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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Adnet ironiza Pazuello após fala de "dia D" e "hora H" para início da vacinação no Brasil - Por Brasil 247

Marcelo Adnet (Foto: Reprodução/Twitter)

247 - O humorista Marcelo Adnet usou o Twitter nesta segunda-feira (11) para, em vídeo, ironizar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, após declaração de que a vacinação contra Covid-19 no Brasil terá início no "dia D" e na "hora H".

“A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil. No primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autorização for feita [pela Anvisa], a partir do terceiro ou quarto dia já estará nos estados e municípios para começar a vacinação no Brasil", disse Pazuello.

Luis Fernando Verissimo: Americanamente

Das tantas cenas do Capitólio ocupado que vimos as mais impressionantes eram as de confronto entre os guardas do prédio e os invasores, muito mais numerosos.

Não foi, assim, uma queda da Bastilha, muito menos a invasão do Palácio de Inverno do tzar pelos bolcheviques. Mas foi histórico, americanamente histórico. A maioria dos que entraram à força no Capitólio, onde o poder legislativo se reunia para oficializar a vitória do Biden e a derrota do Trump, era formada por uma mistura de trumpistas iludidos, trumpistas inocentes carregando os filhos, garotada a fim de quebrar tudo e o que lá eles chamam de “red necks”, pescoços vermelhos, uma categoria de caipiras de bunda grande. Trump tinha instruído seus seguidores a marchar pela Avenida Pennsylvania, que vai da Casa Branca até o Capitólio, mas não se lembrara de avisar a multidão a não entrar no Capitólio, o que a multidão fez com grande facilidade.

O Capitólio era surpreendentemente aberto e vulnerável. Qualquer um podia entrar, qualquer um podia assistir a sessões do senado e da câmara ou andar pelos seus corredores. História pessoal: eu cursava um “high school” em Washington e (crianças, tapem os ouvidos) odiava estudar. Decidi, por minha conta, que aprenderia mais fora da escola do que na escola. Passei a frequentar o Congresso, principalmente seu departamento de revistas estrangeiras, e muito andei pelo seu interior sem que me interpelassem. Também frequentava o centro de Washington, onde um dia, por fatalidade, encontrei minha mãe e a Clarice Lispector. Até hoje não sei como expliquei o que eu estava fazendo tão longe da escola.

Das tantas cenas do Capitólio ocupado que vimos as mais impressionantes eram as de confronto entre os guardas do prédio e os invasores, muito mais numerosos. A Segurança do Capitólio por certo mudou desde a minha adolescência, quando a nação temia um ataque nuclear da União Soviética, mas ninguém sonhava com uma cena como a de uma multidão americana acuando guardas americanos. O que o episódio tem de histórico, além do ineditismo – mas as tomadas da Bastilha e do Palácio de Inverno também foram inéditas – é essa reversão de civilidade, a volta de uma incivilidade, ausente desde a guerra da secessão.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Hinos estaduais propagam racismo contra negros e índios

Algumas letras exaltam as figuras de bandeirantes e escravocratas, além de terem versos racistas

A nefasta exaltação a bandeirantes e escravocratas não se resume a estátuas espalhadas Brasil afora. Algumas letras de hinos estaduais elogiam essas figuras e também têm versos racistas. Basta ouvir o hino do Rio Grande do Sul, que detonou esse debate no primeiro dia do ano. Cinco vereadores de Porto Alegre (RS), todos em primeiro mandato e negros, permaneceram sentados quando o hino tocou durante a cerimônia de posse como um protesto contra os versos racistas.

“Mas não basta, para ser livre / Ser forte, aguerrido e bravo / Povo que não tem virtude / Acaba por ser escravo”, diz o trecho que motivou o protesto. Para Luiz Alberto Grijó, professor do núcleo de História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a denúncia de racismo é pertinente. “As pessoas que advogam que isso tem um conteúdo racista – com as quais eu concordo – dizem que esse escravo estaria associado a uma pessoa sem virtude, quase seria uma não pessoa pela falta da virtude”, afirma Grijó.

No hino de Alagoas, os escravos também aparecem com uma conotação racista. A canção diz que o estado “não procria escravos / vence ou morre! / mas sempre de pé!”. Segundo Amailton Magno Azevedo, professor de História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), “a construção desses símbolos no Brasil sempre expressou a ideologia de classes letradas e, em um certo sentido, dos detentores de poder. Os hinos, as bandeiras, a construção de heróis no Brasil teve uma participação popular nula”.

