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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Historia do Carnaval: Brasil e a influencia do negro...

A cultura brasileira é uma síntese da influência dos vários povos e etnias que formaram o povo brasileiro. Não existe uma cultura brasileira perfeitamente homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. Naturalmente, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana. É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: apesar do povo brasileiro ser um mosaico étnico, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualdade linguística e religiosa é um fato raro para um país de grande tamanho como o Brasil, especialmente em comparação com os países do Velho Mundo.

Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas de empréstimos à língua portuguesa. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor participação africana.

No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na língua, culinária, música e outros aspectos. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém, de forma mais limitada
Os africanosA cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições distintas. Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores. Na colônia, os escravos aprendiam o português, eram batizados com nomes portugueses e obrigados a se converter ao catolicismo.

Capoeira, a arte-marcial afro-brasileira.Os africanos contribuíram para a cultura brasileira em uma enormidade de aspectos: dança, música, religião, culinária e idioma. Essa influência se faz notar em grande parte do país; em certos estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul a cultura afro-brasileira é particularmente destacada em virtude da migração dos escravos.

Os bantos, nagôs e jejes no Brasil colonial criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás praticada atualmente em todo o território. Largamente distribuída também é a umbanda, uma religião sincrética que mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo, incluindo a associação de santos católicos com os orixás.

A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê. Este azeite é utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé.

Na música a cultura africana contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais. Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como o berimbau, o afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil colônial.

Segundo definição genérica, o carnaval é uma festa popular coletiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos, como herança das festas pagãs realizadas a 17 de dezembro (Saturnais - em honra a deus Saturno na mitologia grega.) e 15 de fevereiro (Lupercais - em honra a Deus Pã, na Roma Antiga.). Na verdade, não se sabe ao certo qual a origem do carnaval, assim como a origem do nome, que continua sendo polêmica. 

O Carnaval:
Alguns estudiosos afirmam que a comemoração do carnaval tem suas raízes em alguma festa primitiva, de caráter orgíaco, realizada em honra do ressurgimento da primavera. De fato, em certos rituais agrários da Antigüidade, 10 mil anos A.C., homens e mulheres pintavam seus rostos e corpos, deixando-se enlevar pela dança, pela festa e pela embriaguez.

Outros autores acreditam que o carnaval tenha se iniciado nas alegres festas do Egito. É bem verdade que os egípcios festejavam o culto a Ísis há 2000 anos A.C.

Em Roma, realizavam-se danças em homenagem a Deus Pã (as chamadas Lupercais) e a Baco (ou Dionísio para os gregos). Rituais Dionisíacos ou Bacanais.

Com o advento do cristianismo, a Igreja Católica começou a combater essas manifestações pagãs, sacralizando algumas, como o Natal e o Dia de Todos os Santos. Entre todas, o Carnaval foi uma das poucas a manter suas origens profanas, mas se restringiu aos dias que antecedem o início da Quaresma e ganhou colorido local. Na França medieval, era celebrado com grandes bebedeiras coletivas. Na Gália, tantos foram os excessos que Roma o proibiu por muito tempo. O papa Paulo II, no século XV, foi um dos mais tolerantes, permitindo que se realizassem comemorações na Via Ápia, rua próxima ao seu palácio. Já no carnaval romano, viam-se corridas de cavalo, desfiles de carros alegóricos, brigas de confetes, corridas de corcundas, lançamentos de ovos e outros divertimentos.

Entretanto, se o Catolicismo não adotou o carnaval, suportou-o com certa tolerância, já que a fixação do período momesco gira em torno de datas predeterminadas pela própria igreja. Tudo indica que foi nesse período que se deu a anexação ao calendário religioso, pois o carnaval antecede a Quaresma. É uma festa de características pagãs que termina em penitência, na dor de quarta-feira de Cinzas.

O baile de máscaras, introduzido pelo papa Paulo II, adquiriu força nos séculos XV e XVI, por influência da Commedia dell'Arte. Eram sucesso na Corte de Carlos VI. Ironicamente, esse rei foi assassinado numa dessas festas fantasiado de urso. As máscaras também eram confeccionadas para as festas religiosas como a Epifania (Dia de Reis). Em Veneza e Florença, no século XVIII, as damas elegantes da nobreza utilizavam-na como instrumento de sedução.

Na França, o carnaval resistiu até mesmo à Revolução Francesa e voltou a renascer com vigor na época do Romantismo, entre 1830 e 1850. 
Manifestação artística onde prevalecia a ordem e a elegância, com seus bailes e desfiles alegóricos, o carnaval europeu iria desaparecer aos poucos na Europa, em fins do século XIX e começo do século XX.

Há que se registrar, entretanto, que as tradições momescas ainda mantêm-se vivas em algumas cidades européias, como Nice, Veneza e Munique.

Em outros países da Europa, as comemorações eram animadas por canções que ironizavam os governantes locais. Em cidades italianas como Nápoles, as pessoas acompanhavam grandes cortejos dançando e bebendo. 
Em Portugal – de onde veio para o Brasil – o Carnaval era sinônimo de Entrudo.por influência dos portugueses que trouxeram, em 1723, brincadeiras e festejos carnavalescos. Muitos atribuem o início do nosso carnaval à celebração feita pelo povo para comemorar a chegada da Família Real. As pessoas saíram comemorando pelas ruas com música, usando máscaras e fantasias.


