Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

sábado, 4 de novembro de 2017

Saúde - Alimentação - "A necessidade da educação alimentar é uma realidade"

Claudia Cezar
"Esclarecer as crianças é melhor do que impor normas", diz Claudia Cezar - Wanezza Soares
Para a doutora Claudia Cezar, a obesidade combate-se com conhecimento, não com tabus.
Não deixa de ser surpreendente observar que uma especialista em nutrição abra seu livro com esta epígrafe: “Comer não é só fonte de prazer, mas também se configura como um dos últimos redutos da sensação de liberdade”. Não contem, portanto, com Claudia Cezar para o papel de “ditadora da dieta” (palavras dela).
Ex-professora da Universidade de São Paulo, onde o tema da obesidade já se tornara seu principal interesse, a doutora Claudia desviou-se da cátedra para o mundo das pesquisas científicas. Coordenou mais de 50 estudos na área e compartilha as descobertas daí advindas com cerca de 100 mil pessoas obesas – de crianças a idosos – pesquisadas por ela e seu time. Doutora em Nutrição Humana, Fisiologia do Exercício, especialista em Medicina Psicossomática e autora de Comer, Tratar, Curtir, Claudia Cezar dirige hoje o Instituto Perfil Esportivo de Pesquisa, Ensino e Consultoria em Obesidade Humana (Ipepcoh), de São Paulo.
CartaCapital: O título do seu livro é Comer, Tratar, Curtir. Existe de fato a possibilidade de que dietas alimentares não sejam de um rigor bem desagradável?
Claudia Cezar: Hoje é fácil observar que proibir alimentos ou apenas restringir-se deles não é se tratar da obesidade porque essa ditadura dietética não diminuiu seu crescimento mundial. A trama dos personagens esclarece pesquisas científicas usando cenas reais do consultório para evidenciar que “comer a mais” não é a causa da obesidade, mas uma consequência dessa doença inflamatória, degenerativa e multicausal. 
Como cada caso é único, durante o tratamento a pessoa entende quais são as causas do aumento da sua gordura corporal para solucioná-las sem acrescentar mais sofrimento. Alimentar-se de forma agradável torna possível colocar a mudança do tratamento onde ela é necessária, no comportamento alimentar e não no alimento, pois sofrer é desnecessário.
CC: Seu foco são, basicamente, as crianças. Estamos diante do perigo de que elas venham a ser obesas e ao mesmo tempo mal alimentadas?
Claudia: O foco é alcançar a criança interior, ricamente tratada no documentário brasileiro Tarja Branca, pois psicanalistas como Sigmund Freud e Donald Winnicott entendem a obesidade mais relacionada à fase da oralidade. E faz sentido se, desde a infância, as exigências da vida adulta nos fizerem aprisionar essa porção divertida sem questionamento nem reflexão.
Mais de 60% das crianças no mundo já estão obesas e os educadores que fazem a pesquisa Avaliação do Estado Nutricional de Escolares (Aene) estão identificando o mesmo nas escolas particulares em São Paulo, porque os pais não são informados quando seus filhos estão obesos em nível de gravidade 1.
Leia mais:

