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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Estudantes produzem dicionário biográfico Excluídos da História


O dicionário biográfico Excluídos da História foi feito pelos estudantes que participaram da quinta fase da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), iniciativa criada em 2009 pela Unicamp

Do cacique Tibiriçá, nascido antes de 1500 e batizado pelos jesuítas como Martim Afonso de Sousa, que teve papel importante na fundação da cidade de São Paulo a Jackson Viana de Paula dos Santos, jovem escritor nascido em Rio Branco (AC) no ano 2000, fundador da Academia Juvenil de Letras e representante da região norte na Brazil Conference, em Harvard.

Essas são as duas pontas de uma linha do tempo que busca contar a história de importantes personagens brasileiros que estão fora dos livros oficiais, num total de 2.251 verbetes, publicados agora como dicionário biográfico Excluídos da História.

O trabalho foi feito pelos 6.753 estudantes que participaram da quinta fase da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) do ano passado, entre os dias 3 e 8 de junho de 2019, divididos em equipes de três participantes cada.

A olimpíada foi criada em 2009 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e reúne atualmente mais de 70 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio em uma maratona de busca pelo conhecimento em história do Brasil. A competição tem cinco fases online, com duração de uma semana cada, e uma prova para os finalistas das equipes mais bem pontuadas para definir os medalhistas.

Começou com samba

A coordenadora da Olimpíada Nacional em História do Brasil, Cristina Meneguello, explica que a história do dicionário começou a partir do samba enredo da Estação Primeira de Mangueira, escola campeã do carnaval carioca no ano passado, que levou para a Sapucaí o enredo História para Ninar Gente Grande.

Os versos abriram alas para os “heróis de barracões” com “versos que o livro apagou” para contar “a história que a história não conta” e mostrar “um país que não está no retrato” e o “avesso do mesmo lugar”. Versos que caíram no gosto popular antes mesmo do desfile oficial, sendo tocado em blocos de rua e rodas de samba pela cidade.

Segundo Cristina, a discussão sobre os excluídos da história foi intensa entre os historiadores depois do carnaval no ano passado e o tema permeou toda a competição, que começou no dia 6 de maio.

“Logo na primeira fase da prova a gente fez uma pergunta usando o próprio samba enredo da Mangueira. A gente usa documentos variados, letra de música, propaganda, documentos históricos mais clássicos, imagens, etc. A gente já tinha definido que esse seria o tema da tarefa deles para a quinta fase e fomos colocando as perguntas para eles irem entendendo o tema desde a primeira fase”, lembra.

Cristina Meneguello é professora da Unicamp e coordenadora da Olimpíada Nacional em História do Brasil

De acordo com a professora, originalmente não havia a intenção de se publicar o material produzido pelos estudantes. Porém, diante da riqueza e diversidade das pesquisas apresentadas, a coordenação decidiu compartilhar o material com professores, estudantes e todos os interessados, disponibilizando o conteúdo online.

“A gente já sabia que ia ficar uma tarefa muito boa, porque esse conhecimento que eles produzem a partir da escola é sempre muito surpreendente. Mas teve uma série de fatores. O primeiro foi que realmente ficou muito bom o trabalho realizado pelos participantes. Depois, o template que foi criado, com essas quatro páginas como se fosse de um livro didático, ficou um design muito bom e ganhou a medalha de prata no Brasil Design Award no ano passado, como design de sistema educativo”.

Personagens desconhecidos

A escolha do personagem era livre para os estudantes, dentro do critério de ser importante para a história do Brasil e não ser lembrado nos livros didáticos. Cristina diz que o resultado surpreendeu a organização, com verbetes sobre pessoas com importância local e regional, inclusive muitos ainda vivos, mostrando que os participantes entenderam que a história é construída continuamente por personagens diversos, inclusive os que não são apontados pelos historiadores.

“Superou nossa expectativa. Nós observamos que esses personagens desconhecidos são personagens negros, são mulheres importantes para a história do Brasil, são mulheres negras, são líderes locais. Muitos fizeram o verbete de pessoas que estão vivas. São líderes indígenas, pessoas perseguidas na ditadura militar, professores que foram censurados na ditadura militar. Temos de personagens do Brasil colônia até pessoas que estão vivas nesses verbetes”.

Alguns personagens foram lembrados por mais de um grupo, portanto, há verbetes repetidos no dicionário, mas que trazem abordagens diferentes sobre a mesma pessoa.

