Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
Eduardo Vasconcelos (esquerda) ao lado de amigos/as (Léa - FASUBRA)
Eduardo Vasconcelos ao lado de Léa - FASUBRA
Lideres sindicais do SINTEST
LIDERANÇAS DO SINTEST/RN
O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos participou ativamente do ato promovido pela FASUBRA em Brasília, apoiando assim as lutas dos trabalhadores nas universidades federais.
O resultado foi satisfatório, pois o governo recuou e atendeu, através do secretário do Ministério do Planejamento a comissão formada para levar as reivindicações dos trabalhadores.
Ficou abordado que haverá uma nova reunião de negociação com a presença do MEC.
Eduardo Vasconcelos além de ser presidente do CPC/RN, também é coordenador da Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN na Região do Agreste Potiguar.
Após intensa pressão dos trabalhadores e com o apoio de parlamentares da oposição, o presidente se comprometeu a receber os representantes das entidades nacionais às 18h.
Nesta manhã, 28, cerca de 3.000 servidores públicos federais sitiaram a entrada do Anexo II, da Câmara dos Deputados, em Brasília-DF. Em protesto contra a reforma da Previdência e o pacote de maldades do presidente ilegítimo Michel Temer, os trabalhadores técnico-administrativos em educação das universidades públicas e instituições de ensino superior engrossaram as fileiras da manifestação.
Os servidores exigiram uma reunião com o presidente da Casa, Rodrigo Maia. Após intensa pressão dos trabalhadores e com o apoio de parlamentares da oposição, o presidente se comprometeu a receber os representantes das entidades nacionais às 18h.
Com faixas, buzinas, bandeiras e palavras de ordem de “Fora Temer”, “Não tem arrego, você tira a previdência e eu tiro seu sossego”, a manifestação tomou a via principal, após a intervenção da polícia militar no protesto.
Enquanto isso, centenas de caravaneiros foram barrados pela polícia militar em uma atitude autoritária, na altura da Catedral de Brasília junto a manifestantes do MST, MTST e estudantes que vieram apoiar os servidores. Com auxílio dos parlamentares que negociaram junto à polícia militar, os manifestantes foram liberados após duas horas.
A FASUBRA destaca que a greve dos técnico-administrativos teve um papel fundamental no ato realizado na manhã de segunda-feira (27) no Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e na manifestação de hoje, e possibilitou o agendamento da reunião de hoje com o presidente da Câmara. “Agora nossa tarefa é ampliar a greve e participar ativamente da Greve Geral, convocada pelas centrais sindicais no dia 05 de dezembro”.
A Federação convoca as entidades filiadas a realizar ações conjuntas com atos nos estados, pressão sobre os parlamentares nos aeroportos. “Neste momento, os trabalhadores devem tomar as ruas para resistir os ataques do governo e garantir os direitos”.
O secretário de Gestão de Pessoas (MPDG) se comprometeu a realizar uma reunião dentro de duas semanas com a FASUBRA e o Ministério da Educação (MEC) para discutir a pauta categoria.
Após bloquear as entradas do prédio do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, os trabalhadores das universidades públicas foram recebidos pelo governo nesta manhã, 27. Os representantes da FASUBRA Sindical em reunião com Augusto Chiba, secretário de Gestão de Pessoas apresentaram as reivindicações da Categoria.
Diálogo
Chiba se comprometeu em realizar uma reunião dentro de duas semanas com a FASUBRA, o Ministério da Educação (MEC) e Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG) para discutir a pauta categoria.
Para a Federação, a partir do ato dos trabalhadores em greve o governo deixou de ignorar as reivindicações de diálogo. “ Todas as pautas da greve e outros assuntos que estão pendentes vão entrar em discussão”.
O secretário afirmou que questões que geram impacto financeiro não serão discutidas. “Nem tudo vai dar pra solucionar”.