É que, antes de ser doença, a obesidade é uma alteração do Estado Nutricional e sua seriedade alcançou a Medicina do Trabalho, que, neste ano, incluiu esse termo como verbete no Dicionário de Saúde do Trabalhador. A má alimentação não é a única causa da obesidade, porque, como a trama explica, dormir menos de oito horas e não brincar diariamente são causas reais de aumento da gordura corporal, independentemente da faixa etária.
CC: Quais são os grandes perigos da alimentação infantil? O que fazer diante de, por exemplo, doces, refrigerantes e sorvetes?
Claudia: Os maiores perigos são a imposição e o modismo que somente acontecem devido à falta de conhecimento sobre o assunto. Por isso meu livro orienta que os pais valorizem os professores que realizam a pesquisa-ação Aene entre os alunos.
Quando os educadores explicam os necessários cuidados com as células do corpo usando o conteúdo curricular e o livro didático da própria escola, argumentam de forma compreensível para a realidade e os interesses dos alunos.
Para quem olha de fora, o resultado parece mágica, como mostra o estudo publicado pela professora de educação física Maria Alice Zimmermann, que em um ano diminuiu a obesidade em mais de 20% nos estudantes do ensino fundamental. Devido às aulas com Aene, seus alunos escolheram, sem imposição, diminuir refrigerantes, fritas e hambúrgueres excessivos, sem erradicá-los do cardápio.
A alimentação infantil é um assunto complexo que requer a atenção de todos os envolvidos, porque os pais precisam de ajuda, pois proibir não é a solução, não ensina nem prepara para a vida adulta e ainda reprime a inteligência.
CC: Onde está a maior tentação para a criança, em casa ou fora?
Claudia: Fora de casa fica evidente a ineficiência das leis para proteger o consumidor contra a perversão de quem se importa apenas com lucro. Dentro de casa, eleger culpados também não é solução, porque somos fruto da cultura e pais, familiares e educadores somente ensinam o que aprenderam.
A tentação é uma realidade, mas também precisamos entender que cedemos a elas graças às nossas necessidades celulares e emocionais. A história mostra esse fenômeno na dificuldade de o pai entender que sua esposa tem preferência por alimentos doces no desjejum.
De forma suave, o texto enfatiza nossa dificuldade de lidar com conflitos e de firmar, ou cumprir, acordos verbais. Tratar a obesidade ou educar filhos requer acordos, porém, se forem contextualizados, agradáveis e condizentes com nossas necessidades, nos permitem ceder a tentações com certa regularidade e ainda colaborar com a construção da boa saúde sem ninguém se irritar.
CC: Entre 2002 e 2003, na Califórnia, a prefeitura de Berkeley solicitou que a lendária chef Alice Waters refizesse o cardápio das escolas públicas locais. Ms. Waters é pioneira na escola de produtos orgânicos, sazonais e locais. Um semestre depois, os pais pediram a volta dos hambúrgueres e das batatas fritas. A educação alimentar não devia começar pelos adultos?
Claudia:  Estudos como este seguem o modelo positivista, de resposta única com intervenção externa, que, por ser imposto, não proporciona solução. A necessidade da educação alimentar é uma realidade e, diferentemente da educação nutricional, precisa acontecer nas escolas. Por isso, a Unesco prepara-se para, sem incorrer no mesmo erro, fazer essa exigência nas escolas a partir de 2023.
Oposta ao positivismo está a teoria da complexidade, proposta pelo sociólogo francês Edgar Morin, que permite associar o conteúdo do currículo escolar a outros temas como a educação alimentar, por exemplo. Condição fundamental para facilitar o ensino transdisciplinar e por projetos sugeridos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.Entendo que o ideal é começar primeiro pelos adultos, sim, porque é um conhecimento que ainda precisa ser aprendido para ser ensinado.
CC: Qual seria a dieta ideal para as escolas públicas? Aquela que atendesse à demanda calórica da meninada sem induzir ao sobrepeso?
Claudia:  Na escola pública, os problemas pioram por causa da restrição financeira e das nutricionistas do Departamento de Alimentação Escolar precisarem formular cardápios sem saber quantos alunos estão com o estado nutricional alterado.
Mas, mesmo que fosse possível, hipoteticamente falando, que conseguissem fornecer refeições diferenciadas, como os escolares se comportariam? Acompanhei um estudo maravilhoso com escolares da rede pública, realizado e publicado pelas educadoras Ieda Heeren e Doroteia Fortes.
Elas mostraram que os alunos aumentaram o consumo voluntário de frutas e interferiram na composição da merenda, solicitando, por exemplo, a retirada da salsicha. A pesquisa Aene permite estudar essas possibilidades a partir do ponto de vista de quem atua e está na escola no momento em que ela acontece.
Estamos verificando que, se o conhecimento escolar não for suficiente para motivar crianças, adolescentes e adultos para a autogestão da saúde, não tem como responsabilizar a merenda escolar ou os alimentos da cantina, porque não existe uma dieta ideal, mas, sim, pessoas únicas que precisam aprender a entender sobre suas necessidades.
CC: A alimentação em geral está sujeita a tabus e mitos que se renovam de vez em quando. Por exemplo, o ovo já foi maldito, não é mais. A carne vermelha é sempre polêmica. Gordura animal saiu do índex. A manteiga parece mais inofensiva do que a margarina. E a sempre perseguida carne de porco? Como se comportar diante desses altos e baixos?
Claudia: Sua pergunta é extremamente rica e está relacionada a múltiplas áreas, mas vou me ater apenas a um ponto em comum nesses alimentos: a gordura é um macronutriente considerado vilão, porque fornece mais do que o dobro de calorias dos outros.
Se ingerido em excesso, aumenta os triglicérides e a fração LDL do colesterol, substâncias que facilitam a ocorrência das doenças cardiovasculares mesmo em crianças. No entanto, como contextualizado no meu livro, há situações e condições em que é ingerido sem causar danos.
Como se comportar diante das novidades comerciais não traz uma resposta simples ou única, mas o conhecimento necessário para escapar dos tabus e mitos é básico e fixo. Dominá-lo nos enriquece e ao mesmo tempo proporciona mais prazer e sabor, enquanto nos tratamos da obesidade ou a prevenimos. É como a letra da música Tô, de Zélia Duncan, que diz: Tô estudando pra saber ignorar. Porque o conhecimento torna a vida mais fácil, com menos regras e ditadores.
CC: Estamos vivendo o fetiche dos orgânicos. Eles fazem de fato uma boa diferença na qualidade da alimentação?
Claudia:  Sim, mas, como os demais temas, precisa acontecer sem exageros. A própria Organização Mundial da Saúde orienta que a boa saúde ocorre por harmonia entre as esferas física, mental, emocional e espiritual do ser humano.
A alimentação parece mais relacionada com a esfera física, porque é concreta, mas também está ligada às nossas emoções, ao nosso prazer de existir, pois comer orgânicos por obrigação pode fazer mais mal do que bem, dependendo do contexto de vida da pessoa. Por exemplo, meu livro mostra que as prioridades do tratamento mudam de acordo com o nível de gravidade da obesidade, porque, quanto mais grave é o caso, mais simples devem ser as regras de mudança. Mudar nunca é fácil, então que seja pelo menos saboroso e de acordo com o paladar de cada um.
Comer orgânicos e integrais é uma excelente opção, mas não é condição para tratar da obesidade se a pessoa não tem esse costume. Aliás, a liberdade de escolher o que se gosta de comer é um dos fatores que têm feito esse tratamento ter adesão maior que 80%.
CC: Vegans, ou veganos, estão na moda. Dietas tão restritas funcionam ou são doutrinas digamos assim religiosas?
Claudia:  Eu respeito quem é vegetariano, mas não indico, porque somente o nutricionista ou a nutricionista sabe construir uma refeição sem usar os nutrientes da proteína de origem animal e, ao mesmo tempo, atender às necessidades nutricionais do organismo sem exceder em calorias. Esse cálculo é bem complicado e desconhecê-lo é uma das causas da obesidade bem frequente nos consultórios.
CC: Qual é a relação ideal entre exercício físico e alimentação?
Claudia:  Sem se alimentar é impossível ter disposição para a prática física ou atividades diárias, por isso o título do meu livro começa com o verbo comer. Mas, quando há obesidade, a indisposição para o movimento não é preguiça, é dor.
Nas pesquisas sobre alterações do aparelho locomotor de pessoas obesas, identificamos que adolescentes e adultos não reconhecem quando estão sentindo dor. É que eles se acostumam lentamente ao árduo esforço de movimentar seu corpo pesado e, quando esse desconforto piora devido à dor de uma microlesão muscular, por exemplo, não conseguem diferenciar, porque já estavam sofrendo antes, no esforço diário de se locomover.
Acostumadas a não reclamar por causa da discriminação que sofrem, as pessoas obesas precisam encorajar-se para reconhecer uma dor porque ela é um alerta e, sem tratamento, só vai piorar. A relação ideal, apresentada no meu livro, é demonstrada nos verbos tratar e curtir do título, porque muitas vezes o programa de exercícios físicos vem somente depois da fisioterapia, como mostra a tabela de contraindicações de exercícios físicos em acordo com o nível de gravidade da obesidade.
Curtir é sentir, pois toda pessoa pode entender suas dores e suas satisfações como guias de autoconhecimento e satisfazer as necessidades do próprio corpo. Afinal, tratar a obesidade precisa ser melhor e mais fácil do que a experiência de estar obeso para a pessoa querer fazer diferente do que já faz.
Fonte: CARTA CAPITAL