O Carnaval do Brasil é a maior festa popular do país. A festa acontece durante quatro dias (que precedem a quarta–feira de cinzas). A quarta de cinzas tem este nome devido à queima dos ramos no Domingo de Ramos do ano anterior, cujas cinzas são usadas para benzer os fiéis no início da quaresma. O Carnaval prepara o início da quaresma, isto é, seu último dia precede a quarta-feira de cinzas (início da Quaresma).

Comemorado em Portugal desde o século XV, o entrudo foi trazido pelos portugueses para a então colônia do Brasil e em finais do século XVIII era já praticado por todo o território. Consistia em brincadeiras e folguedos que variavam conforme os locais e os grupos sociais envolvidos. Com a mudança da côrte portuguesa para o Rio de Janeiro, surgiram as primeiras tentativas de civilizar a festa carnavalesca brasileira, através da importação dos bailes e dos passeios mascarados parisienses, colocando o Entrudo Popular sob forte controle policial. A partir do ano de 1830, uma série de proibições vai se suceder na tentativa, sempre infrutífera, de acabar com a festa grosseira.


Em finais do século XIX, toda uma série e grupos carnavalescos ocupam as ruas do Rio de Janeiro, servindo de modelo para as diferentes folias. Nessa época, esses grupos eram chamados indiscriminadamente de cordões, ranchos ou blocos. Em 1890, Chiquinha Gonzaga compôs a primeira música especificamente para o Carnaval, "Ô Abre Alas!". A música havia sido composta para o cordão Rosas de Ouro que desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval. Os foliões costumavam frequentar os bailes fantasiados, usando máscaras e disfarces inspirados nos baile de máscaras parisienses. As fantasias mais tradicionais e usadas até hoje são as de Pierrot, Arlequim e Colombina, originárias da commedia dell'arte.

sambaGênero musical binário, que representa a própria identidade musical brasileira. De nítida influência africana, o samba nasceu nas casas de baianas que emigraram para o Rio de Janeiro no princípio do século. O primeiro samba gravado foi Pelo telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, em 1917. Inicialmente vinculado ao carnaval, com o passar do tempo o samba ganhou espaço próprio. A consolidação de seu estilo verifica-se no final dos anos 20, quando desponta a geração do Estácio, fundadora da primeira escola de samba. Grande tronco da MPB, o samba gerou derivados, como o samba-canção, o samba-de-breque, o samba-enredo e, inclusive, a bossa nova. 

A Escola de Samba:
Uma coisa é o samba. Outra, a escola de samba. O samba nasceu em 1917. A primeira escola surgiu uma década mais tarde. Expressão artística das comunidades afro-brasileiras da periferia do Rio de Janeiro, as escolas existem hoje em todo o Brasil e são grupos de canto, dança e ritmo que se apresentam narrando um tema em um desfile linear. Somente no Rio, mais de 50 agremiações se dividem entre as superescolas e os grupos de acesso.



As primeiras:
A Deixa Falar foi a primeira escola e samba do Brasil. Ela foi fundada em 18 de agosto de 1928, na cidade do Rio de Janeiro, por Nilton Basto, Ismael Silva, Silvio Fernandes, Oswaldo Vasques, Edgar, Julinho, Aurélio, entre outros. As cores oficiais desta escola de samba eram o vermelho e branco e sua estréia no carnaval carioca ocorreu no ano seguinte a sua fundação.

O termo “escola de samba” foi usado, pois na rua Estácio, onde aconteciam os ensaios, havia uma Escola Normal. A escola de samba Deixa Falar funcionava ao lado desta Escola Normal. 

A Deixa Falar fez muito sucesso entre os moradores da região. Ela acabou por estimular a criação, nos anos seguintes, de outras agremiações de samba. Surgiram assim, posteriormente, as seguintes escolas de samba: Cada Ano Sai Melhor, Estação Primeira (Mangueira), Vai como Pode (Portela), Vizinha Faladeira e Para o Ano sai Melhor.

Nestas primeiras décadas, as escolas de samba não possuíam toda estrutura e organização como nos dias de hoje. Eram organizadas de forma simples, com poucos integrantes e pequenos carros alegóricos. A competição entre elas não era o mais importante, mas sim a alegria e a diversão.

O desfile das 16 superescolas cariocas se divide em dois dias (domingo e segunda-feira de carnaval), em um megashow de mais de 20 horas de duração, numa passarela de 530 metros de comprimento, onde se exibem cerca de 60 mil sambistas. Devido à enorme quantidade de trabalho anônimo que envolve, é impossível estimar o custo de sua produção. Uma grande escola gasta cerca de um milhão de dólares para desfilar, mas este valor não inclui as fantasias pagas pela maioria dos componentes, nem as horas de trabalho gratuito empregadas na concretização do desfile (carros alegóricos, alegorias de mão, etc.). Com uma média de quatro mil participantes no elenco, cada escola traz aproximadamente 300 percusionistas, levando o ritmo em sua bateria, além de outras figuras obrigatórias: o casal de mestre-sala e porta-bandeira (mestre de cerimônias e porta-estandarte), a ala das baianas, a comissão de frente e o abre-alas.


