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sexta-feira, 11 de maio de 2018

A minha geração sabe o que é perder a democracia. Por Ana Maria Magalhães, atriz e cineasta

Ana Maria Magalhães
Publicado na Carta Maior
POR ANA MARIA MAGALHÃES, atriz e cineasta
No Brasil, o movimento de 1968 eclodiu pela confluência das contestações de estudantes e artistas ao regime militar consecutivas ao Golpe de 64. A escalada repressiva iniciada na UnB com demissões e prisões de professores e o envio de tropas militares ao campus se espalhou por outras cidades e culminou no Massacre da Praia Vermelha, em setembro de 1966, quando tropas da PM e do Exército encurralaram e espancaram seiscentos estudantes na Faculdade de Medicina da atual UFRJ.
A partir daí a reorganização do movimento estudantil incorporou às reivindicações da autonomia universitária, ampliação de vagas e extinção da cobrança de anuidades a luta contra a ditadura em sucessivas greves e protestos nas ruas.
Enquanto isto, pelo seu lado, os artistas se uniam em torno de manifestos contra a censura. Inconformados com a imobilidade da oposição e o silêncio da imprensa diante do avanço da ditadura que se fazia passar por democrata, um grupo de intelectuais decidiu denunciá-la perante a conferência da OEA no Rio de Janeiro, logo após a edição do AI-2 que eliminava o voto popular, instituía eleição indireta para a presidência da República, ampliava os poderes do Executivo em detrimento do Legislativo e legitimava a militarização do processo judicial, em novembro de 1965.
Por sugestão de Antonio Callado, o também escritor Carlos Heitor Cony, o poeta Thiago de Mello, os cineastas Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Mario Carneiro, o jornalista Marcio Moreira Alves, o diretor teatral Flávio Rangel e o embaixador Jayme Azevedo fizeram o seu protesto pacífico. 
Ao descer do automóvel em frente ao Hotel Gloria, o marechal presidente Castello Branco foi surpreendido por faixas estendidas no meio da rua, vaias e gritos que clamavam por democracia, eleições livres e o célebre Abaixo a ditadura! A prisão dos Oito da OEA atingiu o objetivo de revelar que o país seguia sob regime militar fechado.
Os jornais brasileiros tiveram que noticiar o evento depois do destaque nas primeiras páginas do Washington Post, New York Times e Le Monde, e do manifesto assinado por personalidades como o filósofo Sartre e o cineasta Godard. Desde então, a mobilização de artistas e intelectuais se desenvolveu em torno da politização da luta contra a censura ao teatro, cinema, música e meios de comunicação.
A Constituição de 1967 centralizou a censura que avançou em cortes e proibições às peças teatrais. A ignorância dos censores e os prejuízos econômicos decorrentes levaram setores da classe artística, avessos à participação política, mas esclarecidos, a se juntarem aos protestos contra o regime.
Os artistas formaram uma comissão ampla de representantes do teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas para encaminhar o pedido de extinção da censura ao presidente daRepública e órgãos competentes. No morde e assopra, o general Juvêncio Façanha chamou a turma do teatro de debilóide, o cinema de arte de sem – vergonhice, as atrizes Odete Lara e Tônia Carrero de vagabundas, e avisou “ou vocês mudam ou vocês acabam”. 
Enquanto isto, o ministro da Justiça Gama e Silva aparentava disposição ao diálogo com os artistas. Foi assim que se chegou à organização da Campanha Nacional Contra a Censura, em Defesa da Cultura, lançada em janeiro de 1968 na sede da ABI. 
Compareci com Vera Valdez que observou a beleza de Nelson Pereira dos Santos que compunha a mesa. Para mim, que o imaginava sisudo, foi uma grata surpresa vê-lo pela primeira vez. Centenas de artistas assistiram a leitura do manifesto pelo ator Paulo Autran, que convocava a opinião pública a lutar em defesa da arte e da cultura contra a intolerância e a mediocridade de um regime que as encarava como atividade perniciosa e atentatória à segurança nacional.
O caldo engrossou com a aplicação de cortes na montagem de Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams, os quais a atriz Maria Fernanda não aceitou. Nas cinzas do Carnaval de 1968, a classe teatral, liderada por Oduvaldo Vianna Filho, promoveu uma greve que levou o protesto contra a censura às ruas.
Lá estava eu, atriz principiante aos 18 anos, marcando presença, empunhando cartazes e colhendo assinaturas de quem passava defronte às escadarias do Teatro Municipal. Diante do cerco da cavalaria da PM no encerramento da greve de três dias, Tonia Carrero encabeçou as negociações com o ministro Gama e Silva que garantiram o grande final.
Em seu discurso, o diretor Flavio Rangel evocou os soldados que lutaram em campos de Europa na defesa da democracia e determinou que atrizes como Cacilda Becker e Tonia Carrero, que representavam o matriarcado teatral brasileiro, saíssem à frente da passeata até o Monumento dos Pracinhas onde depositamos uma coroa de flores em homenagem aos combatentes.
Resultado de imagem para Eva Todor, Tonia Carreiro, Dina Sfat, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel
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Daí saiu a foto das atrizes de mãos dadas que hoje equivocadamente se atribui à passeata dos 100 mil.
Em março, ao final da sessão de uma peça no Teatro Opinião da qual eu participava, soubemos da morte do estudante Edson Luís. Parte do elenco acompanhou Vianinha ao velório na Cinelândia. Antes, passamos pelo cemitério onde fizemos uma vaquinha para comprar uma coroa de flores em nome da classe teatral. 
No dia seguinte, a emocionante passeata da Cinelândia até o cemitério São João Batista, em Botafogo, selou a união do movimento estudantil ao dos artistas na resistência à ditadura militar que depois se estendeu a setores da classe média e desembocou na passeata dos 100 mil.
A partir daí a repressão veio com tudo. Oficiais da linha dura forçavam a radicalização à direita. No segundo semestre, em São Paulo, o grupo paramilitar Comando de Caça aos Comunistas, o CCC,  invadiu os camarins do espetáculo dirigido por Zé Celso, Roda Viva, de Chico Buarque, e agrediu fisicamente os participantes, entre eles a atriz Marília Pêra.
Em todos os teatros, os elencos passaram a ler um manifesto de repúdio à ação violenta. Eu estava em cartaz com a peça Juventude em Crise,  no teatro da Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana.
Àquela altura, combinamos revezar os atores na leitura do manifesto para que nenhum de nós ficasse marcado. Mas na noite seguinte à minha leitura, apareceu uma senhora no bastidor e me disse singelamente que eu estava presa e deveria acompanhá-la. Caso contrário, ela seria obrigada a me levar presa no camburão. 
Ocorreu-me a ética profissional de compromisso com o público pela qual aleguei que ela esperasse o final do espetáculo e corri para a coxia. Entrei em cena com a sensação de que ela viria atrás de mim, mas então a minha prisão não seria secreta como ela pretendia.
Quando a vi sentada na plateia respirei aliviada. Assim que saí de cena avisei o que se passava ao Carlos Kroeber, administrador da companhia, que se pendurou ao telefone. Cada vez que o entrevia pela porta da sua sala, ele estava mais esbaforido e com as bochechas avermelhadas. Talvez através de Tonia, que era a produtora, um jovem advogado veio me encontrar na saída do teatro, ao lado do diretor Cecil Thiré com quem eu era casada e da policial.
Técio Lins e Silva insistiu que eu não assinaria a intimação sob o compromisso de posterior depoimento no SOPS, a superintendência federal de ordem política e social.
Na tarde seguinte, encontrei Técio no centro do Rio e depois de receber a sua orientação lá fomos nós para a Praça XV onde o delegado me interrogou e desfilou uma lista de artistas famosos, entre eles Claudio Marzo e Chico Buarque, para saber se os conhecia. De tanto confirmar que sim, decidi negar um, sem me dar conta que era justamente o Carlos Vergara, cenógrafo da peça que eu fazia. Mas o delegado não percebeu. Ao mesmo tempo em que me instava a negar a leitura do manifesto, seu interesse era me ameaçar se houvesse reincidência.
Foi um ano agitado pela militância no meio teatral, leituras e questionamentos políticos entre as posições reformistas e da luta armada e madrugadas febris. Assisti Fome de Amor, de Nelson Pereira dos Santos, que me fez pensar e me tocou a tal  ponto que me estimulou a mudar de vida. Separei-me e decidi retomar os estudos.
Durante a viagem de um mês pelo Brasil como manequim da América Fabril estudava para fazer o vestibular. O ano terminou com a publicação do AI-5, quando eu estava em São Paulo ensaiando Os sete gatinhos, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Jô Soares.
Em dia de folga que vim ao Rio, a colega de vestibular que me hospedaria se apavorou a me ver à sua porta como se dissesse “some daqui”. Soube, então, que a minha prisão tinha sido noticiada em publicação clandestina, e, depois, soube que policiais tinham ido ao apartamento da minha família onde prenderam minha irmã e revelaram interesse em me prender também.
Naquela tarde cinzenta caminhei pela praia do Leblon numa tristeza infinita. Se por um lado eu submergi no Rio, tinha o meu nome estampado na porta do teatro em São Paulo. Felizmente as forças policiais das duas cidades não se comunicavam. Vim para as festas de fim de ano em suspenso, e depois para fazer as provas do vestibular.
Mas só voltei a morar na minha cidade ao final da temporada teatral e início das aulas no IFICS, em março de 1969, quando a fúria desencadeada pelo AI-5 amainara. Eles tinham ganhado a parada.
A minha geração e as anteriores que viveram aqueles tristes tempos sabem o que significa a perda do Estado democrático de direito.
Fonte: Diário do Centro do Mundo 0 DCM

