Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
Professor Geraldo (calça azul) em treinamento com seus alunos
O Grupo de Capoeira BOA VONTADE - Nova Cruz/RN vem treinando bastante pra fechar com chave de ouro no IV Encontro Estadual do Orgulho Negro, garante se presidente e professor, Geraldo dos Santos.
O grupo vem treinando todas as sextas, sábados e domingo com aproximadamente 3 (três) horas de treino.
O evento será dia 20 de novembro na Escola Municipal Nestor Marinho - Nova Cruz/RN e já tem 100 inscrições antecipadas.
Apresentação do Grupo de Percussão da E. E. Alberto Maranhão
Apresentação do Grupo de Capoeira BOA VONTADE - CBV-Nova Cruz/RN
Geraldo Santos (centro), presidente do CBV - Nova Cruz
Evento promovido pelas Centrais Sindicais de Nova Cruz, estudantes e profissionais liberais ocorrido na tarde da ultima sexta feira, 11 de Novembro na praça de São Sebastião marcou a participação da nossa região no movimento Grevista Nacional e Geral deflagrada contra a PEC 55 do Senado Federal, antiga PEC 242 da Câmara dos Deputados, que segundo os movimentos sociais preconiza uma série de perdas das conquistas dos trabalhadores ao longo das décadas em um prazo de 20 anos.
Participaram os membros do Sindicato dos Trabalhadores em Educação – SINTE/regional de Nova Cruz, destacando a presença da Professora Fátima Cardoso, de participantes do Sindicato Norteriograndense de Agentes de Saúde, SINDAS/Nova Cruz, do Centro Potiguar de Cultura –CPC/RN, da Associação Municipal dos Estudantes –AMES/Nova Cruz, da Igreja Católica representada por Padre Francisco Assis Inácio, pároco de Nova Cruz e de Lagoa Danta, Programa de Rádio “Nação Nova Cruz” representado pelo seu apresentador, Claudio Lima, do Instituto Federal do RN –IFRN, com dezenas de alunos e professores do Campus de Nova Cruz, do ex candidato a Prefeito de Nova Cruz, Hudson de Tourinho entre outras personalidades.
A programação começou com uma caminhada que saiu do IFRN e percorreu a Avenida Assis Chateaubriand até a Praça de São Sebastião, local em que ocorreram os diversos discursos de protestos contra a PEC 55 do Senado Federal. Entre os discursos se seguiram diversas apresentações culturais com os grupos: Capoeira Boa Vontade de Nova Cruz, Percussão da E.E. Alberto Maranhão com seus grupos de danças afro-brasileiras.
Eduardo Vasconcelos - CPC/RN reunido com estudantes da E. E. Paulo Freire - Baia Formosa/RN
Na última quinta feira (10), o presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos se reuniu com os estudantes escolhidos pelo seus pares para participarem do IV Encontro Estadual do Orgulho Negro, que ocorrerá no próximo dia 20 de novembro - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA! Na Escola Municipal NESTOR MARINHO - Nova Cruz/RN.
Após visita as salas de aula esclarecendo a importância do evento e logo após foram escolhidos pelos estudantes do Ensino Médio, quatro (4) lideres para participar do evento. Eduardo aproveitou para falar da programação para os quatros escolhidos e que a prefeitura de Baía Formosa é quem irá leva-los para o evento.
A partir de hoje
(1º), a campanha Novembro Azul passa a ser um movimento permanente e que
contempla a saúde integral do homem. A proposta do Instituto Lado a Lado pela
Vida, que coordena a ação, é mobilizar a população masculina e seus
responsáveis diretos, no caso de crianças e adolescentes, para conhecerem mais
sobre sua saúde, em diferentes fases da vida.
Napágina da campanha, o
instituto disponibilizou uma lista das doenças que mais afetam a saúde
masculina, seja na infância, na adolescência, na fase adulta e na terceira
idade. Ao clicar em cada uma delas, é possível encontrar informações sobre
diagnóstico, fatores de risco, prevenção, sintomas e tratamento.
Na infância, as
doenças citadas incluem fimose, infecção urinária e prostatite (inflamação da
próstata). Já entre adolescentes, a lista destaca arritmia cardíaca, doenças
sexualmente transmissíveis e ejaculação precoce. Na fase adulta, aparecem
doenças como cálculo urinário e diversos tipos de câncer. Por fim, na terceira
idade, integram a lista diabetes, disfunção erétil e hipertensão arterial.
