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sábado, 9 de abril de 2022

Classe trabalhadora aprova agenda para derrotar Bolsonaro e reconstruir o Estado brasileiro

 


Publicado 08/04/2022 - Atualizado 09/04/2022

Aconteceu na última quinta-feira (7) a Conferência da Classe Trabalhadora (Conclat), que reuniu as centrais sindicais CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB, Nova Central, Conlutas, Intersindical e Pública. Os trabalhadores e trabalhadoras aprovaram a Pauta da Classe Trabalhadora, documento em defesa de emprego, direitos, democracia e vida que agora será apresentado aos presidenciáveis de 2022, e aos representantes no Congresso Nacional, Senado e Supremo Tribunal Federal.

A Pauta da Classe Trabalhadora foi aprovada na Conclat 2022

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a Conclat foi um momento de reflexão, cujo objetivo é promover a consciência da classe trabalhadora, a fim de caminhar para a construção de um novo governo, mais democrático e popular. “A vida não está boa nem pra você, nem pra ninguém, o desemprego é avassalador, ronda os lares das famílias brasileiras, o preço do botijão de gás, da gasolina, a carestia dos alimentos há de provocar uma indignação, um clamor por mudanças urgentes. A Conclat serviu também para promover a consciência da nossa classe trabalhadora tão sofrida, objetivando evidentemente caminhos que possam justificar o alcance de um governo democrático e popular para que o povo tenha o direito de ser feliz”.

Desde o golpe de 2016, que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff, a condição de vida dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras piorou, e muito. O desemprego atinge o maior índice das últimas décadas, com quase 20 milhões de desempregados, a inflação é a maior em 28 anos, o preço dos alimentos, do combustível e do gás de cozinha penalizam não só os mais pobres, mas a classe trabalhadora como um todo. O documento aprovado nesta Conclat traz uma série de propostas que buscam reverter esse quadro desastroso e apontam para um futuro com estabilidade financeira e social, direitos garantidos e soberania popular.

Segundo o secretário geral da CTB, Ronaldo Leite, “a Conclat 2022 buscou apresentar uma nova agenda da classe trabalhadora de reconstrução do Estado, de combate ao desemprego, combate à política que o governo Bolsonaro vem desenvolvendo de desmonte do Estado. Daqui em diante nós teremos não só os encontros estaduais dos trabalhadores, como também vamos travar uma batalha ao longo deste ano de 2022 que será a disputa pela retomada do nosso país”.

O lema da Conclat foi “emprego, direitos, democracia e vida”, e segundo Leite, é o resultado da unidade das centrais sindicais que têm como principal desafio este ano derrotar Bolsonaro e defender os direitos da classe trabalhadora. Agora, com este documento em mãos, os dirigentes sindicais partem rumo à Brasília para defender os direitos da classe trabalhadora frente às autoridades pertinentes. Eles participam, na próxima segunda-feira (11), do lançamento das Agendas Legislativa e Jurídica das Centrais Sindicais, a ser realizado na Câmara Federal e no Senado, com a presença dos presidentes das Casas, Arthur Lira, e Rodrigo Pacheco, respectivamente. O evento será transmitido através das redes oficiais das centrais, entre elas a CTB, bem como pela TV Senado. 

Fonte :CTB NACIONAL

Atos #BolsonaroNuncaMais deste sábado (9) já estão confirmados em 60 cidades - Escrito por: Redação CUT

Tenes1) Protestos organizados por movimentos populares e centrais sindicais, entre elas a CUT, são contra a carestia, o aumento dos preços dos alimentos, contra a fome e o desemprego.

Brasileiros e brasileiras estão organizados para ocupar as ruas de várias cidades, neste sábado, 9 de abril, para protestar contra o governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela disparada da inflação, altas taxas de desemprego e de trabalho precário, sem direitos e a volta da fome e da miséria.

Os atos #BolsonaroNuncaMais, organizados por entidades como a CUT e movimentos populares que integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo já estão confirmados em 60 cidades (veja relação abaixo).