Parques nacionais devem receber 11,5% a mais de turistas em 2017

foz

O número de turistas em parques nacionais crescerá 11,5% em 2017, segundo análise da Euromonitor International (Instituto de Inteligência Comercial). O levantamento estima ainda que, em 2018, o País deve alcançar o número recorde de 8,6 milhões de turistas nas unidades de conservação.
“Esse crescimento representa a mudança de um país que demonstra que pode ir muito além do turismo de Sol e Praia e que tem a natureza como sua maior riqueza. Trata-se de um posicionamento mundial muito importante, pois somos o País com maior potencial do mundo em atrativos naturais para o turismo”, destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Vinicius Lummertz.
O presidente também destacou a importância desses números, uma vez que a estimativa é superior à alta de 2% prevista para o mercado de viagens domésticas, e disse acreditar que é possível crescer ainda mais se o processo de concessão de serviços de apoio à visitação nas unidades for acelerado.
“A saída para um aumento ainda maior do número de visitantes nos Parques Nacionais é a concessão para a iniciativa privada. Os casos de sucesso dos parques da Tijuca (RJ), Foz do Iguaçu (PR) e Fernando de Noronha (PE) comprovam essa necessidade”, afirma.
Concessão
Hoje, no Brasil, são 324 unidades de conservação, com abrangência de 9% do território nacional. Dessas, 72 são Parques Nacionais, em 26 milhões de hectares.
Fernando Sousa, diretor institucional do Grupo Cataratas, concessionário dos parques da Tijuca, de Fernando de Noronha e de Foz do Iguaçu, acredita que o aumento no número de visitas está ligado às melhorias em infraestrutura e serviços oferecidos nos locais. “O número de visitantes do Parque da Tijuca, por exemplo, subiu de 700 mil, no início da concessão, para 1,8 milhão este ano, o que representa um crescimento de 17%”, afirma.
Segundo ele, a concessão proporciona um salto de qualidade para todo o público, com acessibilidade, limpeza e manutenção continua, além de profissionalização dos serviços e uma experiência com mais informações para os turistas.
Outras três unidades de conservação do País estão em processo de concessão: Parque Nacional de Brasília (DF), Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) e Parque Nacional do Pau Brasil (BA).
Reconhecimento internacional
O Brasil aparece em primeiro lugar no ranking da World Travel and Tourism Council (WTTC) no quesito recursos naturais e os Parques Nacionais. O País também foi eleito como o de maiores belezas naturais pela revista turística internacional Conde Nast Traveller e como o país “mais legal do mundo” pelo canal norte-americano CNN.
Fonte: Governo do Brasil, com informações da Embratur
C/ Brasil Cultura

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

DIREITOS HUMANOS: CCJ aprova feriado nacional no Dia da Consciência Negra

Resultado de imagem para imagem da consciência negra
Foto Google
Reunião Ordinária. Dep. Chico Alencar (PSOL-RJ)
O relator, Chico Alencar, recomendou a aprovação da proposta - Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou o Projeto de Lei 296/15, do deputado Valmir Assunção (PT-BA), que transforma o Dia Nacional da Consciência Negra – comemorado em 20 de novembro – em feriado em todo o País.
O autor ressalta que 20 de novembro é a data da morte de Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial, e representa, no plano simbólico, a herança histórica da população negra no processo de libertação e de luta por direitos violados.
O parecer do relator, deputado Chico Alencar (Psol-RJ), foi pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do projeto e do substitutivo da Comissão de Cultura. Em vez de criar uma nova lei, o substitutivo modifica a Lei 662/49, que define os feriados nacionais.