“Por meio da
informação, junte-se a nós na conscientização dos cuidados com a saúde e
mudança de hábitos, da importância do diagnóstico precoce e adesão ao
tratamento”, propõe o Instituto Lado a Lado pela Vida.
Sobre o Novembro Azul
Criada em 2011, a
campanha, originalmente, visa orientar a população masculina sobre o câncer de
próstata. A doença figura como o segundo tipo de câncer mais comum entre
homens, com mais de 13 mil mortes anuais – uma a cada 40 minutos. Mais de 61
mil novos casos devem ser registrados no país em 2016, segundo o Instituto
Nacional do Câncer.
Durante todo o
mês de novembro, serão realizadas atividades de orientação sobre o câncer de
próstata e a saúde do homem e ações para estimular a atividade física. Haverá
distribuição de material informativo e prédios serão iluminados na cor azul –
entre eles, o Viaduto do Chá, em São Paulo, e o Congresso Nacional, em
Brasília.
Um dos destaques da
programação é o II Fórum Ser Homem no Brasil, marcado para a próxima
segunda-feira (7). Com apoio do Senado Federal, o evento vai reunir
profissionais de saúde, parlamentares, governantes, representantes do
Ministério da Saúde e população em geral para debater a prevenção e o combate
ao câncer de próstata e outros tipos de câncer, como de pênis e testículo.
Nas redes sociais, a
campanha vai tratar da saúde integral do homem e usará as hashtags
#novembroazul , #denovembroanovembroazul , #menospreconceito e #maisvida. A
programação completa do Novembro Azul pode ser conferida nosite do instituto.
Da Redação com
informações provenientes da PRF São Paulo
Um fator de risco é algo que afeta sua chance de adquirir uma doença como o câncer. Diferentes tipos de câncer apresentam diferentes fatores de risco. Alguns como fumar, porexemplo, podem ser controlados; no entanto outros não, por exemplo, idade e histórico familiar. Embora os fatores de risco possam influenciar o desenvolvimento do câncer, a maioria não causa diretamente a doença. Algumas pessoas com vários fatores de risco nunca desenvolverão um câncer, enquanto outros, sem fatores de risco conhecidos poderão fazê-lo.
-"Ter um fator de risco ou mesmo vários, não significa que você vai ter a doença. Muitas pessoas que contraem a doença podem não estar sujeitas a nenhum fator de risco conhecido. Se uma pessoa com câncer de próstata tem algum fator de risco, muitas vezes é muito difícil saber o quanto esse fator pode ter contribuído para o desenvolvimento da doença."
Fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver câncer de próstata:
Idade - O câncer de próstata é muito raro em homens com menos de 40, mas a chance de ter câncer de próstata aumenta rapidamente após os 50 anos. Aproximadamente 60% dos cânceres de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos.
Raça - O câncer de próstata é mais frequente em homens de descendência africana do que em homens de outras raças. Pessoas de raça negra são mais propensos a serem diagnosticados em estágio avançado, e têm o dobro da probabilidade de morrer de câncer de próstata do que os homens brancos.
Nacionalidade - O câncer de próstata é o mais comum na América do Norte, noroeste da Europa, Austrália e nas ilhas do Caribe. É menos comum na Ásia, África, América Central e América do Sul. As razões para isso não estão claras. O rastreamento intensivo em alguns países desenvolvidos, provavelmente, é responsável por pelo menos parte dessa diferença,
mas outros fatores, como diferenças de estilo de vida tendem a ser importantes. Por exemplo, os homens de origem asiática têm um menor risco de câncer de próstata do que os americanos brancos, mas o risco é maior do que a de homens de origens semelhantes que vivem na Ásia.
Histórico Familiar - Ter um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de próstata mais do que duplica o risco de um homem de desenvolver a doença.
Genes - Algumas alterações genéticas hereditárias podem aumentar o risco de desenvolver mais do que um tipo de câncer. Por exemplo, mutações dos genes BRCA-1 ou BRCA-2 podem aumentar o risco de câncer de mama e de ovário, entretanto, as alterações nestes genes também podem aumentar o risco de câncer de próstata em alguns homens, mas isso representa uma porcentagem muito pequena dos casos da doença.