“Este ano é um ano decisivo para as nossas vidas, é o ano que vai definir que futuro queremos para o nosso país, para nós, nossas famílias e todo o povo brasileiro”, alerta Secretária0Geral da CUT, Carmen Foro.

“Por isso, estar nas ruas protestando e denunciando o governo Bolsonaro, além de um ato de resistência é um ato de conscientização da população sobre a tragédia que vivemos”, complementa a dirigente.

E motivos para protestar não faltam, é carestia, é falta de trabalho decente e bem remunerado, a fome que afeta mais de 20 milhões de brasileiros, os altos preços dos combustíveis que se refletem em toda a economia brasileira corroendo cada vez mais o poder de comprar dos brasileiros, em especial os mais pobres, pontua Carmen.

“O Brasil vive hoje o pior momento de sua história, um período que começou com o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff e que fez o país chegar no fundo do poço com Bolsonaro. Nunca o pais foi tão assolado por ataques a direitos, falta de investimentos no básico como saúde, nunca tivemos um presidente que fosse tão desumano como Bolsonaro. Basta ver o enfrentamento à pandemia”, diz a Secretária-Geral da CUT.

Veja os locais onde manifestações já estão confirmadas

Acre:

Rio Branco - Mercado Velho, 16h

Alagoas

Maceió - Praça dos Martírios, 9h

Amapá

Macapá - Praça da Bandeira, 16h 

Bahia

Salvador – Concentração no Campo Grande, 14h

Ilhéus - Praça do Teatro no Centro Histório, às 12h

Itabuna - Praça Adami, às 9h

Feira de Santana – Estacionamento em frente à prefeitura, 8h30

Ceará

Fortaleza - às 15h, na Praça Portugal

Distrito Federal

Brasília – Museu da República, 16h

Goiás

Goiânia, a concentração será às 16h na Praça do Trabalhador.

Jataí - Praça Tenente Diomar Menezes- às 8h

Rio Verde - Rotatória do Cristo Redentos, às 9h

Minas Gerais

Belo Horizonte, ato será na- Praça Afonso Arinos, ás 9h30.

Barbacena – Praça São Sebastião, 8h30

Juiz de Fora - Parque Halfel, às 10h

Montes Claros - Mercado Municipal, às 8h

Mato Grosso do Sul

Campo Grande, a concentração do ato será Avenida Afonso Pena esquina com a Rua 14 de Julho, às 9h.

Maranhão

São Luís – Praça João Lisboa, 9h

Imperatriz – Calçadão, Centro, 9h

Santa Inês – Praça das Laranjeiras, 8h

Pará

Belém - Escadinha da Presidente Vargas, às 8h

Paraíba

João Pessoa - Ponto dos Cem Réis, 9H

Paraná

Em Curitiba, capital paranaense, o ato irá ocorrer na Praça Generoso Marques, com concentração às 14h30.

Cascavel – Em frente a Catedral, 9h

Foz do Iguaçu - Praça da Bíblia, às 18h

Umuarama – Praça Arthur Thomas, 10h

Turvo:  Praça 31 de Outubro, às 14h

Pernambuco

Recife - a concentração ocorrerá no Parque Treze de Maio, Rua Santa Isabel, a partir das 09h. O final da caminhada será na Praça do Carmo.

Piauí

Teresina - ato na Praça da Liberdade, ás 8h.

Paranaíba - ato em frente à UFDPar,l às 8h30

Rio Grande do Norte

Natal - ato será às 8h00, na Praça Gentil Ferreira, no Alecrim.

Rio Grande do Sul

Na capital gaúcha haverá concentração, às 15h, no Largo Glênio Peres, seguido de caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares, com a participação de trabalhadores, trabalhadoras, estudantes, desempregados, donas de casa e população em geral.

 

Caxias do Sul - Praça Dante Alighieri, às 9h30

Novo Hamburgo – Praça do Imigrante, 10h

Pelotas – Mercado Público, 10h

Rio Grande - Largo Dr. Pio, Centro, às 10h

Santa Maria – Praça Saldanha Marinho, 14h

São Leopoldo - Estação São Leopoldo, às 14h

Santana do Livramento - Parque Internacional, às 9h30

Tramandaí - Praça da Tainha, às 15h

Rio de Janeiro

No Rio, a concentração começa às 10h, na Candelária e caminhada até a Cinelândia.

