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sábado, 1 de junho de 2019

A verdade sobre a tortura dos índios - "Retrospectiva para não cair no esquecimento" - Eduardo Vasconcelos - CPC/RN

A verdade sobre a tortura dos índios

VIOLÊNCIA Relatório expôs a situação de penúria e exploração em que viviam os índios sob os cuidados do SP

Por Laura Daudén e Natália Mestre

Descoberta de documento que permaneceu oculto por mais de quatro décadas expõe como funcionou a política de corrupção, violência e extermínio do Serviço de Proteção aos Índios antes e durante a ditadura.

O Serviço de Proteção aos Índios (SPI), representado por Flávio de Abreu, chefe da 6ª inspetoria, localizada em Mato Grosso, vendeu a pequena índia Rosa, 11 anos, em plena hora da escola. Ela e as colegas bororos foram obrigadas a parar os estudos e formar fila. Abreu estava acompanhado por um sujeito chamado Seabra, que escolheu a índia que queria para si. A vida de Rosa foi entregue a Seabra pelo funcionário público como pagamento pela construção de um fogão de barro em sua fazenda. Ao pedir clemência a Abreu, o pai da menina foi covardemente surrado. A denúncia, que expõe a institucionalização da violência contra os índios no Brasil, faz parte do Relatório Figueiredo, um documento de mais de sete mil páginas produzido pelo procurador federal Jáder Figueiredo entre 1967 e 1968 a pedido do extinto Ministério do Interior. O trabalho mostra a corrupção endêmica, os métodos de tortura e escravização e a exploração do patrimônio indígena por funcionários do extinto SPI – órgão antecessor à Fundação Nacional do Índio (Funai).
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VIOLÊNCIA - Relatório expôs a situação de penúria e exploração em que viviam os índios sob os cuidados do SPI

Depois de quatro décadas longe do escrutínio público, o relatório foi finalmente redescoberto pelo pesquisador Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo. Ele procurava há tempos o documento, mas o encontrou, por acaso, no arquivo do Museu do Índio, no Rio de Janeiro (leia quadro abaixo). Com o AI-5, o material ficou esquecido nos arquivos da Funai. Inclusive, muitos pesquisadores acreditavam que ele teria sido perdido em um incêndio no Ministério da Agricultura – na verdade, a tragédia aconteceu às vésperas da Comissão de Inquérito de Figueiredo. Agora, uma cópia está com o grupo de trabalho “Graves Violações de Direitos Humanos no Campo e/ou Contra Indígenas” da Comissão Nacional da Verdade.
Jáder Figueiredo foi uma figura ímpar, que desagradou a esquerda e a direita. Apesar de ter sido destacado para o trabalho pelo general linha-dura Albuquerque de Lima, que à época ocupava a pasta do Interior, a gravidade de suas acusações – que vão de desvio de recursos e venda de terras indígenas a assassinato, prostituição de índias e trabalho escravo –, colocaram-no contra o próprio regime militar. Foram muitos os esforços para mitigar a repercussão do escândalo no Exterior. As denúncias chegaram a ser destaque no jornal americano “The New York Times” e na revista alemã “Der Spiegel”. Um documento confidencial da Aeronáutica, de 26 de outubro de 1970, localizado pelo grupo Tortura Nunca Mais, afirma que “o fluxo de informações contra o Brasil no Exterior é constante e se faz em larga escala”. Logo abaixo, diz que “o trabalho relativo à ‘matança de índios’ foi completamente neutralizado e desmoralizado face às atividades das autoridades brasileiras”. Não é de se estranhar, portanto, que o Relatório Figueiredo tenha ficado mais de quatro décadas esquecido no arquivo da Funai, cuja criação em 1967 coincide com a extinção do SPI. “Evidentemente, o fato de ele ter permanecido oculto nas bases de dados da história brasileira foi intencional”, diz o professor Fernando Antonio de Carvalho Dantas, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás.
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HISTÓRIA - Jáder Figueiredo Júnior (com a foto do pai) e trechos dodocumento (acima): denúncias de violência contra os índios

Mesmo tendo sido responsável por uma crise dentro do regime, Figueiredo também é visto com reticências pela esquerda, justamente por ter servido, na condição de funcionário público, aos interesses do Ministério do Interior. A psicanalista Maria Rita Kehl, membro da Comissão Nacional da Verdade e coordenadora do grupo de trabalho que estuda violações contra indígenas, é cautelosa ao comentar o documento: “Teremos de procurar na história daquele momento outros subsídios para poder avaliar se o relatório não prejudica funcionários acusados injustamente só porque eram contra a ditadura”, diz. Para o pesquisador Marcelo Zelic, é preciso lembrar, no entanto, que as primeiras denúncias que dão origem à Comissão de Figueiredo são levantadas em duas CPIs anteriores, instauradas ainda durante o governo de João Goulart. Além disso, a maior parte dos crimes apontados por ele ocorreram depois do golpe de 1964. “Até pode haver casos de perseguição em meio aos 131 acusados que aparecem no relatório, mas você não pode generalizar e desmerecer um trabalho dessa magnitude”, diz.
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NO EXTERIOR - O Relatório Figueiredo repercutiu no "The New York Times",o que desagradou o governo na época.

