Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

domingo, 21 de julho de 2019

ALÉM DO SEU TEMPO - Peça mergulha no universo de Carolina de Jesus, a autora do clássico “Quarto de despejo”

PAULO PEREIRA/DIVULGAÇÃO

Espetáculo retrata a vida e a obra dessa mulher negra e pobre, cuja obra revelou um Brasil que o Brasil insiste em esconder.

Publicado por Redação RBA

O livro "Quarto de despejo" foi traduzido para 13 línguas e vendido em 80 países. Política, história e sociologia se fundem na obra de Carolina de Jesus

São Paulo — Um “enigma” e um “poço sem fundo”. Assim a atriz, dramaturga e arte-educadora Dirce Thomaz define Maria Carolina de Jesus, a catadora de papel descoberta pelo jornalista Audálio Dantas na favela do Canindé, em São Paulo, e autora do livro Quarto de despejo, lançado em 1960 e que logo se transformou em estrondoso sucesso.

Para Dirce Thomaz, o diário de Carolina de Jesus é “forte, real e visceral”. A atriz está em cartaz com a peça Eu e Ela: visita a Carolina de Jesus, espetáculo em que interpreta Carolina e no qual é também a diretora. A peça, baseada no diário de Carolina de Jesus, está em cartaz na Funarte, em São Paulo, até o dia 10 de agosto.

Poeta, compositora e feminista, Carolina de Jesus ainda cantava e dançava. “Uma mulher além do seu tempo. Quando falo que ela era um poço, agora estão descobrindo que Carolina também escreveu para teatro. A cada dia se descobre alguma coisa de Carolina”, afirma Dirce, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

A atriz conta estar mergulhada no universo desde 1988. Atuou no curta-metragem O papel e o Mar e, em 2009, interpretou Carolina de Jesus no cinema. “E daí não teve mais jeito, foi um mergulho nessa mulher incrível que é Maria Carolina de Jesus, esse universo incrível.” Dirce lembra que, ao ser lançado, Quarto de despejo vendeu mais que Jorge Amado. “Foi um best seller, foi uma fama, uma coisa muito louca.”

Carolina de Jesus aprendeu a ler aos 7 anos de idade, a idade correta para uma criança ser alfabetizada, mesmo ela sendo uma criança muito pobre vivendo na cidade grande. “Ela saia na rua lendo tudo, ela se encontrou ali. Fazia crítica à política, à história e à sociedade. A obra de Carolina não é só o diário do que ela passava na favela, é uma obra política e social de peso”, afirma a dramaturga. Quarto de despejo foi traduzido para 13 línguas, em 80 países.

“Ela só não é muito respeitada no Brasil. A Academia Brasileira de Letras não a reconhece como poeta, porque fala que ela teve só o segundo ano primário. Ela estudou muito. O Brasil sempre não quer falar das suas mazelas”, reclama Dirce. “Como vamos ficar falando da história das favelas, história de mulher negra favelada?”, ironiza.

Após o sucesso de Quarto de despejo, Carolina de Jesus não conseguiu mais espaço para editar novos trabalhos, e decidiu então editar a própria obra. “A gente (o povo negro) esperneia desde o período colonial, para sobreviver, para chegar em algum lugar, para estudar, para trabalhar. E a Carolina é um espelho muito grande para as mulheres negras sobre tudo o que acontece com a população negra. Carolina foi e é um marco na história do Brasil, uma referência forte para as mulheres negras.”

Eu e Ela: visita a Carolina de Jesus
Até o dia 10 de agosto
Funarte - Alameda Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, São Paulo 
Sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h 

EDUCAÇÃO: "INSTADO" Programa ‘Future-se’ cria instabilidade financeira nas universidades, alerta Renato Janine Ribeiro

Colaboração com as empresas, mote do Future-se, "é algo que as universidades já fazem", segundo o ex-ministro.

Ex-ministro diz ainda que programa não foi debatido com a comunidade acadêmica, proposto por um governo que vê a educação como inimiga.

São Paulo – Anunciado pelo Ministério da Educação como forma de garantir autonomia financeira às universidades e institutos federais, a partir de fundos associados ao mercado, o programa “Future-se vai acabar criando instabilidade na financiamento do ensino superior no Brasil, alerta o ex-ministro Renato Janine Ribeiro. Ele lembra que as instituições de ensino superior já contam com autonomia na captação de recursos, e que não prospera, muitas vezes, pela falta de apoio da iniciativa privada. As diretrizes do programa foram decididas de cima para baixo, sem negociação com a comunidade acadêmica, e ferem ainda o princípio da autonomia acadêmica, garantido na Constituição.

“O mercado é, por definição, instável. Pode subir ou cair. Logo, o orçamento das universidades poderia aumentar, mas também poderia cair. É um risco muito grande. Se temos algo chamado ‘Estado’ é justamente porque tem que deixar estáveis uma série de políticas. Não é um ‘instado'”, afirmou Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (19). Ele diz que o patrimônio educacional, que inclui, além dos campi universitários, uma rede de milhares de cientistas e pesquisadores, não pode ficar a mercê das flutuações capitalistas.