Escola sem Partido e a ampliação da violência contra grupos oprimidos. Por Luís Felipe Miguel

Por Diário do Centro do Mundo
PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR
O chamado “movimento” Escola Sem Partido, na verdade um lobby dirigido por um único indivíduo, nasceu com pauta predominantemente anticomunista. Seu alvo era a presença, em sala de aula, de discussões sobre as injustiças sociais e de perspectivas críticas ao capitalismo. Em texto que depois tirou de circulação, o chefe do ESP afirmava desejar uma “escola que promova os valores do [Instituto] Millenium” – referindo-se ao “think puddle” (porque “tank” é demais para o calibre intelectual dele) ultraliberal sediado no Rio de Janeiro e financiado alhures.
Mas o ESP só ganhou visibilidade quanto deu uma guinada programática (e pragmática), passando a priorizar a chamada “agenda moral” e aderindo à campanha de desinformação contra o que foi rotulado como “ideologia de gênero” – que é, na verdade, a tentativa de construir, nas escolas e por extensão na sociedade, um ambiente livre de violências e respeitoso da diversidade. Com slogans tão retrógrados quanto “meus filhos, minhas regras”, que nega a ideia de que as crianças tenham direitos, afirma a primazia absoluta da família, recusa expressamente o caráter educativo do espaço escolar e, no fim das contas, inviabiliza a própria noção de ensino público, o que para eles é um ganho.
O avanço de projetos de lei baseados nesta visão de mundo medieval preocupa. O ESP tem priorizado o terrorismo contra professores, julgando que será capaz de intimidá-los. Mas, com o retrocesso vivido no país, a possibilidade de aprovação de uma norma legal restritiva de liberdade de ensinar e aprender já não está afastada.
A campanha contra a discussão sobre gênero é criminosa. Nunca é demais lembrar que o Brasil é líder mundial em feminicídios e assassinatos homofóbicos. Há sangue nas mãos dos religiosos fundamentalistas, dos parlamentares reacionários, dos promotores do “Escola Sem Partido”, de todos aqueles que impedem que se promova o respeito às múltiplas de ser, à diversidade sexual e ao princípio da igual autonomia de mulheres e de homens.
A mobilização política da extrema-direita está provocando, de forma deliberada, a ampliação a violência contra grupos oprimidos. Sempre tivemos, no Brasil, uma combinação perversa entre estruturas sociais que reproduzem a dominação e um discurso difuso marcado pelos preconceitos. Isso contribuía para a naturalização do racismo, do sexismo, da homofobia. Mas hoje, até como reação ao enfrentamento que se começou a fazer dessa situação, racismo, sexismo e homofobia passam a ser reivindicados como identidades militantes. É trágico.

