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sábado, 20 de julho de 2019

Este homem saiu de Mossoró para estudar na Unicamp de SP e hoje vive nas ruas

Campinas, São Paulo. O professor universitário Maurício Amaral conversa com um homem que frequentemente dorme pelos canteiros próximos a sua casa. Ele tenta ganhar a confiança do homem com paciência, dia após dia, extraindo aos poucos informações a seu respeito.
O homem é Antônio da Costa Bezerra, um mestre da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foi numa dessas conversas que o professor Amaral descobriu que ele tem 45 anos, nasceu em Mossoró, e que foi para as terras paulistas em busca do doutorado em Engenharia Química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das melhores instituições da América Latina.
“Comecei a conversar com ele diariamente e, nessas conversas, ele foi soltando alguma coisa”, contou Amaral em entrevista ao Portal NO AR.
A reportagem conversou também com Carlson de Souza, que foi professor de Antônio nos cursos de graduação e também na pós-graduação dele na UFRN. “Era estudioso e dedicado. Brilhante!” descreveu o professor sobre o ex-aluno.
A palavra “brilhante” usada pelo professor Carlson não foi à toa. Ela fica comprovada quando se vê o Currículo Lattes de Antônio. O mestre em Engenharia Química que hoje vive em situação de rua no interior de São Paulo possui vários trabalhos publicados, Graduação em Engenharia Química pela UFRN (1997), é fluente em InglêsEspanhol, virou mestre pelo mesmo curso em 1999, tem vasta experiência em Operações Industriais e equipamentos para Engenharia Química, já tendo atuado em temas como CFD, Modelagem, Simulação e Fluidodinâmica. Na última atualização, em 25 de agosto de 2005, o doutorado na Unicamp estava em andamento.
Não se sabe o que aconteceu para que Antônio passasse a ser um morador de rua assim, mas há uma suspeita: “ele deixou a Unicamp quando faltava uma disciplina para que se tornar doutor e parece ter se envolvido com drogas.”, disse o professor Amaral.
A partir daí o professor Maurício Amaral busca pessoas do Rio Grande do Norte que foram próximas a Antônio para que o ajudem a voltar para Mossoró. “Ele não tem contato com a família”, citou.
Felizmente no dia 19 de Julho o professor conseguiu entrar em contato com a família do estudante.
Fonte: Curiozzzo

Governadores lançam carta em repúdio após Bolsonaro chamar o Nordeste de “Paraíba”

Foto: Karlos Geromy
Os nove governadores do Nordeste assinaram, na noite desta sexta-feira (19), uma carta criticando o comportamento de Jair Bolsonaro (PSL) após o presidente deixar a entender que pretende retaliar os estados do Maranhão e Paraíba.
Sem saber que seu áudio estava aberto em uma transmissão ao vivo, Bolsonaro disse ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni: “O governador de Paraíba é pior que esse do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, afirmou o presidente.
Na carta a qual o blog teve acesso, os governadores dos nove estados do Nordeste dizem que receberam com espanto a manifestação do presidente e que esperam respeito ao pacto federativo, onde é exigido que os governos mantenham diálogos e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas.
A nota pede esclarecimentos por parte do Presidente em relação ao conteúdo divulgado além de reiterarem a defesa da Federação e da democracia.
Mais cedo por meio de suas redes sociais Flávio Dino afirmou que independente da postura do presidente continuará mantendo postura de diálogo institucional com representantes do governo federal.
Abaixo o inteiro teor da carta:
Carta dos Governadores do Nordeste
19 de Julho de 2019
Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população.
Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia.
RENAN FILHO – Governador do Estado de Alagoas
RUI COSTA – Governador do Estado da Bahia
CAMILO SANTANA – Governador do Estado do Ceará
FLÁVIO DINO – Governador do Estado do Maranhão
JOÃO AZEVÊDO – Governador do Estado da Paraíba
PAULO CÂMARA – Governador do Estado de Pernambuco
WELLINGTON DIAS – Governador do Estado do Piauí
FÁTIMA BEZERRA – Governadora do Rio Grande do Norte
BELIVALDO CHAGAS – Governador do Estado de Sergipe