Sem diálogo
Janine diz que a elaboração de um projeto como o “Future-se” deveria contar com a participação dos representantes das universidades, que conhecem melhor do que ninguém as suas próprias necessidades e limitações. “Mesmo a colaboração com as empresas, um dos pontos ‘fortes’ do projeto, é algo que as universidades já fazem. Se essa colaboração não é maior, não é só por causa das universidades. É porque, muitas vezes, as empresas também não querem”, disse o ex-ministro. Ele citou esforços, desde a década de 1990 até os governos Lula e Dilma, de integração entre a pesquisa acadêmica e inovação.

Outro problema no Future-se constatado pelo ex-ministro é a criação de um comitê gestor para supervisionar e acompanhar a implementação das diretrizes do programa que, dentre outras incumbências, poderá interferir na seleção dos reitores das universidades, ao definir critérios para a aceitação de certificações dos candidatos. “É um cheque em branco dado a pessoas que não se sabe quem são e o que farão”, critica Janine. Ele lembra que o governo Bolsonaro já editou decreto que estabelece que a nomeação de vice-reitores e pró-reitores deve  passar pelo “crivo” da Casa Civil, em mais um ataque à autonomia das universidades.

Educação como inimiga
Janine fundamenta suas preocupações no fato inédito de que Bolsonaro foi eleito sem jamais ter feito a defesa da educação pública no país. Pelo contrário, durante a campanha, o então candidato fez reiteradas críticas ao educador Paulo Freire e a avanços na igualdade de gênero – além de ataques às leis de cotas. “Isso incomoda uma parte substancial da base do governo, que responsabiliza a área educacional (por esses avanços). Olham a educação com certa desconfiança. Esse é um problema sério.”

Fonte: Rede Brasil Atual

Tropeirismo no Paraná

Após a diminuição considerável da atividade de mineração, em vista da escassez dos veios auríferos e da descoberta das Minas Gerais, Curitiba e região foram gradualmente se adaptando às novas atividades, como a criação e o comércio de gado, e a incipiente extração da erva-mate. Porém, o comércio de gado dependia muito de Minas Gerais e a crise desse mercado acabou de vez com a circulação de riquezas na região, afastando a cidade de Curitiba e arredores da rota comercial da época. (DUDEQUE, 1995, p.116-117).
A cidade de Curitiba, nessa época, não passava de um agrupamento de casas de moradores das redondezas que as ocupavam somente nos dias de festas e deveres religiosos. Não possuía mais do que dez ruas, de traçado irregular, agrupadas em torno da Praça Matriz, sem iluminação pública e localizada entre os rios Belém e Ivo.
A necessidade de buscar uma nova alternativa econômica para o Estado, ou melhor para as cinco comarcas da província de São Paulo, foi a conquista e exploração do território dos Campos Gerais.
As principais ocupações nos Campos Gerais foram feitas pelos “homens ricos” de São Paulo, Santos e Paranaguá, e que não possuíam um caráter de colonização e povoamento. As primeiras posses foram feitas “simplesmente como um negócio a ser explorado comercialmente para abastecer São Paulo, e as áreas de mineração nas Minas Gerais”. As sesmeiras dos Campos Gerais paranaenses, procuravam se localizar às margens do caminho de Curitiba – Sorocaba – São Paulo.
Como Curitiba ficava à margem, a cidade só começou a ter lucros com a conquista do centro e norte dos Campos Gerais, devido a abertura da estrada de Viamão – Sorocaba. Essa abertura propiciou a conquista dos campos ao sul de Curitiba, tendo como centro a Lapa.
Depois da segunda metade do século XVIII é que a região começou realmente a ser povoada, e isso aconteceu no rastro do tropeiro. Em 1772, na extensão toda dos Campos Gerais, desde de Itararé, no norte, até a Lapa, no sul, podíamos somar cerca de 50 fazendas e em torno de 125 sítios que povoavam a região. A estrada das tropas servia como eixo, e ao longo dela destacavam-se como povoações: Ponta Grossa, Palmeira, Castro, Imbituba e a Lapa.
O ouro das Minas Gerais foi nos últimos anos do século XVII o ponto alto da colônia. O Brasil era o maior produtor do metal. E isso atingiu o Paraná, agora de forma diferente da exploração do ouro de Paranaguá e região. As minas preciosas precisavam em grande escala de bois e cavalos (muares em especial) para transportar o ouro até o Porto do Rio de Janeiro, e de lá receber as cargas que importava. Como o gado estava nos Pampas, o Caminho de Viamão atravessava os planaltos dos atuais três estados do Sul, e ligava o Rio Grande à São Paulo. Por mais de 100 anos desfilaram por esse caminho tropas e tropeiros. Eles cortavam os campos, inclusive Curitiba, que passaram a ter utilidade como postos de recuperação do gado que chegava extenuado após uma longa jornada. Assim, a pecuária passa a dominar a economia regional.
As fronteiras dos Campos Gerais foram ampliadas, as atividades econômicas paralelas, em função do ciclo, desenvolveram-se, e com a decadência da exploração do ouro, no final do século XVIII, o tropeirismo entra em recessão. No entanto, ainda não era o fim, pois com a expansão da economia cafeeira, depois da independência do Brasil, o tropeirismo ganha novo fôlego e novos mercados, chegando ao seu apogeu em meados do século XIX. O tropeirismo paranaense não busca agora gado somente no Rio Grande do Sul, ele também os busca na província argentina de Corrientes.