Isso explica a marginalização política de Figueiredo e de seu relatório, que deu origem a uma CPI e gerou dezenas de inquéritos policiais dos quais ainda não se tem notícia. Hoje, grande parte do trabalho de resgate da figura do procurador está nas mãos de seu filho, o advogado Jáder Figueiredo Correia Júnior. “Meu pai passava semanas sem se comunicar”, conta. Foram visitados 130 postos indígenas em 18 Estados – uma viagem de 13 mil quilômetros pelo Brasil. A família, que sempre viveu em Fortaleza, no Ceará, conviveu por muito tempo com ameaças. “Mesmo assim ele seguiu com o trabalho. Era destemido e incorruptível e por isso contrariou o interesse de grandes políticos da época”, diz. Figueiredo morreu em 1976, aos 53 anos, em um acidente de ônibus. Vivia, segundo o filho, frustrado por pouco ter sido feito contra os acusados e pela continuação dos crimes.

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MISSÃO - Figueiredo rodou mais de 13 mil quilômetros no Brasile testemunhou violações contra povos indígenas.

A redenção do procurador deve acontecer agora, com a redescoberta do documento que tem implicações até no presente. Segundo Cléber Cesar Busatto, secretário-executivo do Conselho Missionário Indigenista, o Ministério Público já anexou o documento aos autos do processo que pede a demarcação do território dos cadiueus, em Mato Grosso do Sul. Figueiredo, no documento, afirmou: “Estima-se em 800 mil hectares a área dessa imensa propriedade, não demarcada e hoje totalmente em poder de fazendeiros que se beneficiam de arrendamentos ilegais”. “Sem dúvida o relatório será usado como instrumento em outras disputas”, diz Busatto.
Ou seja, apesar dos esforços para apagar a verdade das violações, o relatório é um instrumento importante para esclarecer o passado. “A história dos direitos dos povos indígenas será recontada a partir do relatório”, diz o professor Dantas, ressaltando que os crimes nunca foram apagados da memória dos povos e das pessoas que lutam pelos índios no País. Segundo o antropólogo Carlos Augusto da Rocha Freire, coordenador de Divulgação Científica do Museu do Índio, no Rio de Janeiro, são justamente essas memórias que ajudarão a reconstruir o que falta dessa história – 533 páginas, que representam 7% do documento, ainda estão desaparecidas. Freire diz que a repercussão internacional do Relatório Figueiredo fez com que a questão indígena fosse amplamente discutida, mas não impediu que a Funai repetisse a estrutura do SPI e adotasse uma política que dizimaria povos como os Paraná, afetados pelo projeto econômico desenvolvimentista da ditadura. “Se os velhos sertanistas e indigenistas, além das velhas lideranças indígenas, começassem a escrever suas memórias, fizessem entrevistas relatando o que viram e ouviram, e os índios incrementassem suas narrativas sobre o que sofreram nesses anos, os brasileiros, certamente, poderiam vir, agora sim, a descobrir um outro Brasil.”
Fonte: Publicado na Revista Isto É , em 26/04/13 e 21/01/16 
Adaptada pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, 01/06/2019.

Não deixa acabar! Dorva - Rainha Conga. Coroação de Reis Congo

PRESIDENTE DO CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS FOI RECEBIDO ONTEM (31) PELO REITOR DO IFRN, WYLLYS TABOSA

Reitor do IFRN, Wyllys Abel Farkatt Tabosa e Eduardo Vasconcelos - CPC/RN

Ontem (31), Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN foi recebido pelo Reitor do IFRN, professor Wyllys Tabosa, cuja pauta foi os 10 anos do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, os cortes de verbas nas universidades brasileiras e nos institutos federais de educação feita pelo atual e desgoverno Jair Bolsonaro, entre outros.

O reitor, Wyllys Tabosa agradeceu o apoio do CPC/RN e ficou muito feliz pela homenagem que será feita nos 10 anos do CPC/RN, que ocorrerá dia 31 de dezembro em Natal.  Eduardo aproveitou a oportunidade para reforçar a luta pela EDUCAÇÃO de QUALIDADE, PROFISSIONAL e do DEMOCRÁTICA e lembrou ao reitor, que o mesmo continua na Coordenação da Comissão em Defesa dos Campus da UERN, UFRN e IFRN na Região do Agreste Potiguar, reforçando ainda a luta em prol das universidades.

O reitor, Wyllys Tabosa se prontificou a apoiar a luta do CPC/RN, dentro das possibilidades do IFRN.  Eduardo Vasconcelos agradeceu ao reitor, dizendo que outros momentos virão.