Dieta - Alguns estudos sugerem que homens que consomem uma grande quantidade de cálcio, através dos alimentos ou suplementos, podem ter um maior risco de câncer de próstata. Laticínios, que muitas vezes são ricos em cálcio, também podem aumentar o risco. O exato papel da dieta no câncer de próstata ainda está sendo estudado. Os homens que comem muita carne vermelha ou laticínios ricos em gordura parecem ter uma chance
ligeiramente maior de ter câncer de próstata. Esses homens também tendem a comer menos frutas e legumes. Os médicos não têm certeza de qual desses fatores é responsável por elevar o risco. Alguns estudos sugerem que os homens que consomem grandes quantidades de cálcio (através de alimentos ou suplementos) podem ter um risco maior de desenvolver câncer de próstata.
Obesidade -Acredita-se que homens obesos têm um risco maior de ter câncer de próstata mais agressivo. As razões para isso não estão claras.
Tabagismo -A maioria dos estudos não encontrou uma ligação entre tabagismo e o risco de desenvolvimento de câncer de próstata. Alguns estudos recentes têm ligado o tabagismo a um possível pequeno aumento no risco de morte por câncer de próstata, mas esta é uma nova descoberta que terá de ser confirmada por outros estudos.
Exposição Ocupacional -Existe alguma evidência de que os bombeiros expostos aos produtos de combustão tóxica têm um risco aumentado de câncer de próstata.
Inflamação da Próstata - Alguns estudos têm sugerido que a prostatite (inflamação da próstata) pode ser associada a um risco aumentado de câncer de próstata. A inflamação é muitas vezes detectada em amostras de tecido da próstata, que também contêm câncer. A ligação entre os dois ainda não está clara, mas esta é uma área ativa de pesquisa.
Doenças Sexualmente Transmissíveis – Doenças sexualmente transmissíveis, como gonorreia ou clamídia, podem aumentar o risco de câncer de próstata, possivelmente levando
a inflamação da próstata. Até agora, os estudos não são conclusivos.
Vasectomia - Alguns estudos sugerem que homens que fizeram vasectomia, especialmente os que tinham até 35 anos no momento do procedimento, podem ter um risco levemente maior de câncer de próstata. Mas, a maioria dos estudos recentes não encontrou qualquer aumento do risco entre os homens que fizeram esta cirurgia. O medo de um aumento do risco de câncer de próstata não deve ser uma razão para evitar uma vasectomia.
"Homens negros que vivem na Inglaterra correm risco três vezes maior de sofrer de câncer da próstata do que brancos, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Bristol."
Os negros também tendem a ser diagnosticados cinco anos mais cedo, de acordo com a análise de todos os casos registrados nas cidades inglesas de Londres e Bristol.
Análise: pesquisadores dizem que especialistas americanos já haviam relatado um maior índice de câncer de próstata entre negros.
De acordo com artigo publicado pelos pesquisadores na revista científica British Journal of Cancer, os resultados não podem ser explicados por questões como o acesso a exames diagnósticos, conhecimento sobre a condição ou programas de testes preventivos.
Durante o estudo, não ficou claro inicialmente se havia uma incidência "genuinamente" maior de câncer de próstata em negros ou se eles simplesmente tinham mais chance de ser diagnosticados.
Mas quando os registros médicos foram analisados detalhadamente, os pesquisadores verificaram que negros e brancos tinham níveis parecidos de conhecimento sobre o câncer da
próstata e sintomas semelhantes.
Eles também demoraram mais ou menos o mesmo tempo para consultar um clínico geral. No entanto, foram encontradas evidências de que negros tinham maior probabilidade de fazer o teste PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico) antes de apresentar qualquer sintoma.
O PSA não é um teste para diagnosticar o câncer, mas pode indicar anormalidades.
Suscetibilidade: Ao comentar as razões pelas quais homens negros estariam sendo diagnosticados mais cedo, os pesquisadores dizem que há uma maior probabilidade de que o câncer da próstata em pessoas mais jovens seja resultado de uma maior suscetibilidade biológica à doença.