Mercedes Baptista

O grupo da estudante Juliana Kreitlon Pereira foi um dos dois que escreveram sobre Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A sugestão da personagem foi feita por Juliana, que estava no último ano da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e conheceu a história de Mercedes Baptista pelo professor de História da Dança Paulo Melgaço, semanas antes do desafio da olimpíada.

“A Mercedes sempre fez questão de trazer a dança brasileira para os palcos. Foi uma das coisas que mais me chamou atenção. Ela trabalhou com a Katherine Dunham, uma pesquisadora de movimento e coreógrafa dos Estados Unidos. A Mercedes viu o quanto a gente precisava desse tipo de estudo no Brasil também. Ela recorreu a vários movimentos culturais, coisas que já ocorriam no Brasil mas não tinham holofote. E ela sempre quis trazer bastante atenção para isso”.

Falecida em 2014, Mercedes teve sua estátua inaugurada em 2016 no Largo da Prainha, no circuito Pequena África da zona portuária do Rio de Janeiro.

Juliana se diz muito feliz com a publicação do dicionário online. “Eu não sabia que seria publicado. A gente se esforçou tanto, eu li o livro dela inteiro, até porque era muito interessante. Pensei, poxa, não vai acontecer nada. Quando foi publicado eu fiquei muito feliz porque mais pessoas poderiam conhecer essa bailarina”.

Já a equipe do estudante Lucas do Herval Costa Teles de Menezes decidiu escrever sobre um personagem que representasse o Rio de Janeiro e estivesse presente no cotidiano, mas que as pessoas não percebessem. Um personagem que não tivesse sido completamente apagado da história. O escolhido tem um feriado municipal em sua homenagem em Niterói e dá nome à estação das barcas que chegam do Rio de Janeiro e à praça em frente a ela, onde tem uma estátua: o indígena temiminó Araribóia.

Estátua homenageia o índio Araribóia em Niteroi

“Eu achei interessante a dinâmica que o personagem teve com os povos estrangeiros, no caso, os portugueses e os franceses. Porque, geralmente, quando a gente aprende sobre a relação dos povos indígenas e os povos europeus invasores, a gente não pensa muito em identificar esses povos indígenas, nunca aprende sobre a história individual de uma figura indígena. Eu achei que ele teve uma história individual muito interessante, foi uma figura de liderança, teve muito envolvimento em mais de uma narrativa política daquela época, e isso me chamou atenção.”

O grupo de Lucas foi o único a lembrar de Araribóia, conhecido como fundador de Niterói e figura fundamental na disputa entre portugueses e franceses que levou à expulsão destes.

Olímpiada

A Olimpíada Nacional em História do Brasil permite a participação de equipes de três estudantes de 8º e 9º anos do ensino fundamental e todos os anos do ensino médio, com a orientação de um professor ou uma professora, de escolas públicas e particulares.

Diferentemente da maioria das olimpíadas científicas, a ONHB estimula a busca pelo conhecimento em história, e não avaliar o que o estudante já sabe por meio de uma prova.

“É um sistema de aprendizagem participar de olimpíadas. Ela é muito exigente e não quer aferir se os estudantes já sabem, ela dá tempo para eles estudarem, perguntam para o professor, perguntam uns para os outros. Tem uma pergunta de uma coisa que ele nunca ouviu falar, não viu na escola. Mas do lado tem um texto, ele lê, se informa, pesquisa na internet e volta para responder. Nesse processo ele aprendeu história. Eu não estou muito interessada se ele já sabia, mas se ele aprendeu naquele momento, o nosso objetivo pedagógico é esse”, afirma Cristina Meneguello.

A primeira edição da ONHB, em 2009, contou com 15 mil participantes. No ano passado, o número chegou a 73 mil. Por causa da pandemia de covid-19, a competição deste ano será online, não havendo a prova presencial para os finalistas que normalmente é aplicada na Unicamp.

As fases são compostas por questões de múltipla escolha e uma tarefa que será corrigida por outros grupos. Serão escolhidas 400 equipes finalistas, o dobro do usual, com distribuição de 20 medalhas de ouro, 30 de prata e 40 de bronze, que serão enviadas para as escolas.