Via Legal- Rádios Comunitárias - "O LADO BOM DAS RÁDIOS " - EDUARDO VASCONCELOS - RADIALISTA E PTE DO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/R

Câmara vai realizar audiência para tratar de rádios comunitárias

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (29), a realização de uma audiência pública para debater a situação das Rádios Comunitárias e do Canal Cidadania no Brasil. A solicitação foi feita pelo deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA), vice-líder do PCdoB e primeiro vice-presidente da Comissão.
Com 3.850 emissoras operando no país, Jerry justificou a importância desempenhada por estes veículos e as mudanças no cenário político e econômico do Brasil como as principais razões para realização do encontro. De acordo com o parlamentar maranhense, “as rádios comunitárias exercem um papel fundamental para a democratização da comunicação no país, sendo um espaço para o exercício da cidadania” e que, por isso, carecem de um “debate mais profundo o impacto de seu trabalho para reafirmação do regime democrático brasileiro”.
Para a reunião, que deverá ter sua data definida nos próximos dias, serão convidados o Secretário de Radiodifusão do MCTIC, Elifas Gurgel; o Presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraco Brasil), Geremias dos Santos; o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel, Leonardo Euler de Morais; a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli; e a coordenadora do Centro de Referência Legal Artigo 19, Camila Marques.
Portal BRASIL CULTURA
" Ótima iniciativa! Já era tempo de alguém se pronunciar a favor e defender uma ação voltadas para rádios comunitários, parabéns ao nobre Deputado, MÁRCIO JERRY - PCdoB/MA pela iniciativa! As rádios comunitárias tem papel fundamental na sociedade! Ela exerce cidadania, interagem com a sociedade, informa, desperta, democratiza e noticia assuntos importantes para a comunidade, como saúde, educação, cultura, entre outros assuntos importantes, além de ser um canal direto com a comunidade, onde as mesmas levam suas demandas para que os governos executivo, legislativo e judiciário interajam a favor da mesma, buscando sempre o bem comum. Conclui, Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Ativista e Radialista.

O CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN CONTINUA LUTANDO POR UMA RÁDIO COMUNITÁRIA!!!

Fotos: Eduardo Vasconcelos

O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, através do seu presidente, Eduardo Vasconcelos luta em Brasília pela Rádio Comunitária uma forma de desenvolver a cultura radialista, mostrando o potencial que a comunicação tem diante dos seus munícipes, principalmente mostrando a realidade e dando espeço para o povo participar democraticamente falando de suas dificuldades e exigindo dos poderes executivo, legislativo e judiciário políticas públicas voltadas para a comunidade.

A rádio comunitário é um espaço de informação e uma linha direta com a comunidade local, mas ela precisa cumprir a risco seus objetivos para não se atrelar a "grupos políticos" com o intuito de confundir, iludir e até enganar de forma politiqueira os ouvintes. Isso acontecendo fere os princípios da lei.

Já damos alguns passos rumo a nossa rádio. É preciso paciência, dedicação, fé e determinação, assim chegaremos lá. Como já falamos, passos já foram dados.

A luta estar apenas começando!  Não vamos desistir. Conclui, Eduardo Vasconcelos.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

#30M Estudantes confirmam atos já programados em 150 cidades no 30 de maio. Confira a agenda

Alunos, professores e trabalhadores voltam às ruas neste 30 de maio para protestar contra o arrocho de verbas nas universidades e institutos federais imposto por Bolsonaro

por Felipe Mascari, da RBA

Atos desta quinta-feira devem ampliar a representatividade do #tsunamidaeducacao, que no último dia 15 levou mais de 1 milhão às ruas contra os ataques de Bolsonaro à educação pública

São Paulo – Estudantes, professores e trabalhadores ligados à educação ocuparão as ruas do Brasil  nesta quinta-feira (30), contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais pelo governo Bolsonaro. De acordo com levantamento da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da CUT, são cerca de 150 cidades com manifestações confirmadas, seja por secundaristas, universitários, pós-graduandos, professores e trabalhadores.

Apesar da força apresentada no último dia 15  , quando 200 cidades pararam contra Bolsonaro, os estudantes afirmam que a educação ainda está sob ataque. “Estive na Câmara dos Deputados em uma audiência pública, na última semana, para tentar argumentar com o ministro da Educação contra os cortes , mas ele se recusa a nos ouvir. Então será pelas ruas que ele vai ter que entender. No dia 15 levamos mais de 2 milhões de pessoas para as ruas, e o próximo dia 30 tem tudo para repetir esse público”, disse a presidenta da UNE, Marianna Dias.

As manifestações desta quinta-feira também colocam em pauta areforma” da Previdência " e a greve geral, marcada pelas centrais sindicais, no dia 14 de junho. A CUT e entidades filiadas, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam).aderiram à mobilização.

Na capital paulista, o ato está marcado para o Largo da Batata, zona oeste, a partir das 17h. Já no Rio de Janeiro, o movimento estudantil se concentrará na Candelária, centro da cidade, a partir das 15h. Manifestações em defesa da educação também estão marcadas ao redor do mundo, como em Nova York (Estados Unidos), Genebra (Suíça), Lisboa (Portugal) e Dublin (Irlanda).