O chamado “movimento” Escola Sem Partido, na verdade um lobby dirigido por um único indivíduo, nasceu com pauta predominantemente anticomunista. Seu alvo era a presença, em sala de aula, de discussões sobre as injustiças sociais e de perspectivas críticas ao capitalismo. Em texto que depois tirou de circulação, o chefe do ESP afirmava desejar uma “escola que promova os valores do [Instituto] Millenium” – referindo-se ao “think puddle” (porque “tank” é demais para o calibre intelectual dele) ultraliberal sediado no Rio de Janeiro e financiado alhures.
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

Centro Cultural Cazuza é inaugurado em Vassouras (RJ)

Centro Cultural Cazuza, em Vassouras

“Um museu de grandes novidades”. É assim, como nos versos de O Tempo Não Para, de Cazuza, que se abrirão as portas do novo espaço cultural de Vassouras, no Rio de Janeiro. A antiga Casa de Cultura da cidade, recebe, a partir de agora, o nome do cantor, compositor e poeta brasileiro, e passa a sediar o Centro Cultural Cazuza, após o edifício ser totalmente restaurado, em uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Sociedade Viva Cazuza e a Prefeitura Municipal de Vassouras.
Toda a obra durou menos de um ano, envolvendo a restauração da casa principal, a construção de um anexo com elevador, instalação de novos banheiros e paisagismo da área externa. As ações executadas garantiram a acessibilidade do edifício e ainda a implantação de novos usos para os ambientes internos, que agora terão espaço de exposição, salas multimídia, biblioteca e uma ala permanente em homenagem a Cazuza, onde o público poderá conhecer objetos, indumentária, documentos e prêmios do artista. O Iphan foi responsável por custear o projeto para o restauro arquitetônico, contratado pela Prefeitura Municipal e executado com investimentos da Sociedade Viva Cazuza.
A celebração da inauguração do espaço acontece nos dias 11 e 12 de maio, marcando o ano em que Cazuza faria 60 anos e também os 60 anos do tombamento do Conjunto Paisagístico e Urbanístico de Vassouras. Para a solenidade de entrega, estarão presentes a presidente do Iphan, Kátia Bogéa; o diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida; a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Mônica da Costa; a presidente da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo; o prefeito Severino Dias, e outras autoridades locais. O primeiro dia contará com apresentação de Sandra de Sá e, no segundo dia, do Bloco Exagerado e Gilberto Gil.
Uma casa cheia de histórias
O edifício que agora abriga o Centro Cultural Cazuza é um antigo casarão de 1845, em estilo neoclássico. Localizada ao redor da Praça Barão de Campo Belo, a principal da cidade, a casa tem grande valor simbólico e integra o conjunto protegido pelo Iphan desde 1958. Já há vários anos funcionava como sede da Secretária de Cultura e Turismo de Vassouras, tendo sido interditada em 2013, por questões estruturais. 
A casa foi residência de importantes nomes da história de Vassouras, a cidade dos Barões de Café, tal qual o genro do Barão de Itambé, Francisco José Teixeira de Souza. Após seu falecimento, em 1871, o prédio foi transformado em sede de diversos clubes e colégios, até ser adquirido pela Prefeitura Municipal, que criou ali uma casa de cultura, até então denominada Centro Cultural Presidente Tancredo Neves, a fim de abrigar manifestações dos diversos segmentos culturais, como a Biblioteca Maurício de Lacerda e o Arquivo Público Municipal.
A família de Cazuza possui uma forte relação com o edifício, pois foi onde Lucinha Araújo, mãe do artista, nasceu. Foi também ali em frente, anos mais tarde, que ela conheceu seu marido, o empresário João Araújo. Para marcar esse vínculo familiar, foi instalado no novo centro cultural o busto de Maria Rangel de Araújo, educadora e fundadora do Colégio de Vassouras e avó de Cazuza.
Investimentos
Vassouras vem recebendo uma série de investimentos do Iphan nos últimos anos. Está em andamento a restauração da Sede da Associação de Paroquianos de Vassouras (Asepava), que recebe investimentos de cerca de R$740 mil. Além disso, outros R$2,8 milhões já foram destinados à elaboração de projetos, sendo que alguns deles serão, como foi o caso do Centro Cultural Cazuza, executados com recursos da iniciativa privada. 
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br
Déborah Gouthier - deborah.gouthier@iphan.gov.br
Chico Cereto - 
imprensa.rj@iphan.gov.br
(61) 2024-5533 - (21) 2233-6334
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quinta-feira, 10 de maio de 2018

STRAF DE NOVA CRUZ JUNTO COM O BNB NA COMUNIDADE DE LAGOA DE SERRA!