Campo dos Goytacazes – UFF Campos, 9h

Santa Catarina

Em Florianópolis, ato será no Largo da Alfândega, às 9h.

Joinville – Praça da Bandeira, 14h

São Paulo

Na capital paulista, a manifestação está prevista para ocorrer na Praça da República, no centro, com concentração a partir das 14h.

Carapicuíba - Calçadão da Av. Rui Barbosa | 10h

Botucatu – Praça do Bosque, 14h

Jaguariúna – Campinas Largo do Rosário, 9h

Marília – Praça da Ilha, em frente a Galeria Atenas, 9h30

Mogi das Cruzes - Largo do Rosário, às 10h

Osasco – Estação de Osasco, 12h30

Ribeirão Preto – Esplanada Theatro Pedro II, 9h

Santos - Estação da Cidadania, Av. Ana Costa 340, às 16h

São Carlos - Ato às 9h (local a confirmar)

Estação da Cidadania, Av. Ana Costa 340, 16h

São Vicente – Praça Barão, 10h

Sorocaba - Boulevard Braguinha x Barão de Rio Branco, às 9h30

Sergipe

Em Aracaju, o ato será na Praça Eventos do Mecardo, no central da capita sergipana, às 8h.

Outros países

Suíça

Zurique: Flashmob e ato Rua ao lado da casa do Povo em frente a praça Nenhuma a Menos. Klimarkirche, Wibichstrasse 43, ZH | 17h (horário local) .

Fonte: CUT NACIONAL

Dia do Jornalista - " OCORRIDO NA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA (7)".

O Dia do Jornalista é comemorado anualmente em 7 de Abril.

A data homenageia o trabalho dos profissionais da mídia, responsáveis por apurar fatos e levar as informações sobre os acontecimentos locais, regionais, nacionais e internacionais para as pessoas, de maneira imparcial e ética. Seja na rádio, na televisão ou nos jornais impressos, o jornalista deve sempre trabalhar tendo como base a imparcialidade e fontes de informação confiáveis.

Origem do Dia do Jornalista

O Dia do Jornalista foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como uma homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e Independência do Brasil.

Giovanni Badaró foi médico e jornalista, e foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo, por alguns dos seus inimigos políticos. O movimento popular que se gerou por causa do seu assassinato levou D. Pedro I a abdicar do trono em 1831, no dia 7 de abril, deixando o lugar para seu D. Pedro II, seu filho, com apenas 14 anos de idade.

Foi só em 1931, cem anos depois do acontecimento, que surgiu a homenagem e o dia 7 de abril passou a ser Dia do Jornalista.

Foi também no dia 7 de Abril que a Associação Brasileira de Imprensa foi fundada, em 1908, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos.

Mensagens e Frases para o Dia do Jornalista

“Mais do que transformar os fatos em notícias, você é responsável por perpetuar os acontecimentos na história.”

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.” (George Orwell).

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

terça-feira, 5 de abril de 2022

Cineoka exibe a saga do povo Warao

 Foto:Damião Paz

A temática indígena estará em exibição neste domingo (10/04), a partir das 14h, na Gamboa do Jaguaribe com a 21ª edição do Cineoka. Será exibido o filme “Warao: Tecendo Diálogos de Igualdade”, dirigido por Aníbal Cardona, Damião Paz e Fábio de Oliveira.  A entrada será 1kg de alimento não perecível.

A Gamboa do Jaguaribe está localizada na Rua Novo Paraíso, S/N, Redinha, Zona Norte, Natal- RN.

Além da exibição da obra, haverá a exposição de artes visuais “Lampejo Criativo”, de Guajiru Silva e a apresentação dos indígenas Fulni-ô (Águas Belas-PE).

Criado em abril 2016, o Cineoka tem como principal objetivo a apresentação de obras audiovisuais de indígenas de todo o pais, além do debate sobre a identidade e a diversidade cultural dos povos tradicionais e a preservação do meio ambiente.