A programação de todos atos nas capitais:
– Rio Branco: Praça da Revolução, centro, a partir das 11h
– Maceió: Praça do Centenário, bairro do Farol, a partir das 13h
– Macapá: Praça da Bandeira, no centro, a partir das 15h
– Manaus: Praça da Saudade, no centro, a partir das 15h
– Salvador: Praça do Campo Grande, próximo ao Teatro Castro Alves, a partir das 10h
– Fortaleza: Praça da Gentilândia, bairro Benfica, às 14h
– Brasília: Museu Nacional da República, a partir das 10h
– Vitória: Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo,  na Avenida Fernando Ferrari, às 16h30
– Goiânia: Praça Universitária, Setor Leste Universitário, a partir das 15h
– São Luís: Praça Deodoro, centro, a partir das 15h
– Cuiabá: Praça Alencastro, no Centro Norte, às 14h
– Campo Grande: Praça Ary Coelho, no centro, a partir das 15h
– Belo Horizonte: Praça Afonso Arinos, no centro , às 17h
– Belém: Praça da República, no bairro Campina, às 16h
– João Pessoa:  Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a partir das 15h
– Curitiba: Praça Santos Antrade, no centro, às 18h
– Recife:  Rua Aurora, em Santo Amaro, a partir das 15h
– Teresina: Praça da Liberdade, no centro, às 8h
– Rio de Janeiro: Candelária, região central, a partir das 15h
– Natal: Praça Cívica, no bairro Petrópolis, às 15h
– Porto Alegre: Esquina Democrática, no centro histórico, às 18h
– Porto Velho: Universidade Federal de Rondônia (UNIR), no centro, às 16h
– Boa Vista: Centro Cívico, a partir das 16h
– Florianópolis: Praça XV de Novembro, no centro, a partir das 15h.
– São Paulo: Largo da Batata, em Pinheiros, a partir das 17h
– Aracaju: Praça General Valadão, região central, a partir das 15h
– Palmas: Universidade Federal do Tocantins (UFT), às 18h

Mídia NINJA
São Paulo, 15 de maio. Movimentos estudantil e sociais organizam o maior protesto até agora contra o atual governo

10 cartazes que dizem tudo sobre os cortes na Educação

10 cartazes que dizem tudo sobre os cortes na Educação
Criatividade e precisão de estudantes chama atenção nos protestos por verbas para o ensino público
 
Além da enorme quantidade de pessoas nas ruas , protestos contra cortes anunciados para a Educação têm chamado atenção pelos cartazes afiados confeccionados por estudantes.

As mensagens deixam claro que a juventude conhece seu papel e a importância da escola e universidade para suas vidas e futuro do país, ao contrário do que pensa o presidente da República. Jair Bolsonaro (PSL) classificou como “imbecis” e “idiotas” as 2 milhões de pessoas que foram às ruas no último 15 de maio.


Secundaristas estão mobilizados nas centenas de unidades dos Institutos Federais desde que o bloqueio de R$ 1 bilhão foi anunciado para a rede. Além das instituições federais de ensino, escolas públicas são afetadas com cerca de R$ 2,4 bilhões a menos no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (FNDE).

Veja 10 mensagens que mostram por que a juventude está reanimando a resistência no Brasil:
1) Um ícone
Esse apareceu dia 3 de maio no Instituto Federal do Espírito Santo e passou a se repetir em todo o País.
2) Sobre mitos
Outra mensagem que se espalhou pelos Institutos Federais. (Foto do IF Baiano – campus Itaberaba)
3) Investimento, presidente
Essa frase virou um mantra! (Foto na pequena Currais Novos, cidade com campus do Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN)
4) Darcy atual
Questão de prioridades. (Foto de Karla Boughoff/CUCA da UNE durante #15M em São Paulo)
5) É isso
(Foto de Bia Puente/CUCA da UNE durante #15M no Rio de Janeiro)
6) Referência é tudo
Por uma educação que ensine a pensar, não a obedecer. (Registro de manifestação em Campo dos Goytacazes, RJ)
7) Partido contra escola
Essa foi para recepcionar o presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro no dia 6 de maio.
8) É direito!
15M em João Pessoa (Foto: Vangli Figueiredo/Circus da UBES)
9) “A maioria ali não sabe nem a fórmula da água”
No mesmo dia em que Bolsonaro fez declaração sobre protestos, estudantes exibem resposta, durante #15M.
10) …

Fonte: UBES

ESTUDANTES DE NOVA CRUZ/RN E TODO O PAÍS VOLTAM AS RUAS CONTRA OS CORTES NA EDUCAÇÃO - "NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM!

 Fotos do último protesto dos estudantes do IFRN - Nova Cruz
Alunos de Nova Cruz/RN nas rua no último protesto em defesa da educação, realizado dia 15/05/2019
Saída do último ato em Natal em defesa das UNIVERSIDADES, realizado em 15 de maio
Hoje (30) os estudantes brasileiros voltam as ruas do Brasil para dizer  ao governo Bolsonaro que com a "EDUCAÇÃO NINGUÉM MEXE!".