Fonte: Agência Brasil

C/ Portal BRASIL CULTURA

Dia do Compositor Brasileiro (7/10) - Portal BRASIL CULTURA


Assim como existe o Dia Mundial do Compositor (celebrado no dia 15 de janeiro), também comemora-se, no dia 7 de outubro, o Dia do Compositor Brasileiro. Neste quesito, o Brasil conta com muitos representantes que justificam a criação da data. Entre os grandes nomes, está Heitor Villa-Lobos, nascido em 1887, no Rio de Janeiro. Autor de aproximadamente 1000 obras, é considerado o maior compositor das Américas. Sua obra também foi importante para formar o conceito de nacionalismo musical e, ao mesmo tempo, representou a música brasileira em outros países. Além de Villa-Lobos, o Brasil também conta com grandes compositores como Chico Buarque, Gonzaguinha, Tom Jobim, Vinícius, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Alceu Valença, Cartola, Noel Rosa, Ivan Lins, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Lenine, Chico Science, Cazuza, Raul Seixas e muitos outros.

08 DE OUTUBRO - DIA DO NORDESTINO! MOVENDO O NORDESTE E O PAÍS AFORA! VIVA O DIA DO NORDESTINO! - CPC/RN


O Nordestino é de fibra, é de garra, é trabalhador, é uma parte do BRASIL! O nordeste se orgulha! Aqui nós temos a carne de sol, o feijão verde, o milho verde, a rapadura, o baião de dois, a ginga com tapioca, o peixe frito, o forró pé de serra, o poeta, sem contar com as lindas praias! O nordestino também ajuda a mover o BRASIL afora! Seja em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e por ai vai!

Nós somos negros, brancos, índios, pardos, etc. Somos somos uma do BRASIL!

O Nordestino é solidário, batalhador, sensato e muito mais!

A Cultura NORDESTINA é RICA! Temos o Forró, o Reggae, o Pagode, o Samba e muito mais!

O NORDESTINO é hospitaleiro, cheio de graça e cabra bom!

O NORDESTINO é PRAEIRO! SANGUE BOM!

O NORDESTE EXPORTA O SAL, O AÇUCAR, O ÁLCOOL, A MELHOR FARINHA DO BRASIL, Exporta GRANDES FORROZEIROS e o melhor de tudo! AMA A SUA TERRA!

Respeito é BOM e NÓS GOSTAMOS! OXENTE, seu menino (Exprime estranheza ou espanto)!

Uma SINGELA HOMENAGEM do CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN! Fundado em 30 de dezembro de 2009!



 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Francesa e americana conquistam o Nobel de Química por descoberta de ferramenta de edição do genoma - Publicado por Diario do Centro do Mundo


Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna venceram o prêmio Nobel de Química de 2020. Nobel Prize.

Originalmente publicado por RFI

A francesa Emmanuelle Carpenter e a americana Jennifer Doudna, especialistas em genética, conquistaram nesta quarta-feira (7) o Prêmio Nobel de Química por suas pesquisas sobre as “tesouras moleculares”, capazes de modificar os genes humanos, uma descoberta considerada “revolucionária” pela Academia Sueca de Ciências. Com essa consagração, a lista de vencedoras do Nobel de Química passa a contar com sete mulheres.

O prêmio recompensa “o desenvolvimento de um método de edição de genes que contribui para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer e pode tornar realidade o sonho de curar doenças hereditárias”, destacou o júri em Estocolmo.

Charpentier, de 51 anos, trabalha em Berlim, onde dirige o Centro de Pesquisas Max Planck para a Ciência dos Patógenos, organismos que são capazes de causar doença em um hospedeiro. A colega Doudna, de 56 anos, efetuou esse trabalho de pesquisa na Universidade de Berkeley, na Califórnia. A francesa e a americana tornaram-se, assim, a sexta e a sétima mulheres a vencer o prestigioso prêmio de Química desde 1901.

Em junho de 2012, as duas geneticistas e suas equipes descreveram na revista Science uma nova ferramenta, com a qual foi possível simplificar o genoma. O mecanismo recebeu o nome Crispr/Cas9 e é conhecido como “tesouras moleculares”.

Enquanto a terapia genética consiste em introduzir um gene normal nas células que têm um gene defeituoso, como um cavalo de Troia, para que consiga fazer o trabalho do gene que não funciona, o Crispr vai mais longe: em vez de adicionar um gene, modifica o gene existente. Seu uso é fácil, barato e permite aos cientistas “cortar” o DNA exatamente onde desejam, para, por exemplo, corrigir uma mutação genética e curar uma doença rara.

A descoberta é recente, mas era citada há alguns anos como uma potencial candidata a um Nobel, que poderia ser de Medicina. A pesquisa, no entanto, enfrenta uma disputa de patentes com o cientista americano de origem chinesa Feng Zhang. Esse litígio provocou o receio de que a premiação não fosse acontecer agora.