Primeira escola de samba: Deixa falar, fundada em 12 de agosto de 1928, no Estácio, Rio de Janeiro, por Ismael Silva, Bide, Armando Marçal, Mano Elói, Mano Rubens e outros sambistas (foi extinta em 1933).

Primeiro desfile oficial: Carnaval de 1935, vencido pela Portela. 

Atualmente, no Rio de Janeiro e em várias grandes e pequenas cidades, as escolas de samba fazem desfiles organizados, verdadeiras disputas para a eleição da melhor escola do ano segundo uma série de quesitos. Com o crescimento vertiginoso dessas agremiações o processo de criação se especializou gerando muitos empregos concentrados, principalmente, nos chamados barracões das escolas de samba.

O desfile mais tradicional acontece no Rio de Janeiro, na Passarela do Samba, Marquês de Sapucai, como é chamado o sambódromo carioca, primeiro a ser construído no Brasil. Outros desfiles importantes ocorrem em Uruguaiana, Porto Alegre,Florianópolis,Manaus e em Vitória.

Recentemente o desfile das escolas de samba de São Paulo adquiriu relevância ao passar a ser transmitido pela Rede Globo para todo o país, exceto no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a RBS TV, afiliada da Globo nos dois estados, transmite os desfiles do grupo especial de Porto Alegre, que ocorre em dois dias (sexta e sabado de carnaval), e Florianópolis (no sabado de carnaval).

Além dos desfiles das escolas de samba acontecem também os desfiles de blocos e bandas, grupo de pessoas que saem desfilando pelas ruas das cidades para se divertir, sem competição. Também existem os bailes de carnaval, realizados em clubes, ou em áreas públicas abertas, com execução de músicas carnavalescas.

O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem as ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu.

Carro abre-alas da Gaviões da Fiel.Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.

Indústria do carnaval é o nome dado ao conjunto de atividade para produção de fantasias, adereços, materiais para os carros alegóricos. São na maioria empregos informais para milhares de costureiras.

Um afro abraço e exelente carnaval.

Fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre/www.coladaweb.com/www.passeiweb.com/saiba_mais/voce.

Uma pioneira do erotismo


Nascida em 12 de março de 1893, na cidade do Rio de Janeiro, foi depreciada pela sua literatura, mas também muito aclamada por quem buscava compreendê-la. Neta de Francisco Moniz Barreto, baiano considerado o pai do humor obsceno no Brasil, Gilka desafiou a crítica literária machista e racista da época. Em carta enviada a ela em 1915, Lima Barreto destoa dos colegas de profissão e declara: “Admirei muito de sua inspiração, a sua completa independência de moldes, dos velhos ‘cânons’, e a sua audácia verdadeiramente feminina”. Já para Mário de Andrade, a “bacante dos trópicos, como era chamada por Agripino Griecco, era apenas uma menina. A todo o tempo, dirigia-se a ela com chamamentos infantis, embora fossem nascidos no mesmo ano. Isso mostra que a forma de Mário tratar Gilka era para depreciá-la. A história cuida de lembrar que o pioneiro do modernismo não fazia isso apenas por machismo, mas por não aceitar a orientação formal de sua literatura. Os versos simbolistas gilkianos tinham um flerte com o parnasianismo. Anos depois, parece se arrepender ao publicar, no Estado de S. Paulo, que ela era uma ”poetisa ilustre, autora dos mais ardentes versos femininos na nossa língua”.
A pele pálida, carregada por camadas de pó de arroz, escondia sua origem negra, também motivo para a ofensiva de críticos contra ela. O crítico Humberto de Campos – um dos defensores de Gilka junto a Osório Duque Estrada e outros – relatou, em Diário Secreto uma conversa com o também crítico Afrânio Peixoto, na qual este contava sobre o encontro que teve com Gilka ao ir lhe entregar uma carta. Peixoto disse, com desdém, que não imaginava que a poeta era uma “mulatinha escura” e fez questão de enfatizar que o ambiente de sua morada “respirava pobreza”.
A família também foi considerada culpada pela devassidão daquela moça que, aos 22 anos, se empenhou em se livrar das garras da sociedade. O registro da mãe como prostituta para poder trabalhar com atriz de rádio era motivo de chacota para depreciar suas origens, além de atribuírem culpa ao pai, um beberrão que batizou-a em homenagem a uma vodca alemã chamada Gilka. Assim, a poeta foi colocada à prova do método de Hippolyte Taine, baseado na ideia de determinismo, no qual a pessoa está fadada a se comportar de acordo com sua raça, seu momento histórico e o meio em que vive. Portanto, a culpa da imoralidade de Gilka vinha do fato de ser negra, da família “perturbada” e do momento histórico no qual o feminismo efervescia com as sufragistas.
Em evento de 1934, brinca com o boneco apelidado de Tupo. Foto: Revista O Malho/Biblioteca Nacional
Gilka não deixou barato as acusações preconceituosas. E também recusou a ajuda de grandes nomes. Recusou, por exemplo, o pedido de Olavo Bilac para escrever o prefácio de Cristais Partidos. Quando Bilac perguntou do por que, Gilka apenas respondeu que queria aparecer para o público sem defesa. “Havia no meu ser um a torrente que era impossível represar: os versos fluíam, as estrofes cascateavam… E continuei, ritmando minha verdade, então com mais veemência”, escreveu na abertura de Poesias Completas, de 1978. Condenou seus críticos diretamente e indiretamente, nas entrelinhas de sua escrita. Era ela, segundo seus censores, a responsável pela depravação moral das moças da sociedade carioca.
No poema Comigo Mesma, é possível reconhecer essa característica gilkiana, como no verso “Que importa a injúria hostil de quem te não compreenda?/Dança, porém, não como a Salomé da lenda,/a lírica assassina”, onde a injúria hostil eram as opiniões dos críticos sobre ela e a dança era o seu hábito de escrita. Nos versos de Conjecturando, dedicado a Duque Estrada, desabafa sobre desistir de lutar. “Convenci-me/agora, de que o gozo é um crime” é como ela inicia uma das estrofes do poema, onde fala sobre depor armas e se entregar à morte. Ali estava uma referência clara ao cansaço que a abateu com o passar do tempo, fazendo com que desistisse de continuar rebatendo a crítica e acabasse reclusa.
Foi a única mulher a colaborar, eventualmente, na revista erótica A Maçã. Extremamente machista, a criação de Humberto de Campos escandalizou por trazer conteúdo picante, que colocava a mulher de forma submissa e degradante. E, ao lado de Cecília Meireles, formou a dupla de únicas mulheres a escreverem para Festa, revista lançada em 1927 por Tasso da Silveira e Andrade Muricy.
Fonte: Página B!
C/ Brasil Cultura