Reestruturação das carreiras
Na ocasião, a FASUBRA questionou sobre o plano do governo de reestruturação da carreira. De acordo com o secretário, as mudanças são direcionadas para aqueles que ainda não ingressaram no serviço público. “Quem está na carreira, não vamos mexer em nada, acho que é só desgaste e não é justo também”. Citou como exemplo os médicos inseridos em diversas carreiras recebendo salários diferentes. “Equalizar para não ter diferença de uma carreira para outra”.
O governo avalia que neste ano seria difícil alguma medida em relação às carreiras. Segundo Chiba, enquanto a reforma da Previdência não for aprovada, “as outras coisas também não andam”.
Representação
A FASUBRA destacou que é a única representante dos trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições de ensino superior públicas. “Não existe representação por nível de escolaridade, mas por categoria’, afirmou a coordenação se referindo a outra entidade que reivindica representação por grau de ensino.
Com a aprovação da lei de negociação coletiva, o governo vai checar quais são as entidades que representam as categorias de acordo com a lei.
A Federação solicitou um cronograma de reuniões para discutir a pauta e não perder o diálogo. O secretário afirmou não ter condições de realizar muitas reuniões devido a quantidade de categorias.
Audiência pública
Nesta tarde, 27 de novembro, acontece a audiência pública com o tema “Qual serviço público que queremos?” no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, às 14h. O evento organizado pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), tem como objetivo pressionar parlamentares contra a aprovação de projetos que atacam servidores.
Na ocasião, será entregue às lideranças do Congresso Nacional um documento solicitando apoio aos servidores públicos. Serão destacadas a Medida Provisória 805/17 (adiamento de reajustes e aumento da contribuição previdenciária), alvo de ações judiciais pelas entidades representantes dos servidores públicos, e o PLS 116/17 que prevê demissões e a reforma da Previdência.
Caravana Nacional
Milhares de servidores públicos prometem ocupar a Esplanada dos Ministérios em Brasília-DF, com caravanas de todo o país, no dia 28 de novembro. A FASUBRA Sindical engrossa as fileiras de mobilização em defesa do serviço público, contra os ataques ao funcionalismo e em defesa da Carreira e Educação Pública.
Ato no Judiciário
Na quarta-feira, 29 de novembro, os representantes das entidades dos servidores públicos realizam um Ato Público no Supremo Tribunal Fedral (STF) para apresentar as ações jurídicas contra a MP 805/17. Também será entregue um memorial que questiona a inconstitucionalidade da EC 95/16, que congela investimentos em políticas públicas por 20 anos.
Egídio, coordenador do SINDSAÚDE concede entrevista ao lado de Rivânia Moura - ADUERN
Grevista unidos para resistir
Rivânia Moura concedendo entrevista a repórteres
Governo do Estado politicamente "morto" - protesto dos grevistas
Eduardo Vasconcelos, presidente do CPC/RN solidariza com os grevistas da ADUERN/SINDSAÚDE/RN
"Governo politicamente "morto"
Grevista se prepara para "recepcionar" a polícia
Egídio e Rivânia, ambos concedendo entrevista a repórteres
Enterro simbólico do governo Robinson
Hoje (24) o governo truculento de Robinson Faria chegou ao extremo! Autorizou a polícia militar a "expulsar os trabalhares da saúde e da UERN, mas que foi preciso a polícia usar bombas de efeito moral para dispersar os grevista, uma forma covarde por parte da polícia. Foi um momento tenso e ao mesmo tempo triste, pois a bem pouco tempo essa mesma polícia foi as ruas pedir apoio da sociedade pelo mesmo motivo, ou seja, salários atrasados! E hoje ela se volta contra os trabalhadores.
Após esse momento os grevistas se reuniram de fronte a SEPLAM para traçar novas estratégias de luta e mobilização.
O governo deveria fazer uma reflexão a não ordenar a polícia a frontar quem trabalha honestamente, como é o caso dos funcionários públicos da saúde e da UERN.
A sociedade deve sim apoiar os trabalhadores.