As duas geneticistas já receberam muitos prêmios por esta descoberta: o Breakthrough Prize (2015), Princesa das Astúrias na Espanha (2015) e o prêmio Kavli de nanociências na Noruega (2018).

Para William Kaelin, que venceu o Nobel de Medicina no ano passado, esta descoberta genética é uma das maiores da década.

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

Povos indígenas do Xingu estão em situação crítica - Por JORNALISTAS LIVRES

Por: Gislayne Figueiredo e Rosa Lúcia Rocha – Consulta Popular – MT.

Desde a chegada dos primeiros homens brancos no Brasil, o povo indígena vem sofrendo com a violência, o genocídio, os ataques à suas formas de vida e de cultura, tudo isso para se apropriar de suas terras e disponibilizá-las para aqueles que a utilizam segundo a lógica do lucro.

A mesma lógica utilizada – de apropriação da terra mediante o genocídio e etnocídio de povos inteiros – continua sendo utilizada como forma de expansão das fronteiras agrícolas e sob o discurso do desenvolvimento nacional: citamos algumas dessas violências cometidas em período não tão distante, entre as décadas de 1940 a 1960, que foram ricamente documentadas em 1967 pelo próprio Estado brasileiro por meio do chamado “Relatório Figueiredo”, um documento de mais de 7 mil páginas que está disponível na página do Ministério Público Federal e que merece ser conhecido por todos os brasileiros. No documento produzido pelo então procurador Jader de Figueiredo estão descritas inúmeras atrocidades praticadas por latifundiários brasileiros e funcionários do Serviço de Proteção ao Índio contra índios brasileiros naquele período, como assassinatos individuais e coletivos, torturas, prostituição de índias, trabalho escravo, usurpação do trabalho, apropriação e desvio de recursos oriundos do patrimônio indígena, venda de artesanato indígena, venda de produtos de atividades extrativas e de colheita, arrendamento de terras, venda de gado, venda de madeiras, exploração de minérios, doação criminosa de terras, omissões dolosas, dentre outras.

Essas violências continuam até hoje e centenas de povos indígenas que procuram viver em harmonia com a mãe-terra, respeitando-a e preservando-a, têm seus territórios constantemente invadidos por garimpeiros, madeireiros, fazendeiros e pelo agronegócio que, de forma predatória, queimam e arrasam as florestas, as águas e os animais.

Os povos indígenas foram sendo cada vez mais expropriados e confinados em pequenos espaços de terra, os chamados Territórios Indígenas que, em geral, são cercados de fazendas por todos os lados e, muitas vezes, não possuem terras suficientes para garantir a sobrevivência com dignidade desses povos.

A história mostra que uma das estratégias mais utilizadas para matar os indígenas com o fim de tomar as suas terras é a contaminação de grupos com doenças vindas dos brancos, como a varíola, tuberculose e a epidemia de gripe e sarampo que dizimou diversas etnias no século XX.

O Estado brasileiro de hoje, sob o comando de Bolsonaro, impõe um governo de direita (tendendo para a extrema direita) que é declaradamente a serviço dos maiores inimigos dos povos indígenas, ou seja, grandes produtores do agronegócio, latifundiários, madeireiros e mineradoras. Assume uma postura ativa de incentivo e apoio àqueles que invadem e cometem violências contra os indígenas, não apenas se omitindo quanto ao seu papel de fiscalizador, mas propondo ações que violam cotidianamente os direitos constitucionais dessa população, reforçando práticas e discursos genocidas. 

De modo muito conveniente aos interesses desses grupos que dão sustentação ao governo Bolsonaro, o vírus Covid-19 chegou rapidamente aos povos indígenas, tal como pavio de pólvora, com evidentes indícios de negligência para com essa população, sabidamente mais vulnerável a doenças infecciosas.

Diante da pandemia que avança sobre seus territórios, muitos povos indígenas têm se organizado para sobreviver e resistir como podem para impedir a infecção pelo coronavírus, criando barreiras sanitárias nas aldeias, evitando ir às cidades e contando com a solidariedade dos amigos da causa indígena para acessarem produtos de higiene e ferramentas para a pesca, haja visto que o Estado não tem garantido as condições mínimas para a sobrevivência, para evitar o contágio e cuidar daqueles indígenas que foram contaminados.

No estado de Mato Grosso, de acordo com a contabilização feita pela Associação de Povos Indígenas do Brasil, em 11/09 já eram mais de 1600 indígenas contaminados e 73 mortos.