É por essa falta de participação popular, segundo Azevedo, que aparecem com tanta frequência expressões preconceituosas e racistas nos signos que constroem a ideia de nação. Ele dá como exemplo o caso da bandeira da cidade mineira de Ouro Preto, que dizia “precioso ainda que preto” e foi alterada em 2005.

Outros hinos estaduais também exaltam os bandeirantes, igualmente homenageados em estátuas que foram alvo de críticas em 2020. No hino paulista – que evoca uma “São Paulo das bandeiras” –, ele “avança e investe” de norte a sul, de leste a oeste e então “doma os índios bravios”. No Piauí, foi a aventura de dois deles que “a semente da pátria nos traz”. O hino rondoniense diz: “Nós, os bandeirantes de Rondônia / nos orgulhamos de tanta beleza”.

“Esses homens pertencem todos a nossa elite”, afirma diz o historiador Euzébio Assumpção. “Por consequência disso é que se formam hinos de louvor aos bandeirantes e aos farrapos [no caso do Rio Grande do Sul].” Assumpção provoca: “É o imaginário de um pensamento da época que passa por décadas e décadas e vem até os dias de hoje. O que eles representam de fato? O pensamento dominante de uma elite”. O historiador lembra que desde a década de 1970 se discute o racismo nos versos do hino gaúcho.

Para Azevedo, a discussão lembra o debate sobre a retirada de estátuas que aconteceu com força no ano passado. Em sua opinião, ter uma figura como a do bandeirante Borba Gato homenageada em São Paulo, por exemplo, obrigou a população a lidar “com a evocação dessa memória única, exultante, orgulhosa, do bandeirante paulista, em detrimento de outras memórias que também habitaram e continuam habitando a cidade de São Paulo, como as memórias indígenas, negras, como parte fundamental”.

Em raras contrapartidas às letras que homenageiam escravocratas, há trechos antiescravistas em hinos de alguns estados do País. “Fluminenses, eia! Alerta! / Ódio eterno à escravidão! / Que na pátria enfim liberta / brilha a luz da redenção!”, diz o hino do Rio de Janeiro.

No hino de Santa Catarina, a intenção aparece em mais de uma estrofe: “cai por terra o preconceito / levanta-se uma nação”, “quebrou-se a algema do escravo / e nesta grande nação / é cada homem um bravo / cada bravo um cidadão” e “não mais diferenças de sangues e raças / não mais regalias sem termos fatais / a força está toda do povo nas massas / irmãos somos todos e todos iguais”.

De acordo com Cristina Scheibe Wolff, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, a diferença entre os hinos se dá pelo contexto histórico em que foram feitos. No caso catarinense, a letra é resultado de um momento abolicionista que o local vivia.

Os protestos contra os hinos considerados racistas vêm acompanhados de pedidos de mudança dos versos, assim como aconteceu na bandeira de Ouro Preto. “O hino é uma coisa viva, foi trabalhado ao longo desse tempo todo, recebeu arranjos – coisas foram suprimidas, provavelmente coisas foram colocadas. Nesse sentido, essa parte realmente tem uma conotação racista, é inegável”, diz Grijó sobre a canção gaúcha. “Estamos vivendo a emergência de uma intelectualidade que está levando para a arena da discussão pública a sua leitura desses elementos da cultura – e isso é fundamental.”

Segundo Amailton Magno Azevedo, o protesto no Rio Grande do Sul acontece num momento propício para essa discussão disparar no Brasil. “O debate que está posto em torno das questões do racismo, do machismo, das questões da sexualidade, não permite mais aceitar ou compactuar com antigos pactos de construção de nação que foram exigidos no passado”, diz Azevedo. “Esse debate sobre estátuas, que está correndo o mundo todo, questiona esses signos.”

Com informações da Folha de S.Paulo

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Missão da OMS vai à China investigar origem do coronavírus - Revista Fórum

Em comunicado, a Comissão diz que os técnicos da OMS vão cooperar com cientistas locais na investigação.

Na semana passada, Tedros Adhanom, diretor da OMS, disse estar “muito decepcionado” com os obstáculos colocados pelo governo chinês na investigação.