O ciclo dos tropeiros chega ao fim definitivo nos fins do século XIX, com a construção das rodovias em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A economia fica estagnada e a subsistência passa a ser a atividade principal. A pecuária surge também como uma nova economia, e podemos dizer que ela, assim como o tropeirismo, teve um papel importante no povoamento do Paraná, pois devido a eles surgiram vários arraiais e vilas.
Assim, na travessia do Rio negro, nasceu um povoado chamado de Capela da Mata, que originou as cidades de Rio Negro e Mafra. Em 1829, teve início o primeiro núcleo de agricultores europeus (alemães) no terriórtio paranaense. Ao fim do século XVIII quase toda a área dos Campos Gerais estava povoada. Nessa época, o planalto adquiri a supremacia econômica e social sobre o litoral. E, em 1812, a sede da comarca é transferida de Paranaguá para Curitiba.
Embora Curitiba ainda fosse inferior comercialmente à Paranaguá, em 1812 já existiam indícios que as condições geográficas da cidade iriam lhe conferir vantagens políticas, sociais e administrativas.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Violão no Brasil

O primeiro instrumento de cordas que se tem notícias que chegou ao Brasil foi a viola de dez cordas ou cinco cordas duplas, muito popular entre os portugueses e precursora do violão, trazida pelos jesuítas portugueses que aqui chegaram para catequisar os índios e a usavam durante a catequese.
A primeira notícia que se tem sobre este instrumento no Brasil, ocorre no século XVII em São Paulo, vendida por um preço exorbitante na época, por dois mil réis e pertencente a um bandeirante chamado Sebastião Paes de Barros.
Sobre a viola, o escritor Mário de Andrade cita em uma de suas obras, um cidadão chamado Cornélio Pires, para quem a viola era um dos instrumentos que o acompanhava  nas danças populares de São Paulo. A confusão entre a viola e violão começa em meados do século XIX, quando a viola é usada com uma afinação própria do violão, isto é, lá, ré, sol, si, mi.
Mas, o uso da nomenclatura usada como referência ao instrumento viola/violão, continua conforme  afirma Manuel Antônio de Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com terminologia da época do final da colônia, a viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as modinhas.
Atualmente, a viola passou-se a ser denominada de viola caipira, por ser um instrumento típico do interior do país, e a nomenclatura violão, ao instrumentoque era característico de uso urbano e ter  sua forma atual estabelecida no final do século XIX.
Com isso, o violão passou a tornar-se o instrumento favorito para o acompanhamento vocal, como no caso das modinhas, na música instrumental, acompanhando a flauta e o cavaquinho, e com isso formando a base de um conjunto de chorinho.
violão por ser um instrumento muito usado na música popular brasileira e pelo povo, passou a ter uma má fama, sendo considerado por muitos como um  instrumento de boêmios, presente entre seresteiroschorões, tornando-se um símbolo de vagabundagem e, carregando consigo este estigma por muitos anos.
Em virtude desta discriminação sofrida pelo violão no Brasil e sua associação, os primeiros que tentaram desmistificar esse ranço pejorativo e discriminatório do violão, divulgando-o como um instrumento sério foram considerados verdadeiros heróis.

Um dos precursores do violão moderno no Brasil foi o fundador da revista “O Violão”, publicando-a em 1928, foi Joaquim Santos (1873-1935) ou Quincas Laranjeira, considerado o “Pai do violão moderno” que nos últimos anos de sua vida dedicou-se a ensinar a tocar o violão pelo método de Tárrega.
violão no Brasil desenvolveu-se, basicamente, em dois grandes eixos da expressão da arte no Brasil: Rio de Janeiro e São Paulo. Onde surgiram a grande maioria dos grandes violonistas brasileiros, que obtiveram sua formação instrumental com os professores que moravam nestas cidades.
Na cidade de São Paulo, através do violonista uruguaio Isaías Savio (1900-1977), que teve sua formação violonística com Miguel Llobet, resultou a fundação de uma das melhores escolas de violonistas da América do Sul, vindo morar no Brasil, em São Paulo, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho fundando a Associação Cultural Violonística Brasileira, e em 1947, e tornou-se professor de violão do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo,  fundando a primeira  cadeira de violão no país.
Em 1951, ele participou da fundação da Associação Cultural de Violão de São Paulo, sendo responsável pela composição de  mais de 100 obras para o violão e cerca de mais ou menos 300 transcrições e revisões, sendo seus trabalhos usados atualmente por muitas escolas de música em todo o Brasil e fora dele.
O Brasil teve e tem a sua própria safra de violonistas, podemos citar:
  • Clementino Lisboa: iniciou as apresentações de violão em público, apresentando o instrumento para a elite carioca;- Joaquim Santos: fundador da revista “O violão”;
  • Aníbal Sardinha: precursor da bossa-nova.
Ainda citamos alguns como Jorge do FusaAmérico JacominoNicanor Teixeira e Egberto Gismonti.
A música brasileira para violão tem por base a pequena obra de Villa-Lobos, que foi um importante compositor e violonista brasileiro, que conta basicamente com 12 estudos sobre violão.