Um apelo por solidariedade aos povos do Xingu

Do Baixo Xingu, pelo whatsapp, chega um apelo por solidariedade pela voz de um jovem indígena, dirigido aos movimentos sociais do campo popular de Mato Grosso:

“Companheiro, estou sem acesso a internet, a gente está isolado. Devido a pandemia, nós mudamos do polo central onde estávamos residindo até o ocorrido, nós perdemos uma família devido às complicações da Covid 19. Na nossa cultura, quando acontece alguma coisa, a gente busca outros lugares para estar com a família. E aí, a nossa família está construindo uma comunidade lá, um lugar pra gente, então não estamos tendo acesso à internet, por enquanto. Mas buscando apoio para em breve ter uma instalação lá pra gente, porque a gente precisa para dar continuidade ao nosso trabalho. Estamos agora bem próximos de um outro povo indígena, eu agora estou tendo bastante contato com eles e pretendo colocar eles em contato com vocês, acho importante a gente socializar, para que o povo branco possa entender como estamos organizados. Então, a gente tem bastante demanda aqui no nosso povo, aqui do Xingu e acredito que tem outros povos indígenas que também têm demandas devido a pandemia… Porque  mudou totalmente nossos hábitos. Tem chegado apoio, não muito, algumas coisinhas. O que o pessoal mais oferece é cesta básica, só que a gente precisa mais do que a cesta básica, como ferramentas, sabão, isqueiro, sabonete, produtos de higiene, faca, facão, lima, essas coisas. Já faz aproximadamente seis meses que a gente está parado aqui… A gente não consegue ter acesso fora da  TIX (Terra Indígena Xingu). Daí eu gostaria de ver se vocês conseguem mobilizar aí alguns parceiros, pegar carona, para que possam nos ajudar, mobilizar, articular para adquirir essas coisas e mandar pra gente também. A gente ficaria muito feliz com isso, as comunidades, que realmente estão precisando. Eu não procurei você antes porque eu também sei que vocês tem a demanda de vocês aí… Mas é que eu vejo aqui, as comunidades super precisam dessas coisas. E não é só cestas básicas. A gente tem alimento da gente aqui também, que a gente consome. Não quer dizer que a gente não precisa também das cestas. Mas não tanto quanto os materiais que as comunidades estão precisando para trabalhar e para dar continuidade no trabalho de roçada. Daí já passa um tempo, aí posteriormente ver o tempo da queimada pras roças, e depois vem o período do plantio das roças… Então a gente vai precisar de bastante material. Eu aguardo posicionamento seu, uma resposta sua para ver o que que você me fala, tá bom? Um abraço até mais.”

Diante da resposta positiva, o reforço:

“Obrigadão aí pela força companheiro, pela parceria também e pela compreensão também. A gente está há seis meses sem sair. Como você sabe o Xingu é muito extenso, são 16 povos. Tem chegado apoio, mas não atende todo mundo, não consegue atender todo mundo, então por isso eu estou falando com vocês. Eu conversei aqui com uns povos parentes, que tem mais ou menos duas ou três aldeias, e tem o meu povo também, né?  Então como a gente está em várias aldeias, então o que que foi a metodologia que eu montei lá. Eu achei que daria para gente dividir os trabalhos com outros parceiros. Então, aqui, a gente conversando, o pessoal aqui e o cacique lá de outra aldeia que fica na região onde a gente mora, a gente decidiu buscar algum tipo de apoio para 10 aldeias que são Parureda, Caiçara, Tuba-tuba, Maidicá, Camaçari, Aiporé, Paranaíta, Castanhal, Três Patos e Ciato. Dessas aldeias, a gente já fez um pequeno levantamento também, a maior população aqui é o povo Yudjá, dá um total de 150 famílias nas 10 aldeias. Então as ferramentas para trabalho, produto de higiene que não falei, o sabão, sabonete, bombril de lavar panela também, creme dental, escova de dentes, essas coisas também são bem vindo. Botinas, chinelos havaianas. Que a gente precisa além das cestas, né? Assim, que nem eu falei, a gente tem a comida nossa que é farinha, bijú, caça… A gente precisa também de óleo de comida, sal, açúcar também que a gente consome hoje, né? Não muito, mas a gente consome para adoçar algumas coisas. Então, por isso a cesta também é fundamental pra gente, é importante também, porque tem algumas coisas também que a gente usa também no nosso dia a dia. Então é isso!”