Por Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

Articulações negras importam

Manifestantes invadem prédio do Congresso americano  em Washington  - Foto: Win Macnamee.6/jan/2021/AFP

Fonte: Por Flávio Thales Ribeiro Francisco, Enviado para o Portal Geledés

Em um cenário marcado por uma crise de caráter econômico, político e social causada pela pandemia, a disputa eleitoral nos Estados Unidos aprofundou ainda mais as tensões criadas pela administração do presidente Donald Trump. Enquanto um fenômeno multidimensional da política estadunidense que envolve dinâmicas de classe, gênero e raça, o trumpismo revelou diferentes faces, que na maioria das vezes se materializou em manifestações públicas de homens brancos da classe trabalhadora. Desde as primárias republicanas, Donald Trump flertava com supremacistas brancos que já tinham um canal aberto no Partido Republicano. É sempre bom lembrar que alguns republicanos estimularam a aproximação com o Tea Party, uma organização que construiu uma agenda libertária em 2009, mas, sob a presidência de Barack Obama, logo se metamorfoseou em um grupo de feição racista. Nesse sentido, Trump apenas cumpriu a função de reconduzir supremacistas brancos à política mainstream dos Estados Unidos, inflamando o debate racial que sempre esteve presente entre os temas mais discutidos na esfera pública. Entre discursos sobre o perigo dos imigrantes legais, as trapaças dos chineses e as badernas do Black Lives Matter, o presidente de forma direta ou codificada foi reforçando a associação entre cidadania de primeira classe e as experiências de branquitude.

A América Grande Novamente, embora apoiada por figuras como o rapper Kanye West, não apresentava uma natureza inclusiva, nas entrelinhas o Trump falava do retorno a uma época não exata, provavelmente a década de 1950, em que a ideia de Sonho Americano foi sinônimo de prosperidade branca. Nesse quadro, em uma trajetória de levantes contra a violência institucional da polícia estadunidense que se iniciou no final da era Obama, a militância do Black Lives Matter se transformou em um dos movimentos sociais que mobilizaram a oposição ao governo de Trump. Desde 2013, o movimento vinha pautando o debate sobre a questão racial e as políticas públicas, que ganhou uma dimensão muito maior com o assassinato de George Floyd pela polícia e as manifestações que se espalharam pelas cidades dos Estados Unidos. Donald Trump se esforçou para enquadrar os levantes como insurreições antidemocráticas, mas a força das mobilizações negras contribuiu para o avanço das narrativas sobre racismos institucionais e sistemáticos que prevaleceram nas interpretações sobre as causas das tensões raciais.

Entretanto, os termos levantes e insurreições para se referir aos protestos liderados pelo Black Lives Matter são limitados para dimensionar os esforços dos ativistas negros de diferentes localidades que ao longo dos anos articularam as suas bases e constituíram agendas que englobavam temas além da violência policial, como a precarização do trabalho e o acesso à saúde entre as comunidades negras. No momento em que a crise pandêmica e o assassinato de Floyd deflagraram as manifestações nas cidades estadunidenses, o impulso agressivo das comunidades negras foi conduzido por lideranças que já tinham experiências com as táticas de manifestações de ruas e, por outro lado, já haviam construído o debate sobre o financiamento das polícias. O que num primeiro momento apareceu ser um movimento espontâneo na imprensa era, na verdade, consequência do trabalho de lideranças negras. Essas mesmas articulações seriam retomadas em vários distritos eleitorais para mobilizar o voto negro, incitado pelos discursos racistas do presidente Donald Trump.

Os eleitores negros desde a década de 1940 votavam predominantemente no Partido Democrata, entretanto, apesar de porcentagens entre 85 e 90 por cento para o partido, o comparecimento era menor em comparação aos demais eleitores. O primeiro teste do Black Lives Matters, e tão importante quanto a eleição presidencial, aconteceu no final de junho, quando as lideranças do movimento registraram eleitores negros para apoiar os candidatos ao congresso nas primárias democratas que estavam alinhados com a sua agenda. Jamaal Bowman, da cidade de Nova Iorque, foi um dos mais bem sucedidos e se elegeu para compor “o esquadrão” – grupo de congressistas democratas de esquerda. Para algumas lideranças do Black Lives Matter, a moderação de Joe Biden e de grande parte do partido não poderiam contemplar as demandas das ruas, a estratégia era eleger congressistas mais progressistas e radicais para pautar a agenda do movimento. Entretanto, todo o esforço nessa etapa foi fundamental para impulsionar e ampliar o voto negro, favorecendo Biden na disputa com Donald Trump.