Os especialistas estão agora realizando mais pesquisas para ver se há diferenças nos índices de sobrevivência apresentados pelos dois grupos.Estudos para verificar se os exames de PSA deveriam ser usados de forma rotineira para a identificação de novos casos também estão sendo realizados e há a possibilidade de que os testes sejam recomendados para grupos de alto risco.
Joanna Peak, representante da entidade beneficente britânica Cancer Research UK, que incentiva pesquisas na área, afirma que o câncer de próstata é o mais comum entre homens britânicos.
"O estudo indica que há uma diferença biológica real entre grupos étnicos, e esse conhecimento pode potencialmente levar a tratamentos melhores para homens sob maior risco", diz Peak.
"Recomendamos a todos os homens que visitem seus clínicos gerais se estiverem apresentando qualquer sintoma possível de câncer da próstata, por exemplo, problemas ao
urinar", acrescentou Anna Jewell, da entidade beneficente The Prostate Cancer Charity.
"Isso demonstra a necessidade de continuarmos a trabalhar para elevar a consciência sobre os maiores riscos de câncer da próstata entre os homens negros", completou Jewel
A África é um continente de grande diversidade cultural que se vê fortemente ligada à cultura brasileira. Os africanos prezam muito a moral e acreditam até que esta é bem semelhante à religião. Acreditam também que o homem precisa respeitar a natureza, a vida e os outros homens para que não sejam punidos pelos espíritos com secas, enchentes, doenças, pestes, morte etc. Não utilizavam textos e nem imagens para se basearem, mas fazem seus ritos a partir do conhecimento repassado através de gerações antigas.
Seus ritos são realizados em locais determinados com orações comunitárias, danças e cantos que podem ser divididos em: momentos importantes da vida, integração dos seres vivos e para a passagem da vida para a morte.
Sua influência na formação do povo brasileiro é vista até os dias atuais. Apesar do primeiro contato africano com os brasileiros não ter sido satisfatório, esses transmitiram vários costumes como:
- A capoeira, que foi criada logo após a chegada ao Brasil na época da escravização como luta defensiva, já que não tinham acesso a armas de fogo;
- O candomblé, que também marca sua presença no Brasil, principalmente no território baiano onde os escravos antigamente eram desembarcados;
- A culinária recebeu grandes novidades africanas, como o leite de coco, óleo de palmeira, azeite de dendê.
Cafuné é uma palavra trazida pelos negros para o Brasil
Os africanos, na ausência de uma unidade linguística, já que provinham de diferentes povos, foram praticamente obrigados a criar uma em comum para que pudessem se entender.
A influência africana no português do Brasil, que em alguns casos chegou também à Europa, veio do iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria, e notada principalmente no vocabulário relacionado à culinária e à religião e também do quimbundo angolano, em palavras como caçula, cafuné, moleque, maxixe e samba, entre centenas de outros vocábulos.
Na culinária
É impossível falar da influência dos africanos sem lembrar a herança que eles deixaram para a nossa alimentação. Acarajé, mungunzá, quibebe, farofa, vatapá são pratos originalmente usados como comidas de santo, ou seja, comidas que eram oferecidas às divindades religiosas cultuadas pelos negros. Hoje, porém, são dignos representantes da culinária brasileira.
O Cuscuz foi um dos pratos trazidos pelo negro ao Brasil
As negras africanas começaram a trabalhar nas cozinhas dos Senhores de Engenho e introduziram novas técnicas de preparo e tempero dos alimentos. Também adaptaram seus hábitos culinários aos ingredientes do Brasil. Assim, foram incorporados aos hábitos alimentares dos brasileiros o angu, o cuscuz, a pamonha e a feijoada, nascida nas senzalas e feita a partir das sobras de carnes das refeições que alimentavam os senhores; o uso do azeite de dendê, leite de coco, temperos e pimentas; e de panelas de barro e de colheres de pau. Os traficantes de escravos também trouxeram para o Brasil ingredientes africanos como é o caso da banana, ícone de brasilidade mundo afora e da palmeira de onde se extrai o azeite de dendê.
Prato típico Feijoada
Em síntese, todos os pratos vindos do continente africano foram reelaborados, recriados, no Brasil, com os elementos locais. O dendê trazido pelos portugueses para queimar em lamparinas e iluminar as noites escuras do novo continente logo foi parar na panela das mucamas.