Essa é a história que motivou os movimentos sociais do campo popular de Mato Grosso  – MST, Consulta Popular e Levante Popular da Juventude, em parceria com a Associação dos Docentes  da Universidade Federal de Mato Grosso (ADUFMAT) lançarem uma campanha conclamando toda a sociedade para doar ferramentas para trabalho na roça, pesca e materiais de higiene e limpeza para atender as necessidade de 10 aldeias da região do baixo Xingu. 

Nesse momento, onde a existência concreta desses povos está mais uma vez ameaçada, é importante nos atentarmos para a importância de fortalecermos a luta pela defesa de suas formas de vida, pela preservação de suas múltiplas e diversas culturas e de seus territórios. Não obstante, para além de apoiarmos a luta, é preciso que nossa relação com os povos originários seja de aprendizagem, que a gente possa aprender com a riqueza de suas culturas e com sua relação de respeito para com a natureza e com outros seres humanos.

As organizações conclamam toda a sociedade a se juntar a essa causa e contribuir com a preservação das comunidades indígenas do baixo Xingu, em Mato Grosso, doando produtos de limpeza, material de trabalho na roça e para pesca (vide lista abaixo). 

As doações podem ser entregues na sede da ADUFMAT, em Cuiabá, ou por meio de depósito na conta abaixo. Mais informações no face da AAMOBEP – https://www.facebook.com/aamobep/  – pelo email aamobep@gmail.com  ou pelo telefone (65)981094569.

Nome: AAMOBEP (Ass. Amigas/os do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes) 

CNPJ: 18.208.193/0001-36

Banco: BANCO DO BRASIL

Agência: 3325

Operação: 1

Conta: 100.113-2

LISTA DOS MATERIAIS SOLICITADOS:


Fonte: Jornalistas Livres

PF pede dados de CPI para confirmar atuação de Eduardo Bolsonaro em esquema de fake news

Em resposta, filho do presidente ataca a Globo e diz que emissora apela para depoimento do "Alexandre Fruta".

PorLuisa Fragão

A Polícia Federal pediu à CPMI das Fake News acesso a todos as informações obtidas em investigações para confirmar a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no esquema de disseminação de notícias falsas. O pedido ocorre após Alexandre Frota (PSDB-SP) entregar uma série de dados à PF sobre a relação do filho do presidente com ataques virtuais contra opositores da família Bolsonaro.

De acordo com o Painel, da Folha de S.Paulo, o interesse da PF é confirmar o vínculo dos IPs dos computadores com Eduardo. Com isso, a corporação vai acessar o conteúdo administrado nessas máquinas e, assim, confirmar se ataques foram de fato direcionados a opositores do presidente Jair Bolsonaro. A decisão sobre conferir acesso aos dados é do relator da CPMI no Congresso, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA).

As informações de Frota foram levadas à PF na semana passada, após depoimento do ex-bolsonarista na CPMI. Entre o que foi apresentado estariam os números de IPs de computadores de Brasília e do Rio de Janeiro ligados a um e-mail oficial do filho do presidente.

Nas redes sociais, Eduardo atacou a Rede Globo por noticiar que dados poderiam ligá-lo ao esquema de fake news. “Globo tem que apelar para depoimento do Alexandre Fruta para me acusar de algo”, escreveu no Twitter, na noite desta terça-feira (6). “@GloboNews delação do doleiro Dário Messer indica suposta lavagem de dinheiro bilionária da família Marinho, dona da Globo. Faz uma matéria aí…”, continuou.

Fonte: Revista Fórum 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

EDUARDO VASCONCELOS PRESIDENTE DO CPC/RN PROMOVEU REUNIÃO COM DIREÇÃO DO GRUPO DE CAPOEIRA "BOA VONTADE" - NOVA CRUZ/RN

 

Eduardo Vasconcelos, coordenando reunião com diretoria do Grupo de Capoeira BOA VONTADE - Nova Cruz/RN - Hoje - 06/10/2020.

Assinaturas dos presentes.
Imagens direto do Túnel do Tempo! Imagem de Jr. Santos - Dirigente do GCBV - NC/RN

Imagens direto do Túnel do Tempo! Imagem de Jr. Santos - Dirigente do GCBV - NC/RN

Hoje (6) a noite o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN e Agente de Cultura, Eduardo Vasconcelos participou de reunião com a direção do Grupo de Capoeira BOA VONTADE - NOVA CRUZ/RN, cuja pauta foi a Assembleia Geral, que ocorrerá dia 14 de novembro, ás 19 horas na sede do Grupo de Capoeira BOA VONTADE, rua José Bonifácio, 08 - Bairro de São Sebastião - NOVA CRUZ/RN, conforme, Edital publicado no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte, dia 30/09/2020, ás 19 horas, com as seguintes pautas: Informes; Reforma Estatutária e Eleição da Nova Diretoria do GCBV - Nova Cruz/RN.