“A data escolhida procura homenagear uma figura histórica de extrema importância e que denota a necessidade de pluralizarmos nossos heróis nacionais”, afirmou Alencar. “A luta de Zumbi de Palmares é uma das mais relevantes da história de nossas repúblicas, cabendo a exposição e festejo desse símbolo das lutas e ganhos da população negra de nosso País”, completou.

Ele destaca que estados e municípios aprovaram leis com a homenagem e fixação de feriado, como as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá. “Cabe agora à União reconhecer essa data”, concluiu.
Tramitação
O projeto foi aprovado pela Comissão de Cultura, mas rejeitado na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço. Agora segue para análise do Plenário da Câmara.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Lara Haje 
Edição - Marcia Becker

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias

Sociedade - Direitos - Os waiãpi afiam suas flechas contra invasores na Amazônia

Waiapi04.jpg
Homem waiãpi exibe arco e flecha
por AFP

No Amapá, indígenas temem avanço da exploração mineral. Vereador pede resposta pela política.

Eles aparecem silenciosamente, aparentemente do nada: uma dúzia de figuras, nuas, exceto pelas tangas vermelho vivo, bloqueando a estrada de terra.  São os waiãpi, antiga tribo que vive na Amazônia brasileira, que agora teme a invasão de empresas mineradoras internacionais.

Conduzindo os repórteres da AFP para um pequeno assentamento de cabanas de palha escondidas entre folhagens, os membros da tribo pintados com tinta vermelha e preta se comprometem a defender seu território. E brandem arcos de dois metros e flechas para reforçar suas palavras. 
"Nós continuaremos lutando", diz Tapayona Waiãpi, de 36 anos, no assentamento chamado Pinoty. "Quando as empresas vierem, continuaremos resistindo. Se o governo brasileiro enviar soldados para matar pessoas, continuaremos resistindo até o último de nós estar morto."
A reserva indígena Waiãpi fica em uma floresta preservada perto do extremo leste do Rio Amazonas. Ela faz parte de uma zona de conservação muito maior, a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), que cobre uma área do tamanho da Suíça. 
Leia também:

Cercada de rios e árvores altas, a tribo funciona quase inteiramente de acordo com suas próprias leis, com um modo de vida às vezes mais próximo da Idade da Pedra do que do século XXI. No entanto, o Brasil moderno fica a poucas horas de carro.
E agora, o governo federal está pressionando para abrir a Renca a mineradoras internacionais que cobiçam os ricos depósitos de ouro e outros metais escondidos sob a vegetação. 
Em agosto, o presidente Michel Temer decretou o fim das restrições à mineração na Renca, provocando uma onda de protestos de ambientalistas e celebridades, como Leonardo DiCaprio e Gisele Bündchen. 
Temer voltou atrás em setembro. No entanto, os waiãpi, que foram quase aniquilados por doenças após serem descobertos por forasteiros na década de 1970, continuam aterrorizados. A floresta tropical "é a base da nossa sobrevivência", diz Moi Waiãpi, de 35 anos, outro habitante de Pinoty.
A estrada
A estrada de terra é a única rota para o território Waiãpi. Pinoty, onde algumas dúzias de pessoas dormem em redes sob tetos de palha e sem paredes em volta, é a primeira aldeia – a fronteira. 
Para chegar aqui é preciso obter uma série de autorizações e, em seguida, fazer uma viagem de duas horas em terreno irregular, a partir da pequena cidade de Pedra Branca do Amapari. A capital do estado do Amapá, Macapá, uma das mais remotas do País, fica a horas de distância. 
Quando se chega a Pinoty e se avista a placa do governo que diz "Terra Protegida", já se está longe do sinal de celular, da rede elétrica, do último posto de gasolina e de muitas leis nacionais. 
Nessa zona remota, os waiãpi contam com escassa proteção contra as poderosas forças que empurram, há décadas, a indústria e o agronegócio cada vez mais para dentro da Amazônia, com o objetivo de tornar o Brasil uma superpotência exportadora de commodities.
A própria estrada é um monumento a essas ambições. A construção da BR-210, conhecida como Perimetral Norte, começou durante a ditadura civil-militar (1964-1985) com o objetivo de ligar o Brasil à Venezuela. O financiamento fracassou e a construção foi interrompida na década de 1970, deixando a estrada abandonada na selva profunda, a mais de 1,1 mil quilômetros do objetivo pretendido. 
Porém, mesmo inacabado, o projeto faraônico mantém uma presença ameaçadora. Embora a circulação de carros por ali seja baixíssima, a estrada que leva a lugar nenhum é notavelmente bem conservada. 
Calibi Waiãpi, outro membro da tribo, acredita que o governo espera um dia ressuscitar aquele sonho de uma via através do território selvagem. "Haveria carros, caminhões, violência, drogas, assaltos. A cultura mudaria. Os jovens iriam querer celulares, roupas, computadores", diz o homem de 57 anos. "Se um monte de homens brancos viessem, seria o fim."
Flechas para Temer 
Os mais ousados ameaçam reagir com violência a qualquer tentativa de invasão. "Se Temer chegar aqui, em qualquer lugar perto de mim, é isso que ele vai ganhar", diz Tapayona Waiãpi, brandindo uma longa flecha com ponta de madeira afiada. 
Embora os waiãpi tenham espingardas para caçar desde o primeiro contato com o governo, na década de 1970, eles ainda usam flechas, que são envenenadas. "Estas são as nossas armas para que não sejamos dependentes de armas não indígenas", disse Aka'upotye Waiãpi, de 43 anos, na aldeia Manilha, enquanto esculpe um novo arco.
Leia mais:

Mas a demonstração de força dos membros das tribos, um dos quais balançava um porrete em forma de machado de madeira, era, sobretudo, bravata. Há apenas cerca de 1,2 mil indígenas waiãpi, espalhados pelas aldeias acessíveis a pé ou por rio. Eles mal podem monitorar, e muito menos proteger, seu território. Em maio deste ano, uma mina ilegal foi descoberta e fechada a menos de 2 quilômetros ao sul de Pinoty. 
Jawaruwa Waiãpi, 31 anos, diz que métodos como lutar ou mesmo fugir para a floresta não funcionam mais. No ano passado ele foi eleito para a Câmara de vereadores de Pedra Branca do Amapari (Rede-AP), tornando-se o primeiro membro de sua tribo a ocupar um cargo político. Ele diz que a persuasão pacífica é o único caminho viável agora. 
"Temos outro caminho, outra estratégia, que é participar na vida política", afirma. "Hoje, não temos de lutar com flechas ou bordunas. Temos de lutar através do conhecimento, através da política, da nossa união... Esta é a nossa nova arma."
*Leia mais na AFP

Ministra Luislinda Valois desiste de reivindicar salário duplo


Do G1:
A assessoria da ministra Luislinda Valois informou nesta quinta-feira (2) que ela desistiu de reivindicar do governo o acúmulo do salário integral da atual função com a aposentadoria de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia.
O acúmulo somaria R$ 61 mil, valor que supera o teto do funcionalismo, de R$ 33,7 mil. Entre as justificativas que apresentou no pedido, disse que trabalhar sem receber contrapartida “se assemelha a trabalho escravo”.
“Considerando o documento sobre a situação remuneratória da ministra Luislinda Valois, o Ministério informa que já foi formulado um requerimento de desistência e arquivamento da solicitação”, informou nota divulgada pela assessoria do Ministério dos Direitos Humanos.
Atualmente, Valois recebe por mês R$ 30,4 mil pela aposentadoria de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia. Como ministra, ela recebe somente R$ 3,3 mil e tem descontados R$ 27,6 mil, o chamado “abate teto”.
Trechos do documento de 207 páginas enviado por Valois à Casa Civil reividicando o acúmulo das duas remunerações foram publicados nesta quinta pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.
A Casa Civil deu um parecer negando o pedido da ministra, e enviou o caso ao Ministério do Planejamento, que ainda não deu um parecer final.
Mais cedo, à TV Globo, por telefone, Valois disse que está prestando serviço ao Estado brasileiro e que considerava justo receber por isso. Disse que apenas por analogia citou o trabalho escravo.
O Código Penal diz que trabalho escravo é aquele forçado, com jornada exaustiva, degradante. Além do salário de mais de R$ 30 mil, a ministra ainda tem direito a carro, motorista e viagens de avião da Força Aérea para compromissos profissionais.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

A coragem de uma escritora de 71 anos que está liderando um movimento de repúdio a Bolsonaro em Santo André

Dalila Teles Veras
Por
Eduardo Reina

A concessão do título de cidadão andreense ao deputado federal e pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSC), pelo vereador Sargento Lobo, do Solidariedade, criou uma onda de críticas e protestos na cidade de Santo André e região do ABC.
Uma das mais atuantes intelectuais do município, a livreira e poeta Dalila Teles Veras, promete devolver o título de cidadã honorária andreense se a Câmara aprovar o projeto de lei que concede a mesma honraria a Bolsonaro.
Em seu Facebook, Dalila destaca que a homenagem a Bolsonaro, que nunca contribuiu com Santo André, é um ato explícito de campanha eleitoral e que merece repúdio.
Solenemente, devolverei o título de cidadã honorária andreense, caso a Câmara Municipal de Santo André aprove o projeto de lei de um vereador que não merece ter seu nome aqui citado, propondo título de cidadão honorário andreense àquele outro deputado que pretende ser candidato a presidente da república e que me recuso também a dizer seu nome. Foi com muita honra que recebi, em 2002, esse título, não só porque já me sentia cidadã andreense, pelo fato de ter escolhido esta cidade para morar e também por, desde sempre, ter defendido os direitos de outros cidadãos ao ter me engajado em tantas lutas. Homenagear oficialmente um político que jamais contribuiu em nenhum aspecto com esta cidade é um ato explícito de campanha eleitoral e merece meu mais veemente repúdio”, escreveu Dalila.
A poeta é proprietária de uma livraria, a Alpharrabio, ponto de encontro de intelectuais. Também é editora e educadora. Dalila nasceu no Funchal, Ilha da Madeira, em 1946. Reside no Brasil desde 1957.
É animadora cultural, organizadora de cursos, seminários e congressos. Participou como convidada da Unesco do Colóquio Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo, realizado em 1991, em Paris, com a comunicação “A Imprensa Alternativa no Brasil como resistência cultural”.
Adotou a cidade de Santo André para viver e diz que já se sente uma andreense nata. Mas que não pode aceitar uma homenagem do povo de Santo André a um homem que não defende os direitos humanos. A poetisa destaca o objetivo eleitoreiro de conceder o título ao pré-candidato.
O autor do decreto legislativo, vereador Sargento Lobo, hoje no Solidariedade, deverá se transferir para o PEN, legenda que também deverá receber a inscrição de Bolsonaro. O PEN mudará de nome para Patriota antes do início da corrida presidencial em 2018
O vereador informa que ainda não sabe quando poderá ser realizada a sessão que vai conceder a honraria a Bolsonaro. Lobo aguarda a disponibilidade da agenda do pré-candidato. Mas acredita que poderá ser em março do próximo ano.
Santo André é uma das primeiras cidades criadas do Brasil, com fundação antes mesmo da cidade de São Paulo. Completará 465 anos em 2018.
O município tem grande tradição de militância política ligada a sindicalistas e a movimentos de esquerda. Em 1947, os andreenses elegeram Armando Mazzo, do Partido Comunista Brasileiro. Mazzo era operário e líder sindical. Foi o primeiro prefeito comunista eleito no Brasil, exatamente em Santo André.
Foi também em Santo André o registro de um dos primeiros prefeitos eleitos pelo PT, com Celso Daniel, em 1988.
Hoje há uma grande corrente contrária à concessão da homenagem a Bolsonaro. Um abaixo assinado circula na internet para tentar barrar o ato. O documento pode ser assinado aqui.
“Nós, moradores de Santo André-SP, somos contra o Projeto de Decreto Legislativo nº 10/2017, que propõe a concessão do título de “Cidadão Honorário do Município de Santo André” ao Senhor Jair Messias Bolsonaro”, diz o rol de assinaturas #BolsonaroNão.
O texto destaca que “Bolsonaro é a voz representante da extrema direita brasileira e em todas oportunidades em que lhe é permitido falar, explora e ataca as minorias, entre as quais se enquadram milhares de moradores do município. Jair é homofóbico, misógino e racista por natureza e convicção. Idolatra a extrema direita neonazista e admira os torturadores da ditadura militar, a qual enaltece em todas as oportunidades.”