A religião integra o folclore do país como bem material. Os escravos vindos da África trazem consigo o candomblé. Proibidos de praticar sua religião, os africanos associaram a cada orixá um ou mais santos católicos, conforme cada religião do Brasil, para exercerem sua religião sem serem perseguidos. Dos orixás de origem africana, se tornaram mais populares os seguintes: oxalá, xangô, yansã, oxún, ogun, oxósse, omolu, yemanjá, ibejis e exu.
Pessoas praticando a religião Umbanda
As religiões chamadas afro-brasileiras surgiram durante o processo de colonização do Brasil, com a chegada dos escravos africanos. Em diferentes momentos da história, aos poucos, as religiões afro-brasileiras foram se formando nas mais diversas regiões e estados. É justamente por isso que elas adotam diferentes formas e rituais, diferentes versões de cultos.
Na realidade, os cultos afro-brasileiros vêm da prática religiosa das tribos africanas. Por isso, cada uma tem a sua forma peculiar de chamar o nome de Deus, promover seus cultos, estruturar sua organização, celebrar seus rituais, contar sua história e expressar as suas concepções através dos símbolos.
Na tentativa de catequizar os negros, os europeus promoveram uma grande mistura que resultou nas hoje chamadas de religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé, fruto da inter-relação de culturas.
Salão para a prática da religião Candomblé
Alguns povos bantos eram adeptos do candomblé e foram seus introdutores no país. Atualmente, existem poucas casas de candomblé puro no Brasil, concentradas principalmente na Bahia. Por outro lado, o candomblé de caboclo e a cabula, outra variante do candomblé, tornaram-se as raízes remotas da umbanda, o mais difundido culto afro-brasileiro, no Rio de Janeiro.
+ Vídeo: As religiões afro-brasileiras (entrevista) Pt. 1 com Juliana Paes
Para resistir, o negro buscou, através de formas simbólicas, alternativas que camuflassem seus deuses a fim de preservá-los da imposição da igreja católica. Assim, o sincretismo foi uma forma de defesa do negro e não a incorporação da religião negra à religião predominante.
Para o Brasil, são imensas e ainda hoje incomensuráveis as contribuições de mulheres e homens oriundos da África (de Cabo Verde à África do sul, na Costa Atlântica e Moçambique, na Costa do Índico, do interior do continente africano) das nações jla, courá, mina, nagô, ewe ou jej, hauçá, exanti, mup´r, bornu, gurunxe, fulá, malê, cabinda, benguela, congo, angola, macua, angico,sentys, berbere, jalofo, felupe, mandinga etc.
O folclore é entendido como o conjunto de manifestações espirituais, materiais e culturais de origem popular, transmitidos via oral ou pela prática de geração em geração. Compreende, assim, as tradições, festas, danças, canções, lendas, superstições, comidas típicas, vestimentas e artesanatos-cultivados especialmente pelas camadas populares. A escravidão foi responsável pela contribuição africana para o folclore, principalmente por que os negros eram trazidos de diversas áreas do velho continente.
A cultura imaterial (danças, festas, contos, lendas e religiões) é bem variada. Na dança destaca-se:
Coco: também denominado “bambelô”, é muito dançando da região praiana do Nordeste, sobretudo Alagoas. É uma dança de roda, cuja coreografia é mais um sapateado, acompanhado de plantas
Dança Cocô
Frevo: teve origem na capoeira, cujos movimentos foram estilizados para evitar a repressão policial. O nome vem da ideia de fervura (pronunciada incorretamente como “frevura”). É uma dança coletiva, executada com uma sombrinha, que seve para manter o equilíbrio e embelezar a coreografia. Atualmente, é símbolo do carnaval pernambucano.
Dança Frevo em Pernambuco - Brasil
Moçambique: frequentemente executado em São Paulo, Minas Gerais, e no Brasil Central. Os participantes formam uma esteira de losangos com bastões, pulam, agacham, e sacodem, sem tocar nos bastões. Enquanto dançam e louvam aos santos, em solo e coro. Considerado por alguns folcloristas uma dança, por outros um folguedos (ou festa popular).