Na reunião de hoje, Eduardo Vasconcelos falou da estruturação da Assembleia Geral, falou da Lei Aldir Blanc e da importância da legalização jurídica do GRUPO, abrindo assim as portas para convênios e apoios para os eventos e promoções do grupo.  Eduardo também falou da união do grupo será importante para o mesmo avance cada vez com incentivos e ações voltadas para o resgate da CAPOEIRA no Brasil e em especial NOVA CRUZ, finalizou, Eduardo Vasconcelos.

O presidente do GCBV, Geraldo Santos agradeceu o incentivo do CPC/RN e prometeu mobilizar todos os alunos, sócios e diretores/as para estarem presentes á Assembleia Geral.

Até lá, outras reuniões virão!





Prêmios Nobel da Paz e da Literatura serão concedidos sob impacto da pandemia - Por BRASIL

Os favoritos para o prêmio de literatura são Maryse Condé, ativista francesa conhecida por suas obras feministas e difusoras da cultura africana, a romancista russa Lyudmila Ulitskaya, e o best seller japonês Haruki Murakami. No prêmio da Paz, concorrem entidades que defendem a liberdade de imprensa, os médicos cubanos e a jovem ativista Greta Thunberg.

247 - Não existem favoritos claros para os Prêmios Nobel de Literatura e da Paz, em um ano onde, por conta da pandemia, todos os holofotes estão voltados para o Prêmio da Medicina. Este último, que por conta do longo processo de escrutínio não pode envolver as pesquisas relacionadas ao combate ao coronavírus, foi concedido aos cientistas Harvey Alter, Michael Houghton, Charles Rice, que identificaram o vírus da hepatite-C com o auxílio da empresa farmacêutica Chiron.

No entanto, como notado pelo jornalista sueco Bjorn Wiman, as mudanças causadas pela pandemia fizeram com que também “[o]utras coisas pareçam mais importantes do que há seis meses atrás.” Para muitos, o apreço à ciência também deve se aplicar sobre a questão da mudança climática, o que torna a ativista pelo clima Greta Thunberg uma das principais candidatas ao Nobel da Paz.

A valorização da imprensa em tempos onde a desinformação prevalece também se mostrou evidente na candidatura de organizações como a Repórteres sem Fronteiras e do Comitê para a Proteção dos Jornalistas. Há também uma forte pressão internacional para que os médicos cubanos, que atuaram em vários países, sejam premiados.

“Durante conflitos, é extremamente importante que jornalistas contribuam para oferecer informação sobre o que está de fato acontecendo, tanto para responsabilizar os culpados e informar o restante do mundo”, declarou Henrik Urdal, diretor do Peace Research Institute of Oslo (PRIO).
Em relação ao Prêmio da Literatura, os jurados se encontram em tentativa de se distanciar das controvérsias do passado. Ano passado, ele foi concedido ao austriaco Peter Handke, que havia negado as atrocidades cometidas pelas autoridades sérvias na Guerra Civil da Iugoslávia, tendo também ao funeral do criminoso de guerra e ex-Presidente sérvio Slobodan Milošević.

Os principais contendores nas casas de apostas para o Prêmio são Maryse Condé, ativista francesa conhecida por suas obras feministas e difusoras da cultura africana, a romancista russa Lyudmila Ulitskaya, e o best seller japonês Haruki Murakami. 

No testamento de Alfred Nobel, ele desejou prestigiar aqueles que mais contribuem para “a fraternidade entre as nações” e para o direcionamento da literatura “na direção ideal.” Neste ano, marcado por conflitos políticos decorrentes da pandemia, o Prêmio Nobel tem a oportunidade de se redimir diante do seu passado recente de controvérsias, se tornando novamente uma fonte de inspiração para a humanidade.