A UNE, UBES, UEE/RN, GRÊMIOS ESTUDANTIS, DCEs, CPC/RN, entre outras entidades mostrarão sua força de organização e raça na DEFESA DA EDUCAÇÃO!

O corte de 30% do orçamento da educação para as universidades e IFs levará ao caos educacional e estrutural, pois as mesmas poderão diminuir turnos, demitir funcionários, principalmente os terceirizados com isso inviabiliza a administração das universidades.

Na verdade o que o governo quer é desestabilizar   as mesmas e com isso fortalecerá as universidades particulares, que por sinal vão bem, obrigado! Principalmente com financiamento do FIES e do Pra Valer!

A luta os estudantes, professores e funcionários ganham o apoio da sociedade.

É preciso que todos se unam em torno da EDUCAÇÃO e NÃO ACEITEM ESTE GOLPE, que pose ser fatal para a estabilidade educacional no país.

Nova Cruz, localizada no Agreste Potiguar fará sua parte.  Hoje pela manhã (8h) sairão de fronte ao IFRN local e seguirá para a Praça de São Sebastião, onde lá farão um ato em defesa das universidades e esclarecendo a sociedade esse "golpe", que pode ser fatal para a educação pública brasileira. A sociedade deve apoiar, assim como o STRAF, SINTE, CPC/RN, entre outros estarão somando-os com a LUTA DA ESTUDANTA!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Artistas acusam Banco do Nordeste de censura após retirada de faixa sobre casamento gay

Um grupo de artistas de Fortaleza (CE) está acusando o Banco do Nordeste de censura. O fato ocorreu depois da retirada de uma faixa com mensagem que fazia referência ao casamento gay. A faixa integrava a exposição “O que pode um casamento (gay)?” e estava afixada na frente do prédio do Centro Cultural. No entanto, foi retirada por ordem de funcionários da instituição financeira, sem autorização dos autores e da curadoria do evento.

A exposição era realizada junto a várias performances de artistas, que decidiram transformar o próprio casamento em uma obra. Entre as manifestações, havia essa faixa, onde se podia ler: “Em terra de homofóbicos casamento gay é arte”.

A exposição era realizada junto a várias performances de artistas, que decidiram transformar o próprio casamento em uma obra. Entre as manifestações, havia essa faixa, onde se podia ler: “Em terra de homofóbicos casamento gay é arte”.

Depois da polêmica, o gerente executivo do Centro Cultural, Gildomar Marinho, foi afastado.

“Não faz sentido manter toda a obra em local onde parte dela foi violada. Pra gente, isso é uma violência, um ato de censura. Eu não consigo ver outra justificativa para isso. Me pergunto se existe outra justificativa”, disse Eduardo Bruno, que classifica o caso como homofobia.
“Era uma faixa, na parte de dentro, tinha um beijo gay, que hoje até novela mostra. Não tem discurso de ódio, não tem palavra de baixo calão, não tem pornografia”, declarou.
Fonte: Revista Fórum

REPRESENTATIVIDADE Filmes brasileiros ganham prêmios inéditos no Festival de Cannes

'Bacurau' foi vencedor no Prêmio do Juri, enquanto 'A vida invisível de Eurídice Gusmão' também foi premiado no evento francês.

Publicado por Redação RBA     

'Bacurau' é uma cidade no sertão pernambucano, que resiste contra a chegada de agentes estrangeiros, apoiados por um político e por dois entreguistas do Sudeste

São Paulo – O filme brasileiro Bacurau venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, no último sábado (25), em empate com o drama francês Les Misérables (Os Miseráveis).  É a primeira vez que uma produção brasileira ganha a categoria, considerada a terceira mais importante do evento francês.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, o filme é uma sátira violenta que fala de um Brasil dividido e armado, em uma cidade no sertão pernambucano, que resiste contra a chegada de agentes estrangeiros, apoiados por um político e por dois entreguistas do Sudeste.

“É um filme sobre o Nordeste, um filme sobre o Brasil, é um filme sobre educação, sobre história e estou muito feliz que esse filme nasceu aqui no Festival de Cannes e agora está começando a correr o mundo”, afirmou Kleber ao portal G1. “Vamos cuidar mais uns dos outros e respeitar a cultura, a educação, a ciência e o conhecimento”, acrescentou Dornelles.

Ao Estado de S.Paulo , Kleber falou sobre a representação dessa vitória, em meio aos desmontes do governo Bolsonaro sobre a cultura. “Estamos vivendo um momento desmonte no Brasil e esse filme acabou abrindo uma boa conversa internacional. Tenho muito interesse em saber como (os brasileiros) vão reagir a ele. O filme, aqui, ganhou a imagem de objeto de resistência”, disse.