Dança Moçambique
Maracatu: é propriamente um desfile carnavalesco, remanescente das cerimônias de coroação dos reis africanos. A tradição teve início pela necessidade dos chefes tribais, vindos do Congo e de Angola, de expor sua força e seu poder, mesmo com a escravidão. Atualmente faz parte do carnaval de Pernambuco.
Dança Maracatu
Capoeira: trazida pelos negros de Angola, inicialmente, não era praticada como luta, mas como dança religiosa. Mas, no século XVI, para resistir às expedições que pretendiam exterminar Palmares, os escravos foragidos aplicavam os movimentos da capoeira como recurso de ataque e defesa. Em 1928, um livro estabeleceu as regras para o jogo desportivo de capoeira e ilustrou seus principais golpes e contragolpes. O capoeirista era considerado um marginal, um delinquente. O Decreto-lei 487 acabou temporariamente com a capoeira, mas os negros resistiram até a sua legalização. E em 15 de julho de 2008 a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial.
Capoeiristas lutando capoeira
+ Vídeo da luta capoeira
A literatura popular de origem africana é riquíssima. Ela contém uma vasta série de contos e lendas, que hoje integram o folclore brasileiro: contos totêmicos, ou seja, conjuntos de animais, como: tartaruga, lebre, sapo, antílope, elefante, crocodilo etc.
Contos de assombrações e entidades sobrenaturais, como a lenda do quibungo, que significa lobo. É uma espécie de entidade sobrenatural, meio homem, meio animal, que possui um enorme buraco no meio das costas, na qual atira meninos que persegue para comer.
A cultura material de origem africana também é vastíssima, abarcando artesanatos e técnicas, tais como: a fabricação de instrumentos musicais, a culinária, a fabricação de utensílios de cozinha e a indumentária, entre outros. Entre os instrumentos trazidos pelos africanos para o Brasil se destacam os de percussão, segundo o dicionário da língua portuguesa Aurélio (1998):
Afoxé: cabaça coberta por uma redinha de malha, em cujas intersecções se colocam sementes ou conchas.
Instrumento musical Afoxé
Atabaque: espécies de caixa alta, com couro somente na abertura de maior diâmetro, que se percute com as mãos.
Instrumento musical Atabaque
Agogô: par de campânulas ou sinetas sem badalo, de ferro, conectadas por uma haste encurvada, do mesmo material, que se percute com uma baqueta de madeira ou ferro.
Instrumento musical Agogô
Berimbau: arco de madeira retesado por corda de arame, com uma cabaça aberta presa à parte inferior externa do arco, tocado com uma vareta de madeira e com o dobrão (peça de metal), com acompanhamento do caxixi.
Instrumento musical Berimbau
Caxixi: tambor cilíndrico, com couro em uma só abertura, em cujo centro está preso uma vareta de madeira, que friccionada com um pano molhado ou a própria mão produz o som.
O principal motivo que acarretou a formação do Brasil foi para a extração de minerais, sendo os principais o ouro, ferro, prata e diamante, além dos vegetais, como a madeira e outros. E com isso a Europa ficou eufórica para explorar essas terras, trazendo assim o negro para a economia brasileira.
É possível dizer, que a participação dos negros na economia brasileira é um retrocesso na história, pois faz retornar ao tempo da escravidão, quer dizer, a era escravagista, antes do feudalismo tomar seu espaço. As viagens dos europeus à África e Ásia fizeram com que os negros participassem do sistema econômico vigente na época, não de maneira igualitária como mercadores, mas como escravos a serviço dos seus donos. Foi a partir desse momento, os negros passaram a ser levados para terra que estavam sendo descobertas, tanto para as colônias europeias como as colônias na América. Assim, chegaram os negros no Brasil, para devastar matas, cuidar da roça, do gado, trabalhar na cana-de-açúcar e dinamizar a economia da época.
Negros escravos trabalhando em um engenho de cana-de-açúcar
Com este propósito, os negros se tornaram fortes colaboradores para a economia brasileira, não pelo lado intelectual, mas no impulso direto da dinamização do sistema econômico. No ciclo da mineração, o trabalho era árduo e impiedoso, na busca de satisfazer os desejos ambiciosos dos Reis de Portugal que objetivavam única e exclusivamente, extrair os minérios existentes no país. Eram quilômetros e quilômetros de mata adentro, passando todo tipo de miséria e sofrimento, com o ficto de se conseguir minerais preciosos. Desta mesma maneira, aconteceu na época do ciclo da cana-de-açúcar e por fim de toda economia, com uma escravidão de negros, de participação tão ativa.