A ação é promovida pela Gamboa do Jaguaribe e tem o apoio da Fundação José Augusto (FJA).

Filme

Mostra a busca do povo Warao, natural da Venezuela, por melhores condições de vida no Brasil, e especificamente no Rio Grande do Norte, sem a perda da sua ancestralidade e identidade cultural. O documentário é uma forma de manter vivos os saberes e a beleza da cultura desta etnia.

Fonte: FJA - FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

Bolsonaro engorda bancada governista com máquina de corrupção

 


Por Altamiro Borges

A máquina de corrupção do governo, com R$ 16 bilhões em emendas parlamentares somente no orçamento secreto, foi decisiva no troca-troca da janela partidária encerrada na última sexta-feira (1). Segundo levantamento do site G1, 23% dos deputados federais trocaram de partido (120 dos 513) e a bancada governista foi a que mais cresceu.

O maior favorecido pelas mudanças foi o PL, a nova sigla de aluguel de Jair Bolsonaro. Desde o primeiro dia da janela, em 3 de março, a bancada do partido cresceu 83% (de 42 para 76 deputados federais). Na sequência, Republicanos e PP – as outras duas legendas do Centrão que dão sustentação ao fascista – foram as que mais engordaram.

“O Republicanos conseguiu atrair 15 e perdeu cinco. Ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, a legenda será a casa de dois ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (Tarcísio Gomes de Freitas e Damares Alves) e do vice-presidente Hamilton Mourão. Os três devem concorrer na eleição deste ano. No PP, foram 15 novos integrantes e duas baixas”, descreve o G1.

Já o jornal Estadão enfatiza que “legendas que estão alinhadas com o governo Bolsonaro ganharam adesões, reforçando a base de apoio para a campanha do presidente à reeleição. O PL é a sigla que mais cresce com a chamada janela partidária na Câmara… O cenário de aparente recuperação do presidente, indicado nas pesquisas, reforçou a impressão no meio político de que estar aliado ao governo pode ser uma garantida de voto”.

Uma candidatura competitiva

“Somando PL, Progressistas, Republicanos, PSC e PTB são 171 deputados com Bolsonaro, o equivalente a 1/3 da Câmara. Já o petista Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário e favorito nas pesquisas, conta com a bancada do PT, PSB, Solidariedade, PSOL, PCdoB e PV, que representam 113 deputados”, aponta o jornalão oligárquico.

Entrevistado pelo Estadão, o analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), observa que o crescimento do PL é algo inédito na história da Câmara Federal e mostra que Jair Bolsonaro arregimentou apoios que, mesmo no pior cenário, devem levá-lo ao segundo turno da disputa presidencial. “É uma candidatura sem dúvida nenhuma competitiva”, afirma.

Charge: Caro Cospe Fogo

Fonte: CTB NACIONAL

Morre em São Paulo a escritora Lygia Fagundes Telles

Morreu no último domingo (3), em São Paulo, aos 98 anos, a escritora e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), Lygia Fagundes Telles. A informação foi confirmada pela ABL.

Lygia foi vencedora do Prêmio Camões, em 2005, pelo conjunto da obra, e do Prêmio Juca Pato, em 2009, como intelectual do ano.

A escritora nasceu na capital paulista, estudou na Escola Caetano de Campos e se formou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP). Ingressou na ABL em 1987 na cadeira 16, na sucessão de Pedro Calmon.

Lygia faleceu em sua casa, em São Paulo, de causas naturais. “Perdemos nossa querida. Partiu tranquilamente! Mas viverá para sempre. Principalmente no coração de seus amigos!”, escreveu nas redes sociais o jurista José Renato Nalini, atual presidente da Academia Paulista de Letras. O velório ocorrerá hoje, a partir das 16h, na Academia Paulista de Letras, em São Paulo. Seu corpo será cremado no cemitério da Vila Alpina.