Com Sônia Braga no elenco,  Kleber Mendonça volta a concorrer à Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, depois de Aquarius (2016), quando ficou marcado pela manifestação anti-impeachment da ex-presidenta Dilma, no tapete vermelho francês.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), enviou uma mensagem de parabenização aos integrantes do filme e disse estar orgulhosa pela representação nordestina. “Pro Rio Grande do Norte o orgulho vem em dobro por ter sido palco local dessa história tão  bonita que retrata a resistência do povo nordestino, uma vez que foi filmado aqui, na comunidade da Barra, em Parelhas, fronteira com o Seridó paraibano.”

Na sexta-feira (24), outro filme brasileiro também foi premiado em Cannes: A vida invisível de Eurídice Gusmão, dirigido por Karim Aïnouz, foi o vencedor da mostra Um Certo Olhar. A produção deu ao país seu primeiro prêmio principal da competição paralela do evento.

O longa é uma adaptação do romance homônimo de Martha Batalha, onde duas irmãs são separadas uma da outra no Rio de Janeiro, da década de 1950. Mãe solteira, uma é expulsa de casa e vai parar na rua. A outra se casa, mas sacrifica suas aspirações para assumir o papel de dona de casa.


Fonte: REDE BRASIL ATUAL - RBA

Conservatório de MPB promove workshow com Arismar do Espírito Santo

O multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo estará no próximo sábado (1º/6), às 11h,  no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba para um “workshow”. A apresentação, aberta ao público, é uma pré-estreia do seu projeto autoral “Cataia”, que será registrado em áudio e vídeo em Curitiba. Os músicos curitibanos Mauro Martins e Glauco Sölter participam como convidados.
O projeto Cataia pretende expor e discutir o processo criativo e performático deste músico ímpar e de seus parceiros de som. A apresentação contará com uma explanação do concerto, um divertido bate-papo com a plateia e um pocket-show.
Arismar do Espírito Santo (Santos, 9 de julho de 1956) é um músico e multi-instrumentista  completo. Além de tocar contrabaixo, guitarra, violão, piano e bateria, faz composições e arranjos harmônicos muitas vezes inusitados. Arismar transita com impressionante desenvoltura por diversos estilos, seja jazz, samba, choro e até rock. “Não sou dessa vertente, mas sei tocar”, diz. Em 1998, pela Revista Guitar Player, foi eleito um dos dez melhores guitarristas do Brasil.
Glauco Sölter
Começou a tocar baixo em 1985 e dez anos depois forma o grupo NaTocaia com quem lançou nacionalmente um CD. Tocou com seu trio no Montreux Jazz Festival em 1998. Frequentou a Berklee College of Music no ano seguinte. Gravou quatro trabalhos solo :”Glauco Sölter”, “Fala Baixo”, “Baxô” e “2 em 1” – selecionado pelo blog “Jazz Station” de Los Angeles como um dos melhores CDs de música instrumental de 2014 e ele como um dos 10 melhores baixistas de 2017.  Apresenta-se regularmente com diferentes trabalhos no Brasil, Europa, América do Sul e Índia. Há 15 anos toca com o trombonista Raul de Souza com quem já gravou seis CDs.Já trabalhou com João Bosco, Hamilton Godoy (Zimbo Trio), João Donato, Ron Carter, Ed Motta,Badi Assad, Hamilton de Holanda, Toninho Horta, Marcel Powell, entre outros.
Mauro Martins
Baixista e baterista, Mauro Martins cresceu em uma família musical tocando percussão e guitarra com seus irmãos mais velhos. Migrou para o baixo elétrico com 16 anos e logo passou a tocar com várias bandas. Em dezembro de 1989, ele foi convidado para tocar na Suíça, e se estabeleceu na Europa, onde trabalha como baixista, baterista e compositor em vários projetos e como arranjador em inúmeras produções de estúdio. Mauro Martins participou de grandes festivais e eventos musicais na Europa, Ásia, África do Sul, Madagascar e Brasil. Colaborou com artistas de destaque como Airto Moreira e Larry Coryell, Luis Eça, Toninho Horta, Phill Collins, Sebastião Tapajós, Raul de Souza, Chico César, Richard Galliano, Itiberê Zwarg da banda de Hermeto Paschoal e muitos outros.
Serviço:
Workshow “Projeto Cataia” com o trio instrumental formado por Arismar do Espírito Santo (piano/voz/guitarra), Glauco Sölter (baixo) e Mauro Martins (bateria)
Data e horário: 1º de junho de 2019 (sábado), às 11h
Local: Conservatório de MPB – Auditório – Rua Mateus Leme, 66 – São Francisco
Entrada franca
Fone: (41) 3321-3208

terça-feira, 28 de maio de 2019

Jandira Feghali do PCdoB quer debater a reativação do Conselho Nacional de Política Cultural

O papel e a reativação do Conselho Nacional de Política Cultural, é tema de debate na Comissão de Cultura, nesta quinta-feira (30/5). O debate foi solicitado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
Segundo Jandira, o governo está analisando a nomeação e recondução de integrantes e reavaliando o funcionamento dos colegiados.
“As medidas de extinção de conselhos e a análise que vem sendo feita pelo governo em relação aos colegiados, deve ser profundamente debatida, pois é necessário evitar que os espaços de participação social, controle e deliberação das políticas, percam seu papel preponderante na promoção social e garantia de direitos”, afirmou.
Convidados:
Presidente do Fórum de Secretários Estaduais e Secretário de Cultura do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba;
Conselheira Titular do Conselho Nacional de Política Cultural – Música Popular, Cláudia Maria Queiroz de Jesus;
Diretor do Teatro Popular Oscar Niemeyer, Alexandre de Souza Santini Rodrigues;
Produtor Cultural, Vinicius Wu;
Conselheira Titular do Conselho Nacional de Política Cultural – Arte Digital, Gabriela Silveira Barbosa.