Kaliane Morais assume coordenação geral do SINTEST/UFERSA

Allyson Bezerra irá disputar cargo político nas eleições de 2018
Allyson Bezerra irá disputar cargo político nas eleições de 2018
Reunidos em assembleia na manhã da última quinta-feira (22), o Coordenador Geral da Seção Sindical comunicou a categoria seu afastamento para disputar as eleições de 2018, antes mesmo do prazo obrigatório. Seguindo a hierarquia do estatuto sindical, cabe ao coordenador administrativo substituir o coordenador geral em caso de impedimento ou afastamento do mesmo.
A atitude do ex-coordenador busca manter a transparência em questões políticas e nas ações do sindicato, inclusive sua filiação partidária só será consumada após o afastamento. De acordo com a Justiça Eleitoral, o prazo para afastamento de uma função sindical para disputar um cargo público, é de 07 de julho.
Na ocasião, foi destacado o trabalho feito pelo servidor Allyson Bezerra e a importância de agora o sindicato ser coordenado por uma mulher, tendo em vista a conjuntura política do nosso país.
“Eu quero dizer aos servidores que nós manteremos a mesma política que vínhamos trabalhando no sindicato. O nosso compromisso é com o servidor público e a educação pública de qualidade e a luta para a conquista da creche vai continuar, pois é o único ponto que até agora não conseguimos”, destacou Kaliane Morais, Coordenadora Geral da Seção Sindical.
Fonte: SINTEST/RN
Adaptado pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN

Do acarajé à cajuína: os sabores que preservam a história do Brasil

.Conhecer a história do Brasil pode ser algo muito saboroso. Literalmente, uma vez que preparos de comidas típicas muitas vezes preservam sabores históricos, que ajudaram a formar a identidade regional brasileira.

Por Laís Modelli
Associação Nacional das Baianas de Acarajé
Não é à toa que as baianas se vestem de branco e colocam o acarajé sobre um tabuleiro
Não é à toa que as baianas se vestem de branco e colocam o acarajé sobre um tabuleiro

Em Salvador, por exemplo, a maneira como as baianas vendem o acarajé nas ruas – com a iguaria exposta sobre o tabuleiro e as mulheres vestidas de branco com adereços coloridos – não é só “para turista ver”, mas também uma referência histórica à época em que escravas lutavam pela alforria e se lançavam em atividades comerciais em busca da tão sonhada independência.
No Piauí, por sua vez, a cajuína é bebida popular que confere identidade às comunidades locais. Feita a partir do suco do caju separado do seu tanino, coado várias vezes em redes ou funis de pano e então cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que seus açúcares sejam caramelizados, a cajuína já foi uma bebida de status social, servida como presente de boas vindas aos que retornavam ao Estado, e hoje é usada para consumo familiar ou para ser vendida, gerando fonte de renda.
Resultado de séculos de utilização, em que o caju foi usado de maneira diversa em toda na região – desde os povos indígenas até hoje -, a cajuína envolve um conhecimento popular tão específico e complexo que chega a ser difícil classificá-la para quem nunca experimentou: não se trata de uma bebida alcoólica, nem de um refrigerante e muito menos de um simples suco de caju.
Ao lado da produção tradicional da cajuína no Piauí, o ofício das baianas do acarajé é, assim como a produção artesanal do queijo de Minas, considerado patrimônio imaterial da cultura brasileira, com registro no Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Até o momento, esses são os únicos elementos de nossa culinária registrados pelo órgão. Há outros preparos em fase de avaliação, como a confecção de doces típicos de Pelotas (RS).
Diferentemente de objetos históricos expostos nos museus, os bens imateriais de uma cultura não precisam ser conservados em um lugar para contar sua história – na verdade, eles estão vivos e dinâmicos na sociedade.
“O que define o bem imaterial é justamente sua natureza de se manter autopreservado pelas ações da coletividade e da sociedade”, explica a antropóloga Mariana Cunha Pereira, professora da Universidade Federal de Goiás.
Por isso, de acordo com pesquisadores, reconhecer manifestações regionais é valorizar a identidade dos diversificados grupos que compõem a cultura nacional.
“Vale dizer que o paladar é extremamente resistente a mudanças e, por isso, é também um componente fundamental na definição de identidades e pertencimentos sociais e culturais”, afirma o professor da Universidade Federal Fluminense Daniel Bitter.
De acordo com o professor, o conhecimento associado às comidas de uma região transforma o ato de comer. Alimentar-se daquele prato passa a ser reconhecido pelo grupo como uma referência cultural. “A alimentação, nesse caso, passa a organizar os modos de vida e a visão de mundo desses grupos”, completa Bitter.
A cajuína e o Piauí
Em fevereiro deste ano, o Virado a Paulista – prato à base de arroz, feijão, farinha de milho e carne vermelha e consumido em São Paulo desde a época dos tropeiros – foi declarado patrimônio imaterial do Estado de São Paulo. A receita foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico estadual (Condephaat), mas o prato em si não é um patrimônio nacional e nem pode ser registrado pelo Iphan.