O CPC/RN se solidariza com os trabalhadores grevistas, pois a greve é a sua arma para de pressão para garantirem seus direitos. Vamos para os próximos capítulos.
APOIAR AS MANIFESTAÇÕES EM DEFESA DE DIRETOS É DEVER DA SOCIEDADE,
João Cândido, líder da Revolta da Chibata, teve a sua anistia reconhecida apenas em 2008.
Mesmo velho, pobre e doente, permaneceu sempre sob as vistas da Polícia e do Exército, por ser considerado um "subversivo" e “perigoso agitador".
"Há muito tempo nas águas da Guanabara... O dragão do mar reapareceu... Na figura de um bravo Marinheiro... a quem a história não esqueceu."
Dois decretos e uma lei, em momentos distintos da República, explicam um pouco da história brasileira, que ainda resiste a ser contada. O primeiro é o Decreto Federal nº 3, de 16 de novembro de 1889, assinado pelo marechal Deodoro da Fonseca um dia depois da Proclamação: “Fica abolido na Armada o castigo corporal”. Mas no ano seguinte o governo criou as chamadas companhias correcionais, para os “praças de má conduta”. Foi contra esses castigos que se insurgiram 2.300 marinheiros, em 1910, na Revolta da Chibata. No final de 1912, João Cândido Felisberto, identificado como líder do movimento, foi julgado por um conselho de guerra e considerado inocente.
A REVOLTA DA CHIBATA - As embarcações haviam aportado com autoridades para a posse do marechal Hermes da Fonseca na Presidência da República. No encouraçado Minas Gerais — o maior navio de guerra brasileiro, atracado a poucos metros do cais do porto — o clima não era nada festivo. Ao raiar do dia, toda a tripulação fora chamada ao convés para assistir aos castigos corporais a que seria submetido o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes.
Ele tinha ferido a navalhadas o cabo Valdemar Rodrigues de Souza, que o havia denunciado
por tentar introduzir no navio duas garrafas de cachaça. Sua pena: 250 chibatadas. Esse seria o estopim para a eclosão da chamada Revolta da Chibata, movimento deflagrado pelos marinheiros contra os maus-tratos, que paralisaria a coração do Brasil por quatro dias e custaria a vida de dezenas de pessoas, entre civis e militares.
Naquela manhã, depois de ser examinado pelo médico de bordo e considerado em perfeitas condições físicas, o marinheiro Marcelino Menezes, conhecido como “Baiano”, foi amarrado pelas mãos e pés e submetido ao castigo. Primeiro soaram os tambores. Em seguida, o comandante do navio, Batista das Neves, ordenou a entrada dos carrascos, que apanharam uma corda de linho e amarraram nas pontas pequenas e resistentes agulhas de aço. A guarda entrou em formação. Tiraram as algemas das mãos do marujo e o suspenderam, nu da cintura para cima, no “pé de carneiro”, uma espécie de ferro que se prendia num corrimão. Os oficiais assistiram à cerimônia em uniforme de gala, com luvas brancas e armados de suas espadas. Alguns viraram o rosto para o lado, para não ver a tortura.
Educar na Marra- A punição pela chibata foi um hábito herdado pelo Brasil da Marinha portuguesa. Os castigos tinham a função de educar na marra os supostos maus elementos que compunham os quadros inferiores. Como diziam os oficiais, as chicotadas e lambadas tinham o objetivo de “quebrar os maus gênios e fazer os marinheiros compreenderem o que é ser cidadão brasileiro”.
Os Marinheiro - Na noite seguinte aos castigos sofridos por Marcelino, os demais marinheiros do Minas Gerais, recolhidos em seus beliches, decidiram que a situação não podia continuar daquela forma. “Isso vai acabar”, disse o marujo João Cândido, um negro alto, de 30 anos, que despontava como o líder absoluto da revolta que se aproximava.