Brasil 247

Morre Zuza Homem de Mello - Por Portal BRASIL CULTURA


Morreu na madrugada do último domingo (4), o músico, jornalista, escritor, crítico, especialista em história da música brasileira, José Eduardo Homem de Mello, o Zuza Homem de Mello, aos 87 anos. De acordo com nota publicada pela família em redes sociais, Zuza morreu de infarto em casa enquanto dormia em seu apartamento, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O velório será reservado para familiares.  A nota assinada pela esposa Ercília Lobo, filhos e netos diz o seguinte: “Com enorme dor no coração comunico que perdemos nosso querido Zuza. Ele morreu dormindo, de infarto, após termos brindado na noite de ontem todos os projetos bem sucedidos. Em 35 anos de uma vida compartilhada, pude testemunhar o amor desse homem pela vida, pelo seu trabalho e pela música. Zuza nos deixou em paz após viver uma vida plena!”.

No sábado, Zuza havia estreado nos canais digitais do @sescsp a participação em uma série intitulada “Muito Prazer, Meu Primeiro Disco”, que trata do disco de estreia de grandes nomes da música brasileira, exaltando ao LP “Louvação”, de Gilberto Gil. Na última terça, dia 29 de setembro, ele havia finalizado uma biografia sobre João Gilberto, que seria publicada até o final do ano. Zuza tinha uma ligação muito forte com Porto Alegre e todo o ano estava pela cidade, mais recentemente nas edições do Poa Jazz Festival, onde foi homenageado na 4ª edição em 2018 e teve o documentário “Zuza Homem de Jazz”, em novembro de 2019, no StudioClio, dentro da programação do 5º Poa Jazz. O documentário fala de sua ligação com o gênero no tempo em que viveu e estudou nos Estados Unidos, nos anos 1950, e o reencontro com amigos como Bob Dorough, Gary Giddins, Steve Ross, Eric Comstock, Wynton Marsalis e Maria Schneider.

Zuza Homem de Mello atuou como baixista profissional nos anos 1950, Em 1955, abandonou o curso de engenharia para dedicar-se à música. No ano seguinte, passou a assinar colunas de jazz para os jornais paulistanos Folha da Noite e Folha da Manhã. Em 1957, passa a frequentar a School of Jazz, em Tanglewood, EUA, onde teve aulas com Ray Brown e outros músicos. Em 1957 e 58, estudou musicologia na Juilliard School of Music, de Nova Iorque. De volta ao Brasil em 1959, Zuza ingressou na TV Record, onde permaneceu por cerca de dez anos. Ao longo desse período, trabalhou como engenheiro de som nos programas de MPB e festivais da emissora, e booker na contratação de astros internacionais. Neste período, passou a realizar palestras e cursos sobre Música Popular Brasileira e Jazz.

Nos anos 1970 e 1980, concentra suas atividades no rádio e na imprensa, produzindo e apresentando o Programa do Zuza, na Rádio Jovem Pan AM; críticas de música popular em O Estado de S. Paulo e para as revistas SomTrês, Nova, entre outras. Em 1997, coordenou a Enciclopédia da Música Brasileira, e em 1982, ao lado de Tárik de Souza, planejou e coordenou a terceira edição da coleção didática História da Música Popular Brasileira, da Editora Abril. Com uma larga experiência como produtor e diretor musical, Zuza dirigiu nos anos 70 a série de shows O Fino da Música, no Anhembi, em São Paulo, que apresentava nomes conhecidos como o conjunto regional do Canhoto, Elis Regina, Elizeth Cardoso, João Bosco, Ivan Lins e Alcione, entre outros.

Nos anos 90, assumiu a direção geral das três edições do Festival Carrefour, que revelou nomes como Chico César, Lenine, Sérgio Santos e Zélia Duncan. Na televisão, apresentou a série “Jazz Brasil” pela TV Cultura e na área fonográfica produziu discos de Jacob do Bandolim, Orlando Silva, Fafá Lemos e Carolina Cardoso de Meneses, Elis Regina. Jornalista convidado para os mais importantes festivais de música do mundo, como Montreux, Edimburgo, Nova Iorque, New Orleans, Barbados, Paris, Midem de Cannes, Tóquio, Montreal e Perugia, Zuza integrou a equipe dos dois Festivais de Jazz de São Paulo (1978 e 80) e foi curador do elenco do Free Jazz Festival desde sua primeira edição, em 1985, e depois do seu sucessor, Tim Festival. Foi membro e ex-presidente da Associação dos Pesquisadores da MPB. Era integrante da Academia Paulista de Letras. Seu primeiro livro foi “Música Popular Brasileira Contada e Cantada” (Melhoramentos, 1976) e o mais recente foi “Copacabana – A trajetória do samba-canção (1929-1958)” (Editora 34/Edições Sesc, 2017).