O órgão reconhece os modos de preparo, e não as comidas isoladamente, explica o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Fabrício Oliveira Guanais e Queiroz.
“Endentemos que a cultura imaterial é dinâmica e está em constante mudança, assim como a sociedade. Por isso, não queremos cristalizar uma receita”, diz.
O processo de transformação do caju em cajuína no Piauí também ajuda a entender como funciona a política de patrimônio imaterial do Iphan.
Por ser sazonal, artesanal e rústico – a cajuína não leva nenhum aditivo químico, nem mesmo açúcar – e geralmente feito em comunidades rurais ou em famílias que tenham o caju em abundância, o preparo tradicional da bebida foi reconhecido pelo Instituto como patrimônio imaterial.
“O bem cultural não é o caju nem a cajuína, mas o trabalho das famílias do Piauí empregado na produção da bebida. Ou seja, o que é patrimônio são os saberes seculares, passados de geração a geração de como se apropriar do caju de uma maneira geralmente vista somente no Nordeste”, explica a pesquisadora Pereira.
Mesmo que o caju não seja o elemento tombado pelo Iphan, o reconhecimento dos saberes nordestinos em relação ao manuseio do fruto para a produção da cajuína destaca a importância cultural do caju para o Brasil. Genuinamente brasileiro, o fruto é consumido na região há séculos, desde os povos antigos que habitaram a Terra.
“No primeiro inventário sobre o patrimônio material brasileiro, realizado por Mario de Andrade, há o registro de que o povo Tupinambá, no século 16, já consumia o caju e não só como fruto, mas também na produção de remédios”, aponta a antropóloga.
Além de continuar fazendo parte da culinária das comunidades piauienses, o caju hoje em dia também movimenta a economia da região e organiza o modo de vida da população local, seja em mercados e feiras ou até no quintal de casa.
Um cajueiro, de acordo com Pereira, geralmente é plantado em um local estratégico para oferecer sombra às pessoas. Quando plantado nos quintais das casas, também serve como lugar para as crianças brincarem.
“Além disso, do fruto, extrai-se a castanha, e dela retira-se o óleo. Da fruta carnuda se produz o suco, o doce e a cajuína. E ainda se come in natura, direto do pé ou comprado nas feiras e mercados”, descreve a pesquisadora.
Papel central das mulheres
Igual ao caju e a cajuína, o acarajé não é o patrimônio imaterial registrado no Iphan, e sim o ofício das baianas que o vendem.

Rita Ventura, a coordenadora da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares, explica que o acarajé, para as baianas, tem significado religioso e de resistência.
O bolinho feito de feijão nasceu na África e veio para o Brasil por meio dos escravos traficados da Nigéria. “O nome original africano do acarajé é ‘akara’. Como as vendedoras negras gritavam nas ruas ‘olha oakarae’, houve a junção dos sons”, explica Ventura.
O “akara”, que significa “bola de fogo”, passou a ser vendido nas ruas da Bahia durante a escravidão por escravas de ganho, um tipo de relação em que a mulher trabalhava de ambulante para trazer dinheiro aos senhores empobrecidos.
Com a abolição, as negras continuaram vendendo o bolinho nas ruas para comprar cartas de alforria e para sustentar a família. Muitas se tornaram chefes de família com a venda do acarajé. Segundo Ventura, até hoje o acarajé está associado a mulheres nessa posição: 70% das atuais baianas da Associação Nacional do ofício são as principais provedoras da família.
“Existe uma relação especial entre alguns grupos de mulheres e profissões ou ofícios relacionados ao cozinhar. Historicamente, no Brasil, ainda que pese nessa situação a desigualdade de gênero, verificamos que o papel das mulheres nos ofícios tradicionais ligados à culinária – que hoje estão principalmente relacionados às comidas de rua – ajudou a formar a cultura de seu povo”, explica Bitter.
“O acarajé está associado predominante às mulheres por ser um ofício passado de mãe para filha por séculos na Bahia. Porém, com o passar dos tempos, muitas baianas não tiveram filhas, somente filhos. Para garantir o sustento da família, principalmente nos últimos anos, foram eles que herdaram o ofício e deram continuidade à atividade”, agrega Ventura.
De acordo com ela, dos 80 mil vendedores de acarajé registrados pela Associação Nacional das Baianas, 10% são homens.
Outra característica social do acarajé é o seu fator religioso: até hoje a iguaria tem posição central no Candomblé, em que é servida como uma oferenda aos orixás.
Tacacá e jambu
Entre os saberes que estão sendo avaliados pelo Iphan está o tacacá, prato típico da região amazônica feito a partir dos subprodutos da mandioca brava, como o tucupi, e de temperos do Norte, como o jambu.