+ Vídeo: O que era o engenho?
O negro era considerado um ninguém, somente tinha direito a sua ‘ração’ diária e um canto para dormir, conhecidos como senzalas. A vida do negro era o trabalho, o máximo possível, para retornar de maneira eficaz os custos imputados na compra de um negro trabalhador. A relação feitor-negro era o mesmo que máquina e quem a comanda, com uma diferença, é que o negro não tinha nenhum privilégio e a máquina tem a seu favor a limpeza de manutenção, todavia, o negro tinha como recompensa, as chicotadas e o castigo. O tratamento recebido do patrão era de tamanho desprezo e distanciamento, porque branco é branco e negro é negro, e o que resta por último é o trabalho e o conforto, somente na hora da dormida, poucas horas.
O negro na economia era o trabalho desqualificado. Era o trabalho bruto, quer dizer, não era um trabalho que usasse a inteligência, pois não era do interesse de seu proprietário, educá-lo para atividades de servidão e total subordinação ao seu senhor.
De acordo com Calógeras (1927), o Brasil, não tendo ainda revelado haveres minerais, só poderia ser colônia agrícola. Os portugueses, por demais escassos, não possuíam braços bastantes para o cultivo de suas fazendas nem para a extração do pau-brasil. Saída única para tais dificuldades deveria ser arrancar, por quaisquer meios, trabalhadores baratos do viveiro aparentemente inesgotável da população regional. Essa foi à origem do negro na economia do país e que durou muito tempo.
O negro na economia brasileira, como em qualquer outra economia que usava o negro como mão-de-obra escrava, era tratado como uma mercadoria que era vendável, como bem retrata este anúncio da época: compram-se escravos de ambos os sexos, com ofício e sem ele, e pagam-se bem contanto que sejam boas pessoas, na rua do Príncipe no 66 loja ou então este: quem tiver para vender um casal de escravos, dirija-se a rua do Príncipe no Armazém de Molhados no 35 que achará com quem tratar. Desta forma, os jornais da época anunciavam constantemente transações de compra e venda de seres humanos, como se fossem produtos que vendidos, pudessem passar de mão em mão sem nenhum poder de reação.
Mesmo após a abolição da escravidão o negro ainda passou por diversos problemas, como o salário baixíssimo, dificuldade de encontrar emprego, de se fixar em uma moradia. Nos dias atuais o negro passou a ter um bom cenário, e existem diversas políticas públicas para garantir isso. Entretanto, ainda é necessário acabar com o preconceito e o racismo, que ainda perdura na sociedade brasileira, mesmo que esta esteja tentando combate-la.
Mesmo após a abolição da escravidão o negro ainda passou por diversos problemas, como o salário baixíssimo, dificuldade de encontrar emprego, de se fixar em uma moradia. Nos dias atuais o negro passou a ter um bom cenário, e existem diversas políticas públicas para garantir isso. Entretanto, ainda é necessário acabar com o preconceito e o racismo, que ainda perdura na sociedade brasileira, mesmo que esta esteja tentando combate-la.
Nos dizeres de Moura (1989), a história do negro no Brasil se mescla quase em sua totalidade na formação da nação brasileira, por meio de sua evolução histórica e social. O negro, considerado um objeto não raro como uma força animal de trabalho, contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da economia atual brasileira, mas mesmo contribuindo de forma bastante significativa, ele não pode usufruir do seu trabalho.
Além de desenvolver a riqueza nacional e disseminar sua cultura, o negro atuou politicamente. São vários os movimentos sócio-políticos na trajetória social e histórica brasileira que participaram o negro escravo ou o negro livre. Vale ressaltar também os quilombos, que foram vistos como movimentos políticos independentes dos escravos, em quase todas as lutas ocorridas ou planejadas o povo negro esteve presente.