A obra de Lygia aborda temas variados como o amor, a morte, o medo, o adultério e as drogas. Trata ainda de problemas sociais e explora o universo feminino, trazendo um olhar crítico ao moralismo social e deixando transparecer suas visões políticas.

Prêmios

Seu primeiro livro de contos, com o título Porões e sobrados, foi publicado em 1938. Recebeu quatro vezes o Prêmio Jabuti, considerado a mais tradicional premiação literária do Brasil. Na primeira ocasião, em 1966, obteve o feito com a obra O Jardim Selvagem. Voltou a ganhar em 1973, com o romance As Meninas. Em 1996, consagrou-se novamente com A Noite Escura e mais Eu e, em 2001, com a coletânea de contos Invenção e Memória.

No ano de 2005, foi agraciada também com o Prêmio Camões, que enaltece autores de língua portuguesa pelo conjunto da sua obra. Seu nome entrou pra uma lista da qual atualmente fazem parte outros 33, de cinco países diferentes.

O trabalho de Lygia ganhou as telas da televisão. O romance Ciranda de Pedra, publicado em 1954, foi adaptado pela TV Globo duas vezes. A primeira novela, escrita por Antônio Teixeira Filho e dirigida por Wolff Maia, foi ao ar pela TV Globo em 1981. A segunda versão, veiculada em 2008, foi escrita por Alcides Nogueira e dirigida por Denise Saraceni.

Seu nome também aparece na história do cinema brasileiro. No filme Capitu (1968), inspirado no romance Dom Casmurro de Machado de Assis, ela trabalhou em parceria com o crítico de cinema e seu segundo marido Paulo Emílio Sales Gomes, com quem foi casada de 1963 até ficar viúva em 1977. Ambos assinam o roteiro que posteriormente recebeu o Prêmio Candango, concedido pelo Festival de Brasília.

Com formação em Direito, a escritora se mobilizou contra a censura durante a ditadura militar. Junto com os escritores Nélida Piñon e Jefferson Ribeiro de Andrade e o historiador Hélio Silva, ela compôs a comissão responsável pela elaboração do Manifesto dos Intelectuais, um abaixo-assinado que ganhou repercussão em 1977 após conquistar a adesão de mais de mil signatários. Entregue ao Ministério da Justiça, ele foi considerado a maior manifestação de intelectuais contra a censura imposta no período.

Lygia não deixa descendentes. Seu único filho, o cineasta Goffredo da Silva Telles Neto, faleceu em 2006, aos 52 anos. Ele era fruto do relacionamento com o primeiro marido, o jurista Gofredo Teles Júnior, que durou de 1947 até 1960.

Entre seus livros mais importantes estão Antes do Baile Verde (1970), As Meninas (1973), Seminário dos Ratos (1977), Filhos Pródigos (1978), A Disciplina do Amor (1980), As Horas Nuas (1989), A Noite Escura e Mais Eu (1995), e Invenção e Memória (2000). Seu livro Ciranda de Pedra (1954) inspirou a novela homônima, exibida na TV Globo.

Fonte: https://www.brasilcultura.com.br

Adaptado pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN

domingo, 3 de abril de 2022

Oficina de transliteração de páginas de rosto em latim

 

Data: 25/04/2022 a 26/04/2022

O  Núcleo  do Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional abre sua agenda de eventos para 2022 com a quarta edição da "Oficina de transliteração de páginas de rosto em latim", ministrado pelo Prof. Dr. Fábio Frohwein de Salles Moniz e a Prof.ª Ms. Lucia Pestana da Silva.

Tendo por objetivo oferecer rudimentos sobre a grafia do latim em obras raras e sensibilizar o participante para a problemática dos sinais diacríticos, variações gráficas, símbolos e reduções de impressões do séc. XV-XVIII.

Data: 25/04/2022 (teoria) e 26/04/2022 (prática)

Horário: 18h – 20h30 (Intervalo entre 19h00 – 19h15)

Inscrições a partir de 01/04/2022:  https://www.even3.com.br/oficinadelatim2022fbnplanor/

Público-alvo: bibliotecários, arquivistas, historiadores, museólogos, pesquisadores e estudantes de letras e das áreas citadas.