Para além do entusiasmo anti-trump, havia iniciativas financiadas por jogadores da NBA, que incorporaram o protesto do Black Lives Matter aos jogos da liga de basquete. Esse cenário de “levantes negros” foi obviamente capturado pelos democratas que eletrizaram a suas redes tradicionais conectadas com as igrejas, que são espaços tradicionais da política afro-americana. Entretanto, como acima observado, antes das manifestações, os democratas já promoviam o registro de eleitores negros para primárias que envolveram grupos associados ao Bernie Sanders, que contou com o apoio de algumas figuras do Black Lives Matter, e a construção da base de Joe Biden, que contou com as redes mais tradicionais do ativismo afro-americano. Na Carolina do Sul, o congressista negro Jim Clyburn organizou o eleitorado negro que foi o grande responsável pela primeira vitória de Biden em uma das rodadas das primárias democratas. O triunfo no estado viabilizou a candidatura de Biden, considerada até então natimorta, mesmo com o apoio do ex-presidente Barack Obama.

Ao confirmar sua candidatura para as eleições presidenciais, Biden selou o seu compromisso com a agenda negra, escolhendo a senadora negra Kamala Harris para compor a chapa. Obama, que havia participado pouco do processo, começou a fazer discursos mais contundentes e importantes do que os de Biden, explorando a má condução da crise de Donald Trump durante a pandemia. Enquanto os candidatos à presidência se digladiavam, em diferentes partes do território, onde havia a possibilidade de vitória do democrata, as bases negras foram acionadas. Um dos destaques das eleições de 2020 foi o desempenho dos democratas no estado da Geórgia, que tradicionalmente elegia os candidatos republicanos. A vitória foi alcançada graças ao trabalho de Stacey Abrams, que desde 2013 coordenava um projeto de registro de votos de eleitores negros e latinos. Em sua trajetória política, Abrams foi eleita para a Câmara dos Representantes da Geórgia e depois se tornou a primeira mulher negra a disputar as eleições para o governo em 2018, perdendo por uma pequena margem de 55 mil votos. Em 2020, Stacey Abrams assumiu a responsabilidade de “virar o voto” a favor de Joe Biden, retomando a sua experiência de registro de votos e confirmando a vitória no estado.

Essa mesma base mobilizada por Abrams para a eleição presidencial ajudou a eleger os dois senadores democratas: Jon Ossof, o senador eleito mais jovem desde a década de 1970, e Raphael Warnock, o primeiro negro eleito para o Senado no estado. Warnock, durante o processo eleitoral, explorou as suas conexões com a igreja batista em Atlanta e reforçou em sua agenda as desigualdades de raça e classe, recuperando elementos do evangelho social de Martin Luther King, figura histórica do Movimento pelos Direitos Civis que também atuou como liderança religiosa na cidade. Essas disputas eleitorais ganharam destaque da imprensa porque definiram uma maioria favorável aos democratas no Senado, mas também porque, nesse momento de desfecho, reforçaram o simbolismo da mobilização do eleitorado negro que derrotou um presidente que passou quatro anos flertando com supremacistas brancos e elegeu uma chapa democrata moderada que trouxe a reboque figuras negras progressistas.

Os democratas, no entanto, não puderam celebrar a segunda vitória na Geórgia da maneira como desejavam. Antes de se encerrar a transição governamental, Trump foi protagonista de um evento que interrompeu as formalidades para a oficialização da eleição de Joe Biden. Mais uma vez, veio à tona a questão racial, dessa vez não a partir do envolvimento de negros, mas do fracasso de uma turba de brancos que invadiu o Capitólio estimulada pela narrativa de fraude eleitoral sem evidências do presidente. Os indivíduos presentes na manifestação ostentavam símbolos associados à supremacia branca, como bandeiras confederadas, cartazes associados a milícias e camisetas que estampavam frases antissemitas. Um dos pontos mais debatidos foi a condescendência da segurança com os manifestantes, que não enfrentaram o rigor de ações que são comuns contra grupos e movimentos sociais de outras orientações ideológicas, principalmente as organizações negras. Um outro aspecto, comum tanto na cobertura da imprensa estadunidense quanto brasileira, foi o caráter anômalo atribuído ao evento, supostamente sem precedentes históricos.