Conheça quatro livros de poetas brasileiros contemporâneos

A poesia é política. Pode até não tratar disso diretamente, mas é um ato engajado. E política, nos versos, não significa tratar de fatos e desgovernos, mas de ressignificar símbolos. E há muito disso na produção recente contemporânea. Quatro livros chegam às prateleiras com vozes ora diretas, ora abstratas, mas sempre contundentes e carregadas de um certo desencanto.
“É um livro violento”, avisa Eucanaã Ferraz sobre Retratos com erros. E amargo. O erro do título, ele avisa, é uma forma de frustrar de imediato qualquer expectativa de realismo ou reconhecimento. Há, inevitavelmente, falhas no discurso quando se trata da tentativa de construir retratos fiéis. E já que o erro é inevitável, é melhor, segundo o poeta, considerá-lo de partida. E o erro, ele lembra ainda, é o belo.
Em versos como “Os diamantes desanimaram de nós/Adeus civilizações natureza humana”, do poema A mais dura e brilhante, ele fala do desalento diante do mundo contemporâneo. “A humanidade fracassou. Nada chorará nosso extermínio sob a terra. Ao contrário, será um alívio”, acredita Eucanaã.
É um fracasso que também aparece em Previsão para ontem, de Henrique Rodrigues. “O Rio de Janeiro/15 assassinatos/por dia/e 130 saraus/de poesia”, escreve o poeta, que não é panfletário, mas encara a conjuntura. “O livro foi feito para esse momento que estamos vivendo”, garante. “É um livro de guerrilha, levado pelas nossas questões políticas, sociais e estéticas também. Mas também não é só um livro panfletário. É sobre o depois disso, o que a gente precisa, o que é possível fazer, por isso tem uma vertente lírica bem forte”, avisa.
Henrique tem a esperança de ver o diálogo se reerguer num país abatido pela discórdia e pela intolerância. Por isso estrutura Previsão para ontem em três pilares: o da memória, no qual recorre à trajetória da própria família, de origem muito pobre, a política e a afetiva. “A gente precisa do afeto e do próximo”, lembra.
Linguagem
Mais direta e explicitamente ancorada na contemporaneidade, a linguagem de Bruno Brum em Tudo pronto para o fim do mundo tem de tudo: as redes sociais, a forma como as relações se constroem e como, ao mesmo tempo, são destruídas, o consumo, as noções de felicidade e de sucesso e até um poema sinopse dele mesmo. Diablo wings 2.0 se apropria de clichês, da linguagem da internet e da publicidade, uma constante ao longo de todo o livro. “São discursos prontos que a gente consome e reproduz o tempo todo”, repara Bruno.
A própria ideia de fim do mundo é um clichê que assombra a humanidade. Previsões catastróficas existem desde o início dos tempos. O próprio poeta lembra ter crescido com a certeza de que o mundo viria abaixo no ano 2000. Mas há outras formas de o mundo acabar sem que haja um cataclisma visível e dramático.
“Às vezes, a gente não se dá conta de que o mundo vai acabando aos poucos, mas vai sendo reconstruído”, aponta Bruno. E nessa reconstrução eterna, a linguagem poética encontra alimento. “A poesia é uma questão de resistência”, diz. “Talvez não seja das artes mais consumidas, mas atua em algo que é a comunicação verbal, a linguagem que está presente em todas as escalas da atividade humana. É um uso não convencional da linguagem, não referencial, e pode apontar caminhos, desvelar coisas que a gente dá como naturais, corriqueiras.”
Desajuste
“Precisa-se de trolha com experiência/para França./Pintor à pistola em Viana/do Castelo./Ajudante familiar/em regime interno/na zona das estrelas, em Lisboa.” diz o verso inicial de Novas ofertas de emprego para Ederval Fernandes, o poema que dá nome ao livro do próprio Ederval.
Minimalista e imagético, como aponta o crítico Ricardo Domenecek na orelha do livro, o brasileiro radicado em Portugal é também político, à sua maneira. Seus versos são a voz de um brasileiro nascido numa família de classe média baixa, no interior da Bahia, com pais que não terminaram nem o ginásio porque era imperativo trabalhar, sobreviver.
“Tipos como eu não costumam habitar os palanques sociais. E gosto de saber que, de forma até bastante tímida, minha voz consegue sair e ser ouvida além das esquinas de Feira de Santana”, diz. “A voz sai e mostra o que eu sou: o desajuste, aquele que não aceitou ser o que estava arquitetado para mim. Isso é político. Isso é importante.”
ENTREVISTA /  EUCANAÃ FERRAZ
Pode contar um pouco como os poemas surgiram  e as inquietações que os motivaram?
Os poemas do livro surgiram como sempre: de circunstâncias várias, de desejos, de palavras, sons, leituras, situações, impulsos emocionais e estéticos que exigiram a escrita, como se a decisão de escrever fosse racional e, simultaneamente, exterior à razão. Mas, de certo modo, há neste conjunto de poemas um constante desencanto, uma amargura mesmo. É um livro muito violento.
Por que chamar as partes de Dobras?
Dobra sugere aumento, duplicação, intensificação, flexão, vinco, áreas de luz e de sombra. Assim, associada a “dobra”, a palavra “retrato” mostra sua complexidade. O livro é composto por três partes. Cada poema é um retrato; e cada parte forma um retrato; que é uma dobra de um retrato maior: o próprio livro. Cabe observar que o anúncio do erro, já no título — Retratos com erro —, frustra, de imediato, qualquer expectativa de realismo ou de reconhecimento; aponta para a falha do discurso que tente fazer retratos fiéis, pois o erro será inevitável e, portanto, é melhor considerá-lo de partida. A fidelidade está aí, na aceitação da falha. Chamar atenção para o erro equivale a sublinhar aquilo na poesia que é deformação, ou ainda, experimentação, que vai bem além dos traços imediatos a fim de buscar estruturas mais profundas, ou ainda, dobras.
Em A mais dura e brilhante: “Os diamantes desanimaram de nós./Adeus civilizações natureza humana.”Há um certo desencanto no livro?