Fonte: Revista Fórum

MORDAÇA À VISTA - Com censura e cerco à arte, Bolsonaro repete ditadura, que temia a cultura

Bolsonaro e o ditador Médici, um de seus ídolos: 'Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine'

Ao ameaçar Ancine de fechamento, presidente também ataca um mercado milionário, que emprega milhares de pessoas, por orientação ideológica

Publicado por Gabriel Valery, da RBA 

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (PSL), que em 200 dias ainda não apresentou nenhuma proposta para que o a economia funcione e o país cresça, desta vez centrou ataque na Agência Nacional de Cinema. “Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine”, afirmou, ao anunciar a intenção de levar o órgão com sede no Rio de Janeiro para Brasília, sob comando da Casa Civil. Ontem (18), o Conselho Superior de Cinema já passou do Ministério da Cidadania para a pasta de Onix Lorenzoni.

“Não serão toleradas as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos costumes; CONSIDERANDO que essa norma visa a proteger a instituição da família, preservar-lhe os valores éticos e assegurar a formação sadia e digna da mocidade.” O argumento que parece conduzir o atual governo é um trecho do  decreto de censura da ditadura civil-militar (1964-1985) assinado em 1970 do  pelo general Emílio Garrastazu Médici, pouco mais de um ano após a edição do Ato Institucional (AI-5), que suspendeu direitos civis e garantias constitucionais.

Sobre quais os “filtros” que deseja impor à Ancine, Bolsonaro diz: “Culturais, pô! Temos tantos heróis no Brasil e não se fala desses heróis (…) Temos que dar valor a essas pessoas”, disse, sem explicitar quais seriam seus “heróis” – embora já tenha manifestado fervor pelo torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Mérito?
A Ancine é responsável pelo fomento, regulação e fiscalização do mercado audiovisual brasileiro. Desde 2001, a agência vem criando mecanismos impessoais para a escolha de projetos, por meio de leis de incentivo e editais, que surtiram um resultado notável. Pontos são reformulados de forma constante, ainda há o que ser aprimorado, de acordo com os próprios produtores, e esse caminho estava sendo trilhado. Apenas neste ano, duas produções nacionais ganharam dois dos mais importantes prêmios do cinema  mundial. Bacurau, de Kleber Mendonça Filho, levou o Prêmio do Juri em Cannes e A Vida Secreta de Eurídice Gusmão,, de Karim Aïnouz, levou o prêmio Um Certo Olhar, no mesmo festival.

“Um dia depois de quatro filmes brasileiros serem selecionados para o Festival de Locarno, em um ano notável para o cinema brasileiro, com forte presença em Sundance, Rotterdam, Berlim e Cannes, o presidente anunciou planos para desmontar a agência do cinema porque ele não está feliz com os filmes que estão sendo produzidos”, resumiu o cineasta Mendonça Filho.

Outro cineasta, Fernando Fraiha, explica que o modelo da Ancine é baseado em uma “curadoria técnica” e não entra no mérito do conteúdo, para não favorecer algum viés ou ideologia. “É o mercado que escolhe os projetos através das afinidades entre investidores e filme (…) Pra quem se diz liberal, falar que o estado vai ditar oq pode ou não ser produzido, não é nem uma contradição. É uma heresia”, postou em rede social.

Não gostei: censura
Um dos pivôs escolhido por Bolsonaro foi a série #MeChamaDeBruna, que renovou para sua terceira temporada. A produção, que ganhou público e crítica, é considerada “imoral” pelo presidente, que não poupou ataques em entrevista coletiva. “Não pode é dinheiro público ser usado para filme pornográfico, só isso. Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá.” A produção conta a história de uma garota de programa e sua saga até deixar essa função.