“O preparo do tacacá envolve etapas complexas e demoradas, começando pelo seu principal ingrediente, o tucupi, extraído da mandioca brava, que não pode ser consumida diretamente da natureza”, conta Bitter, explicando que a mandioca brava contém substâncias perigosas para a alimentação humana.
“Aprendemos a tornar a mandioca brava comestível graças a uma técnica secular herdada dos povos indígenas que habitaram a Amazônia e que faz parte da cultura do povo local até hoje”, explica o professor.
A produção do tacacá envolve uma comunidade local grande, que vai desde os produtores da mandioca brava, passando pelos produtores de tucupi e pelas feiras e mercados locais, onde os temperos e demais ingredientes são vendidos. É nessa etapa do processo que entra a figura da mulher amazônica: as tacacazeiras são as mulheres que preparam e vendem o tacacá.
“Reconhecer como patrimônio a relação das mulheres com saberes da culinária tradicional é transformar um índice de submissão em um instrumento de empoderamento: ser baiana de acarajé ou tacacazeira é muito mais do que cozinhar esses alimentos, é herdar um ofício histórico capaz de organizar a vida de toda uma comunidade”, defende Bitter.

Fonte: BBC

Alceu Valença: mensagem para uma grande amiga


domingo, 1 de abril de 2018

Sem mulheres diversas no poder não há democracia

Arena repleta na tarde de sábado na Faculdade de Engenharia da UFJF 
Fotos: Isadora Mendes e Juliana Mastrascusa/ Cuca da UNE
Principal debate do 8º EME debateu desafios para uma política feminina e feminista em tempos de retrocessos
O principal debate do 8º EME da UNE aconteceu nesta tarde de sábado (31) na UFJF em uma roda viva que reuniu gerações de feministas e falou sobre a resistência feminista frente ao golpe e ao avanço neoliberal conservador.
A pré-candidata a presidência da República, deputada estadual licenciada e ex- diretora da UNE Manuela D’ávila (PCdoB) foi categórica em afirmar que não existirá desenvolvimento nacional se as mulheres não forem protagonistas da construção dele.
Para mim gênero não é uma pauta identitária. Para mim debater mulher é debater o desenvolvimento do Brasil. Como vamos debater indústria se a cada mil brasileiros que entram na graduação só um é uma mulher numa área de tecnologia dura, nas engenharias, na informática. Como é que vai desenvolver a indústria se 52% do povo somos nós mulheres dentro daquilo que há necessidade para que sejamos uma nação desenvolvida?”, questionou.
Manuela D’avila pré-candidata a presidência da República pelo PCdoB

Ela defendeu que é necessário estar ciente que as desigualdades que existem entre negros e brancos, entre mulheres e homens e a força de opressão a população LGBT com o um todo, são centrais para estruturar a desigualdade econômica que são a base da desigualdade brasileira.
O grande grito que nós temos a obrigação dar é que queremos construir um caminho que seja radicalmente democrático e não existe democracia enquanto nós somos invisibilizadas. Não existe democracia enquanto a única candidata mulher de esquerda sou eu, se fomos sobretudo nós mulheres de esquerda que resistimos ao golpe e ao desmonte de Estado isso para mim diz muito. Porque isso demostra que na hora H a democracia não nos envolve diretamente”, reforçou.

REVOLUÇÃO FEMINISTA E PRETA

A vereadora de Niterói, Talíria Petrone (PSOL) afirmou que revolução precisa ser feminista, mas precisa ser preta também e que isso é fundamental.
Que representatividade queremos quando falamos em mulheres no poder? Queremos ocupar o poder para quê? É para subverter, é para romper. É para imprimir um programa de feminismo radical, isso é necessário. A conjuntura está assustadora. O Brasil amarga índices de ser o país que mais assassina transexuais no mundo, o Brasil mata 30 mil jovens por ano e a cada 100 jovens, 71 são negros, isso é real e temos que encerrar agora esse genocídio do povo negro. São filhos de mulheres negras como muitas de nós, isso precisa acabar”.
Vereadora Talíria Petrone (Psol-Niterói)

Talíria defendeu também que é preciso 
regulamentar o modelo de segurança pública, legalizar e regulamentar as drogas defender o povo preto. “Isso significa analisar a conjuntura de golpe, mas sem esquecer a realidade brasileira e sem colocar a questão racial como penduricalho como na esquerda. E eu falo nós porque temos que dar a cara ao feminismo que queremos construir”.
companheira de partido da vereadora carioca assassinada ressaltou também que o assassinato da Marielle foi um ataque ao resto de democracia que existia no Brasil, uma democracia que nunca se consolidou para o povo que vive na favela, uma democracia que nunca existiu mesmo nos anos anteriores, como na Maré, por exemplo, ocupada pelo Exército há muito tempo.