Ainda que a invasão pudesse ser considerada algo inédito, vários elementos que a compuseram faziam parte da tradição política estadunidense. O ataque a autoridades políticas é um deles, os Estados Unidos tiveram quatro presidentes assassinados: Abraham Lincoln (1865), James A. Garfield (1881), William McKinley (1901), e John F. Kennedy (1963), além de Theodore Roosevelt e Ronald Reagan que foram vítimas de atentados. A formação de turbas para invasão de espaços de autoridade foi recorrente, nos estados do Sul as populações brancas se reuniam em frente a delegacias ou tribunais para linchar negros acusados injustamente de cometerem crimes. Em muitas ocasiões, os policiais convocados para garantir a ordem faziam vistas grossas às movimentações dos linchadores, revelando uma fronteira sem definição entre repressão policial e supremacia branca. Não faltaram casos de cooperação entre policiais e supremacistas para conter manifestantes do Movimento pelos Direitos Civis na década de 1960, que em várias situações acabaram mortos em ataques violentos. Mas esse é um comportamento que não ficou no passado, em uma das manifestações do Black Lives Matter nas recentes jornadas, um adolescente branco de 17 anos armado atirou e matou dois manifestantes enquanto “cooperava” com as forças policiais.

As articulações negras que se traduziram em uma forte presença do eleitorado negro nessas eleições contribuíram para dar um fim ao governo de Donald Trump. Entretanto não há um consenso sobre o futuro dessa base extremista e supremacista que se transformou em um ativo eleitoral, garantindo uma votação contundente em alguns estados democratas, inclusive Nova Iorque, evitando uma onda pró-Biden. A invasão no Capitólio pode ter sido o início da retração dos supremacistas na política mainstream, ou o primeiro passo para a reconfiguração dessa base sob a liderança de outro republicano. O fato é que, assim como os demais elementos elencados acima, a supremacia branca tem o seu lugar cativo na sociedade. Esse fenômeno não pode ser tratado como uma anomalia, a não ser que se aceite o discurso do excepcionalismo da democracia estadunidense. Manifestações públicas de supremacistas ocorreram ao longo da história sem violar o sentimento de normalidade democrática de muitos cidadãos. Em 1939, por exemplo, o Madison Square Garden, um dos mais importantes palcos de eventos na cidade de Nova Iorque, recebeu um encontro de 20 mil nazistas em um ato pró-América. Já David Duke, que serviu como Wizard da Ku Klux Klan, foi membro dos dois partidos políticos nos Estados Unidos e eleito representante na câmara legislativa da Louisiana na década de 1980. O negacionismo e o conspiracionismo presentes nos discursos de Donald Trump foram reproduzidos por outros nomes do Partido Republicano e também sempre tiveram espaço na programação da Fox News.

Portanto, os Estados Unidos, em sua complexidade, produziram figuras como o Martin Luther King, que tinha uma ideia radical de democracia, e autoritários como George Wallace, que encarnou o espírito da supremacia branca nos anos 60. O simbolismo do engajamento negro nas últimas eleições por si só não é suficiente para assegurar iniciativas voltadas para a população negra, por isso as articulações negras que elegeram os democratas cumprirão um papel importante na reconfiguração da democracia estadunidense na era pós-Trump.

Flávio Thales Ribeiro Francisco. Professor dos Bacharelados de Ciências Humanas e Relações internacionais da UFABC.
** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE. 
Fonte: https://www.geledes.org.br

Posicionamento das entidades estudantis: Por um Enem em segurança e sem desigualdade - POR UNE/UBES

Faltando apenas 09 dias para o Exame, não há respostas sobre as medidas de segurança sanitária que deveriam ser tomadas, nem sequer como os recursos destinados a esse fim teriam sido utilizados.

Desde o início da pandemia no Brasil, temos alertado ao governo e às autoridades dos enormes impactos que seriam causados à educação, situação que exigiu, e ainda exige, medidas firmes do poder público, de investimentos à coordenação de ações e estratégias, porém elas não estão acontecendo ou têm sido absolutamente insuficientes.