A tentativa de Bolsonaro atinge diretamente o turismo e, principalmente, emprego e renda na própria área. De acordo com dados da Ancine, o audiovisual movimenta no país mais de R$ 24,5 bilhões por ano. Desde o início da série histórica da agência, em 2007, os números de emprego e retorno aumentam exponencialmente.

De acordo com números do antigo Ministério da Cultura (extinto por Bolsonaro), o setor movimentava 4% do PIB até o agravamento de seu desmonte, neste ano. O Banco Mundial calcula que a área seja responsável por 7% do PIB do planeta. O audiovisual cresceu expressivamente no Brasil na década passada. De 2009 para 2014, os investimentos federais foram de R$ 149,1 milhões para R$ 356 milhões. No mesmo período, o público nos cinemas cresceu 53%. São dados do Atlas Econômico da Cultura Brasileira, divulgados em 2017.

Fraiha se mostrou abalado com as ações de Bolsonaro. “Com ações como essa, ele pode até mirar no audiovisual, mas vai acertar no país. Vai impactar no PIB, desemprego e superavit primário. Mas todas essas questões pragmáticas são ignoradas pelo viés ideológico do governo. Que o Bolsonaro é contra a cultura, principalmente o audiovisual, todo mundo já sabe. Mas ele falar que ‘não faz sentido fazer filmes como Bruna Surfistinha com recursos da Ancine’ ele tá sendo contra um projeto que deu lucro pro Estado. Isso eu não sabia que ele era contra.”

REGISTRADO EM: 

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Cláudio Ribeiro todos os sábados na Rádio Cidade 670

Rádio Cidade de Curitiba AM 670, e o programa “Almoço à Brasileira”, que conta com apresentação do jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do rádio paranaense. A atração de todos os sábados, tem sua edição, das 13hrs às 14hrs, com transmissão simultânea pela web Rádio Brasil Cultura www.brasilcultura.com.br .
O programa, com duração de 60 minutos, “Almoço à Brasileira”, muito em breve será transmitido direto do litoral paranaense, no Bistro Café com Flores – Rodovia Engenheiro Darci Gomes de Morais, 7054 – Balneário Grajaú, Pontal do Paraná – PR, 83255-000

CLÁUDIO RIBEIRO

Jornalista. Radialista. Escritor e Compositor.
Com formação em Direito.
Arte, política e vida se entrelaçam quando o comunicador faz de sua história um caminho empenhado na escritura e no fazimento da cultura de seu lugar. Com certeza é o caso deste múltiplo Cláudio Ribeiro, principal letrista paranaense em oficio, e que além de esbanjar sua criatividade em letras e canções de própria autoria e importantes parcerias, ainda se desdobra no exímio oficio de pesquisar, escrever, poetar e comunicar. Como “agitador” político e cultural e, de uma forma precisa e profundamente poética vem traçando rumos, participando ativamente das mudanças políticas e sociais brasileiras. Parceiro de grandes nomes da MPB, como Cartola, Claudionor Cruz, Gerson Bientinez, Homero Réboli, Lydio Roberto, Beto Capoleto, Tony do Bandolim, Leo Fé e outros, Cláudio é também co-autor do Hino Oficial do Coritiba F.C.

ALMOÇO À BRASILEIRA

Almoço à Brasileira é um programa de muita alegria, música, esporte, entrevistas, documentários e entretenimento para seus ouvintes. Com alguns anos percorridos Cláudio já trabalhou e dirigiu diversas rádios no Brasil, sempre com o mesmo entusiasmo, inteligência e alegria de comunicar a seus ouvintes.
Nós redesenhamos a identidade da Rádio Cidade, deixando-a mais brasileira, divertida e ele (Cláudio) apresenta músicas de sua preferência, interpretadas por artistas de todo o Brasil e, em especial por convidados ao vivo no programa, também trouxemos essa audiência para a plataforma da “Rádio Cidade de Curitiba AM 670” na internet, afirma João Arruda, diretor da emissora, . O “Almoço à Brasileira” terá reprises no Portal Sonoro da Cultura Brasileira – Brasil Cultura e possivelmente na própria emissora em horário 