Local: Canal do YouTube da FBN www.youtube.com/c/FundacaoBibliotecaNacional

Evento Gratuito com Certificação

Ementa

A Oficina de Transcrição de Páginas de Rosto em Latim tem por objetivos oferecer rudimentos sobre a grafia do latim em obras raras e sensibilizar o participante para a problemática dos sinais diacríticos, variações gráficas, símbolos e redução em impressões dos séculos XV-XVIII. Ideal para bibliotecários, arquivistas, bibliófilos e interessados em história do livro.

Fábio Frohwein de Salles Moniz tem Doutorado em Latim pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde atualmente é Professor Adjunto de Língua e Literatura Latinas. Coordenador do Núcleo de Documentação em Línguas Clássicas. Dedica-se a desenvolver e ministrar cursos de latim instrumental voltados a áreas técnico-profissionais, como "O Latim nas Obras Raras", oferecido, em 2018, 2019 e  2021 pela Fundação Biblioteca Nacional. Pesquisa e orienta pesquisas em nível de Graduação e Pós-Graduação relacionadas a tradução de obras renascentistas escritas em latim.

Lucia Pestana da Silva tem Mestrado em Letras Clássicas pelo Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro  (UFRJ).  Graduada em Português-Latim também pela UFRJ. Foi monitora do Departamento de Letras Clássicas da UFRJ. Atuou nos projetos de extensão "Cursos de Línguas Abertos à Comunidade (CLAC), "Os Clássicos no Acervo de Obras Raras da FBN" e "Núcleo de Documentação em Línguas Clássicas". Atualmente, é mestranda em Letras Clássicas pelo Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da UFRJ.

Fonte: BIBLIOTECA NACIONAL

Museu do Índio homenageia Berta Ribeiro no Dia Internacional da Mulher -

 

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Foto: Berta Ribeiro com pintura facial Kadiwéu. Mato Grosso, 1947 – Acervo/Museu do Índio

No dia Internacional da Mulher, o Museu do Índio (MI), órgão científico-cultural vinculado à Fundação Nacional do Índio (Funai), homenageia Berta Gleizer Ribeiro, que atuou na unidade, na década de 1980, coordenando o setor de museologia do órgão.

Muito além da esposa de Darcy Ribeiro, Berta representa, para o museu, uma referência para a recuperação da história da política indigenista e da antropologia brasileiras. O conjunto documental e etnográfico reunido pela cientista registra a trajetória dos povos indígenas do Brasil e sua cultura material, com ênfase para o artesanato.

Além de curadorias de exposições nacionais e internacionais sobre a temática indígena, Berta identificava e emitia laudos atestando a produção e condições de preservação de artefatos desses povos. Seus estudos taxonômicos são uma contribuição fundamental para a construção de uma terminologia específica para nomear e descrever a produção artesanal indígena.

O Dicionário do Artesanato Indígena, publicado em 1988, sistematiza parte desse conhecimento desenvolvido por Berta Ribeiro durante três décadas de pesquisas. Desde a sua publicação, o livro se tornou um importante instrumento de trabalho para museólogos e antropólogos que se dedicam ao estudo da cultura material indígena.

Ceramistas indígenas conhecendo a Reserva Técnica Berta Ribeiro 

Atualmente, no MI, a maior reserva técnica do órgão traz o nome da pesquisadora, como uma merecida homenagem, já que Berta foi a responsável por catalogar a maior parte dos itens do acervo da instituição até a década de 1980. São 7.961 objetos, das categorias de objetos rituais, mágicos e lúdicos; armas; instrumentos musicais e de sinalização; utensílios e implementos de materiais ecléticos, trançados e etnobotânica de 98 povos do Brasil, Peru e Equador.

Berta apresenta uma preocupação em tirar a imagem de elite dos museus, promovendo uma integração entre museu e visitante, e também impulsionando ações educativas aliando museu, escola e comunidade, por meio de parceria formalizadas com a Universidade de Brasília (UnB) e Secretarias de Educação e Cultura do Distrito Federal.