Depois de muita conversa, decidiram tomar o poder dos navios à força, na noite de 22 de novembro. Na data estabelecida, tudo aconteceu dentro da estratégia programada. O sinal combinado entre os marujos para dar início ao movimento foi a chamada das 10 horas.
Naquela noite, o toque do clarim não pediu silêncio e sim combate.
Cada um assumiu o seu posto e a maioria dos oficiais já estava em seus camarotes. Não
houve afobação. Cada canhão foi guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra quem tentasse impedir o levante.
Logo depois do toque da corneta, o comandante Batista das Neves — que estivera num jantar a bordo do cruzador francês Duaguay Trouin — voltou ao seu navio em companhia do ajudante de ordens. Conversou rapidamente com o segundo-tenente Álvaro da Mota Silva – que assistia à faxina no convés – e recolheu-se aos seus aposentos.
No momento em que descia as escadas inferiores do navio e se despedia do comandante, Mota Silva recebeu uma forte pancada no peito, um golpe de baioneta desferido em cheio por um marinheiro que estava de tocaia. O segundo-tenente tropeçou, mas ainda conseguiu apoiar-se com a mão esquerda na arma do marujo e com a direita sacou sua espada. Com a força que ainda lhe restava, atravessou o estômago do marinheiro que, aos gritos, deu alguns passos e caiu.Atraídos pelo ruído, muitos marujos foram ao convés, para onde subiram também outros oficiais procurando conter os revoltosos. A tribulação, bradando vivas e aclamando “liberdade” e “abaixo a chibata”, avançou contra o pequeno grupo de superiores para massacrá-lo. O comandante Batista das Neves ainda tentou acalmar os ânimos e manter a disciplina. Atacado, reagiu e lutou de espada em punho cerca de 10 minutos, até ser atingido na cabeça, por golpes de machadinha.
Primeiro Disparo- O marujo Aristides Pereira, conhecido como “Chaminé”, chegou perto do corpo estendido do comandante, certificou-se de que ele estava morto e urinou sobre seu cadáver. O corpo permaneceu horas no convés e alguns marinheiros ainda fizeram graça com o comandante morto, imitando movimentos de ginástica à sua volta. A ironia referia-se ao fato de que Batista das Neves obrigava os marujos a fazer ginástica pesada todas as manhãs, para compensar a relativa imobilidade física da vida de bordo nos navios.Cinquenta minutos depois, quando cessou a luta no convés, João Cândido mandou disparar um tiro de canhão, sinal para dar o alerta aos outros navios aliados: o São Paulo, o Bahia e o Deodoro. O estrondo do primeiro tiro de canhão, vindo da direção do mar, fez tremer a cidade do Rio de Janeiro. Nem cinco minutos depois, novo tiro. Dessa vez, janelas e vidraças foram quebradas em casas do centro da cidade.
"O líder do movimento ordenou que todos os holofotes iluminassem o Arsenal da Marinha, as praias e as fortalezas. Expediu também uma mensagem por rádio para o Palácio do Catete, sede do governo federal, informando que a esquadra estava rebelada para acabar com os castigos corporais".
O presidente recém-empossado, marechal Hermes da Fonseca, e todo seu ministério assistiam, no Clube da Tijuca, à apresentação da ópera Tanhauser, de Wagner, numa inesquecível recepção que ainda fazia parte dos festejos pela vitória eleitoral. Depois do
primeiro tiro de canhão, ele voltou imediatamente para o Catete.
Almirante Negro - De início, o governo resolveu endurecer. Avisou que mandaria torpedear as embarcações caso não houvesse rendição. A repercussão da notícia, no entanto, gerou pânico na cidade. O presidente preferiu então abrandar a reação. Ele dispunha de 2 630 homens para enfrentar os 2 379 rebeldes. O poder de fogo dos amotinados — instalados naqueles que eram alguns dos mais sofisticados navios de guerra do mundo-entretanto, era muito maior. Diante da impossibilidade de combate e com o perigo iminente de um bombardeio, Hermes da Fonseca convenceu-se de que era muito mais prudente negociar com os marinheiros revoltosos.