Crise do Segundo Reinado – resumo, questões

Crise do Império
Resumo das principais causas da crise do Segundo Reinado na História do Brasil, questões religiosa, militar e abolicionista, contexto histórico
Introdução (contexto histórico)
A crise do regime monárquico no Brasil, finalizada com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, pode ser explicada por vários problemas enfrentados por D. Pedro II na década de 1880. O regime monárquico, que já havia terminado em vários países, não teve capacidade de resolver questões sociais, políticas, econômicas e religiosas que faziam parte das novas necessidades do Brasil.
Principais questões que geraram a crise do Segundo Reinado no Brasil:
Questão Militar
Com o fim da Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro ganhou grande relevância no cenário nacional. Os militares, movidos por ideais positivistas e republicanos, queriam participar mais da política brasileira. Porém, o regime monárquico não abria espaço para esta participação. Alguns conflitos entre estes dois poderes ocorreram na década de 1880, causando prejuízos políticos para Dom Pedro II.
Com a criação do Clube Militar, presidido pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 1887, as pressões sobre o regime monárquico aumentaram, acelerando seu enfraquecimento político.
Questão Religiosa
A interferência do imperador, em assuntos da Igreja Católica, não agradava os religiosos. O imperador possuía poderes de indicar membros de cargos eclesiásticos e até vetar decisões do Vaticano. A insatisfação do clero católico brasileiro fez este apoiar a instauração da República no Brasil.
Questão Abolicionista
Com a Abolição da Escravatura em 1888, muitos fazendeiros, possuidores de grandes investimentos em mão de obra escrava, ficaram insatisfeitos e passaram a fazer oposição ao regime monárquico. Sem o apoio político dos latifundiários escravocratas, o imperador perdeu força, facilitando o crescimento do movimento republicano no país.
Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Conheça o novo presidente da UNE, o goiano Iago Montalvão

Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE
por Cristiane Tada.
Conterrâneo e sucessor de Honestino Guimarães e Aldo Arantes, estudante de economia da USP acredita em uma visão humanista sobre os números.
Para o novo presidente da UNE, o cargo é novidade, mas o engajamento, esse vem de longe.
Iago Montalvão é goiano, tem 26 anos e estuda Economia na USP em São Paulo. Foi eleito neste 57º Congresso da UNE que terminou neste domingo (14) em Brasília em um dos fóruns mais representativos da história da entidade com 4053 votos, 70% do total, pela chapa Tsunami da Educação.
Desde o Grêmio do Colégio Aplicação, escola pública da Universidade Federal de Goiás em Goiânia onde cumpriu toda sua formação escolar, Iago sempre esteve na militância.
“Eu sempre fui muito agitado, sempre quis participar de tudo, procurando sempre algo para fazer, quando eu estou parado eu me sinto incomodado”.
Tudo isso sem repetir nenhum curso, com boas notas, com tempo para leitura de quadrinhos a Darcy Ribeiro, para assistir os jogos do vasco e jogar videogame. Do textão e da zoeira, fã de Emicida e do sertanejo característico da sua terra natal, Iago diz que sempre foi um “cara amplo em tudo”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE
Cotista de escola pública na UFG onde cursou 3 anos de história, cotista na USP atualmente, ele reconhece a oportunidade de estudar nas melhores universidades do país como fruto de uma luta do movimento estudantil. E reconhece: “eu sei que sou um privilegiado, para quem é de Goiás nunca foi um horizonte estudar na USP. A minha luta é para que todo estudante possa ter acesso a um ensino de qualidade assim como eu tive”.
Iago chega à presidência depois de três gestões femininas consecutivas de Vic Barros, Carina Vitral e Marianna Dias. “ Foram grandes mulheres e fizeram grandes gestões, espero estar à altura.  Só aumenta a minha responsabilidade que é de não só fazer a luta cotidiana, mas também entender qual é a importância dessa representatividade, reconhecer esse processo e ser um soldado nessa luta, ouvindo as pessoas excluídas historicamente dos espaços de poder”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE

FÉ NA ORGANIZAÇÃO E DOIS GOIANOS COMO INSPIRAÇÃO

Iago acredita que cresceu no movimento estudantil como um bom executor de tarefas e no diálogo. A presidência da UNE, ele afirma que nunca foi um objetivo, mas sim mais uma tarefa que lhe foi confiada por um coletivo “não foi uma ambição, foi uma missão que aceito com a melhor dedicação possível” .
E completa: “Eu sempre fui disciplinado e muito dedicado a cumprir com os meus deveres, mas sobretudo sempre fui muito convencido. Acho que quando você se convence de que algo é importante você tem toda a disposição do mundo de fazer o que é necessário, e eu sempre tive”.
Foto: Yuri Salvador

E dessa forma que ele quer administrar a instituição que representa mais de 8 milhões de estudantes do ensino superior em um período de ameaça a universidade pública e gratuita: construindo consensos e buscando saída para as divergências.
Para ele o ambiente atual dentro da entidade está propício para as concordâncias, que foram construídas nesse último período e que precisam ser potencializadoras de mobilização. “Essa tem que ser a nossa missão: estar concentrado da pauta da luta pelos direitos e pela educação. Porque aí você pega toda a diversidade da nossa base e foca em uma luta. O movimento estudantil quando ele está unificado em uma batalha é perigoso”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE

A esperança do novo presidente da UNE é que as pessoas cada vez mais tenham o movimento estudantil como instrumento de transformação social.
“Desde de quando eu fui para a minha primeira manifestação eu sempre acreditei que é possível mudar a sociedade quando a gente se movimenta, quando a gente se organiza conseguimos transformar a nossa realidade e a dos outros”, afirma.
Iago ressalta ainda que para que ele possa dar sua contribuição na maior entidade do movimento social hoje é preciso honrar todos os lutadores e as lutas que vieram antes.
“A UNE dá oportunidade aos jovens de sonharem, porque construiu lutas em outros momentos que possibilitaram que a gente conquistasse condições para que estudantes de escolas públicas, negros, pardos, indígenas que antes não sonhavam com estes espaços no ensino superior e hoje podem sonhar. E eu digo isso com muito orgulho e tranquilidade, porque eu ingressei na USP pelas cotas porque eu sei que se não fossem as cotas eu não conseguiria”.
E destaca dois goianos ex-presidentes da UNE que sempre o inspiraram na organização: ‘’Aldo Arantes que defendeu a democracia da década de 60, as reformas de base, a reforma universitária, e Honestino Guimarães, presidente da entidade em um dos nossos piores momentos perseguido e assassinado em 72”.

É DE HUMANAS OU DE EXATAS?

Iago iniciou no ensino superior no curso de história, graduação que abraçou devido ao interesse por arqueologia. Com o passar do tempo começou a entender o curso como uma ferramenta para as pessoas pensarem como a sociedade funciona, projetar o futuro, passar a questionar os mecanismos da sociedade.
Depois de três anos de história divididos entre a UFG e UnB ele viu na USP uma oportunidade de expandir o conhecimento em uma área bem diferente, a Economia.
“Adoro história, quero terminar um dia, mas eu estava diante de uma oportunidade única que talvez não se repetisse. Falta no país uma opinião elaborada de economistas no campo da esquerda, progressista, e penso que posso contribuir nessa questão, ser uma pessoa que possa travar o debate e contrapor o status quo, o mainstream da economia, o debate raso que os jornalões e comentaristas de grandes meios de comunicação impõe como um discurso complicado que ninguém entende”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE

Na FEA, uma universidade de tradição liberal e conservadora, bem como uma das mais elitistas do Brasil, ele conta que se surpreendeu com a opinião estudantil que contrapõe o discurso vigente e a condição de repúdio a política de cortes de Bolsonaro.
“Temos aqui o CAVC [entidade que representa os estudantes da FEA], um dos CAs mais tradicionais e históricos do movimento estudantil, que teve muitos estudantes perseguidos pela ditadura, e tem um posicionamento muito firme na defesa de um projeto mais popular de educação, da própria economia, que contrapõe com firmeza o Ministro da Educação Abraham Weintraub, que foi estudante da FEA e foi declarado persona non grata da universidade”, explica.
E se diverte: “Na FEA a gente brinca que economia não é nem de humanas, nem de exatas”.
Iago afirma que no curso aprendeu que embora os economistas mais ortodoxos digam que a economia política foi superada, ele acredita que ela precisa ser política, mas reconhece  que este talvez seja um debate muito amplo para quem ainda está no início da graduação.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE
“O sistema capitalista tem um pensamento dominante que eles reproduzem como se aquilo ali fosse natural estabelecido e não possa ser mudado”.
Sobre a política econômica de Bolsonaro em sua análise ela é importada de outros países que não tem a mesma realidade do Brasil, e que isso certamente vai quebrar ainda mais o  país, sobretudo para o lado dos pobres.
“É um programa econômico que pensa pelo ponto de vista do equilíbrio fiscal, da solução dos problemas econômicos, mas não pensa do ponto de vista da solução dos problemas humanos. O ser humano/emprego no programa liberal é só mais uma variável que tem a ver como se você vai ou não aumentar o déficit fiscal ou o nível de produtividade, é apenas uma variável matemática no programa deles”.

E QUAL A SAÍDA?

Para o novo presidente da UNE, a entidade de 82 anos tem todos os mecanismos e pedigree para engajar e organizar uma resistência na sociedade por meio da pauta da educação.
“Mostramos isso nos dias 15 e 30M. As manifestações que paralisaram todos os estados do país só aconteceram porque na véspera diversas assembleias estudantis planejaram os atos em universidades de todo o Brasil. A defesa da educação é uma pauta que reverbera na sociedade e é com organização que vamos mudar os rumos dos retrocessos”.


Foto: Yuri Salvador

SECRETARIA ABRE INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA


Autores dos melhores romances de ficção de 2018 receberão prêmio de R$ 200 mil; obras podem ser inscritas até 15 de agosto
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado abriu hoje (2) inscrições para o Prêmio São Paulo de Literatura, uma das mais conceituadas premiações do gênero no país. Serão contemplados um autor pela categoria “Melhor Romance de Ficção do Ano de 2018” e um como “Melhor Romance de Ficção de Estreia do Ano de 2018”. Cada ganhador receberá o prêmio de R$ 200 mil.
Criado em 2008, o Prêmio São Paulo de Literatura tem como objetivo estimular a produção literária de qualidade, valorizar o setor e favorecer a formação de leitores e escritores, reconhecendo grandes nomes e também novos talentos.
O edital está disponível nos sites www.premiosaopaulodeliteratura.org.br  e www.cultura.sp.gov.br  Os candidatos podem inscrever suas obras até 15 de agosto. Os finalistas serão anunciados na primeira quinzena de outubro, e os vencedores serão premiados em novembro.
As obras devem ser do gênero romance de ficção, escritas originalmente em português e ter sua primeira edição e impressão no Brasil em 2018, além de possuir formato impresso e ISBN.
Na categoria “Melhor Livro do Ano”, poderão se inscrever autores que já publicaram romances anteriormente. Já na categoria “Melhor Romance de Ficção de Estreia do Ano de 2018”, os escritores podem ter obras publicadas em outros gêneros, desde que o livro inscrito seja o seu primeiro romance de ficção.
Fichas de inscrição, declarações e demais documentos:
Resolução – Instituição do Prêmio
Edital Prêmio SP de Literatura – 2019
Edital Prêmio SP de Literatura – 2019 + Anexos
Anexo I – Ficha de inscrição (Pessoa Física)
Anexo II – Ficha de Inscrição (Pessoa Jurídica)
Anexo III – Declaração do Autor Estreante
Anexo IV – Declaração da Editora
Anexo V – Declaração do Autor – Circuitos
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