Trajetória

Nascida em 1924, Berta formou-se em Geografia e História pela atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). No período de 1953 a 1958 fez estágio no Museu Nacional, onde estudou a cultura material dos povos indígenas do Brasil e o tratamento e conservação da coleção do museu.

A partir de 1958, apoiou Darcy Ribeiro e Eduardo Galvão no planejamento e implantação do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília. Em 1976, retomou seus estudos em Antropologia e desenvolveu o projeto “A arte do trançado dos índios do Brasil”, com o auxílio de bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq. Também iniciou um curso de doutorado em Antropologia Social no Programa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP).

Entre 1976 e 1985 foi assessora e pesquisadora do projeto Etnologia e Emprego Social da Tecnologia, iniciado a partir de um convênio entre a Financiadora de Estudos e Projetos e o Museu Nacional. Para realização dessa pesquisa, visitou o Parque Nacional do Xingu, em 1977, entrando em contato com as etnias Yawalapiti e Txikão, no sul do Parque, e com os Kayabi, ao norte. Também esteve no Alto Rio Negro, entre julho e novembro de 1978, quando conheceu os índios Desãna.

Durante essa estadia, Berta ajudou dois indígenas Desãna (Talomãn Kenhirí e Umúsin Panlõn Kumu) a registrar um conjunto de mitos indígenas, o que deu origem ao livro “Antes o mundo não existia”, de 1980. A publicação foi elogiada pelo público em geral e pela comunidade cientifica, devido ao pioneirismo de Berta em ceder os direitos autorais para os dois autores indígenas.

A antropóloga também foi responsável pela elaboração do plano-diretor e do planejamento da exposição inaugural do Memorial dos Povos Indígenas, de Brasília. O projeto contemplou tanto a questão da identidade quanto a conexão dos indígenas com o presente e o futuro. Berta ainda titulou-se doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), em 1980, com a tese “A civilização da palha: a arte do trançado dos índios do Brasil”. 

Pouco antes de morrer, recebeu, em 1995, o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Cientifico, expedido pelo Presidente da República em reconhecimento à sua contribuição aos estudos antropológicos.

O acervo museológico de Berta Ribeiro não se trata apenas de um material complementar ao do marido, Darcy Ribeiro. O conjunto documental e etnográfico não reflete somente suas atividades nas áreas da arqueologia, museologia, antropologia, meio ambiente e etnobotânica, mas a volumosa produção intelectual por meio de livros, documentários, curadorias de exposições, congressos e conferências, atestando e comprovando seu trabalho científico.

Confira a tese “A civilização da palha: a arte do trançado dos índios do Brasil” na biblioteca virtual do MI: Parte1  Parte 2

Fonte: - Museu do Índio

ARTIGO HELENO ARAÚJO - Educação não combina com autoritarismo

 Por CNTE

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Foto: Leandro Taques

Nenhum governo autoritário, seja de qualquer país ou época, gosta de uma educação que ajude o povo a pensar e ser autônomo em sua vida. Invariavelmente, governos autoritários perseguem educadores, calam estudantes e promovem um modelo educacional que atenda simplesmente a seus interesses políticos.

É justamente nos governos autoritários, comandados por tiranos que se apegam ao poder e dele não pretendem se distanciar, que os sistemas educacionais recebem toda a atenção possível: ao autoritarismo interessa moldar uma educação que cultive os valores políticos emanados pela figura do político autoritário.

Assim aconteceu na Alemanha nazista de Hitler ou na Itália fascista de Mussolini. Assim também ocorreu em todas as ditaduras latino-americanas, como a que se abateu sobre o Brasil no ano de 1964, quando os militares depuseram um presidente legitimamente eleito que ousou, naquele tempo, propor as reformas de base que atacassem a desigualdade brasileira.

Naquele ano, em meados do mês de janeiro, o Presidente Jango fez aprovar no Brasil o Programa Nacional de Alfabetização, que deveria atingir todo o país e erradicar o analfabetismo em nosso território. Orientado pela proposta pedagógica e método de alfabetização de Paulo Freire, não conseguiu durar sequer três meses: logo no começo de abril, aquele projeto de alfabetização popular foi interrompido pelo golpe militar de 64 e substituído pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Desde então, Paulo Freire, nosso patrono da educação brasileira, passou a ser perseguido pelo regime militar que se instalava no Brasil.