Sim. É um livro no qual os poemas foram sendo formados sob a sombra de tempos difíceis, dilacerantes, angustiantes. Há desencanto, mágoa, ironia, muita dor, uma espécie de pesadelo. O poema que você cita, A mais dura e brilhante, talvez seja o mais desencantado que já escrevi. A espécie humana aparece ali como um projeto falido, por isso nem vale a pena exibir os avanços, a arte, a solidariedade, a generosidade, tudo o que fizemos de bom. Diante do horror que não cansamos de promover, o bem parece irrelevante.

De que maneira?
Quando a humanidade ainda incorre largamente na xenofobia, no racismo, na intolerância religiosa, promove holocautos, genocídios, usufrui irresponsável e arrogantemente da natureza, coloca em risco a vida humana, parece que somos incapazes de aprender. Só o humano pode perdoar o humano. Mas eu me coloquei no lugar dos diamantes, dei voz a eles, íntegros e perfeitos, duros e puros. Tais juízes jamais nos perdoariam. A humanidade fracassou. Nada chorará nosso extermínio sob a terra. Ao contrário, será um alívio.
Há também um certo clima de fantasia com poemas nos quais cabelos são figuras, membros nascem em partes erradas de um corpo?
A imaginação é uma coisa que sempre me interessou. Creio que, paulatinamente, meus poemas foram se tornando mais e mais imaginativos, compondo imagens inusitadas, perturbadoras, composições que desafiam a lógica, ou ainda, foram buscando cada vez mais aqueles “erros” produzidos pelos sonhos, pelos delírios, pela fantasia desassombrada.
Em Ideal, você diz: “melhores poetas bandidos mortos/ meus futuros companheiros”. Poesia é coisa de bandidagem no Brasil de hoje?
Poderia dizer que a poesia sempre foi coisa da bandidagem. Pelo menos desde Platão, com sua República ideal, da qual os poetas seriam expulsos. A poesia é do âmbito da fantasia, e do erotismo, e da improdutividade, embora nascida do domínio e do trabalho, está do lado da loucura. É impossível domá-la. É impossível mesmo compreendê-la, pois é um desafio à razão, à ordem, à autoridade. Daí, os estados totalitários sempre têm medo dos poetas e dos poemas. Não importam os temas. Um poeta escreve sobre um simples copo, e os ditadores morrem de medo. É compreensível, pois se um poeta escreve sobre um simples copo, aquilo será um signo onde se inscreve a liberdade.
Em Dorothy há um ensaio de prosa? Você gostaria de enveredar pela prosa?
Muitos poemas no livro, e não só neste, estendem os limites do poema, do verso, alcançam algo da prosa sem se confundir com ela. Mas não tenho nenhuma vontade de “enveredar pela prosa”, como você diz. Sou poeta. Amo o verso. Sou do verso. É a minha casa. É meu modo de errar.

Tudo pronto para o fim do mundo
De Bruno Brum. Editora 34, 76 páginas. R$ 36

Novas ofertas de emprego para Ederval Fernandes
De Ederval Fernandes. ParaLeLo 135, 64 páginas. R$ 35
Previsão para ontem
De Henrique Rodrigues. Cousa, 74 páginas. R$ 30

Retratos com erro
De Eucanaã Ferraz. Companhia das Letras, 120 páginas. R$ 54,90