4 razões para incluir o caldo de cana na dieta

O caldo de cana, também conhecido como garapa, é uma bebida altamente nutritiva. Apesar de ser bastante doce, ela é indicada para atletas e até para pessoas portadoras da diabetes do tipo 1. Além disso, o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar, o que a torna acessível em preço e disponibilidade.
Veja abaixo quatro motivos para incluir o caldo de cana na dieta.
  1. Rica em açúcares bons
O açúcar contido na cana é a forma bruta, ao contrário dos refinados, que tem nutrientes e minerais removidos e possuem apenas carboidratos e calorias. Por isso, o caldo de cana possui baixo índice glicêmico, ajudando a controlar o açúcar do organismo.
  1. Ótimo pós-treino natural
Se você é atleta e costuma sentir a fadiga nos músculos após o treino, o caldo de cana pode ser um ótimo aliado na sua recuperação. Por ser fonte de glicose, ele é ótima fonte de energia para os músculos e também uma bebida que reidrata o corpo rapidamente.
  1. Ajuda a combater doenças
A cana-de-açúcar possui propriedades antioxidantes e alcalinas. Isso significa que este alimento ajuda a manter o organismo saudável e a combater enfermidades como o câncer, doenças consequentes do envelhecimento e problemas cardiovasculares.
  1. Fonte de vitaminas e minerais
Esta planta possui alto teor de minerais, como o ferro, cálcio, potássio e o magnésio, que ajudam a manter sangue e ossos saudáveis. Além disso, este alimento é fonte de vitaminas A, B e C.
Sugestões:
A cana-de-açúcar pode ser consumida in natura ou na forma de caldo. Neste caso, é possível acrescentar outros alimentos à bebida, de forma a torna-la ainda mais nutritiva e saborosa. Ele pode ser incluído sem medo a dieta, pois não engorda e não provoca o excesso de açúcar no sangue. No entanto, o consumo constante não é indicado para quem tem diabetes do tipo 2.
Redação CicloVivo

sábado, 20 de julho de 2019

Este homem saiu de Mossoró para estudar na Unicamp de SP e hoje vive nas ruas

Campinas, São Paulo. O professor universitário Maurício Amaral conversa com um homem que frequentemente dorme pelos canteiros próximos a sua casa. Ele tenta ganhar a confiança do homem com paciência, dia após dia, extraindo aos poucos informações a seu respeito.
O homem é Antônio da Costa Bezerra, um mestre da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foi numa dessas conversas que o professor Amaral descobriu que ele tem 45 anos, nasceu em Mossoró, e que foi para as terras paulistas em busca do doutorado em Engenharia Química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das melhores instituições da América Latina.
“Comecei a conversar com ele diariamente e, nessas conversas, ele foi soltando alguma coisa”, contou Amaral em entrevista ao Portal NO AR.
A reportagem conversou também com Carlson de Souza, que foi professor de Antônio nos cursos de graduação e também na pós-graduação dele na UFRN. “Era estudioso e dedicado. Brilhante!” descreveu o professor sobre o ex-aluno.
A palavra “brilhante” usada pelo professor Carlson não foi à toa. Ela fica comprovada quando se vê o Currículo Lattes de Antônio. O mestre em Engenharia Química que hoje vive em situação de rua no interior de São Paulo possui vários trabalhos publicados, Graduação em Engenharia Química pela UFRN (1997), é fluente em InglêsEspanhol, virou mestre pelo mesmo curso em 1999, tem vasta experiência em Operações Industriais e equipamentos para Engenharia Química, já tendo atuado em temas como CFD, Modelagem, Simulação e Fluidodinâmica. Na última atualização, em 25 de agosto de 2005, o doutorado na Unicamp estava em andamento.
Não se sabe o que aconteceu para que Antônio passasse a ser um morador de rua assim, mas há uma suspeita: “ele deixou a Unicamp quando faltava uma disciplina para que se tornar doutor e parece ter se envolvido com drogas.”, disse o professor Amaral.
A partir daí o professor Maurício Amaral busca pessoas do Rio Grande do Norte que foram próximas a Antônio para que o ajudem a voltar para Mossoró. “Ele não tem contato com a família”, citou.
Felizmente no dia 19 de Julho o professor conseguiu entrar em contato com a família do estudante.
Fonte: Curiozzzo