CONSERVADORISMO

A deputada federal, Margarida Salomão (PT-MG) denunciou a aliança entre os ultraliberais e os conservadores atual.
Foi aprovado recentemente a Base Nacional Curricular Comum que reintroduz o ensino religioso e elimina a possibilidade de ter nos currículos escolares a discussão de gênero. Ao mesmo tempo se abriu campo para que conteúdos curriculares sejam vendidos para empresas privadas que virão, por exemplo, a dar aula de inglês na escola pública. Essa aliança espúria agride as mulheres e todas as pessoas que tem uma visão de família como a Marielle que era casada com outra mulher”, destacou.
Margarida também destacou a grande ofensiva neoliberal no mundo todo que ao desmontar o Estado de bem estar social – extinguindo políticas de proteção social- exige que as mulheres voltem para a casa para cuidar dos filhos de dos velhos.
Deputada Federal Margarida Salomão (PT-MG)

Fonte: UNE

O que é Páscoa


Páscoa é uma importante celebração da igreja cristã em homenagem a ressurreição de Jesus Cristo.
De acordo com o calendário cristão, a Páscoa consiste no encerramento da chamada Semana Santa. As comemorações referentes à Páscoa começam na “Sexta Feira Santa”, onde é celebrada a crucificação de Jesus, terminando no “Domingo de Páscoa”, que celebra a sua ressurreição e o primeiro aparecimento aos seus discípulos.
A Semana Santa é a última semana da Quaresma, período em que os fiéis cristãos devem permanecer por 40 dias em constante jejum e penitências.
O dia da Páscoa foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 d.C), devendo ser celebrado sempre ao domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul).
A Páscoa é classificada como uma festa móvel, assim como todas as demais festividades que estão relacionadas a esta data, como o Carnaval, por exemplo.
A comemoração da Páscoa, no entanto, costuma ser entre os dias 22 de março a 25 de abril.
A Páscoa é comemorada em vários países, principalmente aqueles com fortes influências do cristianismo. Os espanhóis chamam a data de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
Etimologicamente, o termo Páscoa se originou a partir do latim Pascha, que por sua vez, deriva do hebraico Pessach Pesach, que significa “a passagem”.

Páscoa judaica

Para os judeus, a Páscoa (Pessach ou Pesach) é uma antiga festa realizada para celebrar a libertação do povo hebreu do cativeiro no Egito, aproximadamente em 1280 a.C.
As festividades começavam na tarde do dia 14 do mês lunar de Nisan. Era servida uma refeição semelhante a que os hebreus fizeram ao sair apressadamente do Egito (o Sêder de Pessach).

Símbolos da Páscoa

A Páscoa é recheada de símbolos representativos, assim como quase todas as celebrações religiosas. A maioria destes símbolos, no entanto, foram sincretizados pela igreja a partir de costumes e rituais pagãos ou de outras religiões.
coelho da Páscoa, por exemplo, se tornou um dos principais símbolos desta festividade em referência as comemorações feitas pelos povos antigos durante o começo da primavera. Acreditava-se que o coelho era a representatividade da fertilidade e do ressurgimento da vida.
O ovo também é um símbolo da Páscoa, pois representa o começo da vida. Vários povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes a passagem para uma vida feliz. A partir deste costume, surgiram os primeiros Ovos de Páscoa.
Brasil Cuktura

Soldados do Araguaia contam sobre traumas e marginalização em filme


Militares de baixa patente denunciam horrores causados pelo Exército durante e depois da guerrilha: além de terem sido humilhados e torturados, hoje são ignorados pela corporação.
Por Xandra Stefanel
“Minha cabeça estourou três vezes com bomba. Saiu sangue do nariz, saiu sangue da boca, do ouvido, me deu mancha de sangue nos olhos (…) Enchiam a boca de açúcar com água, a gente amarrado nos pés e mãos e eles chegavam e jogavam aquele açúcar no corpo da gente pelado. Dali a pouco, era tanto marimbondo, tanta mosca, tanto mosquito, tanta formiga roendo… Você gritava, chorava e tudo, mas, como, amarrado nos pés e mãos? Perna aberta, braço aberto e aqueles bichos mordendo a gente de todo jeito…”
Em um filme que trata sobre o período da ditadura brasileira, este relato pode ser confundido como o de um civil capturado e torturado pelo regime. Mas não. A declaração é de alguém que fez parte da máquina repressora e dela também foi vítima. Episódios como este vivido pelo soldado Guido, enviado para uma missão no sul do Pará pelo Exército Brasileiro no começo da década de 1970, fazem parte do documentário Soldados do Araguaia, de Belisario Franca, que estreou nos cinemas na quinta-feira (22).
O longa-metragem de pouco mais de uma hora é uma viagem pelas profundezas do terrorismo de Estado perpetrado contra civis e militares no Pará entre 1972 e 1975. Com roteiro de Franca e Ismael Machado, o filme conta a história de soldados de baixa patente enviados para o interior da selva amazônica com a missão de exterminar a guerrilha do Araguaia, de resistência à ditadura.
As Forças Armadas recrutaram 60 jovens da região sem informá-los nada sobre a missão que seriam obrigados a cumprir e, segundo os oito depoentes do documentário, o que eles viveram foi pior do que o inferno. Quarenta anos depois do fim da guerra, eles descrevem pela primeira vez a sua versão dos fatos em frente às câmeras e o resultado é extremamente desconcertante mas, acima de tudo, poderoso e esclarecedor.