Assim tem sido também em relação ao ENEM 2020, uma prova de dimensão nacional, que envolve quase 6 milhões de estudantes na maior parte dos municípios do Brasil. Soma-se a isso, o fato de que a ausência de aulas presenciais e a falta de iniciativa do Ministério da Educação em dar condições para que os estudantes pudessem ter o mínimo em redução de impactos, o que prejudica especialmente os jovens mais pobres das escolas públicas e que têm dificuldades de acesso à internet ou piores condições de estudo em suas casas, envolvidos em diversos problemas sociais, econômicos e psicológicos.

Logo, o que se esperava, desde o início, era que o MEC estivesse na linha de frente, propondo e coordenando um Grupo de Trabalho com ações estratégicas e investimentos que buscassem reduzir as desigualdades aprofundadas pela pandemia, seja no decorrer do ano letivo ou na realização da prova do ENEM.

Tanto essas medidas não aconteceram, quanto os números de contaminações e mortes por Covid-19 voltaram a crescer exponencialmente recentemente, o que ocasionou por sua vez o endurecimento em restrições de contato social em diversos estados, com novamente fechamento de estabelecimentos.

Diante da situação atual, mais uma vez, o MEC não dialoga com entidades e com a sociedade sobre a situação do ENEM, e como ela poderá ser realizada em segurança, mesmo sendo cobrado diversas vezes pela UNE e pela UBES. Vale ressaltar ainda que diante da consulta pública feita pelo próprio MEC a escolha dos estudantes para realização da prova foi o mês de Maio, resultado que foi desconsiderado.

Portanto, faltando apenas 12 dias para o Exame, não há respostas sobre as medidas de segurança sanitária que deveriam ser tomadas, nem sequer como os recursos destinados a esse fim teriam sido utilizados.

Essa instabilidade gera não só um impacto emocional elevado aos milhões de jovens e adultos que se preparam para o ENEM, como também coloca em risco a segurança da vida das pessoas com a realização das provas em um ambiente de crescente contaminação (milhões de pessoas em salas de aulas fechadas distribuídas por todo o país e com poucas informações acerca da segurança necessária podem ocasionar em um verdadeiro desastre). Além do fato de que não há confiança por parte de muitos estudantes, seja pelo cuidado com a saúde, muitos em grupo de risco, ou mesmo pelas restrições impostas nos estados e municípios. Para nós, o ENEM e os demais programas de acesso à universidade, são importantes e não podem ser enfraquecidos, se utilizando dessa situação, porém, em um claro posicionamento pela segurança e em defesa da vida e para que não haja ainda mais desigualdade entre os candidatos, acreditamos que a necessidade de adiamento do ENEM é fruto da falta de organização e transparência do MEC, e serviria para a criação de uma estratégia efetiva de garantia da segurança sanitária para realização da prova, sem prejuízos para os instrumentos de seleção como o SISU, PROUNI e FIES.

7 de janeiro de 2021,

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
União Nacional dos Estudante

Adaptado em 11/01/2021 - CPC/RN

Morre o jornalista e produtor artístico Raphael Acioli, de apenas 36

Jornalista e produtor cultural Raphael Acioli (Foto: Reprodução - Instagram).

247 - O jornalista e produtor cultural Raphael Acioli morreu nesse domingo (10), aos 36 anos, no Recife, depois de ser internado há mais de um mês no hospital Memorial São José, na capital, por causa de complicações renais. Na UTI, foi infectado pela Covid-19.

O velório de Raphael será realizado, nesta segunda-feira (11), a partir das 8h, no cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, região metropolitana. O sepultamento está marcado para as 14h.

De acordo com a jornalista Hígia Oliveira, amiga de Raphael, o produtor "foi internado, no fim de novembro, devido a complicações de um problema renal crônico". "Teve uma crise e foi para o Hospital Memorial São José. Fez o teste de covid-19 no início do internamento e deu negativo. Precisou fazer diálise. Depois, na UTI (unidade de terapia intensiva), realizou novamente o exame, que positivou. Ficou recuperado da covid-19 e foi para a UTI geral, mas não conseguiu restabelecer o quadro renal", disse.