Governadores lançam carta em repúdio após Bolsonaro chamar o Nordeste de “Paraíba”

Foto: Karlos Geromy
Os nove governadores do Nordeste assinaram, na noite desta sexta-feira (19), uma carta criticando o comportamento de Jair Bolsonaro (PSL) após o presidente deixar a entender que pretende retaliar os estados do Maranhão e Paraíba.
Sem saber que seu áudio estava aberto em uma transmissão ao vivo, Bolsonaro disse ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni: “O governador de Paraíba é pior que esse do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, afirmou o presidente.
Na carta a qual o blog teve acesso, os governadores dos nove estados do Nordeste dizem que receberam com espanto a manifestação do presidente e que esperam respeito ao pacto federativo, onde é exigido que os governos mantenham diálogos e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas.
A nota pede esclarecimentos por parte do Presidente em relação ao conteúdo divulgado além de reiterarem a defesa da Federação e da democracia.
Mais cedo por meio de suas redes sociais Flávio Dino afirmou que independente da postura do presidente continuará mantendo postura de diálogo institucional com representantes do governo federal.
Abaixo o inteiro teor da carta:
Carta dos Governadores do Nordeste
19 de Julho de 2019
Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população.
Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia.
RENAN FILHO – Governador do Estado de Alagoas
RUI COSTA – Governador do Estado da Bahia
CAMILO SANTANA – Governador do Estado do Ceará
FLÁVIO DINO – Governador do Estado do Maranhão
JOÃO AZEVÊDO – Governador do Estado da Paraíba
PAULO CÂMARA – Governador do Estado de Pernambuco
WELLINGTON DIAS – Governador do Estado do Piauí
FÁTIMA BEZERRA – Governadora do Rio Grande do Norte
BELIVALDO CHAGAS – Governador do Estado de Sergipe

Fonte: Revista Fórum

MORDAÇA À VISTA - Com censura e cerco à arte, Bolsonaro repete ditadura, que temia a cultura

Bolsonaro e o ditador Médici, um de seus ídolos: 'Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine'

Ao ameaçar Ancine de fechamento, presidente também ataca um mercado milionário, que emprega milhares de pessoas, por orientação ideológica

Publicado por Gabriel Valery, da RBA 

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (PSL), que em 200 dias ainda não apresentou nenhuma proposta para que o a economia funcione e o país cresça, desta vez centrou ataque na Agência Nacional de Cinema. “Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine”, afirmou, ao anunciar a intenção de levar o órgão com sede no Rio de Janeiro para Brasília, sob comando da Casa Civil. Ontem (18), o Conselho Superior de Cinema já passou do Ministério da Cidadania para a pasta de Onix Lorenzoni.

“Não serão toleradas as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos costumes; CONSIDERANDO que essa norma visa a proteger a instituição da família, preservar-lhe os valores éticos e assegurar a formação sadia e digna da mocidade.” O argumento que parece conduzir o atual governo é um trecho do  decreto de censura da ditadura civil-militar (1964-1985) assinado em 1970 do  pelo general Emílio Garrastazu Médici, pouco mais de um ano após a edição do Ato Institucional (AI-5), que suspendeu direitos civis e garantias constitucionais.

Sobre quais os “filtros” que deseja impor à Ancine, Bolsonaro diz: “Culturais, pô! Temos tantos heróis no Brasil e não se fala desses heróis (…) Temos que dar valor a essas pessoas”, disse, sem explicitar quais seriam seus “heróis” – embora já tenha manifestado fervor pelo torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Mérito?
A Ancine é responsável pelo fomento, regulação e fiscalização do mercado audiovisual brasileiro. Desde 2001, a agência vem criando mecanismos impessoais para a escolha de projetos, por meio de leis de incentivo e editais, que surtiram um resultado notável. Pontos são reformulados de forma constante, ainda há o que ser aprimorado, de acordo com os próprios produtores, e esse caminho estava sendo trilhado. Apenas neste ano, duas produções nacionais ganharam dois dos mais importantes prêmios do cinema  mundial. Bacurau, de Kleber Mendonça Filho, levou o Prêmio do Juri em Cannes e A Vida Secreta de Eurídice Gusmão,, de Karim Aïnouz, levou o prêmio Um Certo Olhar, no mesmo festival.

“Um dia depois de quatro filmes brasileiros serem selecionados para o Festival de Locarno, em um ano notável para o cinema brasileiro, com forte presença em Sundance, Rotterdam, Berlim e Cannes, o presidente anunciou planos para desmontar a agência do cinema porque ele não está feliz com os filmes que estão sendo produzidos”, resumiu o cineasta Mendonça Filho.