Nas lutas pela independência e a sua consolidação, na luta pela expulsão dos holandeses, na Revolução Farroupilha, nos movimentos radicais da plebe rebelde, como a Cabanagem, no Movimento Cabano, e entre outros ele este presente. Ressalta-se também a famosa Inconfidência Mineira, a Inconfidência Baiana, é incontestável a presença do elemento majoritário nessas revoluções lutas, o negro. Ainda segundo Moura (1989), após o fim escravidão e o fim do Império, ele participou de movimentos da plebe, como a em Canudos, e a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido.
João Cândido na Revolta da Chibata
Do mesmo modo, entre 1903 e 1963 surgem em todo o país mais de 20 jornais escritos por negros, dentre os quais A Rua e o Xauter, em 1916, o Alfaiate em 1918, A Liberdade e o Bandeirante em 1919, A Sentinela em 1920, e o Kosmo, no ano seguinte. Além destes, surgiram no interior do movimento muitos outros títulos – O Getulino, Elite, O Clarim da Alvorada, Auriverde, Patrocínio, Progresso, A Chibata, A Raça, a Tribuna Negra etc. Passando a ter uma imprensa independente, os negros procedentes da classe operária passaram a reivindicar e transformar o jornal a tribuna das reivindicações específicas dos negros.
Por volta da década de 30, São Paulo, a cidade mais industrializada do Brasil, contatava com mais de 922 mil habitantes, dentre eles 100 mil eram negros que vivam em condições precárias, em cortiços. Nesse contexto de extrema opressão contra as condições de vida, o movimento negro começa a se destacar no âmbito nacional, com ações voltadas principalmente para o bem-estar social e integração da população negra na sociedade.
Em síntese, o negro estava buscando formas de se integrar como cidadão na sociedade brasileira, pois mesmo com a abolição da escravidão ele continuou a ser considerado uma escória, mesmo livre ele não conseguia acesso à sua cidadania. É interessante dizer, que mesmo com população mestiça, racismo perdurou por muito tempo de forma intensa, mas nos dias atuais com a luta pela igualdade, como é o caso da política de cotas, a sociedade brasileira está procurando meios para que o racismo seja abolido de vez, mesmo que essa tarefa ainda leve vários anos.
A contribuição dos negros na construção da sociedade brasileira é evidente. É possível notar sua influência desde simples superstições até o modo de viver do brasileiro. O cantar, o dançar, o sentir, o produzir e até mesmo o refletir foram características legadas por meio dos negros. Essa grande influência teve início a partir do tráfico negreiro, em que milhões de africanos foram forçados a sair de seu continente de origem para exercer trabalho escravo no Brasil.
O negro foi considerado mercadoria no Brasil a partir do final do século XVI, quando os colonizadores portugueses começaram a substituir a mão-de-obra indígena pela negra. E partir desse momento, o negro se tornou importante no cenário brasileiro. Ele foi introduzido em todas as áreas de trabalho, como a do artesanato, a agrícola e a doméstica.
É necessário salientar que o negro não veio sem cultura do seu local de origem. Ao entrar no Brasil ele viu uma realidade totalmente diferente da que vivia, visto que para o colonizador europeu eles eram considerados somente como mão-de-obra, mas o negro no continente africano vivia em tribos, lá ele era príncipe. A heterogeneidade cultural das etnias africanas era imensa, ou seja, lá se tinha uma prática cultural diferenciada, dependendo da região à qual pertencia.
A contribuição do povo africano para a formação brasileira foi primordial tanto na composição física da população quanto na conformação do que viria a ser cultura, isso inclui várias dimensões, como a culinária, língua, música, religião, estética, valores sociais e estruturas mentais.
Vale ressaltar que a cultura africana também incorpora traços indígenas e europeus. Assim, é possível dizer que esse grande intercâmbio cultural vai além de regiões, para se tornar uma cultura única, a cultura brasileira, considerada uma das mais ricas, fazendo do Brasil um país de grande miscigenação cultural e racial.
Conclui-se nesse contexto, que a histórica do povo africano é rica, e que apesar da aculturação, do sofrimento, e das grandes batalhas por direitos, os negros se tornaram um fator preponderante na construção do Brasil de hoje. E apesar da necessidade de políticas públicas que apoiem o desenvolvimento social, econômico e política da comunidade brasileira, o negro foi e sempre será um dos alicerces dessa nação.