Fonte: Brasil 247 - Cultura

sábado, 9 de janeiro de 2021

Genival Lacerda morre aos 89 anos, vítima da Covid-19 - Potiguar Notícias

O cantor Genival Lacerda, de 89 anos de idade, morreu por complicações da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus na manhã desta quinta-feira (7). Ele estava internado na UTI desde o dia 30 de novembro e, segundo recentes comunicados da assessoria de imprensa dele, seu estado era grave e ele respirava com a ajuda de aparelhos.

Com mensagem breve em seu Instagram, o filho do cantor, Genival Lacerda Filho, revelou a informação no começo da manhã desta quinta-feira (7). "Painho faleceu", disse em seus stories.
 
O artista deu entrada no hospital no último dia 30 de novembro para tratamento da doença e chegou até a ter uma breve melhora no quadro clínico. Aos 89 anos de idade e 68 anos de carreira, Genival, que era paraibano e cidadão recifense, seguiu lutando até o último minuto.
 
O Rei da Munganga, como ficou conhecido em todo o Brasil, será eterno na memória de todos que o acompanharam durante mais de meio século; Eram crianças, adolescentes, jovens e idosos que admiravam o trabalho desse artista que elevou o nome da sua cidade natal, Campina Grande, e que representou o povo do Nordeste bravamente com a irreverência que será lembrada para sempre por todos os Brasileiros.
 
O Paraibano ficou conhecido pelo estilo musical e pelo espírito cômico que tinha. Também com o estilo próprio de cantar, pela alegria de ser nordestino e mostrar que música pode ter bom humor. Genival começou os trabalhos como radialista nas rádios Borborema e Caturité, o programa era líder em audiência e se chamava O Forró de Seu Vavá. A música Severina Xique Xique foi um marco na carreira para os outros sucessos como Radinho de Pilha, fenômeno, que vendeu mais de quinhentas mil cópias em todo o Brasil. Emplacando logo em seguida Mate o Véio que caiu rapidamente no gosto popular. A música Quem Dera ficou em primeiro lugar de audiência nas rádios de todo o Brasil durante muitos anos"
 
ÚLTIMO LAUDO
 
No dia 3 de janeiro, o cantor apresentou piora no quadro clínico com nova infecção no pulmão. "No dia 31 de dezembro de 2020 houve uma piora no quadro de saúde de Genival Lacerda, uma queda na pressão arterial que precisou ser controlada com medicamentos e uma nova infecção no pulmão, sendo necessário novos antibióticos para combater a infecção", disse o filho de Genival, João Lacerda, que também contou, em recente entrevista para Quem, que a família chegou a tomar todos os cuidados para tentar evitar que ele fosse acometido pela doença.
 
No último 30 de novembro, Genival Lacerda foi internado na UTI após testar positivo para a Covid-19. Em meados de maio, o cantor já tinha passado pelo hospital e sido internado após sofrer um AVC. Segundo o Jornal do Comércio, o cantor paraibano estava em casa quando passou mal.

Fonte: Potiguar Notícias

Diário do bolso: esse Lira eu toco - Por JORNALISTAS LIVRES

É que em 2012, seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com dinheiro escondido embaixo da roupa. E, por causa disso, seis anos depois a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o Lira por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas até agora não deu em nada. Isso mostra que ele também é experiente em enrolar a justiça, o que é muito importante.

Por José Roberto Torero* Diário, o Arthur Lira, meu candidato à presidência da Câmara, é um cara muito experiente.

Por exemplo, ele já tem uma boa experiência com essa história de dinheiro na cueca.

É que em 2012, seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com dinheiro escondido embaixo da roupa.

E, por causa disso, seis anos depois a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o Lira por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas até agora não deu em nada. Isso mostra que ele também é experiente em enrolar a justiça, o que é muito importante.

Ele também é experiente nesse negócio de rachadinha, e por isso não vai encher o saco do Flavinho. O Lira (que devia se chamar Dólar) foi acusado pelo Ministério Público Federal de chefiar um rachadão na Assembleia Legislativa de Alagoas. E digo rachadão porque a bufunfa deu uns R$ 250 milhões, entre 2001 e 2007.

Só para ele, esse esquema teria dado uns R$ 500 mil por mês. E o Lira (que devia se chamarEuro) até está pagando (parceladamente, sem nenhuma pressa) quase R$ 2 milhões de Imposto de Renda sobre esses “recursos de origem desconhecida”. Ou seja, o cara também é experiente em botar tapete em cima da sujeira.