Outro cineasta, Fernando Fraiha, explica que o modelo da Ancine é baseado em uma “curadoria técnica” e não entra no mérito do conteúdo, para não favorecer algum viés ou ideologia. “É o mercado que escolhe os projetos através das afinidades entre investidores e filme (…) Pra quem se diz liberal, falar que o estado vai ditar oq pode ou não ser produzido, não é nem uma contradição. É uma heresia”, postou em rede social.

Não gostei: censura
Um dos pivôs escolhido por Bolsonaro foi a série #MeChamaDeBruna, que renovou para sua terceira temporada. A produção, que ganhou público e crítica, é considerada “imoral” pelo presidente, que não poupou ataques em entrevista coletiva. “Não pode é dinheiro público ser usado para filme pornográfico, só isso. Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá.” A produção conta a história de uma garota de programa e sua saga até deixar essa função.

A tentativa de Bolsonaro atinge diretamente o turismo e, principalmente, emprego e renda na própria área. De acordo com dados da Ancine, o audiovisual movimenta no país mais de R$ 24,5 bilhões por ano. Desde o início da série histórica da agência, em 2007, os números de emprego e retorno aumentam exponencialmente.

De acordo com números do antigo Ministério da Cultura (extinto por Bolsonaro), o setor movimentava 4% do PIB até o agravamento de seu desmonte, neste ano. O Banco Mundial calcula que a área seja responsável por 7% do PIB do planeta. O audiovisual cresceu expressivamente no Brasil na década passada. De 2009 para 2014, os investimentos federais foram de R$ 149,1 milhões para R$ 356 milhões. No mesmo período, o público nos cinemas cresceu 53%. São dados do Atlas Econômico da Cultura Brasileira, divulgados em 2017.

Fraiha se mostrou abalado com as ações de Bolsonaro. “Com ações como essa, ele pode até mirar no audiovisual, mas vai acertar no país. Vai impactar no PIB, desemprego e superavit primário. Mas todas essas questões pragmáticas são ignoradas pelo viés ideológico do governo. Que o Bolsonaro é contra a cultura, principalmente o audiovisual, todo mundo já sabe. Mas ele falar que ‘não faz sentido fazer filmes como Bruna Surfistinha com recursos da Ancine’ ele tá sendo contra um projeto que deu lucro pro Estado. Isso eu não sabia que ele era contra.”

REGISTRADO EM: 

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Cláudio Ribeiro todos os sábados na Rádio Cidade 670

Rádio Cidade de Curitiba AM 670, e o programa “Almoço à Brasileira”, que conta com apresentação do jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do rádio paranaense. A atração de todos os sábados, tem sua edição, das 13hrs às 14hrs, com transmissão simultânea pela web Rádio Brasil Cultura www.brasilcultura.com.br .
O programa, com duração de 60 minutos, “Almoço à Brasileira”, muito em breve será transmitido direto do litoral paranaense, no Bistro Café com Flores – Rodovia Engenheiro Darci Gomes de Morais, 7054 – Balneário Grajaú, Pontal do Paraná – PR, 83255-000

CLÁUDIO RIBEIRO

Jornalista. Radialista. Escritor e Compositor.
Com formação em Direito.
Arte, política e vida se entrelaçam quando o comunicador faz de sua história um caminho empenhado na escritura e no fazimento da cultura de seu lugar. Com certeza é o caso deste múltiplo Cláudio Ribeiro, principal letrista paranaense em oficio, e que além de esbanjar sua criatividade em letras e canções de própria autoria e importantes parcerias, ainda se desdobra no exímio oficio de pesquisar, escrever, poetar e comunicar. Como “agitador” político e cultural e, de uma forma precisa e profundamente poética vem traçando rumos, participando ativamente das mudanças políticas e sociais brasileiras. Parceiro de grandes nomes da MPB, como Cartola, Claudionor Cruz, Gerson Bientinez, Homero Réboli, Lydio Roberto, Beto Capoleto, Tony do Bandolim, Leo Fé e outros, Cláudio é também co-autor do Hino Oficial do Coritiba F.C.

ALMOÇO À BRASILEIRA

Almoço à Brasileira é um programa de muita alegria, música, esporte, entrevistas, documentários e entretenimento para seus ouvintes. Com alguns anos percorridos Cláudio já trabalhou e dirigiu diversas rádios no Brasil, sempre com o mesmo entusiasmo, inteligência e alegria de comunicar a seus ouvintes.
Nós redesenhamos a identidade da Rádio Cidade, deixando-a mais brasileira, divertida e ele (Cláudio) apresenta músicas de sua preferência, interpretadas por artistas de todo o Brasil e, em especial por convidados ao vivo no programa, também trouxemos essa audiência para a plataforma da “Rádio Cidade de Curitiba AM 670” na internet, afirma João Arruda, diretor da emissora, . O “Almoço à Brasileira” terá reprises no Portal Sonoro da Cultura Brasileira – Brasil Cultura e possivelmente na própria emissora em horário 