 Presidente do STRAF - NOVA CRUZ-RN, EDMILSON GOMES DA SILVA (Negão), dialogando com os moradores da Comunidade do Sítio LAGOA DE SERRA

 Representante do BNB (CREDIAMIGO E AGROAMIGO!.....
 ....Dando informações importantes e tirando dúvidas.
Comunidade compareceu

Ontem (9) o STRAF de Nova Cruz e o BNB estiveram reunidos com a Comunidade de LAGOA DE SERRA para falar, discutir, esclarecer sobre a importância dos Programas do BNB ( Banco do Nordeste do Brasil), como os Programas o AGROAMIGO e o CREDIAMIGO.

Para o presidente do STRAF, o popular "Negão" é um momento único esse encontro, onde a comunidade participa e é ouvido sobre os programas do Governo em prol do HOMEM  DO CAMPO, principalmente os projetos/programas do BNB.  Essa parceria sempre deu certo e agora é que dará, pois o STRAF não poupará esforço para que o homem do campo, juntamente com suas associações possam ser beneficiada pelos programas governamentais. Concluiu, Negão!

Outras reuniões virão. O sindicato sempre estará de plantão para as instituições governamentais possam oferecer e orientar os trabalhadores/as rurais para que eles através de suas associações legalmente constituída possam concretizar esses projetos que é salutar para eles.

O STRAF de Nova Cruz procurará manter contatos com outras instituições para se possível oferecer outros programas a favor do homem do campo, como por exemplo CISTERNAS, CAIXAS D'AGUA, CORTE DE TERRA, REPARO NAS ESTRADAS DE ACESSO AS COMUNIDADES/CIDADE, entre outros.

Até último dia para jovens de 16 e 17 tirarem o título, UBES realiza maratona “Se Liga 16”

UBES e UMES no TSE Natal

Campanha e ações para incentivar a juventude a ocupar as urnas em 2018 continuou até último minuto do prazo.

Terminou nesta quarta-feira (9) o prazo para quem tem 16 ou 17 anos e quer votar nas eleições do próximo mês de outubro. A UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) está promovendo em todo o Brasil uma maratona de ações da campanha “Se Liga 16”, que tem o objetivo de conscientizar o público dessa idade sobre a participação política e democrática nos rumos do país.
A campanha, que completa 30 anos, e desta vez tem como mote “Bora ocupar as urnas”, convoca o grande número de estudantes secundaristas que ocuparam as suas escolas nos últimos anos, em defesa da educação, para se mobilizarem também pelo direito ao voto.
Em diversos estados, a UBES está realizando rolês coletivos com a juventude para os Tribunais Regionais Eleitorais, para a emissão do documento. Na última quinta-feira (3), uma dessas ações foi realizada em Natal (RN) e quem tirou o título também foi o próprio presidente da UBES, Pedro Gorki, de 17 anos. Esta será a primeira eleição da qual participa:
“Assim como tantos, me sinto muito feliz de tirar meu título de eleitor. A emoção é por ter mais participação cidadã e poder escolher quem representa nosso povo. A escolha dos representantes é decisiva para a defesa dos direitos dos jovens. A construção da sociedade que a gente quer passa por boas políticas públicas para a juventude e para a educação brasileira”, afirma Gorki.
A campanha Se Liga 16 surgiu em 1988, após a ditadura militar brasileira, como um instrumento de pressão sobre os parlamentares que definiram a Constituição Federal naquele ano. Após muita manifestação e atuação da UBES, o texto constitucional passou a incluir o voto facultativo nessa faixa etária.
Até o fim desta quarta, a UBES promoverá uma série de ações nos estados, nas escolas e também nas redes sociais, onde está previsto um twitaço de mobilização dos mais atrasados que ainda não procuraram a Justiça Eleitoral. Nos próximos meses, a entidade também produzirá uma plataforma eleitoral com as reivindicações dos estudantes brasileiros para os candidatos nas eleições de 2018.

Campanha “Se Liga, 16!” pelo Brasil



Nos últimos dias antes do fim do prazo, a ACES (Associação Cearense dos Estudantes Secundaristas) ajudou a organizar um grande mutirão no Ginásio Paulo Sarasate, com o TRE, e mobilizou mais de 100 secundas.


No Ceará também teve debate sobre democracia e cidadania. Na foto, presidente da UBES Pedro Gorki fala na EE César Cals, Fortaleza. Abaixo, no transporte até o ginásio Paulo Sarasate.


Vai que dá! Na terça (8/5), a UPES – Paraná e Aesc-Sul Associação dos Estudantes Secundaristas de Campina Grande do Sul mobilizaram os secundas atrasadinhos para tirarem o título no Fórum Eleitoral de Campina Grande do Sul.


Em Manaus, jovens participam de caravana da UBES e do Grêmio Estudantil Chico Mendes, do IFAM, até o TSE-AM





Jovens de Campina Grande emitem título de eleitor e participam de palestra sobre cidadania em Campina Grande (PR). Ação da UBES foi em parceria com a AESP – Associação dos Estudantes Secundaristas da Paraíba


Orgulho! Mais uma foto da ação em Campina Grande, Paraíba




Em São Luis, estudantes também mostram o título de eleitor depois de participar da campanha #SeLiga16 da UBES e da AMES – Maranhão


No TSE de São Luís do Maranhão, com participação da diretora da UBES Rozana Barroso


Em Porto Alegre, estudantes puderam tirar o título de eleitor na frente da escola Ernesto Dornelles, graças a uma parceria do TRE-RS com o grêmio
Fonte: UBES

Seminário de Educação ressalta resistência para o desenvolvimento nacional

Seminário de Educação ressalta resistência para o desenvolvimento nacional

Estudantes de todo o estado de São Paulo se reuniram nesse último final de semana, 07 e 08 de abril, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, para participar do Seminário de Educação da UEE-SP.