Enquanto o governo se debatia atrás de uma solução, a esquadra rebelada permanecia atenta, com a rotina de navios em guerra. Cada soldado tinha uma função predeterminada. Foram designados turnos de trabalho para que nunca um serviço ficasse desguarnecido.
Astuto e desconfiado, o Almirante Negro — como passou a ser chamado João Cândido pela imprensa — determinou que uma barca abastecesse os navios de água. Antes que o líquido fosse descarregado, no entanto, ele ordenou que o condutor da embarcação provasse para ver se não havia veneno. Com seu uniforme branco, já bem velho e desgastado, um pé calçado num chinelo e outro numa botina, a única marca que diferenciava o líder dos demais marujos era um lenço vermelho que levava amarrado ao pescoço. Aquele era o seu distintivo.Caricatura da revista “O Malho” de novembro de 1910, mostrando a anistia para os marinheiros rebelados.
Em tempo recorde, a anistia foi aprovada a toque de caixa pelo Congresso Nacional e, na manhã de 26 de novembro, com o sol brilhando sobre a Guanabara, os navios iniciaram a aproximação para a rendição. Os morros, o cais e as praias estavam lotados de curiosos, alguns com binóculos, para assistir à chegada dos marinheiros. A bordo o clima era de festa e euforia.
Motim da Ilha das Cobras- Mas a anistia não durou dois dias. Em 28 de novembro, os marinheiros foram surpreendidos pela publicação do decreto número 8.400, que autorizava demissões, por exclusão, dos praças do Corpo de Marinheiros Nacionais “cuja permanência se torne inconveniente à disciplina”. O decreto abriu uma brecha para que a Marinha excluísse de seus quadros quem bem entendesse, sem maiores formalidades. As demissões foram muitas. Vários navios ficaram sem pessoal suficiente para os serviços essenciais.
"Instaurou-se um novo clima de tensão nas Forças Armadas – pela publicação do decreto – e as autoridades encontraram justificativa para pensar na convocação de um regime de exceção, com poderes amplos e irrestritos para o presidente da República".
Circulavam boatos de que na ilha das Cobras — sede dos Fuzileiros Navais, localizada em frente ao cais do porto e ao lado da ilha Fiscal – o batalhão de terra organizava outro motim.Os boatos partiram das próprias autoridades, interessadas em incitar uma segunda rebelião para decretar o estado de sítio. Os oficiais esperavam apenas o primeiro tiro para entrarem em ação e deflagrarem o conflito armado.]
No dia 9 de dezembro, houve a rebelião esperada na ilha das Cobras. Às 9 horas e 30 minutos, foi dado o toque de recolher e, em vez de se dirigirem para suas camas, parte dos fuzileiros permaneceu no pátio, em grande algazarra, dando vivas à liberdade. Um primeiro tiro foi disparado, não se sabe vindo de onde. As luzes da ilha foram apagadas e os marinheiros começaram a caçar os oficiais. No escuro, disparando tiros de fuzis, eles gritavam: “Viva a liberdade. Morram os oficiais”.
A luta durou toda a madrugada, a manhã do dia seguinte e só parou ao entardecer, com a morte da maioria dos amotinados. Por todos os lados, junto aos canhões e metralhadoras destruídas, havia corpos de marinheiros. As forças fiéis aos oficiais estavam preparadas e esmagaram os rebeldes.
Presos e Mortos- O governo federal decretou o estado de sítio, tendo como justificativa a revolta dos fuzileiros navais na ilha das Cobras. As autoridades determinaram o desembarque imediato da tripulação dos navios Minas Gerais e São Paulo, que haviam tomado parte no primeiro levante. João Cândido foi preso assim que colocou os pés em solo e levado ao quartel-general do Exército. No dia 24 de dezembro, o Almirante Negro e mais 17 companheiros foram transferidos para a ilha das Cobras e colocados numa prisão sem iluminação e com ventilação imprópria, localizada no subterrâneo do Hospital Militar.