Crise do Segundo Reinado – resumo, questões

Crise do Império
Resumo das principais causas da crise do Segundo Reinado na História do Brasil, questões religiosa, militar e abolicionista, contexto histórico
Introdução (contexto histórico)
A crise do regime monárquico no Brasil, finalizada com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, pode ser explicada por vários problemas enfrentados por D. Pedro II na década de 1880. O regime monárquico, que já havia terminado em vários países, não teve capacidade de resolver questões sociais, políticas, econômicas e religiosas que faziam parte das novas necessidades do Brasil.
Principais questões que geraram a crise do Segundo Reinado no Brasil:
Questão Militar
Com o fim da Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro ganhou grande relevância no cenário nacional. Os militares, movidos por ideais positivistas e republicanos, queriam participar mais da política brasileira. Porém, o regime monárquico não abria espaço para esta participação. Alguns conflitos entre estes dois poderes ocorreram na década de 1880, causando prejuízos políticos para Dom Pedro II.
Com a criação do Clube Militar, presidido pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 1887, as pressões sobre o regime monárquico aumentaram, acelerando seu enfraquecimento político.
Questão Religiosa
A interferência do imperador, em assuntos da Igreja Católica, não agradava os religiosos. O imperador possuía poderes de indicar membros de cargos eclesiásticos e até vetar decisões do Vaticano. A insatisfação do clero católico brasileiro fez este apoiar a instauração da República no Brasil.
Questão Abolicionista
Com a Abolição da Escravatura em 1888, muitos fazendeiros, possuidores de grandes investimentos em mão de obra escrava, ficaram insatisfeitos e passaram a fazer oposição ao regime monárquico. Sem o apoio político dos latifundiários escravocratas, o imperador perdeu força, facilitando o crescimento do movimento republicano no país.
Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Conheça o novo presidente da UNE, o goiano Iago Montalvão

Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE
por Cristiane Tada.
Conterrâneo e sucessor de Honestino Guimarães e Aldo Arantes, estudante de economia da USP acredita em uma visão humanista sobre os números.
Para o novo presidente da UNE, o cargo é novidade, mas o engajamento, esse vem de longe.
Iago Montalvão é goiano, tem 26 anos e estuda Economia na USP em São Paulo. Foi eleito neste 57º Congresso da UNE que terminou neste domingo (14) em Brasília em um dos fóruns mais representativos da história da entidade com 4053 votos, 70% do total, pela chapa Tsunami da Educação.
Desde o Grêmio do Colégio Aplicação, escola pública da Universidade Federal de Goiás em Goiânia onde cumpriu toda sua formação escolar, Iago sempre esteve na militância.
“Eu sempre fui muito agitado, sempre quis participar de tudo, procurando sempre algo para fazer, quando eu estou parado eu me sinto incomodado”.
Tudo isso sem repetir nenhum curso, com boas notas, com tempo para leitura de quadrinhos a Darcy Ribeiro, para assistir os jogos do vasco e jogar videogame. Do textão e da zoeira, fã de Emicida e do sertanejo característico da sua terra natal, Iago diz que sempre foi um “cara amplo em tudo”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE
Cotista de escola pública na UFG onde cursou 3 anos de história, cotista na USP atualmente, ele reconhece a oportunidade de estudar nas melhores universidades do país como fruto de uma luta do movimento estudantil. E reconhece: “eu sei que sou um privilegiado, para quem é de Goiás nunca foi um horizonte estudar na USP. A minha luta é para que todo estudante possa ter acesso a um ensino de qualidade assim como eu tive”.
Iago chega à presidência depois de três gestões femininas consecutivas de Vic Barros, Carina Vitral e Marianna Dias. “ Foram grandes mulheres e fizeram grandes gestões, espero estar à altura.  Só aumenta a minha responsabilidade que é de não só fazer a luta cotidiana, mas também entender qual é a importância dessa representatividade, reconhecer esse processo e ser um soldado nessa luta, ouvindo as pessoas excluídas historicamente dos espaços de poder”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE

FÉ NA ORGANIZAÇÃO E DOIS GOIANOS COMO INSPIRAÇÃO

Iago acredita que cresceu no movimento estudantil como um bom executor de tarefas e no diálogo. A presidência da UNE, ele afirma que nunca foi um objetivo, mas sim mais uma tarefa que lhe foi confiada por um coletivo “não foi uma ambição, foi uma missão que aceito com a melhor dedicação possível” .
E completa: “Eu sempre fui disciplinado e muito dedicado a cumprir com os meus deveres, mas sobretudo sempre fui muito convencido. Acho que quando você se convence de que algo é importante você tem toda a disposição do mundo de fazer o que é necessário, e eu sempre tive”.
Foto: Yuri Salvador