“Por que dar título de cidadão a quem nunca fez nada pela cidade e não tem vínculo nenhum com Santo André? Não é admissível utilizar dinheiro público para um ato que tem como pano de fundo motivação eleitoral, gerando palanque e exposição ao proponente e ao homenageado!”
Fonte: DCM

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Música e poesia de cordel na 7ª Edição da Quinta Cultural



As tradições nordestinas tomaram conta da Quinta Cultural no dia 26 de outubro, no Auditório José Campelo Filho. Em sua 7ª edição, o projeto recebeu a dupla de músicos Mazinho Viana e Regina Casaforte, o cordelista mirim Filipe Borges, de 11 anos, além da participação especial do mestre cordelista Antonio Francisco, de Mossoró-RN.


A abertura do show ficou por conta de Filipe, que recitou versos de sua própria autoria, e cordéis de Antonio Francisco. O cordelista mirim não parou quieto no Auditório: manteve a interação com o público, apertou a mão das pessoas, e conseguiu trazer felicidade, emoção e também reflexão com os seus versos.

Apesar da pouca idade, Filipe Borges se mostra um apaixonado pela literatura nordestina e também estrangeira. “A leitura é como uma nave que te leva para outros planetas. Quando eu leio, me sinto em Hogwarts, como em Harry Potter, ou no Acampamento Meio-Sangue, de Percy Jackson ”, ressalta. Apesar de gostar dos personagens famosos entre as crianças de sua idade, as maiores inspirações para Filipe são pessoas reais, nordestinos como ele: sua mãe, a também poeta Claudia Borges, e o mestre Antonio Francisco. Inspirado e incentivado por eles, o menino escreveu o seu primeiro livro intitulado Natureza em Versos. “Meu livro tem um tema totalmente ecológico. Eu penso muito na natureza, porque eu tenho visto as pessoas maltratando os animais, a Terra, e eu tento protege-la”, explicou. Empolgado com a sua paixão pela literatura de Cordel, ele se dedica ao Caçador que Aprendeu a Amar, seu segundo trabalho como escritor, mas não conta pra ninguém a história completa que é para “não dar spoiler” aos futuros leitores de sua obra. “Quando crescer eu quero ser ator... Mas, pra mim, a literatura é a minha vida e eu não pretendo parar ”, enfatiza Filipe.

Logo após a apresentação de Filipe, foi a vez do mossoroense Mazinho Viana, da pernambucana Regina Casaforte, e dos músicos Oswin Lohss (compositor e pianista alemão) e Gideon (baterista). A apresentação foi repleta de belas músicas autorais, com direito a utilização de vários instrumentos, como agogô e castanholas da Espanha, que prenderam ainda mais a atenção do público. A dupla apresentou um trabalho regionalista, e com bastante diversidade. Em suas músicas vemos traços de blues, reaggae, xote, côco, entre outros ritmos. Mazinho também tem uma parceria com o mestre cordelista Antonio Francisco. “Desde muito cedo eu tenho uma parceria com ele, e como eu já estava bem perto de seu trabalho, fui musicando suas poesias”, explicou. Uma das músicas mais famosas fruto dessa parceria é “Metade de Dez”, que não fez ninguém ficar parado. “A Quinta Cultural nos deixou muito surpresos, em um espaço excelente. Parabéns ao Sindicato, a João Barra, Nando Poeta que estão insistindo e acreditando, porque é preciso isso acontecer na nossa Cidade”, disse Regina Casaforte.