Na madrugada de 25 de dezembro, dia de Natal, o guarda da prisão notou movimento estranho na cela e ouviu gritos. O fato foi comunicado ao oficial de serviço e, em seguida, o recado chegou ao comandante Marques da Rocha, responsável pela ilha das Cobras. Nenhuma providência foi tomada.
Se liga: Na manhã seguinte, o comandante Marques da Rocha, que havia levado as chaves,
abriu a prisão. A cena chocaria até mesmo o mais insensível dos militares: jogados num extremo estavam 16 corpos de marujos mortos por asfixia. Num outro canto, em estado de choque, os dois únicos sobreviventes – João Cândido e o soldado naval João Avelino. Acabava assim uma das mais violentas rebeliões militares no Brasil.
‘Salve o Compositor Popular’ é o show que o Coral Brasileirinho está preparando para este final de semana. No sábado (25/11), às 19h, e domingo (26/11), às 16h, o grupo faz uma homenagem a Djavan, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e outros músicos de destaque da MPB. A apresentação será no Auditório Poty Lazzarotto do Museu Oscar Niemeyer, os ingressos custam R$20 inteira e R$10 a meia-entrada.
Com a direção cênica de Milton Karam e direção musical de Helena Bel, o coral une canto e interpretação própria, sem desrespeitar a criação original das obras. O espetáculo “Salve o Compositor Popular” é uma homenagem e um agradecimento a todos os compositores brasileiros, explica o diretor cênico. “Suas obras nos inspiram a continuar trilhando na arte de unir crianças e jovens a se expressarem e crescerem por meio da música”, salienta Milton Karan.
O grupo coral jovem do Conservatório de MPB de Curitiba, o Grupo Brasileiro tem participação especial nessa apresentação. Obras como ‘Festa Imodesta’, ‘O Xote das meninas’, ‘Pela Luz dos Olhos Teus’, ‘Rebelde sem Causa’ e ‘Cantando no Banheiro’ ganham novas roupagens e remarcam épocas da música brasileira.
Coral Brasileirinho – O Coral Brasileirinho nasceu na primavera de 1993 para ser um dos corpos artísticos do então recém-criado Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba. Trabalha a canção brasileira de todas as épocas em espetáculos temáticos, desenvolvendo tanto a expressividade vocal quanto a interpretação cênica de seus integrantes, com idade entre 8 e 14 anos. Para a dinâmica de suas apresentações, o Coral Brasileirinho conta com a confecção exclusiva de adereços e de cenários, dando suporte estético ao enredo proposto, articulados com uma iluminação criada especialmente para cada show. Seus 16 espetáculos temáticos propiciaram uma gama variada de músicas para a formação de repertório, com ritmos, estilos e gêneros bem diferentes. Esta diversidade musical presente nas 178 canções já apresentadas, aliada à ludicidade, à criatividade e à espontaneidade do Grupo, propiciam uma estética sonora e visual que se renova a cada apresentação, de forma inusitada e inovadora, e que define a própria identidade do Brasileirinho.
Serviço:
CORAL BRASILEIRINHO – 2017
Show “Salve o Compositor Popular” – Participação Especial do Grupo Brasileiro.
Datas: 25nov (sab) às 19h / 26.nov (dom) às 16h
Local: Museu Oscar Niemeyer (MON) – Auditório Poty Lazzarotto
Ingressos: R$ 20 inteira e R$ 10 meia-entrada (quem levar um livro também paga meia).
Nascido há 40 anos, marcado a partir do lançamento do álbum da banda inglesa Sex Pistols, Never Mind the Bollocks, em outubro de 1977, o movimento punk escancarou a degeneração da juventude marginalizada típica de metrópoles industrializadas, como Londres – uma juventude proletarizada, sem emprego nem perspectivas.
