas atuações, desde juristas, passando por economistas, ex-ministros, até jornalistas e sociólogos.
Baixe aqui o livro gratuitamente: https://bit.ly/RelacoesIndecentes
Fonte: Brasil 247

Pedro Cardoso: é burrice tentar dialogar com o governo Bolsonaro

Pedro Cardoso e Jair Bolsonaro
Pedro Cardoso e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Instagram | José Cruz/Agência Brasil).
O ator e escritor Pedro Cardoso disse em entrevista à TV 247 que, em sua opinião, fascistas e nazistas, incorporados no governo Jair Bolsonaro, devem ser excluídos do debate público. “A minha posição é a negação absoluta do convívio. Eu jamais propus não comprar uma coisa pela ideologia do dono da loja, hoje eu proponho”. Assista.

247 - O ator e escritor Pedro Cardoso, em entrevista à TV 247, afirmou que não é possível dialogar ou até mesmo conviver com nazistas e fascistas, que estão atualmente no Brasil incorporados ao governo de Jair Bolsonaro. Para Cardoso, tentar conviver socialmente com estas pessoas é “burrice”.O artista relembrou a encenação de caráter nazista do ex-secretário de Cultura Roberto Alvim, que, na visão dele, escancarou a raiz ideológica de Bolsonaro. Segundo Pedro Cardoso, Alvim é o “eterno secretário de Cultura do governo [Bolsonaro]”. “O Bolsonaro jamais negou aquilo e nem vai negar. O eterno secretário de Cultura do governo dele é esse Alvim, aquela expressão nazista é o projeto dessas pessoas, essas pessoas são completamente doentes, completamente sádicas, eles querem eliminar tudo, tudo, tudo que há de afetivo no Brasil. São pessoas para as quais, eu penso, nós não devemos ter nenhuma condescendência e nenhum diálogo”. 
O ator revelou ainda se sentir constrangido por saber que há brasileiros que adotam discursos e práticas fascistas. “Eu poderia conversar com vários governos brasileiros, eu poderia discutir a cultura brasileira com um governo do partido Novo, com um governo do antigo PSDB, o atual já não sei porque também já não é muito o que foi. Nós poderíamos discutir. Com esse projeto nazista, fascista, eu acho que é uma burrice tentar ter algum tipo de interlocução. A minha posição é a negação absoluta do convívio. Eu jamais propus não comprar uma coisa pela ideologia do dono da loja, hoje eu proponho. Eu me recuso a entrar em uma loja que apoiou e apoia o fascismo e o nazismo do projeto personificado em Bolsonaro. Eu não quero ter relação nenhuma com essas pessoas. Se eles são brasileiros, eu não sou brasileiro. Infelizmente eu tenho constrangimento jurídico de dividir com eles uma nacionalidade, mas é só o constrangimento jurídico. Os brasileiros de quem eu gosto, não são só as pessoas de esquerda, mas são as pessoas decentes”.
Fonte: Brasil 247

Entrevista com Pedro Cardoso

Ary Fontoura: “o país enfrenta uma grave pandemia sem uma liderança responsável”

(Foto: reprodução/ TV Globo)

“Definitivamente, não é uma gripezinha“, declarou o ator em entrevista ao colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, Ary rebateu uma fala de Bolsonaro.

247 - O ator global Ary Fontoura, que foi um dos apoiadores do golpe contra Dilma Rousseff, disse que as ações do governo Jair Bolsonaro frente à pandemia do novo coronavírus e disse que o país não tem liderança.

“Definitivamente, não é uma gripezinha“, declarou o ator em entrevista ao colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, Ary rebateu uma fala de Bolsonaro.

“O país enfrenta uma grave pandemia sem uma liderança responsável”, disse.

Fonte: Brasil 247