Com uma programação intensa de debates, mas realizado, inesperadamente, em um dia histórico de resistência, após o mandato de prisão ao ex-presidente Lula - expedido pelo juiz Sergio Moro, na quinta-feira, 05.04, e toda mobilização popular, do movimento estudantil e social contrários à prisão arbitrária. 

Assim, o Seminário que tinha como tema " Universidade Não se vende, se defende", tornou-se um evento emblemático e histórico de posicionamento dos estudantes em defesa da democracia e da educação.
 
Nayara Souza, presidenta da UEE-SP, iniciou a programação do Seminário, apresentando a iniciativa da entidade em organizar os dois dias de debates, trazendo estudantes de todo o estado de São Paulo. "Os ataques à educação são intensificados atualmente. Recentemente, uma tal reforma de projeto pedagógico dos tubarões do ensino demitiu milhares professores das universidades privadas e se elevam as propostas de cobranças de mensalidade nas instituições públicas. Sair dessa situação é ainda mais difícil quando estamos em torno dessa conjuntura, que um golpe trouxe um plano de governo, que não se dedica ao desenvolvimento".

Em seguida, deu-se início ao debate sobre financiamento da educação, com a presença de Renato Meirelles, diretor do Instituto Locomotiva, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel e Virgínia Barros, ex-presidenta da UNE.

Meirelles lembrou dos avanços no acesso ao ensino superior nos últimos anos e os impactos no salário e no mercado de trabalho, a partir do investimento em programas de acesso. " Atualmente, temos 75% dos estudantes brasileira sendo a primeira geração com formação universitária das suas famílias. Esse acesso gera uma transformação social imensa".

O reitor da Unicamp falou sobre seu um ano à frente da universidade e as dificuldades no orçamento com o projeto no estado. "São Paulo tem um modelo de financiamento de universidade único  no mundo inteiro, uma vez que é a população que paga pelo orçamento destinado às instituições . Ou seja, toda população paga por elas por meio de ICMS, que é o imposto por circulação, compras e serviço. Em um momento de crise, claro que vamos consumir menos e assim a verba destinada cai. Eis aí o grande problema desse sistema".

Knobel acrescentou que além de um novo modelo de financiamento, com maior papel do estado nos hospitais universitários e programas de assistência estudantil, por exemplo, e deve-se pensar a universidade mais adequada às especificidades regionais e mais flexível.

Virgínia Barros, ex-presidenta da UNE, que em sua gestão foi aprovado o Plano Estadual de Educação, com 20 metas para os próximos 20 anos, explicou qual o principal entrave para a efetivação do PNE. 

" Com a PL 95, aquela do congelamento de gastos, o investimentos de educação e saúde não serão reajustados nos próximos 20 anos, o que conflita diretamente com as metas de educação pública. A abertura da exploração da camada do pré-sal para empresas estrangeiras o tornou ainda mais distante."

Confira contribuições das mesas de domingo (08.04)

Mercantilização da Educação
Nessa mesa, em que estudantes de universidades privadas levaram seus questionamentos e contestações sobre o ensino e detalhes sobre a vida estudantil nessas instituições,  Madalena Guasco, coordenadora da Faculdade de Educação da PUC - SP, apresentou do projeto educacional que se firma com o avanço neoliberal no governo e a urgência em barrá-lo
" Avança a educação à distância,também no ensino médio, a privatização do ensino. Cursos com o valor de R$ 8 mil reais, com professores de mestrado e doutorado e para o ensino superior gratuito, docentes com notório saber, mesclando aulas à distância", avalia Madalena.

Victor Grampa, presidente da Comissão de Direito Educacional da OAB/SP, mostrou detalhes das fatias do mercado entre os chamados "tubarões do ensino" e a problemática em torno da falta de regulamentação. " Na aquisição das universidade, ou seja na compra de mais instituições pelos grupos, já há carência de fiscalização.".


Ensino, pesquisa e extensão

Participaram do debate, Tamara Naiz, presidenta da ANPG ( Associação Nacional dos Pós Graduandos, Roseli de Deus Lopes, diretora da SBPC ( Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência)  e Luis Claudio, diretor do Campus São Paulo do Instituto Federal. A mesa debateu os impasses da regulamentação do profissional tecnólogo, os cortes na Ciência e Tecnologia e carência - e necessidade - da pesquisa na graduação.


Reformas e Mercado de Trabalho

Na tarde de domingo (08.04), o deputado federal Orlando Silva ( PC do B) e Rodrigo Brandão, diretor do Instituto Teotônio Vilela, debateram os caminhos para o desenvolvimento nacional e o mercado de trabalho. 
Brandão trouxe dados sobre o desemprego na juventude, que chega a 30% no Brasil e as propostas para elevar a taxa de empregabilidade nessa faixa etária. "Incentivar as empresas a contratar pessoas mais jovens e repensar a formação a partir das novas modalidades de emprego que surgem".

O deputado Orlando Silva, ressaltou que pensar do desenvolvimento nacional, redução de desemprego, passa também por uma luta política em reverter as "reformas" recentes e os investimentos em pesquisa nas universidades. 
" O PL de congelamento de gastos públicos inviabiliza crescimento do país, a inovação. E esse baixo investimento é criticado no mundo inteiro. Não dá para falar em indústria 4.0, com essas medidas, como a emenda 95".