Por Carolina Maria Ruy
A banda refletiu a contradição aguda do rock, oscilando entre o protesto e o mercado, e sintetizou as tendências contraditórias que o gênero ia seguir. Liderado pelo baixista Sid Vicious, foi formada e capitalizada por Malcolm Mc Laren, um vendedor de roupas londrino que imaginou ganhar dinheiro produzindo música punk e para isso contratou músicos no submundo adolescente de Londres. O Sex Pistols, de qualquer forma, trouxe para o rock o desespero e a raiva de uma juventude que já não via o futuro de maneira rósea, como a geração anterior. “Não sabemos onde está o nosso alvo. Mas atiramos para todos os lados para ter certeza de acertar”, disse certa vez Sid Vicious. Ali estava representada uma das tendências futuras do rock, do qual o Nirvana (na década de 1980) e os grupos grunges, de garagem, de Seatle, EUA, foram herdeiros.
Punk no Brasil
No Brasil o punk surgiu das mãos de jovens de famílias operárias, sobretudo da Vila Carolina, zona norte de São Paulo.
Segundo depoimento do músico Ariel, em entrevista para o filme Botinada, a Vila “Punk” Carolina, encravada entre o Bairro do Limão e a Freguesia do Ó, na periferia paulistana, era basicamente proletária, rodeada por fábricas e pelo comércio popular. Ariel justifica o nascimento do punk naquela região afirmando que “só nos restava o conformismo de ser como nossos pais ou ir contra a corrente que nos prendia a uma triste realidade”.
Festival O Começo do Fim do Mundo, no Sesc Pompéia
E o grito de liberdade viria através da (difícil) importação de discos como o icônico Never Mind The Bollocks, e de outras bandas estrangeiras como The Stooges, Ramones e The Clash, espalhando-se por meio de cópias em fitas cassete.
Aquelas bandas inglesas e estadunidenses, que plantaram na mente dos jovens o sonho de encarnar em si mesmos a possibilidade de mudança, mostraram que eles também podiam criar seus recursos e fazer rock a partir de suas angústias. Eles, que se pretendiam “destruidores”, surgiram da própria destrutividade do sistema capitalista, incorporando a capacidade de transformação.
E era natural que a contracultura punk, mesmo importada, parecesse nascida e criada na Vila Carolina. Afinal, onde quer que estivessem, os punks eram frutos da pobreza, da falta de trabalho e da exclusão social. Desta forma, sua música desarmônica encontrava identificação em ambientes geograficamente tão afastados.
Eles não defendiam grandes projetos nem almejavam aceitação. Nada entre os punks parecia ocorrer de forma organizada e linear. Sua própria origem no Brasil foi marcada pela rixa entre gangues e, naquela época, fim da década de 1970, diferenças entre os punks de São Paulo e os do ABC motivaram uma violência cega e inconsequente.
Somente a partir do início da década de 1980, sobretudo depois do festival “O Começo do Fim do Mundo”, em 1982, no Sesc Pompéia (SP), o movimento começou a sair do gueto e assumir uma forma cultural.
Ideologia punk
A força da cena punk dos anos de 1970 e 80 era embriagante. Mas o que havia por trás dela?
Inocentes
Para Clemente Tadeu, líder da banda Os Inocentes, não se tratava de um movimento que lutava pela justiça social, o inimigo podia ser o vizinho ao lado, podia ser os punks de outras facções ou até o sistema social. Eles queriam “destruir” para “transformar”. E aquela revolta podia ser interpretada como uma postura política. Os punks originais se identificavam pela forma como se colocavam na sociedade, repudiando as instituições e os códigos que segmentam as pessoas em classes. Seu rudimentar discurso anarquista definia, em última instância, uma visão de mundo e um ideal de transformação.
A imagem agressiva da garotada era, antes de tudo, uma denúncia sobre as mazelas do mundo injusto em que viviam, mesmo que esta denúncia se fizesse de forma muito mais intuitiva do que intencional.