Para Antonio Francisco, a Quinta Cultural mantem viva a cultura do nosso estado. “Se Câmara Cascudo tivesse vivo, dizia o que eu tô dizendo agora: que o Rio Grande do Norte tem poeta, tem sim muitos artistas. E a Quinta Cultural é mais do que um projeto, é polir a alma da cultura do nosso estado”, exaltou o poeta.
______

O projeto Quinta Cultural é um evento do Sindicato dos Bancários do RN, com produção de João Barra e Nando Poeta. O evento é gratuito, aberto ao público, e acontece sempre na última quinta-feira de cada mês. Fique por dentro das próximas atrações, siga a nossa página https://www.facebook.com/bancariosrn/

Fonte: BANCÁRIOS/RN

8 mil índios mortos: o desastre da Transamazônica, grande “legado” dos militares, segundo Bolsonaro

Na inauguração do 1º trecho da Transamazônica, no PA, o general Médici e o ministro dos Transportes Mário Andreazza

Por 
Kiko Nogueira
Num dos trechos mais patéticos de sua entrevista a Mariana Godoy na RedeTV, Bolsonaro fez a elegia dos militares, que “trouxeram o Brasil da 49ª para a 8ª economia do mundo”.
Depois de ser lembrado pela apresentadora que eles deixaram o Brasil com “muita inflação” e aumentaram a dívida externa, o candidato a presidente insistiu: “olhe a infraestrutura deixada por eles, inclusive nas telecomunicações”.
“Rodovias, portos, aeroportos, a integração da Amazônia. Mesmo com os problemas da Transamazônica, o que ficou de legado pra nós, porque a nossa Amazônia estava condenada a ser perdida, se nós não investíssemos na Zona Franca de Manaus, que foi com o Castelo Branco, os territórios criados…”
Jair não tem a menor ideia do que está falando. Uma matéria do iG de 2013 fez um raio X do desastre humanitário da ditadura naquela região. 
Segue:
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) pela região Amazônica indicam um verdadeiro genocídio de índios durante o período da ditadura militar. Não há como falar em um número exato de mortos devido à falta de registros.
Os relatos colhidos, no entanto, apontam que cerca de oito mil índios foram exterminados em pelo menos quatro frentes de construção de estradas no meio da mata, projetos tocados com prioridade pelos governos militares na década de 1970.
Os trabalhos da Comissão da Verdade miram os processos de construção e o início do funcionamento das rodovias BR-230, conhecida como Transamazônica; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, a BR-210, conhecida com Perimetral Norte e a BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).
Essas estradas fizeram parte do Plano Nacional de Integração (PIN), instituído pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, em 16 de julho de 1970, e que previa que 100 quilômetros em cada lado das estradas a serem construídas deveriam ser destinados à colonização. A intenção do governo era assentar cerca de 500 mil pessoas em agrovilas que seriam fundadas.
Transamazônica
A Transamazônica foi escolhida como prioridade e, por isso, representou uma verdadeira tragédia para 29 grupos indígenas, dentre eles, 11 etnias que viviam completamente isoladas. Documentos em poder da Comissão da Verdade apontam, por exemplo, o extermínio quase que total dos índios Jiahui e de boa parte dos Tenharim. O território dessas duas etnias está localizado no sul do Estado do Amazonas, no município de Humaitá.
O Ministério Público Federal no Amazonas também abriu um inquérito para apurar as violações de direitos humanos cometidas contra esses povos no período da ditadura militar. Os documentos indicam ainda que indígenas sobreviventes acabaram envolvidos nas obras em regime de escravidão.
Mapa da Terra Indígena decretada por Figueiredo em 1981. Grupos indígenas foram os mais prejudicados pela política de ocupação da Amazônia no regime militar
Atualmente, a população Jiahui, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), não chega a 90 índios. Antes da construção da estrada, eram mais de mil. Já os Tenharim somam hoje 700 pessoas. Eram mais de dois mil antes da chegada das frentes de construção.
Matança
Entre as práticas de violência contra índios já identificadas estão as “correrias”, expedições de matança de índios organizadas até o final da década de 1970, principalmente no sul do Amazonas e no Acre. Essa prática foi detalhada no primeiro relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, um documento de 92 páginas, ao qual o iG teve acesso.
Fonte: Brasil Cultura

Após censura, Caetano remarca show em apoio a ocupação do MTST

caetano-veloso109543
O cantor e compositor Caetano Veloso, que foi impedido de fazer um show gratuito na ocupação Povo sem Medo em São Bernardo do Campo na segunda, remarcou a apresentação para o dia 10 de dezembro, ainda sem local definido.
O show aconteceria em apoio às 8 mil famílias trabalhadoras que ocupam há 2 meses um terreno abandonado por 40 anos pela construtora MZM. Mas, em um ato explícito de censura, a juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São Bernardo, proibiu a apresentação na ocupação.
De acordo com a decisão, caso o show acontecesse, a multa seria de R$ 500 mil, sendo “deferida ordem policial, caso necessário”. Para interditar a apresentação, a juíza alegou que o local não tinha estrutura para suportar show de um artista da envergadura de Caetano Veloso.
Para o cantor, a proibição do show foi lamentável. “Dá a impressão que não é um ambiente propriamente democrático”.
“É a primeira vez que sou impedido de cantar no período democrático”, disse Cateno.
A informação da nova apresentação foi confirmada pela produtora Paula Lavigne, empresária do artista, ao Uol Notícias.
Marcha histórica
Nesta terça-feira (31), uma marcha histórica do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) reuniu mais de 20 mil pessoas em uma caminhada de 23 km de São Bernardo do Campo até o Palácio do Bandeirantes para reivindicar a desapropriação do terreno abandonado.
O saldo da luta do povo foi a promessa do governo Alckmin de realizar investimentos em habitação e o cadastramento no Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) das famílias que ocupam o espaço.
Do Portal Vermelho

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CULTURA: UFRJ: Martinho da Vila é doutor honoris causa

Sem Título-7.jpg
Vila Isabel, Portela, intelectuais... tudo misturado! (Reprodução)
Vitória da luta contra o racismo!

Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, cantor, compositor, músico, escritor, poeta e defensor da cultura negra, é também, a partir de hoje (31), doutor honoris causa, título concedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir de uma proposta apresentada pelo Departamento de Letras Vernáculas da Faculdade de Letras.
O título aprovado pelo Conselho Universitário indica que o artista “tornou-se um mediador entre a cultura popular e a erudita, por suas qualidades biculturais de mestre popular e de ídolo da indústria cultural, o que potencializou sua atuação na promoção da cultura popular e na militância contra o racismo na sociedade brasileira”.
Com uma atuação em tantos campos, nada mais natural que todos estivessem representados na sessão solene do Conselho Universitário da UFRJ, no prédio da Faculdade de Letras, na Ilha do Fundão, zona norte do Rio. Desde integrantes da velha guarda e da ala de baianas da Unidos de Vila Isabel, a escola de samba do coração de Martinho, a representes das letras, da música e da comunidade negra, todos queriam prestar homenagem ao cantor e compositor. “Para nós, é uma alegria muito grande ver um parceiro nosso, amigo receber esse título. Adorei ver isso”, disse o compositor Manuel Silva, de 71 anos, componente da velha guarda.
Para a integrante da ala de baianas da Vila, Ivonete da Silveira, de 63 anos, foi “excelente” poder ver o reconhecimento de Martinho, que segundo ela, é uma figura importante da escola. A baiana lembrou que é sempre uma emoção desfilar com um samba de autoria dele. “É uma emoção. O coração começa a bater mais forte. A mente fica sem saber o que pensar”, contou, acrescentando, que melhora se vier acompanhado de um campeonato da escola. “Aí fica tudo melhor, fica tudo bem”, disse sorrindo.
Entre os parentes, uma pessoa em especial: dona Elza, a irmã mais velha, que aos 90 anos fez questão de comparecer à cerimônia de entrega do título. E Martinho ficou feliz com a presença dela. “Foi uma surpresa para mim que a substituta da minha mãe, a número 1, como a gente chama, saiu lá de Curicica [bairro da zona oeste] e veio aqui, a Elza, representando toda a minha família”, revelou apontando para a irmã, que estava sentada na primeira fila.
Depois da cerimônia, emocionada, dona Elza falou de Martinho, que para ela é mais que um irmão. “Eu criei ele. Foi criado aqui na minha mão. Trabalhamos muito para criar ele. Ele estudou. Tenho ele como um filho. É uma alegria. Nunca pensei em chegar aos 90 anos”.
Martinho destacou ainda, entre os presentes, o babalaô Ivanir dos Santos e a professora Helena Teodoro, que lançaram a indicação para que ele recebesse o título aprovado por unanimidade pelos colegiados da UFRJ. “Hoje, para mim, é um dia de graça”, apontou o artista.
Na saudação ao homenageado, a professora Carmen Tindó, que apresentou a proposta de concessão do título a Martinho no Conselho Universitário, destacou que a cultura negra está sempre representada nas músicas do artista. Ela lembrou ainda que o artista sempre se posicionou politicamente, inclusive no período da ditadura, como no samba enredo Sonho de um sonho. “E eu cito: ‘Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado. Um sonho de um sonho magnetizado. As mentes abertas, sem bicos calados. Juventude alerta e seres alados’. É clara neste fragmento citado, a mensagem poética que sonha um país sem censura”, apontou.
O reitor Roberto Leher afirmou que ter um intelectual do porte de Martinho da Vila nos quadros da UFRJ é muito importante para a afirmação da juventude negra, que tem conseguido cada vez mais espaço na universidade por meio de políticas públicas como as cotas. “É muito importante que esta instituição possa acolher esta juventude, e acolher naquilo que podemos dar de melhor, que é o conhecimento”, disse.
O homenageado está bem consciente dessa referência, não só para a juventude negra, mas para a sociedade brasileira. “É um título que tem muita representatividade e muito significado. Então, aumenta muito a responsabilidade. Não posso abandonar a luta e dizer agora vou descansar. Não posso. E também honrar essa universidade. Eu tenho uma certa presença por aqui e eles sentem que sou parte da turma, mas é uma emoção só”, afirmou, depois da cerimônia cercado de amigos.
“São tantos amigos e de várias áreas. Foi uma sessão solene acadêmica que era bem mista. Velha guarda da Vila Isabel, gente da Portela, músicos, artistas, intelectuais. Tudo misturado”. A cerimônia, que tinha começado com o Hino Nacional cantado por Martinho da Vila e, em alguns trechos, com acompanhamento próximo do samba, terminou com um show do grupo de se apresenta com o cantor pelo mundo afora.
Fonte: CONVERSA AFIADA