E Paulo Freire talvez seja somente o exemplo maior de todo esse processo que o país viveu naqueles tenebrosos tempos. Muitos/as professores/as universitários/as foram exonerados de seus cargos públicos e, na educação básica, se impôs um silêncio forçoso aos/às educadores/as nas escolas. Os que não seguiam a cartilha eram calados à força e, não raro, perseguidos até a morte física.

Educação não rima com falta de liberdade. Só a liberdade garante um processo de educação livre, libertadora e emancipadora de nosso povo. Um povo educado não se deixa dominar por tirano de nenhuma espécie. Um povo com uma boa educação não se curva ao autoritarismo de plantão. Por isso os autoritários detestam Paulo Freire.

E, no Brasil, justamente quando saíamos desse processo de ditadura militar, que perseguiu e matou tantos educadores no país, fizemos, enquanto nação, o que ficou conhecido como a Constituição Cidadã, em 1988. Lá, como preceito constitucional, está garantido o direito à liberdade de ensinar e de aprender. Esse foi o mecanismo para que nós, enquanto sociedade, pudéssemos nos blindar de futuros tiranos.

O atual Presidente da República, que se elegeu em um contexto de enxurradas de mentiras nas redes sociais, e com o seu principal adversário deliberadamente preso por aqueles que ajudaram no golpe de 2016, também não gosta de uma educação libertadora. Para quem usa e abusa de notícias falsas, que não se restringiram apenas à sua campanha eleitoral, a educação é sempre uma ameaça.

Não por acaso que uma das primeiras medidas do ex-presidente Temer, logo após ele capitanear a traição e o golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff, foi propor uma reforma educacional há tempos almejada pelas elites brasileiras: a Reforma do Ensino Médio, do começo de 2017, cria dois modelos de escolas no Brasil, uma para os ricos e abastados; e outra para os pobres e filhos da classe trabalhadora. Aos primeiros, garantiram o ensino das artes, da filosofia, da sociologia e de outros saberes que promovem o pensamento crítico nas crianças e jovens. Ao resto da sociedade, a grande maioria, sobrou somente o ensino de Português e Matemática.

O governo Bolsonaro não gosta da educação porque sempre mostrou ter um perfil autoritário. Todos estão vendo como ele detesta ser contrariado e, se isso ocorre, parte para grosserias de toda espécie contra o seu interlocutor. Ameaçou tirar o título de patrono da educação brasileira de Paulo Freire; propôs um projeto de militarização escolar que criminaliza as infâncias pobres de nosso país; fomenta o modelo de educação domiciliar (homescholling) para tirar as crianças da escola. Ataca a educação sempre quando pode e persegue educadores a todo o momento.

Inúmeros casos desse tipo estão ocorrendo no Brasil desde 2019, ano em que tomou posse. Quando assumiu o poder, logo se alinhou com o projeto Escola sem Partido, acusando os educadores de “comunistas, ateus e vagabundos”. Criou-se, no Brasil, um clima de medo nas nossas salas de aula, com professores sendo filmados e agredidos. Definitivamente, Bolsonaro não gosta de uma educação livre que a sociedade brasileira alcançou desde sua redemocratização, quando derrubamos em 1985, depois de 25 anos, a ditadura militar no Brasil.

Paulo Freire é seu alvo preferencial, mas por trás de nosso patrono da educação brasileira existe toda uma categoria de trabalhadores/as da educação que, diuturnamente, sob os ditames autoritários desse governo, são ameaçados e constrangidos no seu direito de serem livres ao ensinar. O fim do governo Bolsonaro será a retomada de um projeto soberano de educação, libertadora e emancipadora. E, em memória de Freire, a derrocada de mais um presidente autoritário com vocação a tirano que temos presenciado ao longo de nossa história.

(Brasil de Fato PE, Heleno Araújo)