História – República Velha

República Velha é o período da história do nosso país que se estendeu de 1889 a 1930. Os marcos que estipulam o início e o fim desse período são a Proclamação da República e a Revolução de 1930. Esse período é mais conhecido entre os historiadores como Primeira República, por se tratar do primeiro período da República no Brasil.
Resumo
→ A República Velha é chamada pelos historiadores de Primeira República.
→ Esse período foi iniciado com a Proclamação da República, que fez com que Deodoro da Fonseca assumisse a presidência.
→ O período de 1889 a 1894 é também conhecido como República da Espada.
→ A República Velha contou, ao todo, com treze presidentes e com outros dois que não puderam assumir a presidência.
→ O mandonismo, clientelismo e coronelismo são características importantes desse período.
→ A política dos governadores e a política do café com leite foram práticas importantes do arranjo político das oligarquias.
→ O Brasil experimentou um avanço industrial embrionário nesse período, que resultou no nascimento do movimento operário no país.
→ A desigualdade social e a política corrupta desse período motivaram revoltas em diversas partes do país.
→ A Revolução de 1930 foi o acontecimento que precipitou o fim desse período e inaugurou a Era Vargas.
Contexto histórico
A República Velha iniciou-se em 1889, quando aconteceu a Proclamação da República, no dia 15 de novembro. Esse acontecimento iniciou-se pela manhã do dia citado quando os militares liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca derrubaram o Visconde de Ouro Preto do Gabinete Ministerial. Na sequência do dia, José do Patrocínio, vereador no Rio de Janeiro, proclamou a República.

Após a Proclamação da República, Deodoro da Fonseca foi escolhido como presidente provisório. Em 1891, o marechal foi eleito presidente do Brasil para um mandato de quatro anos, mas renunciou ao cargo e foi sucedido pelo seu vice, o marechal Floriano Peixoto, que permaneceu no cargo até o ano de 1894. Esse período de 1889 a 1894, em que o país foi governado por dois presidentes militares, é conhecido como República da Espada.
Presidentes da República Velha
Ao todo, a República Velha estendeu-se de 1889 a 1930 e contou com treze presidentes que assumiram funções. Ao longo desse período, também aconteceu de dois presidentes eleitos não terem assumido a função, por motivos de saúde ou políticos. Os presidentes do período foram:
  1. Deodoro da Fonseca (1889-1891);
  1. Floriano Peixoto (1891-1894);
  1. Prudente de Morais (1894-1898);
  1. Campos Sales (1898-1902);
  1. Rodrigues Alves (1902-1906);
  1. Afonso Pena (1906-1909);
  1. Nilo Peçanha (1909-1910)
  1. Hermes da Fonseca (1910-1914);
  1. Venceslau Brás (1914-1918);
  1. Delfim Moreira (1918-1919);
  1. Epitácio Pessoa (1919-1922);
  1. Artur Bernardes (1922-1926);
  1. Washington Luís (1926-1930).
Os dois presidentes que foram eleitos e não assumiram foram Rodrigues Alves (segundo mandato) e Júlio Prestes. Rodrigues foi eleito para um segundo mandato em 1918, mas, antes de assumir, faleceu por conta da gripe espanhola. Seu vice, então, assumiu, para que uma nova eleição fosse marcada (e nela Epitácio Pessoa foi eleito). Já Júlio Prestes foi impedido de assumir a presidência por conta da Revolução de 1930.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Coalizão de movimentos apresenta denúncia contra flexibilização de armamento


Foto de Lucas Martins / Jornalistas Livres

Denúncia foi apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e pede ajuda para evitar aumento do genocídio no país.