Imagens: Karla Boughoff

Na luta pela educação, uma bagagem de histórias


Tradição da entidade, caravanas realizadas pela União Nacional dos Estudantes disseminam cultura e fortalecem a luta pela educação
Os pés que abriram os caminhos desta edição da UNE Volante não andam sós. Eles acompanham passos de outras épocas, acumulam e espalham a luta pela educação Brasil afora, como manda a tradição. Em 1962, a história teve início sob a gestão de Aldo Arantes, numa caravana que rodou o país para falar sobre reforma universitária e levar o então recém-criado Centro Popular de Cultura (CPC) a todos os cantos do país.
A também ”UNE Volante” saiu em marcha após o II Seminário Nacional de Reforma Universitária, realizado em Curitiba.
“Fizemos a UNE Volante, uma caravana que ia do Rio Grande do Sul a Manaus. Eram vinte e cinco pessoas, vinte integrantes do CPC e cinco dirigentes da UNE. Nós íamos de cidade em cidade, fazíamos assembléias gerais dos estudantes falando sobre a reforma e ainda apresentávamos as peças de teatro do CPC. Essa ação teve um o grande saldo que foi o fortalecimento do movimento estudantil. Éramos recebidos em cada lugar por milhares de estudantes. Foi muito importante para nossa história”, relembra Aldo.
Em 1963,reforçando as conquistas dessa experiência, foi realizada a segunda edição da UNE Volante, congregando jovens artistas e universitários em busca de conhecer e integrar o Brasil. No entanto, essas experiências foram interrompidas pela ditadura. A UNE foi colocada na ilegalidade em 1964 e sua reestruturação ocorreu quase 15 anos depois, com o enfraquecimento do regime. Contudo, a luta seguiu firme. Os passos já estavam dados. Novas caravanas estariam por vir.

ANOS 2000: A UNE PELO BRASIL

Em 2004, na gestão do presidente Gustavo Petta, as caravanas voltaram a fazer parte do calendário da entidade. Intitulada ”UNE Pelo Brasil”, a nova edição também trouxe para a pauta a reforma universitária. À bordo de um ônibus, a UNE Pelo Brasil somou 18 mil km rodados em 60 dias de viagem.
”Percorrer as universidades brasileiras foi fundamental porque ajudou a entidade a ter uma proposta de reforma universitária que chegou ao Senado Federal. Essa proposta resultou na aprovação de iniciativas como o Prouni e Reuni. Conseguimos influenciar o debate nacional para mudar a composição da universidade”, falou o então presidente.
Reeleito em 2005, Petta repetiu a experiência. Durante sua segunda gestão, a Caravana de Cultura e Arte Paschoal Carlos Magno percorreu 20 estados brasileiros levando a semente do Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca da UNE) para diversas universidades.
No segundo semestre de 2008, já sob o mandato da presidenta Lúcia Stumpff, a UNE apostou na diversificação dos temas das caravanas em um projeto ousado, a Caravana Saúde, Educação e Cultura. Em parceria com o Ministério da Saúde, o projeto passou pelos 26 estados, mais o Distrito Federal, a bordo de um ônibus.

UNE BRASIL + 10

Qual é o Brasil que você quer para os próximos 10 anos? Com essa pergunta em mente, a UNE saiu em caravana pelo país no ano de 2012. Foram mais de 50 cidades e mais de 70 universidades públicas e particulares percorridas, na intenção de debater os rumos da educação e do país. Daniel Iliescu, presidente da entidade nesta edição, conta que estar à frente de uma Caravana da UNE é algo muito especial.
”É uma atividade em que a entidade está cumprindo um papel que lhe é constitutivo, que é o de ser Nacional. Não se é nacional somente no Rio, em São Paulo e em Brasília. É preciso estar lado a lado com os estudantes de Norte a Sul, do interior ao litoral do Brasilzão. Conhecer a diversa realidade concreta, nua e crua que vive a nossa juventude”, disse.
Para ele, construir uma caravana em 2018, num momento em que a democracia está sob forte ataque, é um resgate histórico e necessário. ”Em 2012 vivíamos no Brasil um momento de muito otimismo e esperança no futuro. Infelizmente, por enquanto, a História tem tomado outro rumo e nosso povo resiste a uma situação de exceção gerada por um golpe. Por isso, caiam dentro! Muita sola de sapato, muita saliva na língua, muita energia positiva no corpo e na alma. A solução do Brasil está no povo, está nas pessoas e uma entidade fantástica como a UNE é um instrumento precioso para ajudar a unir e organizar o povo e a juventude em nossa luta por um Brasil justo e livre”, destacou Iliescu.
Fonte: UNE

quarta-feira, 9 de maio de 2018

" JOVENS NÃO DEIXEM DE LÊ" - EDUARDO VASCONCELOS -Maio de 1968: um convite ao debate


 

Cinquenta anos depois, é ainda mais necessário examinar em profundidade um movimento que indicou o esgotamento do capitalismo mas inspirou, ao mesmo tempo, a 'renovação' pós-moderna do sistema


1968 constitui um evento de dimensão 
histórico-mundial (Wallerstein), assim como 1789-91, 1848, 1917, 1989-91, pois assinala um ponto de virada histórico suficientemente persuasivo para instaurar um novo world time (Eberhard). Particularmente contagiante, a expressão francesa da crise internacional, detonada em Paris no mês de maio, funcionaria como uma espécie de catalisador de outras revoltas antissistêmicas em arenas locais distantes como Varsóvia, Praga, Dublin, Berlim, Tóquio, São Paulo, Cidade do México ou Lima.