E dessa forma que ele quer administrar a instituição que representa mais de 8 milhões de estudantes do ensino superior em um período de ameaça a universidade pública e gratuita: construindo consensos e buscando saída para as divergências.
Para ele o ambiente atual dentro da entidade está propício para as concordâncias, que foram construídas nesse último período e que precisam ser potencializadoras de mobilização. “Essa tem que ser a nossa missão: estar concentrado da pauta da luta pelos direitos e pela educação. Porque aí você pega toda a diversidade da nossa base e foca em uma luta. O movimento estudantil quando ele está unificado em uma batalha é perigoso”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE

A esperança do novo presidente da UNE é que as pessoas cada vez mais tenham o movimento estudantil como instrumento de transformação social.
“Desde de quando eu fui para a minha primeira manifestação eu sempre acreditei que é possível mudar a sociedade quando a gente se movimenta, quando a gente se organiza conseguimos transformar a nossa realidade e a dos outros”, afirma.
Iago ressalta ainda que para que ele possa dar sua contribuição na maior entidade do movimento social hoje é preciso honrar todos os lutadores e as lutas que vieram antes.
“A UNE dá oportunidade aos jovens de sonharem, porque construiu lutas em outros momentos que possibilitaram que a gente conquistasse condições para que estudantes de escolas públicas, negros, pardos, indígenas que antes não sonhavam com estes espaços no ensino superior e hoje podem sonhar. E eu digo isso com muito orgulho e tranquilidade, porque eu ingressei na USP pelas cotas porque eu sei que se não fossem as cotas eu não conseguiria”.
E destaca dois goianos ex-presidentes da UNE que sempre o inspiraram na organização: ‘’Aldo Arantes que defendeu a democracia da década de 60, as reformas de base, a reforma universitária, e Honestino Guimarães, presidente da entidade em um dos nossos piores momentos perseguido e assassinado em 72”.

É DE HUMANAS OU DE EXATAS?

Iago iniciou no ensino superior no curso de história, graduação que abraçou devido ao interesse por arqueologia. Com o passar do tempo começou a entender o curso como uma ferramenta para as pessoas pensarem como a sociedade funciona, projetar o futuro, passar a questionar os mecanismos da sociedade.
Depois de três anos de história divididos entre a UFG e UnB ele viu na USP uma oportunidade de expandir o conhecimento em uma área bem diferente, a Economia.
“Adoro história, quero terminar um dia, mas eu estava diante de uma oportunidade única que talvez não se repetisse. Falta no país uma opinião elaborada de economistas no campo da esquerda, progressista, e penso que posso contribuir nessa questão, ser uma pessoa que possa travar o debate e contrapor o status quo, o mainstream da economia, o debate raso que os jornalões e comentaristas de grandes meios de comunicação impõe como um discurso complicado que ninguém entende”.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE

Na FEA, uma universidade de tradição liberal e conservadora, bem como uma das mais elitistas do Brasil, ele conta que se surpreendeu com a opinião estudantil que contrapõe o discurso vigente e a condição de repúdio a política de cortes de Bolsonaro.
“Temos aqui o CAVC [entidade que representa os estudantes da FEA], um dos CAs mais tradicionais e históricos do movimento estudantil, que teve muitos estudantes perseguidos pela ditadura, e tem um posicionamento muito firme na defesa de um projeto mais popular de educação, da própria economia, que contrapõe com firmeza o Ministro da Educação Abraham Weintraub, que foi estudante da FEA e foi declarado persona non grata da universidade”, explica.
E se diverte: “Na FEA a gente brinca que economia não é nem de humanas, nem de exatas”.
Iago afirma que no curso aprendeu que embora os economistas mais ortodoxos digam que a economia política foi superada, ele acredita que ela precisa ser política, mas reconhece  que este talvez seja um debate muito amplo para quem ainda está no início da graduação.
Foto: Karla Boughoff/Cuca da UNE
“O sistema capitalista tem um pensamento dominante que eles reproduzem como se aquilo ali fosse natural estabelecido e não possa ser mudado”.
Sobre a política econômica de Bolsonaro em sua análise ela é importada de outros países que não tem a mesma realidade do Brasil, e que isso certamente vai quebrar ainda mais o  país, sobretudo para o lado dos pobres.
“É um programa econômico que pensa pelo ponto de vista do equilíbrio fiscal, da solução dos problemas econômicos, mas não pensa do ponto de vista da solução dos problemas humanos. O ser humano/emprego no programa liberal é só mais uma variável que tem a ver como se você vai ou não aumentar o déficit fiscal ou o nível de produtividade, é apenas uma variável matemática no programa deles”.

E QUAL A SAÍDA?

Para o novo presidente da UNE, a entidade de 82 anos tem todos os mecanismos e pedigree para engajar e organizar uma resistência na sociedade por meio da pauta da educação.
“Mostramos isso nos dias 15 e 30M. As manifestações que paralisaram todos os estados do país só aconteceram porque na véspera diversas assembleias estudantis planejaram os atos em universidades de todo o Brasil. A defesa da educação é uma pauta que reverbera na sociedade e é com organização que vamos mudar os rumos dos retrocessos”.


Foto: Yuri Salvador