Segundo o Ministério Público Federal, ele também é experiente em usar empresas para simular negócios. E fez isso na Assembleia Legislativa de Alagoas para “lavar” dinheiro desviado.

E ainda não acabou não, pô!

O Lira (que devia se chamar Libra Esterlina) já foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa. Mas, apesar da Lei da Ficha Limpa, ele conseguiu uma liminar na Justiça de Alagoas e tomou posse em 2018 como deputado federal. Ou seja, o cara também é bom no trato com juízes.

Diário, ele é experiente em enrolar a lei, em rachadinha, em lavar dinheiro, em esconder umas notas na cueca (do assessor, o que é mais higiênico) e em convencer juízes. Pô, o cara é perfeito para mim!

Tenho que eleger esse sujeito de qualquer jeito. O Lira se encaixa no meu estilo de governo feito uma mão na luva. Ou um dedo no nariz.

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

#diariodobolso


Ferréz: falta tirar da invisibilidade o que a periferia já faz

Ferréz (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Escritor diz que a periferia já promove todos os tipos de atividades políticas e culturais, mas a sociedade como um todo não enxerga a riqueza desta região e suas iniciativas. “A periferia tem muita coisa e já faz muita coisa, o que falta é as pessoas acordarem”. Assista na TV 247.

247 - Novo comentarista semanal do programa Boa Noite 247, onde participará às terças-feiras, o escritor Ferréz, do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, trouxe o olhar da periferia sobre a situação do Brasil, das fake news relacionadas à vacina e a opinião dos moradores sobre Jair Bolsonaro.Comentando a proposta do jurista Alysson Mascaro de criar pelo Brasil centros socialistas de discussão para romper com a lógica do capital, Ferréz afirmou que a iniciativa não tem chances de dar certo na periferia.

Segundo ele, as zonas mais pobres do país já contam com todos os tipos de atividades culturais, mas a elite brasileira não enxerga este fato. Para o escritor, é preciso tirar da invisibilidade os eventos promovidos por esses bairros, e não “reinventar a roda”.

“O que falta é tirar da invisibilidade, o que falta é dizer: ‘tem um sarau na Zona Sul de São Paulo que junta 300 poetas anônimos e todos eles recitam, e tem público para assistir esses poetas anônimos. A maioria deles que não tem nem livros’. Falta tirar da invisibilidade o que a periferia já faz. A periferia tem muita coisa e já faz muita coisa, o que falta é as pessoas acordarem e falarem: ‘bom, isso aqui eu reconheço, eu participo, eu faço parte’. Por que é isso, o político sempre está de um lado e a população está do outro. Então como demonizaram a política fica muito mais fácil de dominar, mas a periferia já tem tudo, não adianta inventar nada. Se você falar, ‘quero um centro de discussões para pensadores marxistas’. Tem. É só você procurar no lugar certo que você vai achar. ‘Quero uma editora de periferia’. Tem. Gravadora de periferia tem, estúdio tem, tem tudo. O que não tem é a legitimidade, é tirar da invisibilidade, é você mostrar para o povo, o outro lado, da elite, que isso existe, é tirar mesmo da margem”, falou.

Fonte: Brasil 247

Lady Gaga pede impeachment de Trump após invasão do Capitólio

Lady Gaga (Foto: Reuters)

"Ele incitou o terror doméstico - quanta violência mais precisa acontecer? Isso é terrorismo”, afirmou a cantora pop Lady Gaga.

247 - A cantora pop Lady Gaga, que fez campanha para Joe Biden (Democrata) nas eleições norte-americanas de 2018, se juntou ao coro de celebridades que estão pedindo o impeachment de Donald Trump (Republicano) após o presidente dos Estados Unidos incitar a invasão do Capitólio, sede do Legislativo nos EUA.

Em publicação no Twitter nesta sexta-feira, 8, Gaga disse preferir o impeachment ao afastamento de Trump pela 25ª Emenda, porque esta última não impede Trump de voltar a se candidatar.

“Espero que nos concentremos no impeachment de Trump para que o Congresso tenha autoridade constitucional para possivelmente desqualificá-lo de futuras eleições - a Emenda 25 não o desqualifica. Ele incitou o terror doméstico - quanta violência mais precisa acontecer? Isso é terrorismo”, afirmou a cantora.

Fonte: Brasil 247