Anarquia no Reino Unido
O single Anarchy in the UK, do album pioneiro Never Mind The Bollocks, tornou-se hino dos punks, traduzindo em sua letra os ideais do movimento. A música, concebida como uma desconstrução dos acordes e versos harmônicos de estilos musicais tradicionais insiste na ideia de destruição. Mas a que se refere esta destruição? Refere-se ao tradicionalismo da sociedade inglesa, com sua monarquia anacrônica e seu capitalismo excludente.
Revelado na cultura, sobretudo na música e na moda, o punk, mais do que um modismo trouxe em sua origem, uma densa carga ideológica. Uma carga que resgatou ideais anarquistas do início do século 20 através de lemas como: “faça você mesmo” e “do caos se faz a ordem”. Ideologia controversa e polêmica, mas que colocou no centro do debate uma situação social que atingia a juventude.
A Revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910.
Neste período, os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos físicos. As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.
Causas da revolta
O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta.
O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso e perigoso.
Reivindicações
O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).
Segunda revolta
Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras. Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.
O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que participaram da revolta.
Conclusão: podemos considerar a Revolta da Chibata como mais uma manifestação de insatisfação ocorrida no início da República. Embora pretendessem implantar um sistema político-econômico moderno no país, os republicanos trataram os problemas sociais como “casos de polícia”. Não havia negociação ou busca de soluções com entendimento. O governo quase sempre usou a força das armas para colocar fim às revoltas, greves e outras manifestações populares.
João Cândido Felisberto nasceu no Rio Grande do Sul, no dia 24 de Junho de 1880. Seus pais eram escravos, ele desde pequeno ele costumava acompanhar seu pai quando este viajava conduzindo o gado.
João Cândido começou sua participação política cedo, aos 13 anos apenas, quando lutou a serviço do governo na Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, no ano de 1893. Com 14 anos se alistou no Arsenal de Guerra do Exército e com 15 entrou para a Escola de Aprendizes Marinheiros de Porto Alegre. Cinco anos depois foi promovido a marinheiro de primeira classe e com 21 anos, em 1903, foi promovido a cabo-de-esquadra, tendo sido depois novamente rebaixado a marinheiro de primeira classe por ter introduzido no navio um jogo de baralho. Serviu na Marinha do Brasil por 15 anos, tempo durante o qual viajou por este e outros países.
Participou e comandou a Revolta dos Marinheiros do Rio de Janeiro (Revolta da Chibata) no ano de 1910, movimento que trouxe benefícios aos marinheiros, com o fim dos castigos corporais na Marinha, mas que trouxe prejuízos a João Cândido, que foi expulso e renegado, vindo a trabalhar como timoneiro e carregador em algumas embarcações particulares, sendo depois demitido definitivamente de todos os serviços da Marinha por intervenção de alguns oficiais.
No ano de 1917, ano em que sua primeira esposa faleceu, começou a trabalhar como pescador para sustentar a família, vivendo na miséria até os seus últimos dias de vida. Casou-se novamente, mas sua segunda esposa cometeu suicídio no ano de 1928. Dez anos depois a tragédia voltaria a acontecer, mas desta vez com uma de suas filhas. Ao todo foram três casamentos, tendo o último durado até o fim de sua vida, dia 06 de Dezembro de 1969.
Atuou na política durante toda a sua vida. Durante o governo de Vargas teve contato com o líder da Ação Integralista Brasileira (AIB) e com o Partido Comunista, chegou a ser preso por suspeita de relacionamento com os integrantes da Aliança Liberal e até o fim da sua vida continuou sendo “vigiado” pelas autoridades, sendo acusado de subversivo.
O “Almirante Negro”, como João Cândido ficou conhecido, morreu aos 89 anos e teve ao todo 11 filhos ao longo dos três casamentos. Faleceu na cidade de São João do Meriti, no Rio de Janeiro.