Devido a esta repercussão mundial da experiência francesa, convencionou-se nos meios jornalísticos e até mesmo acadêmicos reduzir 68 ao maio de 68, uma referência ao mês no qual a contestação de setores esquerdistas do movimento estudantil universitário explodiu nas barricadas da Rua Gay-Lussac, no entorno da Sorbonne em Paris. Já a referência a maio-junho de 68 incorpora o desfecho conclusivo da crise, quando o impacto causado pelos Acordos de Grenelle – pactuados, no fim de maio, pelo Ministério do Trabalho com a Confederação Geral do Trabalho (CGT), sob a direção do Partido Comunista Francês (PCF) –, somado à proibição das organizações revolucionárias mediante decreto governamental de 12 de junho, e a subsequente vitória eleitoral de De Gaulle, conseguiram finalmente canalizar as energias revolucionárias do movimento para saídas reformistas.

Contudo, este ano turbulento não começou nem terminou em 1968, algo que a expressão anos 68 também tenta exprimir. Na Itália, por exemplo, a contestação eclodiu um ano antes da rebelião na França, arrastando-se por mais dez anos.

A cada decênio, repõe-se uma situação de disputa pela memória e significado de 68, sempre renovada por uma série de publicações acadêmicas e editoriais jornalísticos que polemizam sobre o anacronismo ou, pelo contrário (a depender do ponto de vista), sobre a atualidade ou contemporaneidade das aspirações libertárias e energias revolucionárias liberadas naquele ano.

Não há também consenso quanto ao seu impacto sobre a vida social, se este foi subestimado ou superestimado pelos protagonistas daquela geração. Afinal, 68 foi uma revolução social derrotada, ou tudo não passou de uma intentona hedonista e iconoclasta de perturbação do status quo pela juventude revoltada? 68 resultou na vitória da heteronomia e do individualismo pós-moderno ou simboliza um importante marco temporal nos processos de descolonização e de emancipação das populações submetidas às mais diversas formas históricas de opressão (patriarcal, heteronormativa, xenofóbica, étnico-racial, política)?

Algumas interpretações mais dogmáticas chegam a reduzir a história de 1968 a um tudo ou nada maniqueísta, incapaz de perceber a sua dimensão histórica real.

É nesse sentido, nos parece, que a provocação lançada pelos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari (1984), de que o Maio de 68 não aconteceu, deve ser entendida: pois, se a luta não começou nas barricadas dos dias 10 e 11 de maio, tampouco ela terminou com as eleições de 23 e 30 de junho, mas se desenvolveu posteriormente também nas trincheiras do campo simbólico, isto é, nos conflitos ideológicos pela memória do evento. De fato, as interpretações sobre 68 dividem-se mesmo no interior de campos políticos afins, principalmente à esquerda do espectro sociopolítico, sobretudo na França, país onde o evento despertou as reações mais furiosas e apaixonadas. O caso dos antigos fundadores da revista Socialismo ou Barbárie (1949-67), Claude Lefort e Cornelius Castoriadis, é exemplar nesse sentido. Para o primeiro, 68 foi uma revolta bem sucedida, enquanto que para o segundo, não passou de uma revolução fracassada.

Guy Debord, fundador de uma pequena, porém influente organização, a Internacional Situacionista (IS, 1957-72), constatou em 88 que nada havia sido até ali “tão dissimulado com mentiras dirigidas” quanto a história de 68. De fato, naquele mesmo ano, surgia pela primeira vez na França um livro sobre 68 produzido pelo campo néocon(neoconservador), chamado O pensamento 68, dos ideólogos Luc Ferry e Alain Renaut.

Vinte anos depois, no livro O pensamento anti-68 (2008), o filósofo Serge Audier alertava para o que chamou de trabalho de deslegitimação de 68, realizado por três atores principais, oriundos de campos políticos e intelectuais distintos, mas que convergiram na interpretação sobre aquele episódio: os gaullistas (retórica do “complô internacional”), os comunistas (retórica das “provocações esquerdistas”) e os neoconservadores (como o ex-presidente Nicolas Sarkozy), que pretendia liquidar a herança de maio de 68.

Em 2018, o atual presidente da França, Emmanuel Macron, restaurou a polêmica sobre o legado de 68 desde um ponto de vista modernisateurque, longe de liquidar com a herança de 68, pretende instrumentalizá-la, ressaltando as supostas características liberal-modernizantes do evento, enquanto oculta seus aspectos mais selvagens (como a greve geral de 10 milhões de trabalhadores com ocupação de fábricas e universidades).

Para os situacionistas[1], “de todos os critérios parciais utilizados para acordar ou não o título de revolução a tal período de perturbação no poder estatal, o pior é seguramente aquele que considera se o regime em vigor caiu ou se manteve. Esse critério […] é o mesmo que permite à informação diária qualificar como revolução qualquer putsch militar que tenha mudado o regime do Brasil, de Gana ou do Iraque”. A “prova mais evidente” do caráter revolucionário de 68, continuam os situacionistas, “para aqueles que conhecem a história do nosso século, ainda é esta: tudo o que os stalinistas fizeram, sem recuo, em todos os estágios, para combater o movimento, prova que a revolução estava lá”[2].

Debord, por sua vez, identificaria justamente na reação a 68 a origem do novo ciclo de dominação da sociedade do espetáculo, denominado espetáculo integrado, quando países de economia capitalista mais avançada (como França e Itália) passaram a incorporar, na tentativa de frear o avanço das forças revolucionárias liberadas internamente no decurso dos anos 1960-70, algumas das técnicas de governo empregadas tanto pelos regimes concentracionários de Stalin e Hitler, como pelas ditaduras militares dos países de economia capitalista mais atrasada (como Portugal, Espanha, Grécia, Chile, Argentina e Brasil) – sem, contudo, uma correlata supressão dos arranjos institucionais do chamado Estado de direito. Ao comentar a “estratégia da tensão” aplicada pelo Estado italiano contra o movimento del ‘77, Debord notou que “só se ouviu falar com frequência de ‘Estado de direito’ a partir do momento em que o Estado moderno, chamado democrático, deixou de ser democrático” (Comentários sobre a sociedade do espetáculo, § XXVI, 1988).