Em denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma coalizão de movimentos de representantes da população negra e da sociedade civil solicitou posicionamentos sobre as propostas de flexibilização e liberação de posse e porte de armas do governo Bolsonaro.

Formada por diversos movimentos, entre eles Educafro, Frente Favela Brasil, Geledés, Instituto Marielle Franco, Mandata Quilombo da Deputada Estadual Erica Malunguinho, MNU – Movimento Negro Unificado, Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, Renafro, Uneafro e Unegro. No total o documento conta com 63 assinaturas.

Ele descreve o contexto político e social, com ênfase aos aspectos socioeconômicos e étnicos, e como o projeto pode afetar o estado de violência nas cidades brasileiras. O decumento foi elaborado por conta da preocupação de que “a adesão à políticas armamentistas que propiciam a facilitação da posse e do porte de armas de fogo representam importante impacto à segurança pública e radical ameaça à vida de milhares de cidadãos e cidadãs brasileiras, sobretudo da população negra e pobre, alvo preferencial da violência letal em nosso país”.

Reforçando o impacto que o projeto pode ter o documento também coloca que, de acordo com o Atlas da Violência elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), a no país entre “2016 e 2017, o número de pessoas assassinadas com armas de fogo cresceu 6,8%. O ano de 2017 chegou à assombrosa marca de 65.602 mil pessoas assassinadas no Brasil, 72,4% (47.510 mil) delas foram mortas por arma de fogo. As vítimas principais desta violência são, tragicamente, a população jovem e negra, 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil”.

O documento destaca os decretos que considera os mais impactantes “foram editados 7 decretos, sendo que os mais graves foram os de 07 e 21 de maio, pois aumentaram as categorias profissionais que poderiam portar armas para 19, aumentaram o número de munição de 50 unidades para 5 mil unidades por ano, aumentaram o prazo de porte de 5 para 10 anos e também aumentaram a potência cinética das armas de 400 joules para 1620 joules, passando a permitir ao cidadão comum o uso de armas que anteriormente era restrito somente às forças armadas”.

A denúncia termina com solicitações à CIDH, entre as quais,

Seja emitido posicionamento público contrário às medidas aqui denunciadas;
Sejam enviados observadores internacionais para acompanhar os trâmites destas propostas nas comissões e nas votações em plenário do Congresso Nacional;
Seja estabelecido um canal de diálogo permanente com o movimento negro brasileiro.
Flexibilização
No dia 20/05 o presidente Bolsonaro publicou três decretos sobre armas no Brasil. Os três textos (Decretos Nº 9.845, Nº 9.846 e Nº 9.84) dispõem sobre a compra, a posse e o porte de armas para civis e caçadores, colecionadores e atiradores. Os três textos reformulam a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (o Estatuto do Desamamento), que tratava dos dispositivos de compra, posse e comercialização de armas de fogo e munição e sobre o Sistema Nacional de Armas (Sinarm). As mudanças aumentam o número de munições e os calibres acessíveis, além do número de armas e os tipos que uma pessoa pode comprar.

Em conjunto com os decretos o Congresso também tem tramitando dois projetos de lei que tratam de posse e porte de armas de fogo para residências e domicílios em áreas rurais. O PL n° 3715 muda a compreensão do espaço definido para o porte e aumenta o que é considerado como residência ou domicílio, que agora “compreende toda a extensão do imóvel rural”. Já o PL n° 224 permite que maiores de possam comprar armas de fogo. Ambos foram aprovados no dia 26/06 na Câmara e no Senado, respectivamente.

Fonte: JORNALISTAS LIVRES