“A gente ficou vendo fantasma”

O clima tenso começa já nos primeiros minutos do filme, com sons de floresta, passos, insetos e a aproximação de um helicóptero. O que vem em seguida faz o estômago revirar. Jovens, em sua maioria campesinos, os soldados foram mandados para a guerrilha com apenas duas semanas de um treinamento que incluía tortura. “Aquilo tudo que eles (o Exército) faziam era pra nós não sofrermos dor, pena da pessoa que está apanhando. Então, eles faziam aquilo na gente que era pra saber, quando chegasse lá, a aplicar tortura também”, declara o soldado Fonseca.

Todos os episódios de tortura e humilhação vividos por esses militares de baixa patente começaram a vir à tona quando alguns soldados decidiram procurar ajuda no projeto Clínica do Testemunho, criado em 2012 pelo Ministério da Justiça com o objetivo de reparar os danos psicológicos causados à vítimas da violência causada pelo Estado.
“’Como assim militares se inscrevendo? Do que se trata?’ A gente não conhecia essa história, a gente não conhecia o que eles tinham sofrido dentro das Forças Armadas. Houve também nossas desconfianças e resistências enquanto equipe. O senso comum, digamos assim, e também os relatos tão duros com os quais a gente trabalha há tanto tempo falam do militar nesse lugar de torturador, de repressor. ‘O que que esses militares estão querendo? Expurgar algum tipo de culpa? O que está fazendo eles buscarem [ajuda]?’ Então, a gente decidiu ouvir”, afirma Cristiane Cardoso, psicóloga clínica-institucional do projeto.
Segundo a equipe da Clínica do Testemunho, as consequências psicológicas dos traumas vividos por esses soldados são enormes e continuam presentes no dia a dia dessas pessoas. Medo constante, crises de pânico, psicose, alcoolismo, pensamentos suicidas são algumas das manifestações de estresse pós-traumático apresentadas nas sessões.
“’Pega esse saco aqui!’ Você pegava como se fosse um saco de côco da praia. Você pegava e estava escorrendo sangue, era cabeça de gente, cabeça de mulher, cabeça de homem. ‘Pega esse saco aí!’ Pegava o saco cheio de mão. Você se melava todo de sangue e aquilo ficava fedido no corpo, mesmo que você tomasse banho. Você estava dormindo e parecia que aquele saco de cabeça estava perto da gente. Parece que aquele saco de mão caía em cima da gente. Meu deus do céu! Então, a gente ficou vendo fantasma”, conta o soldado Guido.
“Eu pensei em dar um tiro na cabeça”

Além dos efeitos psicológicos, esses homens já beirando os 70 anos contam como foram descartados pela corporação. Ao final da guerrilha, receberam um “muito obrigada” pelos serviços prestados e saíram em fila indiana marchando por quilômetros à pé. Não receberam a baixa militar nem comprovante de que fizeram parte do Exército. Muitos lutam até hoje pelos seus direitos e vivem situações financeiras bastante precárias.

“Eu que fui treinado para ser um herói, para defender a pátria em nome do Exército Brasileiro, hoje em dia sou rejeitado pelo Exército, por aqueles que foram meus amigos e hoje em dia tudo me negaram e viraram as costas pra mim. Então, não interessa mais viver. Eu pensei em dar um tiro na cabeça porque o mesmo revólver que eu usava na guerrilha, eu tinha ainda”, declara o soldado Góes.
O roteiro do longa-metragem acerta em cheio ao construir a narrativa de forma linear: o recrutamento inesperado junto das comunidades ribeirinhas e rurais, a tortura durante o curto treinamento, os horrores que viram e que foram obrigados a cometer, o descarte dos soldados sem qualquer direito, a reivindicação pelo reconhecimento do Exército e a luta para que este episódio seja passado à limpo. Com uma fotografia monocromática, a produção traz entrevistas permeadas por imagens de arquivo, de florestas, treinamentos militares e do cotidiano ribeirinho.
Ao final do filme, resta a certeza de que é preciso continuar trazendo à tona todo tipo de violência perpetrada pelo Estado para cobrar pela reparação dos danos causados durante a ditadura militar e cessar este ciclo de brutalidade. Quem sabe assim, no futuro, as instituições militares e policiais não se tornem mais humanas, sem as práticas repressoras tão amplamente utilizadas ainda nos dias de hoje.
Soldados do Araguaia, que participou da 41ª Mostra Internacional de Cinema, dá sequência à Trilogia do Silenciamento, um projeto de Belisario Franca que pretende recuperar histórias e personagens brasileiros que vivem à margem da historiografia nacional. O primeiro filme, Menino 23, foi lançado em 2016 e resgata a descoberta de um projeto de limpeza social amparado por teorias nazistas em uma fazenda em São Paulo.

Assista ao trailer: 

Brasil Cultura