Como vimos, 68 não se restringe temporalmente aos meses de maio e junho, nem espacialmente à França. No Brasil, diferentemente de países formalmente democráticos como Estados Unidos, França e Itália, em 1968 a exceção se encontrava mais à vontade para mostrar o seu próprio rosto, dado que um processo de ruptura democrática já estava em curso no país há quatro anos. Mesmo assim, o ano de 68 foi marcado pela ascensão da resistência à ditadura instaurada em 64.

A luta dos secundaristas cariocas contra o aumento no preço das refeições, no início de 1968, que resultou na morte do estudante Edson Luís e nas mobilizações subsequentes, culminariam na Passeata dos Cem Mil, em junho. A partir do segundo semestre ocorreu a contra-ofensiva dos militares e dos apoiadores civis do regime. Em julho, a ocupação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), na Rua Maria Antônia, foi destruída por forças militares e paramilitares de orientação anticomunista como o Comando de Caça aos Comunistas (com saldo de mais um estudante morto). Em agosto, forças de repressão invadiram a Universidade de Brasília (UnB), prendendo e espancando estudantes e professores. Em outubro, os militares invadiram o XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, prendendo centenas de lideranças do movimento estudantil. Em dezembro, a decretação do Ato Institucional n° 5 (AI-5) fecharia ainda mais o regime, dando início aos chamados anos de chumbo. Com a posse do general Emílio Garrastazu Médici, então chefe do SNI [3], em 30 de outubro de 1969, o regime atinge o ponto de indistinção total onde “o serviço secreto não seria apenas mais um órgão da Presidência da República; seria a própria Presidência da República”[4].

Aos ouvidos brasileiros pós-2013, esse debate (pós-68) parece assumir contornos familiares. Afinal, é inquestionável o fato de que tanto 1968 quanto 2013 marcaram, guardadas suas respectivas particularidades históricas, períodos de acirramento das lutas sociais. Parece-nos que o traço mais distintivo entre uma conjuntura e outra, mais do que nas formas e conteúdos da contestação sociopolítica e da repressão policial, consiste no fato de que a violência estatal de 2013 foi operada, desta vez, não por um regime formalmente ditatorial como em 1968, mas por um regime formalmente democrático.

Se se quiser aplicar a crítica teórica do espetáculo – crítica essa fundamentalmente nucleada pela experiência de 68 – à crise sociopolítica brasileira de 2013-18, deve-se ler com especial atenção os escritos de Guy Debord nos anos 1980. Pois a crise e o esgotamento da chamada Nova República testemunham justamente a entrada definitiva do Brasil na era do espetáculo integrado.

[1]As críticas téorica e prática dos situacionistas, indissociáveis da crise revolucionária francesa de maio-junho, ainda são pouco lembradas por nossa historiografia sobre 68. Quando mencionadas, incorre-se em algumas imprecisões. Olgária Matos reconhece, por um lado, que “foram os situacionistas que numa mescla de marxismo, anarquismo, surrealismo, fizeram a crítica mais certeira à sociedade ‘espetacular mercantil’, onde tudo se dá sob a forma da mercadoria e esta se dá como espetáculo” (1981, p. 68). Mas erra ao afirmar que “o dia 22 de março marcou a fusão entre o leninismo, o anarquismo e o situacionismo” (Idem, p. 69). De fato, o grupo 22 de Março ao qual ela se refere (fundado em 22/03/68), resultou de uma agremiação eclética que amalgamava, de modo geral, anarquistas, trotskistas e maoístas, mas não os situacionistas. A IS também não “se formou em Strasbourg” (Idem, p. 66), como afirma a autora, mas na Itália em 1957. Os situacionistas foram os pivôs do chamado Escândalo de Strasburgo, em 1966, um dos episódios antecipadores da crise de maio. Porém, apenas um dos membros da IS, Mustapha Kayathi (autor do manifesto A miséria do meio estudantil), detinha contato com estudantes radicais de Strasbourg. Cf. Paris, 1968: As barricadas do desejo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1981. Já Daniel Aarão Reis Filho alude a “um texto dos anos 60” (A sociedade do espetáculo, de Guy Debord), para se compreender “o caráter mediático que a política assume desde então” (1999, p. 67). Ocorre que o livro de Debord é de 1967, e não explica 68 a posteriori, mas o antecipa em diversos aspectos, inclusive para além da questão “mediática”. Cf. “1968, O curto ano de todos os desejos”. In: GARCIA, Marco Aurélio; VIEIRA, Maria Alice. Rebeldes e contestadores. 1968: Brasil/França/Alemanha. São Paulo: Ed. Perseu Abramo, 1999.

[2]Cf. “O começo de uma época”. In: Internacional Situacionista, n° 12, 1969, p. 13 (Tradução nossa).

[3]O Serviço Nacional de Informações é o serviço secreto brasileiro, vigente entre 1964-90. A partir de 1990, mudaria de sigla outras três vezes. Foi o efêmero DI (Departamento de Inteligência) entre 1990-92, SSI (Subsecretaria de Inteligência) entre 1992-99 e, desde então, Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

[4]Cf. FIGUEIREDO, Lucas. Ministério do Silêncio. A história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula (1927-2005). Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 186.

*Publicado originalmente no Outras Palavra
Fonte: Revista Carta Maior